A locomotiva do Brasil http://paulodaluzmoreira.blogspot.com/2008/08/locomotiva-do-brasil.htmlEis a sucinta descrição do Monumento aos Bandeirantes do então governador de São Paulo, fundador da USP, primo de Júlio Mesquita, herói constitucionalista [ironicamente interventor em 1933], quatrocentão de quatro costados, Armando de Salles Oliveira: “Os homens surpreendidos numa subida, caminham para o alto: é o idealismo paulista em ação. Dois bandeirantes, os chefes, vão na frente, a cavalo: é o princípio da autoridade, o mais forte esteio da civilização que o comunismo tenta destruir. As figuras decrescem de tamanho: é a hierarquia, inseparável da disciplina, e um dos mais belos princípios da organização social”.
Universitá degli Studi di Milano
Revista Brasileira de História
Print ISSN 0102-0188
Rev. Bras. Hist. vol.23 no.46 São Paulo 2003
doi: 10.1590/S0102-01882003000200002
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Existe um repertório de imagens sobre São Paulo, constituído em pleno momento da grande urbanização e, em muitos casos, válido até hoje. Ele exprime, sobretudo, um imaginário regionalista que elege São Paulo o cartão de visita do Brasil. A oligarquia do café ocupa aí uma posição chave. Seu sucesso e riqueza recentes ligam-se intimamente à política imigratória e ao boom demográfico paulistano. Assim, como beneficiários e artífices do processo de urbanização, os membros do grupo enxergam na nova cidade o reflexo por excelência de seu imaginário. A produção de discursos que se segue institui, então, uma memória social dominante, vitoriosa e otimista, essencialmente regida por uma lógica de progresso. Nesta, a cafeicultura aparece generalizada, como um feito de todos, e carregada de positividade: atores, relações e hierarquias sociais desaparecem atrás de um único agente, portador de progresso e de riquezas, “o paulista”. Progresso e riquezas dos quais todo e qualquer brasileiro se beneficiaria, graças à generosidade desse mesmo “paulista”. Neste contexto, a grande cidade é o espelho perfeito de um imaginário social regionalista, inicialmente forjado pelas elites, mas socializado em seguida2.
Porém, quais são especificamente as imagens que, metaforizando positivamente a modernidade, como fruto e casa de chegada do progresso, constroem uma ligação privilegiada entre esta e a cidade de São Paulo, transformando tudo aquilo que é lido como moderno em obra e prerrogativa paulista? Referindo-me a algumas das imagens mais recorrentes nos discursos da época sobre a cidade, procurarei, neste texto, examinar sua presença na obra de Mário de Andrade, confrontando os sentidos em que aparecem nos dois registros. Assim, meu elenco de imagens abre-se com o Bandeirante, personagem extremamente presente em textos os mais variados durante toda a década de 20, e depois, no início dos anos 30, com a oposição das elites paulistas a Vargas, a Revolução de 1932 e a vitória eleitoral da “Chapa Única por São Paulo Unido!” nas eleições à Constituinte de 1933.
Todo o discurso dessas elites traz, na base, um regionalismo ferrenho. Assim, num primeiro momento, trata-se de explicar o sucesso do café pela natureza do paulista: forte, corajoso, empreendedor, desbravador dos interiores, alargador das fronteiras, o Bandeirante encarna aí o ascendente por excelência da população local, formador do verdadeiro caráter paulista, quatro séculos antes. Num segundo momento, já nos anos 30, a imagem é mais uma vez recuperada, num contexto diverso e a serviço de outros objetivos. Ainda que os princípios constitucionalistas, mobilizados contra Vargas, sejam originalmente fruto de tentativas de reconversão das elites, visando a recuperar espaços perdidos de poder, tal ideário chega a se popularizar em São Paulo. O paulista, herdeiro do Bandeirante, aparece então como lutador solitário à frente do País, vanguardista corajoso, pronto a tudo pela conquista de seus ideais, todos de justiça e de democracia. É assim que este rústico desbravador passa, da foice que abre fronteiras físicas, às armas que empurram para longe a ditadura, em benefício da democracia.
Porém, nos dois momentos, um duplo uso da metáfora Bandeirante existe. Por um lado, ela responde às aspirações de distinção das elites. Nesse sentido, “o” paulista não se refere a todo e qualquer paulista, mas somente aos “verdadeiros”. Eis como a oligarquia cria a lenda de uma herança “quatrocentona “, que distingue suas famílias, ao mesmo tempo, das outras elites regionais, dos demais grupos sociais e, mais raro mas não menos significativo, de indivíduos ou famílias em ascensão [ grifo do blog] 3. As levas de estrangeiros recrutadas para o café ocupam, por sua vez, o papel de figurantes, de “braços para o café”, caminhando, curvadas, atrás da figura altiva — e sempre alta — do líder Bandeirante, latifundiário. Por outro lado, metáfora fundamentalmente regionalista, a figura do Bandeirante serve perfeitamente aos esforços de coesão social, de construção de identidades coletivas locais. Aí, não existem mais verdadeiros nem falsos paulistas: todos aparecem unidos — em 1932, por exemplo, atrás do mesmo ideal —, quatrocentões, imigrantes e outros.
Lê-se, assim, num dos inúmeros panfletos que circulam em São Paulo durante e após a Revolução de 1932, buscando criar e reforçar uma identidade regional, além de construir sua memória:
(…) “Bandeirismo paulista”. Esta lição, meu filho, Seduz, prende e entusiasma a todo o brasileiro.
Procura, pois, saber esta lição com brilho. E, si alguém te indagar: “De que Nação és filho?” Responde, filho meu, responde: “Eu sou Paulista”! 4
Num outro texto, escrito após a derrota Constitucionalista em 1932, como uma homenagem a São Paulo, o autor toma a defesa dos paulistas contra seus eventuais detratores:
(…) Não se esquecem os que se affligem com o progresso de S. Paulo de apregoar que a quarta parte do povo paulista descende de italianos, como se isso pudesse alterar, como elles pensam ou procuram fazer crer, a homogeneidade mental da população deste Estado ou influisse de qualquer maneira para uma classificação à parte, dos paulistas, no conjuncto da população brasileira. Os filhos e netos de italianos, nascidos em São Paulo, são tão paulistas quanto os descendentes dos antigos bandeirantes. 5
Em pleno espaço urbano paulistano, quatro referenciais se destacam para lembrar tal descendência. Em primeiro lugar, quanto à visibilidade, o grande Monumento às Bandeiras, desenhado por Victor Brecheret.
( … )”
Bandeirantes, índios e o engenheiro da Eletrobrás
http://paisdahipocrisia.wordpress.com/2008/06/02/bandeirantes-indios-e-o-egenheiro-da-eletrobras/
” ( … )
Sem importância econômica para metrópole, a capitania de São Vicente desenvolvia sua autonomia.Também sem recursos suficientes para comprar escravos negros, e também pela ocupação holandesa em Angola os paulistas passaram a escravizar os índios.A partir de 1620, os paulistas (os famosos bandeirantes) passaram a atacar intensamente a região de Guairá na caça ao Guaranis (considerados índios de qualidade por pussuírem uma hortecultura desenvolvida.) Missões jesuítas foram atacadas. As missões de Itaim, Tape e Uruguai foram destruídas. (os jesuítas ainda não autorizavam os índios a usarem arma de fogo ainda.)Antônio Raposo Tavares, André Fernandes Manuel Preto e Fernão Dias Pais comandaram expedições em que milhares de índios foram escravizados e mortos.A crueldade chegava ao absurdo como: aldeias incendiadas, crianças e velhos trucidados, além de epidemias que se abatiam sobre os nativos, matando-os em grande escala.Depois que o Padre Ruiz de Montoya concedeu autorização aos índios para a utilização de armas os paulistas foram derrotados em Guaraçu e depois em Mboré.
A brava resistência índigena apoiada pelos jesuítas, o restabelecimento do tráfico negreiro, a elevada mortalidade dos índios aprisionados, as rebeliões e as fugas fizeram com que a caça ao índio declinasse.
Domingos Jorge Velho (imagem): segundo escreveu o bispo Francisco de Lima: “tratava-se de um selvagem, comunicando-se atráves de um intérprete, já que o ernergúmeno só falava a língua geral”. Também comentou o governador Caetano de Melo e Castro: “É gente bárbara que vive do que rouba.”Fernão Dias Pais, diante de uma conspiração, não hesitou em condenar seu próprio filho à pena de morte.
Depois dessa introdução histórica, eu não entendo como no Brasil se tem a idéia de que os Bandeirantes foram heróis, conquistadores do interior do Brasil, (isso já era feita pelas Entradas, que eram organizadas por Portugal afim de buscar ouro e algo do tipo.) eles são colocados como desbravadores e até contam com alguns monumentos com seus nomes, nomes de estrada, ruas.
( … )”.
E EM CUIABÁ TAMBÉM TEM…
Praça do Bandeirante e Monumento ao Bandeirante
http://wikimapia.org/148540/pt/Pra%C3%A7a-do-Bandeirante-e-Monumento-ao-Bandeirante
No dia 9 de novembro de 1942 foi inaugurado o Monumento ao Bandeirante criado pelo artista plástico Armando Zago, atendendo solicitação do Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito de São Paulo, para ser doado ao povo goyano.
A escultura em bronze possui três metros e meio de altura e está localizada na praça Atílio Correia Lima – antiga Praça do Bandeirante, no cruzamento das avenidas Goiás e Anhanguera, setor Central.Ele busca retratar o Bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva em corpo inteiro, tendo nas mãos uma bateia e armado de bacamarte. Foi alcunhado pelo índio como O Anhangüera por haver colocado fogo em álcool, fazendo-os acreditar que colocaria fogo nos rios, caso o impedisse de levar as riquezas da terra.
…MAS TEM QUEM É CONTRA…
http://amigosdemuseu.blogspot.com/2008/02/o-pastor-vereador-rusemberg-decidiu.html
BÔNUS: O QUE GOSTAMOS DE LER
USP, FFLCH e O ESTADO DE S. PAULO
O grupo de O Estado de S. Paulo e seu “Projeto”
Gabriel Passetti
passetti@klepsidra.net
Quarto Ano – História/USP
http://www.klepsidra.net/klepsidra13/estadao3.htm
“( … ) No Estado de São Paulo havia um forte núcleo liberal encabeçado pelo grupo reunido em torno da família Mesquita e do jornal O Estado de São Paulo. Para tais pessoas, a aplicação do modelo liberal exposto no parágrafo acima ainda colocava o próprio Estado de São Paulo em destaque, “o jornal pode ser visto como tendo um ‘projeto’ para o Brasil, numa visão evolucionista da sociedade”[1] e “uma vez no poder, estabeleceriam no Brasil uma república liberal, para a qual tinham planos nos mais diferentes níveis. É um projeto no qual a hegemonia da nação está reservada a São Paulo” [2].
Este “Projeto” tinha um caráter evolucionista para a política, com ampla autonomia dos Estados, o que permitiria que cada um ao seu tempo alcançasse os níveis mais altos. Para eles, estava claro que naquele momento era São Paulo o topo da pirâmide da evolução brasileira, seguido por Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Apesar da retórica liberal de livre-comércio, pouca intervenção estatal na economia e autonomia dentro da federação, “verifica-se que esses defensores do liberalismo procuravam adaptar a teoria à necessidade dos interesses que defendiam, integrando-se bastante livre-comércio e intervencionismo na ideologia de ‘OESP’ ” [3]. Ou seja, “na verdade, o conservadorismo, o elitismo e a postura de classe dominante são a tônica das propostas do jornal” [4]. ( … )”


TRIVELA
Carta Maior
CASA VIDA
Celso Lungaretti
CONVERSA AFIADA c/ Paulo Henrique Amorim
Desemprego Zero
Dicionário Jurídico – A a Z – Nota Dez
HORA DO POVO
IBGF – Instituto Brasileiro Giovanni Falcone
NOSSA HAPPYLÂNDIA
Portal IBASE
PROFESSOR HARIOVALDO ALMEIDA PRADO
QUERO UM BICHO
REVISTA FÓRUM – Outro mundo em debate
Y. COPRÓFAGOS ANÔNIMOS
YOU TUBE
ALERTA TRANSGÊNICOS ( OBS: BANIDO )
ALTERNATIVE TENTACLES
GREG PALAST
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