ENCALHE

maio 21, 2009

"Blindagem do BC ", por Delfim Netto

20/05/2009
É cada vez mais evidente que o Brasil “importou” uma crise de crédito no dia 16 de setembro de 2008 em dimensão muito superior à necessária.
O nosso sistema bancário havia sido “saneado” com o Proer em 1997 ( alguns de seus autores ainda respondem por isso na Justiça! ), e suas “ligações” com o sistema financeiro mundial poderiam ter sido sustentadas ( pelo menos no curto prazo ) por uma ação mais enérgica e mais expedita do nosso Banco Central.
Na falta dela, nossos banqueiros, infelizmente, mas compreensivelmente, entraram em pânico naquele domingo à tarde, quando o Tesouro americano e o Fed comunicaram ao mundo a grande “barbeiragem” do século 21. Haviam destruído um “nó” importante da grande rede de crédito mundial com o abandono do Lehman Brothers à sua própria sorte. Isso levou ao colapso instantâneo de toda a rede, antes mesmo de os mercados abrirem na segunda-feira…
Entre 2002 e 2008, nossa situação mudou completamente, como resultado da expansão mundial:
1) nossas exportações, que cresciam à taxa de 4% ao ano, passaram a crescer a 22%;
2) nossa dívida externa, que representava quatro anos de exportações, foi reduzida a um ano;
3) nossas reservas, que representavam 10% da dívida externa, passaram a 100% dela, e nosso crescimento econômico anual duplicou, sem risco para a taxa de inflação ou o equilíbrio externo.
Durante esse período, o nosso Banco Central adquiriu musculatura suficiente para dar conforto imediato aos bancos nacionais. Como explicar que, depois de oito meses, ainda estamos fazendo o que deveríamos ter feito em setembro: amenizar a redução do crédito interbancário e frustrar a busca pela liquidez que a insegurança impôs a todos os agentes do mercado ( banqueiros, empresários e trabalhadores )?
Há muitas hipóteses. Talvez a mais plausível seja a de que a estrutura jurídica existente não dava (e ainda não dá) “conforto” ao próprio Banco Central. Ele não recebeu suporte jurídico necessário e criou uma perigosa filosofia: banco grande é melhor do que banco pequeno, e banco público é melhor do que banco privado, dificultando ainda mais o restabelecimento do crédito interbancário.
A situação do crédito está melhorando, mas ainda está muito longe da normalidade e, na margem, o seu custo continua absurdo. O BC agiu na direção correta, mas sem convicção, e estamos pagando um alto preço por isso.
Talvez seja hora de o “blindarmos”, de fato, para que ele possa, com maior desenvoltura e com sua musculatura, estimular a atividade neste meio ano de 2009 que nos falta viver…

"Blindagem do BC ", por Delfim Netto

20/05/2009
É cada vez mais evidente que o Brasil “importou” uma crise de crédito no dia 16 de setembro de 2008 em dimensão muito superior à necessária.
O nosso sistema bancário havia sido “saneado” com o Proer em 1997 ( alguns de seus autores ainda respondem por isso na Justiça! ), e suas “ligações” com o sistema financeiro mundial poderiam ter sido sustentadas ( pelo menos no curto prazo ) por uma ação mais enérgica e mais expedita do nosso Banco Central.
Na falta dela, nossos banqueiros, infelizmente, mas compreensivelmente, entraram em pânico naquele domingo à tarde, quando o Tesouro americano e o Fed comunicaram ao mundo a grande “barbeiragem” do século 21. Haviam destruído um “nó” importante da grande rede de crédito mundial com o abandono do Lehman Brothers à sua própria sorte. Isso levou ao colapso instantâneo de toda a rede, antes mesmo de os mercados abrirem na segunda-feira…
Entre 2002 e 2008, nossa situação mudou completamente, como resultado da expansão mundial:
1) nossas exportações, que cresciam à taxa de 4% ao ano, passaram a crescer a 22%;
2) nossa dívida externa, que representava quatro anos de exportações, foi reduzida a um ano;
3) nossas reservas, que representavam 10% da dívida externa, passaram a 100% dela, e nosso crescimento econômico anual duplicou, sem risco para a taxa de inflação ou o equilíbrio externo.
Durante esse período, o nosso Banco Central adquiriu musculatura suficiente para dar conforto imediato aos bancos nacionais. Como explicar que, depois de oito meses, ainda estamos fazendo o que deveríamos ter feito em setembro: amenizar a redução do crédito interbancário e frustrar a busca pela liquidez que a insegurança impôs a todos os agentes do mercado ( banqueiros, empresários e trabalhadores )?
Há muitas hipóteses. Talvez a mais plausível seja a de que a estrutura jurídica existente não dava (e ainda não dá) “conforto” ao próprio Banco Central. Ele não recebeu suporte jurídico necessário e criou uma perigosa filosofia: banco grande é melhor do que banco pequeno, e banco público é melhor do que banco privado, dificultando ainda mais o restabelecimento do crédito interbancário.
A situação do crédito está melhorando, mas ainda está muito longe da normalidade e, na margem, o seu custo continua absurdo. O BC agiu na direção correta, mas sem convicção, e estamos pagando um alto preço por isso.
Talvez seja hora de o “blindarmos”, de fato, para que ele possa, com maior desenvoltura e com sua musculatura, estimular a atividade neste meio ano de 2009 que nos falta viver…

maio 2, 2009

"A reunião (do Copom) terá que ser televisionada", por BETO ALMEIDA

É preciso um novo jornalismo capaz de revelar que forças são estas que estão sabotando os que trabalham, sabotando o pequeno empresário, sabotando o agricultor familiar, sabotando a aplicação criativa e produtiva de recursos empoçados, estagnados e esterilizados em títulos da dívida pública
BETO ALMEIDA*
“…a dor da gente não sai no jornal” (Luiz Reis e Haroldo Barbosa)
Apesar do presidente Lula pregar a redução dos juros praticamente todos os dias, apesar do vice-presidente José Alencar reclamar diuturnamente que “o nosso discurso de campanha de 2002 ainda não chegou ao poder”, forças aparentemente misteriosas e supostamente sobrenaturais fazem com que o Brasil ainda tenha a mais elevada taxa de juros do mundo. O que acontece de fato? Inspirado no título do excelente documentário “A revolução não será televisionada”, reivindicamos aqui que o palco onde estão sendo tomadas todas as decisões para manter os juros nas alturas – a Reunião do Comitê de Política Monetária – precisa ser iluminado, precisa ser escancarado à opinião pública, precisa ser didaticamente televisionado.
É passada a hora de revelar com clareza e sem subterfúgios de um economês propositalmente indecifrável quais são estas forças que estão sabotando o presidente e o vice-presidente. É preciso um novo jornalismo capaz de revelar que forças são estas que estão sabotando os que trabalham, sabotando o pequeno empresário, sabotando o agricultor familiar, sabotando a aplicação criativa e produtiva de recursos empoçados, estagnados e esterilizados em títulos da dívida pública. É preciso que a televisão cumpra o seu papel social de esclarecer o papel anti-social e anti-nacional dos que sabotam e impedem a aplicação deste crédito empoçado na geração de empregos, seja construindo casas, estradas, hospitais, ferrovias, ou fabricando roupas, sapatos, móveis e utensílios domésticos que as enxurradas levam a cada nova chuvarada. Enfim, quando será que esta maravilhosa tecnologia que é a televisão terá o uso didático e educativo para – televisionando a Reunião do Copom – revelar quais são os que defendem os juros altos, com o seu linguajar enrolado, sua insensibilidade de grande organizador das derrotas do mundo do trabalho, levando a pequena produção à falência, as cooperativas à paralisia, os assentamentos da reforma agrária ao desesperante beco sem saída e toda uma geração sem rumo para o crime? Quem é o maior criminoso? Uma juventude proibida de trabalhar e tangida para a prisão ou os que produzem as políticas que levam toda uma geração para o crime e a prisão?
Que estupendo efeito político teria sobre a sociedade brasileira a simples colocação na tela, e com explicações didáticas e compreensíveis sobre economia, de todos os que impedem que este país saia da crise pela via da produção de bens do consumo necessário, ao invés de criminosamente fazer rodar apenas a especulação estéril que tão somente cria uma república dos rentistas – a dos que enriquecem sem trabalhar – e a outra, a dos que trabalham e produzem escravizados pelos rentistas, ou gostariam de trabalhar e de produzir, se esta oportunidade não estivesse sendo criminosamente sabotada na cara de todos nós! Afinal, para que serve tanta televisão?? Afinal, para que serve uma tv pública?
TÉCNICO E POLÍTICO
Observa-se toda uma tentativa dos meios de comunicação capturados pela tirania vídeo-financeira privada de desmoralizar algumas das tímidas mas acertadas medidas de Lula para facilitar o acesso ao crédito, para baixar os juros, para estimular a produção. Durante seis anos de governo, apesar da chiadeira diuturna e militante do vice-presidente José Alencar denunciando os juros altos como sabotagem à produção e à geração de emprego, apenas muito suavemente se observa uma redução parcial nos juros. Mas, as resistências são gigantescas. Os comentaristas da tirania vídeo-financeira – os mesmos que recomendaram as políticas neoliberais de estado mínimo e desregulamentação que levaram à crise do capitalismo atual – agora tentam esconder sua responsabilidade incontornável pela crise fugindo para a frente. Um verdadeiro tom de campanha é o que vemos no tratamento nada jornalístico sobre a recente demissão do presidente do Banco do Brasil, apresentada como se fosse uma temerária intervenção política de Lula numa instituição financeira que “está dando certo”. Ora, dando certo para quem se o banco público, desafiando Lula e José Alencar, chegou a praticar os mais elevados juros do mercado? Dando certo para quem, cara pálida? Tenta-se passar a idéia de que baixar juros é voluntarismo político, ao mesmo tempo indicam que juros altos é responsabilidade técnica. Seria esta a única alternativa que não merece qualquer crítica. Ora, por que elevar os juros às alturas não é também uma clara opção política pela especulação, pelo rentismo que enriquece ricos, uma clara escolha contra os que querem créditos para a produção??? Isto é opção política sim, e opção preferencial pelos ricos!!!
O ECONOMÊS INDECIFRÁVEL
Se a televisão simplesmente colocasse este tema em debate – hoje há nas telas apenas a defesa da tese subliminar de que juros altos é prova de responsabilidade técnica e que juros baixos é populismo e intervencionismo político – já seria uma enorme contribuição para elevar a compreensão na sociedade brasileira sobre quem são os que querem produzir e quais os que querem manter o dinheiro empoçado, esterilizado e rodando apenas a especulação financeira para enriquecer os já ricos. Por exemplo, se a tv cumprisse sua função pública definida na Constituição e veiculasse todas as opiniões em torno da decisão governamental de reduzir o superávit primário, sobretudo aquelas que estão vedadas atualmente nas telinhas, como o argumento de que com uma maior aplicação de recursos na produção, em obras públicas, deverá trazer efeitos concretos e benéficos seja lá nos grotões mais isolados da sociedade brasileira e até ao mais simples pipoqueiro ou vendedor de bandeirolas nos estádios de futebol, já seria uma relevante contribuição prática para a democracia da informação. Superemos as discussões conceituais intermináveis, pratiquemos democracia informativa. Este argumento hoje não é veiculado, não circula, é sonegado pela tv privada.
Também é preciso divulgar que a redução do superávit primário permitirá, por exemplo, aumentar em 15 bilhões o volume de investimentos da Petrobrás no Pré-Sal, na construção de novas refinarias. Debatamos: que efeitos isto trará na indústria naval, no fortalecimento do poder aquisitivo dos trabalhadores, nos índices de emprego formal, na arrecadação da previdência, no comércio de bens da indústria leve? Esta é a missão pública da televisão. Antes desta decisão – sim, de verdade uma decisão política de Lula – estes recursos ficavam esterilizados no superávit primário. Entrevistado pela TV Globo sobre o tema, um “especialista”, destes sempre convidados para defender redundantemente a mesma tese, definiu candidamente porque a redução do superávit primário não era medida recomendável: “isso pode gerar intranquilidade nos credores externos”. Quais credores externos ficariam intranquilos? Os que estão indo à bancarrota nos EUA? Os que estão pregando novo calote no sistema financeiro internacional através da impressão (não emissão) de mais dólar furado, moeda sem lastro, papel pintado, mas com capacidade de comprar uma riqueza real, não fictícia, como a Vale do Rio Doce ou ações da Petrobrás????
É de se lamentar que não tenhamos uma televisão com a decisão suficiente para fazer cumprir o direito dos brasileiros à informação plural, diversificada, com caráter educativo como estabelece a Constituição. Ontem mesmo, reconstruída a bancada das Meninas do Jô, uma delas chegou a sentenciar “Este país acabou!!!”. Não se ouviu uma crítica sequer ao epicentro da crise que está no coração do capitalismo, os EUA, país que estes “comentaristas” têm como modelo. Aliás, ouvimos ontem na CBN uma pérola analítica sobre a redução do superávit primário no Brasil: aqui esta medida é temerária, dizem eles, porque aqui se dá calote (mas o Brasil não pagou a dívida com o FMI?), mas nos EUA é diferente porque, segundo os dois comentaristas, “lá trata-se de um endividamento sério e responsável”. Será que não viram o presidente chinês advertindo os EUA para que honrem sua monumental dívida financeira com a China? Endividamento sério e responsável com a impressão de papel moeda sem lastro que a economia mundial tem que aceitar? Por que o Brasil não poderia emitir moeda a partir de riqueza real, o petróleo pré-sal, o urânio, a maior jazida conhecida de nióbio do mundo???? Aí seria populismo, intervencionismo político na economia?!!! Nunca estes outros ângulos ganham espaço para a discussão democrática na televisão capturada pela ditadura do mercado, que impõe o seu “dirigismo editorial de pensamento único”.
Enquanto na Globo se recompõe a bancada das Meninas do Jô, permitindo prever o que vem por aí – uma espécie de reedição da campanha do mensalão que tentou em vão impedir a reeleição de Lula – a TV Brasil, no mesmo horário, parecia estar em outro país, estava exibindo o Sem Censura reprisado, com uma dupla caipira e um apresentador do Fantástico falando de suas viagens pelo mundo. Convenhamos, é um desperdício de oportunidades. Por que não realizar com a frequência gritantemente necessária mesas de debate ao vivo, com a participação do público, convidando todas as vozes normalmente proscritas nas emissoras da tirania vídeo-financeira??? Quem proíbe? Quem não se anima? Os mesmo que sabotam o discurso de Lula e de José Alencar a pregar no deserto, por mais de 6 anos, a queda dos juros???
A FUNÇÃO DA TV E DOS BANCOS PÚBLICOS
É hora de audácia. A mesma audácia presente na determinação do presidente Lula em retirar o Banco do Brasil do esquema de sabotagem aos que querem produzir e trabalhar, mudando seu presidente e sua orientação, deveria estar presente também na TV Brasil, que pode muito bem inaugurar um novo jornalismo. Um jornalismo que faça o contraponto democrático a este que predomina nas emissoras prisioneiras da tirania vídeo-financeira, repetindo no plano comunicacional a mesma concepção que rege a fraude monetária especulativa que levou o mundo à crise econômica atual. Moeda sem lastro, moeda falsa, moeda fictícia, acompanhada de informação que não revela o potencial do mundo do trabalho, do mundo da produção e constrói uma realidade falsa, normalizando a especulação, na qual qualquer outra visão que proponha uma revolução produtiva é liminarmente excluída de divulgação, é sonegada, e, sem direito de defesa, taxada de intervencionismo político no mundo financeiro, de populismo. A partir daí, resta apenas a sacrossanta opção, igualmente política, de que responsabilidade fiscal e financeira só e somente só é possível com os juros altos. Paralela à fraude monetária, ocorre uma fraude midiática. Elas se realimentam.
Que tal colocarmos tudo isto em debate, afinal já estamos há 45 anos do golpe militar de 1964? Que tal revelarmos as forças nada sobrenaturais ou misteriosas que na Reunião do Copom, protegidas pelo linguajar economês impenetrável, continuam a defender, apesar do colapso do capitalismo, os indecentes privilégios dos banqueiros que recusam a aplicação dos recursos na produção e geração de emprego e renda? Que tal inaugurarmos o debate sobre a função dos bancos públicos que poderiam seguir de fato a orientação do presidente da república e do seu incansável vice-presidente e terem, finalmente, audácia de colocar em prática o discurso da campanha de 2002? Que tal ampliarmos mais ainda o debate sobre o papel da televisão, sobretudo sobre a obrigação das emissoras de cumprirem a função pública inscrita na Constituição? Por que a reunião do Copom não pode ser televisionada se ali são tomadas decisões que levam milhões e milhões de pequenos empresários, pequenos agricultores à falência e à ruína e se ali são inviabilizados, com uma simples canetada baseada em pesquisas encomendadas pelos próprios bancos (Pesquisa Focus) inúmeros projetos de emancipação nacional? Não será um direito constitucional do povo brasileiro saber de cor e salteado quem são os que sabotam a desesperante e inadiável necessidade de reduzir os juros? Não será uma obrigação da tv pública mostrar, revelar, explicar o que acontece nestas reuniões onde se decide ou a tragédia dos que são impedidos de produzir ou a cadeia da indecente felicidade dos que enriquecem sem trabalhar e produzir?
Se televisionam um sujeito animalizado surrando um outro até sangrar, se há canais televisionando leilões de gado, tapetes ou jóias, ou oferecendo o sexo-mercadoria, se são televisionados os mais indigentes diálogos de grupos de descerebrados a debater a edificante questão do sexo anal por satélite nos Big-Brother, se somos obrigados a ver mais de mil horas de tv estimulando o consumo de cerveja quando se deveria educar no amor aos livros, no amor às bibliotecas, ou educar para a solidariedade por meio da difusão de informações sobre nossa trágica liderança mundial em hanseníase, a pergunta é clara e direta: por que a reunião do Copom não pode ser televisionada?
* É jornalista e presidente da TV Comunitária de Brasília

( Publicado no Hora do Povo, edição 2761, 01 a 05.05.09 )
NOTA DESTE BLOG: Sobre este texto de Beto Almeida, mandei o seguinte email para o glorioso HP:
“Achei genial a sugestão de Beto Almeida, a de televisionar as reuniões do Copom, e gostaria de acrescentar à sua idéia, caso um dia seja posta em prática: essas reuniões poderiam resultar em ganhos para os cofres públicos, bastando com que, para isso, fosse “leiloado” algum espaço publicitário, a ser veiculado durante as transmissões. Por exemplo, o sr. Meirelles e demais membros do Copom poderiam comparecer à reunião vestindo macacões semelhantes àqueles dos pilotos de Fórmula 1, repletos de anúncios de patrocinadores ( quem pagar mais, leva e estatais anunciam de graça ). É uma forma destas reuniões darem, ao contrário do que vem ocorrendo, resultados de nosso interesse ou, pelo menos, ganharmos alguma coisa mesmo quando esta turma mantiver seus juros estratosféricos. Bem, acho que a proposta não é muito original, já que José Serra quis adotá-la nos uniformes dos estudantes municipais, enquanto ocupou a Prefeitura paulistana.”

abril 14, 2009

Único membro do governo que goza da simpatia do PIG, MEIRELLES diz que o Governo Federal, SÓCIO MAJORITÁRIO DO BB, agiu bem em defenestrar diretoria

Presidente do Banco Central apoia mudança de comando no BB
14 de abril de 2009
O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, endossou nesta terça-feira (14), em Belo Horizonte, a decisão do governo de mudar a direção do Banco do Brasil (BB). Na semana passada, a administração federal anunciou a substituição do presidente do BB, Antonio Lima Neto, por Aldemir Bendine.
Na ocasião, diante da insistência de jornalistas sobre se a saída era motivada pelos spreads bancários cobrados pelo banco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu: “A redução do spread bancário neste momento é uma obsessão minha.” Spread é a diferença entre o custo de captação dos recursos pelo banco e o juro cobrado no empréstimo.
Nesta terça, Meirelles afirmou que “o governo federal, controlador majoritário do Banco do Brasil, tomou a medida que seria adequada, visando garantir o funcionamento da instituição, não apenas equilibrado e lucrativo, mas também sintonizado com as necessidades do país”.
De acordo com Meirelles, que participou do ciclo de debates Minas Combate a Crise, o BC tem as ações centradas em três pilares para reduzir o spread: o seguro para depositantes de bancos pequenos e médios de até R$ 20 milhões, a oferta de dólares às empresas por meio de leilões sem direcionamento e a presença forte de bancos públicos por meio de uma atuação competitiva. (Jornal PEQUENO)

Único membro do governo que goza da simpatia do PIG, MEIRELLES diz que o Governo Federal, SÓCIO MAJORITÁRIO DO BB, agiu bem em defenestrar diretoria

Presidente do Banco Central apoia mudança de comando no BB
14 de abril de 2009
O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, endossou nesta terça-feira (14), em Belo Horizonte, a decisão do governo de mudar a direção do Banco do Brasil (BB). Na semana passada, a administração federal anunciou a substituição do presidente do BB, Antonio Lima Neto, por Aldemir Bendine.
Na ocasião, diante da insistência de jornalistas sobre se a saída era motivada pelos spreads bancários cobrados pelo banco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu: “A redução do spread bancário neste momento é uma obsessão minha.” Spread é a diferença entre o custo de captação dos recursos pelo banco e o juro cobrado no empréstimo.
Nesta terça, Meirelles afirmou que “o governo federal, controlador majoritário do Banco do Brasil, tomou a medida que seria adequada, visando garantir o funcionamento da instituição, não apenas equilibrado e lucrativo, mas também sintonizado com as necessidades do país”.
De acordo com Meirelles, que participou do ciclo de debates Minas Combate a Crise, o BC tem as ações centradas em três pilares para reduzir o spread: o seguro para depositantes de bancos pequenos e médios de até R$ 20 milhões, a oferta de dólares às empresas por meio de leilões sem direcionamento e a presença forte de bancos públicos por meio de uma atuação competitiva. (Jornal PEQUENO)

março 5, 2009

IPEA: Se o Meirelles fizer o grande favor de cortar os juros em 5,75% na próxima reunião do Copom, o Brasil economiza uns 40 bi!!

Ipea sugere redução gradual da taxa Selic em 2009
IPEA, 04/03/2009
Corte de 5,75 p.p. na próxima reunião do Copom economizaria R$ 43 bilhões
“É possível enfrentar a crise de uma forma contundente, fazendo algo que o mundo inteiro está fazendo: reduzindo a taxa de juros.” A afirmação foi feita pelo diretor da Diretoria de Estudos Macroeconômicos (Dimac) do Ipea, João Sicsú, ao apresentar hoje, em Brasília, a nota técnica “A gravidade da crise e a despesa de juro do governo”
Produzida pela Dimac, a nota aponta uma esperada queda de arrecadação em 2009 e sugere que “a melhor política é cortar as despesas com juros, que remunera o carregamento da dívida pública”. A redução da taxa básica de juros em 2009 traria economia de recursos públicos.
O documento analisa as expectativas empresariais de investimento diante da crise, além de apresentar projeções de economia fiscal em simulações para diferentes cenários de redução da taxa de juros.
“Cortar gastos sociais, correntes, ou de investimento significa reduzir a demanda da economia e as possibilidades de crescimento. Com menor crescimento, haverá menos arrecadação. Portanto, cortar gastos públicos cujos multiplicadores de renda e emprego são relevantes significa ampliar as dificuldades de arrecadação, criar um problema fiscal e aprofundar a crise de demanda que se instalou no setor privado da economia”, alerta João Sicsú.
Segundo o técnico do Ipea Roberto Messenberg, é possível enfrentar a crise mantendo ou ampliando os gastos do governo, sem desorganizar as finanças públicas. “Basta reduzir um ponto percentual na taxa Selic em cada uma das próximas reuniões ordinárias do Comitê de Política Monetária (Copom) e uma redução de 0,75 p.p. na reunião seguinte”, diz. Essas reduções, do patamar atual de 12,75% para 7% ao ano, economizariam R$ 30 bilhões. “Se esta redução de 5,75 p.p. ocorresse já na próxima reunião do Copom, a economia fiscal em 2009 seria de R$ 43 bilhões”, afirma.
Segundo a nota, a explicação mais plausível para a crise gravíssima da economia brasileira parece ser que os agentes econômicos estão apreensivos e, em conseqüência, tomam a decisão mais racional do ponto de vista individual: reduzem, de forma drástica, seus gastos. Por um lado, os empresários “engavetam” projetos de investimento, reduzem custos e volume de produção; por outro, os trabalhadores, temendo o desemprego, reduzem seu consumo para formar poupança motivada pela precaução. “Nesse modelo, as “profecias” se auto-realizam”, lamenta Sicsú. Em outras palavras, na expectativa de futuro adverso, diminuem-se os gastos no presente e o futuro, de fato, se torna ruim.
O documento defende que “a reação a partir da demanda governamental é o único instrumento de combate à crise que pode ser utilizado”. Mas adverte que o aumento do gasto público não é suficiente: “o gasto público deve ser ampliado com o objetivo de mudar o quadro expectacional e, por conseguinte, estimular o gasto privado”.
Segundo o Ipea, o governo tem condições orçamentárias para enfrentar a crise. A situação fiscal brasileira encontra-se muito bem equacionada. Em 2008, o déficit nominal do orçamento federal foi de apenas 1,53% do Produto Interno Bruto (PIB). A relação dívida líquida/PIB descreve uma trajetória muito favorável, tendo atingido, em janeiro, 36,6%.
Contudo, em 2009, a arrecadação de impostos, contribuições e taxas tende a uma queda compatível com a redução do nível de atividade econômica. A nota sugere, então, reorganizar o gasto público em 2009, a partir do tipo de gasto e sua capacidade de gerar renda e emprego. O gasto com pagamento de juro, por exemplo, quase não gera renda e emprego, ao contrário dos gastos com investimentos e os gastos sociais (Bolsa Famíia, Previdência etc.).
A nota informa que o gasto social via ampliação de programas como o Bolsa Família e o Bolsa atleta tem velocidade máxima de impacto na capacidade de gerar emprego e renda. Afinal, quem recebe esse gasto transforma-o quase que imediatamente em consumo. Além disso, o consumo dessas famílias quase não contém itens importados, que ficaram mais caros com a crise econômica externa.
O documento mostra, então, que a política ideal para enfrentar a crise, do ponto de vista fiscal, é combinar a redução da taxa de juro Selic com a ampliação dos gastos sociais e dos gastos de investimentos.
A nota contou com a participação de diversos técnicos do Ipea, entre eles André de Melo Modenesi, Anna Carolina Saba dos Reis, Claudio Hamilton dos Santos, Denise Gentil, Félix Manhiça, Marcos Vinícius Leite, Mario Rubens de Mello Neto, Miguel Bruno, Renaut Michel, Roberto Messenberg e Salvador Werneck Vianna.
Acesse o texto integral da Nota Técnica.
MAIS:
Ipea defende redução da Selic para 7% até o final do ano
Segundo diretor do instituto, a medida provocaria uma redução de R$ 30 bilhões na despesa pública com juros ( Amanhã, 04.03.09 )

IPEA: Se o Meirelles fizer o grande favor de cortar os juros em 5,75% na próxima reunião do Copom, o Brasil economiza uns 40 bi!!

Ipea sugere redução gradual da taxa Selic em 2009
IPEA, 04/03/2009
Corte de 5,75 p.p. na próxima reunião do Copom economizaria R$ 43 bilhões
“É possível enfrentar a crise de uma forma contundente, fazendo algo que o mundo inteiro está fazendo: reduzindo a taxa de juros.” A afirmação foi feita pelo diretor da Diretoria de Estudos Macroeconômicos (Dimac) do Ipea, João Sicsú, ao apresentar hoje, em Brasília, a nota técnica “A gravidade da crise e a despesa de juro do governo”
Produzida pela Dimac, a nota aponta uma esperada queda de arrecadação em 2009 e sugere que “a melhor política é cortar as despesas com juros, que remunera o carregamento da dívida pública”. A redução da taxa básica de juros em 2009 traria economia de recursos públicos.
O documento analisa as expectativas empresariais de investimento diante da crise, além de apresentar projeções de economia fiscal em simulações para diferentes cenários de redução da taxa de juros.
“Cortar gastos sociais, correntes, ou de investimento significa reduzir a demanda da economia e as possibilidades de crescimento. Com menor crescimento, haverá menos arrecadação. Portanto, cortar gastos públicos cujos multiplicadores de renda e emprego são relevantes significa ampliar as dificuldades de arrecadação, criar um problema fiscal e aprofundar a crise de demanda que se instalou no setor privado da economia”, alerta João Sicsú.
Segundo o técnico do Ipea Roberto Messenberg, é possível enfrentar a crise mantendo ou ampliando os gastos do governo, sem desorganizar as finanças públicas. “Basta reduzir um ponto percentual na taxa Selic em cada uma das próximas reuniões ordinárias do Comitê de Política Monetária (Copom) e uma redução de 0,75 p.p. na reunião seguinte”, diz. Essas reduções, do patamar atual de 12,75% para 7% ao ano, economizariam R$ 30 bilhões. “Se esta redução de 5,75 p.p. ocorresse já na próxima reunião do Copom, a economia fiscal em 2009 seria de R$ 43 bilhões”, afirma.
Segundo a nota, a explicação mais plausível para a crise gravíssima da economia brasileira parece ser que os agentes econômicos estão apreensivos e, em conseqüência, tomam a decisão mais racional do ponto de vista individual: reduzem, de forma drástica, seus gastos. Por um lado, os empresários “engavetam” projetos de investimento, reduzem custos e volume de produção; por outro, os trabalhadores, temendo o desemprego, reduzem seu consumo para formar poupança motivada pela precaução. “Nesse modelo, as “profecias” se auto-realizam”, lamenta Sicsú. Em outras palavras, na expectativa de futuro adverso, diminuem-se os gastos no presente e o futuro, de fato, se torna ruim.
O documento defende que “a reação a partir da demanda governamental é o único instrumento de combate à crise que pode ser utilizado”. Mas adverte que o aumento do gasto público não é suficiente: “o gasto público deve ser ampliado com o objetivo de mudar o quadro expectacional e, por conseguinte, estimular o gasto privado”.
Segundo o Ipea, o governo tem condições orçamentárias para enfrentar a crise. A situação fiscal brasileira encontra-se muito bem equacionada. Em 2008, o déficit nominal do orçamento federal foi de apenas 1,53% do Produto Interno Bruto (PIB). A relação dívida líquida/PIB descreve uma trajetória muito favorável, tendo atingido, em janeiro, 36,6%.
Contudo, em 2009, a arrecadação de impostos, contribuições e taxas tende a uma queda compatível com a redução do nível de atividade econômica. A nota sugere, então, reorganizar o gasto público em 2009, a partir do tipo de gasto e sua capacidade de gerar renda e emprego. O gasto com pagamento de juro, por exemplo, quase não gera renda e emprego, ao contrário dos gastos com investimentos e os gastos sociais (Bolsa Famíia, Previdência etc.).
A nota informa que o gasto social via ampliação de programas como o Bolsa Família e o Bolsa atleta tem velocidade máxima de impacto na capacidade de gerar emprego e renda. Afinal, quem recebe esse gasto transforma-o quase que imediatamente em consumo. Além disso, o consumo dessas famílias quase não contém itens importados, que ficaram mais caros com a crise econômica externa.
O documento mostra, então, que a política ideal para enfrentar a crise, do ponto de vista fiscal, é combinar a redução da taxa de juro Selic com a ampliação dos gastos sociais e dos gastos de investimentos.
A nota contou com a participação de diversos técnicos do Ipea, entre eles André de Melo Modenesi, Anna Carolina Saba dos Reis, Claudio Hamilton dos Santos, Denise Gentil, Félix Manhiça, Marcos Vinícius Leite, Mario Rubens de Mello Neto, Miguel Bruno, Renaut Michel, Roberto Messenberg e Salvador Werneck Vianna.
Acesse o texto integral da Nota Técnica.
MAIS:
Ipea defende redução da Selic para 7% até o final do ano
Segundo diretor do instituto, a medida provocaria uma redução de R$ 30 bilhões na despesa pública com juros ( Amanhã, 04.03.09 )

IPEA: Se o Meirelles fizer o grande favor de cortar os juros em 5,75% na próxima reunião do Copom, o Brasil economiza uns 40 bi!!

Ipea sugere redução gradual da taxa Selic em 2009
IPEA, 04/03/2009
Corte de 5,75 p.p. na próxima reunião do Copom economizaria R$ 43 bilhões
“É possível enfrentar a crise de uma forma contundente, fazendo algo que o mundo inteiro está fazendo: reduzindo a taxa de juros.” A afirmação foi feita pelo diretor da Diretoria de Estudos Macroeconômicos (Dimac) do Ipea, João Sicsú, ao apresentar hoje, em Brasília, a nota técnica “A gravidade da crise e a despesa de juro do governo”
Produzida pela Dimac, a nota aponta uma esperada queda de arrecadação em 2009 e sugere que “a melhor política é cortar as despesas com juros, que remunera o carregamento da dívida pública”. A redução da taxa básica de juros em 2009 traria economia de recursos públicos.
O documento analisa as expectativas empresariais de investimento diante da crise, além de apresentar projeções de economia fiscal em simulações para diferentes cenários de redução da taxa de juros.
“Cortar gastos sociais, correntes, ou de investimento significa reduzir a demanda da economia e as possibilidades de crescimento. Com menor crescimento, haverá menos arrecadação. Portanto, cortar gastos públicos cujos multiplicadores de renda e emprego são relevantes significa ampliar as dificuldades de arrecadação, criar um problema fiscal e aprofundar a crise de demanda que se instalou no setor privado da economia”, alerta João Sicsú.
Segundo o técnico do Ipea Roberto Messenberg, é possível enfrentar a crise mantendo ou ampliando os gastos do governo, sem desorganizar as finanças públicas. “Basta reduzir um ponto percentual na taxa Selic em cada uma das próximas reuniões ordinárias do Comitê de Política Monetária (Copom) e uma redução de 0,75 p.p. na reunião seguinte”, diz. Essas reduções, do patamar atual de 12,75% para 7% ao ano, economizariam R$ 30 bilhões. “Se esta redução de 5,75 p.p. ocorresse já na próxima reunião do Copom, a economia fiscal em 2009 seria de R$ 43 bilhões”, afirma.
Segundo a nota, a explicação mais plausível para a crise gravíssima da economia brasileira parece ser que os agentes econômicos estão apreensivos e, em conseqüência, tomam a decisão mais racional do ponto de vista individual: reduzem, de forma drástica, seus gastos. Por um lado, os empresários “engavetam” projetos de investimento, reduzem custos e volume de produção; por outro, os trabalhadores, temendo o desemprego, reduzem seu consumo para formar poupança motivada pela precaução. “Nesse modelo, as “profecias” se auto-realizam”, lamenta Sicsú. Em outras palavras, na expectativa de futuro adverso, diminuem-se os gastos no presente e o futuro, de fato, se torna ruim.
O documento defende que “a reação a partir da demanda governamental é o único instrumento de combate à crise que pode ser utilizado”. Mas adverte que o aumento do gasto público não é suficiente: “o gasto público deve ser ampliado com o objetivo de mudar o quadro expectacional e, por conseguinte, estimular o gasto privado”.
Segundo o Ipea, o governo tem condições orçamentárias para enfrentar a crise. A situação fiscal brasileira encontra-se muito bem equacionada. Em 2008, o déficit nominal do orçamento federal foi de apenas 1,53% do Produto Interno Bruto (PIB). A relação dívida líquida/PIB descreve uma trajetória muito favorável, tendo atingido, em janeiro, 36,6%.
Contudo, em 2009, a arrecadação de impostos, contribuições e taxas tende a uma queda compatível com a redução do nível de atividade econômica. A nota sugere, então, reorganizar o gasto público em 2009, a partir do tipo de gasto e sua capacidade de gerar renda e emprego. O gasto com pagamento de juro, por exemplo, quase não gera renda e emprego, ao contrário dos gastos com investimentos e os gastos sociais (Bolsa Famíia, Previdência etc.).
A nota informa que o gasto social via ampliação de programas como o Bolsa Família e o Bolsa atleta tem velocidade máxima de impacto na capacidade de gerar emprego e renda. Afinal, quem recebe esse gasto transforma-o quase que imediatamente em consumo. Além disso, o consumo dessas famílias quase não contém itens importados, que ficaram mais caros com a crise econômica externa.
O documento mostra, então, que a política ideal para enfrentar a crise, do ponto de vista fiscal, é combinar a redução da taxa de juro Selic com a ampliação dos gastos sociais e dos gastos de investimentos.
A nota contou com a participação de diversos técnicos do Ipea, entre eles André de Melo Modenesi, Anna Carolina Saba dos Reis, Claudio Hamilton dos Santos, Denise Gentil, Félix Manhiça, Marcos Vinícius Leite, Mario Rubens de Mello Neto, Miguel Bruno, Renaut Michel, Roberto Messenberg e Salvador Werneck Vianna.
Acesse o texto integral da Nota Técnica.
MAIS:
Ipea defende redução da Selic para 7% até o final do ano
Segundo diretor do instituto, a medida provocaria uma redução de R$ 30 bilhões na despesa pública com juros ( Amanhã, 04.03.09 )

IPEA: Se o Meirelles fizer o grande favor de cortar os juros em 5,75% na próxima reunião do Copom, o Brasil economiza uns 40 bi!!

Ipea sugere redução gradual da taxa Selic em 2009
IPEA, 04/03/2009
Corte de 5,75 p.p. na próxima reunião do Copom economizaria R$ 43 bilhões
“É possível enfrentar a crise de uma forma contundente, fazendo algo que o mundo inteiro está fazendo: reduzindo a taxa de juros.” A afirmação foi feita pelo diretor da Diretoria de Estudos Macroeconômicos (Dimac) do Ipea, João Sicsú, ao apresentar hoje, em Brasília, a nota técnica “A gravidade da crise e a despesa de juro do governo”
Produzida pela Dimac, a nota aponta uma esperada queda de arrecadação em 2009 e sugere que “a melhor política é cortar as despesas com juros, que remunera o carregamento da dívida pública”. A redução da taxa básica de juros em 2009 traria economia de recursos públicos.
O documento analisa as expectativas empresariais de investimento diante da crise, além de apresentar projeções de economia fiscal em simulações para diferentes cenários de redução da taxa de juros.
“Cortar gastos sociais, correntes, ou de investimento significa reduzir a demanda da economia e as possibilidades de crescimento. Com menor crescimento, haverá menos arrecadação. Portanto, cortar gastos públicos cujos multiplicadores de renda e emprego são relevantes significa ampliar as dificuldades de arrecadação, criar um problema fiscal e aprofundar a crise de demanda que se instalou no setor privado da economia”, alerta João Sicsú.
Segundo o técnico do Ipea Roberto Messenberg, é possível enfrentar a crise mantendo ou ampliando os gastos do governo, sem desorganizar as finanças públicas. “Basta reduzir um ponto percentual na taxa Selic em cada uma das próximas reuniões ordinárias do Comitê de Política Monetária (Copom) e uma redução de 0,75 p.p. na reunião seguinte”, diz. Essas reduções, do patamar atual de 12,75% para 7% ao ano, economizariam R$ 30 bilhões. “Se esta redução de 5,75 p.p. ocorresse já na próxima reunião do Copom, a economia fiscal em 2009 seria de R$ 43 bilhões”, afirma.
Segundo a nota, a explicação mais plausível para a crise gravíssima da economia brasileira parece ser que os agentes econômicos estão apreensivos e, em conseqüência, tomam a decisão mais racional do ponto de vista individual: reduzem, de forma drástica, seus gastos. Por um lado, os empresários “engavetam” projetos de investimento, reduzem custos e volume de produção; por outro, os trabalhadores, temendo o desemprego, reduzem seu consumo para formar poupança motivada pela precaução. “Nesse modelo, as “profecias” se auto-realizam”, lamenta Sicsú. Em outras palavras, na expectativa de futuro adverso, diminuem-se os gastos no presente e o futuro, de fato, se torna ruim.
O documento defende que “a reação a partir da demanda governamental é o único instrumento de combate à crise que pode ser utilizado”. Mas adverte que o aumento do gasto público não é suficiente: “o gasto público deve ser ampliado com o objetivo de mudar o quadro expectacional e, por conseguinte, estimular o gasto privado”.
Segundo o Ipea, o governo tem condições orçamentárias para enfrentar a crise. A situação fiscal brasileira encontra-se muito bem equacionada. Em 2008, o déficit nominal do orçamento federal foi de apenas 1,53% do Produto Interno Bruto (PIB). A relação dívida líquida/PIB descreve uma trajetória muito favorável, tendo atingido, em janeiro, 36,6%.
Contudo, em 2009, a arrecadação de impostos, contribuições e taxas tende a uma queda compatível com a redução do nível de atividade econômica. A nota sugere, então, reorganizar o gasto público em 2009, a partir do tipo de gasto e sua capacidade de gerar renda e emprego. O gasto com pagamento de juro, por exemplo, quase não gera renda e emprego, ao contrário dos gastos com investimentos e os gastos sociais (Bolsa Famíia, Previdência etc.).
A nota informa que o gasto social via ampliação de programas como o Bolsa Família e o Bolsa atleta tem velocidade máxima de impacto na capacidade de gerar emprego e renda. Afinal, quem recebe esse gasto transforma-o quase que imediatamente em consumo. Além disso, o consumo dessas famílias quase não contém itens importados, que ficaram mais caros com a crise econômica externa.
O documento mostra, então, que a política ideal para enfrentar a crise, do ponto de vista fiscal, é combinar a redução da taxa de juro Selic com a ampliação dos gastos sociais e dos gastos de investimentos.
A nota contou com a participação de diversos técnicos do Ipea, entre eles André de Melo Modenesi, Anna Carolina Saba dos Reis, Claudio Hamilton dos Santos, Denise Gentil, Félix Manhiça, Marcos Vinícius Leite, Mario Rubens de Mello Neto, Miguel Bruno, Renaut Michel, Roberto Messenberg e Salvador Werneck Vianna.
Acesse o texto integral da Nota Técnica.
MAIS:
Ipea defende redução da Selic para 7% até o final do ano
Segundo diretor do instituto, a medida provocaria uma redução de R$ 30 bilhões na despesa pública com juros ( Amanhã, 04.03.09 )

IPEA: Se o Meirelles fizer o grande favor de cortar os juros em 5,75% na próxima reunião do Copom, o Brasil economiza uns 40 bi!!

Ipea sugere redução gradual da taxa Selic em 2009
IPEA, 04/03/2009
Corte de 5,75 p.p. na próxima reunião do Copom economizaria R$ 43 bilhões
“É possível enfrentar a crise de uma forma contundente, fazendo algo que o mundo inteiro está fazendo: reduzindo a taxa de juros.” A afirmação foi feita pelo diretor da Diretoria de Estudos Macroeconômicos (Dimac) do Ipea, João Sicsú, ao apresentar hoje, em Brasília, a nota técnica “A gravidade da crise e a despesa de juro do governo”
Produzida pela Dimac, a nota aponta uma esperada queda de arrecadação em 2009 e sugere que “a melhor política é cortar as despesas com juros, que remunera o carregamento da dívida pública”. A redução da taxa básica de juros em 2009 traria economia de recursos públicos.
O documento analisa as expectativas empresariais de investimento diante da crise, além de apresentar projeções de economia fiscal em simulações para diferentes cenários de redução da taxa de juros.
“Cortar gastos sociais, correntes, ou de investimento significa reduzir a demanda da economia e as possibilidades de crescimento. Com menor crescimento, haverá menos arrecadação. Portanto, cortar gastos públicos cujos multiplicadores de renda e emprego são relevantes significa ampliar as dificuldades de arrecadação, criar um problema fiscal e aprofundar a crise de demanda que se instalou no setor privado da economia”, alerta João Sicsú.
Segundo o técnico do Ipea Roberto Messenberg, é possível enfrentar a crise mantendo ou ampliando os gastos do governo, sem desorganizar as finanças públicas. “Basta reduzir um ponto percentual na taxa Selic em cada uma das próximas reuniões ordinárias do Comitê de Política Monetária (Copom) e uma redução de 0,75 p.p. na reunião seguinte”, diz. Essas reduções, do patamar atual de 12,75% para 7% ao ano, economizariam R$ 30 bilhões. “Se esta redução de 5,75 p.p. ocorresse já na próxima reunião do Copom, a economia fiscal em 2009 seria de R$ 43 bilhões”, afirma.
Segundo a nota, a explicação mais plausível para a crise gravíssima da economia brasileira parece ser que os agentes econômicos estão apreensivos e, em conseqüência, tomam a decisão mais racional do ponto de vista individual: reduzem, de forma drástica, seus gastos. Por um lado, os empresários “engavetam” projetos de investimento, reduzem custos e volume de produção; por outro, os trabalhadores, temendo o desemprego, reduzem seu consumo para formar poupança motivada pela precaução. “Nesse modelo, as “profecias” se auto-realizam”, lamenta Sicsú. Em outras palavras, na expectativa de futuro adverso, diminuem-se os gastos no presente e o futuro, de fato, se torna ruim.
O documento defende que “a reação a partir da demanda governamental é o único instrumento de combate à crise que pode ser utilizado”. Mas adverte que o aumento do gasto público não é suficiente: “o gasto público deve ser ampliado com o objetivo de mudar o quadro expectacional e, por conseguinte, estimular o gasto privado”.
Segundo o Ipea, o governo tem condições orçamentárias para enfrentar a crise. A situação fiscal brasileira encontra-se muito bem equacionada. Em 2008, o déficit nominal do orçamento federal foi de apenas 1,53% do Produto Interno Bruto (PIB). A relação dívida líquida/PIB descreve uma trajetória muito favorável, tendo atingido, em janeiro, 36,6%.
Contudo, em 2009, a arrecadação de impostos, contribuições e taxas tende a uma queda compatível com a redução do nível de atividade econômica. A nota sugere, então, reorganizar o gasto público em 2009, a partir do tipo de gasto e sua capacidade de gerar renda e emprego. O gasto com pagamento de juro, por exemplo, quase não gera renda e emprego, ao contrário dos gastos com investimentos e os gastos sociais (Bolsa Famíia, Previdência etc.).
A nota informa que o gasto social via ampliação de programas como o Bolsa Família e o Bolsa atleta tem velocidade máxima de impacto na capacidade de gerar emprego e renda. Afinal, quem recebe esse gasto transforma-o quase que imediatamente em consumo. Além disso, o consumo dessas famílias quase não contém itens importados, que ficaram mais caros com a crise econômica externa.
O documento mostra, então, que a política ideal para enfrentar a crise, do ponto de vista fiscal, é combinar a redução da taxa de juro Selic com a ampliação dos gastos sociais e dos gastos de investimentos.
A nota contou com a participação de diversos técnicos do Ipea, entre eles André de Melo Modenesi, Anna Carolina Saba dos Reis, Claudio Hamilton dos Santos, Denise Gentil, Félix Manhiça, Marcos Vinícius Leite, Mario Rubens de Mello Neto, Miguel Bruno, Renaut Michel, Roberto Messenberg e Salvador Werneck Vianna.
Acesse o texto integral da Nota Técnica.
MAIS:
Ipea defende redução da Selic para 7% até o final do ano
Segundo diretor do instituto, a medida provocaria uma redução de R$ 30 bilhões na despesa pública com juros ( Amanhã, 04.03.09 )

janeiro 10, 2009

"Recaída de lucidez fará os juros caírem", por Delfim Netto

janeiro 8, 2009

"A indústria foi pro brejo", por Paulo Nogueira Batista Jr.

Peço ao leitor licença para começar hoje com uma autocitação. Bem sei que não é de bom-tom. Paciência, não vou resistir.
No dia 11 de dezembro, logo depois que o Comitê de Política Monetária do Banco Central resolveu manter os juros nas alturas, publiquei nesta coluna as seguintes observações: “Hoje, o risco dominante é a recessão – ou uma desaceleração pronunciada no caso do Brasil. (…) A política monetária brasileira está demorando a se adaptar às novas circunstâncias. Existem motivos de sobra para começar a reduzir a taxa de juro no Brasil. Acumulam-se sinais de que a economia está perdendo impulso”. As estatísticas sobre a produção industrial, divulgadas anteontem pelo IBGE, reforçam essa avaliação. O quadro é tenebroso.
“Perda de impulso” foi um understatement meu, uma pequena homenagem ao Pedro Malan, o único inglês da vida real. Segundo Nelson Rodrigues, o inglês, tal como o imaginamos, com os seus traços peculiares e inigualáveis, não existe, nunca existiu. Em Londres, não há um único e escasso inglês. Só houve uma ocasião em que apareceu um inglês por lá. Foi quando Malan desembarcou para renegociar a dívida externa brasileira.
Mas estou me desviando do tema. Os dados do IBGE foram bem piores do que se esperava. Em novembro, o setor industrial sofreu a maior queda em seu nível de produção desde maio de 1995. Na série dessazonalizada, a redução acumulada em outubro e novembro chegou a 8%. Nada menos que 21 dos 27 ramos industriais pesquisados pelo IBGE registraram queda da produção de outubro para novembro. Quase 2/3 dos 755 produtos incluídos no levantamento mostram diminuição das quantidades produzidas, algo que não se via desde o início dessa série, em janeiro de 2003. Como diria Malan, “the cow went to the swamp”.
A redução atingiu todas as categorias de uso (bens de capital, bens intermediários, bens duráveis de consumo e bens semiduráveis e não-duráveis de consumo). A produção de bens duráveis de consumo, que depende muito das vendas a crédito, caiu 20% na série com ajuste sazonal. O investimento produtivo também sofreu retração substancial. A produção de máquinas e equipamentos caiu nada menos que 12% de outubro para novembro.
A pesquisa do IBGE confirma que a indústria brasileira foi fortemente afetada pela intensificação da crise internacional desde setembro. Isso se deve, em parte, à contração do mercado externo para as empresas industriais brasileiras. Mas o principal canal de transmissão da crise parece ter sido o crédito internacional, que sofreu retração abrupta no último trimestre de 2008.
Alguns economistas já falam em recessão. A definição mais comum de recessão é a queda do PIB em dois trimestres consecutivos, isto é, duas diminuições trimestre contra trimestre na série com ajuste sazonal. Por essa definição, é bem possível que uma recessão tenha começado em outubro último.
Um teco final no Copom. Na ata referente à reunião de 28 e 29 de outubro de 2008 (sim, outubro!), lia-se o seguinte: “Os dados disponíveis referentes à atividade econômica indicam que o ritmo de expansão da demanda doméstica continua bastante robusto, respondendo, ao menos parcialmente, pela tendência de aceleração da inflação (…).
O Copom reafirma que se mantém elevada a probabilidade de que pressões inicialmente localizadas venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação”.
Clarividência a dar com o pé!
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