Gianni Carta, na reportagem “Negro e carismático” ( CartaCapital, 18/6/2008 ), revela que Obama escreveu, quando menino, em Jacarta: “Sonho ser presidente dos Estados Unidos”. Agora está perto de conseguir esse sonho. O jornalista mostra que essa situação hoje é mais favorável do que anos atrás. Ele diz: “Sondagem publicada pelo semanário Newsweek revelou que 59% dos entrevistados se disseram prontos a eleger um presidente afro-americano ante 37% do início desta década. No entanto, ainda existem preconceitos contra negros e, se Obama conta com o voto de jovens e adultos educados, precisará conquistar significante parte do voto branco das classes menos evoluídas”. Gianni ainda constatou: “Durante a primária, cinco vezes mais jovens com menos de 25 anos votaram no senador de Illinois do que nos seus rivais. (…) Essa predileção pelo senador resulta, em grande parte, da crise econômica e da política externa americana mais desastrosa de todos os tempos, sob os dois mandatos de George W. Bush”.
Obama não deve desprezar a força conservadora nos Estados Unidos, ainda muito forte. Gianni Carta revela como ela se encontra: “O fortão Sylvester Stallone, nada avesso a uma guerra, prefere John McCain. “Ele é o único que pode lidar com a situação no Oriente Médio”, argumentou “Rambo” numa entrevista a uma rede de tevê francesa. McCain, apesar de suas supostas diferenças com Bush, ainda apóia a invasão do Iraque e é favorável ao envio de forças suplementares. E se recusa a dar um prazo para a retirada das tropas americanas”. Adiante o jornalista mostra como o candidato Conservador age contra o candidato Democrata: “Para angariar o voto dos conservadores brancos, McCain, que se autoproclama um patriota centrista, usa ( e usará ) a seguinte tática para denegrir o adversário: Obama não é “suficientemente americano” ( nasceu no Havaí, viveu na Indonésia, o pai era queniano ), e seu nome seria a prova disso. Blogs conservadores e reacionários difundiram imagens de um jovem Obama vestido como muçulmano, na Indonésia. Para muitos americanos de pele branca mal informados, o que está longe de ser uma raridade nos EUA, Obama seria muçulmano ( ele é cristão, e na Indonésia estudou em escola católica ).” Não se sabe qual será o estrago dessa campanha no eleitorado norte-americano. A conferir.
Obama conseguiu um apoio de peso: Al Gore, vice-presidente dos Estados Unidos no governo Bill Clinton. Ele é um dos democratas mais populares do país e perdeu a eleição presidencial de 2000 para Bush, apesar de ter vencido no voto popular. Depois da derrota, ele se tornou um defensor da ecologia. Um filme dele, mostrando o aquecimento global, teve um enorme sucesso mundial. Em vista disso, Al Gore é um aliado que trará votos.
Ainda é cedo para se prever se teremos um negro na Casa Branca. No entanto, se isso ocorrer, a previsão de Monteiro Lobato, quando escreveu o livro “O Presidente Negro”, se concretizará. Temos que esperar novembro, quando se realizarão as eleições nos Estados Unidos.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu e autor de “Golpe de 64 em São João da Boa Vista”

William Kristol, ideólogo neoconservador, em artigo publicado no “New York Times” e também na Folha (9/1/2008), afirma: “Obrigado, senador Obama. O senhor derrotou a senadora Clinton em Iowa. E de novo em New Hampshire. Não haverá retorno dos Clinton, o país agradece”. O autor defende a candidatura do conservador Huckabee. Pelo visto, ele prefere que seu candidato enfrente Obama. No entanto, Kristol cometeu um erro. Como escreveu o artigo antes da primária em Hampshire, diferentemente de seu desejo, quem venceu lá foi Hillary. Assim ela ainda está no páreo: os Clinton poderão retornar. Vai depender do resultado final para a escolha dos candidatos. Hoje é certo: o candidato dos democratas será entre uma mulher e um negro!
O jornalista Igor Gielow, em artigo na Folha, constata: “Ainda é cedo para fazer vaticínios sobre quem irá ocupar a Casa Branca quando Bush júnior tomar o caminho do rancho. Mas, vitorioso ou não, Barack Hussein Obama é “o” personagem desta etapa da campanha americana. (…) Há as características conhecidas: cristão negro, nome de mulçumano, filho de africano, colegial em país islâmico, jovem e aparentemente capaz de afundar o destróier Hillary Clinton na batalha naval das primárias democratas e, se for ungido candidato, o oponente republicano”. Poder vencer, realmente pode. No entanto, será que o eleitorado americano, conservador, irá mesmo elegê-lo. E se a candidata dos democratas for uma mulher, esse eleitorado vai elegê-la? Ou os republicanos, mesmo com candidatos fracos, em vista do conservadorismo do eleitorado, não poderão surpreender? Difícil fazer um prognóstico.Um fato curioso. Em 1926, Monteiro Lobato escreveu um livro prevendo a eleição de um negro para presidente dos Estados Unidos, o que iria ocorrer em 2228. Se acontecer a eleição agora em 2008, essa previsão se confirmará alguns anos antes. Alcino Leite Neto, em artigo para a Folha (18/11/2007), diz: “Na ficção científica “O Presidente Negro”, Monteiro Lobato vislumbra a disputa entre um negro e uma mulher para a Presidência dos EUA em 2228”. Adiante afirma: “A disputa entre [os senadores] Barack Obama e Hillary Clinton pela vaga democrata nas eleições presidenciais norte-americanas de 2008 tira lá do fundo poeirento dos sebos um livro estanho, polêmico e esquecido de Monteiro Lobato: “O Presidente Negro” [editado com “A Onda Verde” pela Brasiliense] – ou “O Choque das Raças”, o outro nome dado à obra, classificada assim pelo escritor: “Romance americano do ano 2228”. (…) Sim, trata-se de uma ficção científica, coisa rara nas letras brasileiras, e muito influenciada por H.G. Wells [1866-1946], de quem Lobato foi um dos primeiros tradutores no país. (…) Publicada em 1926, inicialmente na forma de um folhetim que durou três semanas e 20 capítulos nas páginas do jornal “A Manhã”, viria a se torna o único romance do escritor, conhecido no entanto por sua prolixidade”. O autor diz ainda que o romance é “fortemente polêmico”, “escorado em idéias racistas e até protonazistas”. Esta conclusão também é polêmica. Ele mesmo tem dúvidas e faz algumas perguntas, entre elas a seguinte: [O livro é] Um alerta provinciano contra a eugenia, que naqueles mesmos anos 20 florescia com tanto vigor nos EUA, como relata o ótimos livro “A Guerra contra os Fracos”, de Edwin Black? Ou uma fábula futurista que leva ao paroxismo as contradições embutidas na democracia americana?” Acredito que sim!
Por enquanto uma pergunta. Presidência dos Estados Unidos: eleição de uma mulher ou de um negro? Se acontecer esta hipótese, o fato será inédito naquele país! A conferir.
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