ENCALHE

maio 5, 2009

Números da crise: tchau, marolinha?

Filed under: CNI, crise econômica mundial, economia brasileira, exportações, IBGE, IEDI, IPEA — Humberto @ 9:13 pm
Presidente da CNI vê sinais de recuperação na indústria
05/05/2009
Agência CNI

Brasília – O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, afirmou nesta terça-feira (05) que a alta de 0,7% da produção industrial em março, em comparação com fevereiro, mostra que a queda-livre experimentada pelo setor no fim do ano passado e no começo deste foi interrompida.
“Há sinais tênues de que a atividade possa estar evoluindo de forma positiva neste segundo trimestre”, disse Monteiro Neto, que participa, ao comentar dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de prever um início de recuperação, Monteiro Neto ressaltou que não se deve exagerar no otimismo. “No segundo trimestre teremos um desempenho melhor, mas há uma ponta de preocupação de que voltemos a ter uma forte queda na produção industrial, que conseqüentemente gerará forte queda no PIB industrial.”
O presidente da CNI lembrou que em 2009 o PIB industrial será negativo em relação a 2008, mesmo com certa recuperação a partir deste trimestre, ou mais provavelmente no segundo semestre. “Teremos, no ano, crescimento do PIB próximo de zero, e a indústria contribuirá de forma negativa, com queda de 2,5% a 3% na produção industrial.”
Armando Monteiro Neto disse que os resultados divulgados hoje pelo IBGE não surpreenderam. “Eles vieram em linha com os indicadores antecedentes.”
Produção industrial teve alta em março
A produção da indústria brasileira cresceu levemente em março sobre fevereiro, com alta de 0,7%. É o terceiro aumento consecutivo na comparação com o mês anterior. Sobre março de 2008 houve queda.
Agência Brasil , 05.05.09
Rio de Janeiro – A produção industrial brasileira teve leve alta na passagem de fevereiro para março, registrando crescimento de 0,7%. O resultado aponta a terceira elevação consecutiva nesse tipo de comparação. Já em relação ao mesmo período do ano passado, o setor sofreu forte queda, de 10%. Com o resultado de março, a atividade fabril fechou o primeiro trimestre de 2009 com recuo de 14,7% ante igual período de 2008. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, a taxa ficou em -7,9%. Nos dois últimos trimestres, a perda acumulada pelo setor é de 16,7%, a mais elevada desde o segundo trimestre de 1990 (-19,8%). Nos últimos 12 meses, a variação acumulada é de -1,9%. De acordo com dados divulgados hoje (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento verificado em março atingiu 11 das 27 atividades pesquisadas. O destaque foi a indústria de veículos automotores (7,0%), seguida pela farmacêutica (9,0%), por outros produtos químicos (3,5%), equipamentos de instrumentação médico-hospitalar e óticos (20,8%) e indústrias extrativas (2,4%).Em movimento contrário, as principais quedas foram observadas nos setores de outros equipamentos de transporte (-15,2%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-15,3%), máquinas e equipamentos (-3,3%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (-5,5%). Já em relação a março de 2008, a pesquisa aponta que houve retração em 20 dos 27 ramos pesquisados. As principais pressões negativas partiram de máquinas e equipamentos (-27,2%), veículos automotores (-18,5%), metalurgia básica (-29,2%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (-38,9%). O levantamento do IBGE destaca que este ano o mês de março contou com dois dias úteis a mais do que em 2008.
Exportação aos árabes volta a crescer forte
Embarques do Brasil para a região renderam US$ 807 milhões em março, um aumento de 50% sobre o mesmo mês do ano passado. O volume de negócios reverteu dois meses seguidos de queda.
São Paulo – As exportações do Brasil aos países árabes voltaram a ter forte crescimento em março deste ano. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) compilados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, os embarques renderam US$ 807,35 milhões, um aumento de mais de 50% em comparação com março do ano passado e de 66,6% em relação a fevereiro de 2009.O desempenho do mês anulou a queda registrada em janeiro e fevereiro, fez com que as vendas acumuladas no primeiro trimestre crescessem 4,1% sobre o mesmo período do ano passado e chegassem a US$ 1,84 bilhão. Em março as exportações totais do Brasil recuaram 6,37% em comparação com o mesmo mês de 2008. No acumulado do primeiro trimestre, elas caíram 19,4%.“Nesses três primeiros meses já houve uma recuperação e um crescimento, o que nos dá mais ânimo”, comentou o presidente da Câmara Árabe, Salim Taufic Schahin. “Estou mais otimista hoje do que em janeiro”, acrescentou.Desde que assumiu a presidência da entidade em janeiro, Schahin já viajou para Líbia, Tunísia, Marrocos, Argélia, Líbano, Catar e Egito e conversou com lideranças políticas e empresariais desses países. “A percepção é de que o mundo árabe não vai sofrer tanto com a crise como as economias centrais”, afirmou. “O que houve foram perdas de investimentos feitos [pelos árabes] nas nações desenvolvidas”, declarou.Embora ressalte que é difícil fazer previsões sobre como os negócios vão se comportar até o final do ano, ele destacou que a crise tem dado sinais de arrefecimento. No caso do Brasil, por exemplo, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) voltou a crescer de forma relativamente constante, ultrapassando os 50 mil pontos ontem (04), maior nível desde setembro de 2008, e há menor flutuação no mercado de câmbio.Na avaliação do presidente da Câmara Árabe, as exportações do Brasil ao mundo árabe deverão continuar a crescer. Ele acredita ser possível um aumento de dois dígitos até o final de 2009. No caso das importações o cenário é diferente, uma vez que o preço do petróleo está muito abaixo do que estava no ano passado e a produção nacional da Petrobras voltou a ser maior do que o consumo do país.Salim destacou que durante o ano ainda vão ocorrer eventos que poderão dar mais impulso aos negócios com os árabes, como a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Arábia Saudita, na segunda quinzena de maio, e a vinda ao Brasil de uma missão da Câmara de Comércio e Indústria de Jeddah no final do mês.ProdutosEm março houve principalmente crescimento das exportações de minério de ferro, açúcar, aviões, soja em grãos, óleo de soja, fumo, tratores, vergalhões, milho, gado vivo, farelo de soja e motores elétricos.Em relação aos destinos, destaque para a Arábia Saudita, que importou o equivalente a US$ 170 milhões do Brasil, um aumento de 26% em comparação com março de 2008; Egito, com US$ 147,5 milhões, um crescimento de 119%; e Emirados Árabes Unidos, com US$ 111 milhões, um acréscimo de 41%. Houve crescimento acima da média nas vendas para o Líbano (213%), Marrocos (150%), Mauritânia (144%), Síria (53%), Líbia (92%) e Iraque (57%).As importações brasileiras de produtos árabes, por sua vez, caíram de US$ 804 milhões em março de 2008 para US$ 233 milhões em março deste ano, e de US$ 2,17 bilhões no primeiro trimestre do passado para US$ 737 milhões no mesmo período de 2009, resultando em um saldo comercial favorável ao Brasil em US$ 574 milhões no mês e em US$ 1,1 bilhão no ano. Houve redução nas vendas de petróleo, combustíveis e fertilizantes.
Varejo continua gerando empregos, segundo Ipea
Da Agência Brasil
O varejo de consumo e a prestação de serviços às famílias (ensino, medicina, odontologia, veterinária) estão entre os setores que mais criaram postos de trabalho em meio à crise financeira, segundo a pesquisa Crise Internacional: Impactos sobre o Emprego no Brasil e o Debate para a Constituição de uma Nova Ordem Global, divulgada nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O Ipea constatou que o consumo no varejo manteve saldo positivo no saldo de postos de trabalho relativo aos dois períodos. Entre outubro de 2007 e março de 2008, foram criados 172.577 empregos. De outubro de 2008 a março de 2009, os novos postos somaram 39.601 vagas.
Quanto às faixas salariais, antes mesmo da crise, a participação do segmento de dois salários mínimos já vinha diminuindo. Após outubro do ano passado, a tendência de queda passou a atingir também os postos de trabalho com remuneração entre um e dois salários mínimos. “Até então, esta faixa vinha obtendo ganhos”, diz diretor de Estudos Sociais do Ipea, Jorge Abrahão. “Parte disso se deve ao aumento do salário mínimo e ao fato de os salários mais elevados tenderem a não receber reajustes semelhantes.”
Segundo ele, esse movimento mostra que o mercado formal é muito focado no salário mínimo, “que se apresenta como elemento central da política de geração de emprego”.
Vendas em shoppings crescem 12% em março
As vendas em shopping centers aumentaram 12% no mês de março na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). O aumento teve forte influência das lojas âncoras, que responderam por 21,4% das vendas, seguidas por artigos diversos, com 18,7%, conveniência e serviços, com 17,7, e 13% para as lojas satélites. O restante ficou dividido ente alimentação, vestuário, artigos do lar, megalojas e lazer e entretenimento
Comércio espera alta no faturamento para o Dia das Mães
Considerada a segunda data de maior movimento para o Comércio, a expectativa dos comerciantes para o Dia das Mães é positiva, impulsionada principalmente pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre eletrodomésticos. A medida pode contribuir para o faturamento dos lojistas no período que antecede a comemoração, em 10 de maio.
A redução do IPI para a linha branca é um fator novo no atual cenário econômico, avalia Fábio Bentes, da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). “Vai haver uma ajuda nas vendas, já que os empresários podem repassar a redução do imposto para o preço final dos produtos”, diz o economista. A recuperação do crédito – cujo volume, no sistema financeiro nacional, chegou a R$ 1,241 trilhão em março – também é um bom sinal para os comerciantes. “Em 2008, as vendas desses produtos já estavam crescendo em ritmo forte, até que, no último trimestre do ano, pioraram. Mas, com o aumento gradual do crédito e a queda do câmbio que estamos verificando desde o início de 2009, os preços dos produtos podem cair”. De acordo com Bentes, a estimativa da Divisão Econômica da CNC para as vendas totais do comércio até o fim deste ano é de crescimento na ordem de 2,5%. Com a redução do IPI, pode chegar a 2,8%.
Fábio Pina, economista da Federação do Comércio de São Paulo, acredita que a redução do IPI para geladeiras, fogões, tanques e máquinas de lavar seja um estímulo ao consumidor, que terá a oportunidade comprar um bem mais durável, seja para presentear ou adquirir novos eletrodomésticos para si próprio. “É como se fosse um prêmio. O setor é grande e pode influenciar nos resultados finais. Mas ainda assim acredito que os resultados podem variar entre -2,55% e +2,5%, em São Paulo”. O economista aponta a queda da confiança do consumidor como fator que pode prejudicar os resultados do comércio – o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas, caiu 0,7% de fevereiro para março, menor nível da série, iniciada em setembro de 2005.
Vamberto Santana, economista da Federação do Comércio do Paraná, concorda com a opinião sobre a influência do IPI nas vendas. “As condições para que a população adquira mais produtos da chamada linha branca é muito grande, e pode gerar comprar adicionais”. Santana explica: ao comprar um fogão, o consumidor pode adquirir, por exemplo, produtos de culinária. Outro fator que pode alavancar as vendas no Paraná é o salário-mínimo diferenciado – o aumento para seis faixas salariais, que vão de R$ 605,52 a R$ 629,65, beneficia diretamente 174 mil empregados domésticos, no comércio e em atividades rurais, entre outras categorias. “O reajuste passa a valer a partir de 1.º de maio, e atinge inclusive os trabalhadores que não são contemplados em acordos coletivos de trabalho, o que é um bom incentivo para as compras ”, explica.
Do Rio de Janeiro, o economista Gabriel Santini, da Fecomércio-RJ, endossa as expectativas. “O consumidor pode até, devido à atual redução do índice de desemprego no Estado, adquirir produtos à vista, sobretudo da linha branca, mais acessíveis para este tipo de negócio”.
O Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista/DF), filiado à Fecomercio-DF, aguarda uma redução entre 5 e 10% no preço de produtos como geladeiras, fogões, tanquinhos e máquinas de lavar. O presidente do Sindivarejista, Antônio Augusto de Moraes, acredita que a data vai aquecer em até 6% as vendas de setores como Floriculturas, Vestuário, Perfumaria, Calçados e Jóias. “Apesar da crise financeira, a expectativa é de bom desempenho neste ano. O resultado dos primeiros meses, cujas vendas foram superiores às de 2008, nos deixa otimistas”, analisa.
Preparativos
Para aumentar as vendas no Dia das Mães, a Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomercio-MG) realiza nos dias 27, 28 e 29 de abril o curso “Incrementando suas vendas para o Dia das Mães”. O evento é direcionado aos profissionais da área comercial e contratados para serviço temporário, e vai abordar temas como o perfil do novo cliente versus perfil do vendedor de sucesso; técnicas de vendas; vendas adicionais e vendas complementares; e importância da fidelização dos clientes.
A solução da crise leva tempo
Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacionial do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
O mundo está enfermo, resultado de uma “intoxicação de consumo”, durante 20 anos. Agora, precisa descansar algum tempo, para se recuperar. A medicação adotada nos Estados Unidos, na Europa, assim como no Brasil, leva algum tempo para produzir efeito. Intoxicar o “doente” com sucessivas doses de um sem número de medicamentos não vai promover a cura imediata. Leva tempo.
O ritmo de expansão do comércio internacional, que crescia celeremente desde 2003, reconhecida alavanca do crescimento econômico, sofreu uma queda brusca de 20% , no último trimestre de 2008, e não vai voltar tão rapidamente ao nível anterior. Leva tempo. O volume de crédito bancário caiu fortemente, o mercado de capitais está praticamente paralisado e os índices das cotações nas principais Bolsas de Valores do mundo caíram até 50% e não vão se recuperar enquanto não se recuperar a lucratividade (P/L) das grandes empresas. Leva tempo.
As medidas anticíclicas, que estão sendo adotadas, certamente vão restaurar o crédito no sistema financeiro, vão reanimar o consumo e, portanto, vão criar incentivos para que voltem a ocorrer os investimentos privados. No momento, estão deprimidas a propensão a consumir e a propensão a investir. É importante que as medidas monetárias e fiscais se orientem no sentido de compensar a queda dos investimentos e promover a criação de novos empregos, para neutralizar o desemprego gerado pela crise. É preciso um pouco de paciência para aguardar os resultados. Não adianta ir “com muita sede ao pote”, adotando um elenco interminável de medidas. Leva tempo.
Segundo reportagem do Jornal do Comércio, 92% das empresas de porte médio anunciaram que pretendiam investir, em 2008. Neste ano, esse percentual caiu para 70%, um recuo de 24 %, bem maior que o verificado nas pequenas e grandes empresas.
Janeiro de 2009 marcou uma reversão abrupta nos avanços sociais alcançados pelo Brasil, nos últimos seis anos. Em apenas um mês, a classe C, nas seis maiores regiões metropolitanas, perdeu 11% de todo o aumento conseguido no governo Lula. Em janeiro de 2009, 563 mil pessoas saíram da classe C para as classes D e E, nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife. O recuo na participação da classe C, no total da população dessas regiões metropolitanas, foi de 1,2 ponto percentual, saindo de 53,8%, em dezembro de 2008, para 52,6% atuais.
A economia brasileira teve um desenvolvimento auspicioso ao longo de 2008, crescendo ao ritmo anual de 6,0%, até setembro. A partir de outubro, houve uma reversão dramática, para 3,6% negativos, devido basicamente à queda de 27% nas exportações de novembro e dezembro, que continuaram perdendo força no primeiro trimestre de 2009. Pelo visto, a recuperação das atividades econômicas deverá recomeçar pela retomada das exportações, mas a OECD estima uma queda de 13% no comércio internacional, em 2009. A recuperação, evidentemente, leva tempo.
De acordo com os princípios da teoria shumpeteriana, ou seja, a de que as fases de prosperidade são iniciadas por impulso das ondas de inovações, é bem possível que a atual recessão econômica leve algum tempo para recuperar-se. Uma nova revolução industrial, de consumo e de investimentos, está sendo gerada no campo das pesquisas e da experimentação de novas formas de energia “limpa”. Bilhões de dólares estão sendo investidos em pesquisas no campo de biocombustíveis, de novas fórmulas de etanol celulósico e de algas, de energia solar e nuclear, de geração eólica e marítima, além das enormes expectativas no campo do biodiesel e do hidrogênio. Já se encontram no mercado os veículos flex e já estão chegando os veículos com motores elétricos e as primeiras experiências de gerações de energia com hidrogênio. Essas inovações vão gerar impulso para pôr em marcha uma nova fase de prosperidade, início de um novo ciclo econômico.
Esse será o tempo necessário para entrarem em campo, com maior vigor, os investimentos do PAC, se não faltarem recursos do Governo, que poderão estar sendo utilizados em muitas outras finalidades. Exportações e investimentos na infra-estrutura são, necessariamente, os caminhos da recuperação. Até que chegue a nova onda de inovações.
A análise da crise atual nos revelou que sua origem, sem dúvida, foi a indigestão de consumo e de especulação, muito além das possibilidades permitidas pela efetiva geração da renda resultante das atividades produtivas. Agora, é preciso dar tempo ao tempo, para concluir a digestão da crise. É uma questão matemática e de tempo. Não adianta criar soluções artificiais. Até as jibóias sabem disso…
( Publicado no Jornal do Commercio de 30/04/2009 )
Receita com exportação de açúcar sobe 48% em abril
As exportações brasileiras de açúcar atingiram, em abril, o volume de 1,3 milhão de toneladas. O montante é ligeiramente superior aos 1,297 milhão de toneladas verificados às exportações de março e 36,6% maior que o registrado em igual período de 2008, quando o volume exportado ficou em 951 mil toneladas.
Do total exportado em abril, 964,4 mil toneladas foram de açúcar demerara, alta de 69,4% ante abril de 2008, e 335,7 mil toneladas foram de refinado, queda de 12,16% ante igual período do ano passado. Em abril, a receita obtida com as exportações ficou em US$ 404,7 milhões, queda de 0,5% em relação a março mas alta de 48% ante resultado de abril de 2008, quando as vendas atingiram US$ 273,7 milhões. Do total registrado em março, US$ 289,7 milhões vieram de venda de demerara e US$ 115 milhões da venda de refinado.
ENTREMENTES…
ANÁLISE IEDI, 05.05.09:
Indústria – O momento difícil
Só na aparência os resultados da indústria em março, divulgados hoje pelo IBGE, podem ser considerados positivos. Houve de fato um aumento da produção industrial com relação a fevereiro com ajuste sazonal, sendo este o terceiro aumento consecutivo, mas o desse último mês foi o menor, e, além disso, foi muito pouco expressivo, de apenas 0,7%. Nos meses anteriores a variação positiva tinha chegado a 2,1% em janeiro e 1,9% em fevereiro. Houve também uma redução expressiva na queda da produção industrial de março último com relação a março do ano passado, -10,0%, contra reduções de 17,5% e 16,8% em janeiro e fevereiro. Contudo, essa “melhora” decorreu muito mais de um fator calendário ou de um fator estatístico do que qualquer outra coisa. É que no corrente ano o mês de março contou com dois dias úteis a mais do que março do ano passado e, ademais, o resultado da produção industrial nesse último mês fora muito baixo, portanto formando uma base baixa de comparação.
Os dados relevantes para se aferir o estado da produção industrial do país não são esses, mas sim, o que informa que na média dos últimos 3 meses a indústria opera em um nível de produção quase 15% inferior ao do mesmo período do ano passado. A outra informação relevante é que o coração de um sistema produtivo, ou seja, a sua indústria de bens de capital, que espelha a intenção de investir da economia, não pára de aprofundar sua queda. Com ajuste sazonal, a comparação da produção desse setor em março com fevereiro apresentou recuo de 4,7%, acumulando dois meses de mega retrações, já que em fevereiro o declínio chegara a 7,1%. Isso significa que esse setor desde o início da crise já perdeu, em seis meses, 33% de sua produção, sem que apresente qualquer sinal de reação. Em si, esse é um desempenho que deprime os resultados da indústria como um todo, que caiu 16%, também comparando-se a produção de março com o auge anterior à crise verificado em setembro do ano passado. Mas, mais do que isso, o colapso em bens de capital é revelador de que o investimento na economia brasileira está tendo um declínio de grandes proporções. As variações do investimento têm o poder de determinar à frente os aumentos de renda e emprego, razão pela qual os negativos indicadores em bens de capital devem ser tomados com extrema preocupação.
No momento atual, a economia brasileira vem acumulando resultados favoráveis. Tem sido assim na área do emprego, do comércio varejista, do comércio exterior, na conta de transações correntes do balanço de pagamentos, na inflação, denotando que sob muitos critérios a crise internacional não afeta o Brasil tão negativamente como em outras épocas, o que pode ser indicativo de que a economia do país desfruta de capacidade para superar a atual etapa adversa com antecedência a outras economias. Tudo isso é verdadeiro, menos com relação ao eixo central da dinâmica econômica, que no Brasil, assim com em qualquer outro lugar do mundo, tem no investimento o seu centro irradiador. E o investimento no Brasil vai muito mal.
O governo tem realizado reduções de impostos em segmentos de bens duráveis, o que contribuiu para minimizar a queda de vendas e de produção nesses setores. Mas até agora não instituiu nenhum mecanismo adicional de incentivo para as empresas que, mesmo diante do horizonte incerto causado pela crise internacional, venham a se aventurar em projetos de investimento. Não deve ser minimizado o conjunto de medidas, extremamente relevantes, para ampliação dos recursos para o BNDES. Elas asseguraram que por falta de financiamento não haverá descontinuidade dos investimentos na economia. Mas não somente por falta de financiamento os investimentos deixam de ser realizados, se, como é o caso no presente momento econômico, há uma queda generalizada e profunda nas expectativas, deprimindo a demanda por novos investimentos. Reduções de impostos na compra de bens de capital ajudariam nessa direção, mas seria importante um incentivo extra, tal como a redução de tributos (IR e outros impostos e contribuições federais) em contrapartida aos gastos com investimentos realizados, digamos nesse e no próximo ano. (
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Números da crise: tchau, marolinha?

Filed under: CNI, crise econômica mundial, economia brasileira, exportações, IBGE, IEDI, IPEA — Humberto @ 9:13 pm
Presidente da CNI vê sinais de recuperação na indústria
05/05/2009
Agência CNI

Brasília – O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, afirmou nesta terça-feira (05) que a alta de 0,7% da produção industrial em março, em comparação com fevereiro, mostra que a queda-livre experimentada pelo setor no fim do ano passado e no começo deste foi interrompida.
“Há sinais tênues de que a atividade possa estar evoluindo de forma positiva neste segundo trimestre”, disse Monteiro Neto, que participa, ao comentar dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de prever um início de recuperação, Monteiro Neto ressaltou que não se deve exagerar no otimismo. “No segundo trimestre teremos um desempenho melhor, mas há uma ponta de preocupação de que voltemos a ter uma forte queda na produção industrial, que conseqüentemente gerará forte queda no PIB industrial.”
O presidente da CNI lembrou que em 2009 o PIB industrial será negativo em relação a 2008, mesmo com certa recuperação a partir deste trimestre, ou mais provavelmente no segundo semestre. “Teremos, no ano, crescimento do PIB próximo de zero, e a indústria contribuirá de forma negativa, com queda de 2,5% a 3% na produção industrial.”
Armando Monteiro Neto disse que os resultados divulgados hoje pelo IBGE não surpreenderam. “Eles vieram em linha com os indicadores antecedentes.”
Produção industrial teve alta em março
A produção da indústria brasileira cresceu levemente em março sobre fevereiro, com alta de 0,7%. É o terceiro aumento consecutivo na comparação com o mês anterior. Sobre março de 2008 houve queda.
Agência Brasil , 05.05.09
Rio de Janeiro – A produção industrial brasileira teve leve alta na passagem de fevereiro para março, registrando crescimento de 0,7%. O resultado aponta a terceira elevação consecutiva nesse tipo de comparação. Já em relação ao mesmo período do ano passado, o setor sofreu forte queda, de 10%. Com o resultado de março, a atividade fabril fechou o primeiro trimestre de 2009 com recuo de 14,7% ante igual período de 2008. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, a taxa ficou em -7,9%. Nos dois últimos trimestres, a perda acumulada pelo setor é de 16,7%, a mais elevada desde o segundo trimestre de 1990 (-19,8%). Nos últimos 12 meses, a variação acumulada é de -1,9%. De acordo com dados divulgados hoje (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento verificado em março atingiu 11 das 27 atividades pesquisadas. O destaque foi a indústria de veículos automotores (7,0%), seguida pela farmacêutica (9,0%), por outros produtos químicos (3,5%), equipamentos de instrumentação médico-hospitalar e óticos (20,8%) e indústrias extrativas (2,4%).Em movimento contrário, as principais quedas foram observadas nos setores de outros equipamentos de transporte (-15,2%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-15,3%), máquinas e equipamentos (-3,3%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (-5,5%). Já em relação a março de 2008, a pesquisa aponta que houve retração em 20 dos 27 ramos pesquisados. As principais pressões negativas partiram de máquinas e equipamentos (-27,2%), veículos automotores (-18,5%), metalurgia básica (-29,2%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (-38,9%). O levantamento do IBGE destaca que este ano o mês de março contou com dois dias úteis a mais do que em 2008.
Exportação aos árabes volta a crescer forte
Embarques do Brasil para a região renderam US$ 807 milhões em março, um aumento de 50% sobre o mesmo mês do ano passado. O volume de negócios reverteu dois meses seguidos de queda.
São Paulo – As exportações do Brasil aos países árabes voltaram a ter forte crescimento em março deste ano. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) compilados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, os embarques renderam US$ 807,35 milhões, um aumento de mais de 50% em comparação com março do ano passado e de 66,6% em relação a fevereiro de 2009.O desempenho do mês anulou a queda registrada em janeiro e fevereiro, fez com que as vendas acumuladas no primeiro trimestre crescessem 4,1% sobre o mesmo período do ano passado e chegassem a US$ 1,84 bilhão. Em março as exportações totais do Brasil recuaram 6,37% em comparação com o mesmo mês de 2008. No acumulado do primeiro trimestre, elas caíram 19,4%.“Nesses três primeiros meses já houve uma recuperação e um crescimento, o que nos dá mais ânimo”, comentou o presidente da Câmara Árabe, Salim Taufic Schahin. “Estou mais otimista hoje do que em janeiro”, acrescentou.Desde que assumiu a presidência da entidade em janeiro, Schahin já viajou para Líbia, Tunísia, Marrocos, Argélia, Líbano, Catar e Egito e conversou com lideranças políticas e empresariais desses países. “A percepção é de que o mundo árabe não vai sofrer tanto com a crise como as economias centrais”, afirmou. “O que houve foram perdas de investimentos feitos [pelos árabes] nas nações desenvolvidas”, declarou.Embora ressalte que é difícil fazer previsões sobre como os negócios vão se comportar até o final do ano, ele destacou que a crise tem dado sinais de arrefecimento. No caso do Brasil, por exemplo, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) voltou a crescer de forma relativamente constante, ultrapassando os 50 mil pontos ontem (04), maior nível desde setembro de 2008, e há menor flutuação no mercado de câmbio.Na avaliação do presidente da Câmara Árabe, as exportações do Brasil ao mundo árabe deverão continuar a crescer. Ele acredita ser possível um aumento de dois dígitos até o final de 2009. No caso das importações o cenário é diferente, uma vez que o preço do petróleo está muito abaixo do que estava no ano passado e a produção nacional da Petrobras voltou a ser maior do que o consumo do país.Salim destacou que durante o ano ainda vão ocorrer eventos que poderão dar mais impulso aos negócios com os árabes, como a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Arábia Saudita, na segunda quinzena de maio, e a vinda ao Brasil de uma missão da Câmara de Comércio e Indústria de Jeddah no final do mês.ProdutosEm março houve principalmente crescimento das exportações de minério de ferro, açúcar, aviões, soja em grãos, óleo de soja, fumo, tratores, vergalhões, milho, gado vivo, farelo de soja e motores elétricos.Em relação aos destinos, destaque para a Arábia Saudita, que importou o equivalente a US$ 170 milhões do Brasil, um aumento de 26% em comparação com março de 2008; Egito, com US$ 147,5 milhões, um crescimento de 119%; e Emirados Árabes Unidos, com US$ 111 milhões, um acréscimo de 41%. Houve crescimento acima da média nas vendas para o Líbano (213%), Marrocos (150%), Mauritânia (144%), Síria (53%), Líbia (92%) e Iraque (57%).As importações brasileiras de produtos árabes, por sua vez, caíram de US$ 804 milhões em março de 2008 para US$ 233 milhões em março deste ano, e de US$ 2,17 bilhões no primeiro trimestre do passado para US$ 737 milhões no mesmo período de 2009, resultando em um saldo comercial favorável ao Brasil em US$ 574 milhões no mês e em US$ 1,1 bilhão no ano. Houve redução nas vendas de petróleo, combustíveis e fertilizantes.
Varejo continua gerando empregos, segundo Ipea
Da Agência Brasil
O varejo de consumo e a prestação de serviços às famílias (ensino, medicina, odontologia, veterinária) estão entre os setores que mais criaram postos de trabalho em meio à crise financeira, segundo a pesquisa Crise Internacional: Impactos sobre o Emprego no Brasil e o Debate para a Constituição de uma Nova Ordem Global, divulgada nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O Ipea constatou que o consumo no varejo manteve saldo positivo no saldo de postos de trabalho relativo aos dois períodos. Entre outubro de 2007 e março de 2008, foram criados 172.577 empregos. De outubro de 2008 a março de 2009, os novos postos somaram 39.601 vagas.
Quanto às faixas salariais, antes mesmo da crise, a participação do segmento de dois salários mínimos já vinha diminuindo. Após outubro do ano passado, a tendência de queda passou a atingir também os postos de trabalho com remuneração entre um e dois salários mínimos. “Até então, esta faixa vinha obtendo ganhos”, diz diretor de Estudos Sociais do Ipea, Jorge Abrahão. “Parte disso se deve ao aumento do salário mínimo e ao fato de os salários mais elevados tenderem a não receber reajustes semelhantes.”
Segundo ele, esse movimento mostra que o mercado formal é muito focado no salário mínimo, “que se apresenta como elemento central da política de geração de emprego”.
Vendas em shoppings crescem 12% em março
As vendas em shopping centers aumentaram 12% no mês de março na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). O aumento teve forte influência das lojas âncoras, que responderam por 21,4% das vendas, seguidas por artigos diversos, com 18,7%, conveniência e serviços, com 17,7, e 13% para as lojas satélites. O restante ficou dividido ente alimentação, vestuário, artigos do lar, megalojas e lazer e entretenimento
Comércio espera alta no faturamento para o Dia das Mães
Considerada a segunda data de maior movimento para o Comércio, a expectativa dos comerciantes para o Dia das Mães é positiva, impulsionada principalmente pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre eletrodomésticos. A medida pode contribuir para o faturamento dos lojistas no período que antecede a comemoração, em 10 de maio.
A redução do IPI para a linha branca é um fator novo no atual cenário econômico, avalia Fábio Bentes, da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). “Vai haver uma ajuda nas vendas, já que os empresários podem repassar a redução do imposto para o preço final dos produtos”, diz o economista. A recuperação do crédito – cujo volume, no sistema financeiro nacional, chegou a R$ 1,241 trilhão em março – também é um bom sinal para os comerciantes. “Em 2008, as vendas desses produtos já estavam crescendo em ritmo forte, até que, no último trimestre do ano, pioraram. Mas, com o aumento gradual do crédito e a queda do câmbio que estamos verificando desde o início de 2009, os preços dos produtos podem cair”. De acordo com Bentes, a estimativa da Divisão Econômica da CNC para as vendas totais do comércio até o fim deste ano é de crescimento na ordem de 2,5%. Com a redução do IPI, pode chegar a 2,8%.
Fábio Pina, economista da Federação do Comércio de São Paulo, acredita que a redução do IPI para geladeiras, fogões, tanques e máquinas de lavar seja um estímulo ao consumidor, que terá a oportunidade comprar um bem mais durável, seja para presentear ou adquirir novos eletrodomésticos para si próprio. “É como se fosse um prêmio. O setor é grande e pode influenciar nos resultados finais. Mas ainda assim acredito que os resultados podem variar entre -2,55% e +2,5%, em São Paulo”. O economista aponta a queda da confiança do consumidor como fator que pode prejudicar os resultados do comércio – o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas, caiu 0,7% de fevereiro para março, menor nível da série, iniciada em setembro de 2005.
Vamberto Santana, economista da Federação do Comércio do Paraná, concorda com a opinião sobre a influência do IPI nas vendas. “As condições para que a população adquira mais produtos da chamada linha branca é muito grande, e pode gerar comprar adicionais”. Santana explica: ao comprar um fogão, o consumidor pode adquirir, por exemplo, produtos de culinária. Outro fator que pode alavancar as vendas no Paraná é o salário-mínimo diferenciado – o aumento para seis faixas salariais, que vão de R$ 605,52 a R$ 629,65, beneficia diretamente 174 mil empregados domésticos, no comércio e em atividades rurais, entre outras categorias. “O reajuste passa a valer a partir de 1.º de maio, e atinge inclusive os trabalhadores que não são contemplados em acordos coletivos de trabalho, o que é um bom incentivo para as compras ”, explica.
Do Rio de Janeiro, o economista Gabriel Santini, da Fecomércio-RJ, endossa as expectativas. “O consumidor pode até, devido à atual redução do índice de desemprego no Estado, adquirir produtos à vista, sobretudo da linha branca, mais acessíveis para este tipo de negócio”.
O Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista/DF), filiado à Fecomercio-DF, aguarda uma redução entre 5 e 10% no preço de produtos como geladeiras, fogões, tanquinhos e máquinas de lavar. O presidente do Sindivarejista, Antônio Augusto de Moraes, acredita que a data vai aquecer em até 6% as vendas de setores como Floriculturas, Vestuário, Perfumaria, Calçados e Jóias. “Apesar da crise financeira, a expectativa é de bom desempenho neste ano. O resultado dos primeiros meses, cujas vendas foram superiores às de 2008, nos deixa otimistas”, analisa.
Preparativos
Para aumentar as vendas no Dia das Mães, a Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomercio-MG) realiza nos dias 27, 28 e 29 de abril o curso “Incrementando suas vendas para o Dia das Mães”. O evento é direcionado aos profissionais da área comercial e contratados para serviço temporário, e vai abordar temas como o perfil do novo cliente versus perfil do vendedor de sucesso; técnicas de vendas; vendas adicionais e vendas complementares; e importância da fidelização dos clientes.
A solução da crise leva tempo
Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacionial do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
O mundo está enfermo, resultado de uma “intoxicação de consumo”, durante 20 anos. Agora, precisa descansar algum tempo, para se recuperar. A medicação adotada nos Estados Unidos, na Europa, assim como no Brasil, leva algum tempo para produzir efeito. Intoxicar o “doente” com sucessivas doses de um sem número de medicamentos não vai promover a cura imediata. Leva tempo.
O ritmo de expansão do comércio internacional, que crescia celeremente desde 2003, reconhecida alavanca do crescimento econômico, sofreu uma queda brusca de 20% , no último trimestre de 2008, e não vai voltar tão rapidamente ao nível anterior. Leva tempo. O volume de crédito bancário caiu fortemente, o mercado de capitais está praticamente paralisado e os índices das cotações nas principais Bolsas de Valores do mundo caíram até 50% e não vão se recuperar enquanto não se recuperar a lucratividade (P/L) das grandes empresas. Leva tempo.
As medidas anticíclicas, que estão sendo adotadas, certamente vão restaurar o crédito no sistema financeiro, vão reanimar o consumo e, portanto, vão criar incentivos para que voltem a ocorrer os investimentos privados. No momento, estão deprimidas a propensão a consumir e a propensão a investir. É importante que as medidas monetárias e fiscais se orientem no sentido de compensar a queda dos investimentos e promover a criação de novos empregos, para neutralizar o desemprego gerado pela crise. É preciso um pouco de paciência para aguardar os resultados. Não adianta ir “com muita sede ao pote”, adotando um elenco interminável de medidas. Leva tempo.
Segundo reportagem do Jornal do Comércio, 92% das empresas de porte médio anunciaram que pretendiam investir, em 2008. Neste ano, esse percentual caiu para 70%, um recuo de 24 %, bem maior que o verificado nas pequenas e grandes empresas.
Janeiro de 2009 marcou uma reversão abrupta nos avanços sociais alcançados pelo Brasil, nos últimos seis anos. Em apenas um mês, a classe C, nas seis maiores regiões metropolitanas, perdeu 11% de todo o aumento conseguido no governo Lula. Em janeiro de 2009, 563 mil pessoas saíram da classe C para as classes D e E, nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife. O recuo na participação da classe C, no total da população dessas regiões metropolitanas, foi de 1,2 ponto percentual, saindo de 53,8%, em dezembro de 2008, para 52,6% atuais.
A economia brasileira teve um desenvolvimento auspicioso ao longo de 2008, crescendo ao ritmo anual de 6,0%, até setembro. A partir de outubro, houve uma reversão dramática, para 3,6% negativos, devido basicamente à queda de 27% nas exportações de novembro e dezembro, que continuaram perdendo força no primeiro trimestre de 2009. Pelo visto, a recuperação das atividades econômicas deverá recomeçar pela retomada das exportações, mas a OECD estima uma queda de 13% no comércio internacional, em 2009. A recuperação, evidentemente, leva tempo.
De acordo com os princípios da teoria shumpeteriana, ou seja, a de que as fases de prosperidade são iniciadas por impulso das ondas de inovações, é bem possível que a atual recessão econômica leve algum tempo para recuperar-se. Uma nova revolução industrial, de consumo e de investimentos, está sendo gerada no campo das pesquisas e da experimentação de novas formas de energia “limpa”. Bilhões de dólares estão sendo investidos em pesquisas no campo de biocombustíveis, de novas fórmulas de etanol celulósico e de algas, de energia solar e nuclear, de geração eólica e marítima, além das enormes expectativas no campo do biodiesel e do hidrogênio. Já se encontram no mercado os veículos flex e já estão chegando os veículos com motores elétricos e as primeiras experiências de gerações de energia com hidrogênio. Essas inovações vão gerar impulso para pôr em marcha uma nova fase de prosperidade, início de um novo ciclo econômico.
Esse será o tempo necessário para entrarem em campo, com maior vigor, os investimentos do PAC, se não faltarem recursos do Governo, que poderão estar sendo utilizados em muitas outras finalidades. Exportações e investimentos na infra-estrutura são, necessariamente, os caminhos da recuperação. Até que chegue a nova onda de inovações.
A análise da crise atual nos revelou que sua origem, sem dúvida, foi a indigestão de consumo e de especulação, muito além das possibilidades permitidas pela efetiva geração da renda resultante das atividades produtivas. Agora, é preciso dar tempo ao tempo, para concluir a digestão da crise. É uma questão matemática e de tempo. Não adianta criar soluções artificiais. Até as jibóias sabem disso…
( Publicado no Jornal do Commercio de 30/04/2009 )
Receita com exportação de açúcar sobe 48% em abril
As exportações brasileiras de açúcar atingiram, em abril, o volume de 1,3 milhão de toneladas. O montante é ligeiramente superior aos 1,297 milhão de toneladas verificados às exportações de março e 36,6% maior que o registrado em igual período de 2008, quando o volume exportado ficou em 951 mil toneladas.
Do total exportado em abril, 964,4 mil toneladas foram de açúcar demerara, alta de 69,4% ante abril de 2008, e 335,7 mil toneladas foram de refinado, queda de 12,16% ante igual período do ano passado. Em abril, a receita obtida com as exportações ficou em US$ 404,7 milhões, queda de 0,5% em relação a março mas alta de 48% ante resultado de abril de 2008, quando as vendas atingiram US$ 273,7 milhões. Do total registrado em março, US$ 289,7 milhões vieram de venda de demerara e US$ 115 milhões da venda de refinado.
ENTREMENTES…
ANÁLISE IEDI, 05.05.09:
Indústria – O momento difícil
Só na aparência os resultados da indústria em março, divulgados hoje pelo IBGE, podem ser considerados positivos. Houve de fato um aumento da produção industrial com relação a fevereiro com ajuste sazonal, sendo este o terceiro aumento consecutivo, mas o desse último mês foi o menor, e, além disso, foi muito pouco expressivo, de apenas 0,7%. Nos meses anteriores a variação positiva tinha chegado a 2,1% em janeiro e 1,9% em fevereiro. Houve também uma redução expressiva na queda da produção industrial de março último com relação a março do ano passado, -10,0%, contra reduções de 17,5% e 16,8% em janeiro e fevereiro. Contudo, essa “melhora” decorreu muito mais de um fator calendário ou de um fator estatístico do que qualquer outra coisa. É que no corrente ano o mês de março contou com dois dias úteis a mais do que março do ano passado e, ademais, o resultado da produção industrial nesse último mês fora muito baixo, portanto formando uma base baixa de comparação.
Os dados relevantes para se aferir o estado da produção industrial do país não são esses, mas sim, o que informa que na média dos últimos 3 meses a indústria opera em um nível de produção quase 15% inferior ao do mesmo período do ano passado. A outra informação relevante é que o coração de um sistema produtivo, ou seja, a sua indústria de bens de capital, que espelha a intenção de investir da economia, não pára de aprofundar sua queda. Com ajuste sazonal, a comparação da produção desse setor em março com fevereiro apresentou recuo de 4,7%, acumulando dois meses de mega retrações, já que em fevereiro o declínio chegara a 7,1%. Isso significa que esse setor desde o início da crise já perdeu, em seis meses, 33% de sua produção, sem que apresente qualquer sinal de reação. Em si, esse é um desempenho que deprime os resultados da indústria como um todo, que caiu 16%, também comparando-se a produção de março com o auge anterior à crise verificado em setembro do ano passado. Mas, mais do que isso, o colapso em bens de capital é revelador de que o investimento na economia brasileira está tendo um declínio de grandes proporções. As variações do investimento têm o poder de determinar à frente os aumentos de renda e emprego, razão pela qual os negativos indicadores em bens de capital devem ser tomados com extrema preocupação.
No momento atual, a economia brasileira vem acumulando resultados favoráveis. Tem sido assim na área do emprego, do comércio varejista, do comércio exterior, na conta de transações correntes do balanço de pagamentos, na inflação, denotando que sob muitos critérios a crise internacional não afeta o Brasil tão negativamente como em outras épocas, o que pode ser indicativo de que a economia do país desfruta de capacidade para superar a atual etapa adversa com antecedência a outras economias. Tudo isso é verdadeiro, menos com relação ao eixo central da dinâmica econômica, que no Brasil, assim com em qualquer outro lugar do mundo, tem no investimento o seu centro irradiador. E o investimento no Brasil vai muito mal.
O governo tem realizado reduções de impostos em segmentos de bens duráveis, o que contribuiu para minimizar a queda de vendas e de produção nesses setores. Mas até agora não instituiu nenhum mecanismo adicional de incentivo para as empresas que, mesmo diante do horizonte incerto causado pela crise internacional, venham a se aventurar em projetos de investimento. Não deve ser minimizado o conjunto de medidas, extremamente relevantes, para ampliação dos recursos para o BNDES. Elas asseguraram que por falta de financiamento não haverá descontinuidade dos investimentos na economia. Mas não somente por falta de financiamento os investimentos deixam de ser realizados, se, como é o caso no presente momento econômico, há uma queda generalizada e profunda nas expectativas, deprimindo a demanda por novos investimentos. Reduções de impostos na compra de bens de capital ajudariam nessa direção, mas seria importante um incentivo extra, tal como a redução de tributos (IR e outros impostos e contribuições federais) em contrapartida aos gastos com investimentos realizados, digamos nesse e no próximo ano. (
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setembro 13, 2007

Comércio tem perspectiva otimista com alta do PIB ( notícia chapa-branca do Cata-Milho )

Filed under: ACSP, Brasil, crescimento econômico, Economia, IEDI, PIB, setor de comércio — Humberto @ 7:31 pm

Pequenas Empresas Grandes Negócios
12/09/2007

Comércio tem perspectiva otimista com alta do PIB
O presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, comemorou o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, com alta de 5,4% ante o mesmo período do ano passado. Segundo ele, o crescimento do consumo das famílias, de 5,7% no mesmo período, melhorou a perspectiva do setor para o fim de 2007, com a proximidade do Dia das Crianças e do Natal, que estão entre as melhores datas para as vendas do comércio, noticiou o G1.
“Os bons ventos sopram e temos que aproveitar o momento, mas com cautela, tendo em vista as recentes turbulências internacionais”, disse.
Segundo Fabio Pina, assessor econômico da Fecomércio, a tendência é que o crescimento registrado no setor de comércio e serviços permaneça. “Apesar de o cenário internacional ser menos auspicioso do que foi no primeiro trimestre, o PIB está mais ou menos do que a gente chama de contratado”.
“O contágio, até agora, foi relativamente pequeno deste ambiente internacional mais turvo, mais turbulento. A gente não tem motivos para imaginar que alguma coisa vai se alterar em grande medida. A gente pode esperar um crescimento do PIB em torno de 5%”.
Iedi
O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) considera “digna de destaque” a aceleração da indústria na composição do PIB, saltando de um crescimento de 0,4% no primeiro trimestre, na margem, para 1,3% no segundo trimestre. “Sinaliza que o setor retomou sua condição que, para alguns, havia sido perdida para o setor de serviços, que é a de liderar o crescimento da economia”. De acordo com a interpretação do Iedi, não fosse a aceleração do setor industrial, o PIB do segundo trimestre teria sido bem inferior do que o do primeiro trimestre, “frustrando, assim, a expectativa de aceleração do crescimento”.

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