O setor de material de construção cresceu 9,8% de janeiro a setembro de 2008 na comparação com o mesmo período de 2007, informa Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção).
Os dados refletem o desempenho das lojas em volume de vendas. No acumulado dos últimos 12 meses, o desempenho do setor foi de 11%.
“Em setembro tivemos uma acomodação na atividade com pequena variação de 3% sobre setembro de 2007, mas o suficiente para elevar as vendas acumuladas de janeiro a setembro deste ano para 9,8%”, explica Cláudio Conz, presidente da Anamaco. Segundo ele, essa acomodação deve se prolongar em outubro, porém sem apresentar queda nas vendas. “Os bancos e financeiras que atuam no setor passaram as taxas cobradas do consumidor final de 3,5% para 7%, exceto a Caixa Econômica Federal e o Bradesco. Além disso, já sentimos uma diminuição nos pedidos das construtoras, em função desta acomodação da atividade, mas tudo aponta para um fechamento do setor no ano de 10,2% sobre 2007, quando o faturamento do setor foi de 39,48 bilhões de reais”, explica.
O presidente da Anamaco ainda afirma que a diminuição nas vendas de outros setores, como automóveis e viagens, trará benefícios para o setor. “Entendemos que o bolso do consumidor é único. Os grandes concorrentes da casa popular, hoje, são o automóvel, o celular, as viagens. Temos estudos que comprovam que, na medida em que as pessoas passam a gastar menos com essas coisas, elas investem mais em suas casas, seja para uma nova obra ou para alguma reforma”, avalia.
Reflexos da crise norte-americana”O setor da construção está em um trem a 500 quilômetros por hora. É praticamente impossível pará-lo de uma vez. O que vai acontecer é que vamos nos acomodar em um patamar mais realista”, explica Conz. “O Governo Federal garante que não faltarão recursos para o PAC. Além disso, liberou um pacote com crédito de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões para as empresas do setor que foram pegas no contrapé da crise, sem recursos para terminar empreendimentos e com terrenos já comprados”, completa.
Segundo o presidente da Anamaco, a crise mundial, por si só, irá abrandar o crescimento do país, que chegou a 6% no primeiro semestre de 2008. “Os economistas consideram este patamar perigoso para o Brasil. Nossa infra-estrutura e produção não escoam e não dão conta deste crescimento. Eles apontam que o índice ideal é entre 4% a 5%, possibilitando que os investimentos que vem sendo implantados possam sustentar, com a devida produção, um novo patamar”.
Conz também acredita que a expansão do crédito que, na média dos últimos 12 meses atingiu 32% do PIB e, em agosto, chegou a 38%, vai continuar. “A média mundial para o tamanho da economia brasileira é de 60% do PIB. Portanto, temos muito espaço para oxigenar o mercado interno, através da liberação dos compulsórios, permitindo manter o crescimento da massa salarial e a desconcentração da renda, já que o endividamento da população, assim como a inadimplência estão dentro dos padrões normais”, completa.
A arrecadação de impostos e contribuições federais em setembro voltou a bater recorde, totalizando R$ 55,663 bilhões, um crescimento de 8,06% em comparação a setembro do ano passado, informa a Agência Brasil.
Na comparação com agosto de 2008, o crescimento foi de 2,95%. No acumulado até setembro a arrecadação totaliza R$ 499,225 bilhões, 10,8% a mais do que no mesmo período de 2007.
Segundo a Receita, o principal fator que contribuiu para o resultado foi a arrecadação atípica pela venda de empresa, no valor de R$ 655 milhões.
Previdência registra maior arrecadação de 2008
Em setembro, a arrecadação da Previdência foi de R$ 13, 430 bilhões, a maior deste ano. O número supera agosto em 1,6% e setembro de 2007, em 10,1%. Os dados foram divulgados hoje (21) pelo Ministério da Previdência, informa a Agência Brasil.
Contudo, as despesas com benefícios – que ficaram em R$ 20, 846 bilhões – ainda superam o montante arrecadado. O déficit chega a R$ 7,416 bilhões.
Um dos pontos fortes da iniciativa do governo para estimular o empreendedorismo entre as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) é o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). De janeiro a agosto deste ano o banco, a maior instituição de fomento do País, desembolsou R$ 53 bilhões, o que representa aumento de 40% frente ao montante liberado em igual período do ano passado. Deste total, R$ 13 bilhões foram destinados ao apoio das MPMEs, valor 31,5% maior do que o destinado a este segmento no mesmo intervalo de 2007. Este montante equivale a 25% do total de desembolsos do banco neste ano, informa a Gazeta Mercantil.
Das 128 mil operações realizadas durante o ano de 2008, 113 mil tiveram como foco as micro, pequenas e médias empresas, total que corresponde a 88% do total.
O principal instrumento do banco para fornecer crédito rotativo para as MPMEs realizarem investimentos produtivos é o Cartão BNDES. O serviço consiste em uma linha de crédito pré-aprovado de até R$ 250 mil, por cartão, emitido pelo Bradesco, Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal. O empreendedor pode, desta maneira, angariar R$ 750 mil no total, com taxa de juros de 1,14% ao mês, com possibilidade de pagar em até 36 parcelas fixas.
Funciona como um cartão de crédito, para que as MPMEs adquiram insumos fabricados total ou parcialmente no Brasil, e que estejam expostos no Portal de Operações do BNDES, que conta atualmente com 9,5 mil fornecedores cadastrados.
Desde o lançamento, em 2003, já foram emitidos mais de 147 mil cartões, sendo 97% destes destinados para micro, pequenas e médias empresas. O limite de crédito pré-aprovado para os investimentos somou, até o momento, R$ 4,4 bilhões. O limite de crédito médio dos cartões é de R$ 30,2 mil, com o valor médio das operações em R$ 13,9 mil.
Em janeiro do ano passado o BNDES criou o Programa CRIATEC, um fundo de investimento focado na capitalização das MPMEs inovadoras, que conta com orçamento de R$ 80 milhões.
Para ser apoiada, a empresa deve ter faturamento líquido de, no máximo, R$ 6 milhões no ano imediatamente anterior à capitalização do Fundo. O foco é investir em empresas que promovam a inovação atuando nos setores de Tecnologia da Informação, Biotecnologia, Novos Materiais, Nanotecnologia e Agronegócios, dentre outros.
Pelo menos 25% do fundo deverá ser investido em empresas com faturamento de até R$ 1,5 milhão, e no máximo 25% do patrimônio terá que ser investido em empresas com faturamento dentro da faixa entre R$ 4,5 milhões e R$ 6 milhões. O valor máximo que poderá ser investido por empresa é R$ 1,5 milhão.



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