ENCALHE

abril 26, 2009

Hospital da rede estadual de São Paulo libera paciente que possuia apendicite e precisava de cirurgia emergencial. O cara quase morre!

O local é o Hospital de Vila Alpina, que tem na ficha corrida alguns casos de gestantes que morreram na cirurgia, devido, parece, à imposição de parto normal [ Celso Lungaretti tomou ciência destes casos e falou deles em seus blogs. Vejam mais adiante. ], e outros como este: “Mais um caso: Liberada do Hospital de Vila Alpina, paciente é operada no ABC no dia seguinte por rompimento do intestino” ( Folha de Vila Prudente, Data: ? ). Imprensalão não fala nada. Este hospital é [ ou era ] administrado por uma OSCIP. A vergonha: percebam as desculpas da assessoria de imprensa da Secretaria. Só falta dizerem, naquela maneira burocrática, que os doentes inventaram a doença depois que sairam do HVA.
Com alta no Hospital de Vila Alpina, paciente passa por cirurgia emergencial
Rafael Gonçalo, da Folha de Vila Prudente

Francisco Pulice Neto mostra documentos que comprovam as passagens pelos dois hospitais

O restaurador Francisco Pulice Neto, de 32 anos, morador da Santa Clara, viveu dias de agonia neste mês. No último dia 3, ele começou a sentir fortes dores na barriga e seguiu para a Assistência Médica Ambulatorial (AMA) do Jardim Independência. Medicado, voltou para casa, porém, o mal-estar prosseguiu. Então, Neto foi até o Hospital Estadual de Vila Alpina e após exames, ouviu que se tratava de uma infecção no fígado. Foi encaminhado então para tomar soro e recebeu alta durante a madrugada, junto com um receituário de Buscopan e Plasil. Entretanto, não conseguiu dormir devido às fortes dores que persistiram. Na noite do dia 4, Neto resolveu ir ao Hospital Municipal Ignácio Proença de Gouvêa (antigo João XXIII), na Mooca, onde foi internado imediatamente e no dia seguinte sofreu uma cirurgia de emergência, por conta de uma apendicite aguda, que se não fosse tratada a tempo, poderia levá-lo à morte.
“Cheguei no Hospital de Vila Alpina vomitando e com dor. Falaram que era uma inflamação no fígado. Me deram soro, remédio, receita e me deram alta. Cheguei em casa e não consegui dormir. Minha sogra disse que a vizinha comentou que podia ser apendicite. Minha mulher procurou na Internet e eu estava com todos os sintomas. Fui para o João XXIII e logo de cara o médico me disse que era apendicite mesmo”, narrou Neto.
O restaurador ainda comentou os momentos que precederam a cirurgia. “Os médicos que me atenderam no João XXIII fizeram todos os exames e diagnosticaram a apendicite. Já no dia 5, às 13h, fui operado. Me falaram que se demorasse mais um pouco para eu ir ao hospital, podia até morrer, pois estava muito inflamado”, explica o restaurador, que afirma ter recebido outro tratamento no Vila Alpina. “Podiam ter ao menos me examinado, mas nem chegaram a me tocar”, ressalta.
Neto ficou internado no hospital municipal até o último 17, devido à gravidade da infecção. “Me faziam exames de sangue diários. Mesmo depois da cirurgia, ainda davam alterações. O médico não me liberou enquanto eu não estava 100%. Mesmo agora que estou em casa, ele me deu 15 dias de atestado, para não fazer nenhum esforço”, completou.
Segundo a esposa do restaurador, Andréa Camargo Pulice, o casal não têm a intenção de processar o hospital. “Acho que não iremos abrir processo não. Tem que contratar advogado, não tem como. A intenção foi mais de divulgar o que aconteceu com meu marido mesmo”, explica.
Apuração
Através da assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde, o Hospital Estadual de Vila Alpina esclareceu que o “paciente deu entrada na unidade no dia 3 deste mês, às 20h, com queixa de dor no estomago e náuseas”. Ainda segundo a nota, foi ressaltado que Neto “foi avaliado inicialmente, fez exames laboratoriais e eletrocardiograma, que não apontaram alteração. O paciente estava bem hemodinâmicamente, sem indícios de abdômen cirúrgico e foi medicado para as queixas de dores. Como o paciente apresentou melhora e bom quadro clinico e físico, foi liberado com medicações para os sintomas citados”.
Para finalizar, o órgão de saúde explicou que “o caso foi enviado para apuração interna do hospital. E que havendo indícios de irregularidade no atendimento, será encaminhado para o Conselho Regional de Medicina, instância adequada para a apuração imparcial dos acontecimentos e punição dos responsáveis”. A Folha vai cobrar o resultado da apuração.
Caso parecido, que resultou em morte de mulher de 30 anos, não gerou apuração
No último dia 27, a Folha trouxe matéria de capa, relatando a história de Karine Narvaes, de 30 anos, portadora de um leve atraso mental, que começou a sentir dores na região do abdômen. Ao ver que o quadro não melhorava, e já apresentava disenteria e vomito, Karine foi levada pelo irmão, Fernando Narvaes, ao Hospital Estadual de Vila Alpina. Na unidade, segundo Fernando, ela passou por consulta com uma médica, que teria dito ser apenas uma virose. A moça foi medicada e liberada. Já na madrugada do dia 17, dois dias após a alta, Karine piorou, o Resgate precisou ser chamado e ela voltou ao hospital, onde faleceu três horas depois. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou como causa da morte, apendicite aguda supurada, o que gerou revolta nos familiares.
Na ocasião, o Hospital Estadual de Vila Alpina, através da Secretaria Estadual de Saúde, se limitou a responder que “não havia qualquer indício de problemas cirúrgicos e que a paciente foi medicada e liberada”. Ainda foi explicado, que dois dias depois, ela voltou a dar entrada no hospital com um mal-estar geral, foi novamente atendida e medicada, mas veio a falecer. Na nota não havia menção a qualquer tipo de investigação do caso. ( Folha de Vila Prudente, edição 880, 24.04.09 )

LEIA MAIS:

Hospital paulistano impõe parto normal às gestantes pobrespor Celso Lungaretti

09 setembro 2008
Em julho noticiei e comentei que uma mulher fora praticamente assassinada pela incúria do Hospital Estadual de Vila Alpina (na capital paulista), o qual, mesmo diante das evidências gritantes de que se tratava de procedimento de alto risco, ainda assim a submeteu a longa espera na tentativa de forçar o parto normal:
http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/2008/07/umas-e-outras.html ( OBS: ESTE BLOG REPRODUZ O POST MENCIONADO, LOGO A SEGUIR )
Foi o suficiente para eu receber uma enxurrada de mensagens de um tal GestaMga, grupo de mulheres defensoras do parto normal, tentando me convencer de que se tratava de uma fatalidade e que o chamado parto humanizado é infinitamente superior à cesárea.
Eu me baseara na reportagem de um jornal de bairro que me caiu por acaso nas mãos, a Folha da Vila Prudente. Tive interesse em acessá-lo nas semanas seguintes e acompanhei os desdobramentos do episódio: outras famílias se queixando de danos terríveis às parturientes ou aos bebês pela mesmíssima insistência em forçarem o parto normal, contra a vontade das pacientes; panos quentes e explicações inconvincentes da Secretaria de Saúde; alguma repercussão na mídia.
Liguei para o repórter responsável pela série, Rafael Gonçalo, e fiquei sabendo que a proporção de partos normais no Hospital da Vila Alpina ultrapassa 75%. Trata-se, em suma, de hospital escolhido pela Secretaria de Saúde como cartão postal das excelências do tal parto humanizado. Daí o empenho das fanáticas do GestaMga em abafar o caso.
Mas, se esse grupo me pareceu um tipo de Liga das Senhoras Católicas — mulheres ricas atrás de alguma ocupação para preencher seu tempo ocioso –, desconfio que o empenho da Secretaria da Saúde não se deva apenas à obsessão em impor às coitadezas a solução que é melhor para elas. Afinal, o parto normal sai muito mais barato para os cofres estaduais e a vida me ensinou que quem pensa o pior dos governos, quase sempre acerta.
Enfim, autoridades e fanáticas têm todo direito de tentarem persuadir as gestantes pobres de que o parto normal é melhor para elas, mas nenhum direito de forçá-las a abdicar da cesárea, se é o que elas preferem.
E, muito menos, de agirem sorrateiramente, não esclarecendo de antemão à gestante que tudo farão para que o parto seja normal.
Essas infelizes obrigadas a recorrer à rede pública estão, na verdade, servindo inadvertidamente como garotas-propaganda de uma campanha promocional do parto humanizado.
Isto é tão inadmissível como as experiências com cobaias humanas que os nazistas desenvolviam e nos causam tanta repugnância quando as vemos nos filmes.
Parece que perdemos a capacidade de indignarmo-nos com os descalabros presentes.

* Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista e escritor. Mantém os blogs O Rebate, em que disponibiliza textos destinados a público mais amplo; e Náufrago da Utopia, no qual comenta os últimos acontecimentos.
http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/

UMAS E OUTRAS

9.7.08
“O acaso faz com que essas duas

Que a sorte sempre separou

Se cruzem pela mesma rua

Olhando-se com a mesma dor”
(Chico Buarque, “Umas e Outras”)
Cristina dos Santos Cavalcante residia num bairro pobre da zona Leste paulistana, a uns 15 quilômetros do Centro. Tinha 29 anos e esperava sua segunda criança.
Fez o pré-natal na Unidade Básica de Saúde do Jardim Independência, da rede municipal. O nascimento do filho estava previsto para o dia 15 de junho.
A data chegou, passou… e nada. Então, recorreu ao Hospital Estadual de Vila Alpina. Mas, em cada consulta, diziam-lhe que estava tudo normal e deveria voltar dentro de dois dias.
Apesar de suas precárias condições financeiras, ela pagou por um ultra-som numa clínica particular. O exame revelou que o cordão umbilical tinha dado duas voltas no pescoço da criança.
Levou o laudo na consulta seguinte, às 9 horas do dia 27 de junho, sendo internada imediatamente. Em vez de efetuarem logo uma cesárea, deram-lhe medicamentos para induzir o parto normal, que acabou ocorrendo somente às 23h20.
Cristina teve então hemorragia e não havia médico capacitado para dar-lhe o atendimento correto. Os jovens residentes tiveram de chamar “um especialista”.
Quando este finalmente chegou, não havia vaga para Cristina na UTI. Quarenta minutos depois (!), levaram-na a uma sala de observação (!!), na qual não havia equipamento nenhum. E foi lá que ela morreu, seis horas depois do parto. Parte desse tempo foi desperdiçada com a repetição de exames de sangue que a paciente já fizera no mesmo hospital – como se, no momento da emergência, não houvesse a certeza de que o tipo sanguíneo dela fosse aquele que constava da sua ficha.
Segundo o viúvo Márcio Ferreira da Costa, a primogênita já nascera por meio de cesariana, “o que mostra que já não era muito aconselhável fazer o parto normal desta vez”. E acrescentou:- Ela não tinha nada de dilatação. Minha mulher tinha a cintura muito fina e o neném nasceu com quase 4 quilos. Chegando na parte do ombro, o bebê travou e ficou cerca de 5 minutos sem respirar. Ao nascer, nem chorou, foi direto para os aparelhos.
O hospital registrou a morte como “natural” no 56° Distrito Policial – Vila Alpina. O resgate (oportuno e justificado) de Ingrid Betancourt mobilizou três governos e foi assunto da semana na grande imprensa paulista.
A morte (desnecessária e inaceitável) de Cristina dos Santos Cavalcante não comoveu governo nenhum nem interessou à grande imprensa paulista.
Eu só soube dela graças a um valoroso jornal de bairro (a Folha de Vila Prudente) e a um repórter (Rafael Gonçalo) ainda dotado do senso de justiça que deveria ser inerente à nossa profissão.
E só posso fazer o que estou fazendo: compartilhar minha indignação com os leitores, na esperança de que pelo menos alguns percam uns minutinhos enviando e-mails às autoridades, à imprensa e aos amigos.
Depende de nós fazermos com que Cristina dos Santos Cavalcante não tenha morrido em vão, como tantas outras Cristinas de nosso povo sofrido e injustiçado.
Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista e escritor. Mais artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

agosto 26, 2008

Vítimas do Apagão Educacional Continuado tucano em SP não atingem pontuação nem para participar das Paraolimpíadas de Matemática!!

Mas é foda… Mais uma vez a vEJA vem com sua ladainha sobre o “ensino brasileiro”. O ensino brasileiro, no que se refere aos baixos índices, é bom dizer, tem uma bela contribuição da educação ( eu sei, é modo de dizer ) paulista, que sofre há 12 ou 13 anos de governo tucano sabotando em todas as frentes possíveis. Mas, claro que a vEJA não perdoa nem os tucanos. Não há discordância sobre o projeto que ambos possuem, pois é o mesmo: privatizar até a mãe do Roberto Civita, se preciso for. O problema é que os governos do PSDB estão muito lentos, e não estão atingindo as metas e focando resultados. Portanto, ainda há muitos “gastos” com a Educação em São Paulo, principalmente na folha de pagamentos; para a vEJA e, também, para os tucanos nos governos e nas consultorias do Mercado Financeiro e Especulações S/A, o ideal de trabalhador são os escravos das fazendas de cana-de-açúcar: baixo custo ( mas pode ser enxugado ainda mais ) e nenhum direito. Beleza.
Falando sério, é bom os professores voltarem à carga.
E é sobre os professores de que tratam os textos abaixo. Outro dia eu falo sobre esta matéria da vEJA, que eu ainda não li direito; não há estômago que aguente, tá loco!!
O outro lado da greve dos professores paulistas
Apeoesp/Revista Fórum, Agosto de 2008
“Sindicato quer motel em escola.” Era dessa forma que o jornalista Gilberto Dimenstein se referia à greve dos professores paulistas, iniciada no dia 13 de junho contra o decreto nº 53.037/08, publicado no dia 28 de maio no Diário Oficial. Ele dizia ainda “o sindicato dos professores de São Paulo decidiu decretar uma greve para evitar que se implementem medidas destinadas a reduzir a rotatividade dos docentes nas escolas públicas – uma das pragas, entre tantas, que explicam a péssima qualidade de ensino”. A grande imprensa, no geral, acompanhou a opinião de Dimenstein, dando pouca voz a quem era atingido pela proposta do governo do estado: os professores.
O decreto foi apresentado como um conjunto de normas que iriam melhorar o ensino por meio da redução de transferências dos professores, alterando normas que dizem respeito à remoção, substituição e contratação temporária de docentes da rede estadual de ensino (leia mais no box). Rejeitada pelos professores em assembléia, a iniciativa é considerada pela Apeoesp como autoritária, justamente por ser imposta sem consulta aos professores.
“O projeto desconsidera o fator tempo de serviço na contratação de professores temporários. Muita gente com mais de 20 anos de experiência em sala de aula, próximos de se aposentarem, poderão ficar desempregados”, alerta Alessandro Luís Lopes de Lima, que atua na escola Ana Cândida de Barros Molina em São José dos Campos. “A redução das faltas médicas para apenas seis por ano, para uma categoria cuja maioria está na faixa etária entre 40 a 55 anos, e necessitam ir ao médico periodicamente devido a problemas de saúde surgidos, não raro, da tensa realidade da escola paulista, como a síndrome do pânico e de Burnout, que são quase epidemias entre os professores”, explica o professor, observando outro direito retirado com o decreto.
“A proibição da remoção do local de trabalho prejudica, já que possibilitava aos professores que eram mandados para outras cidades, devido aos concursos públicos, a voltarem a trabalhar em suas comunidades. Isso aumenta muito a qualidade de seu trabalho, devido ao envolvimento pessoal e social com seu lugar de origem.”
A pauta de reivindicações dos professores também incluía reajuste salarial, novo plano de carreira, fim da aprovação automática, incorporação das gratificações com extensão aos aposentados, concurso público estadual e garantia de emprego e estabilidade a todos os professores. “Já faz anos que o governo do estado tenta mexer com os direitos dos temporários e efetivos”, denuncia Maria Izabel Azevedo Noronha, presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), que complementa dizendo que mexer arbitrariamente com tantos direitos da categoria teve um preço. “O governo pagou para ver, e viu.” No total, foram 22 dias de paralisação, com realização de assembléias regionais, mobilizações e grandes manifestações no Centro da capital paulista.
“O governo percebeu a força da manifestação, negociou, chamou para conversar. Eles perceberam como estávamos organizados”, afirmou Maria Izabel. “Se esta greve teve uma vitória importante, foi expor a situação da educação e dos professores”, aponta Elifas de Paula, professor da escola Professor Astrogildo Arruda, zona Leste de São Paulo. “A greve obrigou o governo e os meios de comunicação a pautarem, na maioria dos casos contra os professores, a situação em que se encontra a educação neste país”, analisa. Segundo ele, em sua escola a paralisação foi quase que total e teve apoio dos alunos e da comunidade.
“Fosse nossa paralisação tão insignificante, não haveria razão para a verdadeira campanha do governo e de certos órgãos de comunicação contra o nosso movimento”, afirmou o ex-presidente da Apeoesp, Carlos Ramiro, em artigo criticando o editorial do jornal O Estado de São Paulo, “A greve do professorado”, publicado no dia 18 de junho.
Revista Fórum nº 65, Ano 7, Agosto de 2008
Mapa da exclusão anunciada
Há anos a APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo) denuncia os problemas decorrentes das políticas educacionais equivocadas adotadas pelas administrações do PSDB e propõe ações que poderiam alterar este quadro. Os vários gestores da Educação Pública ignoraram as intervenções apresentadas pelo Sindicato e pelo conjunto da categoria e mantiveram ações como aprovação automática, empobrecimento do currículo, superlotação das salas de aula, fechamento de escolas, ausência de projeto político-pedagógico, desvalorização dos profissionais, carência de concursos públicos, violência nas unidades escolares, entre outros, que culminaram na baixa qualidade apresentada pela rede de ensino estadual.
A recente greve de 21 dias dos professores (legítimo movimento em defesa da escola pública) foi o ápice da luta para exigir alterações na política educacional do estado mais rico da Federação, buscando garantir uma real melhoria no processo de ensino-aprendizagem, beneficiando tanto os alunos como os profissionais da Educação. As constantes ofensivas contra a categoria levou-a às ruas para exigir valorização profissional, manutenção dos direitos, concurso público classificatório para os 100 mil docentes que ainda são contratados precariamente, Plano de Carreira que estimule a permanência em sala de aula, melhoria nas condições de trabalho aos professores e de ensino-aprendizagem aos alunos; entre outros pontos.
Mais uma vez, o governo estadual ignorou nosso movimento e tentou transformá-lo em uma intransigência da APEOESP diante das propostas de mudanças apresentadas pela Secretaria da Educação com a falsa intenção de alcançar melhorias na qualidade do ensino.
Porém, o não cumprimento das metas (diminuição da repetência e evasão) apresentadas no Plano Plurianual 2004/2007 – documento que estabelece prioridades para o governo – confirma o péssimo gerenciamento do PSDB diante de uma das mais importantes políticas públicas. Também reafirma a total falta de compromisso do governo estadual com o resgate da escola pública e a legitimidade de nosso recente movimento grevista em defesa da escola pública e da valorização dos profissionais.
Preocupa-nos sobremaneira, no entanto, a opção feita pelo governador José Serra: ao invés de assumir o compromisso de aumentar os investimentos na educação pública, valorizar os profissionais, melhorar as condições de infra-estrutura, garantir número adequado de alunos por sala de aula, organizar bons materiais didático-pedagógicos, entre outras demandas já apontadas pela APEOESP e pela luta dos docentes, o governador opta por um caminho anacrônico ao propor a redução de tais metas. Mais uma vez, prioriza-se a quantidade em detrimento da necessária qualidade, prejudicando os usuários da escola pública.
Esta inércia confirma que não há interesse em apostar na educação como uma das prioridades das políticas públicas. Esperávamos mais ousadia deste governo!
Gostaríamos, assim como fizemos durante nosso movimento grevista, de lançar um desafio ao governador e à secretária da educação: dêem um crédito às propostas e reivindicações apresentadas pelos professores que sempre tiveram como objetivo a melhoria do processo de ensino-aprendizagem. Com esta atitude, a educação pública poderá voltar a ser centro das atenções pelo alcance de resultados satisfatórios, tanto para os alunos, como para os profissionais. Este é o objetivo da permanente luta dos professores e da APEOESP!

Apeoesp, Fax nº. 58, 23/08/2008
Em assembléia, professores aprovam ampla campanha em defesa da escola pública e da valorização da categoria
Em assembléia realizada nesta sexta-feira, 22 de agosto, os professores aprovaram a manutenção da campanha em defesa da escola pública e pela valorização da categoria. Várias ações serão organizadas visando denunciar os ataques do governo estadual e pressionar os poderes públicos a adotar políticas e cumprir as determinações legais visando garantir ensino de qualidade a todas as crianças e adolescentes e valorização dos profissionais do Magistério.
Nova assembléia será realizada em 19 de setembro, em frente à Secretaria da Educação na Praça da República. Veja no quadro o calendário de mobilização e luta aprovado pelos docentes. É de suma importância a participação de todos nas atividades. Vamos ampliar nossa luta em defesa da escola pública e da valorização da categoria.
Calendário de luta
07/09: Grito dos Excluídos

16/09: Dia Nacional em Defesa do Piso Salarial Nacional Profissional
19/09: Assembléia Estadual dos Professores
08/10: Reunião de Representantes de Escola
15/10: Dia do Professor
17/10: Reunião do Conselho Estadual de Representantes ( em data a ser definida ): Audiência Pública sobre a Lei do Piso
Não! ao bônus por resultados
Durante a assembléia, os professores rejeitaram o projeto de remuneração por desempenho apresentado pelo governo estadual à rede pública de ensino.
A proposta de vincular remuneração com desempenho, a partir da determinação de metas estipuladas pela secretária da Educação, acentua o desrespeito com o qual esta administração trata a categoria e os usuários da escola pública. Há cinco anos, a política de bônus não garante qualidade do ensino e tampouco recupera o poder aquisitivo dos professores. A secretária Maria Helena Guimarães de Castro continua ignorando as reivindicações dos professores que objetivam a melhoria na qualidade do ensino como: reajuste que reponhas as perdas salariais; incorporação de todas as gratificações; fim da política de bônus e abonos; novo plano de cargos e salários que valorize a carreira; melhores condições de trabalho; fim da aprovação automática e da superlotação das salas de aulas; redução da jornada sem redução do salário; implantação de Filosofia e Sociologia em todas as unidades do ensino médio, entre outras.
Os professores reforçarão a campanha de denúncia contra a falta de políticas públicas que efetivamente assegurem a qualidade de ensino aos usuários da escola pública estadual de São Paulo.
Nova composição da jornada
A Lei 11738 (Lei do Piso) sancionada pelo governo federal prevê nova composição da jornada de trabalho: 33% para atividades extraclasse, contra os atuais 20%.
Embora ainda não seja a jornada pela qual lutamos, a nova composição é um avanço. Em São Paulo, possibilitará a abertura de cerca de 60 mil novos postos de trabalho para os professores. Além disso, melhorará as condições de trabalho da categoria.
A secretária Maria Helena Guimarães de Castro já afirmou que não concorda com esta determinação legal. Mais uma afronta contra a categoria.
Fora, Maria Helena!
Os professores exigem: aplicação da nova composição da jornada; piso salarial do Dieese (R$ 2.072,70 em junho); instituição imediata de debates sobre novo Plano de Cargos e Salários.
Contra a municipalização do ensino
Reforçar a campanha contra a municipalização do ensino e pela garantia de creches e pré-escolas a todas as crianças foi mais uma deliberação da assembléia dos professores.
A quase totalidade dos municípios do Estado não cumpre a determinação constitucional de oferecer creches e pré-escolas a todas as crianças de sua região. Em contrapartida, querem assinar o acordo de parceria oferecido pelo Estado para municipalizar todo o ensino fundamental, abandonando a responsabilidade pelas crianças em idade pré-escolar. Atualmente, 75% desta demanda não tem sido atendida pelos prefeitos. Não podemos permitir!
A APEOESP, acatando decisão da assembléia, organizará ações exigindo dos atuais prefeitos e dos candidatos à Prefeitura que cumpram sua responsabilidade de assegurar creche e pré-escola para todas as crianças.
Como parte desta luta, vamos estabelecer, em cada subsede, um dia de cadastramento das crianças que necessitam de creche e pré-escolas. Mais detalhes em nossas próximas publicações.
Concurso público classificatório
A assembléia dos professores rechaçou, mais uma vez, a proposta da secretaria da Educação em impor prova seletiva aos professores Admitidos em Caráter Temporário (ACTs), conforme previsto no Decreto 53161 (nova versão do Decreto 53037). Prova seletiva não garante efetivação dos docentes que há anos dedicam-se à rede pública de ensino. A categoria exige concurso público classificatório considerando-se o tempo de serviço de cada docente.
Box
Reposição e pagamento das aulas
Durante a realização da assembléia dos professores nesta sexta-feira, 22, a Secretaria da Educação retornou às solicitações elaboradas pela APEOESP em relação ao pagamento e à reposição das aulas do período da greve. Confiram no quadro:
1 – Com relação à reposição:
1-1 – Há professores que fizeram greve e não poderão, até 31/10/2008, repor suas aulas por que:
a) estão afastados pelo TRE em virtude de serem candidatos no pleito que se avizinha.
Resposta da SE: Se houver possibilidade no período de 06/10/2008 a 31/10/2008, o professor afastado para o pleito eleitoral e que participou da paralisação, poderá ter sua falta cancelada desde que ministre aulas de reposição.
A APEOESP solicitará que o período de reposição seja estendido até o final do ano letivo.
b) eram substitutos de titular que retorna ou retornará durante reposição.
Resposta da SE: Poderá ter sua falta cancelada desde que reponha as aulas da greve.
c) era designado (PCP, vice, diretor, art. 22, etc) durante a greve toda, tendo aderido ao movimento, mas, durante o período de reposição, volta para sala de aula, perdendo a designação.
Resposta da SE: Apenas o professor, designado pela 22 poderá ter sua falta cancelada mediante reposição, desde que seu cargo esteja classificado na mesma Diretoria de Ensino em que ocorreu a referida designação ou possua inscrição para carga suplementar na Diretoria de Ensino em que for ministrar as aulas, nos impedimentos eventuais de outro docente; para os demais não há previsão legal.
A APEOESP solicitará a inclusão do PCP, do vice e do diretor designado.
d) fez greve em uma escola e no período de reposição está em outra.
Resposta da SE: Idem ao item b.
e) fez greve, mas no período de reposição está em gozo de licença-saúde, gestante, licença-prêmio, licença nos termos do art. 22 da Lei 10.281/68 etc.
Resposta da SE: Não pode repor as aulas da greve.
A APEOESP negociará este item.
f) o readaptado que aderiu à greve, como reporá?
Resposta da SE: Não pode repor as aulas da greve.
A APEOESP negociará este item.
1-2 – Leciona Educação Artística e Educação Física do ciclo I do Ensino Fundamental, e participou do movimento, sendo que suas aulas, durante a greve foram ministradas pelo docente da classe.
Resposta da SE: Idem ao item b
1-3 – Em reposições anteriores, o docente que possuía carga horária máxima foi impedido de fazer reposição, pois a Secretaria da Fazenda não paga além de 40 (quarenta) horas semanais. No período de reposição atual, garante-se o pagamento ao professor que fizer a reposição do período de greve, ainda que tenha a carga máxima?
Resposta da SE: O pagamento dos dias não trabalhados será efetuado mediante o cumprimento da reposição, quando ficará cancelada a falta referente ao dia de paralisação, independentemente da carga horária do professor.
2 – Com relação ao pagamento:
2.1 – O desconto para o dia não dado é de 1/30 (um trinta avos) do pagamento mensal. Como será o pagamento das aulas repostas? Será devolvido exatamente o 1/30 descontado?
Resposta da SE: Se a falta apontada for descontável, ou seja, justificada ou injustificada, o pagamento será correspondente ao valor descontado.
Se a falta apontada não for descontável (abonada, por exemplo), será anulada a falta e não haverá pagamento.
2.2 – Os dias não úteis interpolados com faltas são descontados, por exemplo, sábado e domingo. Como se recuperará esse pagamento?
Resposta da SE: Se as faltas apontadas na sexta-feira e na segunda-feira forem justificadas ou injustificadas, o desconto foi correspondente a 4 dias.
Se houver a reposição correspondente à sexta-feira e à segunda-feira, serão devolvidos 4 dias.
2.3 – No caso do PEB II, o pagamento será por aula dada?
Resposta da SE: O pagamento corresponderá ao valor do dia da falta que for cancelada observado o item 2.1.
2.4 – No caso do PEB I, o pagamento será dado por aula dada ou por dia?
Resposta da SE: O pagamento corresponderá ao valor do dia da falta que for cancelada observado o item 2.1.
2.5 – Como será efetuado o pagamento de professores com mais de 8 horas diárias, computando-se entre estas as aulas de reposição?
Resposta da SE: O pagamento corresponderá ao valor do dia da falta que for cancelada observado o item 2.1.
24/08/2008
Rouquidão afeta a maior parte das professoras
Folha de São Paulo –
Caderno de EMPREGOS
Chega sexta-feira e a professora de inglês Sônia Ferreira, que dá aula há 15 anos, percebe que a sua voz não é mais a mesma. A sensação de falar “mais grosso” é comum após uma semana dividida entre um colégio e uma escola de idiomas.
As alterações vocais são rotina para boa parte das professoras, indica um estudo realizado em conjunto pela UFBA (Universidade Federal da Bahia) e pela UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana), publicado em junho.
Das 747 professoras da rede municipal de ensino de Vitória da Conquista (BA) entrevistadas, 59,2% sentiram rouquidão nos seis meses anteriores.
Foi constatado ainda que 12,9% das professoras já haviam desenvolvido nódulos (popularmente chamados de calos) nas cordas vocais.
As complicações de voz encontradas no estudo são representativas do que acontece entre as docentes no país, segundo Eduardo Reis, professor do Departamento de Medicina Preventiva da UFBA.
Para ele, isso prejudica não só a saúde mas também o desempenho do profissional. “Se o instrumento de trabalho está ruim, o trabalho também está.”
Classes lotadas e barulhos externos [ grifo do BFI ] contribuem para que o profissional exceda o uso da voz. “É comum o professor competir com o ruído da escola”, diz a fonoaudióloga Carolina Fanaro Damato, presidente da comissão de divulgação do Conselho Regional de Fonoaudiologia de São Paulo.
Novos hábitos
A professora de inglês Sônia Ferreira começou recentemente um tratamento fonoaudiológico. “Agora presto atenção no que estou fazendo com a minha voz”, diz ela, que tenta não falar alto e bebe líquidos na aula.
Essa consciência, porém, não é comum entre os docentes, aponta Leslie Piccolotto Ferreira, professora do Departamento de Fundamentos da Fonoaudiologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).
“O professor é um dos profissionais que mais demoram a procurar tratamento. Acha que é natural estar daquele jeito”, observa a fonoaudióloga.
Comentário: Não dá para saber se refere-se aos professores da rede particular; se houver algum professor que leia este blog, preferencialmente da rede pública paulista ou da paulistana ( ou ambas, vai ), gostaria de saber, com as sual palavras, como vocês fazem para tratar deste ( ou dos muitos outros ) problemas de saúde causados pela lida. Por exemplo, como está o atendimento nos Hopsitais de Servidores Públicos, ou o IAMSPE*? Vejam, por exemplo, a capivara do superintendente atual do Instituto que atende os servidores estaduais paulistas:
IAMSPE
O Superintendente
Latif Abrão Junior, novo superintendente do Instituto Assistência Médica ao Servidor Público Estadual – Iamspe, é administrador público formado pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo – EAESP – da Fundação Getúlio Vagas – FGV. Especializou-se em Administração de Empresas pela mesma instituição e graduou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. É vice-presidente da Associação dos Dirigentes de vendas do Brasil – ADVB, conselheiro da ADVB no Brasil e da ADBP em Portugal.
Antes de assumir a superintendência do Iamspe, trabalhou no Grupo Notre Dame Intermédica onde foi diretor administrativo, diretor superintendente e presidente da Intermédica Sistema de Saúde. Atuou ainda como chefe de gabinete e assessor de planejamento da VASP, foi diretor do Escritório Regional de Governo de Franca e gerente do departamento de administração e serviços da Companhia Energética de São Paulo – CESP.
Na área acadêmica foi professor e vice-diretor da Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis de Franca – FACEF, e representante do setor privado na Comissão Própria de Avaliação – CPA da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas.
Presidiu até o início de 2007 o iPraxis – Instituto Brasileiro de Responsabilidade Corporativa , entidade civil voltada a estimular a busca e a conquista da excelência da gestão corporativa por meio do comprometimento com a ética e a transparência.
Viram? Nada acima sugere alguma intimidade com assistência médica, com a saúde. A não ser, claro, se considerarmos sua passagem profissional por uma empresa de convênios médicos particulares, a tal Notre Dame. VASP, CESP, Associação dos Dirigentes de Vendas. Não me parece muito promissor, hein? Ah! Depois eu vou trazer ao blog uma reportagem da gloriosa Folha de Vila Prudente, em que há pesadíssimas denúncias contra a Maternidade do Hospital de Vila Alpina. Mães e recém-nascidos morrendo no parto ou ficando com seqüelas gravíssimas. Estranho o PIG não estar falando nada, houve até reunião da Comissão Estadual de Saúde da ALESP, coisa desse tipo. O Hospital a que me refiro, é administrado por uma OSCIP/ OSS ligada ao SECOVI. Ou ao próprio SECOVI, não entendo muito disso.
Lei do Afastamento ( para saber como funciona a “Indústria das Faltas sem motivos e que causam rombos espetaculares no orçamento estadual, graças aos professores comunistas que dão aulas de Comunismo em nossas escolas”. Ufa! )

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