ENCALHE

junho 25, 2007

Da classe média e seus queixumes

Essa daqui eu mandei, por enquanto, somente para o Jornal da Tarde.
O relatório do IUPERJ/ DOXA recém divulgado demonstrou estatísticamente o que se podia perceber intuitivamente: nas eleições de 2002 e 2006, a mídia partidarizou-se ( porém o vencedor foi o adversário ) nas campanhas presidenciais; porém, o fenômeno não cessou após as apurações, e o que se lê ( e vê ) está bem longe da propalada isenção e neutralidade.
Isso afeta a maneira como nós passamos a encarar determinadas situações que se põem: estudantes da USP paralisam a Universidade e são retratados como “filhinhos de papai” ( filiados ao PSTU ?! ) ; metroviários cruzam os braços, seja por aumento salarial, contra a emenda 3 ou a privatização da esquecida linha 4 e são tratatos por “marajás” ( essa parte em negrito eu esqueci de escrever na mensagem ao JT ) ; professores adoecem devido a precariedade a que são submetidos, mas suas “faltas” são engenhosamente apontadas como as principais responsáveis pelo “Apagão Educacional Continuado” desses 12 anos de governo do PSDB no Estado de São Paulo ( existe a possibilidade de uma paralisação dessa categoria para os próximos dias e que será, obviamente, mostrada sob ótica favoravelmente governista, levando a classe média a, mais uma vez, se dizer atacada “em seus direitos” ) . Em seguida, a classe média terá todo o espaço para despejar seus habituais queixumes contra aqueles que se manifestam e movimentam ( única maneira que encontram para se fazer escutar ) .
Mas se engana aquele que acha que a mencionada classe média permanece sempre no queixume e imobilismo: tanto ela como certa mídia que se diz guardiã da liberdade de expressão aderiram, entusiasticamente, ao Golpe de 64.

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