ENCALHE

dezembro 28, 2007

Resgatando HAPPYLAND*


*Relembrando: Exposição hilária promovida pelos arquitetos Isay Weinfeld e Márcio Kogan em 2004, a instalação Happyland vol. 2 mostrava objetos como “kit-sequëstros” e “muros-retráteis”, segundo alguns, servia como “crítica à violência urbana”. Outros consideraram como sendo, na verdade, uma sátira ao “medo” desta violência, e o que alguns fazem para fugir do problema: encasulam-se cada vez mais em seu mundo-condomínio-shopping-deliverings-helicopter. Os que podem, claro.
A classe média, por sua vez, macaqueia o que consegue: alguns blindam seu automóvel, constroem muros cada vez mais altos em sua residência, votam em “NÃO” no plebiscito anti-armas de fogo, pedem a implantação da pena de morte, escrevem para jornais, adotam uma série de regras, medidas, sinais, códigos secretos, entre os familiares, a fim de protegerem-se de assaltos ou seqüestros rápidos, pagam um guardinha noturno, fecham ruas sem o consentimento da Prefeitura ( Ou sem a ciência desta. Quero dizer: quem garante, não é mesmo, Gafisa? ), pretendem implantar chips com GPS no crâneo dos filhos, essas coisas. O mundo lá fora é violento, diria Manfred Von Richtofen.
Pois bem. Vou pedir licença aos dois arquitetos, e desenvolver uma continuação à sua obra, já que desde 2004 ( até onde eu sei, pelo menos ) não foram apresentados ao público mais trabalhos nessa linha. Portanto, tentarei, humildemente, preencher esta lacuna, ou continuar com seu legado, até que eles o retomem.

HAPPYLÂNDIA ACCORDING TO “O CATA-MILHO”

LIXEIRAS COM CADEADO: Um must. A cidade que não pára, na busca pela qualidade de vida, desenvolveu a última palavra em higienização e combate ao crime. As lixeiras com cadeados impedem que sujismundos que odeiam São Paulo, e que costumam perambular por nossas bem cuidadas ruas com suas carroças que – antes de mais nada – pioram o trânsito na Capital, possam fuçar o lixo e espalhá-lo inconsequentemente nos logradouros. Nada pior para a imagem de uma cidade, do que se mal falado no exterior por turistas quando estes retornarem a seus países ( pior será se forem de Primeiro Mundo ). E combate o crime porque, já se noticiou anteriormente, a máfia nova-iorquina explora também os rendimentos provindos destes objetos descartados. Nada impede que venham a fazer isso por aqui. Previdência, proletas.

LEI CIDADE MAIS LIMPA: Consciência e asseio, na busca pela qualidade de vida. São as palavras que aparecem inscritas no brasão oficial de HAPPYLÂNDIA. Caminhando maravilhado por nossas bem cuidadas calçadas, o turista será generoso ao relatar sua estadia em HAPPYLÂNDIA a seus amigos; e influenciará as pessoas quando estas, diante da tão espinhosa questão – de suma importância -, que é decidir onde passar as férias, resolverão aportar por aqui também. Turismo também gera qualidade de vida e abre novas vagas de empregos. O fato de os recursos hídricos para consumo humano se tornarem, a cada minuto, mais e mais escassos não demove os habitantes de HAPPYLÂNDIA, empenhados em fazer bonito aos olhos dos moradores do Primeiro Mundo. E outra: nestas calçadas habitam pessoas, e a elas é dedicado tamanho carinho e asseio. E HAPPYLÂNDIA, a qualidade de vida não é mera intenção.

CONSUMO RESPONSÁVEL, RESPONSABILIDADE SOCIAL E ECONOMIA SOLIDÁRIA: O futuro do planeta e do próximo está em boas mãos. Apesar de gozar de uma posição privilegiada no IDH, infelizmente HAPPYLÂNDIA não é perfeita. Ainda. Apesar de ostentar um luxo capaz de rivalizar em beleza e qualidade de vida com as cidades mais desenvolvidas do Primeiro Mundo, esta bela cidade tem as suas – pequenas, é claro – ilhas de pobreza. O poucos excluídos, porém, contam com a solidariedade daqueles que chegaram lá ( no Olimpo da qualidade de vida, onde mais? ). Ao transitarem pelas amplas e bem planejadas ruas da cidade em qualquer um de seus automóveis, os concidadãos não esquecem do próximo ( que pode estar bem próximo ): caso tenham algum tipo de detrito em seu poder, que possa ser disponibilizado para fins de reciclagem por uma de nossas cooperativas de catadores, os habitantes simplesmente ( e sem burocracia estatal impedindo ou emperrando os negócios com uma absurda lista de exigências ) depositam o detrito na rua sabendo que, logo em seguida, alguém aparecerá e o recolherá, colocando-o para criar riqueza, desenvolvendo a Economia, abrindo vagas de empregos e melhorando a qualidade de vida da NOSSA HAPPYLÂNDIA. Não é por acaso que o Brasil é lider em reciclagem de latinhas de alumínio. Já dizia o axioma: o ouro está onde você o encontra. O mais bacana de tudo é a consciência de classe: os habitantes não tão bem sucedidos também dão um jeito de contribuir, jogando suas latinhas de refrigerantes pela janela do ônibus.ASSENTOS PÚBLICOS ANATÔMICOS E HIGIÊNICOS: O asseio e a modernidade das linhas destes assentos merecerão, no futuro próximo, estudos e análises dos maiores e mais importantes centros mundiais de design. A aerodinâmica garante o conforto dos bem cuidados e intocados traseiros dos turistas, o que garantirá uma boa avaliação no Primeiro Mundo para HAPPYLÂNDIA. No quesito multiuso, perceba que pode-se tudo nestes assentos, menos dormir. Isso se faz na cama, que é lugar quente. O HAPPYLANDÊS concorda, e dá boa avaliação ao atual prefeito, que busca manter-se na disputa por sua reeleição. E, todos sabemos, sem gerentes e gestores públicos competentes, a busca pela qualidade de vida é uma busca utópica.

RAMPAS ANTIMENDIGOS: Pioneirismo e qualidade de vida são sinônimos de HAPPYLÂNDIA. Esta rampa, idealizada pela prefeitura tem por finalidade, proteger os pouquíssimos moradores de rua da cidade. Funciona assim: os cantos escuros são os locais procurados por sociopatas malcriados – que só podem ser originários de outras cidades – que saem às bem cuidadas ruas da nossa cidade, procurando cometer crimes hediondos, como matar nossos poucos indefesos moradores de nossas belas ruas. Ora, se alguém se recolhe a um canto escuro e isolado para dormir, o risco de morrer e perder a qualidade de vida é enorme. Graças à prefeitura de HAPPYLÂNDIA, lugares ocultos como esses estão sendo transformados em locais seguros. O entusiasmo é tanto entre a sociedade, que até a maior e melhor publicação de entretenimento, terror e contos-de-fadas do país já está patrocinando a obra. PPP, meus caros, é modernidade e qualidade de vida.


Mas, como toda cidade, HAPPYLÂNDIA não para de crescer, mudar e se transformar a um ritmo vertiginoso. Em breve, traremos as últimas medidas tomadas em prol da sociedade de HAPPYLÂNDIA, invejadas até mesmo pelas maiores e mais desenvolvidas metrópolis do Primeiro Mundo. Como se sabe, nesses lugares tudo funciona. HAPPYLÂNDIA está no caminho certo.



novembro 5, 2007

Rolex, o cebolão preferido dos pilantras!!!

Não foi só o Luciano Huck quem teve seu “bobo” roubado aqui em São Paulo. Claro que o panaca escandaloso queria a atenção especial do presidente Lula: desejava que o presidente destacasse algum batalhão das FFAA para recuperar seu patrimônio. Devia ter feito como outro figurão, subtraído de seu bem mas, discrição acima de qualquer prova.
O prefeito de facto da Capital e higienizador honorário da cidade, Andrea Matarazzo ( que deu R$ 3 milhões à campanha de FHC em 98 ) teve seu Rolex roubado, durante uma caminhada no bairro dos Jardins ( e vocês queriam que fosse onde? ) há cerca de 1 ano e meio. E sua casa havia sido invadida, um ano antes, por hunos armados que levaram dinheiro e um cofre fechado. De acordo com artigo de Mino Carta, à época do Rolex roubado, Andrea Matarazzo não deu queixa da invasão à sua casa, mas o fez no caso do seu relojão e ainda reclamou da Segurança em São Paulo. Ao contrário de Huck, Andrea, secretário da Prefeitura chefiada por José Serra, foi isento e imparcial e apontou direitinho a quem cabia resolver esta questão: o governo estadual ocupado, então, pelo tucano Geraldo Alckmin ( que, como sabemos, viria a ser o candidato do partido à prresidência em 2006 ). Tucano bicando tucano.
Acho que os dois podiam juntar outros poucos abnegados e fundar um grupo de apoio às vítimas de roubos de Rolex.
Em tempo: as más línguas, que sabem mais de moda do que eu ( que só uso camisa de flanela ), dizem, aliás, que Rolex é crachá de cafona e que, na verdade, os dois ilustres cidadãos foram atacados pelo “Esquadrão da Moda” que retirou o ícone do mau gosto das vistas sensíveis dos demais cidadãos paulistanos.

novembro 2, 2007

Jaz São Paulo – Paroquianas: "Snif…sniff…snifff…"

Assaltos a alunos do colégio Rio Branco são discutidos no Conseg Higienópolis
Assaltos constantes a alunos do Colégio Rio Branco foram debatidos na última reunião do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) de Higienópolis, realizada no dia 31 de outubro.
Segundo o delegado titular do 77º Distrito Policial, Albano David Fernandes, um pai veio relatar que seu filho foi assaltado 23 vezes. “Quantas vezes ele foi na delegacia? Ah, nunca fui, nunca comuniquei, porque tem que ficar três horas na delegacia. Eu vou tentar humanizar o máximo possível o atendimento no plantão. Mas é difícil, porque as ocorrências chegam, todo mundo chega com um problema e querem ser atendidos. Para agir, a polícia precisa da testemunha, do denunciante. Faz parte do sistema legal.”
Para o capitão Antonio Bueno de Oliveira Neto, comandante da 2ª Cia. do 13° Batalhão da Polícia Militar, falta também colaboração da direção da escola em dialogar. “O Rio Branco é uma escola que congrega uma ala altissimamente privilegiada de nossa sociedade. Só que nós temos na área escolas estaduais que congrega um público que não mora no bairro. Tentei conversar com a diretora [do Colégio Rio Branco]. Por três vezes ela falou: estou em reunião. Eu vejo uma dificuldade extremamente grande nas direções que coordenam os estabelecimento de ensino da nossa região”.
“Nós atuamos de modo preventivo nas escolas com o Proerd (Programa Educacional de Redução às Drogas e à Violência), inclusive nas particulares. Agora, como é que eu posso me aproximar de uma escola se a própria direção coloca barreiras e não dá diálogo. Aí o que faz essa direção, porque tem alunos influentes de pais influentes, eu tenho que deslocar um batalhão de policiais para tomar conta dela. Só que quando eu faço isso, eu vou desalojar outras escolas do poder público estadual e até municipal”, finaliza ele.
SAMPAONLINE
Novembro 1, 2007
Secretário do Rio diz que SP ‘esconde’ seus crimes
O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, colocou em dúvida ontem os dados criminais divulgados pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP). “No meu entendimento, São Paulo não divulga, não é transparente com seus dados criminais. Porque, se divulgasse, as empresas iam embora de lá como foram embora daqui”, disse Beltrame, durante um debate no 24.º Encontro Nacional de Procuradores da República, encerrado ontem na capital fluminense.
A polêmica aberta pelo secretário do Rio ocorreu enquanto ele respondia a críticas feitas durante o seminário pela socióloga Julita Lemgruber, ex-ouvidora de Polícia do Rio, que durante sua apresentação não poupou críticas à política de enfrentamento da Secretaria de Segurança. Julita também elogiou os resultados da polícia paulista. No mesmo dia, em São Paulo, eram divulgados os dados do terceiro trimestre deste ano, que registram uma diminuição nos índices de homicídios dolosos pelo 25º trimestre consecutivo. Conforme os números, desde 1999 os homicídios caíram 63% no Estado e 72% na capital. Pela primeira vez desde que as estatísticas são feitas, São Paulo deve encerrar o ano com menos assassinatos do que o Rio, cerca de 5 mil, mesmo tendo o dobro da população.
A Secretaria de Segurança disse ontem que não iria responder às críticas de Beltrame. Mas o coordenador de Análise e Planejamento da SSP, Túlio Kahn, durante a apresentação dos números, já havia feito comparações entre as políticas de segurança nos dois Estados. Kahn afirmou que o governo paulista não espera que a solução da criminalidade venha com uma “tropa de elite”, mas com uma polícia que se aproxime da população. “Apostamos no policiamento comunitário, que poderíamos chamar de tropa do povo”, afirmou.
Ele também lembrou que as políticas de policiamento ostensivo em comunidades com elevados níveis de violência – as Operações Saturação -, são feitas para cumprimento de mandados de prisão emitidos pela Justiça. “Não são invasões indiscriminadas. Fazemos prisões pontuais e evitamos mortes. Além disso, juntamente com o policiamento ostensivo, o governo de São Paulo passou a investir em políticas públicas para esses lugares, o que chamamos de Virada Social.”
Números
Nos números divulgados ontem por São Paulo, além da queda de homicídios, a permanência dos casos de roubo em níveis elevados, na casa dos 55.493 no trimestre, 4,9% a mais do que o mesmo período do ano anterior, foi o dado que mais chamou a atenção. “Como os roubos atingem a classe média e continuam altos, a expressiva queda nos homicídios, localizados nos bairros mais pobres, ainda não aumentou a sensação de segurança.”
No Rio de Janeiro, Beltrame também analisou as diferenças entre a segurança nos dois Estados. A configuração geográfica seria uma delas. O segundo ponto citado foi o “descaso a que a segurança foi entregue, que permitiu que a estrutura criminosa se instalasse no seio da sociedade e não na periferia”. Ao comentar a terceira diferença, ele lembrou que, enquanto paulistas assistem a “uma luta entre polícia e bandido”, no Rio existem três facções criminosas, a polícia, e a “facção azul, que são as milícias que se instalaram na cidade”.
Beltrame afirmou que a solução para o Rio passa pela ocupação dos territórios hoje dominados pelo tráfico. “Precisamos recuperar isso, diminuir a gordura criminosa que ficou na cidade. Isso é traumático, complicado. O problema é muito mais complexo, muito mais demorado e muito mais sério do que ficarmos conversando fiado na televisão, para os holofotes. Temos de buscar as armas que estão com traficantes, a não ser que alguém os convença a entregá-las”, disse. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Yahoo News
Sex, 02 Nov

maio 2, 2007

Um novo local para manifestações populares na Capital: HIGIENÓPOLIS!!!!!

É isso mesmo!!!
Hoje passei por este bairro e me dei conta de onde estava e o que o lugar significa. Bastaria ver os resultados eleitorais das duas últimas eleições, para saber que é um verdadeiro covil da tucanalha!!!
Claro que tive ganas de sair gritando: “Aqui que é o bairro da tucanalha?”, mas eu poderia ser linchado ou preso pela polícia do Alckmin/Serra, pois lá é uma espécie de Terra Santa intocável.
Realmente, senti que:
1 – Ou eu estava entrando em São Paulo de verdade, e o resto da cidade é o mar povoado por serpentes marinhas;
2 – Ou é um território à parte, uma espécie de Mônaco incrustada em São Paulo e, de lá, comanda o Município.
Breve visita, mas suficiente para me sentir mal. Quebranto. Encosto.
Então: mas acontece que o lugar é propício para manifestações populares, greves – como essa, dos professores da rede Estadual do Serra, que se iniciará dia 04 de Maio. Pelo menos no quesito “irritação”, é imbatível…aquela velharada tucana, os orgulhosos judeus influentes na sociedade paulistana ali residentes…
Dirigindo-se à Praça Buenos Aires para passear com o poodle e dando de cara com uma faixa escrito “PSDB NUNCA MAIS!!!” ou “Alckmin, Serra e FHC destruíram a escola pública!”.

Mas eu ficaria deveras feliz, caso a epidemia de dengue – que, apesar de não sair nos jornais para não causar pânico na população – fosse parar em Higienópolis também. Dá para fabricar, não dá?

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.