ENCALHE

junho 10, 2008

Carreira de professor atrai menos preparados. QIs acima de 250 se tornam, claro, jornalistas!

Fogueira ideológica ( sic )
Livros didáticos queimados em praça pública – e os responsáveis são professores
revista vEJA, 16.04.08
Das apostilas, só sobraram as cinzas (à dir.): a queima de livros foi arma do nazismo
Livros em chamas remetem a períodos de obscurantismo na história. Foi assim na Inquisição, cinco séculos atrás, quando obras contrárias à doutrina da Igreja Católica eram queimadas em praça pública. Essa também foi uma prática dos nazistas. Em doze anos no poder, eles carbonizaram milhares de volumes em macabras cerimônias noturnas em que as chamas produzidas pelo papel queimando-se eram luzes que anunciavam as trevas da intolerância. Poucos dias atrás, a cena de uma fogueira de livros, no centro da cidade de São Paulo, ecoou esses tempos sombrios. O episódio, por si só, já chamaria atenção. Piora ainda mais o quadro saber que a iniciativa partiu de um grupo de professores, justamente de quem mais se espera o
apreço à diversidade de opiniões. Os responsáveis pelas labaredas são da Apeoesp, o maior sindicato de professores de São Paulo. Enquanto os livros desapareciam com o fogo, eles gritavam: “Quei-ma, quei-ma!”.
A razão para a indignação dos sindicalistas também surpreende: eles protestavam contra o novo currículo escolar produzido pela Secretaria Estadual de Educação. De quebra, colocaram na fogueira algumas das apostilas fornecidas pela secretaria. O currículo contra o qual eles se posicionam é um documento que organiza o conteúdo a ser transmitido aos alunos da rede pública – com metas estabelecidas para cada aula do ano. Deveria ser bem-vindo, mas os sindicalistas decidiram reduzir alguns dos exemplares a um punhado de cinzas por considerá-lo, antes de tudo, uma afronta à liberdade de o professor conduzir sua própria aula. Em segundo lugar, por julgá-lo “limitado” e “incapaz de formar cidadãos”, segundo palavras do professor Carlos Ramiro, o presidente da Apeoesp.
A pregação ideológica do sindicato não tem confirmação nas pesquisas ( sic ) . Elas indicam que os alunos sempre têm desempenho melhor naquelas escolas em que os professores são guiados por metas de ensino – algo elementar, mas ainda uma raridade no Brasil. Enquanto em outros países o currículo já é, há tempos, artigo básico, aqui os professores de escolas públicas começam a ser apresentados a ele só agora e ainda em poucos estados, como Minas Gerais e Tocantins. Não resta dúvida ( sic ), portanto, sobre o mérito da iniciativa de São Paulo – e sobre a falta de razão do violento protesto do sindicato. Diz a secretária estadual de educação, Maria Helena Guimarães de Castro: “Os sindicalistas são corporativistas. Eles rejeitam qualquer instrumento que permita a prestação de contas da escola à sociedade”. Com o novo currículo, os professores passam a estar mais sujeitos à cobrança sobre o que ocorre em sala de aula e terão, finalmente, de se pautar por um objetivo mensurável. Esse é um cenário que favorece o ensino de qualidade. A fogueira dos sindicalistas sinaliza que a preocupação central deles é a política e não a formação dos alunos. Uma pena.

“( … ) Dois anos depois, em 1886, o número de escravos no Piauí chegou a 16.727. E em 1888 o total tinha diminuído para quinze mil por diversos fatores tais como: mortandade, libertação dos sexagenários e saídas para outras Províncias. Com a libertação dos escravos em 13 de maio de 1888, centenas ainda permaneceram em suas atividades nas fazendas de gado, houve uma continuação do modo de vida, porém sem os grilhões da escravidão ( 50 ) (Lima, 2002).
( 50 ) Em 1890, logo após a libertação dos escravos, quando a República já tinha sido proclamada, Rui Barbosa, então ministro da Fazenda, ordena a queima de todos os arquivos referentes a escravidão ( Moura, 2004 ), mesmo que Rui Barbosa tivesse como objetivo “proteger” a Lei Áurea, esta atitude por um lado foi uma clara tentativa de acabar com a memória da opressão. Segundo Paul Connerton (1999: 14) “quanto mais absolutas são as aspirações do novo regime,
mais imperiosamente este procurará introduzir uma era de esquecimento forçado”. Porém,muito mais forte do que os documentos são os vestígios da memória, a própria liberdade é amemória viva da escravidão, se houve liberdade é porque houve escravidão. ( … )”.
“( … ) Em seu ensaio “Intellectuals and the Forgetting of Slavery in Brazil” (1996), Dain Borges argumenta que o período entre a abolição da escravidão (1888) e o lançamento de Casa Grande & Senzala (1933), de Gilberto Freyre, é marcado por uma quase completa ausência da escravidão do discurso intelectual brasileiro. Nos primeiros anos da República, Rui Barbosa, então Ministro da Fazenda, queima grandes quantidades de documentos relativos à escravidão, promovendo até mesmo um Auto-da-Fé no quinto aniversário da Lei Áurea, onde dois vagões de documentos são queimados em praça pública ao som da banda da polícia de Salvador. As razões alegadas por Rui eram duas: em primeiro lugar, evitar futuras demandas de indenização por parte de senhores de escravos e, também, evitar que os arquivos fossem usados para “envergonhar certos brasileiros com a nódoa da escravidão”. Um editorial de 1890 comentando a queima dos documentos se refere à história da escravidão como “misérias inenaerráveis daqueles tempos de barbarismo”, ou seja, meros dois anos antes. Não é por acaso que a reabilitação de um pintor como Debret só acontece na Era Vargas: suas representações da crueldade contra escravos eram insuportavelmente impalatáveis antes disso. Ainda em 1901, um intelectual erudito como José Vieira Fazenda defendia não apenas a queima dos documentos referentes à escravidão, mas também das gravuras que a representavam, usando como exemplo uma estampa de Rugendas mostrando um negro sendo flagelado no pelourinho (… )”.
DA BIBLIOTECA PARA A FOGUEIRA
José Castello
Livros são potencialmente perigosos e, por isso, devem ser destruídos. A repulsiva idéia, que o escritor italiano Umberto Eco desenvolveu, de forma impecável, em seu popular romance O nome da rosa, de 1981, é na verdade muito antiga. Surgiu com os próprios livros, que aparecem pela primeira vez, feitos em argila, na Suméria, Mesopotâmia, onde é hoje o sul do Iraque. Guerras sucessivas os destruíram – perto de 100 mil deles, estimam os historiadores. Ainda assim, expedições arqueológicas desenterraram tabletas de argila que datam dessa época. Desde esses tempos remotos, o livro – em suas primeiras formas, tabletas, depois papiros, pergaminhos – está, sempre, sob ameaça.
A saga dessas agressões é relatada em História universal da destruição dos livros, do escritor venezuelano Fernando Báez. “Os que queimam livros acabam queimando homens”, escreveu o poeta Heinrich Heine. A história prova que sim. Báez participou da
comissão da Unesco que, em março de 2003, visitou o Iraque depois da invasão americana, para investigar a devastação da Biblioteca Nacional de Bagdá. Ela sofreu dois ataques com bombas e mísseis, seguidos de dois violentos saques. Todo o acervo desapareceu. Tabletas de argila dos sumérios, de 5.300 anos, foram roubadas das vitrines.
“Mas a destruição da Biblioteca Nacional não teve a repercussão mundial da pilhagem do Museu Arqueológico de Bagdá”,
Báez lamenta. Em um café da capital, a poucas quadras da biblioteca, ele ouviu o desabafo de um professor iraquiano. “Nossa memória já não existe.” A destruição de livros vem de muito longe. Em 1975, arqueólogos escavaram, a 55 km a sudoeste de Alepo, na Síria, os restos de um antigo palácio. O que encontraram? Uma biblioteca enterrada, com um acervo de 15 mil tabletas. A destruição foi conseqüência de um ataque militar inimigo, a respeito do qual os historiadores, ainda hoje, se encontram divididos; uns o atribuem ao rei acadiano Naramsin, outros ao rei Sargão. Três mil anos antes de Cristo, livros já eram dizimados pela guerra.
A devastação continuou, por volta de 2000 a.C., em uma região governada pelo rei Hamurabi, que é, hoje, o sul de Bagdá. Em 689 a.C., as tropas de Senaquerib arrasaram a Babiblônia. Seu neto, o soberano assírio Assurbanipal, o primeiro grande colecionador de livros do mundo antigo, fundou, em Ninive, outra esplêndida biblioteca, arrasada ela também décadas depois. De seus restos, no século XIX, arqueólogos desencavaram mais de 20 mil tabletas, hoje guardadas no Museu Britânico. No início do século XX, arqueólogos desenterraram na antiga Hattusa, a capital dos hititas, mais de 10 mil tabletas escritas, em pelo menos oito línguas diferentes. Também a biblioteca do Ramesseum, o templo que Ramsés II construiu em Tebas para lhe servir de túmulo, desapareceu com seus rolos de papiros esotéricos.
Depois de Ramsés II, o faraó monoteísta Akhnatón mandou queimar milhares de papiros, porque eles falavam de espectros e demiurgos. A destruição de livros continuou na Grécia Antiga. Estima-se que 75% de toda a literatura, filosofia e ciência antiga se perderam. Das 120 obras incluídas no catálogo de Sófocles, hoje só temos a versão integral de sete, e um monte de fragmentos. “O horror é ainda maior”, lembra Báez. “Todos os pré-socráticos e todos os sofistas estão em fragmentos.” É a história em pedaços. Um dos momentos mais brutais foi o da destruição da Biblioteca de Alexandria, com um acervo que se aproximava do milhão de livros. Durante a metade de um ano, papiros contendo textos de Hesíodo, Platão, Górgias e Safo, entre tantos outros autores, foram usados para acender o fogo dos banhos públicos da cidade.
Centenas de obras da biblioteca de Aristóteles desapareceram quando da morte repentina de Alexandre Magno, de quem ele foi tutor. O fato mais grave é a perda do segundo livro de sua Poética, dedicado ao estudo da comédia. Em O nome da rosa, Umberto Eco propõe a versão de que ele foi destruído progressivamente pela Igreja Católica, para conter a influência do humor. Báez suspeita que a Poética tenha sido, na verdade, destruída pelo desleixo. Um dos momentos maiores da história de Israel é a destruição das Tábuas da Lei. O Êxodo diz que foi o próprio Moisés quem, em um acesso de cólera, as destruiu. A descoberta, em 1947, por jovens beduínos, dos célebres Manuscritos do Mar Morto, revelou a primeira coleção conhecida de livros do Antigo Testamento.
Até hoje eles provocam a polêmica, o que leva Báez a concluir que “os teólogos não parecem preparados para admitir a existência de Cristo para além da fé”. Um Cristo nos livros. A perseguição religiosa é universal. Na China, houve a caça aos textos budistas. Em 1900, em grutas em meio ao deserto de Gobi, foram encontrados milhares de textos sagrados do budismo, muitos em bom estado, mas outros em fragmentos, que lá estiveram adormecidos ao longo de 1500 anos. São Paulo lutou contra o que considerava “livros mágicos”. Em uma visita a Éfeso, levou os magos da cidade a queimarem voluntariamente seus livros, para que não caíssem nas mãos dos cristãos. “O desaparecimento dos escritos dos gnósticos, causado, em grande parte, pela feroz perseguição da Igreja Católica, merece um livro só para si”, Báez comenta.
Vínculo mais direto com a cultura grega clássica, o Império Bizantino preservou os escritos de Platão, Aristóteles, Heródoto e Arquimedes. Lá, nos século II e III, surgiu um novo formato de livro, o códice, mais resistente, feito de pele de cabra, ou de ovelha. Ainda assim, em 1204, quando a Quarta Cruzada chegou a Constantinopla, milhares de manuscritos foram destroçados. O feroz ataque das tropas turcas em 1453 também levou à destruição de milhares de livros. “Houve um momento em que todo o continente europeu ficou literalmente sem bibliotecas”, Báez recorda. Nos séculos V e VI, copiar e ler eram atividades pouco usuais, quase secretas. Se os clássicos gregos sobreviveram em Bizâncio, os clássicos latinos e celtas foram salvos, em grande parte, pelos monges da Irlanda.
Foi Carlos Magno, o rei dos francos, quem, no século VIII, estimulou os bispos a fundar escolas e bibliotecas. Nada disso conteve a destruição. Abelardo – que foi castrado por seu amor proibido por Heloisa – teve a obra queimada pelo papa Inocêncio III. Dante viu o seu Sobre a monarquia virar um monte de cinzas na Lombardia, em 1318. Savonarola queimou também os livros de Dante, mas, um ano depois, a Igreja lançou no fogo todos os seus escritos, sermões, ensaios e panfletos. Um dos momentos mais célebres da história da destruição dos livros envolve a Bíblia de Gutenberg, concluída em 1455.
Dos 180 exemplares impressos, só restam 48 cópias. O descaso a destruiu, mas o próprio Gutenberg, segundo algumas fontes, arruinou alguns exemplares, na esperança de lhes aprimorar a beleza. O horror se disseminou com a perseguição promovida pelo Santo Ofício. Com a excomunhão de Martim Lutero, em 1520, a difusão de seus escritos foi proibida pela Igreja. Em 1542, o papa Paulo III constituiu a Congregação da Inquisição. Seu sucessor, Paulo IV, criou o temido Index, lista de livros proibidos. Na Espanha, a ascensão de Felipe II fortaleceu a censura católica. Também na França, Carlos IX passou a destruir, pelo fogo, livros perigosos. A perseguição a astrólogos, alquimistas e poetas atingiu o profeta Nostradamus. Seu livro mais importante, as Centúrias, de 1555, “tem sido sistematicamente destruído desde seu aparecimento”, lembra Báez. Da primeira edição, só restam hoje dois exemplares.
A guerra sempre foi inimiga dos livros. No século XV, uma guerra civil no Japão acabou com todas as bibliotecas de Kioto. Em 1527, o exército de Carlo V, ao conquistar Roma, destruiu muitas bibliotecas. Na Guerra de Secessão dos Estados Unidos, muitos livros desapareceram. Quando tomaram o Canadá em 1813, os soldados americanos queimaram a Biblioteca Legislativa. Como vingança, os ingleses queimaram a Biblioteca do Congresso Americano. A destruição de livros é, em grande parte, fruto da hostilidade contra o pensamento. “A França foi o berço da liberdade européia porque também foi o berço da censura”, lembra Báez. As Cartas filosóficas, de Voltaire, provocaram a ira da Igreja; Voltaire foi preso e seu livro queimado.
Do mesmo modo, a publicação da Enciclopédia, em 1759, provocou tanto escândalo que o próprio editor, Le Breton, temendo as retaliações, destruiu vários exemplares. Também os Pensamentos filosóficos, de Diderot, foram incinerados por ordem do Parlamento. Na Revolução Francesa, a lei do terror estimulou o ataque a bibliotecas. Só em Paris, mais de 8 mil livros foram queimados. Também durante a Comuna de Paris, em 1871, bibliotecas foram destruídas. A emancipação da América Latina também foi marcada por saques e destruições. Na Venezuela, o Santo Ofício mandou queimar uma coleção que Simon Bolívar conseguiu reunir para o acervo de uma biblioteca pública. Durante a Guerra Civil Espanhola, a Biblioteca Nacional, em Madri, foi bombardeada. “Somente graças à abnegação dos bibliotecários, centenas de livros e manuscritos se salvaram”, observa Báez.
Com a chegada de Franco ao poder, iniciou-se um movimento de “depuração” das bibliotecas, perseguindo “idéias que possam resultar nocivas à sociedade”, de acordo com um decreto oficial. A ascensão dos nazistas gerou um verdadeiro “bibliocausto”, Báez define. Ao ser designado chanceler em 1933, Hitler, que era um pintor frustrado, iniciou uma feroz perseguição à cultura. Leitor voraz, ele, ao morrer, num exemplar dos ensaios de Ernst Schertel, deixou uma frase sublinhada: “Quem não carrega dentro de si as sementes do demoníaco nunca fará nascer um novo mundo”. A expansão soviética destruiu muitas bibliotecas. Em 1944, dezenas delas foram arrasadas em Budapeste, na Hungria. No ano seguinte, na Romênia, trezentos mil livros desapareceram.
Também quando o regime do Khmer Vermelho triunfou no Camboja, em 1975, um estranho letreiro foi dependurado na porta da Biblioteca Nacional: “Não há livros. O governo do povo triunfou”. Mas a destruição não tem ideologia. Quando subiu ao poder, no Chile, o ditador Augusto Pinochet atacou a sede da Editora Quimantú, destroçando milhares de livros. A Revolução Cultural chinesa, Báez acrescenta, foi uma máquina de destruir livros. Na Universidade de Pequim, todos os livros considerados ofensivos à consciência do povo eram queimados. Mais tarde, o escritor Pa Kin assim descreveu o clima de histeria que dominou o país e pelo qual ele mesmo se deixou arrastar: “Destruí livros que armazenei durante anos. (…) Eu negava completamente a mim mesmo”.
Em todo o planeta, a destruição se alastrou. No dia 30 de agosto de 1980, a mando da ditadura a Argentina, vários caminhões descarregaram 1,5 milhão de volumes em um terreno abandonado. Eles foram borrifados com gasolina e queimados. Mais recentemente, os talibãs destruíram na capital Cabul todos os livros contrários à sua fé. No conflito entre judeus e palestinos, milhares de livros, de ambos os lados, já foram perdidos. Em Cuba, em dezembro de 1999, em um estacionamento de uma colina de Havana, centenas de livros doados pelo governo espanhol foram destruídos. O motivo: entre eles, havia 8 mil exemplares da Declaração dos Direitos Humanos.
Em março de 1997, os bibliotecários da Escola Hertford mandaram destruir 30 mil livros sobre temas homossexuais, que haviam sido doados. Durante oito horas de trabalho, 35 voluntários enterraram os livros. Mas não é só o conservadorismo que promove queima de livros, o pensamento progressista também. Em 1998, na Virginia Ocidental, um grupo chamado Coletivo de Mulheres queimou, em uma imensa fogueira, livros considerados degradantes à condição feminina, entre eles obras de Schopenhauer. No ano de 1994, as tropas russas entraram na Chechênia e arrasaram Grosny. O bombardeio sobre a cidade destruiu uma coleção de dois milhões e setecentos mil livros. Salvaram-se apenas 20 mil livros, guardados nos subterrâneos de um estádio de futebol. Calcula-se que em toda a Chechênia mais de mil bibliotecas e mais de 11 milhões de livros foram dizimados. As ameaças mais atrozes vêm, hoje, do terrorismo.
Recentemente, grupos diversos já manifestaram a intenção de destruir a Biblioteca do Congresso americano e a Biblioteca do Vaticano. O ataque ao World Trade Center, em Nova York, aniquilou arquivos e bibliotecas de economia. Mas, com a criação dos livros-bomba, os livros se tornaram, eles também, efetivamente perigosos. Em dezembro de 2003, Romano Prodi, presidente da Comissão Européia, quase morreu quando abriu um livro-bomba recheado de pólvora. Ainda assim, consola-se Báez, a cada livro destruído, mais aumenta o nosso horror. “Cada livro queimado ilumina o mundo”, sintetizou Ralph W. Emerson. Essa constatação não recupera as bibliotecas perdidas, mas acalenta a esperança de um futuro melhor.
Escritores perseguidos no Brasil e no exterior
Todos conhecem o caso do escritor anglo-indiano Salman Rushdie, autor do famoso – e perseguido – Os versos satânicos. Em 1989, o líder iraniano, aiatolá Khomeini, condenou Rushdie com uma fatwa. Ofereceu-se um milhão de dólares a quem o matasse. Seus livros passaram a ser queimados em diversos pontos do planeta. A literatura sempre foi alvo de perseguição. Em 1912, o impressor irlandês John Falconer queimou 999 dos mil exemplares da primeira edição de Dublinenses, de James Joyce, porque a linguagem forte dos relatos não o agradou. O mais famoso romance de D. H. Lawrence, O amante de lady Chatterley, teve a primeira edição inteiramente destruída.
A acusação de pornografia levou o Departamento de Estado americano a queimar livros do psicanalista Wilhelm Reich.
A primeira edição de A cidade e os cachorros, do escritor peruano Mario Vargas Llosa, de 1962, não só foi confiscada pelos militares, mas totalmente queimada. Não é preciso longe. Báez recorda também que Getúlio Vargas mandou queimar 1700 exemplares de Dona Flor e seus dois maridos, de Jorge Amado. Muitas vezes, no entanto, são os próprios escritores que perseguem seus livros. É célebre a história do tcheco Franz Kafka que, antes de morrer, pediu ao amigo, Max Brod, que queimasse seus manuscritos. Brod o desobedeceu. Ao morrer, também o filósofo romeno E. M. Cioran deixou 34 cadernos de mil páginas com uma indicação precisa: “Destruir”. Sarcástico, Borges lembrou, um dia, que, quando um escritor quer dar sumiço em seus livros, faz o serviço pessoalmente.
Quando se refugiou em Charleville, o poeta Arthur Rimbaud, por exemplo, queimou ele mesmo muitos de seus manuscritos. Até Platão queimou livros, Báez nos lembra. Na juventude, quando conheceu Sócrates, Platão destruiu todos os seus poemas. Muito mais tarde, queimou os tratados do filósofo Demócrito para esconder semelhanças entre as idéias do inimigo e as suas. “É possível que Platão queimasse obras? Pois bem, ele queimou”, Báez afirma, perplexo com sua própria afirmação. Ele recorda ainda que, em 1910, os futuristas escreveram um manifesto em que pregavam o fim de todas as bibliotecas. Um escritor genial como Vladimir Nabokov queimou um exemplar do Quixote em pleno Memorial Hall, diante de seiscentos alunos, com o argumento de que o livro não prestava.
E Martin Heidegger entregou livros de seu maior inimigo, o filósofo Edmund Husserl, para que estudantes de filosofia os levassem ao fogo. E os amigos? Quando Gustave Flaubert leu para amigos, pela primeira vez, seu estranho As tentações de Santo Antão, eles sugeriram que ele o queimasse imediatamente e o esquecesse. Por sorte, dessa vez foi Flaubert quem não os atendeu. Em Crônica pessoal, Joseph Conrad conta que seu próprio pai queimou alguns de seus manuscritos. Isaac Newton dedicou sua vida a censurar e perseguir os trabalhos do astrônomo John Flamsteed. Newton plagiou as idéias de Flamsteed sobre as estrelas – e depois, temendo ser descoberto, conseguiu o confisco dos trezentos exemplares de livro que continha esse plágio e os queimou.
A busca da pureza e a luta contra a imoralidade têm sido fortes argumentos para a destruição de livros. Em 1749, Fanny Hill, romance de John Cleland, que relata as aventuras de uma prostituta, foi proibido antes de ser editado. Já no século XX, a corte de Westminster, na Inglaterra, decretou a eliminação de todos os exemplares do Satyricon, de Petrônio, obra-prima da literatura latina, porque o livro trata da liberdade sexual. No século XIX, a grande obra de Charles Darwin, A origem das espécies, de 1859, teve muitos de seus exemplares queimados. Até hoje, nas regiões mais conservadoras dos Estados Unidos, o livro é perseguido como perigoso.
Entrelivros número 14, junho/ 2006
Caderno com dicas para professores traz “ensino” com “c”
Estado afirma considerar a falha “menor” porque os alunos não têm acesso ao livro; erro foi de digitação, diz governo
“Eles entregam material sem nenhuma revisão”, afirma presidente da Apeoesp; professores foram alertados sobre erro, diz gestão Serra
Folha de São Paulo, 06.06.08
Tratado como a bússola para uma educação de qualidade para São Paulo, o caderno distribuído pelo governo José Serra (PSDB) para ensinar os professores a dar aula traz um erro de português que causa arrepios nos educadores. Ensino é escrito com “c” de cebola: “encino”.
O erro está na página 11 do “Caderno do Professor” do segundo bimestre, entregue no mês passado aos professores de inglês das 8ª séries do ensino fundamental. Está lá: “Estratégias de encino”, sobre táticas para trabalhar o tema “inventores famosos e suas invenções”.
“Meu Deus!”, foi a reação do presidente da Apeoesp ( sindicato dos professores estaduais ), Carlos Ramiro. “Eles entregam o material sem nenhuma revisão”, diz ele, crítico contumaz do uso dos cadernos.
A Secretaria de Estado da Educação informou que o “encino” foi um erro de digitação que escapou dos revisores.
Diz considerar uma falha menor porque, no mesmo livro, a palavra “ensino” foi escrita várias vezes da forma correta, e os alunos não têm acesso ao material -só os docentes. “A secretaria identificou pelo menos mais 350 palavras “ensino” escritas da forma correta em todos os [76] guias. Somente neste livro (“Inglês -8ª Série’), a palavra “ensino” é escrita quatro vezes corretamente.”A pasta disse que não recolherá o material, embora os professores tenham sido alertados sobre o erro. A pasta não disse quantos livros distribuiu.
[ Nota do Blog: O governo estadual, que sempre conta com a habitual forssi, ops, forçinha do imprensalão, não pode vacilar; já que - de acordo com esta mesma holding governo estadual/ PIG - os professores são despreparados e não têm condição de perceber o erro; logo, vão ensinar tudo errado para os alunos. ]
Cartilhas de ensino tinham 25 erros
Diário de São Paulo, 08.04.08
Após a reportagem do DIÁRIO, secretaria encontra uma informação errada em história e mais 24 em quatro cadernos de geografia
A Secretaria de Estado da Educação identificou 25 erros em cinco cartilhas de orientação para professores da rede estadual. Um dos erros está no guia de história para a 5ª série. Os outros 24 estão nos cadernos de geografia da 5ª, 7ª e 8ª séries do ensino fundamental e na 1ª série do ensino médio. Os exemplares correspondem ao primeiro bimestre deste ano.
Na edição de sábado, o DIÁRIO publicou uma reportagem sobre os erros nos guias. Uma avaliação do material, feita pela secretaria, mostrou uma quantidade de equívocos bem superior à mostrada por professores da rede ao DIÁRIO.
No caderno de história, por exemplo, a pergunta “o século XXI começou no ano 2001 e terminará em qual ano?” tinha “3.000” como resposta, confundindo século com milênio. A correta seria 2.100. No guia de geografia para a 8 série, um mapa sobre países da União Européia trazia integrantes atuais como futuros membros do bloco econômico. As correções estão disponíveis, desde ontem, no site da secretaria: www.saopaulofazescola.sp.gov.br.
Outros erros
No caderno de geografia da 5ª série, foram corrigidas legendas de mapas que davam crédito para uma obra e, na verdade, pertenciam a outra.
No caso dos países pertencentes à União Européia, a legenda foi substituída. No guia original, a divisão é feita por integrantes atuais, novos e futuros. Na nova versão, a identificação é feita como adesão antes de 2004, pós 2004 e pós 2007.
Na página 18 do mesmo guia, havia um mapa mundi onde a Rússia era apresentada com a mesma cor dos países do continente asiático, sendo que possui uma porção européia. Na versão atual, todos os países aparecem de cor branca. Outro erro, no mesmo mapa, era que a Eritréia, independente da Etiópia desde 1993, não aparecia.
A secretaria informou que ocorre revisão rotineira de todo material produzido pela pasta. “Em geografia, (a revisão) encontrou estes erros no domingo e na segunda-feira (ontem)”, informou nota da secretaria.
Padronização do ensino
As cartilhas foram lançadas há quase uma semana e servem para padronizar o ensino em sala de aula. Receberam os guias os professores de todas as disciplinas a partir da 5 série do ensino fundamental até o último ano do ensino médio. São 76 tipos de cartilhas.
No total, foram distribuídos 1,6 milhão de guias apenas neste bimestre. De acordo com a secretaria, cada um custou R$ 2,90. Com essa primeira leva, foram gastos R$ 4,6 milhões. O objetivo do governo é lançar uma edição por bimestre ( são quatro ) para cada disciplina. A intenção de formular uma base curricular comum para professores e alunos é melhorar os resultados do Saresp.

Carreira de professor atrai menos preparados ( sic )
da Folha Online, 09/06/2008
O Brasil atrai para o magistério os profissionais que possuem mais dificuldades acadêmicas e sociais, aponta estudo inédito que será apresentado hoje. Os dados estão em reportagem de Fábio Takahashi publicada nesta segunda-feira na Folha de S.Paulo (
íntegra disponível para assinantes do jornal ou do UOL).
Conforme o texto, uma das constatações do levantamento é que apenas 5% dos melhores alunos que se formam no ensino médio desejam trabalhar como professores da educação básica, que abrange os antigos primário, ginásio e colegial. Os pesquisadores delimitaram o patamar de estudantes “top” naqueles que ficaram entre os 20% mais bem colocados no Enem 2005 (Exame Nacional do Ensino Médio, do governo federal).
Dentro do grupo dos melhores, 31% querem a área da saúde e 18%, engenharia, afirma o levantamento.
“Com base nos questionários do Enade ( o antigo provão ), o estudo identificou que os alunos de pedagogia ( curso que forma professores para os primeiros anos do ensino fundamental ) vêm de famílias de baixa renda e têm mães com pouca escolarização –condições que apontam maiores chances de dificuldades acadêmicas.”

IPT atribui tragédia no Metrô-SP a erro de engenheiros
Yahoo, 09.06.08
A decisão dos engenheiros do Consórcio Via Amarela de continuar a escavação dos túneis enquanto providenciavam a colocação de tirantes ( pinos de sustentação fixados na rocha ) tornou inevitável o colapso da futura Estação Pinheiros do Metrô de São Paulo. Os técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas ( IPT ) concluíram que foi essa a “causa raiz” do acidente que deixou sete mortos e 230 desabrigados em 12 de janeiro de 2007. No laudo entregue na tarde de sexta-feira, os investigadores também apontaram os 11 fatores técnicos que, somados, contribuíram para a maior tragédia da história do metrô paulistano.
A instalação de tirantes nas paredes dos túneis estava prevista no projeto original, mas até o dia do desabamento não havia sido iniciada. Na véspera, técnicos e engenheiros do Via Amarela se reuniram no canteiro e chegaram à conclusão de que era preciso colocar os pinos de sustentação para frear o processo de recalque ( rebaixamento ) dos túneis. Naquela altura, restavam apenas 4 metros a serem escavados para se concluir a primeira fase do piso do túnel de Pinheiros.
Os homens do consórcio definiram que seriam colocados 174 tirantes no túnel sob a Rua Capri e a mesma quantidade no trecho sob o Rio Pinheiros, que também ameaçava ruir. “Diante de uma situação dessas, não era preciso ser engenheiro para ver que o bom senso mandava suspender os trabalhos até a instalação dos reforços”, disse um técnico do IPT que participou da elaboração do laudo. O Via Amarela, no entanto, optou por prosseguir com as detonações.
O relatório final do IPT mostra que, embora tenham sido de baixa intensidade, as explosões feitas no dia do acidente provocaram vibrações. Além disso, os gases liberados acabaram por preencher as fraturas existentes nas paredes do túnel, o que também colaborou para o desabamento. Outro ponto negligenciado pelos engenheiros do consórcio, na avaliação do IPT, foi a velocidade dos recalques dos túneis. Documentos recolhidos pelos peritos e anexados ao laudo final indicam que a estrutura estava dimensionada para suportar um rebaixamento de até 1 milímetro. Na véspera do acidente, porém, a “velocidade” do recalque era de 1 milímetro ao dia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

junho 4, 2008

IRÃ gasta 21% de todo o orçamento do país em Educação!!!

A partir do site resistir.info, você chega ao WAR Profiteers, e, daí, ao CorpWatch, cujo nome já diz tudo: de olho em quem está lucrando com o inferno iraquiano.
Então, chegando no CorpWatch, clicando em Weblog, caí direto nessa informação bacana: Iranian schools teach Islamic version of history: CIA contractor.
É o seguinte: se meu inglês de colonizado ainda dá pro gasto, o Departamento Nacional de Inteligência americano, contratou uma empresa que costuma “estar prestando” consultoria para a CIA e o NSA, denominada SAIC, para que esta descobrisse o que andam aprendendo nas escolas as crianças iranianas :
“(… ) Posted by Pratap Chatterjee on May 30th, 2008:

The U.S. Department of National Intelligence [ the body that oversees spy agencies like the Central Intelligence Agency and the National Security Agency] recently decided it wanted to know what Iranian students were taught in school these days. Most people might have considered the obvious: pick up the phone and ask an Iranian student or perhaps their parents, who have already had to spend many days and probably nights reading the books. But fortunately for the DNI, such a treasonous act was not necessary. Instead they hired
SAIC , a major CIA and NSA contractor, to do the job. On December 31st, 2007, the company published the results: a 17 page report on 85 Iranian textbooks that the company downloaded off the Internet from the Iranian government’s website. The final report was not made public, but Secrecy News, an excellent electronic newsletter written by Steven Aftergood and published by the Federation of American Scientists, obtained a copy (…)”.

Perceberam a tiração de sarro do autor do post? Segundo ele, “a maioria das pessoas [ para obter a informação ] consideraria o óbvio: pegaria o telefone e perguntaria a um estudante iraniano ou a seus pais”… Pois bem, o SAIC fez o serviço e providenciou um relatório, que data de 31 de dezembro de 2007: http://www.fas.org/irp/dni/osc/irantext.pdf . O dossiê ( OPS! ) de 17 páginas contém as impressões que eles tiveram sobre o conteúdo dos livros escolares iranianos. Livros que os pesquisadores obtiveram NA INTERNET, na página do governo iraniano!! Ou seja, até eu poderia pegar.

Bem, cheguei onde queria: A educação do Irã está a cargo do Ministério da Educação. Este ministério é o que mais emprega servidores públicos: 42% do total da máquina. E, pasmem, principalmente os tucanos paulistas: o orçamento da pasta é cerca de 21% de todo o orçamento nacional. Isso, num país que é um dos maiores produtores de petróleo do mundo! Com o barril a 130 doletas, mmm, vezes 1 milhão, acrescenta mais uns zeros… Deve ser grana prá burro!!

Bom, eu não vasculhei tudo o que está escrito nos sites que mencionei. Quem quiser, os links tão aí prá isso. Especialmente, passem um pouco do tempo a conhecer que tipo de matérias os alunos de lá encaram. Sério, vale a pena.

dezembro 8, 2007

Livros didáticos: "Não houve fraude", conclui auditoria

Auditoria nega fraude na seleção de livros didáticos
Redação
Portal IMPRENSA
06/12/07
O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE/MEC) realizou uma auditoria interna e constatou que não houve fraudes no processo de escolha do livro didático para o ensino fundamental e médio público do Brasil, como denunciado pela Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros). Eram apontadas supostas irregularidades nas indicações de 89 escolas, com o favorecimento da Editora Moderna.
De acordo com o FNDE, 92 instituições de ensino receberam exatamente as obras que solicitaram pela internet ou por meio de um formulário impresso. Outras 97 não efetivaram a escolha e, por isso, receberam os livros mais pedidos pelas instituições de ensino de seus municípios ou região, como prevê a legislação.
O auditor-chefe do FNDE, Gil Pinto Loja Neto, responsável pela análise, concluiu que o fundo cumpriu o previsto nos editais dos programas de livros para o ensino fundamental e médio. “Não há indício de fraudes”, afirma.
O auditor também anunciou que, entre as obras mais escolhidas, aparecem títulos de várias editoras. “Não houve favorecimento à editora Moderna”, assegurou. O FNDE colocou à disposição da população, em sua página eletrônica, todos os documentos analisados, a denúncia da Abrelivros e o relatório da auditoria.
O processo de escolha do livro didático é feito pelos professores. O formulário é enviado ao Ministério da Educação, pela internet ou via Correios. São atendidas, anualmente, mais de 160 mil escolas públicas de ensino fundamental e médio. Em 2007, foram entregues cerca de cem milhões de livros, que serão utilizados em 2008 por 37,6 milhões de alunos.

novembro 22, 2007

Livros didáticos, CPI da Abril, compra da Fernando Chinaglia…Um monte de assunto aí.

Critérios sobre livros didáticos serão tema de debate em comissão
Tendo em vista a polêmica envolvendo o livro didático e a necessidade de se esclarecer os critérios do processo de avaliação para inclusão de livro no Guia do Livro Didático, será realizado nesta quinta feiraa audiência pública “O Livro Didático no Brasil”. A reunião, na Comissão de Educação e Cultura da Câmara, acontecerá no plenário 10, às 10h. O requerimento para a realização da audiência foi assinado pelos deputados Pedro Wilson (PT-GO), Fátima Bezerra (PT-RN), Carlos Abicalil (PT-MT), Fernando Ferro (PT-PE), Nazareno Fonteles (PT-PI), Walter Pinheiro (PT-BA) e Luiza Erundina (PSB-SP).
A trajetória do livro didático no Brasil remonta ao ano de 1929, quando o governo criou um órgão específico para legislar sobre essa área, o Instituto Nacional do Livro (INL). Ao longo das décadas, a política oficial para o livro didático passou por diversas adaptações, até chegar ao atual Programa Nacional do Livro Didático, criado em 1985.
A partir daquele ano o professor passou a escolher o livro mais adequado aos seus alunos e ao projeto político pedagógico da escola. A reutilização do livro e a introdução de critérios de produção seguindo normas técnicas, com o objetivo de garantir maior durabilidade e qualidade do material, também foram importantes avanços.
Na busca pela melhoria da qualidade do material, o FNDE/MEC realiza anualmente um encontro técnico em Brasília, do qual participam os diversos órgãos envolvidos no programa: a Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC), responsável pela avaliação didático-pedagógica das obras; o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), que elabora o censo escolar, base da distribuição dos livros didáticos; os Correios, encarregados da entrega das obras às escolas públicas em todo o país; as secretarias estaduais de Educação; as secretarias de Educação das capitais; e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).
Audiência pública debaterá compra de distribuidora pelo Grupo Abril
As comissões de Defesa do Consumidor e de Fiscalização Financeira da Câmara aprovaram ontem a realização de audiência pública conjunta a fim de debater a aquisição, pelo Grupo Abril, da Fernando Chinaglia Distribuidora. O objetivo é discutir implicações da operação para a concorrência no mercado de distribuição de revistas em bancas. A audiência será realizada na próxima semana.
As duas comissões incorporaram sugestões do deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), que alertou para a gravidade do caso. Ele entende que a nova empresa a ser criada com a fusão entre Dinap, do Grupo Abril, e a Chinaglia poderá criar problemas para as revistas concorrentes do grupo. “Cria-se praticamente um monopólio e isto interfere na liberdade de concorrência, prejudicando as empresas do segmento editorial, o consumidor e até mesmo a liberdade de imprensa.”, afirmou o parlamentar petista.
Devanir observou que várias editoras vêem com ressalvas e até apreensão o surgimento da Treelog – a nova empresa a ser criada com a fusão. Ele citou como exemplo a apreensão de Renato Rovai, editor da revista Fórum, distribuída pela Chinaglia. Para Rovai, se todo o mercado de distribuição se concentrar nas mãos de uma única empresa, cria-se um “risco grandíssimo” de que ele seja manipulado. “Sempre fizemos críticas à revista Veja. Será que empresa da Abril vai continuar distruindo nossas revistas?”, disse Rovai, conforme lembrou o parlamentar do PT.
A nova empresa pode causar problemas não só às pequenas editoras, mas também às grandes. Como exemplo, a Editora Globo, cujas publicações são distribuídas pela Chinaglia e concorrente direta de vários produtos editoriais da empresa da família Civita. Devanir aventou a possibilidade de a Treelog vir a criar problemas para as concorrentes. Algumas revistas das concorrentes circulam antes das revistas da Abril, como a revista Época, da Editora Globo, que compete com a Veja.
Devanir Ribeiro disse que no mercado de publicações populares, um dos maiores concorrentes das revistas da Abril é a Editora Escala, também distribuída pela Chinaglia. Segundo o presidente da Editora, Hercílio De Lourenzi, se a independência das distribuidoras for mantida, será positiva, senão, será “um desastre”.
Parlamentar do PT exige investigação do monopólio do Grupo Abril
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ainda não tem data para avaliar o negócio que, possivelmente, formou um monopólio do setor de distribuição de revistas no Brasil. O Grupo Abril, detentor de 70% do mercado de distribuição, adquiriu, no mês de outubro, a empresa Fernando Chinaglia Distribuidora.
Preocupado com a situação, o deputado Luiz Couto (PT-PB), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, encaminhou um ofício pedindo esclarecimentos ao Cade. Ele quer saber qual a participação no mercado da distribuidora Fernando Chinaglia, até a data da venda ao grupo Abril; bem como qual a participação no mercado da Dinap (empresa do Grupo Abril), antes da compra da Fernando Chinaglia.
Além disso, o parlamentar petista questiona se, neste caso, a soma de participação no mercado ultrapassar um percentual de 70% estaria confirmada a desobediência às regras de concorrência do mercado. Caso seja confirmado o monopólio pelo órgão, o parlamentar encaminhará ao Ministério Público uma representação pedindo o cancelamento do negócio.
Informes PT na Câmara
21/11/07
MEC irá apurar denúncia de fraude na compra de didáticos
FOLHA DE SÃO PAULO – 21/11/2007
O Ministério da Educação (MEC) vai investigar denúncia de 190 casos de possíveis irregularidades na compra de livros didáticos pelo governo para o ano que vem. Em todos os casos, a editora Moderna teria sido beneficiada com a troca dos livros pedidos pelas escolas por livros da editora apontada.
A suspeita foi apontada pela Abrelivros (associação das editoras) e encaminhada ontem ao ministro da Educação, Fernando Haddad, que prometeu apresentar as primeiras conclusões do caso em 15 dias. Os incidentes teriam ocorrido em diversos Estados , entre eles São Paulo, Bahia e Paraná.
A investigação será feita pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), responsável pelo sistema de escolha dos livros, e pela Controladoria Geral da União (CGU), a pedido de Haddad.
O ministro, no entanto, adiantou que o sistema de compra dos livros é “robusto e não dá brechas para fraudes”. Disse ainda que, das 71 mil escolas atendidas este ano, recebeu reclamações de apenas 21.
Durante a reunião, Haddad e o presidente do FNDE, Daniel Balaban, escolheram aleatoriamente dois casos dos apontados e descobriram que o erro teria sido das próprias escolas, que, ao escolherem os livros pela internet, não teriam concluído todas as etapas do procedimento. Nesses casos, o MEC encaminha os livros mais solicitados pelas escolas do município.
A Moderna é a editora que mais vendeu livros para o governo federal neste ano, representando 32,75% dos pedidos. Em 2002, a editora tinha 6,63% desse mercado, que movimentou R$ 840 milhões em 2007.
O crescimento da editora foi o motivo que levou outras editoras a investigar a possível fraude na venda dos livros, segundo o presidente da Abrelivros e diretor-geral das editoras Ática e Scipione, João Arinos dos Santos.
As duas editoras atendiam em 2002, 38,6% dos pedidos. Para 2008, atenderão a cerca de 21%.
Por meio de nota, a Moderna afirmou que o levantamento da Abrelivros foi feito por “encomenda expressa de editoras concorrentes”. Disse também que a empresa cresceu após ter sido adquirida por um grupo estrangeiro e recebido investimento de R$ 60 milhões.
Escolas recebem livro não selecionado
MEC vai apurar denúncia de associação de editoras; maior beneficiada pela disparidade foi a Moderna
O ESTADO DE SÃO PAULO – 21/11/2007
O ministro da Educação, Fernando Haddad, determinou a abertura de sindicância para investigar por que 190 escolas públicas do País que participam do Programa Nacional de Livros Didáticos (PNLD) receberam obras diferentes das que haviam sido escolhidas pelos professores. Levantamento feito pela Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros), apresentado ontem a Haddad, indica que em todos os caso de troca houve benefício de apenas uma editora, a Moderna. “Cento e noventa casos é um número expressivo. Justamente por isso, pedi para investigar caso a caso”, afirmou Haddad, depois de receber o relatório.
Além da auditoria interna, o ministro solicitou que a Controladoria-Geral da União destacasse dois de seus integrantes para acompanhar as investigações. A Abelivros também deverá participar da apuração. A investigação deverá ser concluída em 15 dias. “Nosso dever é apurar. Não pode haver dúvidas num programa como o PNLD”, completou Haddad.
Atualmente participam do PNLD 71 mil escolas públicas, de 5ª a 8ª séries. A distribuição de livros é feita a partir de uma lista, preparada por uma comissão de especialistas destacada por universidades brasileiras. A partir dessa relação, professores das instituições escolhem os livros que desejam adotar no próximo ano letivo. O material é enviado para o Ministério da Educação, que se encarrega de encomendar às editoras, comprar e, finalmente, distribuir as obras. Todo esse processo é iniciado no fim do primeiro semestre, para que não haja atraso na entrega dos livros no ano seguinte. Muitas das escolas públicas esperam agora receber os livros que alunos usarão em 2008.
Neste ano, no entanto, a Abrelivros suspeitou do processo. “Houve um aumento bastante significativo na distribuição de títulos da Editora Moderna, o que nos intrigou”, afirmou o presidente da Abrelivros, João Arinos dos Santos. Cinco editoras pediram, então, para que seus funcionários de campo fizessem um acompanhamento do que havia sido pedido pelas escolas. Esse trabalho detectou 190 casos de discordância entre a encomenda e a entrega – 173 de 5ª a 8ª séries e 17 do ensino médio. Haddad observa que, das 71 mil escolas que participam do PNLD, há uma expectativa de que 2% não recebam o que foi encomendado. Esse é o porcentual de escolas que, por diversas razões, não fazem de forma correta a encomenda dos livros. Quando a inscrição não é feita de forma regular, o Ministério adota outro critério, previsto no edital. Envia para escolas livros mais pedidos na cidade em que ela está instalada. Ontem, ao receber a lista de Santos, o ministro pediu para averiguar o caso de duas escolas, escolhidas de forma aleatória. Ambas não haviam seguido a forma correta de inscrição e, por isso, receberam livros mais pedidos em seus municípios. “As 190 estão dentro do limite de erro. Mas isso não tira a necessidade da investigação”, disse Haddad.
Para o ministro, mesmo que irregularidades não sejam identificadas, a investigação poderá ajudar a detectar alguns ajustes para aperfeiçoar o programa. “O número de reclamações vem caindo. Neste ano, somente 21 foram contabilizadas, o menor índice da história”, completou.
O presidente da Abrelivros admitiu que o mercado de livros didáticos é grande e disputado. A Editora Moderna, nos últimos anos, vem apresentando um crescimento invejável. Passou de 6º lugar no ranking das editoras mais escolhidas pelo PNLD, em 2006, para primeiro lugar no ranking (veja texto ao lado). Naquele ano, de todas as obras escolhidas pelo PNLD, 9,28% eram da editora. Para o próximo ano, ela responderá por 32,7% de todos os pedidos. Em 2007, PNLD destinou R$ 620 milhões para compra de livros didáticos.
Empresa lidera o mercado
A Editora Moderna é a responsável por cerca de 40% dos livros didáticos que serão usados nas escolas públicas brasileiras a partir do ano que vem. A participação da empresa – que hoje é a líder desse mercado – mais que triplicou desde que o grupo espanhol Santillana assumiu seu controle, em 2001. Ontem, antes mesmo de o documento da Abrelivros ser entregue ao ministro Fernando Haddad, a Moderna divulgou nota informando que não teve acesso ao estudo. Segundo ela, o levantamento foi realizado por “encomenda expressa de editoras concorrentes”.
A nota explica que a editora tomou uma decisão de investir no fornecimento de livros didáticos às escolas públicas em 2001, quando já era líder no mercado privado. Um dos lançamentos foi a coleção História Projeto Araribá, campeã de vendas neste ano, e que foi questionada por conter textos do Programa Fome Zero. Com o Programa Nacional do Livro Didático 2008, o governo gastou R$ 746,4 milhões. Desses, R$ 161 milhões foram com a Moderna, que vendeu 36 milhões de exemplares. No programa para o ensino médio, a Moderna forneceu ao MEC 7 milhões dos 18 milhões de exemplares.

outubro 16, 2007

Carta aberta ao professor Ali Kamel

Denilson Botelho (*)
Caro Ali Kamel,
Primeiramente gostaria de agradecer-lhe pelo brilhantismo com que tem brindado os leitores do jornal O Globo nas últimas semanas. Os seus últimos artigos são verdadeiras aulas de história, cuja perspicácia e sagacidade eu jamais vi durante toda a minha formação acadêmica. Sua análise dos livros didáticos de história, que nós professores temos adotado, talvez distraidamente, soa como um alerta que não podemos desprezar. Quando demolistes o livro de Mario Schmidt, um certo desconforto já tomara conta de mim. Não porque eu o tenha adotado nas turmas para as quais leciono história no ensino fundamental, embora eu nada possa dizer que desabone ou desaconselhe o uso dos livros deste autor. É que eu aprendi desde cedo, já na escola, creio eu, que texto algum é portador de verdades absolutas. Tal convicção consolidou-se nos anos que freqüentei a graduação em História na Universidade Federal Fluminense. Lá, os professores que tive, cujos conhecimentos nem se comparam à enorme sabedoria que tens, ensinaram-me que todo texto precisa ser analisado de forma crítica. Seja uma fonte utilizada para elaborar o conhecimento histórico, seja o livro didático que sintetiza as pesquisas produzidas na universidade. E tal perspectiva crítica deve ser insistentemente compartilhada com os alunos, como parte do processo de aprendizagem que se desenvolve nesta disciplina que hoje tem no senhor um notório especialista. Além disso, aprendi também que em tudo há a tal da ideologia, mesmo nos textos e autores que insistem em negá-la ou ocultá-la. Ou seja, nossas escolhas político-ideológicas sempre se fazem presentes, ainda que queiramos omiti-las, de boa ou má fé. Em suma, aqueles professores que eu tanto admirava, até conhecê-lo nas páginas desse tão renomado diário, ensinaram-me já nos primeiros períodos da faculdade que não existe conhecimento neutro e isento, seja ele científico ou não. Lembro-me do caso clássico da análise – que sempre faço com os meus alunos – da carta-testamento de Getúlio Vargas. Nela desaparece o ditador perverso do Estado Novo para dar lugar ao homem que deixa a vida para entrar para a história, numa pérola de discurso político-ideológico que reconstrói a memória de quem pretende ingressar na posteridade como pai dos pobres. E funda-se no Brasil o populismo endêmico que até hoje grassa entre nossos políticos e tanto mal nos faz. Mas devo estar mesmo equivocado, pois descobri com o senhor que o jornalismo é, sim, um caso raro e indiscutível de conhecimento neutro, isento e objetivo (ver “O jornalismo”, em O Globo de 23/01/2007). Prova disso está na mesmice do noticiário dos grandes jornais deste país. Se O Globo, a Folha de S. Paulo, o Jornal do Brasil e o Estadão deram ontem, hoje e sempre as mesmas notícias é porque, como o senhor teve a bondade de nos explicar, seus repórteres e jornalistas foram “treinados” ( jamais imaginei que se treinavam jornalistas tal como se adestram cães… ) para identificar e selecionar o que é relevante nos acontecimentos do dia-a-dia. Ou seja, os jornalões nos servem diariamente a verdade dos fatos, de forma neutra e isenta, sem qualquer abordagem de natureza ideológica. Talvez por isso agora o senhor retome as críticas aos livros didáticos de história do Projeto Araribá, que eu, idiota, escolhi usar em 2008 com os meus alunos. Afinal, os livros didáticos de história deveriam ser como os jornais – neutros e isentos – e estão por aí catequizando nossas criancinhas na cartilha do socialismo e pior, do governo Lula, do PT. Francamente! Esse mundo está perdido, não é mesmo? Até porque professores como eu não foram “treinados” como são os jornalistas d’O Globo para identificar o que é relevante para nossos alunos… Então eu lhe faço aqui publicamente uma proposta, senhor Kamel. Abro mão do meu posto de professor de história da escola pública municipal em que leciono e… cedo-lhe a vaga – inclusive com o respectivo salário, que há de alterar significativamente o seu padrão de vida. Venha o senhor dar aulas de história para a garotada do morro do Cruz, logo ali no Andaraí, zona norte do Rio de Janeiro. Deixe o conforto do ar condicionado da redação em que trabalha e venha enfrentar nossas calorentas salas de aula já! Venha dar sua contribuição inestimável, dando aulas não só através das páginas do jornal, mas como o professor talentoso que demonstra ser. A sociedade brasileira certamente terá muito a ganhar com uma atitude como esta… Só não vale enviar no seu lugar aquele tal de Eduardo Bueno, que nos últimos domingos tem estado no seu prestigioso Fantástico, junto com o Pedro Big Brother Bial, dando aulas de história como nunca antes se viu. Não leve a mal, mas é que o Bueno insiste em apresentar a história de forma maniqueísta, como tendo sido feita por vilões e mocinhos. E o senhor sabe que esta é uma visão estreita e empobrecedora da história. Afinal, temos por aí vários vilões que se apresentam como mocinhos, inclusive ao fazer a análise de livros didáticos…
(*) Denilson Botelho é historiador, professor e autor de A pátria que quisera ter era um mito.
Publicado no NovaE

outubro 4, 2007

A velha estória e os livros didáticos comunistas

A “Nova História Crítica” e a crítica da velha elite
Max Luiz Gimenes
04-Out-2007
Em um artigo repugnante – que mais parecia um choramingo direitista – publicado no jornal “O Globo” (18/9/2007), Ali Kamel dedicou-se a atacar o livro “Nova História Crítica – 8ª série”, de Mario Schmidt. Retirou do contexto uma série de trechos, classificados por ele como “os piores”. Um deles apresentava um quadro comparativo entre o capitalismo e o ideal marxista. O quadro, muito bem elaborado pelo professor Mario e execrado pelo jornalista, mostra também o que aconteceu no chamado “socialismo real”, sem poupar críticas. Pequeno detalhe que o jornalista global “esqueceu” – ou omitiu para poder, assim, apresentar o livro como uma cartilha marxista para doutrinar criancinhas inocentes. A verdade às vezes dói e a apresentação integral do quadro, por si só, esvaziaria as acusações apaixonadas feitas por Kamel.
As Organizações Globo – corretamente criticadas no livro por seu histórico de manipulações políticas – não deixaram barato e pressionaram o Ministério da Educação (MEC), que veio a público anunciar que vetou a participação da obra no PNLD (Programa Nacional do Livro Didático), que oferece ao professor de escola pública uma lista de livros para que este adote o que considerar melhor, ficando o governo responsável pela compra e distribuição. Cerca de 50 mil professores de todo o país, das redes pública e privada, já escolheram a coleção “Nova História Crítica”, tornando-a um verdadeiro sucesso. A atitude do MEC, ao reprovar a obra em sua avaliação, atentou contra todos os princípios de liberdade: a de escolha, a de expressão e, sobretudo, a de se poder aprender e refletir sobre os acontecimentos históricos de maneira independente e crítica, indo muito além da “decoreba” de nomes e datas importantes – como querem os defensores desse obsoleto modelo tradicional.
Após o “O Globo” trazer a polêmica acerca do livro à tona, os outros grandes jornais, como “Folha de São Paulo” e “O Estado de São Paulo”, endossaram as críticas de Ali Kamel. Supostamente em nome da verdade e da liberdade, esses veículos repetiram os trechos apresentados por Kamel e, de maneira irresponsável, desqualificaram um valoroso trabalho. O modo superficial e manipulador com que a questão foi tratada é assustador. Os meios de comunicação já citados apontaram erros de português no livro, que podem até existir, um aqui e outro acolá; erros que vez por outra também freqüentam as páginas desses mesmos jornais. Entretanto, erros de português podem ser corrigidos em uma próxima edição. O que mais chama a atenção é a coragem de, sem uma leitura integral prévia, os jornais acusarem o livro de conter erros conceituais, o que é uma mentira daquelas que só se consegue contar quando se tem uma enorme cara-de-pau ou um sangue demasiado frio.
Ah, a liberdade. Fundamento tão citado como a principal qualidade da sociedade capitalista. Mas que liberdade é essa, senão a plena liberdade de se calar e obedecer às predeterminações da fraterna e intuitiva elite política e econômica? Pois é. A elite determina, o povo cumpre e a roda da história continua a girar. É assim que prega a hipócrita e pretensamente democrática cartilha liberal-burguesa. Atender ao predeterminado, ser conivente com a sociedade injusta que aí está é ser imparcial; desafiá-la, julgá-la ou mesmo colocá-la sob uma simples análise crítica é ir contra a democracia, é ser tendencioso. E foi exatamente assim que aconteceu no caso do livro do professor Mario. (Que previsíveis se tornaram os burgueses… Onde estará a criatividade capitalista, geralmente atribuída à premissa – um tanto desumana – da competição?).
A obra em questão é extremamente didática – ao contrário do que disse a “Folha de São Paulo” em editorial chamado “A lata de lixo da História” (20/9/2007). Contém charges, gráficos, ilustrações e outros recursos que facilitam a compreensão do período estudado e que dificilmente são vistos em outros livros. E, o que é mais importante, não há nele a pretensão de ser o dono da verdade. É com humildade que Mario Schmidt escreve, logo nas primeiras páginas, que o livro poderia ter sido escrito de outra maneira, tão válida quanto a dele. E deixa o alerta: “Por isso, nunca se esqueça de que duvidar e questionar são atividades muito saudáveis”. Se os jornalistas envolvidos nas matérias e editoriais sobre a obra “Nova História Crítica” tivessem se dado o trabalho de ler – ao menos – as dez primeiras páginas do livro em questão, certamente teriam aprendido muito. E, quem sabe, escrito muito menos bobagens.

Max Luiz Gimenes, militante do Psol, teve o privilégio de estudar com os livros do professor Mario e conhece cada detalhe da obra. Sabe, portanto, melhor do que alguns jornalistas, a importância do respeito.

E-mail:
max.gimenes@gmail.com 
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Publicado em Correio da Cidadania

04/10/07

abril 17, 2007

ABRIL ( no ) VERMELHO !!!!!!!

Editora Abril terá que entregar registros à justiça

O que está por trás dos negócios do Grupo Abril? É o que querem saber o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o CADE, e a Justiça Criminal de São Paulo. Esse interesse nasceu de um processo que a TV Bandeirantes move contra redatores do Grupo Abril.
O Grupo Abril terá que abrir a caixa preta de seus negócios com grupos estrangeiros que compraram ações de empresas de comunicação. A decisão é da Justiça Criminal de São Paulo.
A Editora Abril vai ter de entregar à Justiça todos os seus registros acionários. Entre os documentos, estão os da venda de 30% da empresa ao grupo sul africano Naspers, que apoiou o apartheid. Um negócio que provocou reação da comunidade negra.
Procurada, a assessoria da Abril não deu resposta.
Nessa Terça, 17/04/2007 às 19h20 no Jornal da Band, você vai saber como o Grupo Abril conseguiu dinheiro público da ditadura brasileira para investimento, sem precisar pagar a conta.
A Band vai mostrar também as vendas sem licitação de milhões de livros didáticos para o Governo.
E mais:
Clique aqui nesse ponto, e “veja” ( brrrr!!! ) o histórico discurso do então senador Roberto Requião em 1999, revelando alguns segredinhos bem guardados – ou pouco investigados e/ ou revelados – sobre o “jeito Famiglia Civita” de fazer negócios rendosos.

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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