ENCALHE

agosto 2, 2008

O "Bom Selvagem" ao volante

Filed under: automóveis, Lei Seca, O Bom Selvagem ao Volante — Humberto @ 3:11 pm
De repente, defensores das liberdades se voltaram contra a chamada Lei Seca. De modo bem geral, o que exige a tal lei? Que não se beba antes de dirigir.
Mexeu com a macheza do brasileiro. Possuir um automóvel para compensar alguma deficiência e beber como forma de lazer é questão de honra a nossos conterrâneos. Nossa contribuição para os Patrimônios da Humanidade. Direitos adquiridos e inalienáveis, da natureza humana conforme concebida por Deus em pessoa. Como se sabe, os direitos são bons para nós, mas ruins quando são para os outros. As greves, por exemplo. Se fosse da maneira como as coisas que escuto e leio, a Lei Áurea seria rasgada. Voltaríamos aos tempos dos faraós. Às galés. Pois o que tem de nego que gosta de receber 13º., Férias remuneradas, adicional de 100% quando trabalhado no feriado e aos domingos, essas coisas que simplesmente CAÍRAM DO CÉU, sem esforço. Bondade do empresariado. Esmola. Bolsa-Salário. Direitos caem do céu, sem mais nem menos. Basta pensar positivo e acreditar no Çegrêdo. Essa é a Chave do Çegrêdo do Sucesso. Greve para quê?
Mas mudei de assunto e retomo.
Os direitos civis estão sendo solapados pelo Estado-Tirânico Onipotente ( mas não tão onipotente assim, já que ele não consege impedir o tempo todo, ou antes que aconteça, que nossos cidadãos de bem soneguem os impostos que dizem pagar [ a classe-média ignara diz que acredita e faz côro ] ou evadam divisas ) .
Os detratores da Lei Seca acreditam ( acreditam? ) piamente na bondade e pureza, que estariam presentes nos atos das pessoas e, portanto, dos motoristas de automóveis.
A bela e pura natureza boa do Bom Selvagem ao Volante pode, apenas, precisar de alguma correção pontual, jamais de castigos tão duros. Da mesma forma que a Mão-Boba do Mercado não pode ser amarrada por regras, leis e regulações ( pois traz em si o gene que lhe permite autoregular-se sem precisar de empurrões ) o motorista naturalmente Bom e Bem-Intencionado não pode ter sua liberdade tolhida.
Deve, por pior que seja sua conduta, receber instruções que lhe permitam, por si mesmo, corrigí-la.
O Bom Selvagem ao Volante não fala ao celular enquanto guia, apenas porque é ele mau, mas por ingenuidade. O mesmo se dá em toda a infração que comete, proveniente da mais pura ingenuidade.
Vejam a volta dos guinchos em São Paulo. Que desproporcional uso da força…
E, assim, o Estado-Tirânico vai demolindo, um a um os direitos de nossa boa gente, que só quer tomar sua cervejinha, pagar seus impostos, tratar bem o próximo e dirigir pelas ruas tranquilo, sem se preocupar com ninharias, como pedestres, ciclistas e postes.

julho 26, 2008

Trechos de duas entrevistas: Fernando Morais e Carlos Lessa

Em vermelho, trechos que merecem certa atenção, concorde-se ou não com os entrevistados.
CARLOS LESSA à ISTOÉ ( ed. 2017, 02.07.08 )
(…)
ISTOÉ – O sr. ficou surpreso com as denúncias que envolveram recentemente financiamentos do BNDES?
Lessa - Duvido que essas coisas tenham acontecido. A estrutura de decisão e de operações do banco tem uma quantidade muito grande de filtros. Para haver corrupção, tem de corromper de cima a baixo. Por exemplo, todo o pleito passa pela comissão de prioridades, que é formada por todos os superintendentes do banco. E a decisão final é da presidência do banco. Vai ver que tem firma de consultoria vendendo o que não tem para entregar.
(…)
ISTOÉ – Mas a ministra Dilma Rousseff tem chances, apesar de todo o tiroteio contra ela, antes do início da campanha?
Lessa - Qualquer um que não for o nome querido do mercado de capitais e do sistema de bancos vai tomar pancada de todos os lados. A Dilma está apanhando de maneira injusta. Acho que o Palocci é a figura de eleição do mercado. Se não podem fazer o Meirelles candidato a presidente, então que seja o Palocci.
ISTOÉ – Como o sr. avalia as chances do deputado Ciro Gomes, que seria o candidato de seu partido, o PSB?
Lessa - O Ciro seria um bom candidato. Gosto muito da idéia, do ponto de vista regional, de fazer uma aliança que não seja paulista. O Brasil precisa de um candidato que não seja paulista. A “paulistocentria” é excessiva. Gosto muito da idéia de que Minas esteja na composição presidencial. Gosto muito do Aécio, uma pessoa de muito potencial, e gosto muito do Ciro. Se eu fosse Deus e pudesse escolher, comporia uma chapa com os dois. A questão da cabeça de chapa ficaria para depois. Mas sou um ilustre marginal.
ISTOÉ – O senhor votaria no governador José Serra para presidente?
Lessa - Eu gosto imensamente do Serra do ponto de vista pessoal. Inclusive sou padrinho de casamento dele com a Mônica. Estudou economia comigo no Chile nos anos 60. Eu era professor, e ele, aluno. E acho que o Serra não aproveitou o governo de São Paulo para se projetar como um homem da Nação brasileira apesar de ele ser nacionalista ( SIC ). Qual é a posição do Serra sobre a Amazônia? Ninguém sabe. Qual é a posição do Serra sobre a transposição do rio São Francisco? Ninguém sabe. O que ele pensa em matéria de bioenergia?
(…)

ISTOÉ – Qual é a avaliação que o sr. faz do presidente Lula?
Lessa - Acho que o Lula sabe o que é povo. Instintivamente, ele faz gestos e propostas que coincidem com o ânimo popular. Mas ele não sabe o que é nação. Não tem a menor idéia do que é nação e Estado nacional. Prova disso é a inércia do governo diante dos maustratos a cidadãos brasileiros, como se viu recentemente na Espanha. E a política econômica é uma catástrofe. Costumo dizer que o Brasil deixou de ser a República de Empreiteiras para ser o Império dos Banqueiros. E a empreiteira é mais conveniente, porque empurra o País para adiante. O presidente Lula fica deslumbrado pelo aplauso mundial. Ele é aplaudido por quem? Pelos parceiros dos banqueiros brasileiros.
COMENTÁRIO: Brilhante observação de Lessa. O PIG faz de tudo para desqualificar o Lula, mostrando-o como um ignorante ( para deleite de uma classe-média cabotina ), só faltando exigir ao presidente que explique teorias de Física Quântica, mas do Serra… Do Serra não se sabe coisa alguma. É como se ele fosse uma entidade inquestionável, a quem não se deve testar. Qual é a opinião dêle sobre estes temas, feitos por Lessa? E por quê não lhe é perguntado?
FERNANDO MORAES à TOP MAGAZINE ( ed. 115 )
(…)
TOP – E aquele artigo do Jerônimo Teixeira, na vEJA, dizendo que o seu “problema é que você é muito solidário com quem deveria estar na cadeia”?
Moraes - O problema é que a vEJA faz um jornalismo sórdido e seria uma ingenuidade supor que eu iria dar a eles o direito de escolher meus amigos. Se eu vou ou não ser amigo do Fidel [ Castro ] , do Hugo Chávez, do Zé Dirceu, do Evo Morales, do Daniel Ortega… Eu escolho os meus amigos. Eu tenho saudade da vEJA, onde eu trabalhei. Publicamos a 1ª. entrevista que o Fidel deu para uma publicação brasileira depois do golpe de 64 e foi capa.
TOP – O que você acha do jornalismo atual em geral?
Moraes - Um horror, um horror. Eu acho que uma revista tem todo direito de ser um partido político, mas precisa jogar limpo: “Nós somos um partido político de direita, defendemos o capital sobre o trabalho, defendemos os fortes…”. Abre o jogo, não tem problema. Mas tinha a obrigação de dizer isso para o leitor. Como não leio mais a vEJA, ela não entra mais na minha casa… Eu leio os quatro jornais, doi do Rio [ Globo e Jornal do Brasil ] e dois de São Paulo [ Folha de São Paulo e Estado de São Paulo ].
(…)
TOP – E o governo Lula?
Moraes - Foi menos do que eu esperava, mas eu sou lulista ( OBS: Moraes é filiado ao PMDB ). Estou com vontade de fazer uma camiseta: “Fica, Lula”.
TOP – Então você é a favor do terceiro mandato?
Moraes - Eu sou. Sou a favor de quantos mandatos o povo quiser. Sou a favor na Venezuela, porque vou ser contra no Brasil? O povo que decide.
TOP – Mas rotatividade não é boa para [ a ] democracia?
Moraes - É claro que sim, mas quem decide se vai ter rotatividade ou não? O povo que decida. Vocês não queriam a democracia? Democracia é isso, pô!
TOP – Mas você acha que o Lula vai baixar um decreto para o terceiro mandato?
Moraes – Não. Tive uma audiência com ele e saí de lá convencido de que Lula não é candidato. Não está com cara, com jeito de quem está preparando uma armadilha, não.
(…)

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