Vereador se encondeu atrás de armário para não ser preso
Esquema de cobrança de propina era investigado há 15 dias; 5 estão presos
19/03/2009
O último vereador envolvido no esquema que exigia dinheiro da Prefeitura de Igarapava para facilitar a aprovação de orçamentos e projetos foi preso na manhã desta quinta-feira (19). Alan Kardec de Mendonça (PSDB), presidente da Câmara, passou a noite escondido atrás de um armário em uma das salas da prefeitura. Ele estava foragido desde a tarde de quarta-feira (18), quando a polícia prendeu outros quatro vereadores acusados de envolvimento no crime: Sérgio Augusto de Freitas e Roberto Silvaira, ambos de PSDB, José Laudemiro Alves (DEM) e José Eurípedes de Souza (PT). Na tarde de quarta-feira, a população se reuniu em frente a delegacia para gravar imagens dos presos e protestar.
Há quinze dias o Ministério Público começou a investigar a denúncia de que os cinco vereadores pediam dinheiro para aprovar os projetos do prefeito. Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça revelaram que eles pediam R$ 5 mil para cada um nos primeiros dois meses. Depois, as parcelas subiam para R$ 7 mil. Como a Câmara tem nove vereadores – o município tem 25 mil moradores -, os cinco garantiriam a maioria para aprovar qualquer projeto que o prefeito enviasse para votação. Nas casas dos vereadores, a polícia encontrou armas, munição e mais de R$ 800 mil, entre cheques e dinheiro. O delegado Clóvis Rodrigues, acredita que o dinheiro não é proveniente da prefeitura.
Transcrições
Nas ligações transcritas pelos promotores, os vereadores prometem aprovar também as contas da prefeitura. O documento apresentado nesta quinta-feira pelos promotores mostra como eram feitas as negociações entre o prefeito Francisco Molina e o grupo de vereadores da cidade. Nele estão registradas as transcrições de conversas gravadas por escutas, sobre uma suposta cobrança de propina, para a aprovação das contas da prefeitura no exercício de 2006 e projetos de lei do Executivo.
Em um dos trechos da conversa, o vereador José Laudemiro Alves, conhecido como Zé Bola, afirmava que queria o dinheiro depositado na conta para não incomodar o prefeito. O valor da propina seria de R$ 16 mil no total. Em seguida, o vereador sugere que a retirada do dinheiro seja feita por ordens de serviço da prefeitura. Em outra negociação o valor aumenta e o prefeito reclama do preço, que sobe para R$ 20 mil. Zé bola explica que os R$ 16 mil eram referentes ao mês de março e que a partir de abril o valor do pagamento seria de R$ 20 mil. O prefeito se sente pressionado, mas o vereador diz que “a melhor opção para ele seria aceitar o acordo, para governar durante quatro anos de forma tranquila”. O vereador diz também que a aprovação das contas seria imediata. Sobre esta questão, os promotores também apresentaram um documento já com as contas aprovadas, antes mesmo da sessão na Câmara ser realizada.
Os promotores entenderam que o prefeito não teve participação no crime, por não ter pago o valor pedido pelos vereadores. Mesmo assim, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) vai encaminhar o caso à Procuradoria Geral, para analisar a conduta de Molina, e também à Justiça, que deve apurar uma suposta improbidade administrativa.
Outro lado
O prefeito não foi encontrado nesta quinta-feira na cidade. Os advogados dos outros quatro vereadores presos entraram, ainda na quarta-feira, com o pedido de habeas corpus, mas até o início da noite desta quinta-feira ainda não havia uma decisão da Justiça.
Esquema de cobrança de propina era investigado há 15 dias; 5 estão presos
19/03/2009
O último vereador envolvido no esquema que exigia dinheiro da Prefeitura de Igarapava para facilitar a aprovação de orçamentos e projetos foi preso na manhã desta quinta-feira (19). Alan Kardec de Mendonça (PSDB), presidente da Câmara, passou a noite escondido atrás de um armário em uma das salas da prefeitura. Ele estava foragido desde a tarde de quarta-feira (18), quando a polícia prendeu outros quatro vereadores acusados de envolvimento no crime: Sérgio Augusto de Freitas e Roberto Silvaira, ambos de PSDB, José Laudemiro Alves (DEM) e José Eurípedes de Souza (PT). Na tarde de quarta-feira, a população se reuniu em frente a delegacia para gravar imagens dos presos e protestar.
Há quinze dias o Ministério Público começou a investigar a denúncia de que os cinco vereadores pediam dinheiro para aprovar os projetos do prefeito. Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça revelaram que eles pediam R$ 5 mil para cada um nos primeiros dois meses. Depois, as parcelas subiam para R$ 7 mil. Como a Câmara tem nove vereadores – o município tem 25 mil moradores -, os cinco garantiriam a maioria para aprovar qualquer projeto que o prefeito enviasse para votação. Nas casas dos vereadores, a polícia encontrou armas, munição e mais de R$ 800 mil, entre cheques e dinheiro. O delegado Clóvis Rodrigues, acredita que o dinheiro não é proveniente da prefeitura.
Transcrições
Nas ligações transcritas pelos promotores, os vereadores prometem aprovar também as contas da prefeitura. O documento apresentado nesta quinta-feira pelos promotores mostra como eram feitas as negociações entre o prefeito Francisco Molina e o grupo de vereadores da cidade. Nele estão registradas as transcrições de conversas gravadas por escutas, sobre uma suposta cobrança de propina, para a aprovação das contas da prefeitura no exercício de 2006 e projetos de lei do Executivo.
Em um dos trechos da conversa, o vereador José Laudemiro Alves, conhecido como Zé Bola, afirmava que queria o dinheiro depositado na conta para não incomodar o prefeito. O valor da propina seria de R$ 16 mil no total. Em seguida, o vereador sugere que a retirada do dinheiro seja feita por ordens de serviço da prefeitura. Em outra negociação o valor aumenta e o prefeito reclama do preço, que sobe para R$ 20 mil. Zé bola explica que os R$ 16 mil eram referentes ao mês de março e que a partir de abril o valor do pagamento seria de R$ 20 mil. O prefeito se sente pressionado, mas o vereador diz que “a melhor opção para ele seria aceitar o acordo, para governar durante quatro anos de forma tranquila”. O vereador diz também que a aprovação das contas seria imediata. Sobre esta questão, os promotores também apresentaram um documento já com as contas aprovadas, antes mesmo da sessão na Câmara ser realizada.
Os promotores entenderam que o prefeito não teve participação no crime, por não ter pago o valor pedido pelos vereadores. Mesmo assim, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) vai encaminhar o caso à Procuradoria Geral, para analisar a conduta de Molina, e também à Justiça, que deve apurar uma suposta improbidade administrativa.
Outro lado
O prefeito não foi encontrado nesta quinta-feira na cidade. Os advogados dos outros quatro vereadores presos entraram, ainda na quarta-feira, com o pedido de habeas corpus, mas até o início da noite desta quinta-feira ainda não havia uma decisão da Justiça.

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