Castigo extra
Mais um vez assistimos à penalização do setor exportador brasileiro devido à enorme flutuação a que está exposta a taxa de câmbio. Além da queda do volume do comércio mundial em decorrência da crise financeira, nossas empresas passaram a lidar mais recentemente com a perda de competitividade devido à forte valorização do Real. Um pedaço dessa valorização – todos sabemos – é o espelho da desvalorização do dólar que produz efeito parecido na moeda dos demais países, mas no caso brasileiro, estamos submetidos a um castigo extra: nos últimos meses, o Real foi exposto a um processo de supervalorização sem paralelo, devido ao ingresso de capitais atraídos pelo diferencial de juros interno e externo. A taxa de juros que oferecemos continua sendo a mais generosa do mundo para todo tipo de investimento financeiro. O Real foi a moeda que mais se valorizou neste período pós-crise, tirando a condição de nossos exportadores de enfrentarem a dura competição nos mercados. Isso acontece exatamente quando os concorrentes “forçam a mão” oferecendo substanciais descontos nos preços e “retornos” disfarçados em condições, digamos, heterodoxas. Nós vivemos um momento bastante curioso. Quando veio a crise, Brasil e China estavam em condições razoavelmente adequadas para enfrentar a situação externa, o Brasil talvez um pouquinho melhor porque é um mercado menos aberto que o chinês. Em relação a seus mercados internos os dois foram na mesma direção de estimular o consumo popular e acelerar investimentos na infra-estrutura para ocupar mão-de-obra, garantir empregos e sustentar a renda. Apesar de embaraçado com as questões ambientais, o Brasil vem avançando (liberou as usinas do Madeira, mas se enrola nas rodovias); perde longe, porém, para a China que liberou em um mês mais de cem projetos de construção de rodovias que estavam encrencados na burocracia ambiental. No campo externo, os chineses foram eficientes ao manter a moeda desvalorizada frente ao dólar e se tornaram ainda mais agressivos nas exportações, atropelando concorrentes em todos os cantos do mundo. Vão perder produto como os demais, mas saem de um crescimento de 9% para 7% este ano, menos 2% de PIB. O Brasil está ameaçado de não crescer este ano, uma forte queda em relação aos 5.1% de crescimento de 2008. A diferença em termos de eficiência entre os dois países é gigantesca: por conta de recuos desnecessários na política monetária, o Brasil não lançou mão a tempo da musculatura que estava disponível para defender seu setor produtivo do “apagão do crédito” importado e ainda permite a penalização extraordinária das empresas que investem e enfrentam os riscos no exterior. Não há justificativa para continuar segurando a queda das taxas de juro. É preciso eliminar os inconvenientes enormes dessa política, dentre os quais o maior deles é a volatilidade dramática da taxa de câmbio.
Mais um vez assistimos à penalização do setor exportador brasileiro devido à enorme flutuação a que está exposta a taxa de câmbio. Além da queda do volume do comércio mundial em decorrência da crise financeira, nossas empresas passaram a lidar mais recentemente com a perda de competitividade devido à forte valorização do Real. Um pedaço dessa valorização – todos sabemos – é o espelho da desvalorização do dólar que produz efeito parecido na moeda dos demais países, mas no caso brasileiro, estamos submetidos a um castigo extra: nos últimos meses, o Real foi exposto a um processo de supervalorização sem paralelo, devido ao ingresso de capitais atraídos pelo diferencial de juros interno e externo. A taxa de juros que oferecemos continua sendo a mais generosa do mundo para todo tipo de investimento financeiro. O Real foi a moeda que mais se valorizou neste período pós-crise, tirando a condição de nossos exportadores de enfrentarem a dura competição nos mercados. Isso acontece exatamente quando os concorrentes “forçam a mão” oferecendo substanciais descontos nos preços e “retornos” disfarçados em condições, digamos, heterodoxas. Nós vivemos um momento bastante curioso. Quando veio a crise, Brasil e China estavam em condições razoavelmente adequadas para enfrentar a situação externa, o Brasil talvez um pouquinho melhor porque é um mercado menos aberto que o chinês. Em relação a seus mercados internos os dois foram na mesma direção de estimular o consumo popular e acelerar investimentos na infra-estrutura para ocupar mão-de-obra, garantir empregos e sustentar a renda. Apesar de embaraçado com as questões ambientais, o Brasil vem avançando (liberou as usinas do Madeira, mas se enrola nas rodovias); perde longe, porém, para a China que liberou em um mês mais de cem projetos de construção de rodovias que estavam encrencados na burocracia ambiental. No campo externo, os chineses foram eficientes ao manter a moeda desvalorizada frente ao dólar e se tornaram ainda mais agressivos nas exportações, atropelando concorrentes em todos os cantos do mundo. Vão perder produto como os demais, mas saem de um crescimento de 9% para 7% este ano, menos 2% de PIB. O Brasil está ameaçado de não crescer este ano, uma forte queda em relação aos 5.1% de crescimento de 2008. A diferença em termos de eficiência entre os dois países é gigantesca: por conta de recuos desnecessários na política monetária, o Brasil não lançou mão a tempo da musculatura que estava disponível para defender seu setor produtivo do “apagão do crédito” importado e ainda permite a penalização extraordinária das empresas que investem e enfrentam os riscos no exterior. Não há justificativa para continuar segurando a queda das taxas de juro. É preciso eliminar os inconvenientes enormes dessa política, dentre os quais o maior deles é a volatilidade dramática da taxa de câmbio.
Antonio Delfim Netto

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