ENCALHE

novembro 22, 2007

Venezuela: deputada perde a paciência com falso jornalista que usa morte de seu filho para lhe atacar

A acalorada polêmica ocorrida durante um programa de televisão de um canal do estado de Táchira entre o apresentador Gustavo Azócar, e a deputada Íris Varela, do Partido Socialista Unido da Venezuela, PSUV, foi repercutida em vários órgãos de comunicação sem esclarecer os motivos que a provocaram.
Azócar, conhecido político de oposição dessa região que diz ser um ‘isento profissional da imprensa’, utilizou o programa que detém para agredir a deputada Íris Varela, uma das mais ativas e reconhecidas parlamentares da Venezuela. O apresentador lançou um livro intitulado ‘Histórias negras de próceres vermelhos’, no qual difama personalidades públicas venezuelanas. Num dos capítulos chama a deputada Íris Varela de louca e afirma que teria ficado afetada após perder seu filho em 1992.
Não satisfeito com a agressão, Azócar foi mais longe assegurando que o fato da criança ter morrido poucos dias depois de nascer era conseqüência de problemas congênitos, culpa da genética da parlamentar. Na opinião de Azócar, seria uma sorte de marca que faz Íris odiar visceralmente os opositores.
“Nesse conjunto de barbaridades que chama de livro, Azócar se mete com meu filho morto, que é o que mais pode doer a uma mulher”, afirmou a deputada. Varela disse que ficou no canal, depois do programa para o qual era convidada ter acabado, esperando o jornalista para pedir direito a réplica, que lhe tinha sido repetidamente negado. “Ele não quer ceder esse direito até porque, como é ele vai defender essa coleção de mentiras e ataques?”, ponderou.
“Às vezes o coração fala mais alto e quando me foi dito que não haveria nenhum direito de resposta e foram repetidos vários insultos, entrei no estúdio”, assinalou a deputada, denunciando ainda que foi agredida pelas costas fora da câmara.
Íris tomou o microfone da mão do apresentador, e garantiu, afinal, o direito à palavra. Assegurou que não o processou por injúria e difamação, porque “isso é o que ele quer, ir preso para se declarar preso político e dizer que atentamos contra a liberdade de expressão”.
“Vários jornalistas vamos solicitar ante o Tribunal Disciplinar Nacional que se inicie uma ação contra Gustavo Azócar, para deixar claro que a maioria dos jornalistas estamos contra suas práticas mercenárias e antiéticas, pois sempre tem atuado atropelando o código de ética do jornalista e a dignidade do povo venezuelano e de Táchira, onde se aboletou para desenvolver suas atividades pouco ajustadas aos costumes e dignidade deste estado andino”, informou Luis Roberto Mendoza, da Associação de Jornalistas de Táchira, acrescentando que Gustavo Azócar apela a agressões como a cometida contra Íris, sabendo que existem fatos dolorosos na vida das pessoas que as atingem de forma mais profunda e “tenta usar sua condição de apresentador de televisão para obter benefícios pessoais e políticos sem lhe importar os danos morais que seus ataques sem fundamento possam causar”.
“É tão repugnante o que escreve Azócar, que o título de um dos capítulos é ´Íris: a mãe que não pôde ser’. Semelhante baixeza lhe tira a condição de jornalista e de homem, porque algo assim só é digno de uma galinha (com o perdão das galinhas). Se fosse pouco o insólito título, que ataca a mulher no mais íntimo de seu ser, em sua mais profunda dor, tudo o que segue a continuação é uma mentira terrível, sustentada (segundo diz o próprio Azócar na cloaca que escreveu) em testemunhas anônimas de contos que lhe contaram. Não dá um só dado real, não nomeia uma só pessoa, não precisa absolutamente nada, sobre o fato ocorrido, e insinua que esta é a razão da deputada ter conduta ressentida”, escreveu a ex-vice-ministra de Relações Exteriores, Mary Pili Hernández, em artigo publicado na quarta-feira, dia 21.
Hora do Povo
23/11/07

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