ENCALHE

maio 12, 2008

Imprensalão joga a ética pela janela. E cuida de cortar a rede antes.

Li algo no Folhão que me lembrou duma coisa: tem gente reclamando que alguns se queixam da cobertura – ou linchamento, como eu prefiro – que o imprenslão tá dando ao caso da menina Izabella.
Aí a polícia foi, cheia de fogos de artifício, prender o casal. E nós, os comunistas, reclamando de toda este oba-oba. Oras, quando tentavam desqualificar as ações da Polícia Federal, diziam que havia “pirotecnia”, e coisa e tal ( lembremos do caso DASLU ). Só que a PF faz as operações de surpresa. No caso dos Nardoni, tem havido um tremendo Big Brother acompanhando todos os passos do casal, dos promotores e da polícia. Uma onipresença.
Depois eu volto ao assunto. Esta semana eu consegui a proeza de ler a vEJA quase inteira, e há muito o que comentar. Mas, se eu não voltar ao assunto, ninguém perde nada.

maio 9, 2008

Revelação MUITO IMPORTANTE sobre o tal Nardoni…

Filed under: imprensalão, Izabella Nardoni, Justiça, linchamento — Humberto @ 1:46 pm
Maravilha!! Depois de um ligeiro abandono, eis que Vinícius volta com febre total!! E segue abordando o “caso” Izabella. Só prá não ter que falar sobre a vitória palestrina sobre o Tricolor…
VINÍCIUS DUARTE
Com Fel e Limão
08 Maio, 2008
O barato tá ficando louco!!! A imprensa que cobre o caso Isabella, agora que foi decretada a prisão preventiva do casal, perdeu totalmente os pruridos: “Enfim presos!”, manchetou na capa o “Diário de São Paulo”, numa página negra com a foto dos dois no camburão. Beleza, tudo resolvido… [ Humberto: "Ô, Vinícius... E a manchete do mesmo jornal, ontem? 'Povão lava a alma ( ... )' ! AAARGHH! " ]
Não está, e os envolvidos diretamente no caso (delegados e promotores), estão contando (e muito) com o tal “clamor popular” para sanar os problemas na investigação. E, para isso, concedem muitas entrevistas aos canais de TV, visando sedimentar na população o ódio aos acusados e garantir a condenação em júri popular. Faz parte do jogo, e nada há de ilegal nisso.
Agora, a nossa imprensa… Acabei de ligar a TV, num jornal da Record, e o apresentador, de posse de uma lista onde continha o nome de Alexandre Nardoni, apregoava: “Essa lista aqui vai ser uma grande surpresa… Daqui a pouco eu vou contar O QUE Alexandre Nardoni planejava fazer no dia 18 de maio!!!”. Para sustentar a audiência, repetia a cada 3 minutos, com o papel na mão, que iria revelar fatos estarrecedores sobre o pai de Isabella. O trouxa aqui ficou esperando…
Uns dez minutos depois, vem a “estarrecedora revelação”: Alexandre Nardoni estava INSCRITO EM UM CONCURSO PÚBLICO, para Delegado de Polícia!!!!! E daí???? Qual a importância dessa revelação para a elucidação do caso? Será que ele matou a filha por medo de não passar no concurso? Ou será que foi porque ficou madrugadas estudando e ficou estressado? Ah, pode ser que o Alexandre, burrinho que é, tivesse pensado: “vou me inscrever na puliça, aí posso matar minha filha e os meus camaradas da delegacia aliviarão minha barra!”.
Chega de Isabella, Nardoni, Jatobá. Chega! Vão lá pra Câmara dos Deputados ver o que o Maluf está aprontando, com seu projeto (aprovado na CCJ da Câmara!) visando intimidar o Ministério Público nas denúncias contra “OTORIDADES PÚBLICAS” como ele. Afinal, se tem um cara que não pode ver Promotor na frente, é ele. Ah, não, isso é muito chato… Legal é ver marca de sangue com luminol e lista de inscritos em concurso na TV.
A “CORDA”, BRASIL!!!

maio 8, 2008

Para o leitor de vEJA, "Escola de Frankfurt" é curso de culinária com foco em embutidos e salsichões!!

Eu sempre me utilizo da história da “roupa nova do rei”, para ilustrar um ponto de vista. Para que não leu, é o seguinte: uns charlatães, se fazendo passar por costureiros famosos, enganaram um rei fútil e vaidoso. Como? Disseram que criariam uma roupa belíssima, mas que só poderia ser enxergada por quem fosse inteligente. Ninguém enxergava a roupa, que não existia de fato, mas não diria isso jamais. Pois isso seria admitir não ser inteligente. Sem contar que não se podia ir contra os “especialistas”, os costureiros que disseram que a roupa era bela, especial, pedra 90. Eles, afinal, entendem do riscado. Se falavam que a roupa era sensacional, quem ousaria afirmar que a roupa não existia? Alguns devem ter pensado em eufemisar, dizendo algo como “para uma peça inexistente, até que é linda, mesmo” ou “se eu estiver enxergando bem, creio que o caimento é meio batido”.
O caso da menina Izabella, ao qual eu passei ao largo, teve um encaminhamento óbvio: as investigações levara ao casal, imputando-o pelo assassinato. Mas não houve ainda a palavra final da Justiça.
Isso não impede que lixos-humanos se amontoem na frente de locais, que se tornaram pontos de vigília, e que tenham algo a ver com o caso. A casa dos Nardoni, dos pais de Alexandre e de Carolina, do Carandiru, de delegacias que acolham os acusados, do IML.
O que desejam? Não sei. Não são parentes, nem nada. De minha parte, creio que estamos diante de mais uma comoção fabricada. Com qual propósito? Não sei.
Mas as vigílias encontraram no Reinaldo “Nostra Caixa” Azevedo um defensor. Podem ler a sua coluna em vEJA desta semana. As pessoas contrárias ao linchamento mediático e à macaquice de populares são comunistas.
E o Reinaldo gasta. Fez menção aos pós ( ou “pré”? Estou tirando pela memória. ) maoístas de Paris 68 e à Escola de Frankfurt. Como eu sou leigo – e admito isso – não tenho o que dizer, exceto o seguinte: o leitor da vEJA tampouco. Só que, salvo alguns, jamais admitirão. A maioria deles, calculo, continuará embevecida, com o arcabouço cultural superior de Reinaldo e orgulhosa de si mesma por acompanhar semanalmente os escritos de pessoa tão culta.
A Reinaldo desagrada as críticas que estão sendo feitas com relação ao linchamento mediático do casal Nardoni e às manifestações “populares”, o tal amontoado de lixos-humanos a que me referi acima. Os detratores, segundo Reinaldo, rezariam a cartilha comunista que desqualifica qualquer manifestação popular que não contenha um componente ideológico de esquerda. Tipo, pela reforma agrária. Aquela coisa de sempre. O povão só serviria, então, para bucha de canhão de revoluções proletárias e só.
Não vou discutir isso. Só vou relatar o que vi, num dia desses na banca de jornal que frequento diariamente, para filar jornal e revista de graça ( o dono não pode se negar a deixar, já que tenho um dossiê mostrando suas atividades extra-conjugais com travestis ).
Mãe, amiga e duas crianças. Entram na banca e pedem algo, que o jornaleiro vai procurar. Enquanto isso, as crianças começam a brincar. De repente, escuto a voz da mãe:
- Eu já falei prá parar de ficar um apertando o pescoço do outro!! Pára com isso!
Quem, quando criança, não brincou de luta? De soquinho?
Apertar o pescoço? De onde será que tiraram isso, as crianças brincalhonas?
Entre os “manifestantes” populares, que participam das vigílias, estava uma avó que levou os netos para visitar e conhecer o prédio onde ocorreu o crime. As crianças, disse, estavam revoltadas. Têm entre 4 e 5 anos e já adquiriram consciência da Justiça.
Na mesma vEJA, o Diogo lamenta que a história de uma mulher que teve seu corpo destruído e queimado com pneus ( acho que no Rio ) não tenha tido destaque algum. Pedisse à vEJA, oras.

Caso Isabella – O condenado passa a corda no pescoço do algoz

Eu consegui passar 99% de toda essa campanha linchatória, imune ao que se falava. Como assim? Excluíndo a inevitável e involuntária – não sou cego, afinal – passada d’olhos nas manchetes e capas, todas elas dizendo e desdizendo o que já havia sido negado, fotos e etc e tal, eu consegui praticamente ignorar tudo o que se passava e o que se falava.
Então, prefiro reproduzir abaixo a opinião de Vinícius Duarte – redigida há alguns dias – que, creio, deve ter mais condições de examinar o que vem sendo esta lavagem cerebral.
Além disso, nesse ínterim, o imprensalão descolou outro personagem a ser linchado: o Fenômeno, que teria feito uma fuzarca com três mulheres com algo mais. A vEJA saiu na frente, e lamentou, na capa, a “queda” do Ronaldo, que “preferiu” ser um Maradona, quando podia ter escolhido ser um Pelé. Não sei o que a revista quis dizer com isso, já que, até onde sei, o Maradona jamais teve amizades estranhas e negócios suspeitos com estas amizades estranhas, sempre envolvendo muito dinheiro. Como todos sabemos, até o Diabo em pessoa merece respeito da editora aBRIL, se tiver dinheiro e bons negócios.
Lembrando que, se fosse posta a questão de “paternidade”, penso que o Craque do Século não tenha sido bem, um exemplo. Enfim, já que não li a matéria da vEJA, estou boiando na comparação que fez entre os dois jogadores.
Poucos dias depois, tudo o que se disse a respeito do affair pode ser amontoado e jogado no lixo, já que as meninas admitiram que contaram uma história mentirosa para chantagear o jogador.
VINÍCIUS DUARTE
30 Abril, 2008
Com Fel e Limão
Mino Carta diz, com toda razão, que a imprensa brasileira é medieval. E, se quiserem ter certeza disso, basta acompanhar o comportamento dos produtores de notícia sobre o caso Isabella. No afã de condenar, pegar e “justiçar” o casal, estão na iminência de ter de noticiar a absolvição dos indiciados.
O deprimente espetáculo de montar guarda na casa dos pais dos acusados e na delegacia, sempre cercados de uma claque não menos deprimente, a necessidade insana de preencher horas e horas de boletins ao vivo, entrevistando qualquer um que passe na rua, advogados e promotores que não têm acesso aos autos dando palpites, peritos que não estão no caso emitindo “laudos”, e o pior de tudo, contaminando com seus holofotes a atuação do promotor ( que parece curtir a fama ) e policiais envolvidos no inquérito, divulgando versões e desmentidos diários: “tem vômito”, “não tem vômito”, “tem sangue”, “não tem sangue”, “tem fuga”, “não tem fuga”…
Enquanto isso, quietinha – afinal, ninguém quer ouvir o vilão, a não ser para que confesse -, a defesa do casal trabalha direitinho para desqualificar, em juízo ( é lá que a coisa se resolve! ), todos os laudos periciais e provas dos autos. A cena do crime foi alterada, por ineficiência da polícia, que não a preservou; as evidências foram coletadas de maneira atabalhoada; começaram a tratar o crime como acidente, tiraram o corpo do local e colocaram no Resgate; enfim, Didí Mocó conduziria melhor esse inquérito. Agora o delegado tenta consertar, faz “reconstituição” para a imprensa filmar, morrendo de medo do crime ficar impune. E a imprensa elogiando a polícia…
O pai do Alexandre é advogado tributarista, mas é macaco velho: bagunçou tudo e agora vai ser difícil colocar cada coisa no seu lugar e chegar aos culpados.
Parafraseando Mino ( novamente ), até o mundo mineral sabe quem são os culpados. Mas isso não interessa à Justiça, pois esta é movida pela CONVICÇÃO. E é isso que as pessoas não entendem, apesar de escreverem “JUSTIÇA” em suas ridículas camisetas com fotos da menina. É que, para que haja CONVICÇÃO da Justiça, as etapas desse convencimento devem ser TODAS cumpridas. E, ao que parece, algumas foram “esquecidas” pelos agentes públicos envolvidos no caso. E não será a valorosa imprensa que as restituirá.
Se William Bonner e Percival de Souza tiverem que anunciar a absolvição do casal Nardoni, que o façam com um pedido de desculpas anexo.

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.