Planeta: Terra
Cidade: São Paulo
Como toda a megalópole que se preza, São Paulo também enfrenta o problema do lixo. Principalmente o lixo orgânico. Mais especificamente, organismos humanos. Pessoas, enfim.
Para ser mais específico ainda, o motorista paulistano. Não consigo ser mais claro e direto…
No dia dois de janeiro deste ano ( ou seja, poderia ser interpretado como uma daquelas tradicionais “decisões de Ano-Novo” ), zelozo cidadão que sou, liguei para a impávida CET, afim de pedir que mandassem um “amarelinho” para ficar ali, fiscalizando uma faixa de pedestres num cruzamento qualquer cujo endereço indiquei.
Um pequeno parênteses: houve um tempo em que solicitações como essa eram atendidas em pouco mais de meia hora. Mas os tempos são outros.
De modo que eu ainda esperava que naquele dia mesmo eu fosse contemplado com a visão agradável e moralmente estimulante de carros sendo multados. Haveria o duelo: o “amarelinho” vs o “Homenzinho Amarelo” ( conheça a saga do Homenzinho Amarelo aqui ).
Qual!
Devo dizer que o problema que eu tentava resolver era: os carros simplesmente ignoravam a tal faixa de pedestres e aguardavam, exatamente sobre ela, a abertura do semáforo. Enquanto isso, o pedestre estava sendo obrigado a passar entre os carros. Uma faixa onde cabem 4 veículos.
O dia destes motoristas estava chegando…Ahahaha!!
Passou-se 1 hora, um dia, uma semana, um mês e… NADA!!!
Várias vezes liguei pra central cobrando o serviço, refazendo a chamada, e fazendo tudo novamente em diversas ocasiões. Além disso, havia uma bagunça: e toda vez eu tinha que me repetir e re-descrever a situação que me obrigara a apelar à Companhia. E, quando voltasse a ligar – já que nada fora solucionado -, repetia o roteiro. Num episódio absurdo, um atendente que, creio eu, não entendeu a natureza de meu pedido, disse-me que eu devia, na verdade, fazer a solicitação POR E-MAIL. Eu retruquei, perguntando-lhe o porquê daquilo, se das outras trocentas vezes ninguém me dera tal instrução. E também indaguei como fariam as pessoas que não dispusessem desse meio. Aí, o cara voltou atrás, e seguiu o protocolo que eu já conheço.
E ficou nisso. Faz uns dias que eu não volto a ligar, e não apareceu ninguém.
Um destes atendentes falou uma coisa que não havia me ocorrido ainda: eu contei-lhe da saudade que tenho da época em que a CET mandava carros, fiscais e guinchos, que apareciam no local apenas meia-hora depois da chamada. Descrevi a satisfação que eu tinha ao ver o meliante punido exemplarmente, tendo o carro trocado por um cavalete! Bons tempos!!
E ele falou meio sem pensar muito, e também sem muita precisão, como se pensasse em voz alta: “É que aumenta…o número de automóveis em circulação…mas o…o…efetivo fica igual…e…!”
Não sou nenhum especialista em orçamentos, e nem sei onde procurar, mas possivelmente seja isso mesmo: aumentou a frota de carros em circulação na cidade, mas não o efetivo ( pessoal, veículos ) necessário para mantê-la na linha. Talvez a grana destinada tenha sido aumentada, mas talvez seja o gasto para manter a coisa em níveis iguais a anos passados. Isso explicaria, além dos congestionamentos cada vez maiores ( descontando o aumento do número de carros em circulação ) porque o motorista perdeu o medo de falar ao celular enquanto dirige ( como um que eu vi, às 13:00 de um dia de semana, em plena avenida Paulista ), estacionar SOBRE AS CALÇADAS na boa, entre outros delitos grosseiramente praticados. Sem receios, pois sabem que sairão impunes. Com a ajuda providencial da Prefeitura de São Paulo, que parece estar permitindo que o “cidadão” exerça todo o seu mau-caratismo sobre rodas, sem ser importunado. A prefeitura parece ter algemado a CET, impossibilitando-a de fiscalizar ( sem eufemismos: multar e guinchar ) o “bom selvagem” ao volante. Este, por sua vez, é selvagem mas não é bobo, e celebra o “apagão fiscalizatório” e aproveita ao máximo a liberdade que a prefeitura lhe conferiu. Parece que, quando o cara tira a carta, pensa que está recebendo uma “carta-branca”. Que lixo.