ENCALHE

julho 12, 2009

Nossa contribuição para a extinção do feriado de 9 de Julho. Afinal, "o Brasil tem feriados demais"…

” ( … ) DESFECHO POLÍTICO
Considera-se que a derrota militar de São Paulo foi acompanhada por uma vitória política: Com a derrota da Revolução Constitucionalista, em 1932, seus principais líderes foram presos. Entre eles se encontrava Júlio de Mesquita Filho, enviado com seus companheiros para a Sala da Capela – nome dado um pequeno recinto na Casa de Correção, do Rio, reservado para os prisioneiros políticos provenientes de São Paulo. Pouco tempo depois, na noite de 30 de novembro de 1932, ele e outros 75 companheiros foram colocado a bordo do navio Pedro I e deportados para Portugal. a organização de eleições e a formação de uma Assembléia Constituinte, que porá fim ao governo provisório. No entanto, a legislação eleitoral havia sido elaborada em fevereiro de 1932, e um decreto de 15 de março do mesmo ano, portanto antes da revolução, marcou para 3 de maio de 1933 a eleição dos deputados. A Assembléia iniciou seus trabalhos em 15 de novembro de 1933, sendo que a maioria dos deputados eram varguistas.”
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Manifesto do Cel. Herculano de Carvalho, comandante da Força Pública de SP em 32
Como terminou o 9 de julho
“Um crime permitir-se que aqueles moços se expusessem às balas adversárias, às granadas, ao metralhar dos aviões, e tivessem como arma de defesa, instrumentos que não o eram, na persuasão de iludir o adversário quando, na verdade, procuravam iludir-se a si mesmos”, denuncia o coronel Herculano no manifesto, intitulado “As razões da minha atitude”
No dia 1º de outubro de 1932, o governo dito constitucionalista de São Paulo foi deposto pelo comandante da própria Força Pública estadual, coronel Herculano de Carvalho, que assinara dias antes, com o governo federal, o pacto que pôs fim à guerra civil.
A oligarquia paulista, que havia ensangüentado o país lançando milhares de jovens na aventura revanchista, não opôs resistência ao ato do coronel, mas passou a qualificá-lo em seguida de “traição”.
Com um longo manifesto, publicado na íntegra pelo jornal carioca “Correio da Manhã”, Herculano apresenta suas razões.
O relato seco e duro dos acontecimentos desfaz fantasias e mitos românticos através dos quais a oligarquia procurou encobrir a falta de compromisso com seus próprios soldados, sua irresponsabilidade e ambição sem limites.
Para conhecimento do leitor, publicamos aqui um condensado desse manifesto.
Desde que as circunstâncias imperiosas me obrigaram a uma iniciativa de todos conhecida e, posteriormente, a assumir o governo militar de São Paulo, concertei comigo mesmo, tão logo me fosse dado vagar, dirigir-me ao nobre e altivo povo bandeirante, numa exposição simples e franca dos motivos que me levaram a ambos os fatos.
Quando a 8 de julho reunidos os comandantes de unidade da Força Pública no gabinete do meu antecessor, o então coronel Júlio Marcondes Salgado, por ele fomos oficialmente inteirados do movimento constitucionalista, a irromper no dia seguinte. Dos seus lábios ouvi que a Força Pública de São Paulo se limitava a manter a ordem, de prontidão nos quartéis e obediente ao Governo do Estado. Às unidades do Exército, aquarteladas no Estado, é que competia a ação, secundada por outras, em diversos pontos do País, principalmente no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais, aliados de São Paulo na chamada Frente Única.
A despeito de tais declarações categóricas, ainda bem vivas na lembrança dos que as ouviram, dois dias depois tivemos ordens de deixar os quartéis e concentrar-nos em Mogi das Cruzes, já na expectativa de prosseguirmos viagem até defrontar o adversário.
Qual a minha atitude? Como paulista e brasileiro, eu não aprovava o movimento, uma vez ideado, no dizer de muitos dos meus camaradas, para repor, na posição de mando, velhos políticos profissionais. Como soldado, pus-me à frente de minha tropa e parti, cônscio de meu dever de militar. Nem a mais leve queixa me aflorou aos lábios, ao contrário do que sucedeu a vários companheiros, alguns imediatamente presos, por se recusarem a seguir, e outros que exteriorizaram seu protesto. Não obstante, estávamos em atitude de expectativa, quando surgiu uma nova concepção de plano, segundo a qual a vitória seria garantida sem um único disparo de fuzil: as tropas paulistas formariam alas à passagem das de Mato Grosso, vanguardeiras das guarnições do Rio Grande do Sul tinham o seu flanco esquerdo as de Mina Gerais; tratava-se, pois, de uma simples parada militar, mera marcha triunfal até o Rio de Janeiro.
Pura ilusão! Desde logo se nos apresentou a realidade de uma resistência armada das tropas federais, a barrar-nos, nas fronteiras do Estado, a passagem à Capital da República. Daí o novo plano: enquanto as hostes constitucionalistas permaneciam inativas, promovia-se a ida de emissários, para tratar, com amigos comuns, da renúncia do Governo Provisório, a fim de evitar-se grande derramamento de sangue. Foi, então, que me atiraram ao Túnel, naquele inferno que, dia a dia, menos se saciava de vidas preciosas, onde, entretanto, nunca me passou pela idéia rebelar-me contra situação diferente da que nos foi assegurada.
Ali permanecia no meu posto de honra, já identificado com o movimento de 9 de julho, quando o falecimento do general Marcondes Salgado foi colher-me, entre pesaroso e surpreso, para assumir o comando da Força Pública.
MUNIÇÃO
Mais ou menos em fins de julho, o ex-secretário da Fazenda, em carta que me dirigia e em repetidas palestras em palácio, comunicava-me estar em entendimento com firmas estrangeiras, a fim de adquirir o indispensável armamento para vencermos a guerra.
Por que não se adquiriu de pronto esse armamento e essa munição, quando as fronteiras do sul do Estado e o nosso principal porto ainda nos estavam franqueados? Dizem que na esperança de mais dia, menos dia, acudirem em nosso auxilio, bem armados e municiados, os nossos irmãos do Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Nesse passo, justamente, é que se fez sentir, contrária à verdade dos fatos, a ação da imprensa e do rádio. Os nossos jornais, quase todos, no louvável intuito de animar a população e, principalmente, os que se encontravam no campo da luta, davam crédito ao que se lhes insinuava ou fantasiava, de fonte oficial ou meramente informativa, quem sabe até de origem tendenciosa.
Como se criavam tais fantasias? – Ignoro. O que é certo, no entanto, é que nossos diários davam curso às mais animadoras notícias, lidas e comentadas com grande eloqüência nos microfones dos rádios, e sofregamente, absorvidas por todos quantos ansiavam pelo término da luta com a nossa vitória final.
Não me furto, numa última análise [sobre a questão da munição], a este fator preponderante do nosso desastre militar, a um fato que se verificava no setor norte.
Por falta de munição, que insignificante era a quantidade produzida por nossas fábricas, imaginaram os soldados constitucionalistas algo que a substituísse, ainda que na aparência: mandaram construir, nas oficinas da Rede Sul-Mineira, em Cruzeiro, uma espécie de matraca. Sacudida com pulso vigoroso, dava a impressão de tiros de fuzis e metralhadoras.
Comoveu-me a narração do fato. Espantou-me o heroísmo nunca visto, sem exemplo na história dos povos. E, voltado a mim do espanto e da comoção, fui presa de um sentimento de revolta, de incontida indignação. Aquilo já não era humano. Já não era desprendimento: raiava pela loucura.
Um crime continuar-se a luta daquele modo. Um crime permitir-se que aqueles moços se expusessem às balas adversárias, aos shrapnels, às granadas, ao metralhar dos aviões, e tivessem como arma de defesa, instrumentos que não o eram, na persuasão de iludir o adversário quando, na verdade, procuravam iludir-se a si mesmos.
Noticiavam os jornais levantes no sul e em Minas. Tão grande lhes era o alcance que, em se tornando conhecidos, já estaria terminada a guerra com a vitória da nossa causa.
Da marcha dos acontecimentos militares, desde a retirada de Itararé, de Faxina, de Buri, à linha do Paranapanema, e da impossibilidade militar de sustentar-se a linha defensiva, da frente mineira, em virtude da diminuta guarnição, era informado o Governo do Estado e o próprio general Klinger. Certifiquei-me, minuciosamente, da exata situação da frente leste que, rompida pelo adversário – o que era fácil – havia de trazer fatalmente o fracasso das operações, pois de nada valeria manter-se com firmeza as frentes norte e sul.
Todos os cuidados do nosso Estado Maior se voltavam para Eleutério, mas, à falta de munição e recursos de homens armados, provocaram a sua queda, aliás prognosticada, em tempo, ao Governo do Estado, que não lhe dava crédito.
URGÊNCIA
Foi, então, que a 25 de setembro, recebi a seguinte carta do subchefe da Força Pública, tenente-coronel Euclides Machado, oficial dos mais acatados e ponderados:
“Prezado amigo e senhor comandante Herculano de Carvalho e Silva.
É esta para comunicar-lhe que acabo de vir da residência do Sr. Dr. Plínio Barreto, onde fui ter espontaneamente, e com quem conferenciei sobre a possibilidade de um entendimento com o Governo Provisório para a cessação da luta, sem que disso resultasse qualquer deslustre para a honra de São Paulo…”.
No dia seguinte, alta hora da madrugada, recebi um telegrama de São Paulo, em que me comunicavam que o valoroso oficial do Exército Brasileiro, coronel Alexandrino Gaia, do setor norte, com insistência, me pedia que fosse a São Paulo e lhe marcasse hora para nos encontrarmos. Assunto urgente. Pedi-lhe que viesse a Campinas, porquanto não era possível abandonar, ainda que por horas, o meu posto de comando.
Efetivamente o coronel Alexandrino Gaia ali comparecia a 27, como representante de vários comandantes de unidades do Exército e expunha a razão de sua viagem, consubstanciada na ata aqui transcrita:
“Aos vinte e sete dias do mês de setembro de mil novecentos e trinta e dois, às nove e meia horas, numa das salas do P.C. de Destacamento em Campinas, situados no prédio do ex-Campinas Hotel, convocados pelo coronel Herculano de Carvalho e Silva, comandante geral da Força Pública do Estado, compareceram os seguintes oficiais: coronéis Herculano de Carvalho e Silva, Eduardo Lejeune e Alexandre Gama, tenentes-coronéis Alexandrino Gaia, Patrício Batista da Luz, Luís de Faria e Sousa, Virgílio Ribeiro dos Santos, Romão Gomes e Macário Rangel e Major José da Silva.
O coronel Herculano de Carvalho e Silva, fazendo uso da palavra, apresentou o valoroso oficial do Exército Brasileiro, comandante de um dos setores do Vale do Paraíba, para expor a situação militar daquela frente e a sua projeção sobre os demais setores da luta. O referido oficial demonstrou à evidência que vários fatores de ordem moral e material tornavam insustentável a manutenção das posições e a continuação da guerra no vale do Paraíba, sendo inevitável o recuo progressivo dos elementos que ali combatem, desde o início das hostilidades. Assim pensavam todos os oficiais que com ele cooperam, do Exército e da Força Pública, unânimes em reconhecer o sacrifício imenso a que seriam expostos os habitantes das cidades e vilas sujeitas aos horrores da luta.
SITUAÇÃO
Assim inteirados da exata situação daquele setor, fizeram uso da palavra diversos comandantes, acordando todos, sem uma única exceção, que o que se passava no vale do Paraíba não era um fenômeno local e sim geral, pois nos demais setores a contingência era a mesma, resolvendo que, diante da impossibilidade da vitória pelas armas era um dever patriótico cessar imediatamente a luta para evitar novos e pesados sacrifícios ao Estado e ao País, deliberando: 1º) Ficava o coronel Herculano de Carvalho e Silva, apoiado pelas forças do Exército e da Força Pública, indicado para entrar em entendimento imediato com as autoridades militares e civis, estaduais e federais, para a cessação da luta. 2º) No caso de encontrar resistência por parte de qualquer desses elementos, ficava igualmente autorizado a agir como supremo representante das Forças Armadas, concertando com o adversário o acordo almejado. 3º) Que lhe fossem cientificados dessa deliberação os camaradas do setor sul. 4º) Que as providencias necessárias para o início das negociações tivessem execução imediata”.
Como não havia tempo a perder, de Campinas, rumei para Guaratinguetá, em companhia do coronel Alexandrino Gaia, onde procurei o coronel Euclides de Figueiredo, a quem expus a razão da minha visita.
Mostrou-se ele bastante surpreso, ante o que se lhe revelara e, de princípio, negou o seu apoio. Pouco depois, por sugestão do coronel Palimércio de Resende, seu chefe do E.M., concordou que se convocasse uma reunião de todos os chefes militares e membros do Governo, a fim de que este ficasse perfeitamente inteirado da verdadeira situação militar.
Para isso desejava ouvir a opinião do general Klinger. No dia seguinte, alta hora da madrugada, é procurado pelo coronel Alexandrino Gaia com o convite de seguir para Guaratinguetá, e lá resolver-se a proposta do coronel Palimércio de Resende.
ARMISTÍCIO
Atendido pelo coronel Vilabela, o coronel Gaia expôs-lhe a razão de sua visita àquela hora. O chefe supremo das tropas constitucionalistas ao invés de atender ao convite, no dia seguinte, deliberadamente tomou a iniciativa de promover o armistício.
Tido e havido pelo Governo do Estado como principal causador de tudo, pensaram alguns dos seus membros em remediar o mal, alijando-me do comando do Destacamento de Campinas.
Cuidaram logo de substituir-me pelo tenente-coronel Romão Gomes, oficial dos mais competentes para a espinhosa missão.
Para isso, preliminarmente, efetivaram-no no posto de tenente-coronel que estava comissionado e, por portaria especial, à completa revelia do comando-chefe das Forças Constitucionalistas e da Força Pública, deram-lhe o comando daquele destacamento. Para que não se recusasse, uma comissão foi procurá-lo em Campinas e entregar-lhe, de mão própria, o documento de nomeação. Quanto a mim, ao que me informaram, estava reservada a mais negra das sortes: preso por traidor. Serenamente aguardei o desenrolar dos acontecimentos. No dia seguinte, o comandante Romão Gomes, compareceu a Palácio para declinar o convite, mesmo porque, na sua própria expressão, várias vezes repetida, impossível se tornava continuar a luta.
Precisamente a uma hora do dia 29 de setembro, o general Klinger transmitiu o seguinte rádio ao chefe do Governo Provisório.
“Dr. Getúlio Vargas – Rio
- Com o fito de não causar à Nação mais sacrifícios de vida, nem mais danos materiais, o comandante das Forças Constitucionalistas propõe imediata suspensão das hostilidades em todas as frentes, a fim de serem assentadas as medidas para a cessação da luta armada. (a) General Klinger”.
Concomitantemente, tratava-se de um acordo com o adversário. A iniciativa, como é natural, partira do general Klinger, que mandara dois emissários a Cruzeiro – o seu chefe do E.M., tenente-coronel Osvaldo Vilabela, e o major Ivo Borges, chefe das Unidades Aéreas.
Duras, porém, foram as condições impostas, tanto que, no dia seguinte, novamente os emissários tornavam a Cruzeiro, com uma contraproposta do chefe constitucionalista.
ENTENDIMENTO
Por essa ocasião, solicitei ao general Klinger fosse permitido à nossa milícia tomar parte no entendimento com o adversário, no que SS. consentiu.
Lá chegados, os quatro emissários – dois da Região, tenente-coronel Osvaldo Vilabela e tenente Correia Velho e tenentes-coronéis Otaviano Gonçalves da Silveira e Euclides M. Machado – o próprio general Góis Monteiro separou-os e com eles tratou separadamente do acordo, sem que as condições propostas a uns fossem conhecidas dos outros.
Apresentadas as bases aos nossos emissários, depois da demorada discussão, manifestam eles desejo de vir a São Paulo, para consulta, o que não lhes foi permitido, sob alegação de que já se haviam perdido 48 horas, em prazo concedido ao tenente-coronel Vilabela, para idêntico fim.
À vista disso, e como urgia pôr-se cobro à luta, prestes a reiniciar-se, para evitar a todo o transe o adversário entrasse pelas armas em São Paulo, para conter a avalanche dos nossos próprios soldados, que se desgarravam das frentes, tiroteando a êsmo pelas estradas e pelas estações, insub-missos e opondo-se, tenazmente, à continuação das operações; enfim, como estivesse virtualmente fracassada essa segunda tentativa de acordo, proposta pelo general Klinger, resolveram os dois emissários da Força Pública assinar o pacto discutido e assente, e já do domínio público.
CORONEL HERCULANO DE CARVALHO
Hora do Povo, ed.2694
“Ou São Paulo assume a hegemonia ou separa-se”
Monteiro Lobato e o programa da revanche oligárquica de 1932
“Agora estamos em plena guerra de independência, disfarçada em guerra constitucionalista… Após a vitória de São Paulo se faz mister que seus dirigentes não se deixem embalar pelas idéias sentimentais de brasilidade, irmandade e outras sonoridades… Ou São Paulo desarma a União e arma-se a si próprio, de modo a dirigir a política nacional a seu talento e em seu proveito, ou separa-se… Aceitemos Hobbes. Sejamos lobos contra lobos. Lobos gordos contra lobos famintos”
É verdade, leitor. Toda essa sujeira e outras mais, que parecem ter sido produzidas no auge de um êxtase fascista, saíram da pena do nosso grande e estimado mestre Monteiro Lobato, em carta a Valdemar Ferreira, Secretário da Justiça e da Segurança Pública do governo dito constitucionalista e revolucionário de São Paulo, datada de 10 de agosto de 1932.
O fato confirma o adágio de que mesmo as águias, por vezes, voam mais baixo do que as galinhas. Revela também que o analfabetismo político, que tanto preocupava o velho Brecht, é capaz de levar grandes artistas a agirem contra si próprios e prestarem-se aos mais desatinados papéis, como o da nossa diva, Fernanda Montenegro, que recentemente ocupou as câmaras da Globo para afirmar em alto e bom som: “A Califórnia se tivesse ficado com o México teria sido uma ruína, aquilo não seria o que é hoje. Então eu acho que realmente o americano deveria tomar conta do Brasil Central, porque aquilo ali é um celeiro e conosco não vai dar em nada”.
Porém, o mais importante é verificar que tanto Lobato, quanto Fernanda, em seus rasantes, cada um a seu modo e em seu tempo, abraçaram e expressaram de modo direto e sem rodeios teses que os beneficiários diretos costumam proteger sob o véu da discrição.
Os promotores e dirigentes da contra-revolução de 9 de julho de 1932 jamais tornaram pública, com a clareza e a contundência de Lobato, neste texto, a essência do seu programa.
Mas o programa era esse mesmo, sem tirar nem pôr: hegemonia ou separação. O propalado constitucionalismo se tratava de elemento meramente figurativo.
As eleições para a Constituinte já haviam sido marcadas, para 3 de maio de 1933, dois meses antes de rebentar o movimento. E não poderiam ter sido realizadas antes, porque era impossível promover no Brasil eleições minimamente limpas sem realizar uma reforma completa do sistema, substituindo a legislação que amparava currais e degolas, instituindo a Justiça Eleitoral e realizando um cadastramento eleitoral digno de confiança.
Getúlio Vargas apontou, com inteira propriedade, que: “A causa principal da Revolução de 1930 fora a completa falência do regime representativo vigorante, corrompido pela fraude eleitoral, estabelecida como norma… Realizar nova eleição, logo após a vitória, sob o império da mesma lei, do mesmo alistamento, da mesma máquina eleitoral adestrada e manejada na prática de quarenta anos de corrupção e ludíbrios seria falsear, em absoluto, os objetivos determinantes do movimento renovador”.
Foi fundamentalmente contra a realização das eleições, num quadro diferente daquele que dominava e sobre o qual reinava, que explodiu o inconformismo oligárquico.
Distraído, Lobato tomou o trem errado. Mas não se pode negar-lhe o mérito de haver deixado à posteridade um eloqüente testemunho dos objetivos e, sobretudo, dos pressupostos que pautavam a ação dos cândidos maquinistas.
SR
Hora do Povo, ed. 2647

maio 27, 2009

Enquete ( * ) no site de senador tucano Álvaro Dias indica que população considera Lula o melhor presidente que o Brasil teve!

A dica foi do ONIPRESENTE. Eu respirei fundo, tapei o nariz e fui ao blog do AD para dar uma sapeada. Taí:

Esta “tela congelada” eu peguei no site do ONI
( * ) Falando em “enquetes”, que tal votarem na nossa enquete sobre o “professor Oliveira” ( mais conhecido como “Óli” ), o único professor da rede estadual de SP a receber o “embrômus da Inducassaum” no valor de R$ 15.000,00, tal como divulgaram o Governo, a Secretaria da Educação e os órgãos de imprensa do governo estadual, também conhecidos como “jornais e revistas”?
ONDE ESTÁ “ÓLI”?

maio 5, 2009

RETRATO DO BRASIL: Serra adula e tenta reescrever a história da elite paulista que tentou derrubar Vargas. Partícipe da trama: Marco Antônio Villa

O GOVERNADOR E SUA HISTÓRIA À PAULISTA
A Imprensa Oficial de São Paulo lançou livros que revalorizam a elite paulista. Uma manobra de Serra, de olho na sucessão

APERITIVO: CLIQUE AQUI E FAÇA DOWNLOAD PARCIAL DESTA EDIÇÃO

Notícia correlata:

Coordenação do CPDOC em São Paulo
O Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC/FGV) comunica com satisfação a criação da Coordenação do CPDOC em São Paulo, que começa a operar sob a responsabilidade da professora Letícia Nedel a partir de maio. Junto com a Escola de Economia de São Paulo, o CPDOC já mantém na cidade dois cursos de pós-graduação lato sensu (Bens Culturais e Cinema Documentário). No segundo semestre, lançará os de Relações Internacionais e de Jornalismo Investigativo. As duas escolas mantêm em conjunto, também, o projeto “Trajetória e pensamento das elites empresariais paulistas”. A partir de 2010, serão oferecidas, ainda, disciplinas de graduação em Relações Internacionais aos alunos das escolas da FGV em São Paulo, como acontece no Rio.
Antídoto contra a peste Serrista:
Revolução de 1930 – A Revolução de Vargas ( Hora do Povo )

abril 7, 2009

"A morte de Márcio Moreira Alves ( Marcito )", por Jasson de Oliveira Andrade

O jornalista, escritor e ex-deputado Márcio Moreira Alves morreu no dia 3 de abril de 2009, aos 72 anos (nasceu em 14 de julho de 1936), após cinco meses internado acometido que foi por um derrame (AVC). Ele se tornou conhecido por ter sido o pivô da decretação do Ato Institucional nº 5 (AI-5). É que o governo Costa e Silva queria cassá-lo por ter pronunciado discurso na Câmara Federal em 2 de setembro, protestando contra a invasão da Universidade de Brasília (UnB), com espancamento de estudantes. Tratei do assunto no artigo DISCURSO QUE PROVOCOU O AI-5, publicado em 2004 e reproduzido em meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA (páginas 271 a 273). Por este motivo não vou me aprofundar na análise do que aconteceu naquela época. Apenas dizer que o discurso dele foi a desculpa. Quem diz isto é Delfim Neto. Ele era ministro e participou da reunião que decidiu decretar o Ato e conhecia os bastidores do que ocorreu lá. Em depoimento ao escritor Elio Gaspari, o ex-ministro disse: “Naquela época do AI-5 havia muita tensão, mas no fundo era tudo teatro. Havia as passeatas, havia descontentamento militar, mas havia sobretudo teatro. Era um teatro para levar ao Ato. Aquela reunião foi pura encenação. O Costa e Silva de bobo não tinha nada. Ele sabia a posição do Pedro Aleixo [vice-presidente e jurista] e sabia que ela era inócua. Ele era muito esperto. Toda vez que ia fazer uma coisa dura chamava o Pedro Aleixo para se aconselhar e, depois, fazia o que queria. O discurso do Marcito não teve importância nenhuma. O que se preparava era uma ditadura mesmo. Tudo era feito para levar àquilo” (A Ditadura Envergonhada, página 339).
Mauricio Dias David, no artigo publicado no Observatório da Imprensa, em 10/3/2009, definiu Márcio Moreira Alves: “antes de tudo um jornalista”. No entanto, o jornalista Marcito não teve o mesmo destaque do que o parlamentar. Precisamos conhecer essa faceta dele. Wilson Tosta, ao noticiar no Estadão (4/4) a morte de Márcio Moreira Alves, ressalta: “Márcio chegou à política pelo jornalismo. Tornou-se nacionalmente famoso ao cobrir uma sessão da Assembléia Legislativa de Alagoas, em 1958, que julgaria processo de impeachment contra o governador Muniz Falcão, mas degenerou em tiroteio entre parlamentares. Mesmo baleado, o repórter relatou o incidente – e ganhou o Prêmio Esso, o mais importante do jornalismo brasileiro”. Em 1982, ele tentou se eleger deputado federal. Não se elegeu. Abandonou a política e voltou ao jornalismo. O escritor Carlos Heitor Cony, que foi colega dele no extinto Correio da Manhâ, do Rio, assim descreveu essa volta, no artigo Marcito (Folha, 11/12/2008): “Elegeu-se deputado pela antiga Guanabara [hoje Rio], foi cassado e viveu anos no exílio. Ao voltar, optou por um jornalismo sem ressentimentos. Dedicava uma crônica semanal a um aspecto positivo da sociedade brasileira, destacando municípios e entidades que davam certo. Em todos os sentidos, Marcito era não apenas um garotão de sucesso, mas um puro”.
Outra faceta importante dele: o escritor. Márcio escreveu vários livros, mas destaco dois que tiveram impacto naquela época: TORTURA E TORTURADOS, com prefácio de Alceu Amoroso Lima, editado em 1967, 2ª edição ( a primeira foi apreendida). Nele, ele denunciava as torturas. Na orelha do livro, o escritor Antonio Calado, após descrever como os presos eram torturados (pau-de-arara, tenazes, telefone, choque elétricos, geladeira, banho chinês e outros métodos), conclui: “É muita tortura para tão pouca revolução”. O outro livro: O CRISTO DO POVO, editora Sabiá, 1968. Nesta obra, Marcito relata as perseguições que a ditadura impunha a católicos e protestantes. Logicamente que esses livros-denúncia provocaram o ódio de militares da linha-dura ao Márcio Moreira Alves.
Voltando à política, termino com essa frase do ex-deputado José Frejat, de 85 anos: “Já não se fabricam homens como ele [Marcito]. Hoje se tapa o nariz para a política”. Já o ex-deputado David Lerer, que também foi cassado pelo AI-5, disse: “Ele é o símbolo de uma época em que os políticos se moviam por idéias”. Assim era o corajoso Marcito!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Abril de 2009

julho 11, 2007

Amantes famosas: De Carlota Joaquina a Ministra Zélia

Filed under: escândalos, História do Brasil, políticos — Humberto @ 11:42 pm
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE
Carlota Joaquina, esposa de D. João 6º e mãe de D. Pedro 1º. Segundo a Folha, ela é descrita como devassa, má, intrigante, feiticeira, feia, vulgar, perversa, despótica, libidinosa, grosseira, depravada. O jornalista Luiz Edmundo, em crônica, a descreve de maneira cruel ou cruamente: “Não há memória em toda a história portuguesa de um rei que fosse, como d. João, tão (…) enganado pela esposa. Chega a causar espanto. Carlota Joaquina, ao procurar seus amantes (…) nem o senso da escolha tinha. Tudo lhe servia, tudo, desde que tivesse a forma aproximada de um homem. Até os subalternos da Quinta do Ramalhão não escaparam à sua depravação messalínica…” Agora, a historiadora Francisca Nogueira de Azevedo, com o livro “Carlota Joaquina – Cartas Inéditas”, procura mostrar que ela não era uma devassa. Ela declarou a Marcos Strecker (Folha, 30/6/2007): “Acredito que tinha tido um amante, mas essas coisas abertas, como libertinagem, acho que é um exagero”. O filho de Carlota Joaquina, D.Pedro1º, também teve uma amante: Domitila de Castro, a Marquesa de Santos, que exerceu grande influência junto ao imperador brasileiro. O historiador Paulo Setúbal, pai do banqueiro e ex-prefeito de São Paulo, Olavo Setúbal, a imortalizou com o livro (romanceado) “A Marquesa de Santos”.
Na República, tivemos histórias mais recentes e que ficaram, praticamente, em segredo, não fosse o livro “Moisés codinome ULYSSES GUIMARÃES”, escrito pelo jornalista Luiz Gutemberg. É a biografia desse político brasileiro, tragicamente desaparecido no desastre de helicóptero em que voava de Angras dos Reis, no Rio de Janeiro, para São Paulo, no dia 12 de outubro de 1992. O corpo dele jamais apareceu. Mas essa é outra história. Luiz Gutemberg, na página 245, faz uma revelação. É sutil. Ao se referir a Tancredo Neves, político mineiro que ocupou altos cargos, diz que ele, em 1971 “torna-se presidente da Comissão de Economia da Câmara, onde encontrará a funcionária Antônia Gonçalves, sua secretária e NAMORADA (destaque meu), e que o acompanhará até o fim da vida [em 21/4/1985, sem tomar posse como presidente da República] com extrema dedicação e fidelidade”. Logicamente não era “namorada”. Tancredo era casado e nunca se separou! Adiante, na página 317, ele faz outra revelação surpreendente. Desta vez sobre Afonso Arinos, na época deputado. Era da UDN e ferrenho adversário de Getúlio Vargas, juntamente com Carlos Lacerda. Movia uma campanha contra o então presidente. O autor revela uma confidência de Ulysses Guimarães a respeito de sua vida intima: “Eu jamais teria conseguido viver aquele romance louco que o Afonso Arinos manteve com Ivete Vargas. Ela o amedrontava ao dizer-lhe que estava grávida. (…) Mas estou falando de uma história de muitos anos atrás. 1951. Naquele tempo, na força da idade, chegando aos cinqüenta anos, Afonso Arinos era o líder da oposição na Câmara. Estava na linha de frente do combate que levaria ao suicídio Getúlio Vargas [24/8/1954], tio-avô da Ivete. Arinos fazia discursos impiedosos, sendo que o mais terrível deles, considerado um dos dez maiores discursos da nossa história parlamentar contemporânea, era um Apocalipse. No fim da vida, como me confessou, ele se arrependeria desses arrebatamentos. Talvez como remorso por tê-los pronunciados justamente quando vivia sua tardia aventura sexual de um Montechio com uma Capuletto [Romeu e Julieta]”. A UDN era um partido moralista e Afonso Arinos uma pessoa pura, ou quase: essa “aventura sexual” com a sobrinha-neta de seu principal adversário foi realmente incrível. Nunca passaria pela cabeça de alguém!
Outra revelação surpreendente. Esta revelada pela revista IstoÉ, de 7/6/2000, na reportagem “Mataram Lacerda”. Nela foi ouvida a amante dele, que afirmou que Lacerda foi assassinado. A revista conta que o namoro de Maria Cecília de Azevedo Sodré, em 2000 com 46 anos, com o ex-governador começou quando ela, aos 21 anos, trabalhava na editora Nova Fronteira, de Lacerda. “Nosso romance durou dois anos, até sua morte [21/5/1977, aos 63 anos]”. Ele era 30 anos mais velho. Quando morreu , diz a IstoÉ, Lacerda mantinha o casamento de 40 anos com Letícia, mãe de Cristina, Sebastião e Sérgio. A jornalista Celina Côrtes, revela na reportagem: “A amante do ex-governador viveu momentos de muita ebulição. Quando o romance começou, ela participava do movimento estudantil. As divergências políticas foram incapazes de abalar a paixão”. Como aconteceu também com Afonso Arinos e Ivete Vargas. Ele parlamentar da UDN e ela deputada do PTB, partidos antagônicos! No caso de Lacerda, também da ex-UDN e líder civil do Golpe de 64, o movimento estudantil, a que a amante pertencia, era contra Lacerda e o Golpe. Os extremos se unem!
Existe ainda a história de Zélia, ex-ministra da Economia de Fernando Collor, com o ministro da Justiça daquela época, Bernardo Cabral. Fica para outro artigo.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
julho de 2007

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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