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fevereiro 28, 2008

Massacre no Império: revoltados com miséria e preconceito, dissidentes são tratados a bala pelo governo americano!!

1973: Revolta de Wounded Knee
No dia 27 de fevereiro de 1973, membros armados do Movimento Indígena Americano ocuparam a reserva de Wounded Knee, no estado de Dakota do Sul.
Eu não estava disposto a viver mais um dia sequer numa sociedade que destrói a cultura e espiritualidade de nosso povo”. Assim o lakota-sioux Dennis Banks, co-fundador do Movimento Indígena Americano (MIA), descreveu a situação dos índios dos Estados Unidos no começo dos anos 1970. Ele e muitos outros não queriam aceitar passivamente a destruição de sua cultura e identidade, o novo ataque de multinacionais à procura de recursos naturais e a condenação oficial a receptores de lixo tóxico e radiativo.
Wounded Knee é uma pequena localidade na reserva de Pine Ridge, em Dakota do Sul. Os sinais de uma nova consciência indígena já haviam se tornado evidentes em 1972, quando ativistas de todo o país realizaram um protesto diante da sede do Escritório de Assuntos Indígenas, em Washington, reivindicando o respeito a direitos garantidos por antigos acordos.
Tradicionalistas x progressistas
Pine Ridge era a mais pobre reserva de Dakota do Sul e passava por um conflito tribal entre “tradicionalistas” (de sangue puro) e “progressistas” (mestiços). Os tradicionalistas eram ligados ao MIA. Os progressistas apoiavam o governo, conheciam os meandros da burocracia estatal e embolsavam os recursos destinados à reserva.
A presença do MIA em Pine Ridge serviu de pretexto para o FBI instalar um mestiço alcagüete – o oglala (uma divisão dos sioux) Richard Wilson – no cargo de presidente do conselho tribal. Segundo o ex-procurador substituto de Dakota do Sul Ramon Roubideaux, o principal motivo da revolta, porém, foi a proibição de reuniões públicas, decretada pelos conselhos tribais e imposta com auxílio da polícia, após a fundação do MIA.
Em janeiro de 1973, quando um homem branco que matara um índio foi acusado apenas de homicídio doloso e não culposo, ocorreram os primeiros tumultos que, na noite de 27 de fevereiro, desembocaram na ocupação de Wounded Knee.
As reivindicações indígenas
Segundo o lakota (outra divisão da tribo sioux) Omacha Chanka, que participou da rebelião, os índios declararam a independência da nação oglala (do famoso chefe Touro Sentado) e reivindicaram a extinção dos conselhos tribais corruptos, a destituição de Richard Wilson e a devolução das montanhas Black Hills.
Armados com espingardas, os índios queriam denunciar o descaso da política indigenista do governo Nixon, mas foram cercados por centenas de agentes do FBI, munidos de armas modernas, helicópteros e carros blindados. O confronto teve saldo de dois índios mortos, 500 presos e feridos de ambos aos lados. No 71º dia do cerco, os índios se entregaram, acreditando na promessa de que o governo atenderia suas reivindicações. As autoridades, porém, nada fizeram além de reprimir com violência os nativos considerados politicamente suspeitos, o que causou a morte de mais 60 índios até 1975.
O cerco a Wounded Knee foi reconstituído no documentário Incidente em Oglala, dirigido por Michael Apted, com narração e produção executiva de Robert Redford. Há 175 anos, os índios dos EUA começaram a ser expulsos de suas terras e obrigados a viver em reservas. Junto com os nativos do Alasca, eles totalizam hoje uma população de mais de 2 milhões de habitantes.
Michael Kleff (gh)
DW
27/02/08

LEIA MAIS:

( … )
Contra-espionagem de Nixon
Em meados do século XIX, a nação dos índios Sioux, por exemplo, um dos povos mais poderosos da América do Norte, lutava para preservar seus territórios
Leonard Peltier aderiu ao movimento logo no início1. Como militante, participou da luta contra o alcoolismo, da distribuição de alimentação e de ajuda, da criação de programas de auto-suficiência, da restauração das atividades religiosas tradicionais e em apoio ao renascimento das línguas autóctones.
O AIM pretendia chamar a atenção para as condições de vida dramáticas dos índios com ações espetaculares, mas não-violentas. Peltier participou, em 1970, da ocupação do Forte Lawton, onde conheceu os principais dirigentes do movimento: Dennis Banks e Russel Means. Em 1972, organizou a Marcha dos Tratados Violados, que terminou com a ocupação da Secretaria de Assuntos Indígenas, em Washington, e uma espetacular repercussão na imprensa. A partir de então, o AIM seria considerado pelo FBI como uma organização “subversiva” e seus líderes, como “inimigos”.
O governo do presidente Richard Nixon criou então o programa de contra-espionagem interna Cointelpro, para infiltrar e desestabilizar as chamadas organizações “subversivas”, entre as quais, o AIM. Em novembro de 1972, acusado de agredir agentes do FBI, Leonard Peltier ficou preso durante cinco meses, antes de ser absolvido, já que o caso fora forjado para comprometê-lo. Foi o início.
O tiroteio de Oglala
Na década de 50, muitos índios, principalmente os jovens, inspiraram-se na contestação política da época e criaram o American Indian Movement (AIM)
Ao mesmo tempo, o FBI manipulou a eleição para a presidência do conselho tribal de Pine Ridge (a principal reserva dos Sioux) de Richard “Dick” Wilson, um “entreguista” que foi eleito com os votos de menos de 20% dos eleitores.. Este teria por missão restaurar a ordem na reserva, considerada o ninho dos “agitadores”. Com fundos secretos, Wilson criou uma milícia, os Goon Squads (Guardians Of Oglala Nation – GOON, ou Guardiães da Nação Oglala). Para protestar contra a brutalidade dos Goon Squads, os Sioux, com a ajuda de militantes do AIM, ocuparam, em fevereiro de 1973, a histórica aldeia de Wounded Knee. Leonard Peltier participou dessa ação. As autoridades sitiaram a aldeia durante três meses, hesitando em invadi-la, e acabaram por matar dois Sioux. Em maio de 1973, os sitiados se renderam após exigir a abertura de negociações sobre os tratados violados e sobre as condições de vida dos índios. Nos meses que se seguiram, “Dick” Wilson e seus Goons tiveram carta branca para atacar os adversários. Uma onda de terror abateu-se sobre Pine Ridge: 80 militantes foram assassinados entre novembro de 1973 e o final de 1975… Diante dos crimes das milícias, os anciãos da tribo pediram ajuda ao AIM. Os militantes – entre eles, Leonard Peltier – intervieram, conseguindo reduzir consideravelmente a repressão dos Goons. Instalaram-se na propriedade de uma família amiga, perto da aldeia de Oglala, na reserva de Pine Ridge. (…)
( Inicia e continua em “O Caso Leonard Peltier”, Le Monde Diplomatique, 2002 )

novembro 17, 2007

Tribunal petista e jacobino quer proibir estrangeiros de fazerem experimentos com DNA de índios brasileiros. Atrazildos não assistiram Jurassic Park!!

Ouro vermelho
Justiça decide se vender sangue de índio fere direitos
Só os direitos patrimoniais é que estão sujeitos à prescrição. Com esse entendimento, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (DF) determinou que a primeira instância analise a ação de indenização e obrigação de fazer proposta pelo Ministério Público Federal contra pesquisadores que comercializaram sangue e dados de indígenas da comunidade Karitiana sem autorização da comunidade e da Funai.

( Um absurdo essa nossa “Justiça”. A pesquisa tendo como material genético o DNA dos índios brasileiros poderá reverter o grave quadro de semi-extinção das demais tribos das Américas e melhorar a sua qualidade de vida. A poderosa tecnologia de Primeiro Mundo dos Estados Unidos logo conseguirá multiplicar, por exemplo, o número de remanescentes das tribos que habitavam a América do Norte, antes da chegada do homem branco ao Continente. Essas tribos desapareceram, de forma misteriosa e sem deixar vestígios que pudessem nos ajudar a descobrir as causas de seu sumiço. O folclore ancestral daqueles povos já falava de “grandes canoas de fogo, brilhantes como o Sol” enviadas por Manitu, tão grandes que seriam capazes de acomodar tribos inteiras em seu interior. Supõe-se que os milhares de búfalos que corriam pela planícies foram junto com os nativos desaparecidos, numa curiosa semelhança com a nossa Arca de Noé. )

Segundo a ação, os pesquisadores, usando uma autorização concedida pela Funai para a entrada e permanência de uma rede de TV estrangeira, os pesquisadores entraram na comunidade indígena Karitiana, tiveram contado direto com os indígenas, coletaram sangue, registraram suas medidas e peso, sem autorização e conhecimento da Fundação. De acordo com dos cacique da comunidade, os índios só consentiram com a coleta de sangue, porque em contrapartida receberiam medicamentos. Mas, segundo ele, os resultados dos exames não foram apresentados, nem foram enviados os medicamentos prometidos.
Os pesquisadores então começaram a comercializar o sangue dos índios. O caso chegou ao conhecimento da Universidade Federal do Pará que procurou o MPF. Em depoimento, um dos acusados alegou que sua intenção foi a de ajudar a melhorar a qualidade de vida e reduzir as doenças dos índios da comunidade e que enviara todo o material coletado à Universidade Federal do Pará.

A primeira instância, ao examinar o pedido, extinguiu o processo, sem julgamento do mérito, ao fundamento de prescrição qüinqüenal, uma vez que o Ministério Público Federal tomou conhecimento dos supostos fatos ilícitos em 19 de setembro de 1996 e somente ajuizou ação em 29 de outubro de 2002, seis anos depois.

Por isso, o Ministério Público Federal recorreu ao TRF. Argumentou que só os direitos patrimoniais é que estão sujeitos à prescrição, e de que, no caso, a ação busca não somente o pagamento de danos morais, mas também a obrigação de não-fazer, que consiste na abstenção da prática de qualquer ato de violação dos direitos de personalidade de comunidade indígena.
A relatora, desembargadora federal Selene Maria de Almeida, do TRF da 1ª Região, constatou a necessidade de afastar a prescrição e de encaminhar o processamento do feito novamente à primeira instância, para verificar o dano.
“Estamos diante de possível violação do princípio da dignidade da pessoa humana, porquanto, ainda que se desconsidere a tese jurídica de que o consentimento dos índios deu-se eivado de vícios, atenta contra os direitos da personalidade comercializar material genético de um determinado povo sem a sua autorização expressa, bem como das autoridades competentes”, concluiu.

Revista Consultor Jurídico
16 de novembro de 2007

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