ENCALHE

abril 24, 2008

Bancos devem pagar mais impostos? O DEMO ( ex-PFL ) acha que não e até entra na Justiça com essa finalidade. Procurador-geral, no entanto, acha justo.

Filed under: CPMF, CSLL, DEMagogos, IOF, lucros dos bancos — Humberto @ 2:32 pm
Procuradoria Geral dá sinal verde para aumento da CSLL dos bancos
Medida Provisória prevê aumento da alíquota de 9% para 15%
São Paulo - O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, deu sinal verde, na terça-feira, dia 22, para o aumento da alíquota da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) paga pelos bancos. Souza não concordou com a ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pelo partido Democratas (DEM), ex-PFL, contra a medida provisória editada pelo governo federal que prevê o reajuste.
Com isso, se a MP for aprovada pelo Congresso Nacional, as novas regras passam a valer a partir de 1º de maio. Atualmente, ele é uma das que trancam a pauta do Câmara dos Deputados. A previsão é que sejam votadas ainda nesta semana.
O aumento foi anunciado no dia 2 de janeiro, após o Senado decidir pela extinção da CPMF ( Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira ). Na ocasião, o ministro da Fazenda Guido Mantega anunciou o acréscimo de 0,38% na alíquota o IOF ( Imposto sobre Operações Financeiras ) nas operações de crédito que até então eram isentas, exceto as operações mobiliárias.
“Apesar do discurso de responsabilidade sócio-ambiental, o setor financeiro deve muito à sociedade. Eles crescem cerca 25% por ano há pelo menos uma década e contribuem muito pouco com a geração de postos de trabalho ou redução de tarifas”, diz Luiz Claudio Marcolino, presidente do Sindicato.
Leia mais
> Bancos vão pagar mais imposto
> Bancos choram, mas pagam menos impostos do que deviam
> Setor financeiro é o que mais foi autuado pelo fisco em 2007
> “Jeitinho” faz bancos pagarem também menos Cofins e PIS
André Rossi – 23/04/2008
Sindicato dos Bancários

janeiro 15, 2008

País "ganha" novos milhares de milionários. Brasil perde.

Aumenta número de milionários no Brasil
Bancos engordam seus lucros e quem paga mais impostos continua sendo quem ganha menos
São Paulo – A fortuna dos milionários do país equivale a praticamente metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A afirmação está em uma reportagem publicada da Folha de S. Paulo nesta segunda, dia 14, sobre o aumento do número de milionários no Brasil e o conseqüente lucro do setor de private banks. O bom desempenho da economia brasileira e a alta rentabilidade oferecida pelo mercado financeiro são os fatores que mais contribuem para o aumento de milionários e o crescimento no lucro dos bancos. Em 2006 havia 130 mil milionários no Brasil, número que subiu para 190 mil em 2007, ou 46,1% mais.
O setor de private banks administra grandes fortunas, ajuda na construção de estratégias para expandir as riquezas desses clientes milionários e ganha em troca com as altas taxas cobradas referentes a esses serviços. Segundo o BCG (The Boston Consulting Group), milionários são aqueles que têm mais de US$ 1 milhão aplicado no mercado financeiro. O Itaú Private Bank aceita investimentos de no mínimo R$ 4 milhões. Com o crescimento de milionários no país, o banco ficou entre os 15 maiores private banks do mundo, segundo ranking da revista Euromoney.
Repasse – Apesar do rotineiro aumento dos lucros dos bancos, a dívida do setor financeiro com a sociedade brasileira continua. As taxas de juros para crédito agrícola e para pequenas e médias empresas são extremamente altas. Se oferecessem crédito a juros mais baixos os bancos continuariam a lucrar e ainda contribuiriam de maneira substancial com o crescimento da economia.“O trabalhador do setor bancário precisa de salário melhor”, ressalta o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino. “Os bancos precisam contratar, melhorar as condições de trabalho e oferecer melhor atendimento também aos clientes que não são donos das grandes fortunas”, diz o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino. O dirigente lembra, ainda, que alguns bancos, apesar de estarem na lista dos mais lucrativos e dos que mais recebem investimentos dos novos milionários, ainda não pagam o auxílio-educação aos seus funcionários. É o caso do Bradesco, que já conta com 5 mil clientes com mais de R$ 1 milhão.
Gisele Coutinho – 14/01/2008
Sindicato dos Bancários

Ba ( N ) canal: Bancos choram, mas pagam menos impostos do que deviam

Com “jeitinho”, instituições escapam de boa parte da tributação que deveria pagar
São Paulo - Para cobrir parte do rombo causado pela não prorrogação da CPMF, o Governo Federal aumentou de 9% para 15% o valor da alíquota da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL). Os bancos, setor da economia que mais lucra no país, já começaram a reclamar, mas parecem esquecer que, com muito jeitinho, conseguem se livrar de cerca de metade de taxação.De acordo com estudo da consultoria Austin Rating, publicado nesta segunda-feira, dia 14, pela Folha de S.Paulo, em 2006, os bancos deveriam ter recolhido R$ 3,678 bilhões de CSLL, já que lucraram R$ 40,876 bilhões. Mas, através do chamado “planejamento tributário”, arrecadaram efetivamente R$ 1,813 bilhão. Ou seja, o equivalente a 4,5% do total do lucro. Sob esta conta, o lucro seria maior e a distribuição para os bancários também teria que ser.
A mesma Austin Rating revela que nos primeiros nove meses do ano passado, os bancos lucraram R$ 44.987 bilhões e deveriam ter repassado ao fisco R$ 4,048 bilhões. Mas, também usando o “planejamento tributário”, pagaram pouco mais da metade disso: R$ 2.037 bilhões.
Outras palavras - Estudo do Departamento de Estudos Técnicos do Unafisco Sindical, divulgado no ano passado, mostra o mesmo, mas em outras palavras. Segundo ele, o montante arrecadado pelos bancos de CSLL cresceu 2,99% de janeiro a setembro de 2006, em relação ao mesmo tempo do ano anterior. Neste mesmo período, os lucros dos bancos aumentaram nada menos do que 35,14% se for considerado todo o sistema financeiro.
Se for considerada como referência a participação das instituições no total das receitas da Secretaria da Receita Federal (SRF) a conclusão é a mesma. De 2005 para 2006, ela saiu de pífios 0,73% para não menos irrisórios 0,79%, alteração de 8% ou de quase quatro vezes menos do que os 35,14% de aumento nos lucros.
Planejamento questionável - “Muitas vezes, essas instituições consideram perdas em crédito que não deveriam, adotam planejamento tributário questionável”, disse para a Folha de S.Paulo o delegado Marco Antonio Ruiz, da Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf), em matéria que revela que aproximadamente cem instituições financeiras foram autuadas no ano passado, em São Paulo, em cerca de R$ 3,3 bilhões por pagarem menos Imposto de Renda (IR).
André Rossi
Sindicato dos Bancários
14/01/2008
MAIS:
Bancos seguem liderando ranking de lucros no Brasil

janeiro 9, 2008

DEMos e tucanalhas: Banqueiro foi quem mais despejou grana em campanha do presidente do PFL, em 2006. Bancada dos bancos…

BANQUEIRO foi o maior financiador de campanha de Rodrigo Maia, presidente do DEM
Na eleição de 2006 o BANQUEIRO Ronaldo Cezar Coelho foi o maior financiador da campanha de Rodrigo Maia, presidente do DEM.
Também o financiaram outras instituições ligadas ao mercado financeiro (todas as grifadas na imagem acima).Em 2002 (abaixo) , também houve forte financiamento de bancos e outras instituições financeiras.
Os fatos demonstram melhor do que quaisquer argumentos as ligações dos demos com os banqueiros.
E explica a defesa que os demos fazem do MAIOR LUCRO dos BANQUEIROS, contra uma melhor distribuição de renda para o restante do povo brasileiro.

Blog Os Amigos do Presidente Lula
08/01/08

janeiro 7, 2008

Bancos vão pagar mais imposto – Setor que mais lucra na economia brasileira terá tributação aumentada

São Paulo – Diante do fim da cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), o ministro Guido Mantega anunciou na quarta-feira, dia 2, o aumento de alguns impostos, dentre eles a CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) do setor financeiro que sobe de 9% para 15%. Além disso, haverá acréscimo de 0,38% na alíquota o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nas operações de crédito. As que eram isentas, exceto as operações mobiliárias, passarão a pagar 0,38%.
Os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário também vão ter que apertar o cinto, de acordo com o ministro, já que o governo decidiu reduzir as despesas de custeio e investimento dos três poderes em R$ 20 bilhões.
As medidas, que devem garantir um aporte de R$ 30 bilhões, servem para compensar o rombo de R$ 40 bilhões no orçamento da União, causado pela extinção da CPMF. O restante, o ministro Mantega espera que venha do aumento da arrecadação devido ao crescimento da economia. Para o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino, a decisão de aumentar a CSLL dos bancos é acertada. “O setor financeiro está em dívida com a sociedade brasileira. Cresce em média 25% ao ano há cerca de uma década, mas não contribui com a criação de mais postos de trabalho ou redução de tarifas, por exemplo. Agora é preciso baixar as taxas de juros para o crédito agrícola e para pequenas e médias empresas, uma medida extremamente justa”, avalia Marcolino. “É necessário taxar as grandes fortunas. A medida deve ser feita no congresso, mas, é fundamental que quem realmente ganha dinheiro no país pague imposto. O retorno será muito maior com a arrecadação”, completa.
O percentual de reajuste na alíquota do IOF será feito por decreto e deve valer logo após publicação no Diário Oficial da União, o que pode acontecer ainda na primeira semana de janeiro. A CSLL, no entanto, virá por medida provisória e só poderá ser cobrada após 90 dias. “Provavelmente os bancos vão espernear, mas a sociedade brasileira deve ser organizar para apoiar a cobrança e exigir dos bancos o retorno para a sociedade dos lucros gerados dentro do país”, diz o presidente do Sindicato.
Cláudia Motta com informações da Folha Online – 02/01/2008
Sindicato dos Bancários

janeiro 5, 2008

Privatização criminosa do Banespa causou desemprego em massa.

Estudo liga fusões nos bancos a demissões
Privatização do Banespa e vendas do Bamerindus e do Nacional são lembradas em documento do Dieese
São Paulo – O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgou um estudo que mostra em detalhes como as fusões e aquisições ocorridas nos últimos anos provocaram milhares de demissões no setor bancário, “como forma de reduzir os gastos totais, e, em particular as despesas de pessoal”, segundo trecho da nota técnica.
> Clique aqui para ler o estudo completo.
“O documento chega num momento importante, quando a categoria luta para que a fusão entre o Santander e o ABN não traga como conseqüência novas demissões protagonizadas pelo Santander. Os bancos falam muito em responsabilidade social, mas não pensam duas vezes na hora de colocar pais e mães de família na rua, apesar dos fantásticos lucros que registram todos os anos”, destaca o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino, lembrando da importância da ratificação, pelo governo brasileiro, da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que proíbe demissões imotivadas.
Um dos casos lembrados no estudo é o da privatização do Banespa. O banco passou por dois processos de demissões: um anterior à venda, entre 1992 e 1999, quando 17.052 empregos foram eliminados, e o segundo em 2001, um ano após a venda para o Santander, com o programa de demissão voluntária que contou com a adesão de 8.300 funcionários. Como conseqüência, em 2002, o Santander contava com apenas 13.722 bancários, contra mais de 37.000 em 1992.
Nacional e Bamerindus – A nota técnica destacou também as fusões do Nacional com o Unibanco, em 1995, e a do Bamerindus com o HSBC, em 1997. No primeiro exemplo, o número de funcionários do Unibanco, que havia crescido logo após a fusão, caiu nos anos seguintes 39,1%, com mais de 11 mil demissões. No caso do Bamerindus, o enxugamento começou ainda antes da concretização da venda, com o número de bancários caindo de 30.434 para 22.950 entre 1992 e 1994. Nos anos seguintes, o HSBC iniciou um processo de demissões que fez o banco chegar a 1999 com apenas 18.845 funcionários.
Danilo Pretti Di Giorgi
Sindicato dos Bancários
04/01/2008

setembro 22, 2007

PDSB e DEM boicotam a CPMF porque ela atende à população

Tentaram adiar mais uma vez e fracassaram
Os recursos arrecadados pelo governo com a Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF) têm, basicamente, dois destinos: o Fundo Nacional de Saúde e o Fundo de Combate à Pobreza. O primeiro é responsável por financiar todo o atendimento médico e paramédico à população. O segundo é responsável pela luta contra a fome – o conjunto de programas sociais que compõem o Fome-Zero, que atende milhões de brasileiros e é a principal causa da redução da pobreza e diminuição da concentração de renda, ocorridas no governo Lula.
Pois é exatamente a prorrogação desse imposto que a oposição tucano-expefelista quer boicotar no Congresso. Se essa oposição quer diminuir os impostos, poderia, por exemplo, lutar para que o limite de isenção do Imposto de Renda não seja tão baixo – o que força a inclusão de boa parte dos trabalhadores entre seus contribuintes – ou propor que a tabela de correção desse mesmo imposto tivesse uma atualização maior. Ou, até mesmo, que só pagasse Imposto de renda quem tivesse renda.
Poderia, também, lutar para que os impostos sobre as empresas nacionais fossem mais justos, ou que os bancos e o capital especulativo estrangeiro começassem a pagar impostos – o que permitiria a redução da carga fiscal e/ou tributária de vários setores da população.
Porém, nada que afete o pagamento de juros aos bancos, ou os privilégios fiscais que estes desfrutam, faz o gênero dessa oposição. Ao contrário: em relação a bancos, multinacionais e especuladores em geral, essa oposição quer sempre diminuir o que eles contribuem para a coletividade sob a forma de impostos.
Mas é a CPMF, destinada ao financiamento da saúde pública e dos programas sociais, que é o seu alvo. Poucas vezes ficou tão clara a opção dessa gente: tudo para os bilionários, sobretudo os estrangeiros, tudo para os parasitas da especulação. Estes, se pudesse, ela isentava de impostos.
Já em relação ao povo, ao seu atendimento e à sua fome, a atitude desses boicotadores é – coerentemente, não há dúvida – a oposta: que passem fome ou que não tenham atendimento médico-sanitário, não importa a eles. Pelo contrário, acham que o Estado e o governo não devem se preocupar com os pobres, isto é, com o povo, com a população que sustenta esse Estado. Para eles o Estado não deve ser um instrumento da sociedade, não deve servir ao povo, mas ser, pelo contrário, uma agência de extorsão dos recursos do povo, para que esses recursos sejam drenados para meia dúzia de magnatas.
Somente isso é capaz de explicar o ódio que neles desperta a CPMF e sua tentativa de impedir sua prorrogação no Congresso.
PRETEXTOS
Interessante, ainda que algo nauseantes, são os pretextos para conseguir esse fim. Na sessão do Senado na tarde de quarta-feira, depois de passar o tempo numa discussão fiada cujo único objetivo era jogar no lixo o acordo feito horas antes com a liderança do PT, durante a reunião da Comissão de Constituição e Justiça (ver matéria nesta página), os senadores da oposição – e aqui estamos nos referindo especificamente a três deles: Virgílio, Agripino e Jereissati – declararam-se subitamente “em obstrução”.
Como observou o senador Wellington Salgado, é uma curiosa “obstrução”, na qual todos os “obstrutores” continuam dentro da sala de sessões, falando e fazendo exatamente a mesma coisa que antes, mas declarando-se “ausentes”. Por definição, “obstrução” é a manobra parlamentar caracterizada pela saída de uma ou mais bancadas do plenário, para que o quorum e a sessão caiam, impedindo que seja aprovada a matéria que está na ordem do dia. Mas, segundo Jereissati, hoje em dia é diferente: basta que alguém diga que está “em obstrução”. Pode até continuar no plenário e até participar dos debates, pois a saída é “simbólica”. Em suma, o que sai do plenário é a alma. Logo, o corpo pode ficar no recinto, ainda que desalmado.
Nessa sessão, com a oposição de corpo presente, a matéria em votação era a nomeação do ex-senador matogrossense Luís Pagot para a direção-geral do DNIT. Sobre isso, eles não levantaram objeções. Segundo disseram, o motivo da suposta “obstrução” seria a permanência do senador Renan Calheiros na presidência do Senado e do Congresso. Eles não se conformam com a decisão democrática da maioria. Assim, não querem “obstruir” para impedir que seja aprovada alguma matéria de que discordem. Não se trata, portanto, de uma verdadeira obstrução, mas de chantagem. Daí, dizem que vão “obstruir” até que seja colocada em votação a emenda constitucional que transforma de secreta em aberta a votação para cassar os mandatos de seus colegas. Mas, como já mencionamos, depois de estabelecer um acordo com o PT para votar essa questão, Virgílio, Agripino e Jereissati foram os primeiros a rompê-lo.
No entanto, o que demonstra de forma cabal a falsidade do pretexto é que na Câmara, onde Renan não é presidente, nem membro da casa, os tucanos e ex-pefelistas também resolveram “obstruir”. Lá a matéria era, exatamente, a prorrogação da CPMF, e eles conseguiram postergá-la por 13 horas, numa sessão quase infinita (v., também, matéria nesta página). E prometem que vão “obstruir” a votação dos destaques, isto é, das propostas de modificação ao texto-base. É verdade que não têm força para impedir sua votação, apenas para aporrinhar os demais deputados.
Uma das acusações que ainda não fizeram ao senador Renan, que se saiba, é a de ser deputado. Mas os tucano-expefelistas disseram-se em “obstrução” também na Câmara, e se puseram a usar de todas as filigranas e entrelinhas regimentais, não regimentais e contra-regimentais para impedir a CPMF.
HIPOCRISIA
Bem disse o senador Calheiros que “não há obstrução contra ninguém. Há obstrução em razão de uma pauta que tem de ser negociada pelos partidos e líderes. Isso não cabe ao presidente do Senado. Ao presidente do Senado cabe presidir o Senado”.
Realmente, cabe às bancadas, e particularmente aos seus líderes, enfrentar o problema, até porque não se trata de obstrução legítima, mas de locaute parlamentar ilegal.
Não iremos aqui perder nosso tempo – e o do leitor – com as tergiversações, negaças, hipocrisias e cinismo desses senhores. Já apareceram argumentos de fazer os frades e os devassos corarem.
Resta apenas apontar que a CPMF é hoje o único imposto do país que é à prova de sonegação. Exceto se o sujeito guardar seu dinheiro debaixo do colchão, não tem como a raça de sonegadores escapar ao fisco e negar o que deve à sociedade. Não por acaso, esse aspecto da CPMF desagrada profundamente essa oposição, para não falar de sua mídia. Naturalmente, são os herdeiros de uma casta que desde que Cabral aqui chegou está acostumada a crer – e, mais do que crer, praticar – o princípio (!?) de que só o povo deve pagar impostos, jamais os potentados e seus apaniguados, sejam eles senhores de escravos, oligarcas da lavoura, bancos, multinacionais ou donos de jornais, revistas e Tvs.
Mas, o que demonstra a aprovação da prorrogação, na mesma quarta-feira, na Câmara, é que isso vai acabar.
CARLOS LOPES
Hora do Povo
Edição 2604
21/09/2007

setembro 13, 2007

Estamos crescendo demais?

PAULO NOGUEIRA BATISTA JR
Folha de São Paulo
13/9/2007

A aceleração não é excepcional. O país se recupera de longo período de crescimento quase sempre medíocre
O NOSSO “complexo de vira-lata” tem múltiplas facetas. Uma delas, adquirida nos últimos 20 anos, é o medo de crescer. Sempre que a economia brasileira mostra um pouco de vigor, ergue-se, sinistro, um coro de vozes falando em “excesso de demanda”, “retorno da inflação” e pedindo medidas de contenção. O IBGE divulgou ontem as Contas Nacionais do segundo trimestre de 2007. Não há dúvida de que a economia está pegando um certo ritmo. O crescimento foi significativo, embora tenha ficado um pouco abaixo do esperado. O PIB cresceu 5,4% em relação ao segundo trimestre do ano passado. A expansão do primeiro semestre foi de 4,9% em comparação com igual período de 2006. O crescimento está baseado fundamentalmente na demanda interna, e o destaque foi a expansão do investimento fixo: 13,8% em relação ao segundo trimestre de 2006. O setor mais dinâmico foi a indústria, que cresceu 6,8%. A agropecuária praticamente não cresceu, mas o setor de serviços registrou aumento de 4,8%. A turma da bufunfa não pode se queixar. Entre os subsetores do setor serviços, o segmento que está “bombando” é o de intermediação financeira e seguros -crescimento de 9,6%. O Brasil continua sendo o paraíso dos bancos e demais instituições financeiras. Não obstante, os porta-vozes da bufunfa financeira, pelos menos alguns deles, parecem razoavelmente inquietos. Talvez por um reflexo pavloviano, temem que o crescimento econômico possa desembocar em aceleração da inflação. Há razões para esse medo? É muito duvidoso. Ressalva trivial: é claro que o governo e o Banco Central nunca podem descuidar da inflação. Se eu fosse cunhar uma frase digna de um porta-voz da bufunfa, eu diria ( parafraseando uma outra máxima trivializada pela repetição ): “O preço da estabilidade é a eterna vigilância”. Entretanto, a estabilidade não deve se converter em estagnação. Ou seja, o que queremos é a estabilidade da moeda nacional, mas não a estabilidade dos níveis de produção e de emprego ( e desculpe, leitor, a homenagem ao Conselheiro Acácio ). A aceleração do crescimento não parece trazer grande risco para o controle da inflação. Ela não tem nada de excepcional. O Brasil está se recuperando de um longo período de crescimento econômico quase sempre medíocre, inferior à média mundial e bastante inferior ao de quase todos os principais emergentes ( com exceção do México, outro país que tem se notabilizado por combinar estabilidade e estagnação ). Ainda temos margens substanciais de capacidade produtiva não utilizada. As taxas de desemprego e subemprego cederam, mas continuam elevadas. A maior parte da expansão da demanda interna está sendo acomodada por aumentos de importação (permitida pela situação folgada das contas externas) e por ampliação das quantidades produzidas domesticamente. Temos, ao mesmo tempo, aumento do grau de utilização da capacidade preexistente e aumento do estoque de capital, em razão dos novos investimentos produtivos. As recentes pressões sobre os índices de preços se devem, em parte, a problemas localizados de oferta, ainda que a expansão da demanda também possa ter contribuído. As expectativas de inflação para 2007 e 2008 aumentaram um pouco, mas continuam bem comportadas. Além disso, a economia brasileira vem resistindo bem às turbulências financeiras internacionais desde agosto. No primeiro semestre deste ano, pela primeira vez em muito tempo, a economia brasileira conseguiu crescer a uma taxa próxima à da economia mundial. Mas ainda estamos crescendo menos do que quase todos os principais emergentes ( o México novamente é a exceção ). O Brasil apenas começou a tomar um certo impulso. Não vamos abortá-lo por medo da inflação.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR. , 52, escreve às quintas nesta coluna. Diretor-executivo no FMI, representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago).
pnbjr@attglobal.net

setembro 8, 2007

Excesso de impostos e de funcionalismo público. Aloysio Biondi já mostrava que isso era mentira. Nunca é demais relembrar.

Quando tudo é só modismo
ALOYSIO BIONDI
Os grandes lucros dos bancos em 1995 mostram que há excesso de inverdades sobre a economia brasileira e as “reformas”. Mente-se sobre os bancos, sobre o “excesso de funcionários”, sobre a onda de fusões de empresas, sobre os salários e encargos, sobre a quebra da Previdência e assim por diante. Mais do que escandalizar, os lucros obtidos pelos bancos indicam a necessidade de refletir sobre a facilidade com que os formadores de opinião têm aceito dados falsos ou teorias pretensamente sofisticadas e “modernas” sobre a economia. Os primeiros balanços divulgados mostram que, em vários casos, os bancos tiveram lucros de até 30% sobre o patrimônio líquido, ou três vezes a lucratividade tradicional do setor, na faixa dos 12%, e até 500% acima dos resultados do sistema financeiro internacional. No entanto, nos últimos meses, a sociedade brasileira foi bombardeada com explicações sofisticadas sobre a queda do “lucro inflacionário” dos bancos. A partir daí, pipocaram as análises também sofisticadas sobre o risco de quebra de pequenos bancos e a “inevitabilidade” de fusões e incorporações. Era tudo palavrório vazio.
Mais ainda: o objetivo da disseminação dessas teses era abrir caminho para a equipe econômica lançar o programa de ajuda bilionária aos bancos, com dinheiro do contribuinte, endividamento do Tesouro, perdão de impostos e tudo mais. Os lucros dos bancos podem deixar um saldo positivo, permanente, para o país, ao mostrarem a necessidade de rejeitar modismos!
Incorporações
Está na moda afirmar que o Brasil entrou na “onda” mundial de fusões e incorporações de empresas ( para “ganhar escala” etc. e tal ). Em 1995, dizem os dados, essas operações teriam “explodido”, com crescimento de 300%, de R$ 700 milhões em 1994 para R$ 2,8 bilhões em 1995.
A análise dos dados mostra outra realidade. Duas operações, sozinhas, respondem por R$ 2,2 bilhões. Uma: a “compra” do Nacional pelo Unibanco. Outra: a compra da Kolynos pela Colgate. Um caso de “quebra” e um caso de divisão mundial de mercados, portanto.
Previdência
Para combater a sonegação, o INSS fiscalizou 300 mil empresas em 1995. Ou menos de um terço das 1,1 milhão de empresas visitadas em 1993.
Sem inchaço
Na comparação com o número de habitantes, o número de funcionários públicos federais, estaduais e municipais é dez vezes menor que na Inglaterra (mesmo depois de Tatcher) e 20 vezes menor que na França. O próprio ministro Bresser Pereira admitiu recentemente que o “inchaço” do funcionalismo é um mito. Cultivado para justificar “reformas”.
Impostos
Causou furor, durante meses, a repetição de que no Brasil as empresas enfrentavam mais de 50 impostos. Houve até “pesquisas” mostrando que as empresas gastavam incríveis dois terços do seu tempo cuidando da papelada. Balela.
Nunca se explicou que realmente existem vários tipos de impostos e taxas no Brasil, mas que cada empresa só paga meia dúzia deles, que são específicos para o seu setor. Por exemplo: há uma taxa de renovação da lavoura de cacau que, obviamente, só empresas do setor pagam, ao negociarem o produto e seus derivados. E assim por diante.
O mito dos 50 impostos serve para desmoralizar o Estado – e justificar a sonegação.
Salários
Repete-se ”ad nauseam” que a mão-de-obra pesa muito no custo das empresas, no Brasil, porque os encargos trabalhistas chegam a 102%. Artigo do economista Demian Fiocca, publicado dia 31 de janeiro último nesta Folha, mostra que eles, na verdade, não passam de 35,8%. A acrescentar: mesmo que os encargos fossem de 100%, estariam sendo cobrados sobre salários baixíssimos, dez vezes menores que nos países industrializados. Não são os salários ou os encargos que causam desemprego.
( Publicado na Folha de São Paulo, em 08/02/96 )

agosto 17, 2007

Manera aí, pessoal: "Dívida de consumidores com bancos aumenta 14,2%"

Filed under: consumo, Dívidas, lucros dos bancos, Serasa — Humberto @ 1:46 pm
Dados do indicador do Serasa mostram que inadimplência do consumidor diminui, mas dívida com bancos e cartões de crédito aumenta
São Paulo - Divulgado nesta quinta, dia 16, o Indicador Serasa de Inadimplência Pessoa Física, que mostra que a dívida dos brasileiros com bancos lidera o ranking do indicador com R$ 1.265,33 de janeiro até o mês de julho. Em relação ao mesmo período de 2006 o aumento é de 14,2%.
“Os bancos interessados em ampliar ainda mais seus lucros, incentivam a concessão de crédito sem a preocupação com o endividamento da população. Ganham cobrando juros ainda mais elevados dos inadimplentes. A ampliação da concessão do crédito é positiva desde que combinada com a redução dos juros”, disse Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
A dívida corresponde a 38,3% no total de inadimplência de pessoas físicas, contra 31% de 2006. Contas com cartões de crédito e financeiras teve 30,9% de participação da inadimplência, ficando em segundo lugar, o aumento em relação ao ano passado é de 19,3%. No geral, o índice de inadimplência do consumidor caiu 1,7% entre janeiro e julho de 2007 em relação ao mesmo período do ano passado.
Gisele Coutinho – 16/08/2007
Sindicato dos Bancários

agosto 16, 2007

Lula e o lucro recorde dos bancos

Filed under: Banco Central, governo Lula, investidores, juros, lucros dos bancos — Humberto @ 11:48 pm
Altamiro Borges *
Adital
16.08.07
Ao final da sua viagem à América Central, o presidente Lula tentou novamente justificar o injustificável. Diante das notícias sobre os lucros recordes dos bancos, ele afirmou, candidamente, que “eu sonho com o dia em que as empresas, bancos e a imprensa possam ganhar uma pouco mais no Brasil”. Mais uma frase infeliz de um governante que insiste em conciliar interesses antagônicos. Afinal, a atual orgia dos bancos, alicerçada na especulação financeira, na cobrança abusiva de taxas e na brutal exploração dos bancários, é frontalmente contraria aos interesses dos trabalhadores, da nação e do próprio setor produtivo. Na prática, os balanços publicados em agosto atestam que há algo de podre na política macroeconômica do governo.
O Bradesco, primeiro a divulgar o balanço, declarou que seu lucro líquido no primeiro semestre deste ano foi de R$ 4,007 bilhões – um novo recorde histórico, 27,9% a mais do que o obtido no mesmo período do ano passado. Na seqüência, o Itaú superou seu concorrente no pódio dos especuladores, obtendo um lucro líquido declarado no semestre de R$ 4,016 bilhões, resultado 35,8% superior ao obtido em 2006. O Banco do Brasil, que embora seja público e opere de forma similar ao das instituições privadas, ficou em terceiro lugar com R$ 2,477 bilhões, uma estranha queda de 36% no lucro. Os dois bancos privados já concentram o grosso das operações financeiras, num processo de acelerada e perigosa monopolização deste setor.
O motor da sangria financeira
Festejado pelos banqueiros e justificado pelo presidente Lula, estes balanços representam um afronta à sociedade brasileira, uma autêntica provocação. Como argumenta o sociólogo Léo Lince, “são dados que afirmam o Brasil como verdadeiro paraíso dos banqueiros, onde a extorsão financeira nada de braçada”. O pior é que este quadro não se inverteu no governo Lula e, pior, tem se agravado. Tendo como base o primeiro semestre, em 2004 o Itaú teve um lucro de R$ 1,824 bilhões; em 2005, de R$ 2,474 bilhões; em 2006, de R$ 2,958; e, agora, chegou a R$ 4,016 bilhões. A progressão do Bradesco, segundo no ranking, não foi diferente neste período e ambos garantem que vão lucrar ainda mais no próximo semestre.
“Não foi, é claro, o governo Lula que inventou a engrenagem infernal deste cassino financeiro. Mas está comprometido com ela até a medula, pois a política econômica do governo é o principal motor da sangria desatada. Sem dúvida, os ganhos da casta financeira no Brasil suplantaram o patamar do humanamente tolerável. Esse dinheiro que gera dinheiro é o reverso dos gargalos que atravancam o financiamento dos demais setores da economia. Recolhido nas fortalezas inexpugnáveis da banca privada, livre de qualquer tipo de controle social, ele é uma fonte de dominação e avassalamento”, diz Lince. Para ele, a ortodoxia do Banco Central “abre largas avenidas para a reprodução continuada da espetacular farra dos bancos”.
Perversa transferência de renda
No extremo oposto dos lucros recordes dos banqueiros, o Brasil vive na pindaíba. O governo, atolado na imensa dívida pública que já supera R$ 1,198 trilhão, é forçado a desembolsar cerca de R$ 150 bilhões ao ano para pagar somente os juros. A taxa Selic do Banco Central, que regula os pagamentos dos depósitos compulsórios e da dívida pública, é de 11,25%, a segunda maior taxa do planeta. Já as empresas privadas e os cidadãos comuns são surrupiados diariamente por estes agiotas. A taxa de juros cobrada pelos bancos nos empréstimos para pessoas jurídicas é de 25,3% e a taxa para as pessoas físicas é, em média, de 49,1% ao ano. No caso das operadoras de cartão de crédito, ela atinge, em média, 122% ao ano – um absurdo.
Somando os R$ 150 bilhões retirados dos cofres públicos, mais o resultado da agiotagem do setor privado (que deve render outros R$ 167 bilhões de juros dos empréstimos), os banqueiros e rentistas abocanharão neste ano, apenas com a especulação financeira, cerca de R$ 317 bilhões – o que representa quase 20% do PIB nacional. É um enorme e perverso mecanismo de transferência e concentração de renda, que reduz os investimentos públicos, penaliza o setor produtivo, inibe o crédito e gera desemprego e miséria. Não há porque o presidente Lula sonhar com mais lucros para os banqueiros. Eles já roubam demais! Além disso, eles subtraem recursos que poderiam ser usados pelo governo na infra-estrutura e nas políticas sociais.
Absurdo do “bolsa especulador”
Segundo Raphael Prado, “os lucros do Bradesco e do Itaú no primeiro semestre, somados, poderiam pagar durante um ano o valor do maior benefício do Bolsa-Família para 5,9 milhões de beneficiários. Ambos lucraram, em apenas seis meses, R$ 8,023 bilhões… Já os benefícios do programa do governo federal, que hoje atinge cerca de 11 milhões de famílias, variam de R$ 18 a R$ 112″. Esta aberração é que tem levado o teólogo Frei Betto, que durante dois anos coordenou o Fome Zero, a intensificar suas críticas à política macroeconômica do governo Lula. Ele lembra que, em 2006, o Bolsa Família deu R$ 15 milhões para 11 milhões de famílias. “Já o ‘bolsa especulador’ doou R$ 150 bilhões para 20 mil famílias de credores da dívida pública. Não há futuro para um país que beneficia dessa maneira sua camada mais rica”, afirma.
Além da agiotagem dos juros, os bancos ainda acumulam fortunas com a cobrança das escorchantes taxas de serviços. Segundo artigo da revista eletrônica Terra Magazine, “o lucro recorde dos bancos se deve ao aumento especular de 250% nas tarifas. Levantamento da agência de classificação de riscos Austin Rating mostra que a participação dos serviços no crescimento bancário atingiu 19,7%, contra 19,1% dos títulos e valores imobiliários. Dessa forma, os serviços hoje compõem a segunda fonte de receita dos bancos, perdendo apenas para as receitas de crédito, que respondem por 47,6%. Para se ter uma idéia do tamanho do seu crescimento basta lembrar que a receita com serviços dos dez bancos que apresentaram balanço somou R$ 13,8 bilhões, um acréscimo de 22,8% em relação a igual período do ano passado”.
(Autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo”, Editora Anita Garibaldi, 2ª edição) .
* Jornalista, editor da revista Debate Sindical

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