ENCALHE

janeiro 23, 2008

Diaféria, o cronista do nosso tempo, Por Roniwalter Jatobá

Observatório da Imprensa
22/1/2008
Apresentação de Mesmo a noite sem luar tem lua, de Lourenço Diaféria, 248 pp.,
Editora Boitempo, São Paulo, 2008; R$ 38; intertítulos da Redação do OI
A primeira vez que li um texto de Lourenço Diaféria foi no número 8 da revista literária paulistana Escrita, de maio de 1976, quando esta publicou os cinco autores premiados pelo então prestigiadíssimo Concurso Nacional de Contos do Paraná. Lembro que o conto tinha o estranho título de “Como se fosse um boi”, mas, embora nos remetesse ao mundo rural, trazia as perambulações de um anônimo marginal pelos labirintos da cidade de São Paulo. Fiquei fascinado com o estilo do autor, sutil observador das coisas miúdas e graúdas nos desvãos da metrópole. A partir daí, tornei-me leitor assíduo de suas crônicas no jornal Folha de S.Paulo.
Lourenço Diaféria nasceu no bairro paulistano do Brás em 28 de agosto de 1933. Filho de um italiano libertário, que, segundo ele, “nunca usou relógio de pulso e que só me bateu uma vez e depois chorou”, e de uma mãe portuguesa, mulher de fibra, que batia nele de tamanco, “mas que nunca esteve ausente quando eu precisei”, viveu sua infância frente a frente às paisagens dos subúrbios da Central do Brasil. Adolescente, o pai queria que fosse estudar Direito, mas ele sempre quis ser jornalista e cursou a Faculdade Cásper Líbero e a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo ( cursos que não chegou a acabar ) e teve os empregos de correspondente comercial e fiel de cartório antes de ingressar na Folha de S. Paulo como preparador de textos por meio de um concurso público.
O fato miúdo e um toque humorístico
A carreira de cronista no jornal, no entanto, só começou em 1964, quando a direção da redação gostou de suas divagações em torno de como festejar o São João dentro de um dos minúsculos apartamentos que infestavam a cidade. Do período, duas memoráveis lembranças. Uma boa: a gratidão ao jornalista Hélio Pompeu, secretário de redação na época, que o fez reescrever dez vezes uma matéria de dez linhas, quando entrou na Folha, como processo de aprendizagem. Outra ruim: em setembro de 1977, os militares não gostaram da crônica “Herói. Morto. Nós” ( publicada nesta coletânea ), sobre um sargento do Exército que havia pulado no fosso das ararinhas, no zoológico municipal, a fim de salvar um garoto de catorze anos das presas dos roedores; o menino é salvo, mas o sargento morre.
O texto era uma homenagem ao sargento, herói na batalha campal cotidiana, mas referia-se também à estátua do Duque de Caxias, no centro paulistano, em cujo pedestal se aninhavam garotos de rua. Eram os anos verde oliva de Ernesto Geisel ( 1974-1979 ), de mais um general-presidente no poder, e, por isso, Lourenço Diaféria foi preso pela Polícia Federal e enquadrado na Lei de Segurança Nacional. A história mostra que a direção do jornal não agiu de forma digna, mas o autor, felizmente, foi absolvido pelo Supremo. Mais tarde, Diaféria lembraria que o episódio foi um oceano que passou em sua vida. “Prejudicou-me em algumas coisas e ajudou-me em outras”, disse. “Eu me senti melhor porque a pior coisa de quem tem uma coluna de jornal é ter ímpetos e se auto-censurar.”
A crônica tem, no Brasil, uma tradição respeitável que vem do Portugal de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão e esplende entre nós com nomes como Machado de Assis, Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, José Carlos Oliveira, Paulo Mendes Campos e, mais recentemente, Luís Fernando Veríssimo, para ficarmos apenas em alguns exemplos. Mas o que é a crônica?
“Até se poderia dizer que em vários aspectos é um gênero brasileiro, pela naturalidade com que se aclimatou aqui e pela originalidade com que aqui se desenvolveu”, ensina o crítico Antonio Candido em “A vida ao rés-do-chão”.
“Creio que a fórmula moderna, na qual entram um fato miúdo e um toque humorístico, com o seu quantum satis de poesia, representa o amadurecimento e o encontro mais puro da crônica consigo mesma.” E mais: “Em lugar de oferecer um cenário excelso, numa revoada de adjetivos e períodos candentes, pega o miúdo e mostra nele uma grandeza, uma beleza ou uma singularidade insuspeitadas” [ Antonio Candido, "A vida ao rés-do-chão" em A. Candido et al., A crônica: o gênero, sua fixação e suas transformações no Brasil (Campinas, Unicamp, 1992), p. 15 ].
Multiplicidade de olhares
Lourenço Diaféria, sem dúvida, é um bom exemplo desse jeito brasileiríssimo de fazer crônica. Segundo o próprio autor, a crônica revela ao distinto público que, atrás do botão eletrônico, existe um baixinho resfriado e de nariz pingando, que assoa e vocifera.
A crônica serve para mostrar o outro lado de tudo – dos palanques, das torres, de eclipses, das enchentes, dos barracos, do poder e da majestade. Ela não consta no periódico por condescendência. A crônica é a lágrima, o sorriso, o aceno, a emoção, o berro, que não tem estrutura para se infiltrar como notícia, reportagem, editorial, comentário ou anúncio publicitário no jornal. E, contudo, é um pouco de tudo isso [ Lourenço Diaféria, Depoimento – Escritor Brasileiro 1981 (São Paulo, Secretaria Municipal de Cultura, 1981) ].
Segundo Jorge de Sá, em A crônica, Lourenço Diaféria tem um olhar sempre otimista.
Consciente de que sua função é prestar atenção ao banal, ele vai costurando retalhos de informações até transformá-los em um relato verossímil, estruturado de acordo com as leis da coerência do texto, as peças ajustadas como num quebra-cabeça. Diaféria vai cumprindo o exercício da crônica como um testemunho do nosso tempo, contando as tragicomédias diárias, fazendo o leitor recuperar seu senso crítico enquanto se diverte, alcançando o que está além da banalidade [ Jorge de Sá, A crônica (São Paulo, Ática, 2002, coleção Princípios), p. 39 ].
Este livro traz uma seleção de crônicas que Lourenço Diaféria escreveu na Folha de S. Paulo, sobretudo no caderno “Ilustrada”, entre 1973 e 1977. Por elas passa o talentoso e múltiplo Diaféria, que um dia observa uma cobradora de ônibus ajudar uma mãe a trocar a roupa de seu bebê e, no outro, manda uma carta ao general de plantão avisando que algo cheira mal nos porões da ditadura militar. E, nessa multiplicidade de olhares, o autor torna-se, como diz Jorge de Sá, testemunho do nosso tempo e o leitor termina a leitura sentindo-se mais próximo do homem, dos outros homens, enriquecido em sua consciência e emoção.

abril 16, 2007

Acho que sei o que fazer quanto à questão da pandemia de dengue escondida pelos jornais…

Filed under: ônibus, Dengue, Estadão e JT, jornais, José Serra, Kassab — Humberto @ 2:44 am

Simples:
Começarei a esquecer pneus, latas e garrafas, além de vasos e panelas velhos cheios de água nas proximidades das redações dos jornais e revistas que atuam como relações públicas do Serra. Haja garrafa.
Mas acho que não terei dificuldade, já que os lixeiros estão em estado de apagão. Pensando melhor terei, isso sim, dificulade em me transportar aos locais, já que não tenho carro, não sei dirigir, e não há ônibus circulando suficientemente, algo como um estado de semi-apagão.
E, não percam:

“WITH A LITTLE HELP FROM MY PAPER FRIENDS”
É isso mesmo!!!
Leram, por acaso as manchetes do Estadão e do JT?
Os funcionários públicos destroem o caixa do Estado e os professores da rede municipal causam desgraças na rede de ensino, por faltarem de propósito, só para fazer greves comunistas!!!
Comentarei em breve mas, antes, vou ter uma com meu Consultor em Educação, o Prof. Corujinha, que me abastece de informações sobre o sistema de ensino e as teorias pedagógicas.
Não falo sobre o que não sei.

Até logo, queridos!!!

abril 13, 2007

Peça pelo número

Filed under: cartas de leitores, jornais, PSDB — Humberto @ 2:53 am

Essa aqui eu mandei hoje para alguns jornais e revistas:
 

Saudações,

Tenho lido por aí a firme manifestação de leitores, habitués das seções de cartas dos nossos jornais, e pode-se perceber uma quase-unanimidade entre eles.
Cansados de tanto roubo, tanta alopração, exigem: CPI do "apagão aéreo" JÁ !!!
Uníssono que já prontamente aglutinou a atenção dos opositores do governo Lula. Pergunta-se, retoricamente, o que teria o governo federal a esconder, a ponto de mover céu e terra para impedir esta investigação do Congresso.
Mas, lamento pelo pensar-pequeno destes sentinelas da moralidade pública e da ética política sem vínculos partidários, e explico: aqui no Estado de São Paulo já foram protocolados cerca de 70 pedidos de abertura de CPIs para investigar possíveis - ou "supostos", como exigem os mais honestos manuais de redação à disposição na praça - trambiques do governo, cuja sigla governa o Estado há mais de 12 anos ( para a inveja de Hugo Chávez ) .
Ora, temos setenta tipos de CPIs à disposição do cidadão de bem, para que este exija, junto ao seu representante na Assembléia, a instalação de apenas uma que seja, e fica-se batendo na mesma tecla: "CPI do apagão, CPI do apagão...".
Usando da mesma indignada pergunta retórica, podemos então perguntar que setenta coisas o governo estadual do PSDB tem a esconder, e o que seus eleitores temem encontrar , que não
o exigem de seus deputados estaduais e governador a mesma retidão inquisidora que desejam no âmbito federal?

abril 10, 2007

Homens mordem cães, mais do que nunca, mas isso não está sendo mais considerado notícia

Filed under: Dengue, jornais, José Serra, Kassab, SPTrans — Humberto @ 2:45 am
Centenas de acidentes envolvendo ônibus e vans na Capital. Dezenas de mortos. Culpam a “alta velocidade de certos motoristas”. Desculpa esfarrapada. Para que isso viesse a ocorrer e piorar, foi preciso que eles constatassem a via totalmente livre para a transgressão e a direção perigosa ( ou perigosíssima ), sem ações coercitivas por parte da municipalidade. Não é de hoje que eu venho falado. Há uma caixa-preta na SPTrans, doidinha para ser aberta, mas não há quem se disponha a fazê-lo. E não há jornal que se disponha a investigar, da forma que faria caso a prefeitura estivesse ocupada por Marta. Existem relações entre familiares de Gilberto Kassab ( no caso, seu irmão ) e empresas de ônibus da Capital. Blindagem mais resistente que a dos ônibus.
Dengue dobra o número de casos em poucos dias. Já há indícios de transmissão possível, não mais apenas pelo aedes aegypt, mas por mosquitos ou pernilongos comuns. E esses desgraçados escondendo tudo isso atrás do suposto apagão aéreo.

fevereiro 27, 2007

Em 5 anos, circulação de jornais no Brasil decresce 11,4%

Filed under: jornais — Humberto @ 2:26 am
É o que mostra uma pesquisa da Associação Mundial de Jornais, que pode ser lida no original aqui nesse ponto , só que em inglês.
Ah, sim. Os jornais daqui estão celebrando em manchetes entusiasmadas um crescimento de cerca de 5% em sua circulação, relativo ao ano de 2005.

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