ENCALHE

janeiro 30, 2009

Limpando o baú

Não ter computador é uma mer***da. Às vezes surge uma idéia, e aí eu acabo passando prum papel, e deixo na espera. E acabo esquecendo, ou o tempo daquilo passa e aí não faz sentido escrever. O mesmo vale para algo que eu descolo num jornal ou alguma revista. Esses eu também guardo para depois e fica por isso mesmo.
Claro, tem coisas que são atemporais, mas não é o caso das coisas que escrevo. E,também tem coisas que eu leio e penso: “Put**quepari**u! Esse filhodap#%+*& me deixou put**o! Vou escrever a respeito!!”. E faço nada.
Enfim, depois dessas chorumelas, vou registrar aqui uns rabiscos que havia bolado há dias e, se valem alguma coisa ou não fod**a-s**e!
O CULPADO DE SEMPRE –
Meio fora da mídia ( já que esta decidiu que a crise é maior no Brasil que nas demais – todas – nações do globo, e a culpa é do Lula ) os ataques de Israel à Gaza tiveram como alvo – intencional ou não – até uma escola da ONU. Israel corre o risco de ser julgado por algum tribunal internacional por “crimes de guerra“, ou “crimes contra a humanidade”. Sobre diversas acusações ( uso de armas ou substâncias horrendas, como fósforo branco, urânio sei-la-o-quê ) eu não sei, mas com relação ao bombardeio à escola da ONU supra citada, Israel pode usar a seguinte estratégia de defesa: CULPE OS PROFESSORES. Essa manobra é usada exaustivamente aqui no Estado de São Paulo, e funciona que é uma beleza…
BATTISTI –
Hoje saiu o seguinte na Folha Online: “Itália aposta no STF para extraditar Battisti“.
Seria o famoso Berlusconi outro a contar com facilidades no STF?
JOSÉ ANÍBAL E O ESTADO POLICIAL –
O preclaro foi gravado por engano, já que os detetives arapongas estavam investigando caso de traição conjugal de um terceiro, com quem parece que o Inábi, OPS, Aníbal conversou por telefone.
Curioso é que ele só foi revelar isso um mês e pouco depois de ter sido informado do suposto fato. Saiu assim na Folha, em 08.01:
Polícia aponta esquema de grampo ilegal e prende nove
Segundo investigação, quadrilha atuaria em espionagem industrial e casos de infidelidade
Deputado José Aníbal foi um dos alvos da organização, que envolveria policiais e funcionários de empresas de telefonia e de bancos
Uma operação da Polícia Civil de São Paulo desbaratou quadrilhas de dois detetives particulares que quebravam ilegalmente sigilos telefônicos, bancários e fiscais. Os dados eram usados em espionagem industrial e investigações sobre infidelidade conjugal.
Uma das vítimas dos criminosos foi o deputado federal José Aníbal (PSDB). “Isso vem confirmar que o grampo ilícito está se tornando um problema muito grande no país. Milhares de pessoas podem estar sendo vítimas desse crime”, disse ele.”
( OPA! PAROU, PAROU, PAROU!! Que porra é essa? “Neste país”? Pegou e decorou a cartilha do Gilmar Mendes? Por quê não se atém ao fato que, supostamente, envolve você diretamente? Vejam o lindão aproveitar um episódio que parece ter sido feito sob medida para a tucanalha. )
“Segundo o delegado Ruy Ferraz Fontes, do Deic (Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado), criminosos obtiveram registros de ligações feitas pelo deputado, mas nenhuma conversa foi gravada. Fontes diz não ter identificado o interessado em comprar dados sigilosos de Aníbal [ se é que há, né? ] , mas crê [ crê? ] que um dos objetivos era identificar contatos políticos do deputado. O delegado não descarta a possibilidade de outros políticos terem sido investigados ou terem pagado [ "Outros políticos terem pago"? Quem faria isso, Deus? ] para receber dados sigilosos. O Deic prendeu nove suspeitos de duas quadrilhas chefiadas pelos donos de agências de detetives Domingos Esteves Júnior, 52, e Rosimeire da Silva Scrittore, 47. As quadrilhas eram contratadas sobretudo por empresários interessados em espionagem industrial e por pessoas que desconfiavam da fidelidade dos cônjuges. O Deic também investiga a possibilidade de que os criminosos possam ter agido para obter informações sigilosas para políticos [ Repito a pergunta anterior ] . Os detetives entravam em contato com funcionários de bancos e de empresas de telefonia que integravam as quadrilhas. Em troca de pagamentos entre R$ 200 e R$ 2.000, obtinham extratos bancários, registros de chamadas telefônicas e escutas telefônicas ilegais. Os detetives vendiam as informações por preços que variavam de acordo com o interessado e com a pessoa investigada. “Centenas de pessoas tiveram seus sigilos quebrados. Já tomamos depoimento de 30 dessas vítimas”, disse Fontes.”
( OPA! PAROU, PAROU, PAROU!! E isso que eu quis dizer sobre “episódio feito sob medida”. A bem da verdade, o episódio não chega a ser o problema mas sim, a leitura que se dispõe a fazer: o espertão do Aníbal foca nos grampos oportunisticamente, mas não menciona que bancos ou funcionários deles roubavam informações ( extratos ) dos clientes, o mesmo ocorrendo com funcionários de empresas de telefonia. Mas o Aníbal é esperto, ele apenas sugere as coisas. O melhor ainda está por vir. Continuem com a leitura. )
“O esquema ilegal começou a ser investigado pelo Deic em 2004.”
( OPA! PAROU, PAROU, PAROU! Em 2004? Já havia suspeitas é, há 4 anos pelo menos? E desde quando? E o seu Aníbal fala de modo a insinuar como se tudo começasse com o “grampo” mediúnico sobre o seu Gilmar Dantas. A isso se dá o nome “jogar para a torcida”. Faz até lembrar do caso do “antrax” na Moóca, ainda em 2001, lembram? A moda era o antrax…Antrax por todo lado! )
“Na ocasião foi descoberto um grupo envolvendo cinco policiais civis. Eles falsificavam mandados de quebra de sigilo telefônico e os enviavam para empresas de telefonia.”
( OPA! Ahh, chegou o ponto crucial! Membros da Polícia Civil de São Paulo? Da São Paulo governada há um porrilhão de anos pelo PSDB? Que que isso tem a ver com “os grampos NESTE PAÍS”? Em resumo: trata-se de uma questão local, e possivelmente anterior até mesmo a Operação Chacal. Então, uma gangue de arapongas formada por membros das polícias Civil e Militar de São Paulo estariam – supõe-se – arapongando e vendendo as informações “até para políticos”? Mmm. Estas polícias estão subordinadas a quem, mesmo? Isso pode ser uma pista… )
“Sem saber do esquema, as empresas forneciam dados sigilosos e até gravavam conversas, que eram então vendidas para pessoas que contratavam os policiais. No decorrer das investigações sobre os policiais [ OPA! PAROU! Os policiais estavam sendo investigados e, A PARTIR DAÍ, foram descobertos os detetives!! Isso quer dizer que o caso poderia ser apresentado assim: "Gang de policiais paulistas arapongavam um monte de gente desde 2004. Detetives teriam se unido posteriormente ao esquema"] , o Deic identificou duas quadrilhas de detetives particulares.
“Foram pedidas prisões de 20 pessoas, mas a Justiça só concedeu dez mandados -nove foram cumpridos. Além de Esteves Júnior e Rosimeire Scrittore, foram presos os operadores de telefonia Aline Aparecida Cerqueira de Moura, 28, e Simone Sampaio dos Santos, 36; o prestador de serviços César Barbosa Costa, 31; o bancário Marcos Palace Chagas, 47; a intermediária entre os detetives e os funcionários de operadoras Elisângela Novais da Silva, 32; seu namorado, Daniel Aparecido da Silva, 30, e sua funcionária Flávia Priscila de Paula, 26. Também foi identificado um coronel da reserva da PM suspeito de intermediar aluguel de aparelho que faz escutas por R$ 2.500 por 15 dias.”
( OPA!! Um coronel da PM do Estado de São Paulo, e não um araponga da ABIN ou PF! )
“Os cinco policiais e o coronel da reserva estão em liberdade e são investigados pela Corregedoria da Polícia Civil. Segundo a polícia, não é mais possível falsificar mandados de quebra de sigilo.
Segundo Aníbal, a polícia lhe mostrou duas gravações. Numa, duas mulheres teriam pedido registros das chamadas do número da secretária do deputado em Brasília. Na outra, um homem recebeu dados sobre Aníbal. O deputado diz ter pedido ao secretário de Segurança, Ronaldo Marzagão, que descubra quem pediu o grampo.”
( Bom, não sei em que pé está a coisa, mas fica pelo registro. Vamos aguardar, né? )

julho 15, 2008

Dantas falou "PT" e, para o imprensalão, isso basta!! Mas e o Echelon* que a filha de Serra e a irmã de Dantas tinham?

1) Essa daqui eu mandei para a Carta Capital ( site e revista ) quando percebi que o Estadão botou um monte de páginas que levavam a entender que Daniel Dantas surgiu em primeiro de Janeiro de 2003:
“Saudações,
Atualmente, é duro verificar que os jornalões estão inundando suas páginas com as peripécias de Daniel Dantas. E também é fácil verificar que a grande maioria da – assim chamada – opinião pública, ignora quem seja o personagem.
Mas os leitores de Carta Capital o conhecem bem. Pois a revista trouxe as andanças de Dantas pelo universo empresarial brasileiro, de modo que as denuncias conta ele não constituem surpresa.
Mas, voltando aos jornalões ( e revistas ), não acho que seja justo que faturem, agora, esgotando seus repartes, devido ao assunto, quando sabemos que a Carta foi a pioneira e os mesmos jornalões nada traziam a respeito. Por isso, quero sugerir à redação da revista, que lance nas bancas uma compilação das matérias mais importantes sobre Dantas, desde as que saíram quando Carta ainda tinha sua periodicidade mensal; uma espécie de “Guia”, para melhor situar o público nesse imbróglio. Vocês poderiam, até, junto aos textos, trazer as capas de jornais e revistas nos períodos correspondentes, para que possamos comparar quais assuntos eles destacavam, enquanto que Carta Capital trazia mais uma do Dantas.
Sem trocadilho, acho que vocês não devem perder esta “oportunidade”. “
2 ) Sim pois, a vinculação de Dantas ao PT ( e apenas a este ) desvincula o banqueiro das maiores relações, que foram com o governo do FHC. Sem contar a proximidade de sua irmã com a filha de José Serra, que já mencionei aqui algumas vezes. Mas, sem o brilhantismo deste post, publicado hoje no Entrelinhas, de Luiz Antonio Magalhães, que traz uma revelação chocante: entre os vários serviços que a empresa das duas Verônicas oferecia, havia algum tipo de “pesquisa cadastral” num “banco de dados” ( ou seria uma planilha? Tá, bom. Brincadeira. Desculpe. ) de 70 milhões de registros de brasileiros; de onde viriam tais informações? Da Kroll? Da Knowx ( ou, mais precisamente, da ChoicePoint )? Quiçá, da base de dados dos paulistas que a Secretaria de Segurança de SP pensava em vender ( leia: “Dados ou vendidos?“, neste blog, em 06.06.06 ) para a iniciativa privada ( apesar de, honestamente eu não saber dizer se a idéia se concretizou ) ? Bom, se não estou enganado, Greg Palas afirmou que dados de colombianos e brasileiros estariam sendo adquiridos pela ChoicePoint. Depois eu levanto essa capivara decentemente.
Luiz conclui o post afirmando que o empreendimento tem todo o jeito de coisa típica do Serra:
A pergunta que a mídia não faz: filha de Serra tem relações com a irmã de Dantas?
Blog ENTRELINHAS, 15.07.08
Verônica Serra, filha do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), mantem hoje algum tipo de participação na empresa Decidir.
Com, da qual fez parte em sociedade com Verônica Dantas Rodenburg, irmã de Daniel Valente Dantas?
Esta pergunta, pelo menos ao que este blog tenha conhecimento, não foi nem sequer formulada pelos jornalões e revistonas da grande imprensa brasileira. A nota abaixo, publicada em setembro de 2002 na revista IstoÉ Dinheiro, informa que Verônica Serra “tirou o seu nome” da empresa antes do pai ser formalmente indicado candidato do PSDB à presidência.
AS DUAS VERÔNICAS
Verônica Serra, filha do candidato do PSDB, era sócia até 3 de maio último de Verônica Dantas Rodenburg, irmã de Daniel Dantas, do Opportunity. Elas fundaram juntas uma empresa de internet, a Decidir.com, que continua em plena atividade. A empresa foi registrada em Miami no dia 3 de maio de 2000, sob o número P00000044377. Tem filiais na Argentina, Chile, México, Venezuela e Brasil. O site oferece dicas sobre oportunidades de negócios, incluindo a área de licitações públicas no Brasil. Consta no site: “Encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”. A filha de Serra tirou o nome da empresa antes do pai ser oficializado candidato.
Ora, passadas as eleições, Verônica Serra voltou a se associar com a sua xará? Uma visita ao site Decidir.com traz algumas pistas, mas não todas. É possível saber que entre os investidores do negócio está o Opportunity, porém não há nenhum link para a diretoria da empresa ou equipe que comanda o empreendimento.
A visita, no entanto, vale a pena só pela descoberta do tipo de negócio com o qual as duas Verônicas se envolveram. Entre os produtos oferecidos estão:
1. Informações de Crédito – consultas sobre CPFs, protestos, cheques devolvidos, etc.
2. Serviço de Verificação de Identidade
3. Segurança Eletrônica
O segundo “produto” é oferecido com a seguinte descrição:
O que é o Serviço de Verificação de Identidade (SVI)?
O SVI representa a solução mais simples, ágil e prática para o problema de cadastros e mailings com dados duvidosos ou desatualizados. Se você quiser otimizar a utilização das bases de dados de clientes ou prospects e ainda ampliar os dados que possui de um cadastro pré-definido, o SVI é o seu maior aliado em uma ação eficiente para alcançar o target desejado.
• Como funciona o SVI?
1. Através do SVI, você enviará à DECIDIR a lista com apenas um dos campos dos seus registros preenchidos (ex. CPF).
2. A DECIDIR realizará as verificações sobre a validade dos dados, utilizando as bases de dados do seu sistema que compreendem mais de 70 milhões de registros em todo o Brasil.
3. Em poucas horas você recebe de volta a listagem original dos CPFs com os dados estatísticos que apontam a qualidade daquela base de dados. Para os registros válidos encontrados na base da DECIDIR, você receberá todas as informações que estão relacionadas àquele CPF. Como o leitor pode perceber, é até possível que Verônica Serra já não esteja mais neste ramo, mas que o negócio tem toda a cara do pai dela, ah, isto tem!
3 ) * ECHELON - saiba mais
4 ) Hoje, a Folha traz a informação de que o Dantas contratou advogados “ligados” ao PT, sem contrato formalizado ou rastro disso. São os atuantes Kakay e Teixeira, e seus serviços teriam sido prestados entre 2003 e 2005 ( ou seja, do começo do governo Lula, até a época dos eventos conhecidos como “Escândalo do Mensalão ); esses pagamentos teriam sido detectados durante uma auditoria feita na Brasil Telecom, em 2005 [ OBS: a matéria fala em "documentos inéditos" da auditoria ocorrida há 3 anos? Ninguém se interessou em divulgá-los desde então? ] a partir de pedido dos fundos de pensão, quando estes conseguiram o controle sobre a empresa, que vinha sendo comandada por Dantas. Essa auditoria constataria, também, que Dantas usava dinheiro da BrT para pagamento de funcionários dos quadros do Opportunity, informação – e denúncia – incluída na representação contra Dantas, apresentada contra ele pelos novos diretores da BrT, junto à CVM. O que nos leva a Teixeira e Kakay. Eles teriam recebido grana da BrT para fazer serviços de interesse do Opportunity. Mas, isso somente diria respeito a Dantas e a BrT, pois, a menos que os advogados soubessem que o dinheiro era da telefônica, isso é assunto interno que deve ser resolvido pelos acionistas.
Uma coisa que me parece inexplicável é por quais motivos um sujeito como Daniel Dantas [ que, ao que parece, capaz de grampear um monte de gente ( ironicamente, parece que até Naji Nahas e Paulo Maluf foram investigados pelo SSD - Serviço Secreto Dantesco ), contratar os serviços de espionagem da Kroll, comprar parte substancial do imprensalão ( se não a maior parte ) ] contrataria justamente para “prestar serviços” ( não estou sendo irônico, é que a expressão é vaga ) um advogado ligado a Lula e outro a Zé Dirceu, com tantos à disposição no país? E por quê um advogado nessas condições aceitaria “prestar serviços” a alguém com a biografia de Dantas, sabendo que isso poderia resultar em suspeitas, não contra Teixeira ou o Kakay, mas contra Lula, Dirceu, Dilma ou seja lá quem fosse? Ingenuidade assim, nem nos contos de fada sob a ótica de Walt Disney. Ainda mais se pensarmos que em 2002, ao que parece, Dantas já mandava grampear pessoas que fariam parte do governo Lula ( o que me faz refletir, agora, se Celso Daniel não teria sido, também, um dos personagens grampeados pelo esquema; isso poderia ter mudado completamente seu destino ).
Outa coisa: parece haver um movimento na direção de indispor a opinião pública contra os “excessos” da PF. Isso significaria dar, automaticamente, o aval às seguidas decisões de Gilmar Mendes que soltou Dantas por duas vezes. Mostrar petistas como Dirceu e Greenhalg se queixando das supostas arbitrariedades, ao contrário de parecer isenção, objetiva sugerir que tudo é feito pela PF na base da força excessiva, não importando quem seja ( incluíndo-se aí, é claro, a prisão com algemas de Dantas ). Para levar-nos a crer que o Juiz Sanctis e a PF estão errados e Gilmar Mendes, certo, haja ginástica.
E o vazamento de informações à Globo não é, simplesmente, um excesso, mas um favorecimento muito esquisito, e não atenta contra algum direito dos presos, em particular, mas de todos os cidadãos, que devem se perguntar o por quê dessa preferência:
Dantas pagou advogados ligados ao PT sem contrato
15/07 – – Folha de SP
Defensores próximos de Lula e Dirceu dizem ter prestado serviços entre 2003 e 2005
Dados sobre os pagamentos estão em auditoria feita a pedido dos novos donos da BrT, que foi gerida pelo banco de Dantas até 2005
RUBENS VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL
LEONARDO SOUZA DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Documentos inéditos da auditoria interna da Brasil Telecom de 2005 sobre a passagem do banqueiro Daniel Dantas no controle da companhia telefônica revelam pagamentos de R$ 1,2 milhão para o advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e de pelo menos R$ 3 milhões para o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, amigo do ex-ministro José Dirceu (PT), sem que os auditores tivessem encontrado os contratos para a prestação de serviços de advocacia.
Kakay recebeu ao todo R$ 8,3 milhões. A auditoria encontrou apenas um contrato de R$ 5,3 milhões -sobre o qual afirmou não ter localizado nenhuma comprovação de efetiva prestação de serviços advocatícios. Teixeira afirmou que tem consigo uma cópia do contrato.
A Brasil Telecom foi controlada pelo banco de Dantas até meados de 2005, quando os fundos de pensão de estatais conseguiram na Justiça assumir o controle da companhia. Os novos donos então determinaram uma ampla auditoria.
A Operação Satiagraha, da Polícia Federal, que investiga e prendeu Dantas na semana passada, apura atividades de advogados remunerados pelo banqueiro sem atuar formalmente em processos judiciais relacionados ao banco, como o ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT). Para a PF, tratava-se de lobby político. Ele nega irregularidades.
De acordo com documentos do relatório da auditoria da telefônica, aos quais a Folha teve acesso, o escritório de Roberto Teixeira foi pago pela BrT “para prestar serviços para o Opportunity”. Em dezembro de 2005, os auditores concluíram: “Não foram localizados contratos de Roberto Teixeira com a Brasil Telecom. Foram localizados pedidos de compra sem contrato e pagamentos para Roberto Teixeira, que somam R$ 1,2 milhão, entre abril de 2003 e março de 2005″.
Teixeira, segundo o histórico dos pagamentos, passou a ser remunerado três meses depois da chegada de Lula à Presidência. Os auditores citaram Teixeira como “advogado muito próximo de Lula”.
Em outra parte do relatório, os auditores listaram 39 pagamentos a empresas e pessoas físicas feitas a partir de “pedidos não vinculados a contratos”. São pagamentos de cerca de R$ 285 milhões. Entre os beneficiários, o escritório de Kakay, em Brasília, com R$ 8,3 milhões. Esse trecho do relatório é descrito como “análise de pedidos não vinculados a contratos, realizados pela presidência [da Brasil Telecom] e outras diretorias”.
A parte do relatório que trata dos serviços de Kakay traz um resumo das ligações políticas do advogado: “Conhecido como Kakay; advogado de DD [Daniel Dantas] no caso Kroll, juntamente com Nélio Machado e Oliveira Lima. Seriam também advogados de Carla Cicco no caso Kroll; Almeida Castro é muito amigo de José Dirceu (advogado desse) e diversas vezes ofereceu ajuda política a DD para aproximá-lo do governo por meio de Dirceu; DD recebe forte auxílio do PFL (ACM, Jorge Bornhausen e Heráclito Fortes)”.
A auditoria também localizou um e-mail trocado entre um escritório de advocacia do Rio e o ex-diretor da Brasil Telecom Participações Humberto Braz, que se entregou ontem à PF, no decorrer da Operação Satiagraha. Ele é acusado de ter participado da tentativa de suborno dos delegados que atuam no caso, Victor Hugo Ferreira e Protógenes Queiroz.
O e-mail revela que Braz tinha um papel importante na relação entre a Brasil Telecom e advogados. Ele participou de uma reunião “no escritório do Kakay”, em Brasília, na qual foi “acertado” o pagamento de honorários “a título de êxito” no valor de US$ 1 milhão. Os advogados queriam suspender um mandado de segurança no STF ( Supremo Tribunal Federal ).
A auditoria na Brasil Telecom, concluída em dezembro de 2005, investigou pagamentos, contratações e serviços entre os anos de 2002 e 2005.
Outro lado
Advogado diz que prestou serviço a BrT
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
DA REPORTAGEM LOCAL
O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que os R$ 8,3 milhões que recebeu da Brasil Telecom se devem a dois serviços prestados, um diretamente à companhia e o outro na defesa de Carla Cicco, ex-presidente da companhia, e do banqueiro Daniel Dantas em processo criminal em São Paulo.
O advogado Roberto Teixeira informou, por meio de assessoria, que tem em mãos o contrato prestado para a Brasil Telecom. “Se os auditores não acham o contrato, o problema é deles. A nossa cópia está conosco”, informou Teixeira, por escrito. Indagado, por intermédio da assessoria, sobre prazos, condições, objetivos e pagamentos do contrato, ele respondeu que “os advogados não têm o contrato à mão e consideram má-fé dos auditores dizerem que não há contrato”.
O primeiro caso citado por Kakay se refere ao acompanhamento de dois procedimentos de investigação no Ministério Público Federal sobre a privatização da CRT (Companhia Riograndense de Telecomunicações), comprada em 2000 pela BrT.
Por conta desse primeiro contrato, Kakay recebeu R$ 5,3 milhões. Segundo ele, sua função era orientar os advogados da BrT sobre como proceder nos trabalhos de investigação do Ministério Público.”Dizem que eu não fiz nada nesse caso. Atuei diretamente com os advogados da BrT, orientando-os passo a passo durante todo o tempo”, disse Kakay, acrescentando que seus honorários se justificam pelos valores envolvidos.
Os outros R$ 3 milhões, afirma o advogado, dizem respeito à defesa de Dantas e de Cicco, como pessoas físicas, no inquérito da Operação Chacal, que apurou a participação dos dois na contratação da agência Kroll para investigar autoridades do governo brasileiro.
A assessoria do banco Opportunity em SP informou que as notícias sobre os pagamentos sem contratos a Teixeira e Kakay “já foram divulgadas” em anos anteriores. Disse que o jornal poderia buscar “em seus próprios arquivos” as respostas sobre as indagações feitas pela reportagem ontem à noite.
Outro lado
Petistas negam tráfico de influência
EM SÃO PAULO
O ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT) voltou ontem a negar que tenha feito tráfico de influência no Planalto em prol do banqueiro Daniel Dantas, mas se recusou a comentar a nota do chefe-de-gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho.
Também em nota, Greenhalgh disse que atuou como advogado e criticou a acusação da Polícia Federal de que ele transita “nos subterrâneos” dos tribunais com o objetivo de favorecer Dantas.”Não é possível classificar como ato ilícito o fato de um advogado transitar nos tribunais, inferiores ou superiores, bem como nas delegacias… Isso faz parte da rotina diária de todo advogado.”
O ex-deputado negou ainda ter tratado do caso em encontro que teve no aeroporto de Brasília com José Dirceu (PT), em maio. “Nunca tratamos sobres Dantas, nem nesse encontro nem em outros.”
Dirceu também negou: “Audácia e certeza da impunidade não têm limites na PF”.
“Evanise Santos é minha namorada e nessa condição foi procurada por Greenhalgh, e não como funcionária da Presidência”, disse em seu blog.
íntegra
“Não fiz contato algum com a PF”, afirma Carvalho
DA REDAÇÃO
Leia a íntegra da nota de Gilberto Carvalho, chefe-de-gabinete do presidente Lula.
“Esclarecimentos do chefe do gabinete pessoal do presidente da República, Gilberto Carvalho, sobre o contexto das conversas que teve com o advogado e ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh, mencionadas no noticiário relacionado à Operação Satiagraha da Polícia Federal.
No dia 28 de maio, o dr. Luiz Eduardo Greenhalgh informou-me que um cliente seu, Humberto Braz, cuja identidade até então eu desconhecia, fora seguido no Rio de Janeiro, após deixar os filhos na escola, e que, interceptado pela polícia do Rio, o condutor do carro que pretensamente lhe fazia a perseguição se apresentou como tenente da Polícia Militar de Minas Gerais, exibindo documentos que diziam estar a serviço da Presidência da República. Dr. Greenhalgh me indagou se procedia esta informação, uma vez que poderia se tratar de tentativa de seqüestro comum, com uso de documentação falsa. Procurei o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. Fui informado de que o referido tenente estava credenciado pelo GSI, mas o trabalho que realizava nada tinha a ver com o cidadão citado. Repassei pelo telefone esta informação ao dr. Greenhalgh, que, na ocasião, pediu que eu obtivesse mais informações junto à Polícia Federal. Como já havia dado a informação essencial ao advogado no que dizia respeito à segurança pessoal de seu cliente, não fiz contato algum nem com o Ministério da Justiça e nem com a direção ou qualquer integrante da Polícia Federal, conforme já declarado pelas respectivas autoridades.
Presidente diz a ministros ver excessos em operação policial
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em reunião ontem com seus principais ministros, o presidente Lula avaliou a Operação Satiagraha como “consistente do ponto de vista investigatório” e “positiva” para a imagem do governo, segundo relatos obtidos pela Folha.
Lula fez dois reparos à operação. Disse que o vazamento da prisão do ex-prefeito Celso Pitta para a TV Globo é um excesso e pediu que o ministro Tarso Genro (Justiça) tome providências disciplinares. Também julgou excessivo o uso de algemas. Disse, porém, que deve haver um critério único.
O presidente defendeu o chefe-de-gabinete, Gilberto Carvalho, que apareceu em um grampo conversando com Luiz Eduardo Greenhalgh (PT). Disse em conversa reservada que ele, Carvalho e o ministros devem redobrar cuidados com pleitos de amigos e de partidários sem cargo público em audiências e telefonemas. (KENNEDY ALENCAR E VALDO CRUZ)
Defesa critica Tarso e diz que Abin é “SNI”
Advogado de Dantas afirma ter constatado grampos ilegais de conversas entre advogados, segundo ele uma “barbaridade”
Para Nélio Machado, que vê interesse político de Tarso, é reprovável ministro ter dito que será “muito difícil” para Dantas provar sua inocência
ROBERTO MACHADO
DA SUCURSAL DO RIO
O advogado Nélio Machado, que defende Daniel Dantas, acusou a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) de estar agindo de forma ilegal e paralela à investigação da Polícia Federal e criticou o comportamento do ministro da Justiça, Tarso Genro, no episódio da prisão do dono do Opportunity.
Preso duas vezes na semana passada e beneficiado por habeas corpus concedido pelo STF ( Supremo Tribunal Federal ), Dantas é acusado de chefiar uma quadrilha responsável por diversos crimes financeiros e fiscais a partir das empresas do grupo Opportunity.
O advogado afirmou que existem indícios de que agentes da Abin interceptaram ilegalmente conversas telefônicas. “Eu constatei interceptação da conversa de advogados, o que é uma barbaridade. Tem inclusive interceptação de conversa do meu cliente com um advogado dele nos Estados Unidos.”
Segundo Machado, há indícios de que a Abin tenha monitorado a comunicação entre os advogados de Dantas, no Rio e em Brasília. “Incluindo troca de e-mails entre o meu escritório e o do Pedro Gordilho e Alberto Pavie. Também com o de Luiz Carlos Madeira, em Brasília. São todos advogados da maior seriedade. É uma audácia interferir mediante grampo, que eu acredito que seja ilegal.”
Disse ter indícios de que a ida de Pavie ao STF, na última terça, horas após a prisão de Dantas, foi monitorada pela Abin: “Essa investigação é muito estranha porque revela, de maneira chapada e indisfarçável, a presença de uma entidade que não tem nenhuma atribuição de atuar em investigação de natureza penal, que eu chamo de SNI [Serviço Nacional de Informações, antigo nome da Abin].”
O advogado de Dantas afirmou que Tarso teria interesses políticos no episódio. “Vê-se que o presidente da República lançou, ou pelo menos prestigiou, a ministra Dilma [ Rousseff ]. Subitamente vê-se o ministro Tarso ocupar espaço. Ele integra o Executivo e está agindo meio à solta. O próprio presidente deu declarações posteriores muito mais comedidas.”
Machado disse que a avaliação de Tarso, em entrevista à Folha publicada no domingo, de que seria “muito difícil” para Dantas provar inocência é “reprovável” ( OBS: “reprovável” é a Folha colocar a frase como manchete; isso o Genro não tem controle sobre; mas foi prematura essa entrevista, sim ) . “Ele está agindo como o algoz. Faz juízo de valor.”
Sobre o depoimento de Hugo Chicaroni, que disse ter recebido dinheiro para tentar subornar um delegado da PF em benefício de Dantas, Machado afirmou tratar-se de ação “isolada”. “Não há envolvimento do meu cliente com aquela ação.”
Ao criticar a atuação do juiz da 6ª Vara Criminal de São Paulo Fausto De Sanctis, que ordenou as prisões de Dantas, Machado antecipou uma das linhas que utilizará na defesa. “Um juiz tem que se preocupar com o julgamento técnico. Esse caso está viciado desde o início porque violaram o HD [disco rígido] do banco [Opportunity] contra uma ordem judicial do STF. Juiz de primeira instância não pode ir contra o Supremo.”
Agência admite atuação, mas nega “clandestinidade”
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) confirmou que agentes secretos, a pedido do delegado Protógenes Queiroz, participaram da Operação Satiagraha ( OBS: Não é necessário algum tipo de documento de requisição entre as agências? Lembrei dum caso envolvendo arapongas no Ministério da Saúde, à época de Serra; se não me engano, eram necessários certos procedimentos para tal fim ) O órgão negou ter atuado “clandestinamente”, mas sua atuação foi considerada irregular pelo governo.
Ontem, durante reunião de coordenação, o ministro Tarso Genro (Justiça) confirmou a participação de agentes da Abin na operação e afirmou que esse foi um dos erros cometidos por Queiroz. Tarso disse ao presidente Lula que o delegado não adotou o procedimento normal -fazer o pedido à Abin pela diretoria de operações da PF ( OBS: Ah! Tá aqui! ).
Em nota, a Abin afirmou ontem que o diretor-geral do órgão, Paulo Lacerda, “não tem e não teve nenhuma participação ou iniciativa, muito menos ingerência, nos fatos que resultaram” na ação, mas que é comum a “cooperação com os demais órgãos públicos”. “[A Abin] não realiza quaisquer atividades para as quais não possua respaldo na legislação.”
A Folha revelou, no dia 10, que agentes da Abin atuaram no caso à revelia da direção da PF. Em maio, agentes seguiram o carro de Humberto Braz, assessor de Dantas, pelas ruas do Rio. (LUCAS FERRAZ e VALDO CRUZ)
Procuradores avaliam pedido de impeachment para Mendes
DA REPORTAGEM LOCAL
Não está consolidado, mas procuradores da República estudam a possibilidade de pedir o impeachment do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, que determinou a soltura do banqueiro Daniel Dantas mesmo sem analisar as provas e a decisão do juiz de 1ª instância.
A idéia, que seria encabeçada pela procuradora Ana Lúcia Amaral, vem sendo discutida na intranet do Ministério Público. Procuradores entendem que Mendes cometeu crime de responsabilidade ao ignorar os tribunais de 2ª e 3ª instâncias.
Alguns acreditam que a iniciativa teria o apoio da classe (179 procuradores assinaram carta de apoio ao juiz Fausto Martin De Sanctis) e dos magistrados (cerca de 400 juízes do Tribunal Regional Federal assinaram manifesto de repúdio à decisão de Mendes).
O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), disse ontem que a Casa tem competência para avaliar um impeachment. “Mas acho difícil prosperar. O que está sendo discutido é uma decisão judicial, não é crime de responsabilidade, a não ser que o documento traga alguma consistência em relação ao crime.”

novembro 8, 2007

Espião que denunciou arapongagem de Daniel Dantas ( amigo de FHC desde priscas eras ) vai em cana na Itália!!!

Guerra de arapongas
Espião que denunciou espinagem da Kroll é preso na Itália
Giuseppe Ângelo Jannone, o homem que denunciou a Kroll de fazer espionagem no Brasil, foi preso na Itália por fazer espionagem. Junto com Jannone, ex-integrante de um grupo de elite dos carabineiros e ex-chefe de segurança da Telecom Itália no Brasil, foram presos Alfredo Melloni e Ernesto Preatoni, dois técnicos de informática que trabalhavam no setor de segurança da matriz da Telecom Itália.
Os três, integrantes do chamado Tiger Team, um grupo especial do setor de segurança da Telecom Itália, são acusados de armar um esquema de interceptações de informações eletrônicas, entre 2003 e 2005 no contexto da disputa pelo controle acionário da Brasil Telecom entre a Telecom Itália e o Banco Opportunity. As informações são do jornal La Repubblica.
Na ordem de prisão, de 320 páginas, um amplo espaço é dedicado ao contencioso entre Telecom Italia e Brasil Telecom e, em particular, à atividade de espionagem cibernética que teria sido dirigida contra a agência de investigações internacional Kroll, que entra no processo como parte prejudicada.
No Brasil, a Kroll foi acusada pela Telecom Itália e pelo governo federal de espionar seus dirigentes a mando do Opportunity. Entre as supostas vítimas da bisbilhotagem da Kroll está o ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social do governo Lula, Luiz Gushiken. O esquema agora denunciado na Itália, inverte papéis. De denunciante de uma falcatrua, Jannone passa à condição de seu autor.
As investigações que levaram à prisão de Jannone fazem parte de um inquérito mais amplo, que antes levou à prisão Fabio Ghioni, considerado o cérebro dos ataques cibernéticos da Telecom; e Giuliano Tavaroli, o ex-chefe de Segurança da Telecom Itália e da Pirelli. Os dois já foram liberados.
Os promotores Fábio Napoleone, Nicola Piacente e Stefano Civardi acusam o trio de formação de quadrilha, aquisição ilícita de informações e apropriação indébita. Podem ainda ser enquadrados em crime de interceptação informática abusiva.
Segundo os promotores, Jannone planejava e coordenava ataques piratas na internet, Preatoni colocava à disposição a mão de obra e a estrutura logística par a execução do plano, enquanto que Melloni, de 23 anos, colocava em prática as suas habilidades de hacker. Os ataques informáticos, segundo os procuradores, partiam de computadores operados pelo Tiger Team e instalados dentro dos escritórios da própria Telecom Itália.
Entre as vítimas das ações de espionagem figuram Carla Cico, ex-presidente da Brasil Telecom; o presidente do Banco Opportunity Daniel Dantas e outros diretores da instituição financeira; a agência Kroll; os jornalistas do jornal italiano Libero Fausto Carioti e Davide Giacolone; funcionários da Victory, empresa de consultoria da Brasil Telecom; e advogados do escritório Giorgianni, que cuidava dos interesses da Brasil Telecom na Itália.
Revista Consultor Jurídico
6 de novembro de 2007

setembro 18, 2007

Spy-ghetti

Respostas atrasadas
Espião italiano envolve Abin e PF em operações escusas
Em julho de 2004, a Folha de S.Paulo publicou uma reportagem trepidante. O jornal apresentou um dossiê demonstrando que o empresário Daniel Dantas, em uma disputa pelo controle de operadoras de telefonia, encomendara uma investigação secreta contra a Telecom Italia que alcançou gente do mercado e do governo. A empresa contratada para essa finalidade foi a multinacional Kroll.
O resultado conhecido desse furo de reportagem, que chegou ao jornal pela empresa italiana, foi a queda de Dantas. Mas algumas questões fundamentais ficaram sem resposta até agora. Afinal, como é que uma investigação secreta como aquela foi parar justamente nas mãos de seus alvos?
A resposta para essa pergunta começa a se desenhar agora, graças a um pesado processo judicial em andamento na Itália. O motivo é fácil de compreender: os acionistas daquele país querem saber o que foi feito dos milhões de euros pagos a brasileiros, sem que a Telecom italiana ganhasse aqui os mercados que pretendia.
Do que descobriu a justiça italiana até agora, já se pode chegar a algumas conclusões. É fato que a Kroll investigou concorrentes, adversários e inimigos de Daniel Dantas. Mas o famoso dossiê de julho de 2004 não é o do dono do Opportunity. O que os italianos divulgaram foi um conjunto de dados, apurações e afirmações produzido por eles próprios. Adequadamente maquiado e adaptado para atingir objetivos específicos, o tal dossiê parece ter sido uma manobra mais ousada do que as mais ousadas manobras atribuídas a Dantas.
Angelo Janonne, o personagem da reportagem, sustentava que o CD da Kroll lhe chegara de forma anônima e ele, de boa fé, entregou o material à PF. Essa versão durou até o início deste ano, quando o hacker contratado para “produzir” o dossiê enxertado, Fabio Ghioni, confessou o delito. A partir desse momento, de testemunha, Janonne tornou-se réu no processo. E ele começou a falar.
As coisas tendem a esquentar. Das primeiras notícias de que o dono do Opportunity investigara até gente do governo, tem-se uma evolução. O que chega agora da Itália é que a tal “gente do governo”, na realidade, é que investigava Dantas. Não em nome do interesse público — já que investigar dentro da lei é sempre saudável — mas para favorecer uma das partes da disputa empresarial, a Telecom Italia. Os acionistas da empresa, agora, querem seu dinheiro de volta. Ou, pelo menos, a responsabilização de quem o recebeu indevidamente.
Acusado, à época, de produzir notícias para beneficiar Daniel Dantas — a ponto de a PF ter inventado a “Operação Gutenberg” cujo único alvo era ele — o jornalista Leonardo Attuch publica esta semana na revista Dinheiro, da Editora Três, reportagem sobre o chefe dos espiões italianos que foi quem trouxe ao Brasil o famoso dossiê de 2004. Pelas mãos do jornalista, fica-se sabendo que autoridades brasileiras andaram praticando atos que não saíram no Diário Oficial. Leia a reportagem:
Confissões de um espião
Por Leonardo Attuch
Depoimento do chefe da espionagem da Telecom Italia à Justiça revela como a empresa se aproximou da Polícia Federal e da Abin na maior disputa empresarial do País, em busca do comando da Brasil Telecom.
Há um ano, às 10h40 do dia 14 de setembro de 2006, o executivo italiano Angelo Jannone compareceu à sede da Procuradoria de Milão, Via Freguglia nº 1 e sentou-se diante do procurador Fábio Napoleone. Jannone, ex-chefe da área de segurança da Telecom Italia, empresa que controla a TIM e é acionista da Brasil Telecom (BrT), falou por mais de três horas. Saiu de lá apenas às 14h25, depois de reler com atenção e rubricar as 25 folhas do depoimento que prestou à Justiça italiana.
No documento secreto, obtido pela DINHEIRO, Jannone narrou fatos que ajudam a decifrar uma das mais complexas disputas empresariais da história do País: a luta pelo comando da Brasil Telecom, que opunha a Telecom Italia ao grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas.
Os pontos mais surpreendentes do testemunho de Jannone dizem respeito à forma como a Telecom Italia se aproximou de duas instituições do governo brasileiro – a Polícia Federal (PF) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) – numa tentativa de conseguir apoio na guerra comercial empreendida contra Dantas ( leia trechos nos destaques ao longo da reportagem ). O executivo revelou os contatos que manteve com Mauro Marcelo, ex-chefe da Abin, e com um policial aposentado conhecido como Álvaro, que, segundo as investigações italianas, manteria boas relações com a cúpula da PF.
Angelo Jannone também confirmou os pagamentos feitos pela Telecom Italia ao detetive particular Eloy Lacerda, de São Paulo, e a dois ex-funcionários do Opportunity, Luís Roberto Demarco e Marcelo Elias. Com esse time, Jannone montou sua ofensiva contra Dantas, que, em 2004, foi alvo de uma ação da Polícia Federal: a Operação Chacal. À época, o Opportunity e a empresa Kroll eram acusados de “espionar” o governo federal. Em função disso, cinco funcionários da Kroll foram presos – Dantas escapou por pouco, mas perdeu o comando da empresa de telefonia.
Jannone, um ex-carabiniere da polícia italiana, desembarcou no Brasil em 2004. Veio trabalhar ao lado de Paolo Dal Pino, que à época presidia a Telecom Italia no Brasil e tinha a missão de pavimentar boas relações com o governo e com a mídia. Além dos recursos diretos da operadora de telefonia, Jannone contava com um orçamento paralelo, de 1,2 milhão de euros por ano, que era usado em operações especiais e no pagamento de colaboradores.
Segundo seu depoimento, tais recursos saíam da matriz italiana, eram repassados a uma empresa inglesa chamada Business Security Agency e depois eram transferidos a outros membros da equipe de segurança da Telecom Italia, como Mario Bernardini. Foi este outro espião quem, em delação premiada, entregou todo o esquema à Procuradoria de Milão e fez com que Jannone fosse chamado a depor.
Depois de chegar às contas de Bernardini, no private bank do Credit Suisse, o dinheiro finalmente era repassado a fornecedores da Telecom Italia no Brasil, como a dupla Demarco-Elias. O contrato dos ex-funcionários do Opportunity chegava a US$ 500 mil, segundo o depoimento; o do detetive Eloy Lacerda, diz Jannone, era de €300 mil – o que Lacerda nega. DINHEIRO também teve acesso a extratos bancários de Bernardini, cujo sigilo bancário foi quebrado por ordem da Justiça da Suíça, numa investigação por corrupção, enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro. No dia 2 de fevereiro de 2005, Elias recebeu US$ 50 mil. No dia 13 de julho de 2005, outra transferência no mesmo valor foi realizada para uma conta de Elias no Banco Safra, e revelam uma transferência de US$ 30 mil à J.R. Assessoria Contábil, no dia 11 de julho de 2005. Tal empresa, segundo Bernardini disse ao jornal Folha de S.Paulo, pertenceria ao ex-policial João Álvaro de Almeida, supostamente ligado a dirigentes da Polícia Federal. Em outubro de 2006, o articulista Diogo Mainardi, da revista Veja, mencionou a existência desses depósitos numa de suas colunas, mas não apresentou os documentos bancários. Os extratos, em poder da DINHEIRO, confirmam a informação.
A parte mais rica do depoimento de Angelo Jannone, no entanto, diz respeito à participação de Mauro Marcelo, então diretor da Abin, na história. No depoimento, Jannone contou que, no início de 2005, foi levado ao ex-chefe da Abin por Eloy Lacerda, que já prestava serviços para a Pirelli, à época controladora da Telecom Italia. Naquela reunião, também esteve presente o ex-deputado Robson Tuma, filho do senador Romeu Tuma (DEM/SP).
Antes de encontrá-los, Jannone disse que consultou Demarco e este o incentivou a aceitar o convite dizendo que tanto Marcelo quanto “Tuminha” estariam “a soldo” de Daniel Dantas – portanto, seria importante convencê-los a mudar de lado. Demarco ainda teria dito a Jannone que o então diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, vinha bloqueando as investigações sobre o caso Kroll e que Mauro Marcelo dirigia uma Ferrari, comprada do detetive Eloy Lacerda.
Em seguida, Jannone relatou aos procuradores de Milão que o encontro com Mauro Marcelo e Robson Tuma foi amigável. Segundo o depoimento, “Tuminha” lhe disse que mantinha boas relações com Paolo Dal Pino, presidente da Telecom Italia, e relatou o compromisso da empresa italiana de fazer um call-center no seu reduto eleitoral. Mauro Marcelo, por sua vez, mostrou a Jannone o projeto de uma cidade cenográfica, onde policiais e agentes da Abin seriam treinados, que custaria R$ 15 milhões e poderia receber uma cota de “patrocínio” da Telecom Italia. Procurado pela reportagem, Mauro Marcelo negou que tivesse uma Ferrari, confirmou o pedido de apoio feito à TIM e admitiu que fazia palestras comercializadas pelo detetive Lacerda. “Mas não recebi nada deles”, disse à DINHEIRO.
Os contatos do espião italiano com Mauro Marcelo não se restringiram àquele encontro de 2005, de acordo com o depoimento prestado à Procuradoria de Milão. Tempos depois, o ex-chefe da Abin lhe telefonou na véspera de uma reunião que ele teria com o detetive Eloy Lacerda. De acordo com o depoimento, Marcelo lhe pediu que se “comportasse bem” diante do amigo. Quando Eloy Lacerda procurou Jannone, um dia depois, a conversa teria sido tensa. Jannone disse ao detetive que não gostava de ser “pressionado” e insinuou até que poderia denunciar tanto ele quanto Mauro Marcelo. Ainda segundo o depoimento, Eloy Lacerda avisou que tentaria resolver a história diretamente na Itália. Em seguida, Jannone procurou um amigo no Brasil, o jornalista Pedro Rogério Moreira, e fez um desabafo, dizendo-se preocupado com o risco de fazer um “acordo de corrupção” com Mauro Marcelo.
Pedro Rogério, muito conhecido em Brasília, foi contratado pela Telecom Italia por US$ 10 mil mensais e encomendou alguns trabalhos ao amigo Alexandre Paes dos Santos, um lobista conhecido em Brasília como APS. “Eu fazia apenas relatórios de conjuntura legislativa, política e econômica”, disse APS à DINHEIRO. Pedro Rogério, por sua vez, confirmou a existência do contrato com a Telecom Italia, que durou dois anos. “Eu fazia uma análise crítica das notícias que saíam na mídia.” Quanto ao “desabafo” de Jannone sobre as pressões da Abin, ele diz não se recordar com precisão. “Ele vivia angustiado, pode ter feito algum desabafo, mas não me lembro de nomes que ele tenha citado”, disse à DINHEIRO.
No seu depoimento à Procuradoria de Milão, Jannone revelou ainda os atritos que teve com Luís Demarco e Marcelo Elias quando os pagamentos da dupla começaram a atrasar. Num dos trechos, ele disse que Demarco chegou a telefonar várias vezes para Giorgio della Seta, ex-presidente da Pirelli, cobrando sua parte. Em outro, disse que foi agredido verbalmente por Elias no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, em 2005. Elias teria dito que “Demarco era estranho, mas não criava problemas”. Jannone retrucou dizendo que ninguém foi pago para “criar ou deixar de criar problemas”.
Em relação aos pagamentos, Elias já admitiu à Folha de S. Paulo que prestou uma consultoria à Telecom Italia, mas disse que o valor foi de US$ 250 mil. Documentos secretos da Justiça italiana, como o depoimento de Jannone, também ajudam a entender a troca recente de todo o comando na Polícia Federal. Em dezembro de 2006, quando já sabia que seria nomeado ministro da Justiça, Tarso Genro fez uma viagem sigilosa à Itália com uma missão específica: recolher informações sobre as investigações referentes à Telecom Italia e avaliar os possíveis impactos no Brasil. Genro teve acesso a vários documentos e, logo que assumiu o Ministério, em março deste ano, tentou substituir Paulo Lacerda por um nome de sua confiança. O ministro, porém, adiou a decisão em várias ocasiões em função de conflitos internos na PF. Foi só há duas semanas que ele conseguiu emplacar Luiz Fernando Corrêa no cargo.
Em contrapartida, porém, Lacerda foi para a Abin e Romeu Tuma Júnior foi nomeado secretário Nacional de Justiça. Depois dessa troca de cadeiras, há hoje um claro antagonismo entre o novo comando da Polícia Federal e a ala do governo que permanece ligada à família Tuma. É uma nova guerra, que se trava nos bastidores do poder, e que ainda pode causar muita confusão.
O agente italiano Angelo Jannone prestou depoimento à Procuradoria de Milão em setembro de 2006. Nele, revelou que contratou o empresário Luís Demarco (ex-funcionário do Opportunity) como consultor por US$ 500 mil porque ele mantinha boas relações com fundos de pensão estatais e com profissionais da mídia brasileira. Além disso, interessava à Telecom Italia o fato de Demarco ser parte numa ação contra o Opportunity na Justiça das Ilhas Cayman. No mesmo depoimento, Jannone revela atritos que teve com Demarco e com seu sócio Marcelo Elias quando os pagamentos começaram a atrasar.
No depoimento prestado à Justiça italiana, o agente secreto Angelo Jannone revelou um telefonema “estranho” que recebeu de Mauro Marcelo, ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin. Marcelo queria que Jannone se “comportasse bem” diante de seu amigo Lacerda, um detetive particular de São Paulo que prestava serviços à TIM. Jannone se sentiu pressionado e contou aos procuradores italianos que pensou em denunciar os dois.
De acordo com o depoimento, o ex-deputado federal Robson Tuma, foi levado ao agente da Telecom Italia pelas mãos do detetive particular Eloy Lacerda. No encontro, segundo Angelo Jannone, Tuma disse manter boas relações com a TIM, que havia assumido o compromisso de fazer um callcenter no seu reduto eleitoral. Mauro Marcelo, da Abin, teria pedido patrocínio para uma “cidade cenográfica”, onde agentes da polícia e do serviço secreto ( N.do Blog: Termina assim mesmo )
Sócios ocultos
Na sexta-feira 14, às 12h30, o executivo italiano Ângelo Jannone confirmou à DINHEIRO que prestou depoimento à Procuradoria de Milão no dia 14 de setembro de 2006. Jannone disse ainda que as histórias narradas no documento em poder da revista DINHEIRO são verdadeiras.
Ele relata que chegou ao Brasil em 2004 para o lugar de Marco Bonera, que chefiava a área de segurança da Telecom Italia. Naquele momento, vários contratos foram “herdados” da era Bonera, como o do detetive Eloy Lacerda e o da dupla Luís Demarco-Marcelo Elias, que eram feitos por meio de contabilidade paralela da empresa italiana.
No primeiro momento, a contratação de Demarco lhe pareceu adequada. “Era a única pessoa capaz de enfrentar Daniel Dantas”, disse Jannone à DINHEIRO. Segundo o executivo, a Telecom Italia financiava gastos de Demarco com advogados, nas várias ações que ele movia contra o Opportunity. Jannone também confirmou à DINHEIRO as pressões que sofreu do detetive Eloy Lacerda em favor de Mauro Marcelo, da Abin. “Fiquei muito preocupado e cheguei a suspeitar que ele e Mauro Marcelo fossem sócios ocultos.”
Mentiras dos dois lados
Apesar disso, ele garante que a Abin não foi corrompida pela Telecom Italia para atuar na Operação Chacal, feita contra o Opportuniy. Quanto à contratação do ex-policial federal Álvaro, supostamente ligado à cúpula da Polícia Federal, Jannone diz que ele fez “trabalhos legais”. O executivo italiano, que hoje é réu no processo que corre em Milão, começou a escrever um livro sobre tudo aquilo que viveu no Brasil. Já fez dois capítulos. É um romance de espionagem, com fundo real e alguns nomes trocados, que começa com a sua chegada ao Rio de Janeiro. “Há muitas mentiras nessa história, contadas pelos dois lados.”
Araponga privado
O detetive particular Eloy Lacerda prestava serviços de inteligência à Pirelli e à Telecom Italia. No depoimento à Justiça italiana, Jannone disse que foi pressionado por Lacerda em função de pagamentos atrasados e fez desabafos a um de seus consultores em Brasília: o jornalista Pedro Rogério Moreira, que recebeu US$ 10 mil mensais durante dois anos. Jannone disse que temia o risco de um “acordo de corrupção” com Mauro Marcelo, que àquela época ainda chefiava a Abin.
Conexões escusas
A Justiça da Suíça quebrou, em outubro de 2006, o sigilo bancário das contas de vários espiões da Telecom Italia. Entre eles, o agente Marco Bernardini, que tinha conta no Credit Suisse e fez depósitos nas contas de Marcelo Elias, um consultor dos italianos, e da JR Assessoria, empresa que seria ligada à cúpula da Polícia Federal.
Consultor Jurídico
17 de setembro de 2007

setembro 3, 2007

Discrição acima de tudo: Ellen Grace foi grampeada em 2001 e só revelou agora!!!

Antes de começar a ler o artigo lembre que, na época em questão, a conceituada empresa FENCE tinha um contrato com o Ministério da Saúde. E que essa mesma empresa, paga a preço de ouro pelo Ministério da Saúde, reapareceu no noticiário nacional em 2006, no período eleitoral, divulgando que descobriu, durante uma varredura nos telefones – a serviço do TSE – grampos em dois telefones do TSE e num do STF. Chamada a investigar os caso, a PF declarou não ter encontrado nenhum indício de grampo sequer. O dono da FENCE, posteriormente, foi indiciado por falsidade ideológica devido à falsa denúncia de grampo. Nem sei o que deu essa história. Outro episódio bem conhecido, a descoberta do dinheiro que o marido de Roseana Sarney guardava na empresa Lunus, invadida pela Polícia Federal. Os boatos que corriam davam conta de grampos telefônicos e implicavam a PF, a Abin e ex-agentes do SNI. O PFL debandou do governo FHC e Roseana Sarney, considerada grande favorita a vencer a eleição presidencial de 2002 teve sua candidatura abortada ( Duplo haraquiri, ISTOÉ, ed.1693, 13/03/2002 ).
Mais recentemente, Daniel Dantas foi acusado de usar até ex-espiões da CIA, baseados na empresa Kroll, em trabalhos de bisbilhotice sobre o governo Lula e o ministro Gushiken. Tudo muito obscuro.
E, para fechar ainda mais o círculo de curiosidades, durante a CPI dos Correios ( ou do “mensalão” ), que volta à tona, o HD do computador do Opportunity foi apreendido mas, pelo menos até maio de 2006 ( é, faz tempo ) permanecia lacrado sob a guarda da PF, por ordem da presidente do STF, Ellen Gracie, que não via relação entre Dantas, o Opportunity, Marcos Valério e o suposto mensalão, e a CPI teve que seguir adiante sem acesso às possíveis informações que o HD lhes daria.
Ministra da vez
Empresa detectou grampo na casa de Ellen Gracie
Em encontro com um grupo de cinco deputados, a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Gracie, contou que uma empresa especializada detectou na casa dela um grampo telefônico clandestino. Limitou-se a relatar o fato, que teria ocorrido em 2001, antes, portanto, que ela se tornasse presidente do STF, revelando uma ponta de dúvida quanto à eficiência do trabalho de varredura.
De acordo com notícia publicada no blog do colunista Josias de Souza e no jornal Folha de S. Paulo, a conversa aconteceu na tarde de quinta-feira (30/8). Além de Ellen Gracie, também o vice-presidente do Supremo, Gilmar Mendes, participou. O relato da ministra foi testemunhado pelos deputados Raul Jungmann (PPS-PE), Fernando Gabeira (PV-RJ), Chico Alencar (PSOL-RJ), Raul Henry (PMDB-PE) e Augusto Carvalho (PPS-DF).
Os parlamentares foram ao STF para informar oficialmente a Ellen Gracie e a Gilmar Mendes sobre uma decisão da Comissão de Segurança da Câmara. Decidira-se convidar os ministros do Supremo que suspeitam ter sido vítimas de escuta clandestina. A idéia não soou atraente à presidente do STF.
Ela revelou aos deputados o receio de que o comparecimento dos magistrados à comissão da Câmara contribua para difundir o pânico entre os usuários de telefone. Disse que o mais adequado seria o Legislativo trabalhar no aperfeiçoamento do controle das polícias Federal e civil e das empresas privadas que prestam serviço de varredura.
Foi nesse ponto da conversa que a ministra contou o episódio ocorrido em sua casa. Disse que o tribunal contrata uma firma para, de tempos em tempos, verificar os seus aparelhos. Sem mencionar o nome da firma, contou que sua casa foi inspecionada. Num primeiro momento, informou-se que não havia sinal de grampo. Porém, em nova inspeção, feita um mês depois, descobriu-se que havia uma escuta.
As palavras da ministra foram decodificadas pelos deputados de maneira distinta. O blog do colunista Josias de Souza ouviu três deles. Dois disseram simplesmente que a ministra revelara a existência de grampo em sua residência. Um terceiro afirmou que entendeu o seguinte: Ellen Gracie, de fato, falou sobre o grampo. Mas o fez com o propósito de realçar suas dúvidas quanto à eficiência do trabalho da empresa contratada pelo STF.
Embora Ellen Gracie tenha torcido o nariz para a idéia de que ministros do STF compareçam à Câmara para falar sobre escutas clandestinas, ofício da Comissão de Segurança, aprovado por unanimidade, será enviado nos próximos dias ao tribunal. Como se trata de um “convite”, os ministros podem aceitá-lo ou dar de ombros.
Além dessa iniciativa, há na fila de espera da Câmara um requerimento de criação de uma CPI do Grampo. Foi proposta pelo deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ). Delegado licenciado da Polícia Federal, Itagiba recolheu 191 assinaturas. Bastariam 171 para que a CPI fosse aberta. O documento repousa sobre a mesa do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).
De resto, Fernando Gabeira faz gestões para que sejam chamados ao Congresso o general Jorge Félix, ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, e o delegado Paulo Lacerda, que acaba de ser transferido da direção da PF para o comando da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).
Os dois seriam ouvidos, a portas fechadas, por uma comissão mista que cuida da fiscalização das atividades de inteligência. A idéia de Gabeira é recolher subsídios que auxiliem no aperfeiçoamento da legislação que regula os grampos legais e que pune as escutas feitas sem autorização judicial.

Revista Consultor Jurídico
1 de setembro de 2007

abril 18, 2007

A revista VEJA é mesmo uma condenada!!!!

DESCULPE, ERREI
Veja publica retratação à jornalista da IstoÉ Dinheiro

A revista Veja publicou, na edição desta semana, uma retratação ao jornalista Leonardo Attuch, editor das revistas IstoÉ Dinheiro e Dinheiro Rural. A Veja foi condenada, em 24 de janeiro, a pagar indenização de R$ 17,5 mil por danos morais para o jornalista.
Attuch acusou a Veja de ter publicado, no dia 22 de fevereiro do ano passado, texto afirmando que o jornalista era “negociante de notícias”, “pessoa fraudulenta”, “autor de um livro indecoroso” e “quadrilheiro”. Tudo começou quando a revista publicou o texto O mais vendido. Nele, era dito que o “negociante de notícias Leonardo Attuch” estava envolvido “em uma nova fraude”. É que seu livro, A CPI que abalou o Brasil, tinha aparecido na lista de mais vendidos equivocadamente.
Repórteres da revista Veja descobriram que a livraria Siciliano, dona do selo Futura, que publicou o livro, forneceu à imprensa números equivocados sobre a venda dos livros. Em vez de 452 exemplares em uma semana, tinham sido vendidos apenas 38. A explicação foi de erro no cadastro.
Leonardo Attuch não gostou dos adjetivos usados no texto e entrou com a ação de indenização por danos morais. Na nota de retratação publicada esta semana, a revista afirma que Attuch não teve qualquer ligação com a alteração do número de venda de exemplares de seus livros. Além disso, a revista, que já relacionou o nome do jornalista com o caso Kroll, ressaltou que Attuch jamais foi denunciado ou indiciado.
Veja a nota de Veja
Veja publicou em sua edição de número 1.944, com data de 22 de fevereiro de 2006, um texto intitulado ‘O mais vendido’, no qual consta a informação de que o jornalista Leonardo Attuch, editora das revistas IstoÉ Dinheiro e Dinheiro Rural, estaria devendo satisfações às autoridades policiais. Em um episódio pretérito, a respeito do ‘caso Kroll’, o nome do jornalista foi citado como autor de determinadas reportagens, mas ele jamais foi denunciados ou indiciado pelas autoridades que investigaram tal assunto.
O livro publicado por ele, intitulado A CPI que Abalou o Brasil, editado pelo selo Futura, do grupo Siciliano, teve seu volume de vendas alterado, o que mereceu sua exclusão da lista de ‘Mais Vendidos’ da revista Veja. O relato da Siciliano exime o jornalista Leonardo Attuch do episódio. O jornalista também jamais foi indiciado pela Polícia Federal ou por qualquer outra autoridade policial pela prática de qualquer tipo de delito.
Revista Consultor Jurídico, 17 de abril de 2007

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.