ENCALHE

junho 1, 2008

Comunidade cubano-americana rompe com idéias de extremistas gusanos, e querem que tropas dos EUA deixem o Iraque

Muda o perfil da comunidade cubana nos EUA
Newton Carlos , especial para a Folha
27/05/2008
Os votos hispânicos podem somar 11% do eleitorado nas eleições presidenciais de novembro nos EUA, bem mais do que os 6% de 2000.
Os cubano-americanos compõem um segmento expressivo não só numericamente. Têm poder político na Flórida, um grande Estado, e estão envolvidos com um dos itens mais tumultuados da política externa americana. Razões pelas quais Barack Obama falou sobre América Latina à sombra da Fundação Nacional Cubano-Americana, em Miami, na última sexta, ao que parece sem levar em conta fatores e novidades importantes.
Essa fundação, de início embalada pelo assessor de segurança nacional do governo Reagan (1981-89) Richard Allen, virou um lobby anti-Castros intolerante e truculento, com peso em Washington. Seu criador, Jorge Más Canosa, após longo reinado como um construtor da agenda cubana do Departamento de Estado, morreu decadente não faz muito.
Mas muda o perfil da comunidade cubana nos EUA, em tom dissonante com a velha guarda de exilados. Aumentaram de 40% para 65%, desde 1991, os cubano-americanos favoráveis ao diálogo com o regime comunista, segundo a Universidade Internacional da Flórida. Supõe-se que o percentual favorável a uma “acomodação” continue a crescer.
Um especialista em pesquisas do partido Democrata, Sergio Bendixon, convenceu-se de que exilados jovens dão importância secundária a Cuba. Estão mais preocupados com educação, cobertura médica e imigração.
São transformações que botam roupagem nova num segmento importante do eleitorado. Mais surpreendente foi o que constataram pesquisadores democratas num distrito de Miami repleto de cubanos: acabar com o regime comunista figura em sexto lugar entre as preocupações levantadas. Sair do Iraque está em primeiro.
Em discurso em outubro sobre Cuba, Bush ignorou as transformações e usou a retórica repetitiva de chamar Cuba de “gulag tropical”.
“Se alguma coisa é capaz de reviver Fidel Castro, essa coisa seria a fala de Bush”, disse Michael Shifter, do Inter-American Dialogue, de Washington. São realimentados confrontos desgastados. A comunidade se volta mais para questões internas.
O advogado cubano-americano Otto de Córdoba, 51, votou duas vezes em Bush e se disse frustrado com sua incompetência na Guerra do Iraque e no furacão Katrina.
Bush também calcula mal o apoio de dissidentes na ilha. Oswaldo Payá, um dos que têm maior potencial de liderança, tem buscado deixar claro que a oposição interna não aceita interferência na transição. Antes do discurso de Bush, Payá disse que é tempo de os governos em Cuba e nos EUA ouvirem o que quer o povo cubano.
O jornalista NEWTON CARLOS é analista de questões internacionais.

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