ENCALHE

fevereiro 23, 2007

VOU FAZER COCÔ !!!

Filed under: cidadão de bem, Gloria Perez, João Hélio, mídia, Pena de morte — Humberto @ 1:44 pm

Com todo o respeito que merecem a família do garoto, morto acidentalmente – não, você não leu errado: pessoalmente eu acho que foi um misto de incompetência, azar e pânico que resultou na tragédia, e está aí essa “comoção” fabricada por caronistas sedentos por autopromoção e encrudescimento penal-repressivo ( para alguns, “repressivo” seria melhor: custa menos que os trâmites legais ) - , a própria vítima, e as pessoas sinceramente tocadas pelo ocorrido, essa campanha do “FAÇA ALGO” não significa absolutamente nada para mim.
A cada dia, o Vinícius localiza nos jornais relatos de tragédias igualmente comoventes, mas que não geram o mesmo clamor publicitário.
Relembro que, há alguns dias, eu comentei que a Folha publicou uma página dizendo que, nos EUA, vários estados estariam abandonando a prática da pena de morte, tradição religiosa-cultural ainda fielmente mantida pelo glorioso Texas. Onde, se bem me lembro, um retardado mental pegou cadeira elétrica.
Então é isso.
Não sei se já havia mencionado anteriormente a historinha a seguir, mas não me importo em repetí-la.
Trabalhava num lugar onde pessoas nefastas faziam, a todo o tempo, especular sobre o seu salário e tentar puxar seu tapete. Pois bem. Acreditando cegamente na raça humana e em sua redenção, ocorre que eu costumáva acompanhá-los no happy-hour. Tendo bebida, eu suportava até peessedebista.
Eis que, no calor da farra, aparece uma prancheta às nossas vistas, e uma dona pedindo para que contribuíssemos com a nossa assinatura. Explicou que se tratava de implantar a pena de morte. Isso foi pouco tempo depois da morte da filha da Glória Perez, comoção mediática nacional e subseqüente discussão como a que temos hoje.
Eu podia recusar gentilmente, e o faria, naturalmente.
Daí um bosta, motorista da diretoria, mas metido ao mesmo tempo a malandrão e paga-pau de polícia, ouviu a explanação da moça, pegou a lista e, tipo “Opa, é prá já”…
Sentido o fervor cívico se renovar em minha corrente sanguínea peguei, para surpresa dos comensais, o dossiê dizendo algo como “Depois passa para mim.”, cuidando para que eu fosse o último a rubricar. Tudo correu dessa forma e a moça foi embora, agradecida e feliz por ter conseguido mais apoio para sua campanha. Cidadãos de bem se entendem em suas demandas.
Dois minutos e, lá de fora, um berro, grito, ribombar, trovão:
- QUEM FOI QUE FEZ ISSO ???
E veio direto à nossa mesa. Quase todos olharam a prancheta ao mesmo tempo – alguns convivas, parece que já sabiam ou esperavam por isso – e, depois de perceberem o que houve, olharam ( todos, também ao mesmo tempo, clichê de novela pretensamente engraçada ) para mim, e passaram a berrar comigo ( todos, ao mesmo tempo, inclusive a dona da prancheta, a última gritando bem no meu ouvido ) . Alguns, em protesto, saíram da mesa e foram cachaçar em outro lugar. A cidadã preocupada com a segurança me perguntava, daquela forma retorica, o que eu acharia se fosse com minha irmã, essas coisas. Acabou que todos saíram da mesa, para ir ao banheiro, outros foram conferir se ninguém havia roubado seu carro, ou pedir mais um chopp e, os mais honestos, deixaram claro o porquê de me abandonarem. Terminei sozinho na mesa.
Claro que eu estava nervoso ( mais por ter tanta atenção dirigida a mim que por outro motivo ) mas tentava não demonstrar, e meu silêncio ( eu não respondi nada para ninguém; só depois da poeira ter baixado é que eu explique meus motivos e ponto de vista mas, ainda assim, para alguns mais próximos e menos histéricos ) apenas serviu para irritar ainda mais a dona e outros presentes na mesa. A dona – que, lembrando bem, até mostrou para os outros membros do comitê que estavam juntos colhendo assinaturas – foi embora, justificavelmente puta da vida.
Que choque ela deve ter tido quando, em meio aos nomes, leu o recado: “VÃO SE FODER, SEUS NAZISTAS !!!”

fevereiro 20, 2007

João Hélio e o cabresto

Filed under: ECA, João Hélio, Pablo Russel — Humberto @ 1:05 am
Vinícius Duarte
Relutei muito para comentar o “caso João Hélio”, talvez porque a forma como está sendo tratado pela imprensa é tão absurda que meu fel e meu limão subiriam a níveis letais. Mas hoje, conversando com o Humberto, ele me lembrou de um fato ocorrido em 1998. Antes de traçar um paralelo entre João Hélio e Nicole (não é a minha homônima filha, vocês saberão em breve de quem se trata), vou dar minha visão deste acontecimento no RJ:
1 – os moleques queriam ROUBAR UM CARRO, nunca ARRASTAR UM MENINO PELA VIA PÚBLICA. Saber diferenciar um evento de outro é fundamental para analisar com a frieza a situação e entender o que se passou na cabeça dos criminosos;

2 – Com base na premissa anterior, fica claro que o fato de JH ter ficado preso ao cinto de segurança somente ATRAPALHOU A AÇÃO DOS BANDIDOS, e deve ficar claro que eles não gostaram nem um pouco disso. Um assalto à mão armada, com uma pena de 3 ou 4 anos, sei lá, transformou-se num horrível LATROCÍNIO, com pena bem superior. Além disso, é evidente que a polícia só chegou aos acusados POR CAUSA DO MENINO ENROSCADO, pois todos sabem que nenhum agente da lei se empolga com a tarefa de localizar veículos roubados. Você que já foi vítima deste crime deve saber bem disto;

3 – Ao tomarem ciência do enrosco do menino, os ladrões estavam FUGINDO. Com o moleque se esfacelando do lado de fora do carro, e o pânico proveniente da fuga, devem ter pensado: “ah, agora já fudeu mesmo, corre!”. E JH foi se esvaindo pelas ruas do Rio de Janeiro. Você faria diferente? Para responder a essa pergunta, por favor, tente pensar como um criminoso. É assim que se se entendem as atitudes das pessoas: colocando-se no lugar delas. Entender não é concordar, bem entendido.

Em 1998, a garota de programa Selma Heloísa Artigas, codinome Nicole, morreu ao ser arrastada por 2 km presa ao cinto de segurança da Pajero de Pablo Russel Rocha, comerciante de Ribeirão Preto/SP, de 24 anos. O assassino, filho de renomado médico da cidade, disse que não viu nada e nem ouviu os gritos da moça porque “o som do carro estava muito alto”.Ele não roubou o carro dela, usou o seu próprio carro para arrastá-la. Nicole estava grávida, segundo o laudo necroscópico.
Em 2002, o legista George Sanguinetti emite laudo no âmbito criminal inocentando Pablo Russel Rocha. O documento atestaria que a morte de Nicole ocorreu por acidente. O laudo foi pago pelo próprio Pablo Rocha, que ficou preso por dois anos e três meses.
Os bandidos que arrastaram JH não terão dinheiro para contratar Sanguinetti.
Antes de vestir o cabresto e berrar em uníssono com a imprensa pela redução da maioridade penal, pense: Pablo Russel Rocha ficou na cadeia MENOS TEMPO QUE O MOLEQUE “DIMENOR” ficará, caso o ECA seja aplicado. Não estará o buraco mais embaixo?
Para relembrar a história de Nicole, publicamos abaixo alguns links onde se pode achar alguma coisa a respeito.
Empresário Pablo Russel será levado a júri popular
Comercio da Franca – 15/6/2005
A vítima tornada Ré
Campanha de Combate à violência contra as mulheres
Congregação Missionária Servas do Espírito Santo – novembro/2004
Violência
Migalhas

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