ENCALHE

setembro 8, 2009

"DENTRO, SARNEY!", por Paulo Metri

Filed under: José Sarney, PIG ( Partido da Imprensa Golpista ) — Humberto @ 3:44 pm

( Publicado no site DESEMPREGO ZERO )

DENTRO, SARNEY!

Por Paulo Metri – Diretor do Instituto Solidariedade Brasil
Chega! Cansei de me segurar! A grande mídia está, há mais de um mês, execrando o Sarney como o pior dos crápulas. Malham-no como a um Judas em praça pública. Desculpem-me todos os maranhenses, inclusive minha mãe, e o Jackson Lago pelo que vou dizer a seguir. Aliás, salvo engano, o Jackson tem se mantido reservado, neste momento, o que faz admirá-lo mais ainda, pois seria tão fácil chutar um cachorro ferido.
Sarney está longe de ser uma vestal. Quanto a ser um crápula, não sei se ele chega a estar nesta categoria. Contudo, tenho medo de queimaduras, por isso, não coloco minha mão no fogo por ele. Entretanto, este não é mais um artigo de pichação sobre ele. Por falar nisso, virou esporte nacional falar mal dele. Aquele que escondeu algo do Imposto de Renda, o dono de jornal que recebeu muito dinheiro para veicular matéria para ludibriar a opinião pública, aquele que corrompeu o guarda de trânsito e o guarda que foi corrompido, todos juntos malham o Sarney. Parece que este ato expia as culpas gerais.
Este artigo tem a pretensão de tentar recuperar a racionalidade coletiva. Você se propôs a julgar o Sarney? Então, sugiro começar julgando o conjunto de sua obra e só deve julgá-lo dentro do contexto da política brasileira e, não, no contexto da política da Finlândia, que foi escolhida por uma ong internacional como o país menos corrupto. A partir desta informação, passei a imaginar este país como aquele em que uma criancinha chega em casa se esvaindo em lágrimas porque seu colega lhe disse que o pai dele era corrupto. Erradamente, a sociedade brasileira não é, hoje, nem de longe, parecida com a da Finlândia imaginada, o que não justifica nada, mas nos permite entender melhor.
Vejamos o conjunto da obra de Sarney. Quando Presidente, pressionado por Ulysses ou não, nomeou Dílson Funaro, Renato Archer, Pedro Simon, Paulo Brossard, Celso Furtado e outros nobres brasileiros para ocuparem Ministérios do seu governo. Com apoio de Ulysses, ajudou o grupo de congressistas sérios que comandaram a elaboração da excelente Constituição de 1988. Aliás, rapidamente desfigurada por um dos seus sucessores. Lançou o Plano Cruzado, uma espécie de precursor do Plano Real, que teve erros, mas era socialmente comprometido.
Com a morte abrupta de Tancredo, Sarney manteve, no Ministério inicial, todos Ministros escolhidos pelo outro, o que já demonstra um certo sentimento de nobreza, mesmo que digam que Ulysses foi quem bancou este Ministério e o apoio de Ulysses, à época, era primordial para o governo. Mas, Sarney buscou trabalhar em grupo, inclusive com pessoas que não eram sua escolha de maior preferência. Ele buscou viabilizar o país e, que eu saiba, não era odioso. Não recordo de nenhuma ocorrência de perseguição a sindicalistas, movimentos sociais, funcionários etc.
Agora, é verdade que Sarney é provinciano. Ele não escancarou nosso mercado para os produtos e serviços estrangeiros, matando as empresas genuinamente nacionais. Ele não privatizou, desbragadamente, empresas estratégicas, que foram compradas depois do governo dele, em sua grande maioria, por grupos estrangeiros e a preços vis. Não desnacionalizou nosso parque industrial, não desregulamentou a economia e não facilitou o livre trânsito de capitais. Enfim, ele não aplicou nenhum dos princípios do neoliberalismo e não digam que foi por falta de oportunidade, porque princípios neoliberais chegaram ao Chile antes de Sarney assumir a Presidência.
Não aceitou assinar o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e não é porque ele é a favor do Brasil ter a bomba. A Constituição foi redigida na época em que ele era Presidente e todos nós sabemos da enorme possibilidade que um Presidente tem de influenciar o legislativo. E, nesta Constituição, tem escrito que o Brasil só utilizará a energia nuclear para fins pacíficos. Sarney não assinou o TNP porque este Tratado divide os países do mundo em duas categorias: os de primeira, que não precisam ser fiscalizados, e os de segunda, que têm que ser fiscalizados. Sarney respeitou os brasileiros, porque não somos um povo de segunda categoria e, assim, ele não assinou o Tratado absurdamente discriminatório. Infelizmente, em outro governo, após o de Sarney, ele foi assinado.
A mídia tradicional está batendo pesado no Sarney, o que já nos deixa desconfiados porque ela só bate muito nas pessoas mais compromissadas socialmente. Vejam que querem julgá-lo agora, depois de décadas de atuação pública com uma coerência perfeita. O Sarney de hoje é o mesmo de ontem, o de anteontem e o de sempre, inclusive o de oito anos de suporte do governo Fernando Henrique Cardoso.
É normal as pessoas perderem a noção da ordem de grandeza dos fatos. Todos eventuais prejuízos causados por Sarney, se não forem calúnias, não ultrapassam a casa das dezenas de milhões de dólares. Os processos de privatização no Brasil podem ter rendido bilhões de dólares de perda para o país, ou seja, estamos falando de um número 100 vezes maior. Ou seja, o Sarney é, mais uma vez, um provinciano. Mas, a nova Inquisição, esplendidamente desempenhada por nossa mídia tradicional, só vê o “fichinha” Sarney. Os graúdos tubarões não são vistos.
No entanto, o melhor Sarney é o de agora, porque está dando governabilidade a um governo em que o número de miseráveis diminuiu, eles estão comendo mais, a concentração de renda diminuiu um pouco, a economia, apesar do tranco mundial, está se comportando bem, o Brasil nunca esteve melhor na área internacional etc. E batem nele. Estranho, não é?
- Veiculado no Monitor Mercantil de 03/09/2009

julho 19, 2009

Em evento de celebração a Franco Montoro, representantes do "PMDB de Serra" dizem que "não sabiam quem era Sarney" quando eram seus aliados…

Tenho certeza que a Mônica Bergamo ( de onde copiei este texto: FSP, Ilustrada, 18.07, E2 ) tava de ironia quando escreveu este texto para a coluna. Ela flagrou um monte de gente tirando o corpo fora. Que o “Sarney de antigamente” era um Abe Lincoln perto deste Mr. Hyde que o senador ( PMDB do L ) teria se tornado hoje. A Alda Marco Antonio, PMDB da gema e da cota do Quércia ( PMDB do S ) diz que não sabia de nada. O Serra disse que Montoro estaria “exasperado” com os rumos que a “vida pública tomou”, o que pode significar qualquer coisa, desde os 1 bilhão de pedidos de CPIs protocolados na ALESP desde 1995 até o tratamento policial que os governos estaduais do PSDB dão à questão da Educação, num flagrante contraste com o Montoro que – a menos que eu esteja mal informado – não pôs polícia para bater em professor grevista.
Tive uns rápidos emails trocados com o Jasson de Oliveira, em que discutimos o “Problema Sarney”, e concordamos que a polêmica se deve ao alinhamento do senador com Lula. Posteriormente, eu li uns negócios hoje, e pensei se isso não tem também – e/ou principalmente – a ver com o pré-sal. Duas frentes: Sarney ( cujo aliado Edison Lobão comanda o Ministério das Minas e Energia, apesar de, no caso do pré-sal, ele parece inclinado a trabalhar por uma estatal específica para produto, ao contrário do que propõe a AEPET, que insiste na exploração pela Petrobrás; não entendo ainda muito bem este tema; não sei qual o papel de Lobão e o alcance das atribuições de seu Ministério nessa matéria da exploração petrolífera; ainda por cima, há uma discussão sobre o um “marco regulatório“, que deverá sair em Agosto, que deve ter a ver com uma mudança da Lei da Petróleo estabelecida no governo FHC, acho que é a lei que quebrou o monopólio da Petrobrás, o primeiro passo para quebrá-la inteira para depois vendê-la aos cacos ) e CPI da Petrobrás. Talvez haja uma “cortina de fumaça” ou algum daqueles truques de mágica em que a platéia tem sua atenção desviada enquanto o mágico faz o truque sem ninguém perceber. O Sarney não pode ter “enganado” tanta gente, durante tantas décadas, e essas pessoas só foram “acordar” agora. Não tem explicação.
“Montoro estaria exasperado”
Os dez anos da morte do ex-governador André Franco Montoro (1916-1999) foram lembrados, anteontem, com missa, exibição de filme e lançamento de um livro escrito por sua filha Mônica, no mosteiro de São Bento. O documentário termina com a eleição indireta para presidente da República, em 1985, e não abrange o período em que o homenageado apoiou o governo de José Sarney, hoje à frente do Senado e acossado por denúncias. A coluna perguntou aos convidados do evento o que Montoro diria da crise atual e se, naquela época, práticas como nepotismo e tráfico de influência já não eram ligadas à figura do atual presidente do Congresso.
Não tinha tanta transparência, a gente não ficava sabendo“, diz a vice-prefeita de São Paulo, Alda Marco Antônio (PMDB). “Ele tinha sido governador do Maranhão e não sabíamos de nada de errado. Era da oposição [ao então MDB], mas tinha um currículo respeitável.”
Para o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), “era outro momento político. A crise não é só do Sarney nem privilégio [ sic ] do Senado. É preciso reforma política”.
André Franco Montoro Filho sai da sessão do filme, no anfiteatro do mosteiro, e diz que o documentário “deveria passar no Senado”. E o apoio de Montoro a Sarney? “O Sarney daquela época era muito melhor [ sic ] do que o Sarney de agora”, diz o filho do ex-governador e presidente do Etco (Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial). “Uma das últimas coisas que ouvi do meu pai sobre o Sarney era que ele estava preocupado, porque o Sarney tinha cumprido um papel extraordinário na redemocratização do país, mas tinha que preservar uma visão mais ampla da política, compatível com a biografia dele.” Invocando que “a origem dele era de oposição ao Vitorino Freire [1908-1977], que era o grande coronel nordestino”, Montoro Filho diz que “aquele Sarney, concordo com o presidente Lula, não era uma pessoa comum. O Romário não foi o maior jogador do mundo? E quem votou nele como o maior vai se arrepender hoje [ quando o craque é preso por não pagar pensão alimentícia ]?”. O secretário municipal de Participação e Parceria [ N do Blog: ?????? ] , Ricardo Montoro (PSDB-SP), era secretário particular do pai na eleição de 1985. “O Aécio [Neves] era secretário do Tancredo [Neves, eleito presidente] e a Roseana [Sarney] era secretária do pai dela [ José Sarney, então vice de Tancredo ]. Conversávamos muito”. Ricardo acha que, se seu pai estivesse vivo, “estaria perfilado na oposição e pela saída do Sarney da presidência do Senado, que está desmoralizado. Sarney hoje está totalmente condenado”. Depois de falar sobre Montoro na tribuna do mosteiro, o governador José Serra se dirige à saída, cercado por seguranças e com duas assessoras. “Ele estaria na linha de combate, independentemente de onde estivesse. Estaria sempre na frente, exasperado com os rumos que a vida pública tomou”, diz.
LEITURAS COMPLEMENTARES, QUE TALVEZ TENHAM RELAÇÃO COM O EXPOSTO ACIMA:
Empresários veem poder intocado de Sarney no setor elétrico – VALOR ECONÔMICO, 17.07.09
Petistas e pemedebistas dividem cargos nas estatais – VALOR ECONÔMICO, 17.07.09
PETRÓLEO, UM ESCÂNDALO ESCANDALOSO – Aepet, 17.07.09
O QUE IMPORTA DISCUTIR NO PRÉ-SAL – Aepet, 25.06.09
PETROBRÁS: NOVO ALVO - RETRATO DO BRASIL, Julho 2009
PRÉ-SAL: A PRESSA É INIMIGA DA NAÇÃO – Brizola Neto
Na guerra contra a Petrobras, de qual lado está o governo? – Wladmir Coelho, CONSCIÊNCIA.NET, 15/06/2009

julho 17, 2009

"Contra Sarney ou contra Lula?", Por Jasson de Oliveira Andrade

Contra Sarney ou contra Lula?
As aparências enganam, diz o ditado popular. É o que está acontecendo com o massacre contra o senador José Sarney. Aparentemente a campanha é pela moralização do Senado. Na verdade, tudo é feito para sangrar o governo Lula e seus aliados, tendo como meta a eleição presidencial de 2010, procurando, indiretamente, beneficiar o candidato José Serra e prejudicar a sua adversária Dilma, apoiada pelo governo. Esta constatação já está sendo percebida por alguns analistas políticos.
O advogado Saulo Ramos, autor de Código da Vida, livro muito vendido, que foi ministro da Justiça do governo Sarney, escreveu um artigo na Folha para defendê-lo. Logicamente o texto é um panegírico dele. Tirando esses elogios, o autor diz algumas verdades que merecem ser divulgadas. Ele inicia assim o artigo: “Soube que José Sarney foi avisado para não se candidatar a presidente do Senado porque o mundo desabaria sobre ele como um vulcão de coisas impossíveis”. Por que isso iria acontecer? Saulo Ramos explica o motivo. Após dizer que não fizeram tais acusações durante 30 anos que ele esteve no Congresso, afirma que “não o haviam feito enquanto não se tornou presidente do Senado em véspera de ano eleitoral”. Em outras palavras: ele só está virando a Geni de nossa política, segundo o autor, porque ele apóia o governo Lula e também a Dilma. É o que eu também penso.
O jornalista Luiz Antonio Magalhães, no artigo “As lacunas da cobertura da crise no Senado”, já é mais claro do que Saulo Ramos. Ele diz em seu esclarecedor texto: “O Congresso Nacional [Senado e Câmara Federal] está em crise, mas para a grande imprensa tudo se resume a um nome: José Sarney. É certo que o presidente do Senado, eleito pelo Amapá e líder do PMDB do Maranhão, está cercado de encrencas, algumas delas tão complicadas de explicar como batom na cueca. Fazem bem os jornalistas em correr atrás das denúncias sobre o ex-presidente da República, mas fariam melhor, muito melhor, aliás, se conseguissem explicar ao distinto público o que está realmente em jogo no legislativo federal”. Adiante ele explica o que os jornalistas procuram esconder dos leitores. Ele afirma que “para o leitor, fica parecendo que anteontem Sarney desembestou a praticar corrupção, a torto e a direito, praticando um verdadeiro haraquiri [suicídio] político”, mas na verdade “não foram de ontem para hoje que começaram a ser assinados os atos secretos, agora cancelados pelo presidente da Casa. (…) E o mais importante de tudo, não foi ontem para hoje que a imprensa ficou sabendo de tanta imoralidade. Ao contrário, muitos jornalistas que parecem orgulhosos dos “furos” que estão dando na verdade deveriam estar com vergonha de jamais terem tocado no assunto antes…” Entretanto, por que não tocaram no assunto antes? O jornalista explica: “Sarney está sob intenso tiroteio porque a eleição para a Mesa Diretora do Senado precipitou, no Congresso, a guerra que está sendo travada nos bastidores da política brasileira, qual seja a da sucessão do presidente Lula no próximo ano. (…) Pode até parecer confuso, mas não é. São interesses conflitantes, mas com o mesmo objetivo: detonar não apenas Sarney, mas o que ele simboliza – o PMDB alinhado com Lula”. Ele encerra assim o seu artigo: “Nada disso aparece nas análises dos jornalões, que preferem apostar no espetáculo das noticias que chocam (e que esses mesmos jornalões já tinham conhecimento). Se o fazem por inocência, é apenas mau jornalismo. Se o fazem por interesses no resultado da eleição de 2010, é manipulação pura e simples. Nos dois casos, o leitor sai perdendo”.
No título deste artigo perguntei: contra Sarney ou contra Lula? Agora a resposta é fácil. É contra Lula, ou melhor, contra a sua candidata Dilma, procurando favorecer o Serra. A campanha vai dar certo? Só vamos saber em 2010. A conferir.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Julho de 2009

"Contra Sarney ou contra Lula?", Por Jasson de Oliveira Andrade

Contra Sarney ou contra Lula?
As aparências enganam, diz o ditado popular. É o que está acontecendo com o massacre contra o senador José Sarney. Aparentemente a campanha é pela moralização do Senado. Na verdade, tudo é feito para sangrar o governo Lula e seus aliados, tendo como meta a eleição presidencial de 2010, procurando, indiretamente, beneficiar o candidato José Serra e prejudicar a sua adversária Dilma, apoiada pelo governo. Esta constatação já está sendo percebida por alguns analistas políticos.
O advogado Saulo Ramos, autor de Código da Vida, livro muito vendido, que foi ministro da Justiça do governo Sarney, escreveu um artigo na Folha para defendê-lo. Logicamente o texto é um panegírico dele. Tirando esses elogios, o autor diz algumas verdades que merecem ser divulgadas. Ele inicia assim o artigo: “Soube que José Sarney foi avisado para não se candidatar a presidente do Senado porque o mundo desabaria sobre ele como um vulcão de coisas impossíveis”. Por que isso iria acontecer? Saulo Ramos explica o motivo. Após dizer que não fizeram tais acusações durante 30 anos que ele esteve no Congresso, afirma que “não o haviam feito enquanto não se tornou presidente do Senado em véspera de ano eleitoral”. Em outras palavras: ele só está virando a Geni de nossa política, segundo o autor, porque ele apóia o governo Lula e também a Dilma. É o que eu também penso.
O jornalista Luiz Antonio Magalhães, no artigo “As lacunas da cobertura da crise no Senado”, já é mais claro do que Saulo Ramos. Ele diz em seu esclarecedor texto: “O Congresso Nacional [Senado e Câmara Federal] está em crise, mas para a grande imprensa tudo se resume a um nome: José Sarney. É certo que o presidente do Senado, eleito pelo Amapá e líder do PMDB do Maranhão, está cercado de encrencas, algumas delas tão complicadas de explicar como batom na cueca. Fazem bem os jornalistas em correr atrás das denúncias sobre o ex-presidente da República, mas fariam melhor, muito melhor, aliás, se conseguissem explicar ao distinto público o que está realmente em jogo no legislativo federal”. Adiante ele explica o que os jornalistas procuram esconder dos leitores. Ele afirma que “para o leitor, fica parecendo que anteontem Sarney desembestou a praticar corrupção, a torto e a direito, praticando um verdadeiro haraquiri [suicídio] político”, mas na verdade “não foram de ontem para hoje que começaram a ser assinados os atos secretos, agora cancelados pelo presidente da Casa. (…) E o mais importante de tudo, não foi ontem para hoje que a imprensa ficou sabendo de tanta imoralidade. Ao contrário, muitos jornalistas que parecem orgulhosos dos “furos” que estão dando na verdade deveriam estar com vergonha de jamais terem tocado no assunto antes…” Entretanto, por que não tocaram no assunto antes? O jornalista explica: “Sarney está sob intenso tiroteio porque a eleição para a Mesa Diretora do Senado precipitou, no Congresso, a guerra que está sendo travada nos bastidores da política brasileira, qual seja a da sucessão do presidente Lula no próximo ano. (…) Pode até parecer confuso, mas não é. São interesses conflitantes, mas com o mesmo objetivo: detonar não apenas Sarney, mas o que ele simboliza – o PMDB alinhado com Lula”. Ele encerra assim o seu artigo: “Nada disso aparece nas análises dos jornalões, que preferem apostar no espetáculo das noticias que chocam (e que esses mesmos jornalões já tinham conhecimento). Se o fazem por inocência, é apenas mau jornalismo. Se o fazem por interesses no resultado da eleição de 2010, é manipulação pura e simples. Nos dois casos, o leitor sai perdendo”.
No título deste artigo perguntei: contra Sarney ou contra Lula? Agora a resposta é fácil. É contra Lula, ou melhor, contra a sua candidata Dilma, procurando favorecer o Serra. A campanha vai dar certo? Só vamos saber em 2010. A conferir.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Julho de 2009

julho 8, 2009

CQC faz matéria "humorística" sobre ônibus escolares no Paraná, mas pauta foi imposta por funcionários de deputado de oposição a Requião!

Antes de chegar a leitura de dois textos, sendo um da Agência de Notícias do Paraná e outro do Comunique-se, só gostaria de falar ( ou escrever ) umas ( muitas ) palavrinhas, inclusive sobre o CQC, programa dito humorístico e, em teoria, “politizado”: EU JAMAIS ASSISTI. OK?
Bem, pelo que eu escuto de comentários, me parece o programa ideal para aquelas pessoas que, um dia, achavam o Programa do Jô uma maravilha já que, entre outras coisas, o apresentador seria um pessoa muito “inteligente” e “culta” ( a mesma coisa já diziam sobre o FHC ), além de “engraçado”. Eu, um simples apedeuta sem senso de humor, prefiro o Dave Letterman. E o Global Editon with Jon Stewart. Enfim, eu não sou alguém com quem se possa conversar, travar um diálogo. Um chato sem conversa nem substância. Nem de carro se pode falar comigo, já que eu sou pela abolição do automóvel. Mas isso é outro papo.
Enfim.
Aí, um dia, eu – sei lá como – estou folheando a edição de 24.06 da vEJA ( uma forma de eutanásia que me salve de uma ressaca brutal ) e está lá: “Ele põe fogo no circo“. Quem faz isso, este piromaníaco? Ah: “o repórter-humorista” Danilo Gentili, do CQC, que “virou o terror dos políticos” de Brasília, diz a vEJA. Mmmm.
Mandamento número um: se é bom pra vEJA, certamente não o será para mim. Então, esta desconfiança já surge logo de cara. Bem que o citado Danilo, num rasgo de humor-jornalístico, e sabendo do valor que esta revista possui, poderia ter mandado uma carta para a redação, pedindo que eles retirassem ou não publicassem a matéria elogiosa, que ele tinha uma reputação e esta decairia muito pelo fato de ser elogiado por esta publicação. Qualquer coisa assim.
Mas acho que ele deve ter gostado: cair nas graças da vEJA é garantia – temporária – de que não será vítima de alguma extorsão ou chantagem por parte da revista.
Bom, o teor da matéria é essa: o “iconoclasta” CQC apavora os políticos, com seu humor “ácido”, disparando bem no meio da testa “dus pulíticus”.
Bom, “us pulítcus” citados [ Em "Perguntar não ofende - As farpas contra figuras da política brasileira pelo repórter-humorista Danilo Gentili, do QC", página 158 ] pela revista, como exemplos da “acidez anti-políticos” do CQC ( ou, vá lá, do Danilo )?
Petistas: Marta [ pelo "relaxa e goza ], Zé Dirceu [ pela relação PT x Duda Mendonça ], Genoíno [ na verdade, este, os rapazes humoristas não conseguiram entrevistar, e se contentaram com uma frase "esperta" ]…
Foram 5 personagens de que se serviu a revista. Além dos 3 petistas, aquele deputado que falou em alto e bom som que se lixava para a opinião “publicada” ( ele disse, sim, “pública”, mas quem conhece o imprensalão sabe o verdadeiro significado desta palavra, nesse contexto; de mais a mais, 80% da opinião pública já demonstrou gostar do governo do Lula, mas tem gente que não aceita ou tripudia sobre estes 80%… ) e um “pulítico” perigosíssimo, e sempre envolvido em falcatruas do poder: o delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiróz! Vocês sabiam que ele é “pulíticu”? Eu também não. O pouco que eu sei, é que ele chefiou a Operação que botou atrás das o “banqueiro bandido” Daniel Dantas, grande personagem do período FHC, amigaço do Mavadeza, cuja irmã/sócia foi também sócia da filha de José Serra numa empresa chamada Decidir. Daniel Dantas, só conhecia, quem leu a Carta Capital desde 1994 e ignorava a imprensa tucana. A revista do Mino Carta bateu recordes de capas e matérias corpulentas, mostrando as andanças e conexões do DD.
Protógenes ficou “jurado” e marcado. Passou a ser apresentado pelo imprensalão tucano ( com o perdão da redundância ) como alguém que chefiava um “Estado Policial” que investigaria ilegalmente, arapongava, grampeava e prendia inocentes sem a menor preocupação com os direitos humanos e civis:
- “( … ) Figura polêmica, [ Mangabeira Unger ] teve seu nome mencionado ao longo da CPI dos Grampos por ter prestado consultoria para o banqueiro Daniel Dantas. É apontado como uma das autoridades supostamente bisbilhotadas pelo ex-chefe da Operação Satiagraha, o delegado Protógenes Queiroz ( … )” – “Mangabeira sai hoje do governo e volta a Harvard“, Estadão, 30.06.09;
- “Protógenes diz que PF comprovou não ter grampo ilegal na Satiagraha“, G1, 08.04.09
Acabou sendo afastado da PF.
O mencionado “Estado Policial” teria a participação também da Abin. Essa “holding” araponguística ficou famosa por passar dos limites ao “grampear” o presidente do STF em conversa com um senador dos DEMOS, o Demóstenes Torres.
Este grampo foi denunciado pela mesma revista vEJA, e reforçou a certeza de que havia uma prática bisbilhoteira que visava todo mundo, sem distinção, servia até mesmo o “Zé da Rua”. O “Estado Policial” tinha de ser detido pelas forças do Bem.
O problema é que não havia nada que provasse a existência do suposto grampo. Pode-se dizer que foi o primeiro “grampo mediúnico” de que se tem história. Nem gravação, nem nada.
Justiça seja feita, a intenção era desviar a atenção da – agora, sim – opinião pública para longe de Daniel Dantas, pois ele poderia ( pode ) incriminar muito tucano e democrata. Afinal, ele tinha relações carnais com essa trupe, e enriqueceu sobremaneira durante o governo do FHC. Afinal, quase sem grana, conseguiu botar as garras em um monte de empresas estatais que acabaram sendo privatizadas. E, em tese, é o cara que alimentou o esquema do Marcos Valério, aquele que o imprensalão passou a denominar “Mensalão”. Um esquema que, apesar de no início ter sido atribuído exclusivamente a petistas, nasceu na campanha do tucano Eduardo Azeredo ( isso, aquele que deseja censurar a Internet ) ao senado em 1998:
“Veja, os tucanos e Marcos Valério” - NOVAE, 08.2005
DD é uma caixa-preta da privataria.
E, hum, se é para salvar o pescoço, vale apelar até para humoristas que reforcem, graças a sua simpatia e talento para a “graça iconoclasta”, a tese do “Estado Policial que grampeou desde Gilmar Mendes até Daniel Dantas”.
Bem, segundo a vEJA, o Gentili perguntou o seguinte a Protógenes: “O senhor disse que há pessoas clamando para que o senhor se candidate. O senhor grampeou os telefones dos eleitores para saber isso?”
Bom, até eu ficaria com “medo” de perguntas como essa. Pois o humorista foi pautado pelo imprensalão, e daí foi que tirou o subsídio para a criação do citado chiste. O gozado, na matéria da vEJA, é que esse embate não aparece no próprio texto, mas no “infográfico” ( acho que é assim que chama ), num óbvio destaque.
O Danilo encampou a tese do “Estado Policial”, e “fez graça” para a platéia.
Também no caderno de variedades “Vamos Ver”, que saiu no Diário de São Paulo em 06 de Julho, Danilo manda seu recado: ” ( … ) O brasileiro se leva a sério demais [ OBS: isso eu concordo ] . E os políticos [ sic ] são reflexo disso”, explica. “Esses safados [ OBS: Opa! "Esses" quem? Todos? Ora, então você é um anrquista? Pffff... mais um ] só vão sair do poder quando um outro corrupto tomar o lugar. Ninguém é santo no Congresso e nem na Câmara. Sarney é só um exemplo [ sic ].”
Bem, rapaz, talvz você tenha razão. Mas sejamos um pouco ambiciosos. Que tal, já que estamos no campo do acusar genericamente, incluir nesse rol de “ninguém é santo” o governador de São Paulo? Ou nesse você põe a mão no fogo? O que distingue esse dos “outros”?
De fato, como eu não acompanho o CQC, jamais saberei se esses rapazes importunam /”questionam”/constrangem gente como José Serra, Fernando Henrique Cardoso, Jovino Mineiro [ grande amigo de FHC e também acionista do Canal Terra Viva, do Grupo Bandeirantes de Comunicação ], Daniel Dantas [ esse, sim, é o campeão da bisbilhotagem e arapongagem, e daria uma boa pauta "humorística" ], Arthur Virgílio, Ronaldo Caiado, Roberto Civita ( que, segundo Roberto Requião denunciou em plena tribuna do Senado, em 1999, teria comprado um apartamento luxuoso em São Paulo, sobrefaturado – custava 1,8 milhão de dólares mas foi escriturado pelo Civita pelo valor de U$ 390 mil ), ou o líder do “PMDB do Serra”, Orestes Quércia e etc.
E mais: quando você diz, profeticamente, que não há santo na política, e que o político sem humor é reflexo do “brasileiro se levar a sério demais”, também não poderíamos cogitar qu o “político” é malandro como reflexo do povo? Sendo assim, podemos considerar que a audiência de seu programa ( tipo, a classe média paulistana ) também não é “santa” e, assim, indigna de confiança [ como eu penso, sem esconder de ninguém ]?
Penso também que esse alegado “medo” que “os políticos” teriam dos jornalistas não procede, uma vez que grandes redes de rádio, TV e jornais são pertencentes, justamente, a algumas poucas famílias de políticos.
Para terminar, só umas curiosidades que não espero ver respondidas: esse “ataque de humor” do CQC contra Requião tem algo a ver com o recente rompimento do PSDB paranaense com o governo daquele estado, como conseqüência das denúncias de corrupção que pesam contra o prefeito tucano de Curitiba, Beto Richa? Ou por tratar-se de importante liderança do “PMDB de Lula” ( tal como Sarney ) que não fecha com Serra, ao contrário de Quércia? O alvo real seria o PMDB?
Governo repudia matéria distorcida de humorístico da TV Bandeirantes
AEN/PR
07/07/2009
O governador Roberto Requião repudiou nesta terça-feira (7) matéria distorcida do CQC, programa humorístico da TV Bandeirantes, sobre a política de transporte escolar do Governo do Paraná. O programa tenta passar a ideia de que há ônibus escolares encostados em frente ao Palácio Iguaçu, aguardando por motivos políticos e sem qualquer vigilância para serem entregues.
Ao que tudo indica, o programa foi inteiramente pautado pelo gabinete do deputado estadual Douglas Fabrício (PPS), de oposição a Requião. Dois funcionários do deputado são os únicos entrevistados pelo programa em Curitiba. Entretanto, o programa humorístico — que se quer jornalístico — não informa o telespectador que se trata de empregados de um parlamentar que faz oposição ao Governo. Ivo Lima e Eduardo Miranda, entrevistados pelo repórter Rafinha Bastos, são, respectivamente, advogado e assessor de imprensa de Douglas Fabrício. Além de fazer as vezes de assessor de imprensa de Fabrício, Miranda é estudante de sociologia, embora tenha sido identificado pelo programa como sociólogo. Barbosa Ferraz, cidade em que o programa mostra problemas no transporte escolar, faz parte da base política de Fabrício. Ele é de Campo Mourão, Noroeste do Paraná, que fica a 60 quilômetros de Barbosa Ferraz.
O programa não informa ao telespectador que o transporte escolar, segundo a Constituição Federal, é responsabilidade do município. Se há problemas com os ônibus que transportam os alunos até a escola, ela não é do Governo do Paraná. Ao contrário — o Estado extrapola sua responsabilidade ao comprar 1,1 mil ônibus e cedê-los aos municípios, no maior e único programa estadual de transporte escolar em andamento no País.
“O Governo do Paraná comprou 1,1 mil ônibus para as prefeituras de cidades que possuem uma estrutura rural muito grande. Já entregamos 303 ônibus, e há outros 230 veículos estacionados em frente ao Palácio Iguaçu, aguardando providências para que possam ser entregues”, disse Requião.
“Mas a Bandeirantes prefere dizer que não entregamos os ônibus, tenta desmoralizar o programa, dizendo que seguramos os ônibus no pátio para fazer propaganda, enquanto as crianças não têm transporte”, lamentou Requião. Antes de serem entregues, os ônibus precisam ser licenciados pelo Detran e segurados pelas prefeituras. Os municípios também precisam treinar os motoristas. Enquanto isso, os veículos ficam guardados no estacionamento do Palácio Iguaçu, que já é vigiado pelo Batalhão de Guarda da Polícia Militar.
“As fábricas nos entregam os ônibus à medida em que os produzem. A Mascarello, de Cascavel, entrega quatro ônibus por dia. Nós os guardamos em frente ao Palácio Iguaçu, que é o espaço de que dispomos, enquanto aguardamos o registro no Detran. Sem o registro, o seguro não pode ser feito. Enquanto isso, os prefeitos têm alguns compromissos para receber os veículos — mandar os motoristas para um curso de direção e fazer o seguro dos ônibus”, explicou Requião.
“Quando tudo está pronto, os prefeitos mandam seus motoristas e nós enviamos os ônibus para a sede da associação de municípios, de onde os ônibus são entregues. O Paraná é o único estado do Brasil que tem um programa de transporte escolar que entrega gratuitamente ônibus às prefeituras. O governo que me antecedeu destinava R$ 17 milhões por ano ao transporte escolar. Apenas este ano, estamos entregando R$ 133 milhões em ônibus, além de R$ 47 milhões em custeio, em parceria com o governo federal”, lembrou o governador.
O PROGRAMA — No Paraná, a importância da educação não é mero discurso político. O Governo do Paraná investe na prática, tendo elevado para 30% do orçamento os índices de investimentos no setor — o único estado do Brasil com este percentual. Desde 2003, o Governo trabalha para reduzir o abandono escolar e prolongar a permanência do estudante na escola. Uma das estratégias é tomar para si a responsabilidade que é dos municípios e oferecer transporte para facilitar o acesso dos que moram em locais mais distantes dos centros urbanos. Há seis anos e meio, o Paraná vem elevando sistematicamente o repasse de recursos para ajudar os municípios no custeio do transporte dos estudantes da rede pública. Ao todo, R$ 133 milhões estão sendo investidos pelo Governo do Paraná só com a compra de ônibus. Dos 1,1 mil veículos, 470 são para 23 passageiros, e 630 para 31 pessoas. Os investimentos em transporte escolar, portanto, chegam a R$ 180 milhões por ano, ou sete vezes mais que o registrado no último ano da gestão anterior (2002). Os ônibus, já licitados, encomendados e gradativamente sendo entregues pelas montadoras, estão sendo cedidos às prefeituras por cinco anos.
São atendidos pelo programa municípios com menos de 100 mil habitantes e que tenham alunos morando em zonas rurais. Os itinerários foram elaborados pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano com base no georreferenciamento, que chega a resultar em uma economia de 20% dos gastos. Além disso, para ter direito ao veículo, a prefeitura precisa indicar motoristas para serem treinados em curso específico comandado pela Secretaria do Trabalho e Promoção Social.
Outra obrigação da prefeitura, antes de obter a cessão do ônibus, é contratar seguro total do veículo. Neste caso, o município pode aderir ao registro de preços montado por licitação da Secretaria da Administração. A licitação foi feita para todos os 1.100 veículos, e com essa escala, foi possível baratear significativamente o valor do seguro.
O Governo do Paraná comprou os ônibus no final do ano passado e vem fazendo a distribuição aos municípios na medida que os fabricantes fazem a entrega dos veículos. Enquanto os novos ônibus não chegam aos municípios, o Estado paga o aluguel dos veículos contratados para a prestação do serviço.
Nesta semana, foram entregues mais 62 ônibus para o transporte escolar rural a 20 municípios da região de Campo Mourão. Além desses, outros cinco municípios da região, administrados por mulheres, estão recebendo um total de 14 veículos.
Governador do Paraná diz que Band é “máquina enganosa”
Comunique-se
O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), contestou a matéria apresentada no programa CQC da última segunda-feira (06/07), sobre o transporte escolar no estado, e afirmou que a TV Bandeirantes é uma ‘máquina enganosa’.
“Johnny, que um dia já foi meu amigo, que é o dono dessa máquina enganosa, a canalhice que vocês fizeram ontem tem que ser rejeitada”, declarou Requião, falando sobre o proprietário da emissora, Johnny Saad, nesta terça-feira (07/07), na reunião do secretariado.
A matéria, feita por Rafinha Bastos, um dos apresentadores do CQC, tratava do atraso na entrega de mais de 300 ônibus escolares no estado. A reportagem ouviu a Secretária da Educação do Paraná, Yvelise Arco-Verde, que afirmou que o governo aguarda apenas a emissão de documentos do Detran e a formalização do seguro dos veículos, que devem ser feitos pelos próprios prefeitos da cidade.
Ataques ao Grupo
Tua rede não é séria. Ela veio com a intenção de desmoralizar o melhor programa de entrega de veículos escolares do Brasil. Melhor não, o único”, disse o governador, que também acusou a emissora de ‘pilantragem e ‘canalhice’. “Foi uma canalhice absoluta seguramente de encomenda”, declarou.
Questionado sobre o ataque direto ao dono da emissora e não aos repórteres, Requião fez uma comparação forte. “Eu aprendi que quando você é mordido por um cachorro você não bate no cachorro, você bate no dono do cachorro”.
A assessoria de imprensa do Grupo Bandeirantes informou em nota que a matéria ouviu as devidas fontes, mas não se pronunciou sobre os ataques feitos ao proprietário do Grupo, Johnny Saad. “As alegações do governo do Paraná sobre o assunto foram devidamente registradas na matéria exibida. A emissora também cumprimenta a secretaria de Educação, que prometeu entregar todos os ônibus até o dia 30 de setembro”, diz a assessoria.

julho 7, 2009

O PMDB de Serra é bem diferente do "PMDB de Lula"

Necessário lembrar que Quércia também foi daqueles que sucumbiram aos poderes hipnóticos do Conde ( lembrem da Soninha… ) e, quando se esperava que ele fechasse com Marta Suplicy, apoiando a candidata do PT à prefeitura de São Paulo, bem, ele acabou apoiando a candidatura de Kassab, que acabou sendo reeleito.
O líder do “PMDB de Serra” não aparece muito na mídia. Já foi o tempo. O imprensalão, por exemplo, gastava páginas e páginas demonizando-o. Que seu governo “destruíu” São Paulo. Que ele “quebrou” o Banespa.
Com isso, os “éticos” do PMDB debandaram e fundaram o PSDB. Covas ganhou o governo paulista ( sucedeu Fleury Filho, ex-menina dos olhos de Quércia ) e, junto com seu assecla FHC ( ou melhor, Covas foi coadjuvante do assecla FHC ), INVENTARAM UM PREJUÍZO NAS CONTAS DO BANESPA, o que justificou uma intervenção federal que preparou o terreno para a privatização do banco.
Em Fevereiro de 2007, a famigerada vEJA escreveu:
Vergonha nacional
Processos contra políticos acusados de desviar recursos podem ser anulados
O Supremo Tribunal Federal vai definir nesta semana o destino de milhares de processos que tramitam contra administradores públicos envolvidos em corrupção e desvio de dinheiro. Estarão atentos ao veredicto figuras como o ex-ministro José Dirceu, o deputado Paulo Maluf, o senador Joaquim Roriz, o ex-presidente Fernando Collor, o ex-governador Orestes Quércia e centenas de prefeitos e ex-prefeitos acusados de surrupiar os cofres municipais. O STF ( … )”
Esse texto rendeu um processo de Quércia contra a revista.
Em 2006, ele concorreu ao governo estadual, tendo como vice Attila Russomano, do PP, de Paulo Maluf,
Mas Quércia não parece ser do tipo que guarda rancores. Como eu disse, chamado que foi por Serra, apoiou Kassab e botou sua aliada Alda Marcoantonio na chapa, como vice-prefeita.
O ex-governador e empresário tem um círculo de amizades amplo. Faz negócios com gente das mais diversas áreas, como Jonas Barcellos:
“Kinder Ovo pós eleitoral…” ( Encalhe, 29.10.08 )
Em resumo, é uma liderança considerável, um membro do PMDB de Serra. Que, pelo que a imprensa está falando do Sarney, deve ser a parte boa do PMDB.

julho 2, 2009

Tucanos do Demo, os santos do pau-oco. Um artigo de Gilberto Amaral

Filed under: Gilberto Amaral, José Sarney, PSDB/ DEM, Senado Federal — Humberto @ 2:24 am
Os santos do pau oco
Mas como tenho dito e repetido aqui: cresçam e apareçam, enquanto isso podem ir tirando seu cavalinho da chuva, pois Sarney está acima dessa pusilanimidade
É de embasbacar a capacidade de muitos de nossos políticos de engabelar a opinião pública. Ontem, pelas caras angelicais, só faltava aos senadores do DEM e do PSDB vestir batinas púrpuras para serem confundidos com cardeais reunidos para a escolha do Papa. Mas, por trás dos sorrisinhos lânguidos, comportavam-se mais como Torquemadas, ávidos por criar uma bruxa que servisse para a fogueira, como bode expiatório para as mazelas estruturais pelas quais atravessa o Senado. Mas como tenho dito e repetido aqui: cresçam e apareçam, enquanto isso podem ir tirando seu cavalinho da chuva, pois Sarney está acima dessa pusilanimidade.
Os Democráticos – apelidados adequadamente de “Demos” é o velho pessoal do PFL, em nova embalagem – demonstraram, ontem, que podem ser rápidos e rasteiros quando se trata de proteger seus segredos. Não que quisessem a pele de Sarney, mas era preciso desviar a atenção da proposta levantada na véspera pelo senador Arthur Virgílio, de passar em revista as contas de todos os últimos Primeiros-Secretários do Senado (aqueles responsáveis pela administração dos bilhões de reais do orçamento da Casa), todos eles, adivinhem, Democráticos!
Os nomes, ah, os nomes, como gosta o senador Arthur Virgílio: Heráclito Fortes, o atual Primeiro Secretário, homem sério e disposto assumiu o compromisso de levantar os eventuais podres de seus colegas de partido que assumiram antes o mesmo cargo, a começar de seu antecessor imediato, Efraim de Moraes, o mesmo que até o ano passado manteve como funcionários, segundo os registros da imprensa, pelo menos sete familiares seus e seis parentes de aliados políticos.
Primeira sugestão: o DEM deve pedir que se licenciem todos os senadores do que ocuparam a Primeira Secretaria, de modo a que não tentem influenciar as comissões que investigam as trapalhadas feitas sob seus olhos. Foi o que pediram para Sarney, deve ser aplicado também a eles.
01.07.09

abril 7, 2009

É denúncia pra todo lado: contratos da Nossa Caixa com propaganda – lembram? – levam 4 ex-diretores do banco às barras da Justiça

As semanas têm sido agitadas: o Skaf queria se lançar ao governo estadual, e caiu em seu colo um torpedo; os dias têm sido agitados para o José Sarney: além de declarar que mandaria investigar as denúncias feitas pelo colega de partido e entusiasta da candidatura Serra, Jarbas Vasconcellos [ de que o PMDB usava arapongas para espioná-lo, Jarbas, por exemplo ], também se vê às voltas com uma série de outras denúncias, envolvendo uma suposta “caixa-preta” no Senado, onde haveria excesso de funcionários, e todos muito bem remunerados [ ainda não me foi possível descobrir se as denúncias sobre o Senado vieram depois de Sarney dizer que investigaria as denúncias de Jarbas, uma vez que, segundo aparece no blog do Luis Nassif, talvez o Jarbas não estivesse muito interessado em ver as denúncias que fez sendo apuradas mesmo, pois talvez não fossem verdadeiras ].
Agora, a antiga denúncia de que a administração Geraldo Alckmin – um também possível postulante à sucessão de José Serra – teria gasto uma puta grana com propaganda da Nossa Caixa [ Lembram? Sendo que os valores foram distribuídos a veículos "amigos", como a extinta Primeira Leitura ( do Reinaldo Azevedo ) e a curiosamente também extinta "Revista de Fato", de Wagner Salustiano ] também volta à tona. É como se o destino tivesse tecido uma linha ligando estes fatos entre si.
Promotoria move ação contra 4 ex-diretores da Nossa Caixa
FREDERICO VASCONCELOS
da Folha de S.Paulo
A Promotoria de Justiça do Estado de São Paulo moveu ação de improbidade contra quatro ex-diretores da Nossa Caixa, entre os quais dois ex-presidentes do banco, e duas agências de propaganda contratadas em 2002 para promover ações de marketing e de patrocínio do banco no governo Geraldo Alckmin (PSDB).
As irregularidades foram reveladas pela Folha numa série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2005.
Segundo a acusação, durante um ano e oito meses, a Nossa Caixa operou sem contrato formal com as agências Full Jazz Comunicação e Propaganda Ltda. e Colucci & Associados Propaganda Ltda. O Ministério Público também sustenta que as agências prestaram serviços por valores que superam os limites da Lei de Licitações.
A ação, distribuída à 12ª Vara da Fazenda Pública, foi proposta contra Valdery Frota de Albuquerque, presidente do banco à época dos fatos; Waldin Rosa de Lima, seu assessor informal; Carlos Eduardo da Silva Monteiro, ex-diretor jurídico e ex-presidente; Jaime de Castro Junior, ex-gerente de marketing do banco, e contra as empresas de propaganda.
O Ministério Público pede que todos façam o ressarcimento de R$ 49,2 milhões, além do pagamento de multa de R$ 98,5 milhões, perdas de eventuais funções públicas e suspensão de direitos políticos.
Denúncia anônima enviada à Promotoria em setembro de 2005 apontava duas suspeitas: a operação sem contrato, e o fato de que deputados da base aliada do governo tucano teriam sido beneficiados na distribuição de recursos para publicidade do banco. A ação trata apenas da primeira suspeita.
Em abril de 2006, o Tribunal de Contas do Estado rejeitou a tese de “erro formal” nos contratos com as agências Full Jazz e Colucci. A tese foi sustentada pelo ex-governador Alckmin, quando os fatos foram publicados pelo jornal.
Em decisão unânime, o TCE julgou que houve “afronta à legalidade e moralidade” nos “ajustes verbais” com as duas agências. Também entendeu que houve “desvio de finalidade” na veiculação de anúncios da Nossa Caixa “em veículos ligados a deputados estaduais”.
De acordo com os promotores Roberto Antonio de Almeida Costa e Sérgio Turra Sobrane, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, os contratos entre o banco e as duas agências de propaganda foram firmados em 15 de março de 2002, pelo prazo de 18 meses, e deveriam ter vigência até 14 de setembro de 2003, mas foram executados até junho de 2005, sem prorrogação formal dos prazos.
Durante a vigência do contrato, as duas agências prestaram serviços em valores 30,88% maiores que o total contratado, o que contraria a Lei de Licitações. Entre setembro de 2003 e junho de 2005, elas prestaram serviços sem cobertura contratual no valor total de R$ 45,5 milhões. A Promotoria pede ainda a anulação dos atos administrativos.
Outro lado
“Não conheço a ação, não farei comentários. Reitero apenas que estou à disposição do Ministério Público para esclarecer os fatos”, diz Valdery Frota de Albuquerque, ex-presidente do banco.
O ex-gerente de marketing da Nossa Caixa Jaime de Castro Júnior só deverá se manifestar depois de consultar seu advogado. “Não tive acesso ao processo na fase do inquérito. Tenho absoluta confiança na Justiça”, disse.
A Folha não conseguiu ouvir os ex-diretores Carlos Eduardo da Silva Monteiro e Waldin Rosa de Lima nem os dirigentes das agências. A assessoria de Alckmin não localizou o ex-governador.
Em 2006, Carlos Eduardo Monteiro da Silva afirmou que o Tribunal de Contas do Estado havia confirmado o acerto dos atos de sua gestão.
Na época, o presidente da Colucci & Associados Propaganda Ltda., Oscar Colucci, disse que “a irregularidade foi atribuída [pelo TCE] exclusivamente ao banco Nossa Caixa ou aos respectivos funcionários”. A presidente da Full Jazz, Maria Christina de Carvalho Pinto, afirmou, então, que “em nenhum momento a Full Jazz cometeu algum ato ilegal”.
AH! Como se não bastasse, a ISTOÉ desta semana traz uma matéria bacana, falando sobre a empresa de consultoria [ PRS Consultores ] do Secretário de Educação paulista, Paulo Renato de Souza, que tem como clientes uma empresa que publica livros didáticos. Paulo Renato diz que está se retirando da empresa e transferindo suas ações para sesu três filhos. Ah, agora sim! Vejam:
Conflito na educação
O ex-ministro Paulo Renato vai comandar a Secretaria de Educação de São Paulo. Até então a sua empresa de consultoria prestava serviços a fornecedores de livros didáticos ( IstoÉ, 08.04.09 )

maio 23, 2007

Hora do Povo e a Operação Navalha

Filed under: governo Lula, Hora do Povo, José Sarney, Operação Navalha, revista Veja — Humberto @ 5:04 pm
Mais calúnias de “Veja”
A Polícia Federal desfechou, nos últimos dias, a denominada “Operação Navalha” (v. matéria nesta página), depois de um ano de investigações. Segundo o diretor de inteligência da PF, delegado Renato Porciúncula, a polícia ainda não distinguiu, nas ações dos arrolados na operação, o que é legítimo (por exemplo, diz o delegado, “as ações de deputados e senadores em busca de verbas”) do que não é – p. ex., o recebimento ou pagamento de propinas e subornos. Portanto, não têm base sólida, até agora, as acusações a tal ou qual parlamentar, e a tal ou qual ministro, governador ou prefeito, como se houvesse provas definitivas contra eles, pela simples razão de que essas provas ainda não existem. Em suma, não é nítido, até o momento, o caráter dos atos de cada um dos citados pela PF.
Até agora, o que parece seguro é que havia um esquema em torno de uma empresa, a Gautama, e de seu dono, Zuleido Soares Veras. O esquema da Gautama é mais uma herança de Fernando Henrique – os números do relatório da Controladoria Geral da União não permitem dúvida a respeito.
Esse é o resultado das apurações a que se pode conferir alguma certeza. Zuleido, realmente, não parece ser um São Francisco de Assis. Mas quais eram as suas reais ligações e quais foram os seus verdadeiros delitos, ainda não está completamente claro.
ILAÇÕES
Exceto isso, o resto são ilações indignas de qualquer jornalista que tenha orgulho da sua profissão. No entanto, aquela decadente publicação reacionária, a “Veja”, não se sentiu tolhida pela falta de provas. Afinal, desde que o sr. Bob Civita assumiu poderes absolutos em sua direção, a “Veja” nunca precisou de provas. Houve época em que até fabricou algumas – vide o caso do deputado Ibsen Pinheiro. Depois desse desastre, parece que preferiram dispensá-las de todo.
Assim, em três páginas, intituladas “Quadrilha de Autoridades”, os contemplados são o ex-presidente Sarney, o atual presidente do Senado, Renan Calheiros, o governador da Bahia, Jaques Wagner, e ainda resta uma baixaria para a ministra Dilma Roussef.
Em todo o texto não há prova sobre nada, muito menos de que as personalidades mencionadas tenham alguma coisa a ver com o caso. Porém, “Veja” não tem escrúpulos em misturar, por exemplo, o nome de Sarney com o de alguns presumíveis picaretas. Diz ela que Sarney e Renan eram íntimos de Zuleido. Como íntimos? O que se está discutindo é um caso de suborno. Essa afirmação, portanto, somente tem a função de infamar gente sobre as quais não se tem provas. Mas a “Veja” não se detém diante desse obstáculo. Segundo ela, Sarney “abriu [a Zuleido] as portas dos governos do Maranhão, Piauí, Sergipe e Distrito Federal”.
O que quer dizer “abriu as portas”? A revista não explica. Evidentemente, é uma invenção esse poder de Sarney sobre os governos do Piauí, Sergipe e DF. Mas a verdade é que essa frase é apenas uma calúnia pusilânime, solerte, daquelas que o autor não assume abertamente. Se a “Veja” soubesse de algo ilícito por parte de Sarney, é claro que já teria publicado. Como não sabe de nada a esse respeito, simplesmente joga sua lama.
Ainda que o leitor o saiba, lembremos que Sarney é um ex-presidente da República, membro do Congresso Nacional desde 1955, várias vezes deputado federal, quatro vezes senador, presidente do Congresso, governador e presidente da República. Além disso, é escritor e membro da Academia Brasileira de Letras. Em uma trajetória de mais de 50 anos, passando pelos mais diversos governos, nunca houve nada contra ele. Nunca foi acusado de nenhum ato de corrupção, exceto quando, em 1988, Fernando Henrique & cia. tramaram contra ele a chamada “CPI da Corrupção” – e não conseguiram passar como prova os seus insultos. Posteriormente, quando essa gente subiu ao poder, viu-se quem eram os verdadeiros corruptos.
É evidente que não seria agora, com 77 anos de idade, e depois de mais de 50 anos de vida pública ilibada, que Sarney iria manchar sua biografia. Como, então, explica-se que alguns vagabundos que não fizeram qualquer coisa comparável à vida política de Sarney, se achem no direito de difamá-la, assim sem mais nem menos? Somente se explica pela peculiar moralidade de “Veja”, que se constitui em entregar-se aos nazistas do apartheid e contrabandistas de diamantes da África do Sul por alguns trocados (é verdade, leitor, não foi tão pouco assim). A difamação é exatamente o que os nazistas chamam de jornalismo.
Resta saber o porquê do atual surto. “Veja” é – como foi durante o último ano do governo Lula – o antro golpista mais descarado da mídia. Como tal, foi triturada nas urnas. Hoje, as mais diferentes – e, às vezes, inesperadas – pessoas manifestam um decidido desprezo por ela, o que não era comum há algum tempo.
APRENDIZ
A coalizão política formada por Lula é o resultado dessa vitória do povo. Ela representa o isolamento do golpismo e da reação. Assim, é essa coalizão que os golpistas tentam quebrar. Bastou uma operação da PF para que a “Veja” quisesse atacar algumas das figuras chaves para esta coalizão – em especial, duas do outro partido decisivo para a coalizão, o PMDB.
Esse é o objetivo dessa infâmia. Destinada mais uma vez ao fracasso e ao maior isolamento do golpismo. Mas, cá entre nós, leitor, perto de certos donos de revista, o Zuleido, mesmo que tudo o que falam dele seja verdade, é um mero e atrapalhado aprendiz.
CARLOS LOPES
( Hora do Povo – 23/05/2007 )

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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