ENCALHE

novembro 2, 2007

CPMI pode investigar irregularidades no Corinthians

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) e o deputado Silvio Torres (PSDB-SP) apresentaram ontem ( 30/10 ) à Mesa do Congresso Nacional requerimento de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro nos contratos entre a empresa Media Sports Investment (MSI) e o clube de futebol Corinthians. O principal foco da CPMI estará em contratos envolvendo dirigentes, jogadores e empresários do setor, em relação a denúncias que vão de 2000 a 2007. A MSI contratava jogadores para atuarem no Corinthians com salários comparáveis aos de grande clubes do exterior – o que levou à suspeita de lavagem de dinheiro.
Retirada de assinaturas
O requerimento foi protocolado momentos depois de o Brasil ter sido escolhido como sede da Copa do Mundo de 2014, mas a CPMI corre o risco de não sair do papel, porque parlamentares já começam a pedir a retirada das suas assinaturas. “Uma CPI que, inicialmente, visa a investigar as questões de lavagem de dinheiro no Corinthians pode tranqüilamente debandar para a questão da realização da Copa”, disse o deputado José Rocha (PR-BA), que foi presidente de uma subcomissão formada para acompanhar a candidatura do Brasil como sede do mundial. Ele teme retaliações da Federação Internacional das Associações de Futebol (Fifa) ao Brasil. Segundo ele, dos 10 parlamentares do PR que haviam assinado o pedido de criação da CPI sete já pediram a retirada da assinatura. Já o deputado Silvio Torres afasta a possibilidade de haver retaliações. Ele citou declarações do presidente da Fifa, Joseph Blatter, de que não há objeção ao fato de um país soberano investigar esse tipo de crime. Torres disse que o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, é contra a investigação porque ela poderia atrapalhar a candidatura do Brasil; porém, o deputado afirmou que esse problema não existe mais, pois o Brasil já foi escolhido como sede da Copa de 2014. Assinaturas Por enquanto, o requerimento tem as assinaturas de 38 dos 81 senadores e de 209 dos 513 deputados. São necessárias as assinaturas de 171 deputados e 27 senadores. Mas, para haver a instalação definitiva da CPMI, o pedido precisa ser lido em sessão conjunta do Congresso. A próxima sessão ocorre na terça-feira (6), para analisar autorizações para créditos extraordinários do Executivo.Silvio Torres disse que a CPMI poderá até colaborar com o sucesso da Copa, pois, segundo ele, o objetivo é investigar o envolvimento de financiadores do futebol brasileiro com o crime organizado, o que tem sido denunciado com uma certa freqüência. “Queremos chegar à Copa de 2014 como um exemplo de organização do futebol interno”, disse.
Crise
De acordo com ele, investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal já demonstraram que há problemas graves. “E isso ocorre em um momento em que o futebol brasileiro passa por uma crise financeira, com a maioria dos clubes praticamente falidos”, disse. Ele citou como prova da crise a Timemania, criada pelo governo para saldar as dívidas de impostos e encargos trabalhistas dos grandes clubes de futebol. Em 2001, uma comissão da Câmara, conhecida como CPI da CBF-Nike, investigou os contratos de patrocínio da CBF e o financiamento de campanhas políticas por federações de futebol. Outra, instalada no Senado, investigou o favorecimento de jogadores e empresários na escolha de jogadores para a seleção brasileira.
Agência Senado
31/10/07

setembro 22, 2007

Não se deve colocar todos os ovos numa única cesta. Diversificar os investimentos é fundamental no mundo globalizado!!!

Lavagem de dinheiro pode ter ido além do Corinthians
Agência Camara
20/09/07
O promotor de Justiça de São Paulo José Reinaldo Carneiro afirmou nesta quinta-feira, em audiência pública sobre a parceria entre o Corinthians e o fundo de investimento MSI ( Media Sports Investment ), não ter dúvida de que a prática de lavagem de dinheiro pode estar sendo utilizada por outros clubes de futebol brasileiros. Para o promotor, que atuou nas investigações do caso, a habilidade dos jogadores brasileiros e o alto valor alcançado por seus passes no exterior fazem com que as pessoas que querem lavar dinheiro procurem também os clubes de futebol do País. A audiência foi promovida pela Comissão de Turismo e Desporto. Investigações da Operação Perestroika da Polícia Federal apontam que o Corinthians foi usado pelo magnata russo Boris Berezovski para lavar dinheiro obtido de forma ilícita no exterior. Para isso, ele teria utilizado como laranja o iraniano Kia Joorabchian, com a conivência de parte dos dirigentes do clube paulista. Berezovski, apontado como homem forte da MSI, é procurado pela polícia russa por corrupção e lavagem de dinheiro. Hoje ele mora na Inglaterra, onde obteve asilo político.
Má gestão
O procurador da República Sílvio Luiz de Oliveira reforçou, na audiência, que o caso envolvendo o Corinthians poderia ter ocorrido com qualquer outro clube, nacional ou internacional. Segundo ele, contribui para isso a existência de times fragilizados economicamente devido a problemas de má gestão. Sílvio Luiz e José Reinaldo observaram que o Corinthians não foi o primeiro clube sondado para estabelecer parceria com os russos. Segundo informaram, há testemunhos de contatos com clubes do Rio de Janeiro e do interior de São Paulo. Eles disseram, no entanto, não saber de nenhuma investigação em curso em outros clubes.
Denúncia
Em julho deste ano, após mais de um ano e meio de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, o Ministério Público Federal – ao qual foram remetidos os autos pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, que iniciou as investigações – ofereceu denúncia contra oito pessoas por lavagem de dinheiro no caso Corinthians-MSI. Entre eles, o então presidente do Corinthians, Alberto Dualib, e o vice-presidente do clube, Nesi Curi, afastados em agosto. Também foram acusados o russo Boris Berezovski e o iraniano Kia Joorabchian, que tiveram a prisão preventiva decretada, assim como Nojan Bedroud, também diretor da MSI. O processo corre em segredo de Justiça.
O promotor José Reinaldo, que integra o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), informou que há uma “investigação bastante adiantada” sobre possível sangria financeira do Corinthians devido à emissão de notas fiscais frias. Já o procurador da República Rodrigo de Grandis – que ofereceu a denúncia de lavagem de dinheiro junto com Sílvio Luiz – afirmou que haverá investigação específica de eventual crime de evasão de divisas, caracterizado pelo pagamento de parte dos salários de jogadores no exterior. Entre os atletas sob suspeita estão Ricardinho e Carlos Alberto.
O deputado Silvio Torres (PSDB-SP), autor do requerimento para a realização da audiência, ressaltou que a investigação da parceria Corinthians-MSI traz uma preocupação muito grande para a sociedade, “porque se trata de um esquema de utilização do futebol brasileiro para lavagem de dinheiro, com dimensão internacional e tentativa de envolvimento de autoridades federais”. Ele assinalou que, a cada audiência, são adicionados elementos que podem consolidar investigação mais ampla. Torres não descarta a possibilidade de ser criada uma CPI para investigar as transações do futebol.

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