ENCALHE

julho 1, 2009

"Fúria arrecadatória" brasileira poupa os ricos, justamente esses que se queixam da "fúria arrecadatória". Demagogia pra consumo da classe-média tosca

AQUI, SEM-BENS PAGAM 78% MAIS IMPOSTOS DO QUEM TEM
No Brasil proprietário paga menos impostos
MONITOR MERCANTIL, 30/06/2009
Brasília – O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, disse que, no Brasil, “ser proprietário é ser beneficiado pelo sistema tributário”. Pochmann, que apresentou o estudo Receita pública: Quem paga e como se gasta no Brasil, reconheceu que as isenções tributárias concedidas desde o início do governo pouco alteraram o quadro de injustiça tributária.
O estudo aponta que os brasileiros que não possuem propriedade arcam com uma carga tributária 78,1% superior ao que pagam os proprietários: “Quem tem propriedade é beneficiado pelo sistema tributário”, disse.
O estudo mostrou que cerca da metade da renda dos brasileiros que ganham menos (até dois salários mínimos) é transferida para os cofres públicos. O peso da carga tributária sobre esses brasileiros é 85,8% maior do que a de quem ganha mais de 30 salários. “É um enorme diferencial”, disse o presidente do Ipea.
Segundo ele, um dos motivos para essa injustiça tributária é o grande número de tributos indiretos: “A experiência dos países desenvolvidos aponta a importância da elevação dos tributos diretos, dos impostos sobre a riqueza, a redução dos impostos indiretos que incidem sobre o consumo básico e alimentação e transporte”, comparou.
Pochman evitou, porém, comentar o risco de as novas desonerações tributárias concedidas pelo governo Lula para enfrentar a crise agravarem o quadro.
Segundo ele, as desonerações estão sendo feitas sem considerar a justiça tributária: “Estão sendo feitas sob o ponto de vista da emergência do enfrentamento da crise, considerando justamente os setores que têm maior impacto na geração de empregos. A preocupação geral das isenções é a de gerar emprego”, avaliou.

junho 3, 2009

"Aumento de servidores: pecado ou virtude do governo?", por Carlos Lessa*

Pelas notícias e pelo tratamento dado a esta questão pela mídia brasileira e por algumas instituições formadoras de opinião, a ampliação do quadro de servidores públicos seria um erro estratégico e um pecado em relação à economia e sociedade brasileiras. Tem sido quase universal a “denúncia” de aumento dos gastos de custeio da administração federal. Neste item, a massa salarial do funcionalismo é a principal componente, sendo resíduo tudo o que é necessário para que os serviços públicos sejam executados. Por exemplo, a “Folha de S. Paulo”, em 17/05, enuncia que “Lula anula enxugamento de servidores”. A atual administração é acusada de haver cancelado o esforço de enxugamento de funcionários públicos realizado pela administração FHC, cujo governo teria reduzido o funcionalismo a 599 mil pessoas, porém Lula elevou, em 2008, para 671 mil. Este contingente, mais os servidores aposentados e militares, absorvem 5% do PIB.
Este aumento pode ser virtuoso ou pecaminoso. Em 2002, o Ministério do Meio Ambiente tinha 7.100 servidores e, em 2008, 9.500; em início de 2003, quando presidente do BNDES, ouvi de Marina Silva a declaração entusiasmada com a contratação de 73 novos analistas de meio ambiente, qualificados para o exame de RIMAs (Relatório de Impacto do Meio Ambiente) e fiquei assustado com a exiguidade do contingente. Somente no BNDES, havia 17 contratos de financiamento para novas usinas hidrelétricas paralisados por ausência de exame do MMA. É quase universal a queixa quanto à lentidão dos pareceres ambientais. Este é um dos retardadores do PAC. Como reitor da UFRJ, conheci de perto os dramas de falta de pessoal e complemento de custeio para ampliar e melhorar os programas docentes. Cursos premiados com avaliação máxima só dispunham de professores com mais de 50 anos; inexistiam jovens professores auxiliares de ensino cuja qualificação e assimilação de padrões permitiria a continuidade e preservação da qualidade e fecundidade do curso. Entre 2002 e 2008, cresceu o número de servidores na educação, com 14.100 novos quadros. Este reforço oportuno é “uma gota d”água” nas necessidades educacionais brasileiras.
Em avaliação de gasto com pessoal e outros itens de custeio, deve ser examinado se o crescimento foi com atividades-meio ou com atividades-fim. Se os 14.100 novos servidores da educação fossem para atividades-meio (planejamento, controle de execução, administração de material, etc), haveria uma macrocefalia e continuidade de fraqueza e insuficiência operacional no ensino público. Tenho certeza que, em sua imensa maioria, os novos servidores são professores e auxiliares técnicos nos estabelecimentos oficiais de ensino do governo federal, que continua com dramática falta de pessoal.
A Constituição de 1988 declara que “a saúde é um direito do cidadão e um direito do Estado”. É impossível garantir minimamente o direito à saúde sem ampliar substantivamente os quadros públicos de pessoal médico. As unidades de saúde se ressentem da falta de pessoal em praticamente todo o território nacional.
Proporção
O Brasil é um dos países do mundo que têm menor proporção de servidores federais por mil habitantes. Alemanha, França, Inglaterra, Japão e EUA têm percentagens que vão de 6,1% a 38,5% da população; o Brasil tem apenas 5,3%.
Segundo a “Folha”, os gastos anuais do governo federal com pagamento de juros terão tido uma redução de R$ 40 bilhões entre abril de 2006 e fevereiro de 2009; neste período, as despesas com pessoal cresceram cerca de R$ 40 bilhões. É óbvio o mérito da ampliação das políticas públicas em relação ao vazadouro de juros. Como reitor da UFRJ, necessitava de novas obras (investimento), porém estive desesperado com a falta de professores. Coloquei a placa de inauguração do Centro de Medicina Nuclear mas não consegui número de pessoal para operá-lo adequadamente. Qualquer diretor de escola pública irá viver este tipo de carência. O investimento público é fundamental, mas para ser utilizado exige ampliação de custeio. Nada é mais prioritário para o país do que manter e operar adequadamente os bens públicos. Por exemplo, todos os anos morrem no Brasil, em acidentes de trânsito e de tráfego, quase 50 mil irmãos (o total de americanos mortos nos dez anos de conflito com o Vietnã foi apenas pouco superior); 300 mil são hospitalizados, ficando em leito nove dias, em média; dezenas de milhares ficam com sequelas. No Japão, o número de acidentados por mil veículos é 1/6 dos números do Brasil. É visível que a prioridade, no Brasil, seria conservar as rodovias existentes, aumentar a segurança (inclusive com a contratação de novos policiais) e reformular os sistemas de transporte coletivo urbano e metropolitano, evoluindo da modalidade automotora para o transporte sobre trilhos. Além da redução de mortes estúpidas, da “produção” de portadores de deficiência, das incontáveis horas de dor e medo, se, no Brasil evoluíssemos para um índice próximo ao japonês, estaríamos ampliando as vagas no sistema médico-hospitalar. Entretanto, nos anos FHC e nos dois mandatos de Lula foi crônica a insuficiência de verbas de manutenção rodoviária, mas ausente do noticiário e do contencioso sequer a discussão sobre a urgência de reforma do sistema circulatório metropolitano.
A partir de 2006, houve alguma recuperação salarial em diversas carreiras do serviço público federal. As políticas públicas precisam de pessoal qualificado, deve haver algum estímulo para a progressão na carreira do servidor e um horizonte à aposentadoria digna. Estas são regras criadas pelo “public service” na Grã-Bretanha no Século XIX. Logo após a Revolução Francesa, a visão aperfeiçoada da instituição democrática considerou o funcionário público um servidor do Estado e da nação e não um assalariado a serviço do governante do momento. O acesso por concurso público, a estabilidade do vínculo empregatício, a estrutura das carreiras e a segurança da aposentadoria compõem as exigências que diferenciam o servidor público do assalariado empregado privado. Em economias de mercado, o setor privado paga mais ao assalariado do que ganha o servidor em função equivalente. Na crise, o setor privado desemprega e “lava as mãos”, como Pilatos. O salário do servidor é uma certeza para o “mercado” e lhe atenua a crise. Naturalmente, a estabilidade, depois de três anos de estágio probatório, do servidor concursado gera inveja e dá suporte à tese de “contenção do gasto público”. Debilitar o Estado num cenário de crise é enfraquecer a instituição que pode superar e consertar os desvios da economia de mercado.
*Carlos Lessa é ex-presidente do BNDES e professor-titular de economia brasileira da UFRJ.
( Texto publicado no Hora do Povo, edição 2770, 03.06.09 )

maio 26, 2009

Impostos diretos podem corrigir injustiça tributária, avaliam especialistas

Filed under: concentração de renda, impostos e taxas, IPEA, Márcio Pochmann — Humberto @ 9:39 pm
Portal do Consumidor, 26/5/2009
Brasília – A Constituição Federal de 1988 tem dois instrumentos que podem reduzir o peso dos impostos sobre as pessoas com menor renda e propiciar maior contribuição daqueles que tem mais rendimentos, patrimônio e se beneficiam diretamente das melhorias feitas pelo Estado. Os constituintes estabeleceram o imposto sobre fortuna e a contribuição de melhoria. Mas tais mecanismos continuam sem regulamentação.
A Constituição prevê inclusive que a tributação deverá ser proporcional à condição socioeconômica do contribuinte. “Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte”, diz o artigo nº 145.
Apesar dos dois mecanismos constitucionais ( criados há 21 anos ), segundo especialistas, não há movimento aparente no Congresso Nacional para regulamentar os artigos e gerar maior equilíbrio tributário. “O que falta é vontade política para aplicar. Não se aplica porque o sistema político não quer ser controlado. O sistema político é para que o estado concentre renda e riqueza”, critica o professor e economista Adriano Biava, da Universidade de São Paulo (USP).
Para Amir Kahir, consultor na área de finanças públicas, “o domínio das decisões tributárias se dá no Congresso Nacional e a representatividade do parlamento não espelha exatamente os interesses da população, especialmente a população de menor renda. Consequentemente, nunca se conseguirá aprovar o imposto sobre grandes fortunas”. O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, nota que as definições das políticas públicas, gastos e arrecadações se dão “por meio da pressão política”, o que demostra articulação de alguns setores sociais e a desorganização política de outros.
Na opinião de Pochmann, o país tem que “usar a política tributária como política de redistribuição. Precisamos diminuir impostos indiretos [sobre mercadorias, serviços e produtos] aumentar impostos diretos [renda e patrimônio]”. Ele lembra que, a cada R$ 3 arrecadados, R$ 2 derivam de impostos indiretos (Imposto sobre Produto Industrializado, Imposto sobre Serviço, e Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). “Há uma carência de impostos para segmentos mais privilegiados”, aponta Pochmann. O professor Adriano Biava concorda e opina que, além da Constituição, a Lei de Responsabilidade Fiscal fornece instrumentos para se promover justiça tributária. “Pela lei, o agente público que não aplica os impostos poderia ser responsabilizado ”, diz.
Fonte: Agência Brasil

Impostos diretos podem corrigir injustiça tributária, avaliam especialistas

Filed under: concentração de renda, impostos e taxas, IPEA, Márcio Pochmann — Humberto @ 9:39 pm
Portal do Consumidor, 26/5/2009
Brasília – A Constituição Federal de 1988 tem dois instrumentos que podem reduzir o peso dos impostos sobre as pessoas com menor renda e propiciar maior contribuição daqueles que tem mais rendimentos, patrimônio e se beneficiam diretamente das melhorias feitas pelo Estado. Os constituintes estabeleceram o imposto sobre fortuna e a contribuição de melhoria. Mas tais mecanismos continuam sem regulamentação.
A Constituição prevê inclusive que a tributação deverá ser proporcional à condição socioeconômica do contribuinte. “Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte”, diz o artigo nº 145.
Apesar dos dois mecanismos constitucionais ( criados há 21 anos ), segundo especialistas, não há movimento aparente no Congresso Nacional para regulamentar os artigos e gerar maior equilíbrio tributário. “O que falta é vontade política para aplicar. Não se aplica porque o sistema político não quer ser controlado. O sistema político é para que o estado concentre renda e riqueza”, critica o professor e economista Adriano Biava, da Universidade de São Paulo (USP).
Para Amir Kahir, consultor na área de finanças públicas, “o domínio das decisões tributárias se dá no Congresso Nacional e a representatividade do parlamento não espelha exatamente os interesses da população, especialmente a população de menor renda. Consequentemente, nunca se conseguirá aprovar o imposto sobre grandes fortunas”. O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, nota que as definições das políticas públicas, gastos e arrecadações se dão “por meio da pressão política”, o que demostra articulação de alguns setores sociais e a desorganização política de outros.
Na opinião de Pochmann, o país tem que “usar a política tributária como política de redistribuição. Precisamos diminuir impostos indiretos [sobre mercadorias, serviços e produtos] aumentar impostos diretos [renda e patrimônio]”. Ele lembra que, a cada R$ 3 arrecadados, R$ 2 derivam de impostos indiretos (Imposto sobre Produto Industrializado, Imposto sobre Serviço, e Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). “Há uma carência de impostos para segmentos mais privilegiados”, aponta Pochmann. O professor Adriano Biava concorda e opina que, além da Constituição, a Lei de Responsabilidade Fiscal fornece instrumentos para se promover justiça tributária. “Pela lei, o agente público que não aplica os impostos poderia ser responsabilizado ”, diz.
Fonte: Agência Brasil

maio 19, 2009

Dieese estima que redução de jornada gere 2,5 milhões de empregos

Filed under: Dieese, IPEA, trabalho ( jornada ) — Humberto @ 10:45 pm
Dieese estima que redução de jornada gere 2,5 milhões de empregos
O coordenador de educação do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Nelson Karam, estima que a redução da jornada de trabalho teria a capacidade de gerar 2,5 milhões de novos postos no Brasil. Durante audiência pública promovida pela Comissão Especial da Jornada Máxima de Trabalho, ele acrescentou que a redução de 44 para 40 horas teria um impacto para a indústria de 1,99% . “Isto seria perfeitamente absorvível pelo setor industrial brasileiro”.
Segundo informou, uma pesquisa do Dieese feita em 2008 em São Paulo mostrou que 37,8% dos trabalhadores tinham jornada maior que 44 horas semanais. Na indústria, seriam 32,3%, e no comércio, 56,5%. O coordenador acrescenta que entre 2002 e 2008 a produtividade no Brasil cresceu 23%.
Para Karam, esse seria um bom argumento para mostrar a viabilidade da redução da jornada de trabalho. Ele também citou que na França a jornada de trabalho é de 30 horas; no Japão é de 42 horas; na Itália, 38 horas; e na Inglaterra, 39.
“O custo da hora trabalhada no Brasil, é de 5,9 dólares (cerca de R$ 12), enquanto nos Estados Unidos, é de 24,59 dólares; no Japão, 19,75; e na Coréia, 16 dólares. Isso mostra a baixa participação dos salários no custo da produção brasileira.”
Karam enfatiza que na indústria, por exemplo, essa participação seria de 22%.
Segundo Karam, já foram feitos mais de 30 acordos de redução de jornada em diversos setores, “o que mostra que é possível de se efetivar”.
A comissão discute a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 231/95, que reduz a carga horária máxima semanal de 44 para 40 horas e aumenta o valor da hora extra de 50% do valor normal para 75%. O debate prossegue no plenário 5.
Leia mais:
Relator defende redução de jornada por meio de lei
Sociólogo defende isenção de tributos para gerar empregos
Pesquisador do Ipea defende reduzir jornada com melhoria de salário
Reportagem – Marise Lugullo
Edição – Regina Céli Assumpção
(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura ‘Agência Câmara’)
Agência Câmara
Tel. (61) 3216.1851/3216.1852
Fax. (61) 3216.1856
E-mail:agencia@camara.gov.br

maio 5, 2009

Números da crise: tchau, marolinha?

Filed under: CNI, crise econômica mundial, economia brasileira, exportações, IBGE, IEDI, IPEA — Humberto @ 9:13 pm
Presidente da CNI vê sinais de recuperação na indústria
05/05/2009
Agência CNI

Brasília – O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, afirmou nesta terça-feira (05) que a alta de 0,7% da produção industrial em março, em comparação com fevereiro, mostra que a queda-livre experimentada pelo setor no fim do ano passado e no começo deste foi interrompida.
“Há sinais tênues de que a atividade possa estar evoluindo de forma positiva neste segundo trimestre”, disse Monteiro Neto, que participa, ao comentar dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de prever um início de recuperação, Monteiro Neto ressaltou que não se deve exagerar no otimismo. “No segundo trimestre teremos um desempenho melhor, mas há uma ponta de preocupação de que voltemos a ter uma forte queda na produção industrial, que conseqüentemente gerará forte queda no PIB industrial.”
O presidente da CNI lembrou que em 2009 o PIB industrial será negativo em relação a 2008, mesmo com certa recuperação a partir deste trimestre, ou mais provavelmente no segundo semestre. “Teremos, no ano, crescimento do PIB próximo de zero, e a indústria contribuirá de forma negativa, com queda de 2,5% a 3% na produção industrial.”
Armando Monteiro Neto disse que os resultados divulgados hoje pelo IBGE não surpreenderam. “Eles vieram em linha com os indicadores antecedentes.”
Produção industrial teve alta em março
A produção da indústria brasileira cresceu levemente em março sobre fevereiro, com alta de 0,7%. É o terceiro aumento consecutivo na comparação com o mês anterior. Sobre março de 2008 houve queda.
Agência Brasil , 05.05.09
Rio de Janeiro – A produção industrial brasileira teve leve alta na passagem de fevereiro para março, registrando crescimento de 0,7%. O resultado aponta a terceira elevação consecutiva nesse tipo de comparação. Já em relação ao mesmo período do ano passado, o setor sofreu forte queda, de 10%. Com o resultado de março, a atividade fabril fechou o primeiro trimestre de 2009 com recuo de 14,7% ante igual período de 2008. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, a taxa ficou em -7,9%. Nos dois últimos trimestres, a perda acumulada pelo setor é de 16,7%, a mais elevada desde o segundo trimestre de 1990 (-19,8%). Nos últimos 12 meses, a variação acumulada é de -1,9%. De acordo com dados divulgados hoje (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento verificado em março atingiu 11 das 27 atividades pesquisadas. O destaque foi a indústria de veículos automotores (7,0%), seguida pela farmacêutica (9,0%), por outros produtos químicos (3,5%), equipamentos de instrumentação médico-hospitalar e óticos (20,8%) e indústrias extrativas (2,4%).Em movimento contrário, as principais quedas foram observadas nos setores de outros equipamentos de transporte (-15,2%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-15,3%), máquinas e equipamentos (-3,3%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (-5,5%). Já em relação a março de 2008, a pesquisa aponta que houve retração em 20 dos 27 ramos pesquisados. As principais pressões negativas partiram de máquinas e equipamentos (-27,2%), veículos automotores (-18,5%), metalurgia básica (-29,2%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (-38,9%). O levantamento do IBGE destaca que este ano o mês de março contou com dois dias úteis a mais do que em 2008.
Exportação aos árabes volta a crescer forte
Embarques do Brasil para a região renderam US$ 807 milhões em março, um aumento de 50% sobre o mesmo mês do ano passado. O volume de negócios reverteu dois meses seguidos de queda.
São Paulo – As exportações do Brasil aos países árabes voltaram a ter forte crescimento em março deste ano. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) compilados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, os embarques renderam US$ 807,35 milhões, um aumento de mais de 50% em comparação com março do ano passado e de 66,6% em relação a fevereiro de 2009.O desempenho do mês anulou a queda registrada em janeiro e fevereiro, fez com que as vendas acumuladas no primeiro trimestre crescessem 4,1% sobre o mesmo período do ano passado e chegassem a US$ 1,84 bilhão. Em março as exportações totais do Brasil recuaram 6,37% em comparação com o mesmo mês de 2008. No acumulado do primeiro trimestre, elas caíram 19,4%.“Nesses três primeiros meses já houve uma recuperação e um crescimento, o que nos dá mais ânimo”, comentou o presidente da Câmara Árabe, Salim Taufic Schahin. “Estou mais otimista hoje do que em janeiro”, acrescentou.Desde que assumiu a presidência da entidade em janeiro, Schahin já viajou para Líbia, Tunísia, Marrocos, Argélia, Líbano, Catar e Egito e conversou com lideranças políticas e empresariais desses países. “A percepção é de que o mundo árabe não vai sofrer tanto com a crise como as economias centrais”, afirmou. “O que houve foram perdas de investimentos feitos [pelos árabes] nas nações desenvolvidas”, declarou.Embora ressalte que é difícil fazer previsões sobre como os negócios vão se comportar até o final do ano, ele destacou que a crise tem dado sinais de arrefecimento. No caso do Brasil, por exemplo, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) voltou a crescer de forma relativamente constante, ultrapassando os 50 mil pontos ontem (04), maior nível desde setembro de 2008, e há menor flutuação no mercado de câmbio.Na avaliação do presidente da Câmara Árabe, as exportações do Brasil ao mundo árabe deverão continuar a crescer. Ele acredita ser possível um aumento de dois dígitos até o final de 2009. No caso das importações o cenário é diferente, uma vez que o preço do petróleo está muito abaixo do que estava no ano passado e a produção nacional da Petrobras voltou a ser maior do que o consumo do país.Salim destacou que durante o ano ainda vão ocorrer eventos que poderão dar mais impulso aos negócios com os árabes, como a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Arábia Saudita, na segunda quinzena de maio, e a vinda ao Brasil de uma missão da Câmara de Comércio e Indústria de Jeddah no final do mês.ProdutosEm março houve principalmente crescimento das exportações de minério de ferro, açúcar, aviões, soja em grãos, óleo de soja, fumo, tratores, vergalhões, milho, gado vivo, farelo de soja e motores elétricos.Em relação aos destinos, destaque para a Arábia Saudita, que importou o equivalente a US$ 170 milhões do Brasil, um aumento de 26% em comparação com março de 2008; Egito, com US$ 147,5 milhões, um crescimento de 119%; e Emirados Árabes Unidos, com US$ 111 milhões, um acréscimo de 41%. Houve crescimento acima da média nas vendas para o Líbano (213%), Marrocos (150%), Mauritânia (144%), Síria (53%), Líbia (92%) e Iraque (57%).As importações brasileiras de produtos árabes, por sua vez, caíram de US$ 804 milhões em março de 2008 para US$ 233 milhões em março deste ano, e de US$ 2,17 bilhões no primeiro trimestre do passado para US$ 737 milhões no mesmo período de 2009, resultando em um saldo comercial favorável ao Brasil em US$ 574 milhões no mês e em US$ 1,1 bilhão no ano. Houve redução nas vendas de petróleo, combustíveis e fertilizantes.
Varejo continua gerando empregos, segundo Ipea
Da Agência Brasil
O varejo de consumo e a prestação de serviços às famílias (ensino, medicina, odontologia, veterinária) estão entre os setores que mais criaram postos de trabalho em meio à crise financeira, segundo a pesquisa Crise Internacional: Impactos sobre o Emprego no Brasil e o Debate para a Constituição de uma Nova Ordem Global, divulgada nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O Ipea constatou que o consumo no varejo manteve saldo positivo no saldo de postos de trabalho relativo aos dois períodos. Entre outubro de 2007 e março de 2008, foram criados 172.577 empregos. De outubro de 2008 a março de 2009, os novos postos somaram 39.601 vagas.
Quanto às faixas salariais, antes mesmo da crise, a participação do segmento de dois salários mínimos já vinha diminuindo. Após outubro do ano passado, a tendência de queda passou a atingir também os postos de trabalho com remuneração entre um e dois salários mínimos. “Até então, esta faixa vinha obtendo ganhos”, diz diretor de Estudos Sociais do Ipea, Jorge Abrahão. “Parte disso se deve ao aumento do salário mínimo e ao fato de os salários mais elevados tenderem a não receber reajustes semelhantes.”
Segundo ele, esse movimento mostra que o mercado formal é muito focado no salário mínimo, “que se apresenta como elemento central da política de geração de emprego”.
Vendas em shoppings crescem 12% em março
As vendas em shopping centers aumentaram 12% no mês de março na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). O aumento teve forte influência das lojas âncoras, que responderam por 21,4% das vendas, seguidas por artigos diversos, com 18,7%, conveniência e serviços, com 17,7, e 13% para as lojas satélites. O restante ficou dividido ente alimentação, vestuário, artigos do lar, megalojas e lazer e entretenimento
Comércio espera alta no faturamento para o Dia das Mães
Considerada a segunda data de maior movimento para o Comércio, a expectativa dos comerciantes para o Dia das Mães é positiva, impulsionada principalmente pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre eletrodomésticos. A medida pode contribuir para o faturamento dos lojistas no período que antecede a comemoração, em 10 de maio.
A redução do IPI para a linha branca é um fator novo no atual cenário econômico, avalia Fábio Bentes, da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). “Vai haver uma ajuda nas vendas, já que os empresários podem repassar a redução do imposto para o preço final dos produtos”, diz o economista. A recuperação do crédito – cujo volume, no sistema financeiro nacional, chegou a R$ 1,241 trilhão em março – também é um bom sinal para os comerciantes. “Em 2008, as vendas desses produtos já estavam crescendo em ritmo forte, até que, no último trimestre do ano, pioraram. Mas, com o aumento gradual do crédito e a queda do câmbio que estamos verificando desde o início de 2009, os preços dos produtos podem cair”. De acordo com Bentes, a estimativa da Divisão Econômica da CNC para as vendas totais do comércio até o fim deste ano é de crescimento na ordem de 2,5%. Com a redução do IPI, pode chegar a 2,8%.
Fábio Pina, economista da Federação do Comércio de São Paulo, acredita que a redução do IPI para geladeiras, fogões, tanques e máquinas de lavar seja um estímulo ao consumidor, que terá a oportunidade comprar um bem mais durável, seja para presentear ou adquirir novos eletrodomésticos para si próprio. “É como se fosse um prêmio. O setor é grande e pode influenciar nos resultados finais. Mas ainda assim acredito que os resultados podem variar entre -2,55% e +2,5%, em São Paulo”. O economista aponta a queda da confiança do consumidor como fator que pode prejudicar os resultados do comércio – o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas, caiu 0,7% de fevereiro para março, menor nível da série, iniciada em setembro de 2005.
Vamberto Santana, economista da Federação do Comércio do Paraná, concorda com a opinião sobre a influência do IPI nas vendas. “As condições para que a população adquira mais produtos da chamada linha branca é muito grande, e pode gerar comprar adicionais”. Santana explica: ao comprar um fogão, o consumidor pode adquirir, por exemplo, produtos de culinária. Outro fator que pode alavancar as vendas no Paraná é o salário-mínimo diferenciado – o aumento para seis faixas salariais, que vão de R$ 605,52 a R$ 629,65, beneficia diretamente 174 mil empregados domésticos, no comércio e em atividades rurais, entre outras categorias. “O reajuste passa a valer a partir de 1.º de maio, e atinge inclusive os trabalhadores que não são contemplados em acordos coletivos de trabalho, o que é um bom incentivo para as compras ”, explica.
Do Rio de Janeiro, o economista Gabriel Santini, da Fecomércio-RJ, endossa as expectativas. “O consumidor pode até, devido à atual redução do índice de desemprego no Estado, adquirir produtos à vista, sobretudo da linha branca, mais acessíveis para este tipo de negócio”.
O Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista/DF), filiado à Fecomercio-DF, aguarda uma redução entre 5 e 10% no preço de produtos como geladeiras, fogões, tanquinhos e máquinas de lavar. O presidente do Sindivarejista, Antônio Augusto de Moraes, acredita que a data vai aquecer em até 6% as vendas de setores como Floriculturas, Vestuário, Perfumaria, Calçados e Jóias. “Apesar da crise financeira, a expectativa é de bom desempenho neste ano. O resultado dos primeiros meses, cujas vendas foram superiores às de 2008, nos deixa otimistas”, analisa.
Preparativos
Para aumentar as vendas no Dia das Mães, a Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomercio-MG) realiza nos dias 27, 28 e 29 de abril o curso “Incrementando suas vendas para o Dia das Mães”. O evento é direcionado aos profissionais da área comercial e contratados para serviço temporário, e vai abordar temas como o perfil do novo cliente versus perfil do vendedor de sucesso; técnicas de vendas; vendas adicionais e vendas complementares; e importância da fidelização dos clientes.
A solução da crise leva tempo
Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacionial do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
O mundo está enfermo, resultado de uma “intoxicação de consumo”, durante 20 anos. Agora, precisa descansar algum tempo, para se recuperar. A medicação adotada nos Estados Unidos, na Europa, assim como no Brasil, leva algum tempo para produzir efeito. Intoxicar o “doente” com sucessivas doses de um sem número de medicamentos não vai promover a cura imediata. Leva tempo.
O ritmo de expansão do comércio internacional, que crescia celeremente desde 2003, reconhecida alavanca do crescimento econômico, sofreu uma queda brusca de 20% , no último trimestre de 2008, e não vai voltar tão rapidamente ao nível anterior. Leva tempo. O volume de crédito bancário caiu fortemente, o mercado de capitais está praticamente paralisado e os índices das cotações nas principais Bolsas de Valores do mundo caíram até 50% e não vão se recuperar enquanto não se recuperar a lucratividade (P/L) das grandes empresas. Leva tempo.
As medidas anticíclicas, que estão sendo adotadas, certamente vão restaurar o crédito no sistema financeiro, vão reanimar o consumo e, portanto, vão criar incentivos para que voltem a ocorrer os investimentos privados. No momento, estão deprimidas a propensão a consumir e a propensão a investir. É importante que as medidas monetárias e fiscais se orientem no sentido de compensar a queda dos investimentos e promover a criação de novos empregos, para neutralizar o desemprego gerado pela crise. É preciso um pouco de paciência para aguardar os resultados. Não adianta ir “com muita sede ao pote”, adotando um elenco interminável de medidas. Leva tempo.
Segundo reportagem do Jornal do Comércio, 92% das empresas de porte médio anunciaram que pretendiam investir, em 2008. Neste ano, esse percentual caiu para 70%, um recuo de 24 %, bem maior que o verificado nas pequenas e grandes empresas.
Janeiro de 2009 marcou uma reversão abrupta nos avanços sociais alcançados pelo Brasil, nos últimos seis anos. Em apenas um mês, a classe C, nas seis maiores regiões metropolitanas, perdeu 11% de todo o aumento conseguido no governo Lula. Em janeiro de 2009, 563 mil pessoas saíram da classe C para as classes D e E, nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife. O recuo na participação da classe C, no total da população dessas regiões metropolitanas, foi de 1,2 ponto percentual, saindo de 53,8%, em dezembro de 2008, para 52,6% atuais.
A economia brasileira teve um desenvolvimento auspicioso ao longo de 2008, crescendo ao ritmo anual de 6,0%, até setembro. A partir de outubro, houve uma reversão dramática, para 3,6% negativos, devido basicamente à queda de 27% nas exportações de novembro e dezembro, que continuaram perdendo força no primeiro trimestre de 2009. Pelo visto, a recuperação das atividades econômicas deverá recomeçar pela retomada das exportações, mas a OECD estima uma queda de 13% no comércio internacional, em 2009. A recuperação, evidentemente, leva tempo.
De acordo com os princípios da teoria shumpeteriana, ou seja, a de que as fases de prosperidade são iniciadas por impulso das ondas de inovações, é bem possível que a atual recessão econômica leve algum tempo para recuperar-se. Uma nova revolução industrial, de consumo e de investimentos, está sendo gerada no campo das pesquisas e da experimentação de novas formas de energia “limpa”. Bilhões de dólares estão sendo investidos em pesquisas no campo de biocombustíveis, de novas fórmulas de etanol celulósico e de algas, de energia solar e nuclear, de geração eólica e marítima, além das enormes expectativas no campo do biodiesel e do hidrogênio. Já se encontram no mercado os veículos flex e já estão chegando os veículos com motores elétricos e as primeiras experiências de gerações de energia com hidrogênio. Essas inovações vão gerar impulso para pôr em marcha uma nova fase de prosperidade, início de um novo ciclo econômico.
Esse será o tempo necessário para entrarem em campo, com maior vigor, os investimentos do PAC, se não faltarem recursos do Governo, que poderão estar sendo utilizados em muitas outras finalidades. Exportações e investimentos na infra-estrutura são, necessariamente, os caminhos da recuperação. Até que chegue a nova onda de inovações.
A análise da crise atual nos revelou que sua origem, sem dúvida, foi a indigestão de consumo e de especulação, muito além das possibilidades permitidas pela efetiva geração da renda resultante das atividades produtivas. Agora, é preciso dar tempo ao tempo, para concluir a digestão da crise. É uma questão matemática e de tempo. Não adianta criar soluções artificiais. Até as jibóias sabem disso…
( Publicado no Jornal do Commercio de 30/04/2009 )
Receita com exportação de açúcar sobe 48% em abril
As exportações brasileiras de açúcar atingiram, em abril, o volume de 1,3 milhão de toneladas. O montante é ligeiramente superior aos 1,297 milhão de toneladas verificados às exportações de março e 36,6% maior que o registrado em igual período de 2008, quando o volume exportado ficou em 951 mil toneladas.
Do total exportado em abril, 964,4 mil toneladas foram de açúcar demerara, alta de 69,4% ante abril de 2008, e 335,7 mil toneladas foram de refinado, queda de 12,16% ante igual período do ano passado. Em abril, a receita obtida com as exportações ficou em US$ 404,7 milhões, queda de 0,5% em relação a março mas alta de 48% ante resultado de abril de 2008, quando as vendas atingiram US$ 273,7 milhões. Do total registrado em março, US$ 289,7 milhões vieram de venda de demerara e US$ 115 milhões da venda de refinado.
ENTREMENTES…
ANÁLISE IEDI, 05.05.09:
Indústria – O momento difícil
Só na aparência os resultados da indústria em março, divulgados hoje pelo IBGE, podem ser considerados positivos. Houve de fato um aumento da produção industrial com relação a fevereiro com ajuste sazonal, sendo este o terceiro aumento consecutivo, mas o desse último mês foi o menor, e, além disso, foi muito pouco expressivo, de apenas 0,7%. Nos meses anteriores a variação positiva tinha chegado a 2,1% em janeiro e 1,9% em fevereiro. Houve também uma redução expressiva na queda da produção industrial de março último com relação a março do ano passado, -10,0%, contra reduções de 17,5% e 16,8% em janeiro e fevereiro. Contudo, essa “melhora” decorreu muito mais de um fator calendário ou de um fator estatístico do que qualquer outra coisa. É que no corrente ano o mês de março contou com dois dias úteis a mais do que março do ano passado e, ademais, o resultado da produção industrial nesse último mês fora muito baixo, portanto formando uma base baixa de comparação.
Os dados relevantes para se aferir o estado da produção industrial do país não são esses, mas sim, o que informa que na média dos últimos 3 meses a indústria opera em um nível de produção quase 15% inferior ao do mesmo período do ano passado. A outra informação relevante é que o coração de um sistema produtivo, ou seja, a sua indústria de bens de capital, que espelha a intenção de investir da economia, não pára de aprofundar sua queda. Com ajuste sazonal, a comparação da produção desse setor em março com fevereiro apresentou recuo de 4,7%, acumulando dois meses de mega retrações, já que em fevereiro o declínio chegara a 7,1%. Isso significa que esse setor desde o início da crise já perdeu, em seis meses, 33% de sua produção, sem que apresente qualquer sinal de reação. Em si, esse é um desempenho que deprime os resultados da indústria como um todo, que caiu 16%, também comparando-se a produção de março com o auge anterior à crise verificado em setembro do ano passado. Mas, mais do que isso, o colapso em bens de capital é revelador de que o investimento na economia brasileira está tendo um declínio de grandes proporções. As variações do investimento têm o poder de determinar à frente os aumentos de renda e emprego, razão pela qual os negativos indicadores em bens de capital devem ser tomados com extrema preocupação.
No momento atual, a economia brasileira vem acumulando resultados favoráveis. Tem sido assim na área do emprego, do comércio varejista, do comércio exterior, na conta de transações correntes do balanço de pagamentos, na inflação, denotando que sob muitos critérios a crise internacional não afeta o Brasil tão negativamente como em outras épocas, o que pode ser indicativo de que a economia do país desfruta de capacidade para superar a atual etapa adversa com antecedência a outras economias. Tudo isso é verdadeiro, menos com relação ao eixo central da dinâmica econômica, que no Brasil, assim com em qualquer outro lugar do mundo, tem no investimento o seu centro irradiador. E o investimento no Brasil vai muito mal.
O governo tem realizado reduções de impostos em segmentos de bens duráveis, o que contribuiu para minimizar a queda de vendas e de produção nesses setores. Mas até agora não instituiu nenhum mecanismo adicional de incentivo para as empresas que, mesmo diante do horizonte incerto causado pela crise internacional, venham a se aventurar em projetos de investimento. Não deve ser minimizado o conjunto de medidas, extremamente relevantes, para ampliação dos recursos para o BNDES. Elas asseguraram que por falta de financiamento não haverá descontinuidade dos investimentos na economia. Mas não somente por falta de financiamento os investimentos deixam de ser realizados, se, como é o caso no presente momento econômico, há uma queda generalizada e profunda nas expectativas, deprimindo a demanda por novos investimentos. Reduções de impostos na compra de bens de capital ajudariam nessa direção, mas seria importante um incentivo extra, tal como a redução de tributos (IR e outros impostos e contribuições federais) em contrapartida aos gastos com investimentos realizados, digamos nesse e no próximo ano. (
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Números da crise: tchau, marolinha?

Filed under: CNI, crise econômica mundial, economia brasileira, exportações, IBGE, IEDI, IPEA — Humberto @ 9:13 pm
Presidente da CNI vê sinais de recuperação na indústria
05/05/2009
Agência CNI

Brasília – O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, afirmou nesta terça-feira (05) que a alta de 0,7% da produção industrial em março, em comparação com fevereiro, mostra que a queda-livre experimentada pelo setor no fim do ano passado e no começo deste foi interrompida.
“Há sinais tênues de que a atividade possa estar evoluindo de forma positiva neste segundo trimestre”, disse Monteiro Neto, que participa, ao comentar dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de prever um início de recuperação, Monteiro Neto ressaltou que não se deve exagerar no otimismo. “No segundo trimestre teremos um desempenho melhor, mas há uma ponta de preocupação de que voltemos a ter uma forte queda na produção industrial, que conseqüentemente gerará forte queda no PIB industrial.”
O presidente da CNI lembrou que em 2009 o PIB industrial será negativo em relação a 2008, mesmo com certa recuperação a partir deste trimestre, ou mais provavelmente no segundo semestre. “Teremos, no ano, crescimento do PIB próximo de zero, e a indústria contribuirá de forma negativa, com queda de 2,5% a 3% na produção industrial.”
Armando Monteiro Neto disse que os resultados divulgados hoje pelo IBGE não surpreenderam. “Eles vieram em linha com os indicadores antecedentes.”
Produção industrial teve alta em março
A produção da indústria brasileira cresceu levemente em março sobre fevereiro, com alta de 0,7%. É o terceiro aumento consecutivo na comparação com o mês anterior. Sobre março de 2008 houve queda.
Agência Brasil , 05.05.09
Rio de Janeiro – A produção industrial brasileira teve leve alta na passagem de fevereiro para março, registrando crescimento de 0,7%. O resultado aponta a terceira elevação consecutiva nesse tipo de comparação. Já em relação ao mesmo período do ano passado, o setor sofreu forte queda, de 10%. Com o resultado de março, a atividade fabril fechou o primeiro trimestre de 2009 com recuo de 14,7% ante igual período de 2008. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, a taxa ficou em -7,9%. Nos dois últimos trimestres, a perda acumulada pelo setor é de 16,7%, a mais elevada desde o segundo trimestre de 1990 (-19,8%). Nos últimos 12 meses, a variação acumulada é de -1,9%. De acordo com dados divulgados hoje (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento verificado em março atingiu 11 das 27 atividades pesquisadas. O destaque foi a indústria de veículos automotores (7,0%), seguida pela farmacêutica (9,0%), por outros produtos químicos (3,5%), equipamentos de instrumentação médico-hospitalar e óticos (20,8%) e indústrias extrativas (2,4%).Em movimento contrário, as principais quedas foram observadas nos setores de outros equipamentos de transporte (-15,2%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-15,3%), máquinas e equipamentos (-3,3%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (-5,5%). Já em relação a março de 2008, a pesquisa aponta que houve retração em 20 dos 27 ramos pesquisados. As principais pressões negativas partiram de máquinas e equipamentos (-27,2%), veículos automotores (-18,5%), metalurgia básica (-29,2%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (-38,9%). O levantamento do IBGE destaca que este ano o mês de março contou com dois dias úteis a mais do que em 2008.
Exportação aos árabes volta a crescer forte
Embarques do Brasil para a região renderam US$ 807 milhões em março, um aumento de 50% sobre o mesmo mês do ano passado. O volume de negócios reverteu dois meses seguidos de queda.
São Paulo – As exportações do Brasil aos países árabes voltaram a ter forte crescimento em março deste ano. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) compilados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, os embarques renderam US$ 807,35 milhões, um aumento de mais de 50% em comparação com março do ano passado e de 66,6% em relação a fevereiro de 2009.O desempenho do mês anulou a queda registrada em janeiro e fevereiro, fez com que as vendas acumuladas no primeiro trimestre crescessem 4,1% sobre o mesmo período do ano passado e chegassem a US$ 1,84 bilhão. Em março as exportações totais do Brasil recuaram 6,37% em comparação com o mesmo mês de 2008. No acumulado do primeiro trimestre, elas caíram 19,4%.“Nesses três primeiros meses já houve uma recuperação e um crescimento, o que nos dá mais ânimo”, comentou o presidente da Câmara Árabe, Salim Taufic Schahin. “Estou mais otimista hoje do que em janeiro”, acrescentou.Desde que assumiu a presidência da entidade em janeiro, Schahin já viajou para Líbia, Tunísia, Marrocos, Argélia, Líbano, Catar e Egito e conversou com lideranças políticas e empresariais desses países. “A percepção é de que o mundo árabe não vai sofrer tanto com a crise como as economias centrais”, afirmou. “O que houve foram perdas de investimentos feitos [pelos árabes] nas nações desenvolvidas”, declarou.Embora ressalte que é difícil fazer previsões sobre como os negócios vão se comportar até o final do ano, ele destacou que a crise tem dado sinais de arrefecimento. No caso do Brasil, por exemplo, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) voltou a crescer de forma relativamente constante, ultrapassando os 50 mil pontos ontem (04), maior nível desde setembro de 2008, e há menor flutuação no mercado de câmbio.Na avaliação do presidente da Câmara Árabe, as exportações do Brasil ao mundo árabe deverão continuar a crescer. Ele acredita ser possível um aumento de dois dígitos até o final de 2009. No caso das importações o cenário é diferente, uma vez que o preço do petróleo está muito abaixo do que estava no ano passado e a produção nacional da Petrobras voltou a ser maior do que o consumo do país.Salim destacou que durante o ano ainda vão ocorrer eventos que poderão dar mais impulso aos negócios com os árabes, como a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Arábia Saudita, na segunda quinzena de maio, e a vinda ao Brasil de uma missão da Câmara de Comércio e Indústria de Jeddah no final do mês.ProdutosEm março houve principalmente crescimento das exportações de minério de ferro, açúcar, aviões, soja em grãos, óleo de soja, fumo, tratores, vergalhões, milho, gado vivo, farelo de soja e motores elétricos.Em relação aos destinos, destaque para a Arábia Saudita, que importou o equivalente a US$ 170 milhões do Brasil, um aumento de 26% em comparação com março de 2008; Egito, com US$ 147,5 milhões, um crescimento de 119%; e Emirados Árabes Unidos, com US$ 111 milhões, um acréscimo de 41%. Houve crescimento acima da média nas vendas para o Líbano (213%), Marrocos (150%), Mauritânia (144%), Síria (53%), Líbia (92%) e Iraque (57%).As importações brasileiras de produtos árabes, por sua vez, caíram de US$ 804 milhões em março de 2008 para US$ 233 milhões em março deste ano, e de US$ 2,17 bilhões no primeiro trimestre do passado para US$ 737 milhões no mesmo período de 2009, resultando em um saldo comercial favorável ao Brasil em US$ 574 milhões no mês e em US$ 1,1 bilhão no ano. Houve redução nas vendas de petróleo, combustíveis e fertilizantes.
Varejo continua gerando empregos, segundo Ipea
Da Agência Brasil
O varejo de consumo e a prestação de serviços às famílias (ensino, medicina, odontologia, veterinária) estão entre os setores que mais criaram postos de trabalho em meio à crise financeira, segundo a pesquisa Crise Internacional: Impactos sobre o Emprego no Brasil e o Debate para a Constituição de uma Nova Ordem Global, divulgada nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O Ipea constatou que o consumo no varejo manteve saldo positivo no saldo de postos de trabalho relativo aos dois períodos. Entre outubro de 2007 e março de 2008, foram criados 172.577 empregos. De outubro de 2008 a março de 2009, os novos postos somaram 39.601 vagas.
Quanto às faixas salariais, antes mesmo da crise, a participação do segmento de dois salários mínimos já vinha diminuindo. Após outubro do ano passado, a tendência de queda passou a atingir também os postos de trabalho com remuneração entre um e dois salários mínimos. “Até então, esta faixa vinha obtendo ganhos”, diz diretor de Estudos Sociais do Ipea, Jorge Abrahão. “Parte disso se deve ao aumento do salário mínimo e ao fato de os salários mais elevados tenderem a não receber reajustes semelhantes.”
Segundo ele, esse movimento mostra que o mercado formal é muito focado no salário mínimo, “que se apresenta como elemento central da política de geração de emprego”.
Vendas em shoppings crescem 12% em março
As vendas em shopping centers aumentaram 12% no mês de março na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). O aumento teve forte influência das lojas âncoras, que responderam por 21,4% das vendas, seguidas por artigos diversos, com 18,7%, conveniência e serviços, com 17,7, e 13% para as lojas satélites. O restante ficou dividido ente alimentação, vestuário, artigos do lar, megalojas e lazer e entretenimento
Comércio espera alta no faturamento para o Dia das Mães
Considerada a segunda data de maior movimento para o Comércio, a expectativa dos comerciantes para o Dia das Mães é positiva, impulsionada principalmente pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre eletrodomésticos. A medida pode contribuir para o faturamento dos lojistas no período que antecede a comemoração, em 10 de maio.
A redução do IPI para a linha branca é um fator novo no atual cenário econômico, avalia Fábio Bentes, da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). “Vai haver uma ajuda nas vendas, já que os empresários podem repassar a redução do imposto para o preço final dos produtos”, diz o economista. A recuperação do crédito – cujo volume, no sistema financeiro nacional, chegou a R$ 1,241 trilhão em março – também é um bom sinal para os comerciantes. “Em 2008, as vendas desses produtos já estavam crescendo em ritmo forte, até que, no último trimestre do ano, pioraram. Mas, com o aumento gradual do crédito e a queda do câmbio que estamos verificando desde o início de 2009, os preços dos produtos podem cair”. De acordo com Bentes, a estimativa da Divisão Econômica da CNC para as vendas totais do comércio até o fim deste ano é de crescimento na ordem de 2,5%. Com a redução do IPI, pode chegar a 2,8%.
Fábio Pina, economista da Federação do Comércio de São Paulo, acredita que a redução do IPI para geladeiras, fogões, tanques e máquinas de lavar seja um estímulo ao consumidor, que terá a oportunidade comprar um bem mais durável, seja para presentear ou adquirir novos eletrodomésticos para si próprio. “É como se fosse um prêmio. O setor é grande e pode influenciar nos resultados finais. Mas ainda assim acredito que os resultados podem variar entre -2,55% e +2,5%, em São Paulo”. O economista aponta a queda da confiança do consumidor como fator que pode prejudicar os resultados do comércio – o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas, caiu 0,7% de fevereiro para março, menor nível da série, iniciada em setembro de 2005.
Vamberto Santana, economista da Federação do Comércio do Paraná, concorda com a opinião sobre a influência do IPI nas vendas. “As condições para que a população adquira mais produtos da chamada linha branca é muito grande, e pode gerar comprar adicionais”. Santana explica: ao comprar um fogão, o consumidor pode adquirir, por exemplo, produtos de culinária. Outro fator que pode alavancar as vendas no Paraná é o salário-mínimo diferenciado – o aumento para seis faixas salariais, que vão de R$ 605,52 a R$ 629,65, beneficia diretamente 174 mil empregados domésticos, no comércio e em atividades rurais, entre outras categorias. “O reajuste passa a valer a partir de 1.º de maio, e atinge inclusive os trabalhadores que não são contemplados em acordos coletivos de trabalho, o que é um bom incentivo para as compras ”, explica.
Do Rio de Janeiro, o economista Gabriel Santini, da Fecomércio-RJ, endossa as expectativas. “O consumidor pode até, devido à atual redução do índice de desemprego no Estado, adquirir produtos à vista, sobretudo da linha branca, mais acessíveis para este tipo de negócio”.
O Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista/DF), filiado à Fecomercio-DF, aguarda uma redução entre 5 e 10% no preço de produtos como geladeiras, fogões, tanquinhos e máquinas de lavar. O presidente do Sindivarejista, Antônio Augusto de Moraes, acredita que a data vai aquecer em até 6% as vendas de setores como Floriculturas, Vestuário, Perfumaria, Calçados e Jóias. “Apesar da crise financeira, a expectativa é de bom desempenho neste ano. O resultado dos primeiros meses, cujas vendas foram superiores às de 2008, nos deixa otimistas”, analisa.
Preparativos
Para aumentar as vendas no Dia das Mães, a Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomercio-MG) realiza nos dias 27, 28 e 29 de abril o curso “Incrementando suas vendas para o Dia das Mães”. O evento é direcionado aos profissionais da área comercial e contratados para serviço temporário, e vai abordar temas como o perfil do novo cliente versus perfil do vendedor de sucesso; técnicas de vendas; vendas adicionais e vendas complementares; e importância da fidelização dos clientes.
A solução da crise leva tempo
Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacionial do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
O mundo está enfermo, resultado de uma “intoxicação de consumo”, durante 20 anos. Agora, precisa descansar algum tempo, para se recuperar. A medicação adotada nos Estados Unidos, na Europa, assim como no Brasil, leva algum tempo para produzir efeito. Intoxicar o “doente” com sucessivas doses de um sem número de medicamentos não vai promover a cura imediata. Leva tempo.
O ritmo de expansão do comércio internacional, que crescia celeremente desde 2003, reconhecida alavanca do crescimento econômico, sofreu uma queda brusca de 20% , no último trimestre de 2008, e não vai voltar tão rapidamente ao nível anterior. Leva tempo. O volume de crédito bancário caiu fortemente, o mercado de capitais está praticamente paralisado e os índices das cotações nas principais Bolsas de Valores do mundo caíram até 50% e não vão se recuperar enquanto não se recuperar a lucratividade (P/L) das grandes empresas. Leva tempo.
As medidas anticíclicas, que estão sendo adotadas, certamente vão restaurar o crédito no sistema financeiro, vão reanimar o consumo e, portanto, vão criar incentivos para que voltem a ocorrer os investimentos privados. No momento, estão deprimidas a propensão a consumir e a propensão a investir. É importante que as medidas monetárias e fiscais se orientem no sentido de compensar a queda dos investimentos e promover a criação de novos empregos, para neutralizar o desemprego gerado pela crise. É preciso um pouco de paciência para aguardar os resultados. Não adianta ir “com muita sede ao pote”, adotando um elenco interminável de medidas. Leva tempo.
Segundo reportagem do Jornal do Comércio, 92% das empresas de porte médio anunciaram que pretendiam investir, em 2008. Neste ano, esse percentual caiu para 70%, um recuo de 24 %, bem maior que o verificado nas pequenas e grandes empresas.
Janeiro de 2009 marcou uma reversão abrupta nos avanços sociais alcançados pelo Brasil, nos últimos seis anos. Em apenas um mês, a classe C, nas seis maiores regiões metropolitanas, perdeu 11% de todo o aumento conseguido no governo Lula. Em janeiro de 2009, 563 mil pessoas saíram da classe C para as classes D e E, nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife. O recuo na participação da classe C, no total da população dessas regiões metropolitanas, foi de 1,2 ponto percentual, saindo de 53,8%, em dezembro de 2008, para 52,6% atuais.
A economia brasileira teve um desenvolvimento auspicioso ao longo de 2008, crescendo ao ritmo anual de 6,0%, até setembro. A partir de outubro, houve uma reversão dramática, para 3,6% negativos, devido basicamente à queda de 27% nas exportações de novembro e dezembro, que continuaram perdendo força no primeiro trimestre de 2009. Pelo visto, a recuperação das atividades econômicas deverá recomeçar pela retomada das exportações, mas a OECD estima uma queda de 13% no comércio internacional, em 2009. A recuperação, evidentemente, leva tempo.
De acordo com os princípios da teoria shumpeteriana, ou seja, a de que as fases de prosperidade são iniciadas por impulso das ondas de inovações, é bem possível que a atual recessão econômica leve algum tempo para recuperar-se. Uma nova revolução industrial, de consumo e de investimentos, está sendo gerada no campo das pesquisas e da experimentação de novas formas de energia “limpa”. Bilhões de dólares estão sendo investidos em pesquisas no campo de biocombustíveis, de novas fórmulas de etanol celulósico e de algas, de energia solar e nuclear, de geração eólica e marítima, além das enormes expectativas no campo do biodiesel e do hidrogênio. Já se encontram no mercado os veículos flex e já estão chegando os veículos com motores elétricos e as primeiras experiências de gerações de energia com hidrogênio. Essas inovações vão gerar impulso para pôr em marcha uma nova fase de prosperidade, início de um novo ciclo econômico.
Esse será o tempo necessário para entrarem em campo, com maior vigor, os investimentos do PAC, se não faltarem recursos do Governo, que poderão estar sendo utilizados em muitas outras finalidades. Exportações e investimentos na infra-estrutura são, necessariamente, os caminhos da recuperação. Até que chegue a nova onda de inovações.
A análise da crise atual nos revelou que sua origem, sem dúvida, foi a indigestão de consumo e de especulação, muito além das possibilidades permitidas pela efetiva geração da renda resultante das atividades produtivas. Agora, é preciso dar tempo ao tempo, para concluir a digestão da crise. É uma questão matemática e de tempo. Não adianta criar soluções artificiais. Até as jibóias sabem disso…
( Publicado no Jornal do Commercio de 30/04/2009 )
Receita com exportação de açúcar sobe 48% em abril
As exportações brasileiras de açúcar atingiram, em abril, o volume de 1,3 milhão de toneladas. O montante é ligeiramente superior aos 1,297 milhão de toneladas verificados às exportações de março e 36,6% maior que o registrado em igual período de 2008, quando o volume exportado ficou em 951 mil toneladas.
Do total exportado em abril, 964,4 mil toneladas foram de açúcar demerara, alta de 69,4% ante abril de 2008, e 335,7 mil toneladas foram de refinado, queda de 12,16% ante igual período do ano passado. Em abril, a receita obtida com as exportações ficou em US$ 404,7 milhões, queda de 0,5% em relação a março mas alta de 48% ante resultado de abril de 2008, quando as vendas atingiram US$ 273,7 milhões. Do total registrado em março, US$ 289,7 milhões vieram de venda de demerara e US$ 115 milhões da venda de refinado.
ENTREMENTES…
ANÁLISE IEDI, 05.05.09:
Indústria – O momento difícil
Só na aparência os resultados da indústria em março, divulgados hoje pelo IBGE, podem ser considerados positivos. Houve de fato um aumento da produção industrial com relação a fevereiro com ajuste sazonal, sendo este o terceiro aumento consecutivo, mas o desse último mês foi o menor, e, além disso, foi muito pouco expressivo, de apenas 0,7%. Nos meses anteriores a variação positiva tinha chegado a 2,1% em janeiro e 1,9% em fevereiro. Houve também uma redução expressiva na queda da produção industrial de março último com relação a março do ano passado, -10,0%, contra reduções de 17,5% e 16,8% em janeiro e fevereiro. Contudo, essa “melhora” decorreu muito mais de um fator calendário ou de um fator estatístico do que qualquer outra coisa. É que no corrente ano o mês de março contou com dois dias úteis a mais do que março do ano passado e, ademais, o resultado da produção industrial nesse último mês fora muito baixo, portanto formando uma base baixa de comparação.
Os dados relevantes para se aferir o estado da produção industrial do país não são esses, mas sim, o que informa que na média dos últimos 3 meses a indústria opera em um nível de produção quase 15% inferior ao do mesmo período do ano passado. A outra informação relevante é que o coração de um sistema produtivo, ou seja, a sua indústria de bens de capital, que espelha a intenção de investir da economia, não pára de aprofundar sua queda. Com ajuste sazonal, a comparação da produção desse setor em março com fevereiro apresentou recuo de 4,7%, acumulando dois meses de mega retrações, já que em fevereiro o declínio chegara a 7,1%. Isso significa que esse setor desde o início da crise já perdeu, em seis meses, 33% de sua produção, sem que apresente qualquer sinal de reação. Em si, esse é um desempenho que deprime os resultados da indústria como um todo, que caiu 16%, também comparando-se a produção de março com o auge anterior à crise verificado em setembro do ano passado. Mas, mais do que isso, o colapso em bens de capital é revelador de que o investimento na economia brasileira está tendo um declínio de grandes proporções. As variações do investimento têm o poder de determinar à frente os aumentos de renda e emprego, razão pela qual os negativos indicadores em bens de capital devem ser tomados com extrema preocupação.
No momento atual, a economia brasileira vem acumulando resultados favoráveis. Tem sido assim na área do emprego, do comércio varejista, do comércio exterior, na conta de transações correntes do balanço de pagamentos, na inflação, denotando que sob muitos critérios a crise internacional não afeta o Brasil tão negativamente como em outras épocas, o que pode ser indicativo de que a economia do país desfruta de capacidade para superar a atual etapa adversa com antecedência a outras economias. Tudo isso é verdadeiro, menos com relação ao eixo central da dinâmica econômica, que no Brasil, assim com em qualquer outro lugar do mundo, tem no investimento o seu centro irradiador. E o investimento no Brasil vai muito mal.
O governo tem realizado reduções de impostos em segmentos de bens duráveis, o que contribuiu para minimizar a queda de vendas e de produção nesses setores. Mas até agora não instituiu nenhum mecanismo adicional de incentivo para as empresas que, mesmo diante do horizonte incerto causado pela crise internacional, venham a se aventurar em projetos de investimento. Não deve ser minimizado o conjunto de medidas, extremamente relevantes, para ampliação dos recursos para o BNDES. Elas asseguraram que por falta de financiamento não haverá descontinuidade dos investimentos na economia. Mas não somente por falta de financiamento os investimentos deixam de ser realizados, se, como é o caso no presente momento econômico, há uma queda generalizada e profunda nas expectativas, deprimindo a demanda por novos investimentos. Reduções de impostos na compra de bens de capital ajudariam nessa direção, mas seria importante um incentivo extra, tal como a redução de tributos (IR e outros impostos e contribuições federais) em contrapartida aos gastos com investimentos realizados, digamos nesse e no próximo ano. (
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abril 28, 2009

Isso é "inchar a máquina pública"?

TIRANDO O ATRASO
A POLÍTICA do arrocho contra o funcionalismo e do descumprimento das leis, praticada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, resultou em uma gigantesca defasagem salarial, no sucateamento da máquina pública, no atraso tecnológico e na terceirização abusiva e inconstitucional, que o Ministério Público tenta corrigir, exigindo a substituição gradativa por concursados.
O atual governo fez alguns reajustes salariais e promoveu os concursos possíveis, mas ainda está longe de sanar os problemas herdados. Mesmo assim, é implacavelmente criticado por isso, justamente pelos políticos que levaram o país a essa situação. No discurso da oposição, o interesse político-partidário prevalece sobre o da sociedade. Ou seja, não se pratica Política com P maiúsculo, faz-se politicagem.
Concursos públicos rotineiros são absolutamente necessários para garantir qualidade e eficiência na prestação de serviços do Estado aos cidadãos, que arcam com carga tributária elevada e, em troca, esperam benefícios compatíveis, para toda a sociedade. Como se isso fosse pouco, os concursos também são indispensáveis para cumprimento da Constituição Cidadã.
Não faz o menor sentido a acusação de inchaço da máquina pública nem de desperdício de recursos em época de crise, pois os concursos têm sido autorizados com parcimônia, muitas vezes para vagas muito aquém das necessárias. Um dos mais necessários, por exemplo, sequer foi ainda autorizado, acreditando-se que ficará para 2010. É para auditor-fiscal do trabalho, função que conta com apenas 3.071 servidores, 30% deles desempenhando atividades administrativas, aponta o sindicato da categoria.
Veja o que acontece em estados de grande extensão territorial e com graves problemas trabalhistas: em Roraima há apenas oito auditores; no Amapá, dez; no Acre, 13; e no Amazonas, 35. Servidores que tiram férias, ficam doentes, etc.
O concurso, pedido era em 2007, seria para 600 vagas, mas um primeiro acerto já ceifou 80. Isso é inchar a máquina pública?
RECONHECIMENTO
O PRESIDENTE Luiz Inácio Lula da Silva endossou indiretamente a enorme importância dos concursos ao ressaltar que, “ao contrário do que muitos falam, a máquina pública, do ponto de vista da formação e da qualificação dos servidores, é extraordinária”. Isso só foi possível devido a regularidade das seleções democráticas, com as quais o “quem indicou” foi substituído pela qualificação.
A situação ficará melhor quando forem definitivamente equacionadas duas questões nevrálgicas: a gestão e os salários defasados, uma delas reconhecida pelo presidente: “O problema da máquina não são os recursos gastos, mas a ineficiência e os baixos salários”.
De fato, somente a elite do funcionalismo tem recebido tratamento digno no campo remuneratório, enquanto a maior parte dos servidores não tem aumento digno desse nome há muitos anos. Mesmo assim, o quadro de servidores é considerado competente. Por que a ineficiência, então?
A resposta é simples: o problema está na nomeação generalizada de gestores públicos por critérios político-partidários, em vez de dos técnicos. Enquanto houver políticos “donos” de determinadas áreas, nomeando afilhados, mandando e desmandando, o serviço público não atingirá o rendimento ideal, e os servidores continuarão sendo alvo de críticas injustas.
EDITORIAIS, Folha Dirigida
Edição 1201, 27.04 a 03.05.09
PROVAS DOS NOVES
APÓS 43 ANOS sem concursos, o Departamento Nacional de Obras contra as Secas ( Dnocs ) foi autorizado a preencher 82 vagas. “Tudo isso”, apesar do Plano de Aceleração do Crescimento. E ainda há quem fale em inchaço do serviço público…
REQUIÃO: ORDEM PARA ACELERAR CONCURSOS
FAZEMOS O REGISTRO com prazer, pelo ineditismo da atitude, esperando que ela sirva de exemplo: o governador do Paraná, Roberto Requião, pediu mais agilidade na realização de concursos. O foco do governo é investir na área de saúde, inaugurando novos hospitais e contratando mais profissionais qualificados, e por isso a Secretaria de Administração já elabora edital. O chefe do Executivo reconheceu a existência de não-concursados, devido à urgência, mas ressaltou que pretende deixar o governo estabilizado, “com funcionários permanentes e estatutários”.
BENITO ALEMPARTE,
Ponto de Encontro, na mesma edição de Folha Dirigida

Isso é "inchar a máquina pública"?

TIRANDO O ATRASO
A POLÍTICA do arrocho contra o funcionalismo e do descumprimento das leis, praticada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, resultou em uma gigantesca defasagem salarial, no sucateamento da máquina pública, no atraso tecnológico e na terceirização abusiva e inconstitucional, que o Ministério Público tenta corrigir, exigindo a substituição gradativa por concursados.
O atual governo fez alguns reajustes salariais e promoveu os concursos possíveis, mas ainda está longe de sanar os problemas herdados. Mesmo assim, é implacavelmente criticado por isso, justamente pelos políticos que levaram o país a essa situação. No discurso da oposição, o interesse político-partidário prevalece sobre o da sociedade. Ou seja, não se pratica Política com P maiúsculo, faz-se politicagem.
Concursos públicos rotineiros são absolutamente necessários para garantir qualidade e eficiência na prestação de serviços do Estado aos cidadãos, que arcam com carga tributária elevada e, em troca, esperam benefícios compatíveis, para toda a sociedade. Como se isso fosse pouco, os concursos também são indispensáveis para cumprimento da Constituição Cidadã.
Não faz o menor sentido a acusação de inchaço da máquina pública nem de desperdício de recursos em época de crise, pois os concursos têm sido autorizados com parcimônia, muitas vezes para vagas muito aquém das necessárias. Um dos mais necessários, por exemplo, sequer foi ainda autorizado, acreditando-se que ficará para 2010. É para auditor-fiscal do trabalho, função que conta com apenas 3.071 servidores, 30% deles desempenhando atividades administrativas, aponta o sindicato da categoria.
Veja o que acontece em estados de grande extensão territorial e com graves problemas trabalhistas: em Roraima há apenas oito auditores; no Amapá, dez; no Acre, 13; e no Amazonas, 35. Servidores que tiram férias, ficam doentes, etc.
O concurso, pedido era em 2007, seria para 600 vagas, mas um primeiro acerto já ceifou 80. Isso é inchar a máquina pública?
RECONHECIMENTO
O PRESIDENTE Luiz Inácio Lula da Silva endossou indiretamente a enorme importância dos concursos ao ressaltar que, “ao contrário do que muitos falam, a máquina pública, do ponto de vista da formação e da qualificação dos servidores, é extraordinária”. Isso só foi possível devido a regularidade das seleções democráticas, com as quais o “quem indicou” foi substituído pela qualificação.
A situação ficará melhor quando forem definitivamente equacionadas duas questões nevrálgicas: a gestão e os salários defasados, uma delas reconhecida pelo presidente: “O problema da máquina não são os recursos gastos, mas a ineficiência e os baixos salários”.
De fato, somente a elite do funcionalismo tem recebido tratamento digno no campo remuneratório, enquanto a maior parte dos servidores não tem aumento digno desse nome há muitos anos. Mesmo assim, o quadro de servidores é considerado competente. Por que a ineficiência, então?
A resposta é simples: o problema está na nomeação generalizada de gestores públicos por critérios político-partidários, em vez de dos técnicos. Enquanto houver políticos “donos” de determinadas áreas, nomeando afilhados, mandando e desmandando, o serviço público não atingirá o rendimento ideal, e os servidores continuarão sendo alvo de críticas injustas.
EDITORIAIS, Folha Dirigida
Edição 1201, 27.04 a 03.05.09
PROVAS DOS NOVES
APÓS 43 ANOS sem concursos, o Departamento Nacional de Obras contra as Secas ( Dnocs ) foi autorizado a preencher 82 vagas. “Tudo isso”, apesar do Plano de Aceleração do Crescimento. E ainda há quem fale em inchaço do serviço público…
REQUIÃO: ORDEM PARA ACELERAR CONCURSOS
FAZEMOS O REGISTRO com prazer, pelo ineditismo da atitude, esperando que ela sirva de exemplo: o governador do Paraná, Roberto Requião, pediu mais agilidade na realização de concursos. O foco do governo é investir na área de saúde, inaugurando novos hospitais e contratando mais profissionais qualificados, e por isso a Secretaria de Administração já elabora edital. O chefe do Executivo reconheceu a existência de não-concursados, devido à urgência, mas ressaltou que pretende deixar o governo estabilizado, “com funcionários permanentes e estatutários”.
BENITO ALEMPARTE,
Ponto de Encontro, na mesma edição de Folha Dirigida

abril 12, 2009

Novas do "Estado balofo-esquálido": concursos públicos continuam na agulha, para desespero da tucanalha e dos "consultores"

BOATARIA SEPULTADA
A terceira rodada de boatos sobre a suspensão dos concursos federais ( a primeira ocorreu quando da extinção da CPMF ) foi rápida e categóricamente desmentida pelos fatos, como nas vezes anteriores. Depois do noticiário alarmista, o Ministério do Planejamento não apenas nomeou aprovados no seu concurso para analistas e liberou 82 nomeações na Marinha, como autorizou 230 vagas para ele próprio, 260 para a Anac, 187 para o Iphan, 2223 temporárias para o Exército e 25 anestesiologistas na Universidade Federal do RN.
As vagas destinadas ao Comando do Exército, a serem preenchidas este ano são de “excepcional interesse público”, como indica a portaria autorizativa, e outras nessas condições estão na lista de espera das autorizações, várias delas já acertadas e prestes a serem oficializadas.
Por maior que seja a repercussão da crise financeira no país, a reposição ( e em alguns casos, aumento ) de servidores em setores essenciais não pode ser interrompida, e é isso que a União vem fazendo, com austeridade, ignorando críticas infundadas [ OBS: Se quiser, leia primeiro este post . Eu espero você voltar, antes de prosseguir ] de setores que direcionam suas baterias contra o funcionalismo, como se ele fosse o responsável pelos males nacionais.
Educação, saúde, agências reguladoras, segurança pública, arrecadação, fiscal e substituição de terceirizados acertados com o Ministério Público do Trabalho, assim como tudo que é ligado ao Programa de Aceleração do Crescimento ( PAC ), e ao projeto de construção de um milhão de moradias são alguns dos setores intocáveis, cujos concursos manterão a regularidade.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, vem fazendo exatamente o que disse que faria. Quem distorceu suas palavras, sabe-se lá com que intenção, que se explique. E que não espalhe mais boatos.
ENSINO PRECARIZADO
A legislação é clara: contrátos temporários só podem ocorrer em situações emergenciais, de excepcional interesse público. Eternizar essas contratações, portanto, não apenas é ilegal, permitindo a responsábilização do gestor público, como demonstra falata de planejamento e de interesse em proporcionar serviços de qualidade, permitindo até pensar em interesses escusos.
É o que acontece, por exemplo, nas escolas públicas, pelo país afora: a contratação de professores temporários, sob a alegação de emergência, há muito tempo é rotineira. Um em cada cinco professores brasileiros é temporário, e em sete dos 23 estados pesquisados, a proporção supera a média nacional.
Para piorar a situação, as contratações nem sempre são transparentes e democráticas, precedidas de provas, limitando-se as seleções a uma simples entrevista ou análise curricular.
Essa precariedade influi amplamente para piorar a qualidade do ensino, pois os “eleitos”, que nem sempre são os melhores candidatos, trabalham com insegurança e a secretaria de Educação é impossibilitada de executar uma política educacional de médio e curto prazo.
A Comissão de Educação e Cultura da Câmara decidiu fazer uma audiência pública sobre o problema, no âmbito estadual, mas ele também existe no municipal. O encontro foi requerido pelo deputado Pedro Wilson ( PT-GO ) e conta com o apoio da presidente da Comissão, Maria do Rosário.
Espera-se que os trabalhos sejam, proveitosos, não se limitando a constatação dos fatos, já por demais conhecidos.
EDITORIAL
Jornal FOLHA DIRIGIDA, ed. 1198, 06 a 12.04.09
BÔNUS 1:
BOM INVESTIMENTO
Veja só como é lucrativo investir em fiscalização: cada real gasto pelo Tribunal de Contas da União rende R$ 27,8 ao Tesouro Nacional. No ano passado, o órgão gerou um benefício de R$ 31,9 bilhões ao país. Só no último trimestre recuperou R$ 15,8 bilhões, quantia 35 vezes superior às despesas. Portanto, concursos para fiscais, em todos os órgãos, são sempre muito bem-vindos.
Benito Alemparte, FD, 02 a 08.03.09
BÔNUS 2:
SOBRE AS DÍVIDAS DO ESTADO E DOS CONTRIBUINTES
Nas relações entre o Estado e os contribuintes, ganham peso crescente as dívidas constituídas entre eles. O quadro é impressionante: os débitos dos contribuintes inscritos na Dívida Ativa da União já ultrapassam R$ 700 bilhões; os precatórios devidos pelos estados e municípios são estimados em R$ 100 bilhões; as dívidas previdenciárias dos municípios se eternizam, em virtude de sucessivos planos de parcelamento.
A constituição desses débitos apenas atesta a fragilidade dos instrumentos de cobrança e a forma descuidada com eles são tratados pela administração pública e pelos contribuintes. Pretendo explorar, neste artigo, a apuração e a liquidação desses passivos e apontar caminhos que possam prevenir sua ocorrência.
Pode-se entender como verdade que os passivos tributários dos contribuintes estejam associados ao tamanho da carga tributária por eles suportada. Sem perquirir as causas que explicam o ônus tributário, devem ser arroladas inúmeras outras razões para explicar a constituição desses passivos, dentre as quais destaco a expectativa dos contribuintes de que, a qualquer tempo, haverá uma anistia.
De fato, a União, os estados e os municípios, a pretexto de conferir liquidez aos passivos tributários, costumam rotineiramente instituir parcelamentos combinados com anistias. Trata-se de um enorme equívoco, somente justificável em situações excepcionais, quando a administração fiscal pretende resolver complexas contendas judiciais, pela via da transação tributária.
Os parcelamentos, por sua vez, servem apenas como instrumento para fazer alguma receita fiscal e permitir ao contribuinte obter uma certidão negativa para contratar com o setor público. Muitos deles são cancelados sem que haja a liquidação dos débitos, na certeza de que virão novos parcelamentos, freqüentemente, acompanhados de anistia.
De todos os parcelamentos, o Refis representou uma iniciativa singular. Em lugar de parcelas constantes, optou-se por vincular o pagamento a um percentual da receita bruta, ou seja, à capacidade de pagamento do contribuinte. Além disso, não se concedeu qualquer anistia.
Às críticas de que o modelo do Refis poderia resultar em prazos longos, a resposta é óbvia: longo prazo é mais próximo do que nunca. Nenhum contribuinte conseguirá pagar mais do que sua capacidade de pagamento permite. Parcelas mensais que superem essa capacidade é apenas uma evidência franca de que está em curso a farsa da obtenção da certidão negativa. É, portanto, inadequado referir-se a parcelamentos posteriores como Refis I, Refis II, etc.
A montanha de precatórios não pagos é literalmente uma vergonha. Desautoriza moralmente a cobrança da dívida ativa. Precatórios e dívida ativa são créditos constituídos à luz dos pressupostos de certeza e liquidez. Pouco importa se os precatórios resultaram de desídia ou incompetência na defesa do interesse público. O fato é que transitaram em julgado, não cabendo, pois, mais nenhum recurso contra a sentença.
Da mesma forma que os débitos dos contribuintes, os precatórios, pela magnitude que assumiram, somente poderão ser liquidados mediante parcelamento. O legislador constitucional não teve dúvida de vincular o pagamento do precatório à receita líquida corrente da entidade federativa devedora. Por que então não vincular também o parcelamento do contribuinte à sua receita bruta? Por que não admitir o pagamento de débitos inscritos em dívida ativa com precatórios, quando o Estado exige que, na sua liquidação, se proceda à compensação com aqueles débitos? A igualdade nas relações entre o contribuinte e o Estado é um preceito republicano fundamental.
Ganha espaço na mídia as enormes perdas fiscais que estão sofrendo os municípios, particularmente os que dependem de transferências federais, como a imensa maioria deles. As perdas decorrem da crise econômica e dos instrumentos que vêm sendo utilizados para mitigá-la. Apenas a concessão de isenções, no âmbito do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), já resultou em redução, nas transferências para estados e municípios, superior a R$ 3 bilhões.
A situação é de tal ordem grave que muitas prefeituras estão paralisando suas atividades pela impossibilidade de atender a seus compromissos. Por essa razão, propus a criação de um fundo de emergência capaz de assegurar minimamente os valores nominais das transferências realizadas no exercício passado, tendo como fonte a anulação de despesas consignadas no Fundo Soberano.
Para complicar ainda mais, foi anunciado um programa de parcelamento de dívidas previdenciárias dos municípios, com prazo de amortização de 240 meses. Ocorre que nesses presumidos débitos estão incluídos valores inexistentes ou pagos a maior, por força da Súmula Vinculante n 8 do Supremo Tribunal Federal (STF) que fixou em cinco anos o prazo para decadência e prescrição de débitos previdenciários.
No projeto de lei de conversão da Medida Provisória n 457, que trata da matéria, seria recomendável fixar uma moratória de seis meses no parcelamento, para que se faça uma indispensável revisão dos valores devidos. Seria também a oportunidade para alterar as regras propostas de parcelamento, substituindo-as por um percentual das transferências compulsórias federais. Se ainda restasse disposição para inovar, poderia cogitar-se da construção de um modelo que articulasse o pagamento dos débitos correntes previdenciários com a efetivação daquelas transferências, resolvendo de uma vez por todas o eterno problema das dívidas previdenciárias dos municípios.
EVERARDO MACIEL, ex-secretário da Receita Federal
Gazeta Mercantil, 09.04.09
BÔNUS 3:
FISCO DEVE ARRECADAR r$ 485 BI, APESAR DA CRISE
A Receita Federal prevê arrecadar este ano R$ 485 bilhões em tributos, valor semelhante ao do ano passado, segundo a secretária do Fisco, Lina Maria Vieira. Este resultado será alcançado apesar da crise financeira internacional que, na avaliação da secretária, é a responsável pela estagnação na arrecadação de tributos que vinha crescendo nos últimos seis anos.
Para reforçar o caixa este ano, diante do quadro econômico adverso e do aumento de gastos do governo, a secretária avisa que vai reforçar a fiscalização para combater a sonegação fiscal e o contrabando de mercadorias. Segundo ela, o aumento nas alíquotas de PIS/Confins, em mais de 70% no setor de varejo, e IPI, em 23,5%, visa dar a garantia ao governo para cumprir a meta do superávit primário de 3,8% este ano. Para garantir o aumento da arrecadação proveniente do setor de cigarros, negocia com o governo do Paraguai a implantação da nota fiscal eletrônica, ferramenta de fiscalização tributária do setor.
Gazeta Mercantil – Qual a estratégia da Receita Federal para elevar a arrecadação este ano e compensar as perdas de receitas?
O nosso foco é tirar aquela fiscalização engessada que tínhamos no passado, voltada para assalariados e despesas médicas. Não que isso seja menos importante e nosso sistema também fará essa parte. Porém, a nossa mão de obra será direcionada durante este ano à fiscalização de grandes contribuintes, conjuntamente com as secretarias de Fazenda dos estados no combate à sonegação. Essa é grande mudança de foco da fiscalização da Receita Federal.
Gazeta Mercantil – Qual a meta de arrecadação este ano?
A nossa previsão é de R$ 485 bilhões e foi construída no Ministério da Fazenda, juntamente com a Secretaria de Política Econômica, que dá os indicadores para a elaboração da previsão da arrecadação para 2009.
Gazeta Mercantil – Há possibilidade de o governo fazer um novo corte no Orçamento este ano, acima dos R$ 21 bilhões já anunciados, a fim de equilibrar as contas?
Tudo pode acontecer. Isso vai depender de quanto conseguimos aquecer a economia este ano, de melhorar a arrecadação para fazermos o pagamento da folha salarial, do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), dos investimentos.
Gazeta Mercantil – O aumento do cigarro vai compensar apenas parte das desonerações feitas recentemente?
O aumento das alíquotas de IPI e PIS/COFINS para o cigarro foi para responder às desonerações efetuadas para material de construção, veículos e motos. O aumento da alíquota do cigarro é exatamente para o Ministério da Fazenda cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Gazeta Mercantil – Mas o aumento das alíquotas do cigarro não cobrem 100% as desonerações feitas de R$ 3,075 bilhões. Já que o aumento do cigarro é de apenas R$ 976 milhões este ano?
As contas que fizemos mostram que o aumento das alíquotas do cigarro cobre toda a desoneração feita. Talvez você esteja levando em conta o impacto do IPI, que é um imposto regulatório e por isso está excluído dessas contas. E excluindo o IPI, o aumento das alíquotas do cigarro cobrem as desonerações. Não íamos colocar o ministro (da Fazenda) nessa situação, de não cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Gazeta Mercantil – Até que ponto a crise financeira internacional é responsável pela queda da arrecadação?
Em todos os pontos. Se a atividade econômica cai, cai a arrecadação sobre o faturamento das empresas. E se não há lucratividade não há arrecadação.
Gazeta Mercantil – Qual a defasagem mínima para a desoneração dos tributos voltarem aos cofres do Fisco em forma de arrecadação?
Demos os três meses de desoneração do IPI para o setor automobilístico e tivemos um resultado bastante satisfatório, como manutenção dos empregos, aquecimentos das vendas. Por isso ele foi prorrogado por mais três meses. A preocupação do governo é com a manutenção dos empregos. Ver os resultados satisfatórios em relação às medidas de desoneração adotadas. E nesse período de seis meses o governo espera que haja reaquecimento da economia. O problema da crise é que é um contexto mundial, não é um problema do Brasil. O Brasil tomou medidas adequadas, por isso acredito que conseguiremos sair bem dessa crise.
Gazeta Mercantil – Existem medidas em estudo, também, para o setor exportador?
As de exportações saem agora pela regulamentação do Drawback Integrado, algo que já vinha se arrastando há algum tempo, e vai facilitar bastante a vida dos exportadores. Assinamos quarta-feira a portaria do Drawback Integrado. Isso vai ajudar muito o setor exportador, porque fizemos a suspensão das alíquotas de IPI, do PIS/Confins para que a indústria compre os insumos consumidos na elaboração ou industrialização do produto a ser exportado. Isso vai facilitar bastante a vida do exportador. Além disso, a Receita tem intensificado as análises dos processos de ressarcimento do crédito tributário – a pedido do ministro (Fazenda, Guido Mantega). Esse trabalho foi intensificado para verificar a qualidade desses créditos. É um processo que demanda muito tempo, pois nossos auditores fazem a auditoria para verificar a qualidade desses créditos.
Gazeta Mercantil – Como está a qualidade desses créditos tributários. As devoluções estão acontecendo?
As auditorias detectaram que 57% dos processos são transformados em débitos. Ou seja, 57% do que o contribuinte informa que tem crédito na verdade não tem. Por isso, é importante o trabalho de fiscalização na verificação da qualidade desses créditos informados pelo contribuinte. Diante do resultado, estamos mudando esse foco e fortalecendo as nossas delegacias especiais em São Paulo e Rio de Janeiro para a fiscalização dos grandes contribuintes. Existem duas em São Paulo e uma no Rio de Janeiro. Vamos dobrar o número de auditores em ambas unidades para 150 auditores, para fortalecendo a nossa estrutura.
Gazeta Mercantil – Ainda há espaço para a Receita Federal fazer novas desonerações de impostos na economia?
Temos dois limites, um é político institucional. Ou seja, quanto à Federação suporta. Temos outro, o limite técnico e econômico que é quanto cada setor precisa. No caso da Federação, ela suporta o que determina o artigo 14 Lei de Responsabilidade Fiscal, que diz que para cada desoneração feita é preciso apresentar uma fonte de receita ou um corte de despesa. Esse é o nosso limite. Quanto ao limite que os setores precisam de desoneração, o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), com suas câmaras setoriais, juntamente com a Secretaria de Política Econômica, do Ministério da Fazenda, conseguem calibrar mais isso, sendo que cada setor econômico tem uma realidade diferente, tem as suas especificidades.
Gazeta Mercantil – Diante do aumento das alíquotas do imposto do cigarro, essa indústria quer fazer uma mudança no cálculo da cobrança do IPI, pois alega que há distorção na cobrança. A Receita pretende fazer uma mudança nisso?
Foram feitas aqui diversas reuniões com o setor para tentar apresentar um modelo que atendesse a todos. Precisamos entender que a incidência da alíquota “ad rem” (0,65 por classe de cigarro), em relação ao IPI, é igual para todos os tipos de cigarro, independente da embalagem. A alíquota “ad rem” é para combater externalidades negativas, ou seja, os danos que o cigarro causam à saúde. Nesse caso, não podemos dar um tratamento benéfico às pequenas empresas produtoras de cigarros, como fazemos com o Simples Nacional, por exemplo. Já o PIS/Cofins e ICMS incidem sobre o preço do produto. E nesse caso, é diferenciado.
Gazeta Mercantil – O que a Receita Federal fará para inibir o aumento do contrabando do cigarro decorrente da alta das alíquotas?
Vamos intensificar a fiscalização para evitar o contrabando de países vizinhos, pois quando se aumenta a alíquota sempre temos que intensificar a fiscalização. A Receita já está preparada juntamente com vários atores nesse processo. São os órgãos da área de saúde, Polícia Federal, Inmetro, para coibir o ingresso desses produtos no território nacional. É um conjunto de órgãos que farão frente ao combate do contrabando. Só em fevereiro, tivemos apreensões na nossa fronteira com o Paraguai de quase 4 milhões de maços de cigarros, o equivalente a quase R$ 2 bilhões. É um trabalho que a Receita sempre fez. Além disso, temos feito reuniões com a equipe da Secretaria de Fazenda do Paraguai para modernizar a indústria paraguaia também com a emissão da nota fiscal eletrônica. No Brasil temos alguns mecanismos de controle. Temos um instrumento que faz a contagem na indústria de cigarros, temos a nota fiscal eletrônica. E solicitamos ao Paraguai que adote essas medidas lá.
Gazeta Mercantil – Essa tecnologia seria exportada para lá?
Eles (paraguaios) fizeram um agendamento com a Casa da Moeda para conhecer os selos de controle de cigarro. E abrimos todos os espaços para eles conhecerem como funcionam as ferramentas de controle no Brasil. Marcamos uma visita a uma indústria e mostramos toda a sistemática para eles saberem como funciona no Brasil e levar isso para o Paraguai. Eles querem que se implantem o regime tributário rapidamente. Mas não podemos, a despeito, de fragilizarmos a indústria nacional e os empregos dos brasileiros, permitir que isso aconteça sem que o Paraguai esteja devidamente preparado. Isso poderia reduzir o contrabando do Brasil, já que a maior parte é oriunda do Paraguai.
Gazeta Mercantil – E a sonegação fiscal das empresas brasileiras?
Historicamente têm empresas aqui que não agem corretamente. Não recolhem os tributos e por isso conseguem colocar os produtos por um preço menor na praça, estabelecendo a concorrência desleal [Grifo deste blog ]. Esses preços desequilibram a concorrência do mercado, muitas operam com decisões judiciais. Estamos fazendo um trabalho com a Receita, Procuradoria da Fazenda Nacional e o Judiciário para derrubar as liminares que ainda vigoram. Ainda temos seis indústrias que funcionam amparadas em decisões judiciais que prejudicam os fabricantes que cumprem com suas obrigações. Já conseguimos reduzir esse mercado em 17% em 2007 para 13% em 2008. Isso representa 250 milhões de carteiras que deixaram de circular no mercado sem o pagamento dos tributos. O prejuízo anual causado pelos fabricantes nacionais foi reduzido de R$ 695 milhões para R$ 510 milhões, o que é muito positivo.
Gazeta Mercantil – A senhora pensou que iria enfrentar esse momento de crise na Receita Federal?
Em agosto nós ainda não tínhamos nenhuma notícia de que haveria crise, apesar de muitos livros escritos no passado já previam a existência da bolha. Mas ninguém esperava por isso. O país vinha bem, crescendo economicamente. A Bolsa de Valores com resultado positivo. Mais um desafio. Mas tenho tido uma parceria muito grande com todas as administrações tributárias, nos três níveis de governo, desde que eu assumi (julho de 2008), com estados e municípios. Entendemos que a Receita Federal tem que ser uma organização servidora. Precisamos ter um olhar mais atento à federação brasileira. Todas as administrações tributárias, desde setembro, estão passando por momentos difíceis. Ou seja, de queda da atividade econômica em consequência da queda da arrecadação. E todos os governos com todos os seus compromissos, não só dos investimentos que foram anunciados pelo governo federal, pelos governos estaduais, os novos prefeitos assumindo numa situação muito complicada. Então eu acho que as administrações tributárias estão passando por momento muito difícil, estão sendo muito requisitadas para atender e minimizar os efeitos da crise. E com isso, a nossa equipe de análise na área tributária tem se debruçado dia e noite para atender as demandas do governo para minimizar essa situação.
Gazeta Mercantil – Há necessidade de a Receita Federal reforçar a estrutura de fiscalização?
Temos notícias de que haverá concursos públicos. Fizemos um despacho com o presidente da República e colocamos a necessidade de um aumento do efetivo, tanto de auditores como de analistas e de administrativo. O concurso administrativo já foi liberado e deve ser realizado em maio. Quanto ao de analistas, estamos aguardando as últimas reuniões com a Secretaria do Planejamento para fecharmos. Vamos ainda reforçar a estrutura nas fronteiras, que é uma determinação
do presidente da República. Para isso, precisamos da parceria de todos os órgãos que interagem na entrada e saída de mercadorias e pessoas no território nacional.
Gazeta Mercantil – O reforço na estrutura da Receita é suficiente para equilibrar as contas este ano?
Esse equilíbrio não é de responsabilidade apenas do Fisco. O governo tem que gastar bem e reduzir gastos, isso é uma responsabilidade de todos os ministérios. Cada ministério teria que analisar onde seria possível fazer os cortes. A Receita trabalha com o cenário dos números, do comportamento da arrecadação. E o ministro (da Fazenda) calibra as necessidades da economia. Todo trabalho que temos feito, desde o ano passado, como nas desonerações, tem foco nos setores em que o governo entende que são prioritários em termos de recebimento de ajuda. Tais como veículos, construção civil.
Gazeta Mercantil

Novas do "Estado balofo-esquálido": concursos públicos continuam na agulha, para desespero da tucanalha e dos "consultores"

BOATARIA SEPULTADA
A terceira rodada de boatos sobre a suspensão dos concursos federais ( a primeira ocorreu quando da extinção da CPMF ) foi rápida e categóricamente desmentida pelos fatos, como nas vezes anteriores. Depois do noticiário alarmista, o Ministério do Planejamento não apenas nomeou aprovados no seu concurso para analistas e liberou 82 nomeações na Marinha, como autorizou 230 vagas para ele próprio, 260 para a Anac, 187 para o Iphan, 2223 temporárias para o Exército e 25 anestesiologistas na Universidade Federal do RN.
As vagas destinadas ao Comando do Exército, a serem preenchidas este ano são de “excepcional interesse público”, como indica a portaria autorizativa, e outras nessas condições estão na lista de espera das autorizações, várias delas já acertadas e prestes a serem oficializadas.
Por maior que seja a repercussão da crise financeira no país, a reposição ( e em alguns casos, aumento ) de servidores em setores essenciais não pode ser interrompida, e é isso que a União vem fazendo, com austeridade, ignorando críticas infundadas [ OBS: Se quiser, leia primeiro este post . Eu espero você voltar, antes de prosseguir ] de setores que direcionam suas baterias contra o funcionalismo, como se ele fosse o responsável pelos males nacionais.
Educação, saúde, agências reguladoras, segurança pública, arrecadação, fiscal e substituição de terceirizados acertados com o Ministério Público do Trabalho, assim como tudo que é ligado ao Programa de Aceleração do Crescimento ( PAC ), e ao projeto de construção de um milhão de moradias são alguns dos setores intocáveis, cujos concursos manterão a regularidade.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, vem fazendo exatamente o que disse que faria. Quem distorceu suas palavras, sabe-se lá com que intenção, que se explique. E que não espalhe mais boatos.
ENSINO PRECARIZADO
A legislação é clara: contrátos temporários só podem ocorrer em situações emergenciais, de excepcional interesse público. Eternizar essas contratações, portanto, não apenas é ilegal, permitindo a responsábilização do gestor público, como demonstra falata de planejamento e de interesse em proporcionar serviços de qualidade, permitindo até pensar em interesses escusos.
É o que acontece, por exemplo, nas escolas públicas, pelo país afora: a contratação de professores temporários, sob a alegação de emergência, há muito tempo é rotineira. Um em cada cinco professores brasileiros é temporário, e em sete dos 23 estados pesquisados, a proporção supera a média nacional.
Para piorar a situação, as contratações nem sempre são transparentes e democráticas, precedidas de provas, limitando-se as seleções a uma simples entrevista ou análise curricular.
Essa precariedade influi amplamente para piorar a qualidade do ensino, pois os “eleitos”, que nem sempre são os melhores candidatos, trabalham com insegurança e a secretaria de Educação é impossibilitada de executar uma política educacional de médio e curto prazo.
A Comissão de Educação e Cultura da Câmara decidiu fazer uma audiência pública sobre o problema, no âmbito estadual, mas ele também existe no municipal. O encontro foi requerido pelo deputado Pedro Wilson ( PT-GO ) e conta com o apoio da presidente da Comissão, Maria do Rosário.
Espera-se que os trabalhos sejam, proveitosos, não se limitando a constatação dos fatos, já por demais conhecidos.
EDITORIAL
Jornal FOLHA DIRIGIDA, ed. 1198, 06 a 12.04.09
BÔNUS 1:
BOM INVESTIMENTO
Veja só como é lucrativo investir em fiscalização: cada real gasto pelo Tribunal de Contas da União rende R$ 27,8 ao Tesouro Nacional. No ano passado, o órgão gerou um benefício de R$ 31,9 bilhões ao país. Só no último trimestre recuperou R$ 15,8 bilhões, quantia 35 vezes superior às despesas. Portanto, concursos para fiscais, em todos os órgãos, são sempre muito bem-vindos.
Benito Alemparte, FD, 02 a 08.03.09
BÔNUS 2:
SOBRE AS DÍVIDAS DO ESTADO E DOS CONTRIBUINTES
Nas relações entre o Estado e os contribuintes, ganham peso crescente as dívidas constituídas entre eles. O quadro é impressionante: os débitos dos contribuintes inscritos na Dívida Ativa da União já ultrapassam R$ 700 bilhões; os precatórios devidos pelos estados e municípios são estimados em R$ 100 bilhões; as dívidas previdenciárias dos municípios se eternizam, em virtude de sucessivos planos de parcelamento.
A constituição desses débitos apenas atesta a fragilidade dos instrumentos de cobrança e a forma descuidada com eles são tratados pela administração pública e pelos contribuintes. Pretendo explorar, neste artigo, a apuração e a liquidação desses passivos e apontar caminhos que possam prevenir sua ocorrência.
Pode-se entender como verdade que os passivos tributários dos contribuintes estejam associados ao tamanho da carga tributária por eles suportada. Sem perquirir as causas que explicam o ônus tributário, devem ser arroladas inúmeras outras razões para explicar a constituição desses passivos, dentre as quais destaco a expectativa dos contribuintes de que, a qualquer tempo, haverá uma anistia.
De fato, a União, os estados e os municípios, a pretexto de conferir liquidez aos passivos tributários, costumam rotineiramente instituir parcelamentos combinados com anistias. Trata-se de um enorme equívoco, somente justificável em situações excepcionais, quando a administração fiscal pretende resolver complexas contendas judiciais, pela via da transação tributária.
Os parcelamentos, por sua vez, servem apenas como instrumento para fazer alguma receita fiscal e permitir ao contribuinte obter uma certidão negativa para contratar com o setor público. Muitos deles são cancelados sem que haja a liquidação dos débitos, na certeza de que virão novos parcelamentos, freqüentemente, acompanhados de anistia.
De todos os parcelamentos, o Refis representou uma iniciativa singular. Em lugar de parcelas constantes, optou-se por vincular o pagamento a um percentual da receita bruta, ou seja, à capacidade de pagamento do contribuinte. Além disso, não se concedeu qualquer anistia.
Às críticas de que o modelo do Refis poderia resultar em prazos longos, a resposta é óbvia: longo prazo é mais próximo do que nunca. Nenhum contribuinte conseguirá pagar mais do que sua capacidade de pagamento permite. Parcelas mensais que superem essa capacidade é apenas uma evidência franca de que está em curso a farsa da obtenção da certidão negativa. É, portanto, inadequado referir-se a parcelamentos posteriores como Refis I, Refis II, etc.
A montanha de precatórios não pagos é literalmente uma vergonha. Desautoriza moralmente a cobrança da dívida ativa. Precatórios e dívida ativa são créditos constituídos à luz dos pressupostos de certeza e liquidez. Pouco importa se os precatórios resultaram de desídia ou incompetência na defesa do interesse público. O fato é que transitaram em julgado, não cabendo, pois, mais nenhum recurso contra a sentença.
Da mesma forma que os débitos dos contribuintes, os precatórios, pela magnitude que assumiram, somente poderão ser liquidados mediante parcelamento. O legislador constitucional não teve dúvida de vincular o pagamento do precatório à receita líquida corrente da entidade federativa devedora. Por que então não vincular também o parcelamento do contribuinte à sua receita bruta? Por que não admitir o pagamento de débitos inscritos em dívida ativa com precatórios, quando o Estado exige que, na sua liquidação, se proceda à compensação com aqueles débitos? A igualdade nas relações entre o contribuinte e o Estado é um preceito republicano fundamental.
Ganha espaço na mídia as enormes perdas fiscais que estão sofrendo os municípios, particularmente os que dependem de transferências federais, como a imensa maioria deles. As perdas decorrem da crise econômica e dos instrumentos que vêm sendo utilizados para mitigá-la. Apenas a concessão de isenções, no âmbito do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), já resultou em redução, nas transferências para estados e municípios, superior a R$ 3 bilhões.
A situação é de tal ordem grave que muitas prefeituras estão paralisando suas atividades pela impossibilidade de atender a seus compromissos. Por essa razão, propus a criação de um fundo de emergência capaz de assegurar minimamente os valores nominais das transferências realizadas no exercício passado, tendo como fonte a anulação de despesas consignadas no Fundo Soberano.
Para complicar ainda mais, foi anunciado um programa de parcelamento de dívidas previdenciárias dos municípios, com prazo de amortização de 240 meses. Ocorre que nesses presumidos débitos estão incluídos valores inexistentes ou pagos a maior, por força da Súmula Vinculante n 8 do Supremo Tribunal Federal (STF) que fixou em cinco anos o prazo para decadência e prescrição de débitos previdenciários.
No projeto de lei de conversão da Medida Provisória n 457, que trata da matéria, seria recomendável fixar uma moratória de seis meses no parcelamento, para que se faça uma indispensável revisão dos valores devidos. Seria também a oportunidade para alterar as regras propostas de parcelamento, substituindo-as por um percentual das transferências compulsórias federais. Se ainda restasse disposição para inovar, poderia cogitar-se da construção de um modelo que articulasse o pagamento dos débitos correntes previdenciários com a efetivação daquelas transferências, resolvendo de uma vez por todas o eterno problema das dívidas previdenciárias dos municípios.
EVERARDO MACIEL, ex-secretário da Receita Federal
Gazeta Mercantil, 09.04.09
BÔNUS 3:
FISCO DEVE ARRECADAR r$ 485 BI, APESAR DA CRISE
A Receita Federal prevê arrecadar este ano R$ 485 bilhões em tributos, valor semelhante ao do ano passado, segundo a secretária do Fisco, Lina Maria Vieira. Este resultado será alcançado apesar da crise financeira internacional que, na avaliação da secretária, é a responsável pela estagnação na arrecadação de tributos que vinha crescendo nos últimos seis anos.
Para reforçar o caixa este ano, diante do quadro econômico adverso e do aumento de gastos do governo, a secretária avisa que vai reforçar a fiscalização para combater a sonegação fiscal e o contrabando de mercadorias. Segundo ela, o aumento nas alíquotas de PIS/Confins, em mais de 70% no setor de varejo, e IPI, em 23,5%, visa dar a garantia ao governo para cumprir a meta do superávit primário de 3,8% este ano. Para garantir o aumento da arrecadação proveniente do setor de cigarros, negocia com o governo do Paraguai a implantação da nota fiscal eletrônica, ferramenta de fiscalização tributária do setor.
Gazeta Mercantil – Qual a estratégia da Receita Federal para elevar a arrecadação este ano e compensar as perdas de receitas?
O nosso foco é tirar aquela fiscalização engessada que tínhamos no passado, voltada para assalariados e despesas médicas. Não que isso seja menos importante e nosso sistema também fará essa parte. Porém, a nossa mão de obra será direcionada durante este ano à fiscalização de grandes contribuintes, conjuntamente com as secretarias de Fazenda dos estados no combate à sonegação. Essa é grande mudança de foco da fiscalização da Receita Federal.
Gazeta Mercantil – Qual a meta de arrecadação este ano?
A nossa previsão é de R$ 485 bilhões e foi construída no Ministério da Fazenda, juntamente com a Secretaria de Política Econômica, que dá os indicadores para a elaboração da previsão da arrecadação para 2009.
Gazeta Mercantil – Há possibilidade de o governo fazer um novo corte no Orçamento este ano, acima dos R$ 21 bilhões já anunciados, a fim de equilibrar as contas?
Tudo pode acontecer. Isso vai depender de quanto conseguimos aquecer a economia este ano, de melhorar a arrecadação para fazermos o pagamento da folha salarial, do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), dos investimentos.
Gazeta Mercantil – O aumento do cigarro vai compensar apenas parte das desonerações feitas recentemente?
O aumento das alíquotas de IPI e PIS/COFINS para o cigarro foi para responder às desonerações efetuadas para material de construção, veículos e motos. O aumento da alíquota do cigarro é exatamente para o Ministério da Fazenda cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Gazeta Mercantil – Mas o aumento das alíquotas do cigarro não cobrem 100% as desonerações feitas de R$ 3,075 bilhões. Já que o aumento do cigarro é de apenas R$ 976 milhões este ano?
As contas que fizemos mostram que o aumento das alíquotas do cigarro cobre toda a desoneração feita. Talvez você esteja levando em conta o impacto do IPI, que é um imposto regulatório e por isso está excluído dessas contas. E excluindo o IPI, o aumento das alíquotas do cigarro cobrem as desonerações. Não íamos colocar o ministro (da Fazenda) nessa situação, de não cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Gazeta Mercantil – Até que ponto a crise financeira internacional é responsável pela queda da arrecadação?
Em todos os pontos. Se a atividade econômica cai, cai a arrecadação sobre o faturamento das empresas. E se não há lucratividade não há arrecadação.
Gazeta Mercantil – Qual a defasagem mínima para a desoneração dos tributos voltarem aos cofres do Fisco em forma de arrecadação?
Demos os três meses de desoneração do IPI para o setor automobilístico e tivemos um resultado bastante satisfatório, como manutenção dos empregos, aquecimentos das vendas. Por isso ele foi prorrogado por mais três meses. A preocupação do governo é com a manutenção dos empregos. Ver os resultados satisfatórios em relação às medidas de desoneração adotadas. E nesse período de seis meses o governo espera que haja reaquecimento da economia. O problema da crise é que é um contexto mundial, não é um problema do Brasil. O Brasil tomou medidas adequadas, por isso acredito que conseguiremos sair bem dessa crise.
Gazeta Mercantil – Existem medidas em estudo, também, para o setor exportador?
As de exportações saem agora pela regulamentação do Drawback Integrado, algo que já vinha se arrastando há algum tempo, e vai facilitar bastante a vida dos exportadores. Assinamos quarta-feira a portaria do Drawback Integrado. Isso vai ajudar muito o setor exportador, porque fizemos a suspensão das alíquotas de IPI, do PIS/Confins para que a indústria compre os insumos consumidos na elaboração ou industrialização do produto a ser exportado. Isso vai facilitar bastante a vida do exportador. Além disso, a Receita tem intensificado as análises dos processos de ressarcimento do crédito tributário – a pedido do ministro (Fazenda, Guido Mantega). Esse trabalho foi intensificado para verificar a qualidade desses créditos. É um processo que demanda muito tempo, pois nossos auditores fazem a auditoria para verificar a qualidade desses créditos.
Gazeta Mercantil – Como está a qualidade desses créditos tributários. As devoluções estão acontecendo?
As auditorias detectaram que 57% dos processos são transformados em débitos. Ou seja, 57% do que o contribuinte informa que tem crédito na verdade não tem. Por isso, é importante o trabalho de fiscalização na verificação da qualidade desses créditos informados pelo contribuinte. Diante do resultado, estamos mudando esse foco e fortalecendo as nossas delegacias especiais em São Paulo e Rio de Janeiro para a fiscalização dos grandes contribuintes. Existem duas em São Paulo e uma no Rio de Janeiro. Vamos dobrar o número de auditores em ambas unidades para 150 auditores, para fortalecendo a nossa estrutura.
Gazeta Mercantil – Ainda há espaço para a Receita Federal fazer novas desonerações de impostos na economia?
Temos dois limites, um é político institucional. Ou seja, quanto à Federação suporta. Temos outro, o limite técnico e econômico que é quanto cada setor precisa. No caso da Federação, ela suporta o que determina o artigo 14 Lei de Responsabilidade Fiscal, que diz que para cada desoneração feita é preciso apresentar uma fonte de receita ou um corte de despesa. Esse é o nosso limite. Quanto ao limite que os setores precisam de desoneração, o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), com suas câmaras setoriais, juntamente com a Secretaria de Política Econômica, do Ministério da Fazenda, conseguem calibrar mais isso, sendo que cada setor econômico tem uma realidade diferente, tem as suas especificidades.
Gazeta Mercantil – Diante do aumento das alíquotas do imposto do cigarro, essa indústria quer fazer uma mudança no cálculo da cobrança do IPI, pois alega que há distorção na cobrança. A Receita pretende fazer uma mudança nisso?
Foram feitas aqui diversas reuniões com o setor para tentar apresentar um modelo que atendesse a todos. Precisamos entender que a incidência da alíquota “ad rem” (0,65 por classe de cigarro), em relação ao IPI, é igual para todos os tipos de cigarro, independente da embalagem. A alíquota “ad rem” é para combater externalidades negativas, ou seja, os danos que o cigarro causam à saúde. Nesse caso, não podemos dar um tratamento benéfico às pequenas empresas produtoras de cigarros, como fazemos com o Simples Nacional, por exemplo. Já o PIS/Cofins e ICMS incidem sobre o preço do produto. E nesse caso, é diferenciado.
Gazeta Mercantil – O que a Receita Federal fará para inibir o aumento do contrabando do cigarro decorrente da alta das alíquotas?
Vamos intensificar a fiscalização para evitar o contrabando de países vizinhos, pois quando se aumenta a alíquota sempre temos que intensificar a fiscalização. A Receita já está preparada juntamente com vários atores nesse processo. São os órgãos da área de saúde, Polícia Federal, Inmetro, para coibir o ingresso desses produtos no território nacional. É um conjunto de órgãos que farão frente ao combate do contrabando. Só em fevereiro, tivemos apreensões na nossa fronteira com o Paraguai de quase 4 milhões de maços de cigarros, o equivalente a quase R$ 2 bilhões. É um trabalho que a Receita sempre fez. Além disso, temos feito reuniões com a equipe da Secretaria de Fazenda do Paraguai para modernizar a indústria paraguaia também com a emissão da nota fiscal eletrônica. No Brasil temos alguns mecanismos de controle. Temos um instrumento que faz a contagem na indústria de cigarros, temos a nota fiscal eletrônica. E solicitamos ao Paraguai que adote essas medidas lá.
Gazeta Mercantil – Essa tecnologia seria exportada para lá?
Eles (paraguaios) fizeram um agendamento com a Casa da Moeda para conhecer os selos de controle de cigarro. E abrimos todos os espaços para eles conhecerem como funcionam as ferramentas de controle no Brasil. Marcamos uma visita a uma indústria e mostramos toda a sistemática para eles saberem como funciona no Brasil e levar isso para o Paraguai. Eles querem que se implantem o regime tributário rapidamente. Mas não podemos, a despeito, de fragilizarmos a indústria nacional e os empregos dos brasileiros, permitir que isso aconteça sem que o Paraguai esteja devidamente preparado. Isso poderia reduzir o contrabando do Brasil, já que a maior parte é oriunda do Paraguai.
Gazeta Mercantil – E a sonegação fiscal das empresas brasileiras?
Historicamente têm empresas aqui que não agem corretamente. Não recolhem os tributos e por isso conseguem colocar os produtos por um preço menor na praça, estabelecendo a concorrência desleal [Grifo deste blog ]. Esses preços desequilibram a concorrência do mercado, muitas operam com decisões judiciais. Estamos fazendo um trabalho com a Receita, Procuradoria da Fazenda Nacional e o Judiciário para derrubar as liminares que ainda vigoram. Ainda temos seis indústrias que funcionam amparadas em decisões judiciais que prejudicam os fabricantes que cumprem com suas obrigações. Já conseguimos reduzir esse mercado em 17% em 2007 para 13% em 2008. Isso representa 250 milhões de carteiras que deixaram de circular no mercado sem o pagamento dos tributos. O prejuízo anual causado pelos fabricantes nacionais foi reduzido de R$ 695 milhões para R$ 510 milhões, o que é muito positivo.
Gazeta Mercantil – A senhora pensou que iria enfrentar esse momento de crise na Receita Federal?
Em agosto nós ainda não tínhamos nenhuma notícia de que haveria crise, apesar de muitos livros escritos no passado já previam a existência da bolha. Mas ninguém esperava por isso. O país vinha bem, crescendo economicamente. A Bolsa de Valores com resultado positivo. Mais um desafio. Mas tenho tido uma parceria muito grande com todas as administrações tributárias, nos três níveis de governo, desde que eu assumi (julho de 2008), com estados e municípios. Entendemos que a Receita Federal tem que ser uma organização servidora. Precisamos ter um olhar mais atento à federação brasileira. Todas as administrações tributárias, desde setembro, estão passando por momentos difíceis. Ou seja, de queda da atividade econômica em consequência da queda da arrecadação. E todos os governos com todos os seus compromissos, não só dos investimentos que foram anunciados pelo governo federal, pelos governos estaduais, os novos prefeitos assumindo numa situação muito complicada. Então eu acho que as administrações tributárias estão passando por momento muito difícil, estão sendo muito requisitadas para atender e minimizar os efeitos da crise. E com isso, a nossa equipe de análise na área tributária tem se debruçado dia e noite para atender as demandas do governo para minimizar essa situação.
Gazeta Mercantil – Há necessidade de a Receita Federal reforçar a estrutura de fiscalização?
Temos notícias de que haverá concursos públicos. Fizemos um despacho com o presidente da República e colocamos a necessidade de um aumento do efetivo, tanto de auditores como de analistas e de administrativo. O concurso administrativo já foi liberado e deve ser realizado em maio. Quanto ao de analistas, estamos aguardando as últimas reuniões com a Secretaria do Planejamento para fecharmos. Vamos ainda reforçar a estrutura nas fronteiras, que é uma determinação
do presidente da República. Para isso, precisamos da parceria de todos os órgãos que interagem na entrada e saída de mercadorias e pessoas no território nacional.
Gazeta Mercantil – O reforço na estrutura da Receita é suficiente para equilibrar as contas este ano?
Esse equilíbrio não é de responsabilidade apenas do Fisco. O governo tem que gastar bem e reduzir gastos, isso é uma responsabilidade de todos os ministérios. Cada ministério teria que analisar onde seria possível fazer os cortes. A Receita trabalha com o cenário dos números, do comportamento da arrecadação. E o ministro (da Fazenda) calibra as necessidades da economia. Todo trabalho que temos feito, desde o ano passado, como nas desonerações, tem foco nos setores em que o governo entende que são prioritários em termos de recebimento de ajuda. Tais como veículos, construção civil.
Gazeta Mercantil

abril 10, 2009

"Estado balofo-esquálido" brasileiro gasta em folha de pagamento a METADE DO TETO estabelecido na Lei de Responsabilidade Fiscal. E há quem ache muito

O PAPEL DO ESTADO
A ATUAÇÃO do Estado na geração de empregos, inclusive na esfera pública, é de fundamental importância para o enfrentamento de crises como a atual. Os governos precisam incentivar os investidores e, também, sempre que tiverem recursos para isso, promover suas próprias contrataçãoes, ainda mais se forem para substituir trabalhadores precarizados, como terceirizados, temporários e falsos cooperativados, que muitas vezes vão de encontro à lei.
O Governo Federal vem fazendo a sua parte, ainda timidamente, é verdade, reduzindo impostos nas áreas automobilística e de construção civil, e dispõe de folga para contratações, necessárias independente da crise. Como apurou o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas ( Ipea ), o Brasil fica atrás de países como Estados Unidos, Espanha, Alemanha, Áustria, Dinamarca, Finlândia e Suécia.
O Ipea defende que este é o momento para discutir o papel que pode assumir o emprego público na sociedade brasileira e destaca haver espaço para criação de ocupações emergenciais temporárias.
Pela análise da Controladoria Geral da União, existe mesmo essa folga, pois, apesar do propalado “inchaço”, a folha de pagamento do ano passado equivaleu a 21,87% da receita corrente líquida, quando a Lei de Responsabilidade Fiscal estabelece teto de 40,9% [ ver a notícia seguinte ].
É preciso combater a crise com investimentos, fazendo com que o Estado aumente sua presença e tenha, de fato, força. O Estado mínimo é presa fácil dos contratempos cotidianos.
Editorial, FOLHA DIRIGIDA
Edição 1199, 13 a 19.04.09
Vejam como os portais dão a informação de que a folha de pagamento do governo ainda está MUITO aquém daquilo que a Lei de Responsabilidade Fiscal permite. Saca só como a informação vem truncada, a começar do título sacana e mal intencionado:
Gasto com salário de servidores do governo federal sobe mais de 56% em quatro anos [ Socorrooo!! ]
UOL Notícias*
Em São Paulo
As despesas com folha de pagamento de servidores do Poder Executivo Federal aumentaram 56,6% entre 2004 e 2008. Segundo informações que integram a Prestação de Contas do Presidente da República, divulgada pela CGU (Controladoria-Geral da União), o valor gasto com pessoal era R$ 59,8 bilhões em 2004 e chegou a R$ 93,7 bilhões no ano passado. Entretanto, ainda de acordo com a CGU, o valor não ultrapassa o limite de 40,9% da Receita Líquida Corrente (RCL), número estabelecido pela legislação brasileira. Em 2008, o total gasto com servidores alcançou 21,87% da RCL, que foi de R$ 428,5 bilhões. Os gastos com saúde foram de R$ 48,7 bilhões – crescimento nominal de 9,9% em relação a 2007 (R$ 44,3 bilhões). No setor de educação, o percentual passou de 18,4%, em 2007, para 18,9% da arrecadação líquida com impostos. A Constituição determina valores mínimos de aplicação de recursos para as duas áreas. No caso da saúde, deve ser o valor do ano anterior somado à variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB). Na educação, não pode ser menor do que 18% da receita com impostos. A prestação de contas reúne informações de diversos órgãos e entidades do Poder Executivo e são consolidadas pela CGU. Ela é dividida em duas partes: o Relatório da Atuação Governamental e o Balanço Geral da União. O primeiro traz, entre outras atuações do governo, os resultados alcançados com os programas de cunho social, as ações do PAC ( Programa de Aceleração do Crescimento ), além de ações classificadas como prioritárias na Lei de Diretrizes Orçamentárias e em cada órgão federal. O Balanço Geral da União, organizado pela Secretaria do Tesouro Nacional – vinculada ao Ministério da Fazenda – contempla a execução e a análise dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social. Estes dados são extraídos principalmente do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal).A prestação de contas foi enviada ontem à Casa Civil e deve ser encaminhada ao Congresso Nacional até o próximo dia 2, onde será analisada.
31.03.09
* Com informações da Agência Brasil
BÔNUS
A desconstrução de uma mentira
MAURÍCIO DIAS
Um estudo do Ipea divulgado há duas semanas – Emprego Público no Brasil: comparação internacional e evolução recente – é um trabalho fundamental para desconstruir a mentira de que o Estado brasileiro é inchado pelo número de servidores e grande demais para as necessidades do País. O levantamento do Ipea prova o contrário. A participação do emprego público é pequena. O porcentual de servidores em relação à população ocupada não chega a 11% e não alcança 6%, se for considerada a população total do País. Isso fica claro quando a comparação é feita com estruturas estatais de países mais ricos da Europa ou mesmo com os Estados Unidos, levando-se em conta a relação de servidores públicos com população ocupada. Dinamarca (39,3%) e Suécia (33%) encabeçam a lista. O porcentual elevado se explicaria pela existência da política de Bem-Estar Social que exige, para execução, mão de obra do setor público. Mas essa especificidade não se aplica a países “altamente privatistas”, como Estados Unidos (14,9%) e Canadá (19,9%), e a nações europeias como França (14,4%) e Espanha (15%), entre outros. Todos com porcentual maior do que os 11% do Brasil. O tamanho do Estado brasileiro, pelo mesmo parâmetro, comparado com os países da América Latina, também é modesto. Está bem abaixo de Panamá (17,8%), Uruguai (16,3%) e Argentina (16,2%), e um pouco acima do Chile (10,5%). Durante oito anos, o presidente Fernando Henrique Cardoso foi o arauto da luta contra o Estado brasileiro. Ao assumir o poder, anunciou o fim da Era Vargas. Não por acaso, Getúlio Vargas foi o governante que montou as bases do Estado moderno. Nada ocorria por acaso. Ao discurso antiestatal sucedeu o programa de privatização. Os dois governos de FHC deixaram marcas rastreadas pelo Ipea: “A mudança mais expressiva deu-se pela redução do peso de certas parcelas da administração indireta, como as companhias estatais (que incluem empresas públicas e também sociedades de economia mista), cujo peso caiu de quase 10% em 2002 para 8,4% em 2007, depois de ter sofrido quedas mais acentuadas ainda nos anos 1990, por causa das privatizações”.
Os beatos dessa procissão privatista entoavam a ladainha do inchaço do Estado brasileiro. Havia contrapontos, mas não eram considerados. É o caso do cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, que, em 2006, quando os efeitos do discurso contra o Estado ainda eram predominantes, lançou o livro O Ex-Leviatã Brasileiro, desmascarando as “pistas falsas” do debate incentivado pelos tucanos e mesmo de alguns petistas conversos ao leilão do Estado brasileiro. A pergunta lançada por Wanderley Guilherme naquela ocasião e repetida agora não é dirigida ao tamanho das burocracias dos países ricos, mas porque a do Brasil é reduzida. Ele explica: “O Estado brasileiro foi constituído assim para atender uma sociedade oligárquica que, portanto, não estava a fim de Estado, exceto no que diz respeito ao comércio exterior”.
Segundo ele, só a partir de 1950 as contas públicas começaram a se tornar mais complexas e, ainda assim, “as iniciativas eram tomadas pontualmente, crescendo um pedaço aqui, ficando mirradas ali e, sem dúvida, mantendo sempre as características de distribuição de empregos inúteis: ascensoristas, motoristas e outros”. “Atualmente o Estado não está aparelhado para responder com velocidade e coerência às demandas de uma sociedade industrial urbana que fez, em larga medida, a reforma capitalista do campo”, adverte.
A crise financeira resgatou e fortaleceu o papel do Estado, uma obra iniciada por Getúlio Vargas, que, felizmente, resistiu parcialmente ao desmonte parcial efetuado pelos tucanos.
( CARTA CAPITAL, 09/04/2009 )
VOCÊ DEVE LER:
O BRASIL PRIVATIZADO – Aloysio Biondi
A ECONOMIA COMO ELA É – Paulo Nogueira Batista Jr.
SUA EXCELÊNCIA ROBERT RUBIN, PRESIDENTE DO BRASIL – Greg Palast
O CONSENSO DE WASHINGTON – Paulo Nogueira Batista – 1994
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