ENCALHE

novembro 13, 2007

Camboja: Ex-ministros de Pol Pot são presos por Crimes contra a Humanidade.

Tribunal confirma acusações contra ex-líderes do Khmer Vermelho no Camboja
Phnom Penh, 13 nov (EFE).- O tribunal que julgará os ex-líderes do Khmer Vermelho confirmou hoje as acusações de envolvimento no genocídio do Camboja contra o ex-ministro de Exteriores Ieng Sary e sua mulher, Ieng Thirith, então titular de Assuntos Sociais.
O casal foi preso na segunda-feira, em cumprimento de uma ordem de detenção emitida pela corte internacional ligada à ONU.

Ieng Sary será processado por crimes de guerra e contra a humanidade, enquanto Ieng Thirith enfrentará apenas acusações de crimes contra a humanidade, segundo um comunicado do tribunal datado de segunda-feira e divulgado hoje.
O ex-ministro de Exteriores cambojano era o “irmão número três” do Khmer Vermelho e, segundo os documentos oficiais recolhidos pelo Centro de Pesquisa do Genocídio, ordenou e supervisionou a execução de diplomatas realizada após a chegada dos comunistas ao poder.
Sua esposa, a primeira mulher presa e que será julgada neste processo, é irmã de Khieu Ponnary, a primeira mulher do “irmão número um” do regime, Pol Pot, morto em 1998, quando a organização estava à beira da desintegração em função de deserções e lutas internas.
Como ministra de Assuntos Sociais, Ieng Thirit se encarregava de supervisionar as condições de vida subumanas nos diversos campos de trabalhos forçados, nos quais morreram dezenas de milhares de pessoas.
Ela foi a autora do relatório que denunciou a suposta infiltração de “agentes estrangeiros” no grupo, o que levou Pol Pot a ordenar uma ampla perseguição interna que custou a vida de milhares de membros do Khmer Vermelho, incluindo vários ministros.
As prisões dos dois ex-ministros ocorreu depois da detenção, em setembro, do “irmão número dois” do grupo, Nuon Chea, que aguarda julgamento, assim como o ex-titular de Exteriores. Os dois são acusados de crimes de guerra e contra a humanidade.
Há um mês, o tribunal citou as três primeiras testemunhas, todas cambojanas que trabalharam ou passaram pelo centro de detenção e torturas de Tuol Sleng, onde foram assassinadas cerca de 14 mil pessoas.
Quase 2 milhões de cambojanos morreram por causa da crise de fome, doenças, e no transcurso das execuções ordenadas pela cúpula do Khmer Vermelho, que governou o Camboja desde meados de 1975 ao início de 1979
UOL – Notícias
13/11/07
Maoístas na cadeia
Ex-ministros do regime de Pol Pot são presos
Os ex-ministros do Camboja, Ieng Sary (Relações Exteriores) e Ieng Thirit (Assuntos Sociais), foram presos por crimes contra a humanidade, nesta segunda-feira (12/11) em Phnom Penh. Os dois, que são marido e mulher, eram mandatários do regime do Khmer Vermelho (1975-1979).
O anúncio foi feito pelo tribunal da ONU e repercutido pelas agências de notícias internacionais. A corte especial criada para julgar os crimes contra a humanidade cometidos no Camboja julgará os líderes vivos do grupo maoísta liderado pelo ditador Pol Pot. “Ieng Sary e Ieng Thirith foram detidos em execução a uma ordem assinada pelos juízes de instrução”, afirma um comunicado da corte. Sary responderá por crimes contra a humanidade e crimes de guerra e Thirith, por crimes contra a humanidade.
Ien Sary, que teria 78 anos, era a face pública e uma das principais autoridades do regime de Pol Pot. O Khmer Vermelho espalhou o terror no Camboja de 1975 a 1979, esvaziou as cidades, impôs o trabalho forçado e eliminou sistematicamente todas as pessoas suspeitas de oposição. Dois milhões de pessoas morreram durante este sombrio período da história cambojana. O Khmer Vermelho foi derrubado após uma invasão vietnamita.
Já Ieng Thirith, que tem cerca de 75 anos, era considerada uma forte influência no regime de Pol Pot. Membros do tribunal acompanharam a detenção, que mobilizou dezenas de policiais. A prisão demorou três horas. A imprensa não pôde ser aproximar.
Desde julho, Sary e Thirith eram citados como integrantes de uma lista de pelo menos cinco suspeitos que poderiam ser julgados pelo tribunal. Criada em julho de 2006, a corte especial já processou dois ex-dirigentes do Khmer Vermelho (Kaing Guek Eav, conhecido como Douch, e Nuon Chea).
O quinto suspeito ainda não foi identificado formalmente. Mas, provavelmente será Khieu Samphan, 76 anos, que foi chefe de Estado durante o regime do Khmer Vermelho. As autoridades iniciaram uma corrida contra o tempo para o início dos julgamentos, previstos para 2008, por causa da idade avançada dos dirigentes da ditadura. A prisão do tribunal em oito celas, quatro médicos, cinco enfermeiras e uma ambulância.
Douch, ex-comandante do centro de torturas de Tuol Sleng, tem 65 anos. Nuon Chea, ex-número dois do Khmer Vermelho, tem 82 anos e já foi examinado várias vezes desde que foi preso.
Após a queda do regime maoísta, enquanto alguns de seus companheiros prosseguiam com uma rebelião no noroeste do Camboja, Ieng Sary desertou e passou para o lado do governo em 1996, o que permitiu que recebesse um perdão após uma primeira condenação à revelia durante a ocupação vietnamita.
Revista Consultor Jurídico

12 de novembro de 2007

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