BC financia a dívida dos EUA
O Brasil acumulou, até julho, US$ 148,4 bilhões em títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) e se tornou o quarto maior financiador individual do déficit norte-americano, atrás apenas de Japão (US$ 593,4 bilhões), China (US$ 518,7 bilhões) e Inglaterra (US$ 290,8 bilhões). Os números foram divulgados a partir dos Estados Unidos.
Tomados em bloco, o Brasil fica um pouco atrás dos principais países exportadores de petróleo – Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait, Omã, Catar, Venezuela, Equador, Indonésia, Bahrein, Argélia, Gabão, Líbia e Nigéria – que somam US$ 173,9 bilhões em Treasuries.
Até 2006, o Brasil era o 10º maior detentor de títulos dos EUA. Em apenas um ano, o Brasil adquiriu US$ 77,8 bi em Treasuries. “É uma ironia, mas entre dezembro de 2006 e dezembro de 2007, o Brasil comprou US$ 77,8 bilhões em títulos do Tesouro dos EUA; isso é mais do que o governo brasileiro jamais teve de pedir emprestado ao Fundo Monetário Internacional (FMI)”, afirmou o economista norte-americano Brad Setser, pesquisador do Conselho de Relações Exteriores.
Segundo dados de agosto do Banco Central, o Brasil detinha US$ 184,267 bilhões em títulos, do total de US$ 205,116 bilhões das reservas internacionais. O BC não especifica o percentual ou volume em títulos norte-americanos. Contudo, como 75% da dívida externa são vinculados ao dólar, estima-se o mesmo percentual em dólar para o lastreamento das reservas.
Ao mesmo tempo em que o Brasil aumenta sua posição de financiador do déficit norte-americano, países como Rússia e Índia fazem o caminho inverso, reduzindo sua exposição à norte-americana. A Rússia possui cerca de 45% de suas reservas atreladas ao dólar, enquanto a Índia tem menos de 40%.
O Brasil acumulou, até julho, US$ 148,4 bilhões em títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) e se tornou o quarto maior financiador individual do déficit norte-americano, atrás apenas de Japão (US$ 593,4 bilhões), China (US$ 518,7 bilhões) e Inglaterra (US$ 290,8 bilhões). Os números foram divulgados a partir dos Estados Unidos.
Tomados em bloco, o Brasil fica um pouco atrás dos principais países exportadores de petróleo – Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait, Omã, Catar, Venezuela, Equador, Indonésia, Bahrein, Argélia, Gabão, Líbia e Nigéria – que somam US$ 173,9 bilhões em Treasuries.
Até 2006, o Brasil era o 10º maior detentor de títulos dos EUA. Em apenas um ano, o Brasil adquiriu US$ 77,8 bi em Treasuries. “É uma ironia, mas entre dezembro de 2006 e dezembro de 2007, o Brasil comprou US$ 77,8 bilhões em títulos do Tesouro dos EUA; isso é mais do que o governo brasileiro jamais teve de pedir emprestado ao Fundo Monetário Internacional (FMI)”, afirmou o economista norte-americano Brad Setser, pesquisador do Conselho de Relações Exteriores.
Segundo dados de agosto do Banco Central, o Brasil detinha US$ 184,267 bilhões em títulos, do total de US$ 205,116 bilhões das reservas internacionais. O BC não especifica o percentual ou volume em títulos norte-americanos. Contudo, como 75% da dívida externa são vinculados ao dólar, estima-se o mesmo percentual em dólar para o lastreamento das reservas.
Ao mesmo tempo em que o Brasil aumenta sua posição de financiador do déficit norte-americano, países como Rússia e Índia fazem o caminho inverso, reduzindo sua exposição à norte-americana. A Rússia possui cerca de 45% de suas reservas atreladas ao dólar, enquanto a Índia tem menos de 40%.
Como este é um blog altamente democrático – a contragosto, é bom que se diga – que tal ouvirmos ( lermos ) a opinião dum desses desinteressados e patrióticos especialistas do mercado, o sr. Gustavo Franco [ que dispensa maiores comentários, ou considerações sobre seu currículo, que mostra um profissional altamente capacitado ] ?
Agência Brasil, 14.10.08
São Paulo - As medidas tomadas pelas autoridades monetárias para conter um avanço descontrolado na cotação do dólar foi avaliada como “positiva” pelo ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco. “O Banco Central tem sido cuidadoso nas intervenções, seja com relação ao câmbio ou no caso do mercado monetário”, afirmou o economista após participar da cerimônia de abertura do 3º Congresso Brasileiro de Meios de Pagamento, realizado pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).
Segundo ele, é difícil prever quando vai cessar a valorização da moeda norte-americana, que segue tendências peculiares às do sistema de câmbio flutuante. Na opinião dele, o dólar não voltará mais a R$ 1,55, como estava cotado antes da crise. O efeito econômico das medidas de oferta de câmbio é igual ao de uma intervenção, embora não “ tenha essa lógica”.
A importação é o setor que mais sofrerá com a alta cotação da moeda norte-americana. “Definitivamente ficou mais caro [importar]“, resume. “[A crise] é um choque externo e temos que cuidar da correia de transmissão. Se a gente trabalhar direito não há razão para isso se transformar numa crise doméstica”.
Sobre a medidas tomadas na pelos governos do países europeus e dos Estados Unidos, que hoje (14) anunciou a injeção de US$ 250 bilhões no sistema financeiro norte-americano, afirmou ser cedo ainda para concluir se essas ações são suficientes para garantir uma retomada mais longa da confiança dos agentes da economia, dos investidores no mercado de capitais. “Os impactos na Bolsa podem ser imediatos, mas o desenrolar dessas ações podem tomar um tempo grande”.
São Paulo - As medidas tomadas pelas autoridades monetárias para conter um avanço descontrolado na cotação do dólar foi avaliada como “positiva” pelo ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco. “O Banco Central tem sido cuidadoso nas intervenções, seja com relação ao câmbio ou no caso do mercado monetário”, afirmou o economista após participar da cerimônia de abertura do 3º Congresso Brasileiro de Meios de Pagamento, realizado pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).
Segundo ele, é difícil prever quando vai cessar a valorização da moeda norte-americana, que segue tendências peculiares às do sistema de câmbio flutuante. Na opinião dele, o dólar não voltará mais a R$ 1,55, como estava cotado antes da crise. O efeito econômico das medidas de oferta de câmbio é igual ao de uma intervenção, embora não “ tenha essa lógica”.
A importação é o setor que mais sofrerá com a alta cotação da moeda norte-americana. “Definitivamente ficou mais caro [importar]“, resume. “[A crise] é um choque externo e temos que cuidar da correia de transmissão. Se a gente trabalhar direito não há razão para isso se transformar numa crise doméstica”.
Sobre a medidas tomadas na pelos governos do países europeus e dos Estados Unidos, que hoje (14) anunciou a injeção de US$ 250 bilhões no sistema financeiro norte-americano, afirmou ser cedo ainda para concluir se essas ações são suficientes para garantir uma retomada mais longa da confiança dos agentes da economia, dos investidores no mercado de capitais. “Os impactos na Bolsa podem ser imediatos, mas o desenrolar dessas ações podem tomar um tempo grande”.
E o setor chamado “produtivo”, o que acha do Meirelles? Vejamos o que disse Paulo Skaf, em entrevista à Folha de São Paulo [ lembrando que os grifos que surgirem são meus ]. O título da matéria não corresponde exatamente às palavras de Skaf. Quer dizer, não deveria ser esse o destaque [ a flexibilização do chamado "compulsório dos bancos" ], já que o presidente da FIESP insiste, em mais de uma vez nesse texto, que o que precisa mesmo é reduzir os juros:
Entrevista: Fiesp pressiona bancos para liberar crédito
Segundo Paulo Skaf, presidente da entidade, crise financeira chegou à indústria e pode adiar novos aportes do setor. “Esse susto faz com que todo mundo repense seus planos”, afirma
Nos últimos dias, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, tem conversado quase que diariamente com Henrique Meirelles, presidente do Banco Central (BC). O objetivo é acompanhar a situação do crédito no País, uma das grandes preocupações da indústria. Desde que paralisou o crédito no Brasil, em razão da crise financeira global, a indústria, segundo Skaf, passou a “repensar” (ele evita a palavra adiar) seus planos de novos investimentos. O presidente da Fiesp diz que a normalização do crédito é fundamental para a retomada dos projetos. Para Skaf, o BC tem adotado medidas corretas para incentivar a retomada do crédito, ao flexibilizar o compulsório. A responsabilidade agora é dos bancos. “Será uma enorme irresponsabilidade dos bancos se eles dormirem em cima desse dinheiro do compulsório”, diz. Apesar do elogio, Skaf não deixa de criticar o Banco Central pelos juros altos. Foram as taxas elevadas, a seu ver, que levaram muitas empresas a fazer apostas de alto risco no mercado de derivativos de dólar. As empresas acreditaram que o dólar iria continuar desvalorizado por muito mais tempo. “O Banco Central que eu critico é o dos juros altos.”
Nos últimos dias, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, tem conversado quase que diariamente com Henrique Meirelles, presidente do Banco Central (BC). O objetivo é acompanhar a situação do crédito no País, uma das grandes preocupações da indústria. Desde que paralisou o crédito no Brasil, em razão da crise financeira global, a indústria, segundo Skaf, passou a “repensar” (ele evita a palavra adiar) seus planos de novos investimentos. O presidente da Fiesp diz que a normalização do crédito é fundamental para a retomada dos projetos. Para Skaf, o BC tem adotado medidas corretas para incentivar a retomada do crédito, ao flexibilizar o compulsório. A responsabilidade agora é dos bancos. “Será uma enorme irresponsabilidade dos bancos se eles dormirem em cima desse dinheiro do compulsório”, diz. Apesar do elogio, Skaf não deixa de criticar o Banco Central pelos juros altos. Foram as taxas elevadas, a seu ver, que levaram muitas empresas a fazer apostas de alto risco no mercado de derivativos de dólar. As empresas acreditaram que o dólar iria continuar desvalorizado por muito mais tempo. “O Banco Central que eu critico é o dos juros altos.”
Folha de S. Paulo: A crise econômica já desembarcou na indústria?
Paulo Skaf: É inconteste que há uma gravíssima crise mundial. É inconteste que esse problema no sistema financeiro, que começou nos Estados Unidos, já contaminou outras partes do mundo. É inconteste, também, que, ao longo desta última década, muitos países se alavancaram muito, com crescimentos de 8%, 9% ao ano. Só que essa não foi a realidade do Brasil. Nós tivemos um custo ao longo desses últimos anos, o de termos juros altos, o custo de termos pouco crédito. Enquanto outros países tinham 100% de crédito sobre o Produto Interno Bruto (PIB), o nosso era de 25% sobre o PIB. A realidade do Brasil é outra. Por isso, o Brasil ainda não sentiu a crise na mesma intensidade de outros países. Até a semana passada, a indústria continua apresentando um bom desempenho. O mês de setembro inclusive foi muito positivo. O que posso dizer é que a situação das empresas e do sistema financeiro, pelo menos até a semana passada, era normal. O Brasil construiu uma casa de tijolo e não de palha.
Paulo Skaf: É inconteste que há uma gravíssima crise mundial. É inconteste que esse problema no sistema financeiro, que começou nos Estados Unidos, já contaminou outras partes do mundo. É inconteste, também, que, ao longo desta última década, muitos países se alavancaram muito, com crescimentos de 8%, 9% ao ano. Só que essa não foi a realidade do Brasil. Nós tivemos um custo ao longo desses últimos anos, o de termos juros altos, o custo de termos pouco crédito. Enquanto outros países tinham 100% de crédito sobre o Produto Interno Bruto (PIB), o nosso era de 25% sobre o PIB. A realidade do Brasil é outra. Por isso, o Brasil ainda não sentiu a crise na mesma intensidade de outros países. Até a semana passada, a indústria continua apresentando um bom desempenho. O mês de setembro inclusive foi muito positivo. O que posso dizer é que a situação das empresas e do sistema financeiro, pelo menos até a semana passada, era normal. O Brasil construiu uma casa de tijolo e não de palha.
Folha: Mas a crise já mostrou a cara no Brasil.
Skaf: Sim, era inevitável, até porque o sistema financeiro é todo interligado. Nós já começamos a sentir a crise, mas não na demanda. Nesses últimos 15 dias, o problema não foi de queda de demanda, mas de redução do crédito. É evidente que essa queda do crédito, que já foi sentida, se não forem tomadas providências, pode provocar um travamento na economia.
Skaf: Sim, era inevitável, até porque o sistema financeiro é todo interligado. Nós já começamos a sentir a crise, mas não na demanda. Nesses últimos 15 dias, o problema não foi de queda de demanda, mas de redução do crédito. É evidente que essa queda do crédito, que já foi sentida, se não forem tomadas providências, pode provocar um travamento na economia.
Folha: Mas as empresas já estão cancelando investimentos.
Skaf: Com essa queda do crédito, os juros mais elevados e o encurtamento dos prazos de financiamento, tudo isso provocou um susto na indústria. Esse susto faz com que todo mundo repense seus planos. Quem tem um novo projeto, uma ampliação, vai aguardar um pouco os acontecimentos. Já os investimentos em andamento continuam evoluindo, pelo menos até o presente momento. É um momento de indefinição. O que aconteceu nas últimas semanas foi um travamento do crédito. O Banco Central tem ferramentas para corrigir esse problema.
Skaf: Com essa queda do crédito, os juros mais elevados e o encurtamento dos prazos de financiamento, tudo isso provocou um susto na indústria. Esse susto faz com que todo mundo repense seus planos. Quem tem um novo projeto, uma ampliação, vai aguardar um pouco os acontecimentos. Já os investimentos em andamento continuam evoluindo, pelo menos até o presente momento. É um momento de indefinição. O que aconteceu nas últimas semanas foi um travamento do crédito. O Banco Central tem ferramentas para corrigir esse problema.
Folha: O Banco Central está usando as ferramentas corretas?
Skaf: O Banco Central agiu, sim, corretamente ao liberar parte do compulsório tanto para ajudar os bancos de pequeno porte como também para irrigar o crédito. O que não pode acontecer é o setor financeiro dormir em cima desses recursos e não repassá-los para o mercado. Seria uma irresponsabilidade muito grande dos bancos. Mas nós estamos acompanhando. Nos últimos dez dias, tenho tido diariamente contato com o presidente do Banco Central (Henrique Meirelles). Você sabe que eu não sou um tradicional admirador do Banco Central. Sou, aliás, um crítico, principalmente, dessa política de juros muito elevados, mas, neste momento, o Banco Central está tomando medidas certeiras.
Skaf: O Banco Central agiu, sim, corretamente ao liberar parte do compulsório tanto para ajudar os bancos de pequeno porte como também para irrigar o crédito. O que não pode acontecer é o setor financeiro dormir em cima desses recursos e não repassá-los para o mercado. Seria uma irresponsabilidade muito grande dos bancos. Mas nós estamos acompanhando. Nos últimos dez dias, tenho tido diariamente contato com o presidente do Banco Central (Henrique Meirelles). Você sabe que eu não sou um tradicional admirador do Banco Central. Sou, aliás, um crítico, principalmente, dessa política de juros muito elevados, mas, neste momento, o Banco Central está tomando medidas certeiras.
Folha: E se os bancos não reativarem o crédito?
Skaf: Nós vamos pressionar, mas, se isso não acontecer, o Governo pode tomar providências. Os bancos oficiais, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, terão a obrigação maior, nesse momento, de atender o mercado. Creio que haverá sensibilidade por parte do sistema financeiro. Os bancos não vão deixar esse travamento do crédito continuar.
Skaf: Nós vamos pressionar, mas, se isso não acontecer, o Governo pode tomar providências. Os bancos oficiais, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, terão a obrigação maior, nesse momento, de atender o mercado. Creio que haverá sensibilidade por parte do sistema financeiro. Os bancos não vão deixar esse travamento do crédito continuar.
Folha: As medidas do BC são suficientes para corrigir o problema da restrição do crédito?
Skaf: Ninguém conhece o tamanho do problema. Por isso, não dá para dizer se são ou não suficientes. O que se tem que ter é a disposição para tomar as medidas necessárias.
Skaf: Ninguém conhece o tamanho do problema. Por isso, não dá para dizer se são ou não suficientes. O que se tem que ter é a disposição para tomar as medidas necessárias.
Folha: Como o senhor analisa essas perdas das empresas por investimentos de alto risco em derivativos de câmbio?
Skaf: Normalmente, empresas que operam assim não são pequenas nem médias. São de maior porte, mas é muito difícil ter uma avaliação mais clara de quais e quantas foram as que fizeram isso. Só saberemos ao longo dos próximos dias ou semanas. O reflexo disso é a pressão sobre o dólar, que tende a acabar quando as empresas fecharem suas posições. Neste momento, o dólar tenderá a cair.
Skaf: Normalmente, empresas que operam assim não são pequenas nem médias. São de maior porte, mas é muito difícil ter uma avaliação mais clara de quais e quantas foram as que fizeram isso. Só saberemos ao longo dos próximos dias ou semanas. O reflexo disso é a pressão sobre o dólar, que tende a acabar quando as empresas fecharem suas posições. Neste momento, o dólar tenderá a cair.
Folha: As empresas não se arriscaram demais?
Skaf: Se houve uma operação de risco? Operação de risco a empresa é que fez. Ela tem uma possibilidade de ganho ou de perda e, possivelmente, em outros momentos, pode ter tido ganhos. Agora, está perdendo.
Skaf: Se houve uma operação de risco? Operação de risco a empresa é que fez. Ela tem uma possibilidade de ganho ou de perda e, possivelmente, em outros momentos, pode ter tido ganhos. Agora, está perdendo.
Folha: Mas o dólar a R$ 2,30 pode ter conseqüências graves para toda a economia. Skaf: Espera um pouco. Ninguém tem uma bola de cristal para saber como ficará o dólar nos próximos seis meses. Até poucas semanas atrás, o dólar a R$ 1,60 apavorava todo o mercado. Todo mundo dizia que o real estava sobrevalorizado e traria prejuízo à competitividade brasileira. Mas, agora, neste momento de poeira no ar, não se pode fazer uma análise detalhada. Tem que esperar a poeira baixar. Com US$ 207 bilhões em reservas, o Banco Central tem condições de enfrentar esse jogo. Assim como o dólar pode subir, também pode cair.
Folha: O que levou as empresas a realizarem essas operações?
Skaf: Esse é o tipo da pergunta que tem que ser feita individualmente à empresa. Talvez as empresas não acreditassem numa desvalorização do real tão cedo. Talvez também por estarem perdendo no câmbio valorizado e confiando na sobrevalorização do real por mais tempo, tentaram gerar algum ganho paralelo.
Skaf: Esse é o tipo da pergunta que tem que ser feita individualmente à empresa. Talvez as empresas não acreditassem numa desvalorização do real tão cedo. Talvez também por estarem perdendo no câmbio valorizado e confiando na sobrevalorização do real por mais tempo, tentaram gerar algum ganho paralelo.
Folha: O senhor acha que elas acreditaram também que os juros altos iriam manter o dólar baixo por muito tempo?
Skaf: Sim, acreditaram muito nos juros altos. Algumas pessoas ou algumas empresas apostaram que essa desvalorização do real não aconteceria. Sem dúvida, isso pode ter sido um fator.
Skaf: Sim, acreditaram muito nos juros altos. Algumas pessoas ou algumas empresas apostaram que essa desvalorização do real não aconteceria. Sem dúvida, isso pode ter sido um fator.
Folha: O Banco Central então tem sua parcela de culpa?
Skaf: Veja bem, vamos separar. O Banco Central que eu critico é o dos juros altos. Os últimos aumentos do Copom, por exemplo, foram errados. Nós tínhamos uma inflação provocada por aumentos de preços agrícolas, tanto é que, quando os preços das commodities agrícolas baixaram, a inflação baixou, e, mesmo assim, o Banco Central subiu os juros. Subir juros no Brasil é só aumentar gasto público. Folha: Se o Banco Central baixar os juros, isso não pode complicar ainda mais a situação dessas empresas?
Skaf: O Copom tem três semanas, muitos dias pela frente. Nada como um dia atrás do outro. Até lá tem que matar um leão por dia. Num momento como esse, o Banco Central tem que baixar os juros.
Skaf: Veja bem, vamos separar. O Banco Central que eu critico é o dos juros altos. Os últimos aumentos do Copom, por exemplo, foram errados. Nós tínhamos uma inflação provocada por aumentos de preços agrícolas, tanto é que, quando os preços das commodities agrícolas baixaram, a inflação baixou, e, mesmo assim, o Banco Central subiu os juros. Subir juros no Brasil é só aumentar gasto público. Folha: Se o Banco Central baixar os juros, isso não pode complicar ainda mais a situação dessas empresas?
Skaf: O Copom tem três semanas, muitos dias pela frente. Nada como um dia atrás do outro. Até lá tem que matar um leão por dia. Num momento como esse, o Banco Central tem que baixar os juros.
(Fonte: Folha de S. Paulo – 12/10/2008)
“TÁ RUIM PRA TODOS, MAS TÁ BOM PRA OUTROS”:
Encarecimento do crédito e projeções de crescimento mais modestas não farão companhias reduzirem investimentos. Disparada do dólar aumenta a competitividade de empresas exportadoras.
Mudei de idéia sobre não falar nada sobre a biografia do Gustavo Franco. Um pouco de informação não faz mal, né?:
Reportagem de capa da revista “Carta Capital” da última semana mostra que presidentes e diretores do Banco Central durante o desgoverno tucano de Fernando Henrique Cardoso alcançaram fortunas depois de suas passagens pelo serviço público. Responsáveis por políticas como as de “flexibilização” cambial, vinculação de quase toda a dívida pública ao dólar antes do estouro e outras medidas que quase destruíram a economia nacional em benefício dos especuladores estrangeiros, esses senhores, antes de ter contato com a instituição pública, levavam vidas relativamente modestas, como professores universitários ou funcionários menores de bancos. Como descreve a reportagem, “se beneficiam agora por normas por eles criadas”.
Antes de presidir o BC entre 1997 e 1999, Gustavo Franco era professor da PUC-RJ. Depois de passar pelo BC, tornou-se sócio da Rio Bravo Investimentos, empresa de consultoria que administra cerca de R$ 2 bilhões. Também professor da PUC-RJ, Pérsio Arida presidiu o BC de janeiro a junho de 1995. Depois tornou-se sócio do Opportunity, junto com Daniel Dantas, e dirige o “Instituto de Estudos de Política Econômica Casa das Garças”, um antro neoliberal que tem entre seus patrocinadores André Lara Resende, Armínio Fraga e Edmar Bacha.
Gustavo Loyola, – presidente do BC entre junho de 1995 e agosto de 1997 – dava aulas na FGV-SP. Depois de ocupar o mais alto cargo do BC tornou-se sócio de Mailson da Nóbrega na Tendências Consultoria Integrada. Ganha a vida vendendo “análises e informações” para o mercado financeiro.
Já Armínio Fraga [ leia aqui, matéria na IstoÉ Dinheiro desta semana, com o Armínio; um porém: se não me engano, o negócio com a Droga Raia estaria dependendo dum aceno do BNDES à rede de farmácias; mas é coisa de especialista, fica o registro ] fez um estágio com o mega especulador George Soros antes de ir para o BC. Era diretor-gerente do Soros Fund Management. Presidente do BC entre março de 1999 e janeiro de 2003, atualmente é acionista da Gávea Investimentos, administrando cerca de R$ 6 bilhões. Além disso, sua “experiência” o elevou a membro do Conselho de Administração do Unibanco. Recentemente tornou-se sócio das operações da rede MC Donald´s na América Latina e da Corporação Interamericana de Entretenimento, dona do Credicard Hall e outras casas de shows.
Lara Resende, que foi diretor de Dívida Pública do BC. Hoje administra recursos de afortunados como Athina Onassis e dedica-se a competições de hipismo e criação de cavalos puro-sangue. Como descreveu o jornalista Luis Nassif à “Carta Capital”, ele “conseguiu o objetivo dele. Ficou milionário e passou a realizar desejos juvenis”.
Antes de presidir o BC entre 1997 e 1999, Gustavo Franco era professor da PUC-RJ. Depois de passar pelo BC, tornou-se sócio da Rio Bravo Investimentos, empresa de consultoria que administra cerca de R$ 2 bilhões. Também professor da PUC-RJ, Pérsio Arida presidiu o BC de janeiro a junho de 1995. Depois tornou-se sócio do Opportunity, junto com Daniel Dantas, e dirige o “Instituto de Estudos de Política Econômica Casa das Garças”, um antro neoliberal que tem entre seus patrocinadores André Lara Resende, Armínio Fraga e Edmar Bacha.
Gustavo Loyola, – presidente do BC entre junho de 1995 e agosto de 1997 – dava aulas na FGV-SP. Depois de ocupar o mais alto cargo do BC tornou-se sócio de Mailson da Nóbrega na Tendências Consultoria Integrada. Ganha a vida vendendo “análises e informações” para o mercado financeiro.
Já Armínio Fraga [ leia aqui, matéria na IstoÉ Dinheiro desta semana, com o Armínio; um porém: se não me engano, o negócio com a Droga Raia estaria dependendo dum aceno do BNDES à rede de farmácias; mas é coisa de especialista, fica o registro ] fez um estágio com o mega especulador George Soros antes de ir para o BC. Era diretor-gerente do Soros Fund Management. Presidente do BC entre março de 1999 e janeiro de 2003, atualmente é acionista da Gávea Investimentos, administrando cerca de R$ 6 bilhões. Além disso, sua “experiência” o elevou a membro do Conselho de Administração do Unibanco. Recentemente tornou-se sócio das operações da rede MC Donald´s na América Latina e da Corporação Interamericana de Entretenimento, dona do Credicard Hall e outras casas de shows.
Lara Resende, que foi diretor de Dívida Pública do BC. Hoje administra recursos de afortunados como Athina Onassis e dedica-se a competições de hipismo e criação de cavalos puro-sangue. Como descreveu o jornalista Luis Nassif à “Carta Capital”, ele “conseguiu o objetivo dele. Ficou milionário e passou a realizar desejos juvenis”.
Ultima Instância, 28.04.08
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes [ Ele!! ], determinou o arquivamento de duas ações de reparação de danos por improbidade administrativa ajuizadas pelo Ministério Público Federal, na 20ª e na 22ª Varas Federais do Distrito Federal, contra os ex-ministros da Fazenda Pedro Malan; do Planejamento, Orçamento e Gestão José Serra e da Casa Civil Pedro Parente, além de ex-presidentes e diretores do Banco Central ( Continua… )
07/02/2006
A questão da transferência das contas públicas do Banco Itaú para o Banco do Brasil e os detalhes envolvendo a privatização do Banestado foram temas da reunião semanal da Escola de Governo desta terça-feira, no auditório do Museu Oscar Niemeyer, comandada pelo governador Roberto Requião. O secretário do Planejamento e Coordenação Geral, Reinhold Stephanes, e o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, foram os expositores.
Ao abrir o encontro, o governador Requião lembrou que durante o processo de privatização dos bancos públicos, o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, editou uma Medida Provisória pela qual autorizava que nos leilões de privatização a gestão das contas públicas fosse transferida para os bancos vencedores por um período de cinco anos. A MP contrariava a Constituição Federal, que determina que somente os bancos públicos podem gerir as contas da União, estados e municípios.
Contrato - No entanto, em outubro de 2002, quando a eleição do atual governador já estava definida, o então governador Jaime Lerner assinou um acordo com o Itaú, prorrogando o contrato por mais cinco anos, mesmo faltando quase três anos para o fim da vigência do primeiro contrato. Com isso, o Itaú conseguiu assegurar o contrato por oito anos. De acordo com Requião, além de comprar o Banestado por um valor abaixo do real, o Itaú ficou com um patrimônio extremamente rentável, que é a gestão das contas dos servidores. “Bancos privados ofereceram R$ 1 bilhão para administrar essas contas e o Itaú as obteve por R$ 80 milhões”, denuncia.
Para evitar polêmica, o atual governo resolveu esperar que vencessem os cinco anos iniciais e depois declarou a nulidade da prorrogação por mais cinco anos, transferindo as contas do Governo do Estado para o Banco do Brasil. A retaliação do Itaú foi imediata, ao mandar executar, da noite para o dia, a cobrança de precatórios de Alagoas, Guarulhos, Osasco, Pernambuco e Santa Catarina no valor que hoje chega a R$ 1 bilhão. Esses títulos foram federalizados pelo governo FHC e assumidos pelo governador Jaime Lerner, pressionado pelo Banco Central.
Multa mensal - Uma sentença do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, e outra decisão do Tribunal de Justiça do Estado, foram favoráveis ao Governo do Paraná, mas uma nova decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região determinou a manutenção do contrato das contas do Estado com o Banco Itaú. Com isso, o Paraná está pagando uma multa mensal, aplicada pela Secretaria do Tesouro Nacional, no valor de R$ 7,5 milhões, sem contar a retenção de R$ 39,1 milhões do Fundo de Participação dos Estados desde dezembro de 2004. “Se prosseguir nesse ritmo, serão R$ 80 milhões por ano”, alerta Requião, que na última semana conversou com o presidente Lula, em Brasília, solicitando uma solução do Governo Federal. “Não se negocia o interesse público; cumpre-se a Constituição”, justifica o governador.
Corrupção - O secretário Reinhold Stephanes, do Planejamento, iniciou sua exposição lembrando que acompanhou de perto a privatização do Banestado, pois foi indicado para comandar o processo de saneamento do banco antes de sua venda. Segundo ele, de 1995 a 1998 foi o período que concentrou a grande parte das irregularidades no banco, época em que também começaram a vir a público as dificuldades financeiras da instituição. “Mais da metade das operações financeiras realizadas entre 1995 e 1998 eram irregulares e boa parte apresentava altos indícios de corrupção”, revela.
Entre os vários exemplos de irregularidades constatadas, Stephanes cita o desvio de mais de R$ 300 milhões do Banestado Leasing para empréstimos a grupos políticos de Sergipe e a grupos frotistas, sem garantia. Ele também lembra de recursos para a construção de um shopping no interior do Estado cuja garantia era o próprio shopping, tudo sem contrato registrado. “Uma grande loja nacional de departamentos recebeu empréstimo de R$ 35 milhões quando o Banestado já estava em processo de pré-falência”, denuncia o secretário do Planejamento.
Precatórios - Quanto aos precatórios, Stephanes lembra que a Secretaria do Tesouro Nacional, o Banco Central e o Senado aprovaram que Guarulhos, Osasco, Pernambuco, Alagoas e Santa Catarina emitissem esses títulos para o pagamento de dívidas e o Banestado, que já estava em processo de pré-falência, teve que adquiri-los no valor de R$ 500 milhões. Assim, o Paraná teve que assumir esses precatórios com a promessa de pagar ao Banestado, dando ações da Copel como garantia, mesmo sabendo que o Estado não poderia honrar esse compromisso.
Hoje, os títulos valem R$ 1 bilhão. Alagoas fez um acordo com o Governo Lerner e pagou R$ 170 milhões, mas o Paraná ficou devendo para o Itaú o valor de face mais as taxas que incidiam sobre ele.“O Paraná não pode honrar essa dívida, quer pelo histórico do caso, quer pelo volume dessa dívida, quer pelas ações judiciais que estão tramitando”, afirma Stephanes. Segundo ele, a solução é simples e técnica, podendo ser negociada pela Secretaria do Tesouro Nacional, pela Secretaria de Fazenda do Estado e todos os demais envolvidos.
Contas CC5 - Durante seu relato, Stephanes lembrou que outras duas preocupações na época eram as chamadas contas CC5 e a abertura de contas fantasmas para lavagem de dinheiro. Os primeiros sinais de dificuldades financeiras do Banestado apareceram em 96, mas foram “maquiadas” no balanço do banco, conta o secretário, criticando o Banco Central pela falta de fiscalização.
A situação se agravou em 97, quando o Banestado começou a operar no interbancário e os prejuízos tornaram-se públicos. Foi quando começaram as negociações para a privatização. “O Banco Central impôs que o Governo do Estado injetasse 50% dos recursos necessários para recuperar o banco ou que a instituição fosse privatizada”, conta.
Má administração - Em junho de 1998 o Estado assinou o acordo de privatização, mas nem o Banco Central, nem o Ministério da Fazenda aceitavam que os administradores do Banestado permanecessem. Em janeiro de 1999, Stephanes recebeu a proposta para sanear o banco até que ficasse em condições de ser privatizado. Ele conta que em 1999 e no primeiro semestre de 2000 o banco deu lucro, o que leva à conclusão de que era mal administrado.
No processo de privatização, havia muitas instituições interessadas na compra, inclusive estrangeiras. “Nossa intenção era esperar um pouco mais para que pudéssemos obter ofertas melhores. No entanto, o Governo do Estado tinha pressa e tudo foi aprovado rapidamente”.
Escândalos - O secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, que na época atuava na Promotoria do Patrimônio Público, conta que investigou 20 operações da Banestado Leasing e descobriu uma série de irregularidades. Entre elas, um empréstimo no valor de US$ 4 milhões, sem garantia, a uma empresa que já tinha falência decretada.
O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, relata que a gestão do Banestado tornou-se desastrosa a partir da saída do governador Roberto Requião do Governo para concorrer ao Senado, em abril de 1994. O então presidente do Banco Central, Gustavo Franco, havia editado uma resolução que tornava o câmbio livre, sem fiscalização.“O Banestado passou a se envolver em escândalos diários, que incluíam o Bando Del Paraná e as agências de Nova York e das Ilhas Caimã”, lembra. A situação obrigou o Congresso a editar uma lei contra a lavagem de dinheiro e o Banco Central foi obrigado a alterar a resolução anterior, tentando moralizar as operações de câmbio.
Inconstitucionalidade - O banco foi se deteriorando e a privatização tornou-se inevitável. “A União condicionou a liberação de recursos – de R$ 3,8 bilhões – para sanear o Banestado, ao encerramento das operações das agências das Ilhas Caimã, de Nova York e do Banco Del Paraná”, relembra o procurador. O banco acabou sendo vendido ao Itaú por R$ 1,4 bilhão, sendo que os critérios de avaliação são discutidos judicialmente até hoje.
Sobre a gestão das contas do Governo, Botto de Lacerda explica que, em janeiro de 2003, ao tomar posse, o governador Roberto Requião ajuizou uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal sobre a gestão das contas pelo banco adquirente do Banestado. Também requereu a inconstitucionalidade de uma Medida Provisória editada por FHC, pela qual se considerava banco federal toda instituição financeira privada que adquirisse uma instituição pública. Até hoje não houve parecer.
Funbep - O procurador revelou, ainda, que recentemente tomou conhecimento de um passivo de R$ 300 milhões do Banestado para com a Fundação Banestado (Funbep) que não foi repassado pelo Itaú, como teria sido acordado. O secretário Reinhold Stephanes esclareceu que havia um déficit de R$ 600 milhões relativos a pensões e aposentadorias de ex-funcionários, e que R$ 300 milhões deveriam ser pagos pelo Itaú.Segundo ele, os aposentados não precisam se preocupar porque continuarão recebendo seus proventos normalmente. “Os prejudicados”, afirma, “foram os seis mil funcionários demitidos que receberam apenas 1/3 do que tinham no fundo, deixando os outros 2/3”. Stephanes aconselha a esses ex-funcionários demitidos que recorram à justiça para receber o que falta.
Finalizando sua exposição, o procurador-geral do Estado afirmou que o que se quer é a responsabilização da União e do Banco Central pelo método utilizado na privatização, que rendeu um grande passivo ao Estado do Paraná.
Mauro Santayana, Carta Maior, 23.07.03
O longo depoimento de Gustavo Franco na CPI do Banestado foi cínico desfiar de mentiras e revelou que a permissão ao envio de remessas via CC5 violou todas as normas legais sobre o assunto, principalmente a Lei que criou o Real. ( Continua… )

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