Para Delfim, oposição exagera para atingir Lula
Ricardo Leopoldo
O Estado de S. Paulo
2/7/2008
O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto disse ontem ao Estado que a oposição quer atingir a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a desestabilização das expectativas de inflação, para se beneficiar nas eleições municipais. “Eles avaliam que a única forma de afetar a forte imagem do presidente junto à população num ano eleitoral é dizer que se a inflação fechar 2008 em 6% já estaremos em hiperinflação.”
Na sua avaliação, há um temor exagerado de analistas com a alta dos índices de preços, que embora mereça atenção está bastante vinculada à escalada internacional das cotações do petróleo, alimentos e commodities metálicas.
“A inflação no Brasil está sob controle. Não faz sentido assistir na TV, como vi outro dia, uma reportagem que tratava do tema e mostrava um funcionário de supermercado com a maquininha na mão remarcando preços. Provavelmente, esqueceram de dizer que a imagem é de 1998”, ironizou.
Para Delfim Netto, a oposição avalia que como a economia apresenta bom desempenho na gestão de Lula, a melhor oportunidade de afetá-lo politicamente é vincular seu nome ao aumento da inflação. Nos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu à média anual de 2,48% e 2,12%. Sob a gestão de Lula, atingiu a média de 3,82% ao ano entre 2003 e 2007. “A oposição sabe desses números, pois vê o aumento da renda real da população mais pobre, aumentou o PIB e caiu o desemprego.”
“Como a oposição sabe que o Banco Central, o Ministério da Fazenda e todo o governo não vão permitir o aumento da inflação, a única saída é provocar uma elevação exagerada das expectativas de inflação.”
Na avaliação do ex-ministro, os índices de preços não vão subir com exagero porque o presidente “tem certeza absoluta” que sua prioridade no momento é combater o avanço do custo de vida. “O presidente Lula sabe de uma coisa muito simples: o desemprego pode atingir 1 milhão, mas a inflação prejudica 80 milhões de brasileiros.”
Ricardo Leopoldo
O Estado de S. Paulo
2/7/2008
O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto disse ontem ao Estado que a oposição quer atingir a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a desestabilização das expectativas de inflação, para se beneficiar nas eleições municipais. “Eles avaliam que a única forma de afetar a forte imagem do presidente junto à população num ano eleitoral é dizer que se a inflação fechar 2008 em 6% já estaremos em hiperinflação.”
Na sua avaliação, há um temor exagerado de analistas com a alta dos índices de preços, que embora mereça atenção está bastante vinculada à escalada internacional das cotações do petróleo, alimentos e commodities metálicas.
“A inflação no Brasil está sob controle. Não faz sentido assistir na TV, como vi outro dia, uma reportagem que tratava do tema e mostrava um funcionário de supermercado com a maquininha na mão remarcando preços. Provavelmente, esqueceram de dizer que a imagem é de 1998”, ironizou.
Para Delfim Netto, a oposição avalia que como a economia apresenta bom desempenho na gestão de Lula, a melhor oportunidade de afetá-lo politicamente é vincular seu nome ao aumento da inflação. Nos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu à média anual de 2,48% e 2,12%. Sob a gestão de Lula, atingiu a média de 3,82% ao ano entre 2003 e 2007. “A oposição sabe desses números, pois vê o aumento da renda real da população mais pobre, aumentou o PIB e caiu o desemprego.”
“Como a oposição sabe que o Banco Central, o Ministério da Fazenda e todo o governo não vão permitir o aumento da inflação, a única saída é provocar uma elevação exagerada das expectativas de inflação.”
Na avaliação do ex-ministro, os índices de preços não vão subir com exagero porque o presidente “tem certeza absoluta” que sua prioridade no momento é combater o avanço do custo de vida. “O presidente Lula sabe de uma coisa muito simples: o desemprego pode atingir 1 milhão, mas a inflação prejudica 80 milhões de brasileiros.”
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticou durante audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, na quarta-feira, o alarmismo de setores da mídia na questão da inflação dizendo que “desse jeito, as pessoas vão acabar fazendo estoque de produtos”.
“Está havendo um certo exagero e alarmismo fora de propósito ao avaliar a inflação brasileira. Não há razões para alarmismo, desespero ou pânico. Já foram tomadas medidas contra a inflação, que estão surtindo efeito. Às vezes vejo no noticiário um certo exagero”, disse o ministro. “Não dá para subestimar o problemas, mas também não é para super-estimá-los”, completou.
O ministro da Fazenda ressaltou que o aumento dos preços é resultado de problemas externos, como o aumento dos preços das ‘commodities’ (alimentos, aço e petróleo) e que, mesmo assim, está abaixo da média da inflação mundial. Segundo ele, apenas Brasil e Canadá, entre várias economias, estão cumprindo as metas de inflação neste ano. “Na equação da inflação mundial, o Brasil está bem situado. A inflação subiu aqui também, mas menos do que em outros países”, disse Mantega.
“Está havendo um certo exagero e alarmismo fora de propósito ao avaliar a inflação brasileira. Não há razões para alarmismo, desespero ou pânico. Já foram tomadas medidas contra a inflação, que estão surtindo efeito. Às vezes vejo no noticiário um certo exagero”, disse o ministro. “Não dá para subestimar o problemas, mas também não é para super-estimá-los”, completou.
O ministro da Fazenda ressaltou que o aumento dos preços é resultado de problemas externos, como o aumento dos preços das ‘commodities’ (alimentos, aço e petróleo) e que, mesmo assim, está abaixo da média da inflação mundial. Segundo ele, apenas Brasil e Canadá, entre várias economias, estão cumprindo as metas de inflação neste ano. “Na equação da inflação mundial, o Brasil está bem situado. A inflação subiu aqui também, mas menos do que em outros países”, disse Mantega.
Alta dos preços de commodities eleva saldo comercial
Raquel Landim, De São Paulo
Nelson Perez/Valor
O efeito positivo da inflação das commodities começou a aparecer na balança comercial e pode garantir um superávit um pouco mais robusto este ano. Graças ao embarque de produtos básicos – com destaque para o aumento de preços do minério de ferro – os economistas estão revisando as projeções para um saldo próximo de US$ 25 bilhões. É um resultado inferior aos US$ 40 bilhões de 2007, mas superior as estimativas anteriores de US$ 20 bilhões ou até menos.
“A alta dos preços das commodities veio como uma bomba em junho”, avaliou Júlio Sérgio de Almeida, consultor do Instituto de Estudos do Desenvolvimento Industrial (Iedi). No mês passado em relação a junho de 2007, as exportações de produtos básicos aumentaram quase 81% – um ritmo mais acelerado do que a alta de 44% no semestre.
Para o economista, alguns fatores contribuíram para o impacto: o reajuste dos preços do minério de ferro, a entrada da safra agrícola e o fim da greve dos fiscais da Receita Federal, que distorceu os dados da balança comercial em março, abril e maio. “Alguns produtores postergaram os embarques de commodities, esperando preços ainda melhores”, avaliou Almeida.
Uma parcela significativa da maior exportação de produtos básicos é explicada pelo forte aumento dos preços, provocado pela inflação global das commodities. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam reajustes importantes para as commodities agrícolas e metálicas exportadas pelo Brasil em junho. Entre as 23 principais commodities, apenas o preço do suco de laranja caiu no mês passado.
A soja em grão exportada registrou alta de quase 60% no preço em junho em relação a junho de 2007, enquanto a quantidade avançou 10%. No primeiro semestre, houve alta de 57% no preço e de apenas 8% na quantidade. Na mesma comparação, o preço da carne de frango subiu 27% no mês e o volume aumentou 14%. De janeiro a junho, a alta foi de 29% nos preços do frango exportado e de 14% na quantidade.
Os preços dos laminados planos saltaram 57% no mês passado em relação a junho de 2007, e a quantidade despencou quase 60%. A cotação do petróleo exportado pelo Brasil explodiu 110% na mesma comparação, enquanto o volume avançou 67%. No primeiro semestre, houve ganho de 94% no preço do petróleo e apenas de 14% na quantidade.
“Em termos de preço, o crescimento é fantástico”, disse José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB). No entanto, ele acredita que a tendência não é sustentável, porque o mercado de commodities está sujeito a especulação [ grifo do blog ]. Para o especialista, “a inflação das commodities está puxando o saldo comercial para cima”. A AEB ainda prevê saldo de US$ 20 bilhões, mas vai revisar a projeção nas próximas semanas.
Para o departamento econômico do Bradesco, o destaque é o minério de ferro. Em junho, o impacto do reajuste de 70% que a Vale do Rio Doce conseguiu com os clientes impactou a balança comercial. O preço do minério de ferro exportado subiu 63% no mês passado. No semestre, a alta é de apenas 15%. A defasagem entre a negociação do minério, que ocorreu em abril, e o impacto na balança é resultado da finalização dos embarques do produto vendido pelo preço antigo. Por conta do minério e de outras commodities, o Bradesco revisou sua projeção de aumento do preço das exportações brasileiras de 16% para 26% este ano.
Graças à ajuda da inflação das commodities, as exportações brasileiras aceleraram o ritmo de crescimento. As vendas externas subiram 35% em junho em relação ao mesmo mês de 2007. O percentual é superior à alta de 25% das exportações no primeiro semestre e de 19% no acumulado de 12 meses até junho. A conseqüência é uma redução menos intensa do saldo comercial. De janeiro a junho, o Brasil apurou saldo de US$ 11,4 bilhões, 44% abaixo do primeiro semestre de 2006. No período de janeiro a abril, a queda do saldo chegou a atingir 64,5%.
“O aumento da receita das commodities impede uma queda mais significativa do saldo este ano”, disse Fábio Silveira, sócio da RC Consultores. Ele projeta superávit de US$ 52 bilhões para o agronegócio e US$ 28 bilhões para a balança comercial em 2008. Depois dos resultados de junho, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também revisou para cima suas projeções para o saldo da balança. Ao invés de US$ 17,6 bilhões, a entidade agora projeta saldo de US$ 24,7 bilhões. Para André Rebelo, gerente do departamento de economia, as commodities demonstraram um fôlego adicional no final do primeiro semestre. “É um movimento claro de commodities”, disse.
Fábio Faria, secretário-interino de Comércio Exterior, chama a atenção para o impacto das commodities também nas importações. As principais commodities importadas pelo Brasil – como petróleo, trigo e cobre – tiveram reajustes expressivos de preços. “Esse é um impacto que aparece tanto na exportação quanto na importação”, afirmou.
De acordo com Almeida, do Iedi, os preços dos manufaturados importados pelo Brasil também estão subindo muito, porque a inflação dos produtos agrícolas e minerais contaminou as cadeias de produção. “A inflação se generalizou pelos setores e pelos países. Por conta disso, também contribui para o aumento das importações brasileiras. O Brasil está importando inflação”, disse.
O impacto líquido da inflação das commodities na balança comercial ainda é positivo para o Brasil, porque os produtos básicos têm maior peso nas exportações. Essa diferença, no entanto, está cada vez mais estreita. Almeida explica que o saldo em 2008 será significativamente menor do que em 2007, porque o volume importado cresce muito, enquanto a quantidade exportada pelo país deve registrar estabilidade ou leve alta.
Ao analisar o conjunto da economia brasileira, os economistas afirmam que a atual inflação das commodities não é benéfica para o país. Apesar de aumentar as exportações e as reservas, o processo inflacionário mundial prejudica o equilíbrio interno dos preços. “Antes, o Brasil era apenas beneficiário. Hoje, mesmo um país líder na produção de commodities perde”, disse Almeida.
Raquel Landim, De São Paulo
Nelson Perez/Valor
O efeito positivo da inflação das commodities começou a aparecer na balança comercial e pode garantir um superávit um pouco mais robusto este ano. Graças ao embarque de produtos básicos – com destaque para o aumento de preços do minério de ferro – os economistas estão revisando as projeções para um saldo próximo de US$ 25 bilhões. É um resultado inferior aos US$ 40 bilhões de 2007, mas superior as estimativas anteriores de US$ 20 bilhões ou até menos.
“A alta dos preços das commodities veio como uma bomba em junho”, avaliou Júlio Sérgio de Almeida, consultor do Instituto de Estudos do Desenvolvimento Industrial (Iedi). No mês passado em relação a junho de 2007, as exportações de produtos básicos aumentaram quase 81% – um ritmo mais acelerado do que a alta de 44% no semestre.
Para o economista, alguns fatores contribuíram para o impacto: o reajuste dos preços do minério de ferro, a entrada da safra agrícola e o fim da greve dos fiscais da Receita Federal, que distorceu os dados da balança comercial em março, abril e maio. “Alguns produtores postergaram os embarques de commodities, esperando preços ainda melhores”, avaliou Almeida.
Uma parcela significativa da maior exportação de produtos básicos é explicada pelo forte aumento dos preços, provocado pela inflação global das commodities. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam reajustes importantes para as commodities agrícolas e metálicas exportadas pelo Brasil em junho. Entre as 23 principais commodities, apenas o preço do suco de laranja caiu no mês passado.
A soja em grão exportada registrou alta de quase 60% no preço em junho em relação a junho de 2007, enquanto a quantidade avançou 10%. No primeiro semestre, houve alta de 57% no preço e de apenas 8% na quantidade. Na mesma comparação, o preço da carne de frango subiu 27% no mês e o volume aumentou 14%. De janeiro a junho, a alta foi de 29% nos preços do frango exportado e de 14% na quantidade.
Os preços dos laminados planos saltaram 57% no mês passado em relação a junho de 2007, e a quantidade despencou quase 60%. A cotação do petróleo exportado pelo Brasil explodiu 110% na mesma comparação, enquanto o volume avançou 67%. No primeiro semestre, houve ganho de 94% no preço do petróleo e apenas de 14% na quantidade.
“Em termos de preço, o crescimento é fantástico”, disse José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB). No entanto, ele acredita que a tendência não é sustentável, porque o mercado de commodities está sujeito a especulação [ grifo do blog ]. Para o especialista, “a inflação das commodities está puxando o saldo comercial para cima”. A AEB ainda prevê saldo de US$ 20 bilhões, mas vai revisar a projeção nas próximas semanas.
Para o departamento econômico do Bradesco, o destaque é o minério de ferro. Em junho, o impacto do reajuste de 70% que a Vale do Rio Doce conseguiu com os clientes impactou a balança comercial. O preço do minério de ferro exportado subiu 63% no mês passado. No semestre, a alta é de apenas 15%. A defasagem entre a negociação do minério, que ocorreu em abril, e o impacto na balança é resultado da finalização dos embarques do produto vendido pelo preço antigo. Por conta do minério e de outras commodities, o Bradesco revisou sua projeção de aumento do preço das exportações brasileiras de 16% para 26% este ano.
Graças à ajuda da inflação das commodities, as exportações brasileiras aceleraram o ritmo de crescimento. As vendas externas subiram 35% em junho em relação ao mesmo mês de 2007. O percentual é superior à alta de 25% das exportações no primeiro semestre e de 19% no acumulado de 12 meses até junho. A conseqüência é uma redução menos intensa do saldo comercial. De janeiro a junho, o Brasil apurou saldo de US$ 11,4 bilhões, 44% abaixo do primeiro semestre de 2006. No período de janeiro a abril, a queda do saldo chegou a atingir 64,5%.
“O aumento da receita das commodities impede uma queda mais significativa do saldo este ano”, disse Fábio Silveira, sócio da RC Consultores. Ele projeta superávit de US$ 52 bilhões para o agronegócio e US$ 28 bilhões para a balança comercial em 2008. Depois dos resultados de junho, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também revisou para cima suas projeções para o saldo da balança. Ao invés de US$ 17,6 bilhões, a entidade agora projeta saldo de US$ 24,7 bilhões. Para André Rebelo, gerente do departamento de economia, as commodities demonstraram um fôlego adicional no final do primeiro semestre. “É um movimento claro de commodities”, disse.
Fábio Faria, secretário-interino de Comércio Exterior, chama a atenção para o impacto das commodities também nas importações. As principais commodities importadas pelo Brasil – como petróleo, trigo e cobre – tiveram reajustes expressivos de preços. “Esse é um impacto que aparece tanto na exportação quanto na importação”, afirmou.
De acordo com Almeida, do Iedi, os preços dos manufaturados importados pelo Brasil também estão subindo muito, porque a inflação dos produtos agrícolas e minerais contaminou as cadeias de produção. “A inflação se generalizou pelos setores e pelos países. Por conta disso, também contribui para o aumento das importações brasileiras. O Brasil está importando inflação”, disse.
O impacto líquido da inflação das commodities na balança comercial ainda é positivo para o Brasil, porque os produtos básicos têm maior peso nas exportações. Essa diferença, no entanto, está cada vez mais estreita. Almeida explica que o saldo em 2008 será significativamente menor do que em 2007, porque o volume importado cresce muito, enquanto a quantidade exportada pelo país deve registrar estabilidade ou leve alta.
Ao analisar o conjunto da economia brasileira, os economistas afirmam que a atual inflação das commodities não é benéfica para o país. Apesar de aumentar as exportações e as reservas, o processo inflacionário mundial prejudica o equilíbrio interno dos preços. “Antes, o Brasil era apenas beneficiário. Hoje, mesmo um país líder na produção de commodities perde”, disse Almeida.

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