Governo diz que número de assalto a bancos caiu 35%
Há motivos, no entanto, para suspeitar dos dados divulgados pelo governo estadual
Há motivos, no entanto, para suspeitar dos dados divulgados pelo governo estadual
São Paulo - A Secretaria de Segurança Pública (SSP) do governo do Estado divulgou na quinta-feira, dia 31 de janeiro, que o número de roubo a bancos na capital paulista em 2007 foi de 176, 41,53% menor do que os 351 de 2006. Há motivos de sobra, porém, para desconfiar da estatística.Em 2007, na ocasião da divulgação do balanço do ano anterior, a Secretaria de Segurança Pública passou um número menor do que foi registrado pela polícia civil no primeiro trimestre de 2006, conforme matéria publicada em O Estado de S. Paulo à época. Os dados oficiais apontavam 29 assaltos, mas nos distritos policiais havia o registro de 76 crimes. A diferença é de 262%.Depois de pressionada, a mesma SSP, através de seu titular, Ronaldo Mazagão, admitiu que o balanço não só de 2006 mas também dos anos anteriores poderiam estar errados, sempre com números abaixo do que seria a realidade. “O equívoco, se confirmado, foi cometido na fonte, de quem mandou a informação”, disse na ocasião, de acordo com a Folha de S.Paulo. Uma revisão até 2004 foi requisitada.
“O que entendemos é que não há um registro distorcido das ocorrências, pois assaltos a clientes dentro dos bancos, ação recorrente no dia-a-dia, por exemplo, não são computadas como assalto a banco. O mesmo ocorre quando a uma tentativa frustrada”, diz Daniel Reis, diretor do Sindicato. “Não concordamos com isso, pois o bancários e o cliente fica exposto à mesma violência independentemente de como o governo a classifica.”
Indeterminada - As distorções ocorrem não apenas com assalto a bancos. Segundo reportagem publicada na edição de domingo da mesma Folha, muitos casos de homicídio são lançados no sistema como crime de “intenção indeterminada”. Pesquisadores afirmam ser aceitável essa classificação para no máximo 5% dos casos das chamadas mortes por causa externa. Em São Paulo, em 2007, este índice, sempre de acordo com o jornal, foi de 17,25%, número 345% maior.
Outro índice que têm critérios discutíveis é sobre sequestros relâmpagos. De acordo com matéria de sexta, dia 1, o crime é classificado pela SSP como roubo qualificado. Em outras palavras, para o governo, não existe seqüestro relâmpago na cidade.
“O que chama a atenção é que os critérios sempre diminuem os índice, nunca elevam. No caso do sequestro relâmpago é pior ainda, pois simplesmente não há dados sobre o crime, constantemente praticado por toda a cidade”, acrescenta Daniel.
“Diante de tanta nebulosidade, prefirimos ficar com a realidade do cotidiano, onde números frios não aparecem: cada vez mais sentimos e ouvimos casos de violência contra bancários e clientes. Por isso, apesar das estatatísticas, seguiremos lutando por segurança real na rotina das agêncas.”
André Rossi – 07/02/2008

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