ENCALHE

julho 26, 2007

Por isso é que não dá para confiar automaticamente nos números.

Filed under: carga tributária, Estado, Governo, imprensalão — Humberto @ 7:33 pm
No caderno Dinheiro da Folha ( 19 de Julho ) tem a seguinte manchete: “Arrecadação cresce 10% e bate recorde no 1º. semestre”
Menos mal que tenham empregado o termo “arrecadação”. Geralmente é “carga tributária” ou “impostos”.
Depois, vem aquele sub-título: “Receita arrecadou R$ 284,5 bi entre janeiro e junho, R$ 5 bi a mais que o previsto”.
Vamos dar uma repassada na matéria, para sabermos como esse governo horroroso conseguir pilhar mais um pouco do nosso suado dinheirinho:
“O resultado é atribuído a decisões judiciais a favor do governo ( … ) e aumento da venda do controle acionário de empresas.”
[ E ainda vem um Zé Ruela me criticar no outro blog - o ENCALHE, para quem ainda não sabe - , apontando meus erros de concordância e gramática...
Olhem o que passou pelos redatores do jornal: "aumento da venda do controle acionário..."?
Não bastaria o jornal ter escrito apenas "VENDA DO CONTROLE", mesmo que o governo tenha obtido com essas transações, um valor maior que no mesmo período de 2006 ( cerca de 186% maior )? Ou talvez eles quisessem aproveitar o tema, e tascar justamente a palavra"aumento" , só para reforçar aquela impressão de "voracidade do governo", mesmo que o sentido seja outro; bem, chega de gramática ou seja-lá-o-quê. ]
Sem entrar no mérito da “venda do controle acionário de empresas” efetuado pelo governo, já que isso não soa nada bem, o principal – para mim, claro – é que essa “arrecadação” se deu, em grande parte, devido a sentenças judiciais favoráveis aos cofres federais.
Como disse um funcionário da Receita, são pontos poderão não se repetir.
Também aparece, no artigo, a opinião de um professor da UnB para quem esses dados mostram o aumento da carga tributária, este ente ainda difícil de definir, obscuro e onipresente na vida do cidadão.
Como sempre, acabei me lembrando de um escrito, não sei se de Aloysio Biondi ou de Paulo Nogueira Batista Jr, que lembrava a participação dos impostos e receitas arrecadados, porém geradas pelo próprio Estado, mas que não costumam ser levados em conta quando se fala em “aumento da carga”, tomado simplesmente pela média.

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