ENCALHE

abril 30, 2008

Juíz materializa aquilo que muita gente pensa: leitura de livros é castigo opressivo e infernal

Filed under: hackers e crackers, Justiça, leituras e livros, penas alternativas — Humberto @ 1:57 pm
Esse juiz merece um prêmio. “Obrigar” jovens – quer dizer, “jovens” é modo de falar – a ler. Imaginem só a dificuldade que terão, quando abrirem o livro e notarem que ali não existem termos como “BLZ” ou ” ;( “. Acho que, meio sem querer, o magistrado criou uma das mais perfeitas penas alternativas, e a ser implantada urgentemente.
Claro que, por exemplo, no Estado de São Paulo isso não funcionaria. Já que é fato notório que os nossos jovens – até os 30 anos – saem das escolas do PSDB sem dominar minimamente a leitura e compreensão. O que significa que tal medida seria inócua. Apesar disso, um pouco de jogo de cintura faria bem e o foco não se perderia: bastaria que algo parecido com a leitura fosse imposto aos autores de delitos leves que tenham as limitações provenientes da péssima educação tucana, mas que tenha o mesmo peso, em termos de sofrimento, dor, castigo, horror…
Quebrar pedras? Andar sobre os dois membros inferiores? Jogar xadrez? Ficar em silêncio sem proferir um chiado que seja? Deve ser igualmente extenuante, mas acho que a maioria preferirá um destes. Apenas uns 65% dos apenados preferirão a injeção ou a forca.
Juiz manda crackers lerem clássicos
Info Online
23 de abril de 2008
SÃO PAULO – Para libertar três crackers, juiz do Rio Grande do Norte exige a leitura de clássicos da literatura.
A Justiça Federal do Rio Grande do Norte (2ª vara) decidiu conceder liberdade provisória a três crackers presos no final de 2007 durante uma operação da Polícia Federal.
Os acusados, com idades de 22, 23 e 30 anos, foram presos em agosto de 2007, após a polícia denunciá-los como envolvidos em uma série de roubos de senhas e fraudes eletrônicas.
No dia 17 de abril, o juiz Mário de Azevedo Jambo decidiu acatar pedido de liberdade provisória para os jovens, sob o argumento da defesa de que possuem residência fixa e são acusados de crimes sem violência física.
Para libertá-los, no entanto, o juiz apresentou uma lista com 12 exigências, entre elas que os jovens voltem a estudar, não freqüentem LAN houses ou salas de bate-papo e voltem para casa sempre antes das 20 horas.
Entre as exigências do juiz está a determinação de que os jovens leiam clássicos da literatura brasileira e apresentem resumos, a cada dois meses, à Justiça.
Inicialmente, o juiz mandou os jovens lerem e resumirem as obras Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e Sagarana, de João Guimarães Rosa.
Para evitar que os jovens burlem a regra e apresentem cópias, terão que fazer os resumos de próprio punho.

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