ENCALHE

agosto 29, 2009

"Obama e a ditadura em Honduras", por Jasson de Oliveira Andrade

“Obama e a ditadura em Honduras”
por Jasson de Oliveira Andrade

O golpe militar em Honduras, ocorrida em 28 de junho de 2009, dois meses depois encontra-se na mesma situação. O presidente deposto Manuel Zelaya, exilado na Costa Rica, tentou voltar, mas foi impedido na fronteira de seu país. Em vista dessa situação, Oscar Arias, presidente da Costa Rica, em artigo no The Washington Post, sob o título “A ameaça de militares poderosos”, transcrito no Estadão, constatou: “Paira sobre a América Latina um clima de incerteza e tumulto que, eu esperava, nossa região não voltaria a experimentar. O golpe em Honduras traz triste lembrete de que, apesar do progresso obtido na região, os erros do passado ainda estão muito próximos”. Adiante ele afirmou: “O golpe em Honduras demonstra, mais uma vez, que a combinação de militares poderosos e democracias frágeis cria um risco terrível”. No passado, já tivemos essa combinação com resultado terrível para a democracia na região, inclusive no Brasil. Com uma diferença. No passado, os golpes militares recebiam ajuda dos Estados Unidos. Carlos Heitor Cony, em artigo de abril de 2002, revelou: “Com exceção dos dois movimentos militares de novembro de 1955, no Brasil, [um para impedir a posse de Juscelino; outro para anular o golpe que a impediria] todos os golpes na América Latina foram planejados, executados ou apenas apoiados pelos Estados Unidos”. Alguns não aceitam que os americanos apoiaram tais golpes, inclusive o de 64 no Brasil. No entanto, documentos americanos, agora divulgados, confirmam esse apoio. A Folha, em 16/8/2009, na reportagem “MÉDICI E NIXON PLANEJARAM DERRUBAR ALLENDE”, comprova o apoio relatado. O documento americano revela que o encontro entre os dois presidentes deu-se no Salão Oval da Casa Branca, às 10 horas de 9 de dezembro de 1971. Dois anos depois, em setembro de 1973, o general Augusto Pinochet deu o golpe, que causou a morte do presidente Allende. Se no passado era desta maneira, atualmente os Estados Unidos não deram aval ao golpe em Honduras. Pelo contrário, o presidente Obama o desaprovou. É o que veremos a seguir.
O governo dos Estados Unidos condenou o golpe em Honduras, tomando algumas medidas diplomáticas como anular vistos diplomáticos de golpistas (Folha, 29/7), motivado pelo fato de que Washington não reconhecer o governo Micheletti, e recentemente a suspensão de vistos a hondurenhos (Folha 26/8). “A medida tenta minar apoio até aqui irrestrito de elite de Honduras ao regime golpista”, escreveu Sérgio Dávila. Mas apenas sanções diplomáticas não bastam. É o que informa Fabiano Maisonnave, em reportagem à Folha (13/8), sob o título “Só EUA podem ajudar deposto”: “A conservadora elite hondurenha se sente abandonada por Washington e crê que o golpe foi necessário para salvar Honduras do chavismo, trabalho que, para eles, deveria ter sido feito pela CIA. (…) Para Zelaya [presidente deposto], a falta de sanções econômicas duras dos EUA é a única explicação da sobrevivência dos golpistas. Sinal dos tempos: agora, tanto a direita quanto a esquerda exigem intervenção americana”. Obviamente de modo bem diferente. A conservadora elite hondurenha através da CIA, como era feito no passado. O presidente deposto através de sanções econômicas duras contra os golpistas. Não se devem misturar alhos com bugalhos!
Pelo visto, a democracia em Honduras talvez só volte em novembro deste ano, quando teremos eleições. Antes disto, dificilmente o presidente Zelaya reassuma a presidência, a não ser que haja uma intervenção mais contundente dos Estados Unidos. Vamos aguardar.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

agosto 13, 2009

"Reaparecimento do Cabo Anselmo após 45 anos", por Jasson de Oliveira Andrade

O Cabo Anselmo, 67 anos, reapareceu depois de 45 anos vivendo clandestino. O motivo desse aparecimento foi para tirar impressões digitais em São Paulo para recuperar documentos. O que foi feito em 30/7/2009. O procedimento, segundo o jornalista Lucas Ferraz, em reportagem para a Folha (31/7), é para instruir o seu pedido de anistia, visando a ser indenizado como “vítima” do golpe de 64. No artigo “O dito cabo Anselmo” (Folha, 4/8), Janio de Freitas escreveu: “Quem é esse Anselmo, que história verdadeira tem vivido há meio século e por que se decidiu a fazê-la são ainda segredos. Para os quais Anselmo pretende a reparação criada, entre outras, PARA AS SUAS VÍTIMAS” (Destaque meu). Aí é que entra a “misteriosa” vida de Cabo Anselmo, que vamos ver adiante.
Cabo Anselmo vivia escondido porque estava supostamente jurado de morte. O motivo dessa ameaça resultou de sua traição aos ex-companheiros, dedurando-os ao regime militar, precisamente ao delegado Fleury. Devido a essas delações, muita gente foi presa, torturada e, segundo ele mesmo declarou a uma revista, resultou na morte de “cem, duzentos” militantes de organizações de extrema esquerda, inclusive sua companheira, a jovem paraguaia Soledad Viedma, grávida dele. Temeroso de vingança, ele se escondeu por 45 anos, só reaparecendo agora!
Antes dessa traição, Cabo Anselmo, em 1964, era dirigente de uma entidade que reunia marinheiros. Ele comandou uma revolta considerada por vários analistas como estopim do Golpe militar daquele ano. Maria da Conceição Tavares, em “Fatos e mitos de 1964” (Folha, 28/3/2004), endossa essa opinião: “A sublevação dos marinheiros, quebrando a hierarquia militar, foi a gota d´água e o sinal para antecipar o golpe, deslocando a lealdade ao presidente [João Goulart, Jango] de quase todos os comandantes do Exército”. Após o Golpe, Cabo Anselmo foi preso. Aí aconteceram alguns fatos estranhos, relatados por mim no artigo “Cabo Anselmo e o Golpe de 64” e que consta de meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, á página 222. Neste texto, mostrei que ele traiu seus companheiros, o que ficava comprovada sua traição após o Golpe. No entanto, algumas declarações do Cabo Anselmo são fortes indícios que ele traiu antes de 31 de março de 1964. Na entrevista dele ao jornalista Octávio Ribeiro, já falecido, na revista Istoé (28/3/1984), sob o título “Confissão do cabo”, Anselmo declarou sobre a sua fuga da prisão: “A chave da cela ficava na minha mão. A fuga veio com o pessoal da Polop (Organização Política Operária, grupo de esquerda que reunia trotskistas e militares)”. Adiante confessou: “Disse ao guarda de plantão que ia encontrar uma mulher e saí pela porta da frente. O pessoal da Polop me levou para São Paulo e de lá, de carro, fui para o Uruguai” (pág.27). Quem conhece a repressão daquela época (prisão, tortura e, muitas vezes, morte), não pode acreditar que o cabo Anselmo tivesse tanta facilidade (chave da cela na mão dele, bem como o guarda permitiu que ele saísse pela porta da frente para se encontrar com uma mulher!). Principalmente, como disse o jornalista Janio de Freitas no citado artigo: “Não, porém, para o maior incitador da rebelião [dos marinheiros antes do Golpe de 64] e das ameaças à oficialidade (…)”. Isto NUNCA iria acontecer, a não ser que ele era um auxiliar dos golpistas!
Em suma, pode não existir uma prova contundente da traição dele antes do Golpe, mas essas declarações, repito, são fortes evidências de sua colaboração já naquele período. Portanto, Cabo Anselmo não tem direito à indenização, que é uma reparação criada para atender, como afirmou Janio de Freitas, entre outras, as suas vítimas.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Agosto de 2009

"Reaparecimento do Cabo Anselmo após 45 anos", por Jasson de Oliveira Andrade

O Cabo Anselmo, 67 anos, reapareceu depois de 45 anos vivendo clandestino. O motivo desse aparecimento foi para tirar impressões digitais em São Paulo para recuperar documentos. O que foi feito em 30/7/2009. O procedimento, segundo o jornalista Lucas Ferraz, em reportagem para a Folha (31/7), é para instruir o seu pedido de anistia, visando a ser indenizado como “vítima” do golpe de 64. No artigo “O dito cabo Anselmo” (Folha, 4/8), Janio de Freitas escreveu: “Quem é esse Anselmo, que história verdadeira tem vivido há meio século e por que se decidiu a fazê-la são ainda segredos. Para os quais Anselmo pretende a reparação criada, entre outras, PARA AS SUAS VÍTIMAS” (Destaque meu). Aí é que entra a “misteriosa” vida de Cabo Anselmo, que vamos ver adiante.
Cabo Anselmo vivia escondido porque estava supostamente jurado de morte. O motivo dessa ameaça resultou de sua traição aos ex-companheiros, dedurando-os ao regime militar, precisamente ao delegado Fleury. Devido a essas delações, muita gente foi presa, torturada e, segundo ele mesmo declarou a uma revista, resultou na morte de “cem, duzentos” militantes de organizações de extrema esquerda, inclusive sua companheira, a jovem paraguaia Soledad Viedma, grávida dele. Temeroso de vingança, ele se escondeu por 45 anos, só reaparecendo agora!
Antes dessa traição, Cabo Anselmo, em 1964, era dirigente de uma entidade que reunia marinheiros. Ele comandou uma revolta considerada por vários analistas como estopim do Golpe militar daquele ano. Maria da Conceição Tavares, em “Fatos e mitos de 1964” (Folha, 28/3/2004), endossa essa opinião: “A sublevação dos marinheiros, quebrando a hierarquia militar, foi a gota d´água e o sinal para antecipar o golpe, deslocando a lealdade ao presidente [João Goulart, Jango] de quase todos os comandantes do Exército”. Após o Golpe, Cabo Anselmo foi preso. Aí aconteceram alguns fatos estranhos, relatados por mim no artigo “Cabo Anselmo e o Golpe de 64” e que consta de meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, á página 222. Neste texto, mostrei que ele traiu seus companheiros, o que ficava comprovada sua traição após o Golpe. No entanto, algumas declarações do Cabo Anselmo são fortes indícios que ele traiu antes de 31 de março de 1964. Na entrevista dele ao jornalista Octávio Ribeiro, já falecido, na revista Istoé (28/3/1984), sob o título “Confissão do cabo”, Anselmo declarou sobre a sua fuga da prisão: “A chave da cela ficava na minha mão. A fuga veio com o pessoal da Polop (Organização Política Operária, grupo de esquerda que reunia trotskistas e militares)”. Adiante confessou: “Disse ao guarda de plantão que ia encontrar uma mulher e saí pela porta da frente. O pessoal da Polop me levou para São Paulo e de lá, de carro, fui para o Uruguai” (pág.27). Quem conhece a repressão daquela época (prisão, tortura e, muitas vezes, morte), não pode acreditar que o cabo Anselmo tivesse tanta facilidade (chave da cela na mão dele, bem como o guarda permitiu que ele saísse pela porta da frente para se encontrar com uma mulher!). Principalmente, como disse o jornalista Janio de Freitas no citado artigo: “Não, porém, para o maior incitador da rebelião [dos marinheiros antes do Golpe de 64] e das ameaças à oficialidade (…)”. Isto NUNCA iria acontecer, a não ser que ele era um auxiliar dos golpistas!
Em suma, pode não existir uma prova contundente da traição dele antes do Golpe, mas essas declarações, repito, são fortes evidências de sua colaboração já naquele período. Portanto, Cabo Anselmo não tem direito à indenização, que é uma reparação criada para atender, como afirmou Janio de Freitas, entre outras, as suas vítimas.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Agosto de 2009

julho 26, 2009

"PMDB LULISTA X PMDB SERRISTA ", Por Jasson de Oliveira Andrade

Aí vai mais um artigo de nosso Jasson, desta vez sobre os “dois PMDBs”, a saber: o “PMDB do L” [ que vem a ser o PMDB aliado de Lula, cuja persona de "destaque", atualmente, é o presidente do senado, José Sarney ] e o “PMDB do S” [ aquele, recém-convertido ao serrismo depois de ter sido demonizado de diversas maneiras pela imprensa amiga e tucana e tem, na figura do ex-inimigo público número 1 da política brasileira, Orestes Quércia, seu maior representante ]. O artigo de Jasson esteve durante 1 semana em meus emails, mas não usei computador neste período. Bom,o artigo não se encontra nada defasado,já que a vEJA desta semana traz na capa uma serpente onde se lê, inscrita sobre sua pele “PMDB”. OK. O “partido é serpente”, mas tem duas cabeças, é bom informar.

“PMDB LULISTA X PMDB SERRISTA”

No artigo “Contra Sarney ou contra Lula?”, mostrei que os jornalões e revistas, tucanos, estão massacrando Sarney porque ele apóia o governo Lula. Daí ter concluído que os ataques visavam, indiretamente, o presidente. Para se compreender melhor o assunto, existem dois peemedebes: o do Lula (Sarney, Michel Temer e outros) e o do Serra (Quércia e outros). Quércia apoiou Kassab (DEM) para prefeito, tendo lançado a quercista Alda Marco Antonio como vice-prefeita. Hoje ela é também secretária municipal. Quércia, que era atacado pela imprensa escrita e falada, considerado corrupto, um político pior do que Sarney (quando foi presidente do Senado na época de Fernando Henrique Cardoso, nos ano 90, não era atacado pela mídia e muito menos pelos tucanos, como acontece atualmente), hoje é “esquecido” pela mídia.
Quando era considerado um lulista, a revista Veja, em junho de 2006, fez graves acusações contra Quércia, que a processou [ Nota do blog: "Muito bem lembrado, Jasson."]. Como ele hoje é serrista, a revista não o ataca mais, preferindo, por motivos óbvios, o Sarney. Desconheço como se encontra o processo, mas possivelmente foi retirado. Não sei. Para que os leitores conheçam o que ocorreu naquela época, transcrevo o artigo que escrevi em junho de 2006. Por ele, pode-se, mais uma vez, verificar como age a imprensa.
Quércia Processa Veja
A VEJA, na reportagem “O QUE O PT E O PSDB MAIS QUEREM?”, fez duras críticas a Orestes Quércia, ex-governador de São Paulo. No texto, assinado pelo jornalista Otávio Cabral, a revista revela que Serra se encontrou com o peemedebista em 9 de abril. Posteriormente, Quércia foi procurado pelo PT e se encontrou com o presidente Lula, no Palácio do Planalto, no dia 31 de maio. Ao que parece, com esse encontro, o ex-governador não iria mais se aliar com os tucanos. Essa impressão se deve pelos ataques que recebeu da VEJA. Por que a revista não revelou seus “podres” antes, em abril, quando recebeu a visita de Serra em seu apartamento, no bairro dos Jardins? Como a revista faz campanha massacrante contra Lula, quem pagou o pato foi o Quércia. O jornalista foi inteligente. Para não demonstrar que a critica era motivada pelo encontro presidencial, misturou Lula com Serra. Uma reportagem muito sutil!
A sutileza do texto pode-se verificar com esse trecho: “Bem, tucanos e petistas podem até falar de suas semelhanças uma vez ou outra, mas o único dado concreto que os une mesmo, pelo menos até agora, é o assédio a Orestes Quércia, o líder do PMDB que, HÁ MAIS DE UMA DÉCADA, praticamente deixou a política ao tornar-se UM SÍMBOLO VIVO DA CORRUPÇÃO (destaques meu)”.
Uma mentira porque Quércia não deixou a política há mais de dez anos: ele se candidatou a senador em 2002. Adiante afirma: “Durante sua gestão [de Quércia] no governo paulista (1987-1991), a empreiteira Andrade Gutierrez tornou-se a rainha das obras em São Paulo – E AS DENÚNCIAS DE OBRAS E COMPRAS SUPERFATURADAS (destaque meu), como a inesquecível aquisição de equipamentos de informática de Israel, viraram uma constante. (…) Quércia tem origem humilde, filho de uma lavradora e um balconista de mercearia, e conseguiu erguer um império sem deixar de fazer política – razão pelo qual se tornou SÍMBOLO DOS POLÍTICOS QUE ENRIQUECEM COM A PRÓPRIA POLÍTICA (destaque meu)”.
Em vista desses ataques, Quércia vai processar a VEJA. No Informe Publicitário que publicou na imprensa, no dia 6 de junho, o ex-governador informou: “VEJA requentou matéria de 14 anos atrás, sem acrescentar nada de novo, nenhuma denúncia, nenhum indício e, pior, sobre tema já julgado e encerrado pela Justiça brasileira. Para me atacar e ludibriar seus leitores, VEJA usou a velha técnica de misturar verdade e mentira para tentar dar verossimilhança à sua falácia e fantasia. (…) As denúncias que VEJA requentou foram julgadas e esclarecidas há anos. Fui ABSOLVIDO (destaque meu) pela Justiça de todas as acusações mentirosas feitas por meus opositores políticos. (…) Sendo assim, em defesa de minha honra e a bem da verdade, estou encaminhando processo judicial pelas calúnias e difamações das quais, mais uma vez, fui vítima. Recorri a esse expediente legal para responsabilizar VEJA e a Editora Abril”. Quércia critica: “Liberdade de imprensa é um dos mais caros componentes da democracia, mas não se pode aceitar que o mau jornalismo iluda a população e ofenda qualquer cidadão”.
Não vou entrar no mérito das acusações da VEJA, nem da defesa de Quércia. O processo judicial que o ex-governador diz que impetrou vai decidir quem tem razão. Apenas estranho que a revista não tenha citado o caso da privatização do Banespa. Neste caso, os tucanos entraram na Justiça contra a antiga administração. Diretores que conheço, decentes e honestos, tiveram seus bens bloqueados. Passaram por constrangimentos. Por que a VEJA não citou esse caso? Será que o motivo não seja porque foram os tucanos que privatizaram e entraram com o processo? As pessoas supostamente envolvidas, ao que consta, foram absolvidas, e hoje, um deles governa São João da Boa Vista [Em 2009, ainda prossegue o processo contra o Nelsinho, se não estou enganado]. Será que VEJA ainda acredita no apoio de Quércia a Serra e não quer citar o caso para não atrapalhar? Estranho muito estranho!
Encerro este artigo com uma dúvida. Se o Quércia tivesse apoiado o Serra ao invés de ter encontrado com o presidente Lula, a VEJA teria feito essas denúncias, “requentadas” como diz o ex-governador? Por que levantar processos já arquivados? Em minha opinião, a revista procura desmoralizar quem se aproxima de Lula! Ai daqueles que tentam fazer esse contato. Agora foi a vez de Quércia. Quase mereceu uma capa da revista. Isso só não aconteceu porque foi apenas um encontro. Se tivesse apoiado o presidente… Vejam como age a VEJA, mesmo disfarçadamente!” Isto escrevi em junho de 2006. Perceberam que a imprensa escrita e falada agem da mesma maneira em 2009?
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Julho 2009

E MAIS:

Em edição publicada em 2002, a vEJA decretara que o “dinossauro Quércia” havia saído de circulação. Mal sabia a revista que o Conde Serroff detinha conhecimentos e poderes milenares, capazes de trazer a vida criaturas então “desaparecidas”. Usou deste poder estranho para trazer à vida a criatura Quércia e esta, como um zumbi sem vontades, endossou o apoio de seu partido à candidatura Kassab que pelejava pela reeleição à Prefeitura paulistana. Que medo!

julho 17, 2009

"Contra Sarney ou contra Lula?", Por Jasson de Oliveira Andrade

Contra Sarney ou contra Lula?
As aparências enganam, diz o ditado popular. É o que está acontecendo com o massacre contra o senador José Sarney. Aparentemente a campanha é pela moralização do Senado. Na verdade, tudo é feito para sangrar o governo Lula e seus aliados, tendo como meta a eleição presidencial de 2010, procurando, indiretamente, beneficiar o candidato José Serra e prejudicar a sua adversária Dilma, apoiada pelo governo. Esta constatação já está sendo percebida por alguns analistas políticos.
O advogado Saulo Ramos, autor de Código da Vida, livro muito vendido, que foi ministro da Justiça do governo Sarney, escreveu um artigo na Folha para defendê-lo. Logicamente o texto é um panegírico dele. Tirando esses elogios, o autor diz algumas verdades que merecem ser divulgadas. Ele inicia assim o artigo: “Soube que José Sarney foi avisado para não se candidatar a presidente do Senado porque o mundo desabaria sobre ele como um vulcão de coisas impossíveis”. Por que isso iria acontecer? Saulo Ramos explica o motivo. Após dizer que não fizeram tais acusações durante 30 anos que ele esteve no Congresso, afirma que “não o haviam feito enquanto não se tornou presidente do Senado em véspera de ano eleitoral”. Em outras palavras: ele só está virando a Geni de nossa política, segundo o autor, porque ele apóia o governo Lula e também a Dilma. É o que eu também penso.
O jornalista Luiz Antonio Magalhães, no artigo “As lacunas da cobertura da crise no Senado”, já é mais claro do que Saulo Ramos. Ele diz em seu esclarecedor texto: “O Congresso Nacional [Senado e Câmara Federal] está em crise, mas para a grande imprensa tudo se resume a um nome: José Sarney. É certo que o presidente do Senado, eleito pelo Amapá e líder do PMDB do Maranhão, está cercado de encrencas, algumas delas tão complicadas de explicar como batom na cueca. Fazem bem os jornalistas em correr atrás das denúncias sobre o ex-presidente da República, mas fariam melhor, muito melhor, aliás, se conseguissem explicar ao distinto público o que está realmente em jogo no legislativo federal”. Adiante ele explica o que os jornalistas procuram esconder dos leitores. Ele afirma que “para o leitor, fica parecendo que anteontem Sarney desembestou a praticar corrupção, a torto e a direito, praticando um verdadeiro haraquiri [suicídio] político”, mas na verdade “não foram de ontem para hoje que começaram a ser assinados os atos secretos, agora cancelados pelo presidente da Casa. (…) E o mais importante de tudo, não foi ontem para hoje que a imprensa ficou sabendo de tanta imoralidade. Ao contrário, muitos jornalistas que parecem orgulhosos dos “furos” que estão dando na verdade deveriam estar com vergonha de jamais terem tocado no assunto antes…” Entretanto, por que não tocaram no assunto antes? O jornalista explica: “Sarney está sob intenso tiroteio porque a eleição para a Mesa Diretora do Senado precipitou, no Congresso, a guerra que está sendo travada nos bastidores da política brasileira, qual seja a da sucessão do presidente Lula no próximo ano. (…) Pode até parecer confuso, mas não é. São interesses conflitantes, mas com o mesmo objetivo: detonar não apenas Sarney, mas o que ele simboliza – o PMDB alinhado com Lula”. Ele encerra assim o seu artigo: “Nada disso aparece nas análises dos jornalões, que preferem apostar no espetáculo das noticias que chocam (e que esses mesmos jornalões já tinham conhecimento). Se o fazem por inocência, é apenas mau jornalismo. Se o fazem por interesses no resultado da eleição de 2010, é manipulação pura e simples. Nos dois casos, o leitor sai perdendo”.
No título deste artigo perguntei: contra Sarney ou contra Lula? Agora a resposta é fácil. É contra Lula, ou melhor, contra a sua candidata Dilma, procurando favorecer o Serra. A campanha vai dar certo? Só vamos saber em 2010. A conferir.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Julho de 2009

"Contra Sarney ou contra Lula?", Por Jasson de Oliveira Andrade

Contra Sarney ou contra Lula?
As aparências enganam, diz o ditado popular. É o que está acontecendo com o massacre contra o senador José Sarney. Aparentemente a campanha é pela moralização do Senado. Na verdade, tudo é feito para sangrar o governo Lula e seus aliados, tendo como meta a eleição presidencial de 2010, procurando, indiretamente, beneficiar o candidato José Serra e prejudicar a sua adversária Dilma, apoiada pelo governo. Esta constatação já está sendo percebida por alguns analistas políticos.
O advogado Saulo Ramos, autor de Código da Vida, livro muito vendido, que foi ministro da Justiça do governo Sarney, escreveu um artigo na Folha para defendê-lo. Logicamente o texto é um panegírico dele. Tirando esses elogios, o autor diz algumas verdades que merecem ser divulgadas. Ele inicia assim o artigo: “Soube que José Sarney foi avisado para não se candidatar a presidente do Senado porque o mundo desabaria sobre ele como um vulcão de coisas impossíveis”. Por que isso iria acontecer? Saulo Ramos explica o motivo. Após dizer que não fizeram tais acusações durante 30 anos que ele esteve no Congresso, afirma que “não o haviam feito enquanto não se tornou presidente do Senado em véspera de ano eleitoral”. Em outras palavras: ele só está virando a Geni de nossa política, segundo o autor, porque ele apóia o governo Lula e também a Dilma. É o que eu também penso.
O jornalista Luiz Antonio Magalhães, no artigo “As lacunas da cobertura da crise no Senado”, já é mais claro do que Saulo Ramos. Ele diz em seu esclarecedor texto: “O Congresso Nacional [Senado e Câmara Federal] está em crise, mas para a grande imprensa tudo se resume a um nome: José Sarney. É certo que o presidente do Senado, eleito pelo Amapá e líder do PMDB do Maranhão, está cercado de encrencas, algumas delas tão complicadas de explicar como batom na cueca. Fazem bem os jornalistas em correr atrás das denúncias sobre o ex-presidente da República, mas fariam melhor, muito melhor, aliás, se conseguissem explicar ao distinto público o que está realmente em jogo no legislativo federal”. Adiante ele explica o que os jornalistas procuram esconder dos leitores. Ele afirma que “para o leitor, fica parecendo que anteontem Sarney desembestou a praticar corrupção, a torto e a direito, praticando um verdadeiro haraquiri [suicídio] político”, mas na verdade “não foram de ontem para hoje que começaram a ser assinados os atos secretos, agora cancelados pelo presidente da Casa. (…) E o mais importante de tudo, não foi ontem para hoje que a imprensa ficou sabendo de tanta imoralidade. Ao contrário, muitos jornalistas que parecem orgulhosos dos “furos” que estão dando na verdade deveriam estar com vergonha de jamais terem tocado no assunto antes…” Entretanto, por que não tocaram no assunto antes? O jornalista explica: “Sarney está sob intenso tiroteio porque a eleição para a Mesa Diretora do Senado precipitou, no Congresso, a guerra que está sendo travada nos bastidores da política brasileira, qual seja a da sucessão do presidente Lula no próximo ano. (…) Pode até parecer confuso, mas não é. São interesses conflitantes, mas com o mesmo objetivo: detonar não apenas Sarney, mas o que ele simboliza – o PMDB alinhado com Lula”. Ele encerra assim o seu artigo: “Nada disso aparece nas análises dos jornalões, que preferem apostar no espetáculo das noticias que chocam (e que esses mesmos jornalões já tinham conhecimento). Se o fazem por inocência, é apenas mau jornalismo. Se o fazem por interesses no resultado da eleição de 2010, é manipulação pura e simples. Nos dois casos, o leitor sai perdendo”.
No título deste artigo perguntei: contra Sarney ou contra Lula? Agora a resposta é fácil. É contra Lula, ou melhor, contra a sua candidata Dilma, procurando favorecer o Serra. A campanha vai dar certo? Só vamos saber em 2010. A conferir.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Julho de 2009

julho 9, 2009

GOLPE MILITAR EM HONDURAS, por Jasson de Oliveira Andrade

GOLPE MILITAR EM HONDURAS
Jasson de Oliveira Andrade
07/07/2009, TERÇA – Quando se esperava que as Américas estivessem livres do golpe militar, fomos surpreendidos por um na América Central, em Honduras, com a deposição do presidente Manuel Zelaya, em 29 de junho de 2009, com a desculpa que ele pretendia a reeleição através de um plebiscito e com o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A diferença é que desta vez o governo americano não estava por trás dele, como acontecia nas décadas de 60 e 70, no Brasil, Chile, Argentina e Uruguai, só para citar alguns da América do Sul. Pelo contrário, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, considerou o golpe ilegal e que abre “terrível precedente” na região. Na opinião do analista Abraham Lowenthal, “a reação [de Obama] foi apropriada, cautelosa e construtiva. O governo deixou claro que considera a deposição do presidente inaceitável e inconstitucional, mas preferiu deixar que a OEA tomasse a liderança na resolução da crise, apoiando iniciativas de outros países da região”.
Outro fato saudável, a Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) exigiu a volta do presidente derrubado ao poder. A resolução, aprovada por unanimidade, diz que comunidade internacional não reconhecerá outro governo que não o de Zelaya. No entanto, o governo golpista de Honduras não aceitou a volta dele e o impasse continua.
A mídia brasileira condena o golpe, mas o justifica pelo apoio que foi dado por Chávez. Mesmo assim Fabiano Maisonnave, enviado especial da Folha a Tegucigalpa (Honduras), constata: “O erro imperdoável da deposição de Zelaya é seu formato. No século 21, ninguém mais aceita que um presidente seja retirado do país de pijama sob a mira de rifles e que o Congresso apresente uma carta de renúncia que tudo indica ser falsa”. No entanto, paradoxalmente, o jornalista conclui seu texto com um desejo, que talvez seja o mesmo da Folha: “O melhor para Honduras teria sido se a carta de renúncia de Zelaya fosse verdadeira. Ou que haja uma nova”. Sem comentários!
Quem é o presidente Zelaya? Segundo o cientista político norte-americano Aaron Schneider, especialista em América Central, em entrevista à Folha (1º/7/2009), “ele cresceu no Partido Liberal [seria o PFL de lá?], da oligarquia do país, mas ficou isolado na elite. Isso ocorre com todos os presidentes a partir do terceiro, quarto ano, quanto o resto da elite começa a escolher quem será o próximo presidente. No momento em que isso ocorreu Zelaya procurou uma aliança maior com as classes populares”. Aí foi seu fim. Além do mais, segundo as acusações, ele também se aproximou do presidente Hugo Chávez, externamente, embora, na opinião do analista, “internamente não estava fazendo nada que seja progressista ou que se assemelhe a um governo inspirado por Chávez”. No artigo “Honduras: a lógica do golpe”, Flávio Aguiar escreveu: “Não sei o que foi pior: ler sobre o golpe em Honduras, ou ler, nas seções de cartas da Folha de S. Paulo (deve haver em outros jornais também) na internete, leitores brasileiros justificando o golpe. Os argumentos centrais eram os mesmos de 1964 no Brasil: o presidente ia violar a Constituição, ia implantar uma ditadura de esquerda (pra esses leitores, ditadura de direita pode), ia virar um novo Hugo Chávez, ia, ia, ia. Só ia. Fato, nenhum.” Ele conclui o artigo com essas ponderações: “O que os militares e os golpistas civis [de Honduras] não souberam avaliar é que o mundo ao seu redor mudou bastante. A América Latina, a América Central, a América do Sul não são mais as mesmas. Nem mesmo a OEA e os Estados Unidos são os mesmos do ano passado. Já pensaram, caros leitores e leitoras, no que aconteceria se Bush filho e Rice pianista continuassem na Casa Branca?”
O tempo se encarregará de confirmar se realmente a mentalidade anti-golpista vai prevalecer. Tomara que sim! A conferir. No mais, continuo com o meu lema: DITADURA NUNCA MAIS.

GOLPE MILITAR EM HONDURAS, por Jasson de Oliveira Andrade

GOLPE MILITAR EM HONDURAS
Jasson de Oliveira Andrade
07/07/2009, TERÇA – Quando se esperava que as Américas estivessem livres do golpe militar, fomos surpreendidos por um na América Central, em Honduras, com a deposição do presidente Manuel Zelaya, em 29 de junho de 2009, com a desculpa que ele pretendia a reeleição através de um plebiscito e com o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A diferença é que desta vez o governo americano não estava por trás dele, como acontecia nas décadas de 60 e 70, no Brasil, Chile, Argentina e Uruguai, só para citar alguns da América do Sul. Pelo contrário, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, considerou o golpe ilegal e que abre “terrível precedente” na região. Na opinião do analista Abraham Lowenthal, “a reação [de Obama] foi apropriada, cautelosa e construtiva. O governo deixou claro que considera a deposição do presidente inaceitável e inconstitucional, mas preferiu deixar que a OEA tomasse a liderança na resolução da crise, apoiando iniciativas de outros países da região”.
Outro fato saudável, a Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) exigiu a volta do presidente derrubado ao poder. A resolução, aprovada por unanimidade, diz que comunidade internacional não reconhecerá outro governo que não o de Zelaya. No entanto, o governo golpista de Honduras não aceitou a volta dele e o impasse continua.
A mídia brasileira condena o golpe, mas o justifica pelo apoio que foi dado por Chávez. Mesmo assim Fabiano Maisonnave, enviado especial da Folha a Tegucigalpa (Honduras), constata: “O erro imperdoável da deposição de Zelaya é seu formato. No século 21, ninguém mais aceita que um presidente seja retirado do país de pijama sob a mira de rifles e que o Congresso apresente uma carta de renúncia que tudo indica ser falsa”. No entanto, paradoxalmente, o jornalista conclui seu texto com um desejo, que talvez seja o mesmo da Folha: “O melhor para Honduras teria sido se a carta de renúncia de Zelaya fosse verdadeira. Ou que haja uma nova”. Sem comentários!
Quem é o presidente Zelaya? Segundo o cientista político norte-americano Aaron Schneider, especialista em América Central, em entrevista à Folha (1º/7/2009), “ele cresceu no Partido Liberal [seria o PFL de lá?], da oligarquia do país, mas ficou isolado na elite. Isso ocorre com todos os presidentes a partir do terceiro, quarto ano, quanto o resto da elite começa a escolher quem será o próximo presidente. No momento em que isso ocorreu Zelaya procurou uma aliança maior com as classes populares”. Aí foi seu fim. Além do mais, segundo as acusações, ele também se aproximou do presidente Hugo Chávez, externamente, embora, na opinião do analista, “internamente não estava fazendo nada que seja progressista ou que se assemelhe a um governo inspirado por Chávez”. No artigo “Honduras: a lógica do golpe”, Flávio Aguiar escreveu: “Não sei o que foi pior: ler sobre o golpe em Honduras, ou ler, nas seções de cartas da Folha de S. Paulo (deve haver em outros jornais também) na internete, leitores brasileiros justificando o golpe. Os argumentos centrais eram os mesmos de 1964 no Brasil: o presidente ia violar a Constituição, ia implantar uma ditadura de esquerda (pra esses leitores, ditadura de direita pode), ia virar um novo Hugo Chávez, ia, ia, ia. Só ia. Fato, nenhum.” Ele conclui o artigo com essas ponderações: “O que os militares e os golpistas civis [de Honduras] não souberam avaliar é que o mundo ao seu redor mudou bastante. A América Latina, a América Central, a América do Sul não são mais as mesmas. Nem mesmo a OEA e os Estados Unidos são os mesmos do ano passado. Já pensaram, caros leitores e leitoras, no que aconteceria se Bush filho e Rice pianista continuassem na Casa Branca?”
O tempo se encarregará de confirmar se realmente a mentalidade anti-golpista vai prevalecer. Tomara que sim! A conferir. No mais, continuo com o meu lema: DITADURA NUNCA MAIS.

junho 23, 2009

"Terceiro mandato para Lula", por Jasson de Oliveira Andrade

Aproveitando a enorme popularidade de Lula, a maior da história do Brasil, o deputado federal Jackson Barreto (PMDB-SE) apresentou um projeto, com 176 assinaturas, propondo o terceiro mandato para o presidente, na verdade, além dele, para os governadores e prefeitos (na região seriam beneficiados os prefeitos Carlos Nelson (PSDB), de Mogi Mirim, Toninho Belini (PV), de Itapira, Nelsinho Nicolau (PMDB), de São João da Boa Vista, e Dr. Hélio (PDT), de Campinas. Além de Kassab (DEM) em São Paulo). Os tucanos e os demistas, por motivos óbvios, são radicalmente contra a mudança. Quanto ao PT, partido de Lula, apenas uma minoria aprova o terceiro mandato. A maioria é contra.
A Folha (6/6/2009) deu em manchete: “TERCEIRO MANDATO CHAMA-SE DILMA, AFIRMA ASSESSOR DE LULA”. O jornal se refere à declaração do chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmando ainda: “Não é vontade do presidente Lula, não é vontade do partido. O terceiro mandato chama-se Dilma Rousseff”. O Estadão (12/6) noticiou: “Governadores do PT rejeitam 3º mandato”. O ex-governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, opinou: “A prioridade é dar continuidade ao projeto político [do governo Lula] com a candidatura da ministra Dilma Rousseff”. O jornalista Gaudêncio Torquato, no artigo “Os dez laços de Lula”, diz que a discussão poderá ser assim: “Se vocês querem mudar o que fizemos, votem na oposição. Se aprovam o que fizemos votem em minha candidata [Dilma]”. Este será, segundo ele, o plebiscito de 2010.
O deputado José Genoino (PT-SP), relator da PEC do terceiro mandato, recomendou o arquivamento da proposta, argumentando que a mesma é inconstitucional por tentar mudar as regras para beneficiar os atuais ocupantes de cargos. Ele disse em seu parecer, elogiado pelos líderes de todos os partidos e também por especialistas (cientistas políticos): “Antes de qualquer outra coisa, a medida proposta agride o senso comum de Justiça e razoabilidade ao pretender aplicar-se aos atuais detentores de mandato eletivo, alterando regras do jogo em andamento no intuito de favorecer determinados resultados”. Se a regra realmente for considerada inconstitucional, a PEC será arquivada. Segundo a jornalista Maria Clara Cabral, da Sucursal da Folha em Brasília, “usando os mesmos argumentos, o deputado [José Genoíno] foi autor de um voto em separado à proposta que, em 1997, permitiu a reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso”. Portanto, o deputado petista por São Paulo foi coerente!
Mauricio Dias, em sua apreciada coluna ROSA DOS VENTOS, na Carta Capital, sob o título “O enterro de um factóide”, comentou: “Coube ao deputado José Genoino, um petista histórico, acabar com a conversa que, ultimamente, só interessava à oposição: a possibilidade de um terceiro mandato para o presidente. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 367/09, com a permissão para duas reeleições continuadas do presidente, dos governadores e dos prefeitos, apresentada por um deputado da base de apoio do governo, virou um factóide da oposição para atacar um suposto apego de Lula ao poder. Para isso foi calculadamente batizada de “PEC do terceiro mandato”. Isso deixava de considerar que ela precisava ser aprovada, que Lula se candidatasse e que, por fim, vencesse a eleição”. Pelo visto, a oposição (PSDB e DEM) já considerava Lula eleito, daí designar a PEC de terceiro mandato de Lula!
Apesar dessas manifestações, Dora Kramer, articulista do Estadão, afirma que, por enquanto, a PEC transita insepulta. Ela diz: “Negativas e gracejos à parte, fato é que emenda da rerreeleição está na pauta do Congresso”. Então, vamos aguardar mais algum tempo.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Junho de 2009

junho 12, 2009

A Surpreendente Concordata da General Motors, por Jasson de Oliveira Andrade

A crise econômica internacional causou a derrocada da General Mortors (GM), que pediu concordata e obrigou o presidente Barack Obama a estatizá-la, ficando com 60% . Para um país que é contra a estatização e defensor da privatização, a medida surpreendeu, mas era inevitável.
No artigo “GM é o espelho para os EUA”, o professor Robert Reich constatou: “Em 1953, a GM era o maior grupo industrial do mundo, um símbolo do poderio americano [ Nesta época, dizia-se: “O que é bom para a GM é bom para os Estados Unidos” ]. A empresa respondia por 3% do PIB do país. Ela era também a maior empregadora dos EUA e pagava aos seus operários sólidos salários de classe média, com benefícios generosos. (…) Hoje, a Wal-Mart é o maior empregador dos EUA. A Toyota é a maior montadora de automóveis, e a GM pediu concordata” (Folha, Dinheiro, 2/6/2009).
O Financial Times, jornal britânico, analisou o que aconteceu com a GM (1908-2009), em artigo sob o título “O fim de uma era nos EUA”. Eis o que disse o jornal: “Não é coincidência o Século Americano ter coincidido com a ascensão e queda da General Motors, que tinha se tornado a maior e a mais lucrativa empresa do mundo quando atingiu a meia-idade. (…) O choque da queda da GM foi amortecido por outros colapsos corporativos espetaculares e outros socorros multibilionários com dinheiro do contribuinte [esta medida era impensável nos Estados Unidos]. Mas, embora a frase “o fim de uma era” tenha ficado gasta ultimamente, ela certamente se aplica neste caso. (…) Se você dissesse a um americano 50 anos atrás que mais carros seriam vendidos na “China vermelha” do que nos EUA e que a GM quebraria e seria salva por dinheiro do governo [americano] em boa parte emprestado de Pequim, ele questionaria sua sanidade.” O jornal termina assim a sua análise: “Poderão existir fabricantes de carros com sede nos EUA daqui a algumas décadas, mas, infelizmente, as mudanças sendo impostas pela nova tutela do Estado são muito suaves, e os rivais asiáticos são mais avançados para permitir que a GM se torne mais do que uma sombra em relação à sua antiga dominação”. Realmente é o fim de uma era nos Estados Unidos!
A derrocada da General Motors me faz lembrar do passado, não muito distante. Naquela época, existiam no Brasil duas correntes. Uma era defensora da estatização. Outra preconizava a privatização. O então presidente Fernando Henrique Cardoso privatizou várias empresas. Aqueles que combatiam essa política eram considerados atrasados, ultrapassados. Era o novo contra o velho, diziam. Atualmente, com a política estatizante dos Estados Unidos, privatistas por excelência, o que esses críticos vão dizer? Que os americanos adotaram a política do atraso? O presidente Barack Obama é um dinossauro, como Roberto Campos designava os que defendiam a estatização? Acho que o fim de uma era dos Estados Unidos foi também o fim de um debate ideológico: privatistas contra estatizantes. E a estatização da General Motors contribuiu para isso, embora o governo Barack Obama tenha prometido devolver a empresa, depois de saneada, à iniciativa privada. Quem pode garantir que no futuro não teremos outras estatizações? Outro fato que merece análise. Nas eleições européias, encerradas em 7 de junho, os conservadores venceram. Entretanto, segundo Giles Lapouge, corresponde do Estadão em Paris, esse resultado é paradoxal. Segundo ele, os governos conservadores “sacudidos pela crise, aplicaram remédios dignos de intervencionistas [estatização] de esquerda”. Sem comentários.
Notícias dão conta que a General Motors do Brasil não será afetada. Tomara!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Junho de 2009

junho 3, 2009

"O Triste Fim da Gazeta Mercantil", por Jasson de Oliveira Andrade

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O Triste Fim da Gazeta Mercantil
Jasson de Oliveira Andrade
 Antes de entrar no assunto deste artigo, recordo o meu início político na década de 50. No livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, à página 15, relembro: “Meu pai, como acontecia com a maior parte dos fazendeiros sanjoanenses, era político e da UDN (União Democrática Nacional). Meninote, ajudava na campanha eleitoral desse partido. Ficava até tarde da noite na casa de meu tio-avô, Luiz Banho de Andrade, dobrando cédulas (como era a eleição daquela época) com o nome de candidatos udenistas, principalmente de Herbert Levy, político que recebia boa votação em São João da Boa Vista”. Foi assim que tomei conhecimento desse político. Depois houve rompimento com os udenistas, o que causou a perseguição depois do Golpe de 64, com a prisão de muita gente naquela cidade, incluindo o autor deste texto. Mas essa é outra história que pode ser lida no referido livro. Por que cito essa passagem política? É que o então deputado Herbert Levy foi o fundador da Gazeta Mercantil, em 1920, que teve uma enorme influência junto aos empresários. Agora, em 2009, melancolicamente, o jornal chegou a seu fim. É essa situação que veremos a seguir.
O jornalista Thales Guaracy, que trabalhou na Gazeta Mercantil, iniciando lá em 1986, escreveu um artigo, sob o título “O fim de um jornal melhor que os seus donos”, no qual, como diz Luiz Antonio Magalhães, faz “um interessante balanço sobre a Gazeta Mercantil”. É desse balanço que vamos transcrever trechos para conhecimento de nossos possíveis leitores.
Relata Thales Guaracy: “A imprensa anda de luto pela Gazeta Mercantil, o jornal que vem estertorando nas mãos da CBM, Companhia Brasileira de Multimídia, de Nelson Tanure. Seu fim não se dá pela crise da imprensa, que vai abalando grandes jornais do mundo, a começar pelo New York Times, nos Estados Unidos, com a prevalência crescente da internet sobre a mídia impressa. É apenas um caso de má administração e incompreensão da natureza de um negócio”. Adiante o jornalista revela o verdadeiro motivo do fim da Gazeta Mercantil, jornal econômico que tinha tudo para dar certo: “Parecia um negócio inexpugnável, e teria sido, não fossem os seus proprietários: a família Levy, cujo patrono, o deputado federal Herbert Levy, deixara a administração do jornal ao filho Luiz Fernando para cuidar de suas atividades políticas. A gestão fez da Gazeta Mercantil o único órgão de imprensa em que trabalhei a atrasar salário. Porto seguro para a publicidade de bancos e outras empresas que tinham no jornal um veículo perfeito, o mal uso dos recursos fazia com que volta e meia a empresa entrasse em dificuldades. (…) Por sorte, naquela época, havia um grupo de empresários que, nos momentos difíceis, socorriam o jornal. Sabiam que ele era melhor que os seus donos. (…) Assim, o jornal prosseguiu não por causa de seus criadores, mas apesar deles: pertencia não a uma família, mas à sociedade. Sempre foi muito respeitado graças ao espírito de corpo dos jornalistas que nele trabalhavam, enquanto seus proprietários eram tratados com reserva. (…) A empresa mergulhou em dívidas e mesmo os seus mais antigos defensores desistiram de salvá-la. Acossado pelos credores, Levy entregou o título a Nelson Tanure, empresário do ramo de transportes, que resolveu investir em comunicação e cobriu-lhe dívidas”. Em vista às dívidas, Tanure resolveu devolver a Gazeta Mercantil a Luiz Fernando Levy, que não a quer de volta. O jornalista diz então: “A Gazeta virará agora uma embrulhada jurídica para que se saiba quem pagará as contas, se Levy ou se Tanure – um tipo de disputa à qual ambos, por sinal, estão habituados”.
Lamentável essa situação: é o triste fim da Gazeta Mercantil, da família Levy. Apesar da divergência que tivemos no passado com o então deputado federal Herbert Levy, não desejava a extinção do jornal, principalmente pelos jornalistas e funcionários. Foi, como disse Thales Guaracy, o fim de um jornal melhor que os seus donos!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
 Junho de 2009

 

LEITURA COMPLMENTAR:
 CBM desiste e Gazeta Mercantil deixa de circular
Jornal teve circulação interrompida; profissionais entraram em férias e podem ser realocados em outras empresas da CBM
MEIO & MENSAGEM
01/06/2009
Como os acontecimentos da semana passada já indicavam, o jornal Gazeta Mercantil deixou de circular a partir desta segunda-feira, 1º de junho. Além da edição impressa, a versão online do informativo de economia também está fora do ar. No lugar do antigo site, aparece apenas um comunicado da Companhia Brasileira de Mídia (CBM), afirmando que a empresa não é mais responsável pela representação das marcas Gazeta Mercantil e InvestNews. A confirmação veio depois de uma semana angustiante. Na quinta-feira, 28, o CEO da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), Eduardo Jácome, informou à equipe de funcionários do jornal que a Gazeta Mercantil – às vésperas de completar 90 anos e outrora o mais importante periódico econômico do Brasil – deixaria de ser publicada pelo grupo na sexta-feira, 29, e voltaria a ser de responsabilidade de Luiz Fernando Levy, seu antigo dono. Os funcionários entrariam em férias remuneradas de 30 dias. Depois desse prazo, eles devem retornar à empresa para que seja definida a realocação em outros projetos da CBM. Quem não for remanejado terá mais 30 dias de aviso prévio. As operações online com o nome da Gazeta e da Investnews também foram suspensas, mas a CBM manteve quatro pessoas para prestar o que definiu como um serviço paralelo na área. O que vai acontecer com a marca Gazeta ainda é uma incógnita. De acordo com informações extraoficiais, Levy teria pedido a Nelson Tanure, o proprietário da CBM, 90 dias para tomar uma decisão, mas a proposta foi negada. Durante as reuniões na sede do jornal, em São Paulo, chegou a ser aventada a hipótese de os próprios funcionários passarem a deter o direito de uso da marca; porém, a ideia também não seguiu adiante. Caso Levy não reative o periódico ou entre em acordo com Tanure, nem os funcionários levantem essa bandeira, há ainda a possibilidade de que a marca vá a leilão – o que já aconteceu no passado, em outros grupos de mídia, com seus títulos, como a revista Manchete, da Bloch.
Os últimos capítulos da história da Gazeta sob o comando da CBM começaram a ser escritos na segunda, 25, quando Tanure informou em um primeiro comunicado que estava devolvendo o título a Levy e, assim, rompendo o contrato de licenciamento de 60 anos para o uso da marca. O principal motivo seria o custo com o passivo da Gazeta. Inicialmente, pensou-se que o problema era basicamente as ações trabalhistas. Mas, segundo fontes ouvidas por Meio & Mensagem, na reunião Jácome citou também a cobrança de R$ 32 milhões em impostos relativos ao período anterior ao contrato com a empresa de Tanure. Conforme matéria da própria Gazeta, desde 2003 os recursos adiantados pela CBM para o jornal chegam perto de R$ 100 milhões.
Sem ilusão
Apesar de Tanure ter afirmado que estava disposto a contribuir com Levy para que o jornal não fosse descontinuado, o primeiro contato deste último com os funcionários não foi nada animador. “Não se iludam, acabou”, afirmou ao telefone aberto no viva-voz para que todos pudessem ouvir, ainda na segunda, 25. No dia seguinte, porém, Levy mostrou-se mais contido ao enviar um comunicado interno à equipe.Lançada em 1920, a Gazeta Mercantil foi por décadas a principal referência do jornalismo econômico do País. A sua circulação paga chegou a ser superior a 120 mil exemplares, e a equipe de jornalistas recebia alguns dos melhores salários do mercado. A qualidade de apuração, a profundidade na abordagem dos temas e os desenhos em bico-de-pena tornaram-se algumas das marcas do jornal. Na virada para os anos 2000, a má gestão da empresa começou a emperrar, e os salários, a atrasar. Também entrou em cena um concorrente na área em que até então a Gazeta reinava absoluta: o Valor Econômico. Em 2001, a crise tornou-se aguda com a greve dos funcionários do jornal, que exigiam o pagamento dos salários. Dois anos depois, em dezembro de 2003, Tanure fechou o acordo de licenciamento com Levy. O rompimento do contrato ocorre logo após a alta temporada de publicação de balanços financeiros, uma das principais fontes de receita da Gazeta e segmento em que o jornal é vice-líder de mercado (o Valor lidera o ranking). Mas o pagamento das agências à Gazeta já eram todos feitos em juízo para garantir o cumprimento de dívidas. A Justiça também penhorou ações da Intelig, controlada por Tanure, para garantir o pagamento de dívidas trabalhistas da Gazeta.
O empresário está em negociações para vender a operadora à TIM. Procurados pelo M&M, a diretoria da CBM e Levy não se pronunciaram. A Gazeta deixou de ser filiada ao Instituto Verificador de Circulação em setembro. Na ocasião, a sua circulação média por semana era de 70 mil exemplares.

maio 22, 2009

"CPI da Petrobrás: Tucanos derrotam Lula", por Jasson de Oliveira Andrade

CPI da Petrobrás: Tucanos derrotam Lula
Jasson de Oliveira Andrade

Cláudio Weber Abramo, diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, no artigo “A Marcha dos Espertos”, afirma: “O Legislativo deixa de fiscalizar o Executivo por ser cooptado. A primeira providência do prefeito, governador ou presidente da República eleito é montar uma base de apoio parlamentar. Para isso, convoca os partidos políticos e lhes propõe um negócio: votem comigo, me apóiem, não me chateiem com cobranças e em troca fiquem com tais e quais pedaços da administração. É o processo de loteamento do Estado. (…) Em outras palavras, o Legislativo não vigia o Executivo e deixa a tarefa de legislar a este por ser comprado. Não há outra expressão que defina com mais precisão o que acontece”. Se verdadeira essa afirmativa, por que os tucanos conseguiram a CPI da Petrobrás no Senado, derrotando o presidente Lula? O governo federal não tem a maioria naquela Casa? Tem, teoricamente, uma base de apoio parlamentar. No entanto, alguns deles romperam esse apoio.
Qual foi o motivo desse rompimento? É que o governo, através do ministro da Defesa, Nelson Jobim, demitiu da Infraero apadrinhados do alguns senadores do PMDB. Agora, eles apoiaram os tucanos e ajudaram a criar a CPI da Petrobrás. O PSDB foi vitorioso graças ao fisiologismo peemedebista. Segundo o jornalista Janio de Freitas, no artigo “CPI ao gosto de todos” ( Folha, 17/5/2009 ), “a oposição investiu na CPI e alguns fisiológicos da “base aliada do governo” a apoiaram pelo motivo mais reprovável: o interesse meramente político”. O Estadão de 20 de maio, em manchete de primeira página, noticiou: “PMDB usa CPI para pressionar governo”, dizendo ainda: “Com a CPI da Petrobrás instalada, o PMDB deu ontem [19/5] sinais de independência em relação ao Planalto. Com três dos 11 senadores titulares, o partido será o fiel da balança e quer usar a comissão para BARGANHAR ( destaque meu) com o governo”. Por aí se vê que mesmo com maioria, o governo pode ser derrotado, graças ao apetite fisiológico da base aliada!
O estranho é que o mesmo PMDB deu e ainda dá apoio aos tucanos quando governo. Na gestão de Fernando Henrique Cardoso, o partido ajudou a impedir CPIs, entre outras, no dizer de Janio de Freitas no citado artigo, “as ostensivas prevaricações na privatização da telefonia”. O mesmo aconteceu com os pedidos de CPIs nos governos estaduais de Geraldo Alckmin e José Serra. Até mesmo na Administração da governadora Yeda Crusius, tucana do Rio Grande do Sul. Lá os deputados do PMDB impediram uma CPI baseada em denúncias da revista VEJA! Para os tucanos nada, para o governo Lula sim. Por quê? Estranho! Aparentemente é que alguns apadrinhados foram demitidos. Ou será que os peemedebistas têm fome demais? Será que os tucanos aceitam essas investidas fisiológicas e o Lula, não?
Quanto à CPI da Petrobrás, Janio de Freitas comenta: “A ocasião da CPI é imprópria para a Petrobras por enfraquecer sua administração quando discute financiamentos internacionais, uma multidão de contratos com fornecedores estrangeiros, batalha contra pressões para entrega do pré-sal a concorrentes e a capitais privados. (…) E o pré-sal, causa de toda essa ação atual na empresa [ e que foi motivo do pedido da CPI ], é estratégico não só para a Petrobras, porém ainda mais para o país”. Será que o pedido não seria para facilitar a entrega do pré-sal aos concorrentes e a capitais privados? Os tucanos desmentem com veemência a essa insinuação.
Vamos aguardar o andar dessa CPI, esperando que ela não traga prejuízos insanáveis à Petrobrás e, assim, também ao Brasil.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Maio de 2009
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