De repente, à tarde, percebo que o tráfego da Av. Jabaquara ( Z. Sul de São Paulo ) deixa de fluir como vinha fazendo. Eram 14:00 hs.
Pulando de estação em estação de FM, tentando descolar uma música que me agradasse. Alpha…Scalla…Kiss…BandNews ( credo!! )…Eldorado…
De repente, me chama atenção um estrondo tonitruante: era a voz de um apresentador que eu reconheci como sendo dum programa jornalístico da BandAM. Acho que do Jornal Gente. Mas aquela estação não era a Band. Bom, daí acabo escutando o que o cara falava. E foi aí que fiquei sabendo do acidente na 23 de Maio.
Com seu ribombar vocal, acentuado por um tom moralista e autoritário, o cidadão passa a acusar a CET. Segundo ele, a CET não vinha informano decentemente, e que ninguém da Companhia se prontificara a dar quaisquer esclarecimentos sobre o que acontecia.
Oportunista, o apresentador joga para a torcida e ainda tenta fazer uma ironia, dizendo que ninguém da CET aparecera, talvez por estarem todos no local do acidente, ajudando a remover, no muque, o veículo pesadão. Parece que não há ninguém com culhão suficiente para dizer, na cara do paulistano, que é o carro DO PAULISTANO que prejudica o trânsito da Capital!! Em vez disso, o que se costumou fazer: contando com o habitual mau-caratismo do munícipe, passou-se a crucificar o fiscal do trânsito, conhecido pelas alcunhas “marronzinho” e “amarelinho”.
Voltando ao “speaker”: eis que ele passa a praguejar contra o motorista da carreta, que é proibido andar com aquele veículo na 23 de Maio, que não é a primeira vez que este motorista faz isso; e que, claro, voltará a fazê-lo, livremente.
Lembro-me duma carta de leitor publicada no JT, dia desses ( ou teria sido um Editorial? Não me recordo. ). Falava-se alguma coisa ( eu não lembrei de guardar ou copiar ) referente à CET. Dizia respeito à alguma decisão de âmbito gerencial, administrativo, do órgão. Claro que a referida decisão teria suas implicações posteriores. Ou seja: fatalmente iria se chocar com os motoristas. Só que a foto que ilustrava o texto não mostrava um diretos, gerente ou engenheiro: mostrava um amarelinho em pleno ato de multar algum infrator!! Congelaram a imagem “odiosa” de um funcionário cumprindo sua obrigação, descontextualizaram-na, só para jogar um público mau-caráter já predisposto a culpar o fiscal; como sempre, não importa de onde venham as decisões, o bode espiatório – tanto para os motoristas como para os que tomaram as decisões – passa a ser o fiscal de trânsito, o marronzinho; cínica e hipocritamente, tais condutores ainda tentam se valer de uma lenda urbana para justificar seus delitos cada vez mais graves: a suposta “Indústria da Multa” ( suposta não, inexistente; inventada por algum mau-caráter e prontamente adotada como desculpa por outros igualmente cafajas ). A existência de uma tirânica e opressiva “suposta” entidade passa a ser, então, a desculpa para que se a combata. De que modo? Oras, simples: estes “Inconfidentes” fazem exatamente o contrário de tudo que a “IM” exige: direção perigosa; estacionar em local proibido; colocar o pedestre em risco; passar no sinal vermelho; colocar o carro totalmente sobre a calçada e impedindo a passagem dos transeuntes; deixar o carro parado em guia rebaixada ou porta de garagem ( não se enganem: o que o “Inconfidente” mais odeia, tirando a Indústria da Multa, é OUTRO Inconfidente ).
Tem mais: fila dupla, invadir a pista contrária, andar na contramão; andar na contramão no dobro da velocidade permitida naquela rua.
Sem contar aquelas coisas que talvez não sejam exatamente ilegais mas, adotadas pelos “Inconfidentes” e simpatizantes, demontra a incontestável indisposição deles com para com o uso do dedo ( polegar ) opositor e a vida em comunidade: escapamento aberto; booster no talo para melhor compartilhar conosco seu asqueroso mau-gosto musical; lavar o carro com água potável e, geralmente, na calçada, impedindo a circulação das pessoas; atirar latinha de alumínio ( geralmente “breja” ) pela janela; dirigir bêbado, alcoolizado ou embriagado; dirigir bêbado, alcoolizado ou embriagado e, ainda por cima, falando ao celular…
Merecedores de menção são aqueles que, ficam acelerando o carro parado, no sinal fechado, para assustar quem está atravessando a rua. Este método tem por finalidade, fazer o pedestre andar mais depressa para, quem sabe, tentar furar o sinal vermelho. O alvo predileto destes ansiosinhos são os idosos que se movem lentamente, irritando o motorista, mesmo estando os velhinhos fazendo o que lhes é de direito e está de acordo com sua capacidade física de fazê-lo.
Pois bem, voltemos ao motorista da carreta. De acordo com o “Método K. Da 1, K. Da 1 de Auto-a-Judas”, ele fez o que lhe convinha. Como todos fazem, aliás. Ele não pode ser escolhido o bode expiatório do caos no trânsito ( trânsito no caos? ) de São Paulo, pois “atire a primeira pedra quem nunca pecou gravemente ao volante”.

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