ENCALHE

agosto 29, 2009

Requião detona: "O Serra tem obsessão pelo poder. Quer ser presidente para entregar o pré-sal?". E completa: "Lula foi um avanço pro Brasil."

Adoro esse cara, o Roberto Requião. Mas, as frases que eu pus no título deste post não foram muito contundentes, apesar de figurarem na entrevista que o Requião deu ao Carlos Chagas. Ou seja: ele disse, sim que o Serra tem obsessão pelo poder, mas também disse que o Serra é “seu amigo pessoal”. Eu apenas apresentei a frase de modo a parecer mais forte e chamar a atenção de vocês, meus caros e escassos leitores. E, os elogios a Lula, são bem sinceros. Requião é aliado do Lula de primeira linha e, se deu nota 6 ou 7 pro presidente, suas razões merecem ser conhecidas e compreendidas.
Requião defende frente de esquerda para a sucessão do presidente Lula
21/08/2009
O governador Roberto Requião defendeu a união de partidos e políticos nacionalistas e de esquerda em torno de um programa de governo que mantenha e aprofunde os avanços obtidos nos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Não (é hora de) falar em nomes de candidatos, mas num programa”, disse Requião ao jornalista Carlos Chagas, em entrevista ao programa Falando Francamente, exibido nesta sexta-feira (21) pela TV Paraná Educativa.
“Que nota daríamos para o presidente? Seis ou sete, em relação ao que eu esperava que ele fizesse, mas, se comparado aos antecessores, ganha dez. Lula foi um avanço para o Brasil”, argumentou Requião. “A elaboração de um programa para o Brasil é muito mais importante do que buscar espaços pessoais. o Brasil é muito mais importante que nossas aventuras pessoais na política.” Na entrevista, gravada em Brasília, o governador também analisou o papel do PMDB na política brasileira — “ele se tornou partido congressual, uma federação de divergências” — e a crise no Senado. “Os responsáveis são os 81 senadores. Sarney não é o único responsável pelos absurdos do Senado, que também se encontram na Câmara, em cada Assembleia Legislativa, em cada Câmara de Vereadores do Brasil. Mas você já reparou que ninguém fala da Câmara dos Deputados?”, questionou Requião.
O governador também fez um balanço da situação do Paraná e falou sobre a sucessão no Estado.
Leia os principais trechos da entrevista.
O GOVERNO LULA
Que nota daríamos para o presidente? Seis ou sete, em relação ao que eu esperava que ele fizesse, mas, se comparado aos antecessores, ganha dez. Lula foi um avanço para o Brasil. A eleição de um trabalhador, metalúrgico, um homem que veio do Nordeste, do campo, foi sindicalista, e que tomou muitas medidas diferentes do dependentismo de Fernando Henrique Cardoso. Que não me venham com conversa mole. O governo do presidente Lula foi um avanço, ainda que não o que eu gostaria. Gosto muito do Lula. Ele tinha, e ainda tem, a característica gramsciana de intelectual das classes populares, de intelectual orgânico, não um acadêmico, mas que entende o que o povo sente e formula em favor dos interesses da população. Lula parou um pouco com isso quando assumiu a condição de negociador das classes populares, negociando com o capital. Acho que ele deveria ter jogado mais forte com o capital, em favor do interesse nacional.
ECONOMIA
Henrique Meirelles no BC foi o acordo da viabilidade do governo. Convenceram Lula de que ele não governaria de outra forma, e Lula acha que fez o melhor. Fez bem, o País melhorou. Conversava outro dia com um amigo querido, Celso Bandeira de Mello, que me dizia – mudei completamente de opinião. Acho Lula fantástico. Veja os dados do poder aquisitivo das classes C, D e E. Os pobres estão comendo, têm emprego, seus filhos estão na escola. Isso é muito bom. Ontem, o presidente me dizia que estava espantado com elogios de Bandeira de Mello. Mas os banqueiros também cresceram. Lula fez seu papel como negociador das classes populares, mas o capital continuou comandando a economia. Ainda assim, crescemos de forma positiva. Não adianta crescer o PIB se o povo não tem o que comer. O Senado hoje discute se Sarney poderia ter arrumado emprego de R$ 2,7 mil para o namorado da neta. Mas deveria estar discutindo os lucros dos bancos. No primeiro momento da crise, Lula corretamente flexibilizou os depósitos compulsórios dos bancos, para que o dinheiro lubrificasse a economia, o crédito, que é o oxigênio do capitalismo. O que bancos fizeram? Basearam-se no acordo da Basiléia, se preocuparam consigo mesmos, e não colocaram um tostão no mercado. Aplicaram, sim, em títulos do Tesouro. Isso mostra que eles não estão mais inseridos num projeto nacional. Foram lucros assim, o congelamento por dez anos dos salários dos trabalhadores, o subprime, os títulos derivativos, que quebraram economia dos EUA. Quando os trabalhadores não puderam mais pagar os financiamentos, a economia implodiu. E aqui vejo o Meirelles e o BC interessados em manter a saúde financeira dos bancos.
A CANDIDATURA DILMA ROUSSEF
Não preciso ser cooptado para (a candidatura da ministra da Casa Civil, Dimla Roussef) nas eleições presidenciais. Gostaria muito que nacionalistas e a esquerda se unissem em programa de governo que avançasse um pouco mais que o governo do presidente Lula. Gostaria de não falar em nomes de candidatos, mas num programa. Candidatura de Dilma deveria significar um programa claro para o País, que contemple os descontentamentos de Marina Silva sobre o meio ambiente, que sublinhasse o bonito programa de Lula para a América Latina, a maneira com trata os índios da Bolívia, o Paraguai, a Colômbia, a Venezuela. A política externa brasileira é magnífica, não é uma política de confronto, não tem vezo imperialista, é uma política externa de solidariedade. Precisamos da unidade da América do Sul até para construir um Mercado de verdade. Ciro Gomes, por exemplo, deu uma bela entrevista a este programa, respondendo com precisão, e diz que também é candidato. Ora, Ciro, que bom. Mas não seria melhor, Ciro, que você ajudasse na formulação de um programa de governo que elegesse um presidente da República que avançasse em relação ao governo Lula? E não precisa necessariamente ser Ciro Gomes, o presidente. Poderia ser Dilma, por exemplo. A elaboração de um programa para o Brasil é muito mais importante do que buscar espaços pessoais. Hoje, espaço há, até para mim, no PMDB, onde já perdi duas convenções. Mas o Brasil é muito mais importante que nossas aventuras pessoais na política. Sou governador do Paraná pela terceira vez, fui senador, prefeito de Curitiba, deputado estadual. Hoje, sou menos político que administrador público, e penso mais no País que numa aventura pessoal.
Dilma tem uma bela história, na esquerda, de militância durante os anos mais duros da história do Brasil. Ela vai sob o guarda-chuva do prestígio do presidente Lula. Se acrescentar a isso, ao Bolsa-Família, à melhoria da vida dos mais pobres, um bom programa de governo, sem dúvida seria uma candidata magnífica. O apoio do presidente Lula, no Nordeste, é mágico, sem a menor dúvida.
A CANDIDATURA JOSÉ SERRA
Serra não é má pessoa, é meu amigo pessoal, mas tem obsessão pelo poder, e lhe falta uma definição programática clara. De que lado está o Serra? Do lado dos banqueiros? Ele está pondo pedágio em estradas paulistas, vendeu a Nossa Caixa. Há quem diga que Serra está mais à esquerda que o Lula. Acho já que esteve, mas quando jovem, quando era presidente da UNE, militante da Ação Popular. Foi militante político, quando jovem, assim como Dilma, embora ela tenha sido mais ousada — não estou dizendo que ela estava mais certa, apenas que foi mais ousada em sua ação política. Mas, hoje, o que é o Serra? Diga-me com quem andas e te direi quem és. As coisas precisam se explicitar. E Serra quer ser presidente do Brasil para quê? Para entregar o pré-sal, ou para nacionalizar definitivamente as reservas? Para entregar o pré-sal à Petrobras, já entregue por FHC à Bolsa de Nova York? Acho que temos a oportunidade de verificar isso, agora.
O PAPEL DO PMDB
O PMDB não se constituiu num partido. Foi uma frente política, formada para se opor à ditadura. O PMDB não ousava definir seu porquê programático. Após a redemocratização, o PMDB não conseguiu se definir programaticamente, ideologicamente. O estatuto do PMDB é lindo – o partido das classes populares, das classes desligadas do grande capital. Redigido, a pedido de Ulysses Guimarães, por Carlos Lessa, com minha colaboração, pois eu era da Fundação Pedroso Horta no Paraná, e de muito mais gente. Mas ele não se consolidou, apesar do discurso. Se transformou numa federação de partidos, de divergências. E o PMDB não se reúne. O pessoal do Paraná não conhece os dirigentes de Pernambuco, Paraíba, Acre, pois não há encontros nacionais. Então, se tornou partido congressual. Há um arranjo entre parlamentares eleitos, negociando com seus votos apoio a governos e benesses para suas bases eleitorais. Mas os outros estão deixando de ser partidos, também. O que mais perto tivemos disso foi o PT, mas que hoje está estraçalhado.
A SITUAÇÃO DO PARANÁ
Quando aumenta o poder aquisitivo do pobre, aumentam as vendas do comércio, aumenta a produção das pequenas e médias empresas. Ao contrário do que sonhava FHC, que dizia exportar ou morrer, queria exportar commodities, o Brasil criou um número muito grande de pequenas e médias empresas, que sustentam nossa economia. No Paraná, apostei tudo nisso. Temos centenas de milhares de novas empresas. Zerei o imposto das micro-empresas, baixei o imposto das pequenas empresas para 2%, em média, baixei o imposto de 95 mil itens de consumo-salário, melhorando indiretamente o poder aquisitivo dos mais pobres. O piso salarial regional do Paraná é o melhor do Brasil. Damos energia de graça aos mais pobres, cobramos R$ 5 por água e esgoto de uma família pobre de quatro pessoas. Isso é economia para a saúde. O Porto de Paranaguá é hoje o melhor do País, com a tarifa mais baixa do País. Hoje, temos R$ 500 milhões em caixa, estamos comprando uma draga. E acho que o Porto tem que investir mais rapidamente, pois não podemos ficar com dinheiro em caixa quando precisamos de investimento, de mobilização da economia. Mas crise, no Paraná, existe, sim. O orçamento para 2009 era de R$ 23,5 bilhões, um belo orçamento, 11% superior à arrecadação de 2008, uma das melhores da história. Com todas essas medidas, crescemos 8,5% em arrecadação em relação ao ano passado. Se descontarmos 3% de inflação, crescemos 5,5% em arrecadação. Mas o corte acumulado nas transferências federais é de R$ 676 milhões. Lula baixou IPI dos automóveis para segurar empregos dos metalúrgicos no ABC paulista, e o IPI é a peça de resistência do Fundo de Participação dos Estados e Municípios. Isso me incomoda, mas, veja. Enquanto os Detrans de todo o País dão prejuízo, são instrumentos de corrupção, no Paraná o Detran já repassou R$ 700 milhões para a manutenção de estradas.
A SUCESSÃO NO PARANÁ
Tenho candidato à minha sucessão, meu partido deve lançar em convenção meu vice-governador, Orlando Pessuti, o que nos daria a garantia de que todos os programas sociais e populares que implantamos irão continuar. Paraná é o maior gerador de empregos, disparado, em números proporcionais, é o estado em que mais se abriram empresas, investiu de forma maciça em saúde pública – estamos inaugurando 40 grandes hospitais e 300 clínicas da Mulher e da Criança, para reduzir a mortalidade infantil. Espero que o Paraná eleja meu candidato, porque eu e o presidente, esperamos que essa eleição seja plebiscitária. Ou seja – vai chegar o momento de dizermos o que fizemos, que temos candidato que vai fazer isso e mais, num programa de govenro muito claro, e os eleitores escolhem.
VIOLÊNCIA URBANA
É fruto do desemprego, da pobreza, da falta de esperança. O Corão, livro sagrado dos muçulmanos, lista um único grande pecado – o pecado contra a esperança do povo. Um jovem que não tem nenhuma perspectiva de sobrevivência pelo trabalho, que não teve a chance de frequentar uma boa escola, é facilmente cooptado pelas quadrilhas de narcotráfico, que fazem suas vítimas. E 80% dos mortos são rapazes e moças de pouca idade. Como vamos acabar com o tráfico de drogas quando se compra um quilo de cocaína por mil dólares na Bolívia e vende-se por 100 mil dólares em Nova York? No Paraná, a violência aumentou de forma brutal. E dizem que precisamos de mais policiais. Bobagem, porque muitos mais policiais significam policiais mal-pagos, porque o dinheiro do Estado não estica. E, aí, temos um policial suscetível a ser incorporado pela criminalidade, com um revólver legal na cinta. A violência se combate com inteligência policial, prisões. Não com excesso de polícia, com violência policial, com Exército em favelas – o que é uma estupidez absoluta. No Paraná, construímos 12 novas prisões, todas têm bibliotecas, psicólogos, trabalho. Apostamos na recuperação do preso.
O CASO SARNEY
(Ao apoiar a permanência do presidente do Senado, José Sarney, no cargo) Lula tratou da governabilidade. Mas por que dizemos que Sarney era o culpado pela lambança? Todos são culpados, inclusive alguns por omissão. Os responsáveis são os 81 senadores. Temos que evoluir, criar um novo modelo legislativo, transparente, aberto. Você acha que um político do Nordeste se elege sem uma dose de clientelismo? No Sul, embora seja menor, ele também existe. Agora, o que precisamos é acabar com o moralismo de oportunidade da imprensa. Eles só mexem nas coisas quando seus interesses ou de seus patrocinadores são atacados. O que havia no Senado era conhecido há décadas. A imprensa reserva as informações, e só as revela quando lhe convém. A casa do Agaciel (Maia, ex-diretor geral do Senado) nós conhecíamos há 30 anos. Os cargos existem desde sempre. Mas, agora, focam tudo no Sarney. Ele é um político com grandes defeitos, que são a dura e crua realidade da política brasileira, como eu também os tenho. Mas ele, como presidente, reatou relações com Cuba, convocou a Constituinte. Tem qualidades raras, fez a transição para a democracia, não cedeu ao capital estrangeiro, decretou moratória, não vendeu empresas públicas. Menino, ainda, li um livro de (Jean Paul) Sarte, “As mãos sujas”. Se você não coloca a mão na sujeira, não muda o mundo. Não é preciso se corromper, mas, se não conviver com o processo, não altera nada na sociedade. O fuzilamento, a crucificação de Sarney, não tem cabimento. Defeitos, é claro que ele tem. Tem que haver a crítica, elas são boas até para o Sarney. Mas ele não é o único responsável pelos absurdos do Senado, que também se encontram na Câmara, em cada Assembleia Legislativa, em cada Câmara de Vereadores do Brasil. Mas você já reparou que ninguém fala da Câmara dos Deputados? A imprensa manipula a opinião pública. Já fui vítima. Já vi a revista Veja, quando eu estava na CPI dos Precatórios, tentar dizer que eu mandava dinheiro para o exterior, para desacreditar minha denúncia. Quase perdi uma eleição no Paraná porque a Globo local colocou no ar, às vésperas da votação, a história de um investigador de polícia que fazia escutas clandestinas, tinha um estoque fabuloso de armas, como se eu fosse ligado a uma quadrilha de bandidos. Por isso, perdi 17 pontos percentuais em uma semana, segundo as pesquisas. O contraponto disso é a Televisão Educativa do Paraná. A imprensa ideal é uma coisa maravilhosa. Sou jornalista, diplomado pela Universidade Católica. Mas, hoje, a imprensa achaca, ataca governos que não pagam publicidade. Eu cortei a publicidade no Paraná. Falamos pela TV Educativa, que tentam fechar de qualquer maneira.(Para recuperar o Senado, é preciso) botar tudo na internet, abrir ao público. A FGV já disse que é importante que o senador deva escolher seus assessores, enquanto a tese conservadora diz que os assessores têm que ser funcionários públicos concursados. Não — você é eleito com uma visão progamática, e tem que ter assessores de acordo. Há mitos, caso do nepotismo. Sarney contratou o namorado da neta. Foi manchete de tevês, jornais. Fernando Henrique nomeou o genro, David Zilberstajn, presidente da Petrobrás, para desnacionalizá-la. FHC tinha a filha como chefe de gabinete. E não estou criticando. Mas então não era crime, para a imprensa. Mas o namorado da neta do Sarney é crime. Se o Sarney não estivesse com o Lula, ninguém se importaria. Não vejo importância de que o Sarney nomeasse o namorado da neta, desde que o Senado precisasse de alguém com o perfil dele. Se é apenas um favor, a crítica cabe. Se houvesse transparência, na internet, a nomeação, não teria havido a nomeação. Quando senador, fiz um projeto de lei que permitia a nomeação de parentes, desde que no decreto de nomeação constassem as qualidades profissionais do indicado, as razões da contratação e as qualificações para o cargo. O projeto inclusive autorizava a ação do Ministério Público caso não se atendesse a esses requisitos. CANDIDATURA AO SENADO
(A candidatura) é uma possibilidade concreta. Mas não estou pensando em mim, nesse momento. Gostaria de participar de um processo que fosse um avanço, e não um retrocesso em relação ao que Lula fez. Lula foi ótimo, mas precisamos de mais.
A POLÍTICA
Para mim, a política é um gostoso sacrifício. É a oportunidade que temos de mudar as coisas. Saio do terceiro governo do Paraná com uma satisfação enorme, embora pesem sobre mim multas que somam R$ 2 milhões, que espero derrubar na Justiça, uma vez que o juiz que me condenou foi afastado pelo Conselho Nacional da Magistratura, por corrupção. Mas minhas condenações seguem de pé. A baliza da minha política é a Carta de Puebla, a opção preferencial pelos pobres. É isso que me mobiliza.

agosto 11, 2009

BOLSA-FAMÍLIA: A porta de saída

Essa daqui saiu no JB, e reproduzido no DESEMPREGO ZERO. Não acompanho muito sobre este programa então não tenho condições de dar uma opinião abalizada e objetiva ( ahahah ) mas, mesmo que a grana do Bolsa-Família fosse gasta em cachaça pelas famílias, EU NÃO DARIA A MÍNIMA, pois o valor empregado é irrisório, se considerarmos a História deste país e aquilo que chamam “dívida social”. Ou seja: para a classe média pretensamente “pagadora de impostos, honesta e cidadã” ( traduzindo: ABSOLUTAMENTE CABOTINA ), bom e moderno é gastar dinheiro de impostos emprestando a juros zero para multinacionais adquirirem estatais a preço de banana. Essa turba classemediana simplesmente desconsidera outras ações, como os reajustes do salário mínimo – ou, sequer, mudanças no IR que a favoreceu ( enquanto o FHC “alargava a base”, lembram? ). Bom, saibam que espero que esse programa ajude mesmo milhões de pessoas, naqueles grotões que eu nem imagino existirem, pois nas grandes cidades há um problema que “piora” a pobreza: o massacre propagandístico. Este massacre, que atinge indistintamente ricos, pobres e medianos, impele as pessoas a desejarem coisas muito além de suas necessidades. Não há um lugar que você não olhe em que não haja um outdoor ou uma página em revista, exibindo alguém belo, feliz e sorridente, devido a sua mais recente aquisição ( que pode ser um celular, um carro, um boné ou um Gleid ). Essa imposição leva ao desejo ardente e à sensação de fracasso a quem não “atinge as metas” de consumo. Párias.
É importante observar: enquanto a compra do objeto está sujeita a posse financeira ( restritivo ), todos estão expostos às mensagens publicitárias. Por isso, dá para entender que isso fabrica ambição e, por tabela, leva muita gente a fazer o possivel para entrar neste mundo do consumo: roubos, assaltos, fraudes, comércios ilícitos, privatizações… Assim, a pobreza nas cidades mais desenvolvidas vem acompanhada da desilusão em também não participar do “Mundo Feliz do Consumo que torna as pessoas exclusivas, felizes e satisfeitas.
Se o BF concede a milhões de pessoas a oportunidade de terem pelo menos uma alimentação melhor do que tinham há anos, além da possibilidade de manter suas crianças na escola, e estas abraçam a proposta, então VIVA! É para elas que olho, já que cada dia menos tenho estômago para pobres e remediados que já passaram do estágio de conseguir o sustento e miram objetivos mais “materiais”, quando passam a assumir desejos e discursos que não deveriam ser seus. É quando o desejo, ambição e gânancia alimentados pelo mundo da propaganda passa, tal como a Serpente, a envenená-los.

Bolsa Família tem portas de saída
2 milhões de famílias fora da pobreza
Fonte:
Jornal do Brasil
Por Gabriel Costa e Natalia Pacheco
Pessoas saem do programa por alcançarem renda superior à estabelecida para participantes
Alvo de críticas, elogios e polêmica no governo, na mídia e em meio à própria população, o Bolsa Família já possibilitou que até 2 milhões de famílias saíssem das condições de pobreza e extrema pobreza que caracterizam os beneficiários do programa.
De acordo com dados fornecidos ao Jornal do Brasil pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), desde o início do programa de transferência direta de renda com condicionalidades, em 2003, até julho deste ano, 1,96 milhão de famílias saíram do Bolsa Família por alcançarem um nível de renda per capita superior à estabelecida para o recebimento dos benefícios, de até R$ 140,00 por pessoa – ou porque já tinham renda acima desse patamar, por fraude ou equívoco.
Outras 50.643 pediram voluntariamente o desligamento do programa desde 2003, muitos também por não precisarem mais do benefício.
Essa debandada tem proporcionado a entrada de milhares de novos beneficiários, numa rotatividade silenciosa.
- O processo de transferência de renda tem proporcionado mudanças tanto do ponto de vista individual das famílias, mas também nas comunidades – destaca a secretária nacional de Renda e Cidadania do MDS, Lúcia Modesto, responsável pelo programa.
O Bolsa Família tem impacto e influência principalmente nos pequenos municípios das regiões mais pobres do país, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde existem municípios nos quais até 60% da população recebem o benefício. O pequeno incremento de renda que o programa representa, de até R$ 200 mensais significa a abertura de novos negócios. No interior do Piauí, Pernambuco, Alagoas, cidadezinhas passaram a ter supermercados, farmácias, lanchonetes.
A costureira Vilma Corrêa, de 54 anos, moradora da comunidade de Urucânia, em Paciência, na Zona Oeste da cidade foi beneficiária do programa por dois anos e meio. Em junho Vilma cancelou o benefício de R$ 30 que recebia mensalmente. Passou a freqüentar reuniões do projeto Conversando é Que a Gente se Entende, da Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas) do Rio de Janeiro. Com o acompanhamento, oportunidades começaram a surgir. Vilma passou a costurar para o comércio lojista de Santa Cruz.
- O programa ajudou toda a minha família. Além do dinheiro, a secretaria me arrumou um emprego. Foi em uma reunião do projeto que decidi sair do programa e dar oportunidade para que outras famílias também possam mudar de vida – conta Vilma.
Dificuldades
Mas nem todos conseguem viver sem a verba do programa. Sueli Santos, de 54 anos, é diabética e hipertensa. Por causa da idade e dos problemas de saúde, Sueli não consegue arrumar emprego, e a renda que sustenta o filho e o neto provém o Bolsa Família.
Apesar de fazer as oficinas oferecidas pela prefeitura, Sueli não consegue trabalho. E as perspectivas não são de melhora na situação. O filho vai fazer 18 anos em setembro e por isso a família vai perder o benefício. Sueli tenta encaixar o neto no programa, mas até agora não conseguiu.
- É com esse dinheiro que eu sustento a minha família. Se acabar, não vou ter o que comer. O meu sonho é arrumar um emprego, mas não consigo – conta.
Segundo a secretária Lúcia Modesto, apenas 11% dos beneficiários do programa têm alguma relação formal com o mercado de trabalho. O MDS acompanhou grupos de beneficiários na Pesquisa Mensal de Emprego e constatou que sustentabilidade da empregabilidade dessas pessoas varia de 18% a 36%.
Cerca de 500 mil beneficiários diretos serão incluídos neste mês
Com o benefício do Bolsa Família, a trabalhadora doméstica Sílvia Ramos conseguiu montar uma carrocinha de cachorro-quente. O dinheirinho extra do negócio foi crescendo no orçamento da família e hoje já representa a maior fonte de renda da família. Por causa do crescimento da renda, Silvia foi surpreendida com uma denúncia anônima que acabou por cancelar seu benefício.
- Só melhoramos nossa situação por causa do Bolsa Família – ressalta.
A renda da família, na verdade, já havia superado o valor mínimo estabelecido pelo governo federal para o recebimento do programa. Mas ela não se conformou e foi a um posto de saúde para resgatar o benefício.
- Foi uma maldade. O dinheiro fazia muita falta. Foram meses difíceis – conta.
Há quatro anos, Sílvia inscreveu-se no programa. O marido de Sílvia nunca se firmou em um emprego e vivia de bicos. Já Sílvia fazia algumas faxinas diárias até que se fixou em uma casa.
Mudanças
Graças a saída de uns, que já conseguiram lugar ao sol, milhares de famílias podem ser incluídas. A rotatividade não para. Em maio de 2009, o MDS iniciou a expansão do programa com a inclusão de 300 mil novas famílias. Está previsto o ingresso de 500 mil famílias em agosto e outras 500 mil em outubro.
A nova estimativa é atender 12,9 milhões de famílias até o início de 2010. Outra mudança a foi a inclusão do benefício vinculado ao adolescente de 16 e 17 anos, em março de 2008, com o objetivo de fazer com que os jovens continuem na escola. São atendidos pelo programa quase dois milhões de adolescentes nessa faixa etária.
Lúcia Modesto conta que as famílias do programa são predominantemente jovens: das cerca de 46 milhões de pessoas incluidas, metade têm até 16 anos. Da outra metade, cerca de 4 milhões de pessoas são analfabetas. Para esse público, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) trabalha junto ao Ministério da Educação (MEC) na priorização da educação de jovens e adultos.
- O desafio na educação e capacitação é que há pouco espaço na vida dessas famílias para que possam agregar mais uma atividade – diz. – O programa atinge de forma diferenciada.

agosto 2, 2009

BORIS CASOY DENUNCIA: VELHO GOLPE DO "ANO-ANTERIOR ELEITORAL"! LULA AUMENTA BOLSA FAMÍLIA, DE OLHO NO ANO SEGUINTE ( AÍ, SIM, ANO ELEITORAL )!!!

RECEBO uma ligação. Minha irmã:
- Betô, se segura na cadeira, que tem denúncia gravíssima!!!
- Manda - respondo – mas vai logo que não posso demorar.
- Tá! O Boris Casoy desmascarou mais uma ação eleitoreira do Lula: um ano antes da eleição ele aumenta o Bolsa-Família em 10 por cento. Só pode ser eleitoreiro! Onde já se viu? Sabe quanto vai ser o valor? DUZENTOS E DEZ REAIS! Uma fortuna! Vai aumentar em plena crise e em meio a queda de arrecadação! Vai somar mais alguns “milhões” nos gastos do governo!
Pergunto:
- “Milhões”? Ou “bilhões”?
- Não. É “milhões” mesmo! – ela diz.
“Acho que o Serra gasta mais em propaganda e assinatura de jornal e revista, né?”, comento.
- Pois é, diz ela, mas depois eu conto em detalhes, tá? Olha…o Boris, viu? O Professor Hariovaldo ficaria orgulhoso!
E MAIS: EMPREGADORES DE BORIS CASOY ( FAMÍLIA SAAD, PROPRIETÁRIA DA BAND ) SÃO ENTUSIASTAS CULTIVADORES DOS SUSPEITOS PRODUTOS TRANSGÊNICOS!! MAIS UM MOTIVO PARA BOICOTÁ-LOS!

Milho transgênico
Resultados agradam produtores
(
SITE DA ABRAMILHO, Junho 2009 )

julho 17, 2009

"Contra Sarney ou contra Lula?", Por Jasson de Oliveira Andrade

Contra Sarney ou contra Lula?
As aparências enganam, diz o ditado popular. É o que está acontecendo com o massacre contra o senador José Sarney. Aparentemente a campanha é pela moralização do Senado. Na verdade, tudo é feito para sangrar o governo Lula e seus aliados, tendo como meta a eleição presidencial de 2010, procurando, indiretamente, beneficiar o candidato José Serra e prejudicar a sua adversária Dilma, apoiada pelo governo. Esta constatação já está sendo percebida por alguns analistas políticos.
O advogado Saulo Ramos, autor de Código da Vida, livro muito vendido, que foi ministro da Justiça do governo Sarney, escreveu um artigo na Folha para defendê-lo. Logicamente o texto é um panegírico dele. Tirando esses elogios, o autor diz algumas verdades que merecem ser divulgadas. Ele inicia assim o artigo: “Soube que José Sarney foi avisado para não se candidatar a presidente do Senado porque o mundo desabaria sobre ele como um vulcão de coisas impossíveis”. Por que isso iria acontecer? Saulo Ramos explica o motivo. Após dizer que não fizeram tais acusações durante 30 anos que ele esteve no Congresso, afirma que “não o haviam feito enquanto não se tornou presidente do Senado em véspera de ano eleitoral”. Em outras palavras: ele só está virando a Geni de nossa política, segundo o autor, porque ele apóia o governo Lula e também a Dilma. É o que eu também penso.
O jornalista Luiz Antonio Magalhães, no artigo “As lacunas da cobertura da crise no Senado”, já é mais claro do que Saulo Ramos. Ele diz em seu esclarecedor texto: “O Congresso Nacional [Senado e Câmara Federal] está em crise, mas para a grande imprensa tudo se resume a um nome: José Sarney. É certo que o presidente do Senado, eleito pelo Amapá e líder do PMDB do Maranhão, está cercado de encrencas, algumas delas tão complicadas de explicar como batom na cueca. Fazem bem os jornalistas em correr atrás das denúncias sobre o ex-presidente da República, mas fariam melhor, muito melhor, aliás, se conseguissem explicar ao distinto público o que está realmente em jogo no legislativo federal”. Adiante ele explica o que os jornalistas procuram esconder dos leitores. Ele afirma que “para o leitor, fica parecendo que anteontem Sarney desembestou a praticar corrupção, a torto e a direito, praticando um verdadeiro haraquiri [suicídio] político”, mas na verdade “não foram de ontem para hoje que começaram a ser assinados os atos secretos, agora cancelados pelo presidente da Casa. (…) E o mais importante de tudo, não foi ontem para hoje que a imprensa ficou sabendo de tanta imoralidade. Ao contrário, muitos jornalistas que parecem orgulhosos dos “furos” que estão dando na verdade deveriam estar com vergonha de jamais terem tocado no assunto antes…” Entretanto, por que não tocaram no assunto antes? O jornalista explica: “Sarney está sob intenso tiroteio porque a eleição para a Mesa Diretora do Senado precipitou, no Congresso, a guerra que está sendo travada nos bastidores da política brasileira, qual seja a da sucessão do presidente Lula no próximo ano. (…) Pode até parecer confuso, mas não é. São interesses conflitantes, mas com o mesmo objetivo: detonar não apenas Sarney, mas o que ele simboliza – o PMDB alinhado com Lula”. Ele encerra assim o seu artigo: “Nada disso aparece nas análises dos jornalões, que preferem apostar no espetáculo das noticias que chocam (e que esses mesmos jornalões já tinham conhecimento). Se o fazem por inocência, é apenas mau jornalismo. Se o fazem por interesses no resultado da eleição de 2010, é manipulação pura e simples. Nos dois casos, o leitor sai perdendo”.
No título deste artigo perguntei: contra Sarney ou contra Lula? Agora a resposta é fácil. É contra Lula, ou melhor, contra a sua candidata Dilma, procurando favorecer o Serra. A campanha vai dar certo? Só vamos saber em 2010. A conferir.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Julho de 2009

"Contra Sarney ou contra Lula?", Por Jasson de Oliveira Andrade

Contra Sarney ou contra Lula?
As aparências enganam, diz o ditado popular. É o que está acontecendo com o massacre contra o senador José Sarney. Aparentemente a campanha é pela moralização do Senado. Na verdade, tudo é feito para sangrar o governo Lula e seus aliados, tendo como meta a eleição presidencial de 2010, procurando, indiretamente, beneficiar o candidato José Serra e prejudicar a sua adversária Dilma, apoiada pelo governo. Esta constatação já está sendo percebida por alguns analistas políticos.
O advogado Saulo Ramos, autor de Código da Vida, livro muito vendido, que foi ministro da Justiça do governo Sarney, escreveu um artigo na Folha para defendê-lo. Logicamente o texto é um panegírico dele. Tirando esses elogios, o autor diz algumas verdades que merecem ser divulgadas. Ele inicia assim o artigo: “Soube que José Sarney foi avisado para não se candidatar a presidente do Senado porque o mundo desabaria sobre ele como um vulcão de coisas impossíveis”. Por que isso iria acontecer? Saulo Ramos explica o motivo. Após dizer que não fizeram tais acusações durante 30 anos que ele esteve no Congresso, afirma que “não o haviam feito enquanto não se tornou presidente do Senado em véspera de ano eleitoral”. Em outras palavras: ele só está virando a Geni de nossa política, segundo o autor, porque ele apóia o governo Lula e também a Dilma. É o que eu também penso.
O jornalista Luiz Antonio Magalhães, no artigo “As lacunas da cobertura da crise no Senado”, já é mais claro do que Saulo Ramos. Ele diz em seu esclarecedor texto: “O Congresso Nacional [Senado e Câmara Federal] está em crise, mas para a grande imprensa tudo se resume a um nome: José Sarney. É certo que o presidente do Senado, eleito pelo Amapá e líder do PMDB do Maranhão, está cercado de encrencas, algumas delas tão complicadas de explicar como batom na cueca. Fazem bem os jornalistas em correr atrás das denúncias sobre o ex-presidente da República, mas fariam melhor, muito melhor, aliás, se conseguissem explicar ao distinto público o que está realmente em jogo no legislativo federal”. Adiante ele explica o que os jornalistas procuram esconder dos leitores. Ele afirma que “para o leitor, fica parecendo que anteontem Sarney desembestou a praticar corrupção, a torto e a direito, praticando um verdadeiro haraquiri [suicídio] político”, mas na verdade “não foram de ontem para hoje que começaram a ser assinados os atos secretos, agora cancelados pelo presidente da Casa. (…) E o mais importante de tudo, não foi ontem para hoje que a imprensa ficou sabendo de tanta imoralidade. Ao contrário, muitos jornalistas que parecem orgulhosos dos “furos” que estão dando na verdade deveriam estar com vergonha de jamais terem tocado no assunto antes…” Entretanto, por que não tocaram no assunto antes? O jornalista explica: “Sarney está sob intenso tiroteio porque a eleição para a Mesa Diretora do Senado precipitou, no Congresso, a guerra que está sendo travada nos bastidores da política brasileira, qual seja a da sucessão do presidente Lula no próximo ano. (…) Pode até parecer confuso, mas não é. São interesses conflitantes, mas com o mesmo objetivo: detonar não apenas Sarney, mas o que ele simboliza – o PMDB alinhado com Lula”. Ele encerra assim o seu artigo: “Nada disso aparece nas análises dos jornalões, que preferem apostar no espetáculo das noticias que chocam (e que esses mesmos jornalões já tinham conhecimento). Se o fazem por inocência, é apenas mau jornalismo. Se o fazem por interesses no resultado da eleição de 2010, é manipulação pura e simples. Nos dois casos, o leitor sai perdendo”.
No título deste artigo perguntei: contra Sarney ou contra Lula? Agora a resposta é fácil. É contra Lula, ou melhor, contra a sua candidata Dilma, procurando favorecer o Serra. A campanha vai dar certo? Só vamos saber em 2010. A conferir.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Julho de 2009

julho 11, 2009

União bate recorde de investimento

MAIOR NÍVEL DESDE O PLANO REAL NÃO GARANTE EXECUÇÃO NEM DE 50% DO ORÇAMENTO
Apesar do agravamento da crise financeira mundial e da queda da arrecadação tributária, o nível de investimentos da União cresceu no primeiro semestre. É o que mostra levantamento realizado pela ONG Contas Abertas com dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). As despesas do Governo Federal com obras e compra de equipamentos chegaram a R$ 11 bilhões, valor 12,2% superior ao registrado no mesmo período de 2008, quando foram investidos R$ 9,8 bilhões.
De acordo com o levantamento, a quantia é a maior já registrada desde o lançamento do Plano Real, em 1994. Ainda que os investimentos tenham atingido montante recorde, eles representam apenas pouco mais de 20% do total previsto para 2009 no Orçamento da União, que soma R$ 50,5 bilhões.
Segundo o levantamento, se a União seguir com média mensal de gastos de R$ 1,83 bilhão, serão aplicados até o fim do ano R$ 22,3 bilhões, ou seja, 44% do previsto para o ano. De acordo com a pesquisa, o órgão federal que mais investiu no primeiro semestre foi o Ministério dos Transportes – R$ 2,9 bilhões. A maior parte do desembolso foi destinada a obras previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Um dos mais maiores investimentos do ministério no período foi a construção das eclusas da usina de Tucuruí, no Rio Tocantins (PA), que recebeu R$ 227 milhões. Outro órgão federal que também teve destaque no levantamento foi o Ministério das Cidades, que registrou no primeiro semestre um total de R$ 1,4 bilhão em investimentos. Por volta de R$ 841 milhões desses recursos foram empregados em programas de urbanização e saneamento urbano, muitos deles também previstos no PAC.
Entrevistado pela ONG, o vice-presidente do Sindicato dos Economistas do Estado de São Paulo, Paulo Brasil, atribuiu o aumento dos investimentos à expectativa política em torno do êxito do PAC. “Durante o primeiro mandato do governo Lula, a média anual de investimentos no primeiro semestre foi de R$ 3 bilhões. No mesmo período, em 2007, com o lançamento do PAC, e nos dois anos seguintes, a média desembolsada triplicou, atingindo R$ 8,9 bilhões”, avaliou.
MONITOR MERCANTIL
10.07.09

junho 24, 2009

EXCLUSIVO – Como funciona a imprensa brasileira, ilustrado!!! [ ORGANOGRAMA ]

EXCELENTE! Surrupiei devidamente esta jóia do blog “Quanto tempo dura?“. É só clicar em cima.

junho 23, 2009

"Terceiro mandato para Lula", por Jasson de Oliveira Andrade

Aproveitando a enorme popularidade de Lula, a maior da história do Brasil, o deputado federal Jackson Barreto (PMDB-SE) apresentou um projeto, com 176 assinaturas, propondo o terceiro mandato para o presidente, na verdade, além dele, para os governadores e prefeitos (na região seriam beneficiados os prefeitos Carlos Nelson (PSDB), de Mogi Mirim, Toninho Belini (PV), de Itapira, Nelsinho Nicolau (PMDB), de São João da Boa Vista, e Dr. Hélio (PDT), de Campinas. Além de Kassab (DEM) em São Paulo). Os tucanos e os demistas, por motivos óbvios, são radicalmente contra a mudança. Quanto ao PT, partido de Lula, apenas uma minoria aprova o terceiro mandato. A maioria é contra.
A Folha (6/6/2009) deu em manchete: “TERCEIRO MANDATO CHAMA-SE DILMA, AFIRMA ASSESSOR DE LULA”. O jornal se refere à declaração do chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmando ainda: “Não é vontade do presidente Lula, não é vontade do partido. O terceiro mandato chama-se Dilma Rousseff”. O Estadão (12/6) noticiou: “Governadores do PT rejeitam 3º mandato”. O ex-governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, opinou: “A prioridade é dar continuidade ao projeto político [do governo Lula] com a candidatura da ministra Dilma Rousseff”. O jornalista Gaudêncio Torquato, no artigo “Os dez laços de Lula”, diz que a discussão poderá ser assim: “Se vocês querem mudar o que fizemos, votem na oposição. Se aprovam o que fizemos votem em minha candidata [Dilma]”. Este será, segundo ele, o plebiscito de 2010.
O deputado José Genoino (PT-SP), relator da PEC do terceiro mandato, recomendou o arquivamento da proposta, argumentando que a mesma é inconstitucional por tentar mudar as regras para beneficiar os atuais ocupantes de cargos. Ele disse em seu parecer, elogiado pelos líderes de todos os partidos e também por especialistas (cientistas políticos): “Antes de qualquer outra coisa, a medida proposta agride o senso comum de Justiça e razoabilidade ao pretender aplicar-se aos atuais detentores de mandato eletivo, alterando regras do jogo em andamento no intuito de favorecer determinados resultados”. Se a regra realmente for considerada inconstitucional, a PEC será arquivada. Segundo a jornalista Maria Clara Cabral, da Sucursal da Folha em Brasília, “usando os mesmos argumentos, o deputado [José Genoíno] foi autor de um voto em separado à proposta que, em 1997, permitiu a reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso”. Portanto, o deputado petista por São Paulo foi coerente!
Mauricio Dias, em sua apreciada coluna ROSA DOS VENTOS, na Carta Capital, sob o título “O enterro de um factóide”, comentou: “Coube ao deputado José Genoino, um petista histórico, acabar com a conversa que, ultimamente, só interessava à oposição: a possibilidade de um terceiro mandato para o presidente. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 367/09, com a permissão para duas reeleições continuadas do presidente, dos governadores e dos prefeitos, apresentada por um deputado da base de apoio do governo, virou um factóide da oposição para atacar um suposto apego de Lula ao poder. Para isso foi calculadamente batizada de “PEC do terceiro mandato”. Isso deixava de considerar que ela precisava ser aprovada, que Lula se candidatasse e que, por fim, vencesse a eleição”. Pelo visto, a oposição (PSDB e DEM) já considerava Lula eleito, daí designar a PEC de terceiro mandato de Lula!
Apesar dessas manifestações, Dora Kramer, articulista do Estadão, afirma que, por enquanto, a PEC transita insepulta. Ela diz: “Negativas e gracejos à parte, fato é que emenda da rerreeleição está na pauta do Congresso”. Então, vamos aguardar mais algum tempo.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Junho de 2009

maio 22, 2009

"CPI da Petrobrás: Tucanos derrotam Lula", por Jasson de Oliveira Andrade

CPI da Petrobrás: Tucanos derrotam Lula
Jasson de Oliveira Andrade

Cláudio Weber Abramo, diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, no artigo “A Marcha dos Espertos”, afirma: “O Legislativo deixa de fiscalizar o Executivo por ser cooptado. A primeira providência do prefeito, governador ou presidente da República eleito é montar uma base de apoio parlamentar. Para isso, convoca os partidos políticos e lhes propõe um negócio: votem comigo, me apóiem, não me chateiem com cobranças e em troca fiquem com tais e quais pedaços da administração. É o processo de loteamento do Estado. (…) Em outras palavras, o Legislativo não vigia o Executivo e deixa a tarefa de legislar a este por ser comprado. Não há outra expressão que defina com mais precisão o que acontece”. Se verdadeira essa afirmativa, por que os tucanos conseguiram a CPI da Petrobrás no Senado, derrotando o presidente Lula? O governo federal não tem a maioria naquela Casa? Tem, teoricamente, uma base de apoio parlamentar. No entanto, alguns deles romperam esse apoio.
Qual foi o motivo desse rompimento? É que o governo, através do ministro da Defesa, Nelson Jobim, demitiu da Infraero apadrinhados do alguns senadores do PMDB. Agora, eles apoiaram os tucanos e ajudaram a criar a CPI da Petrobrás. O PSDB foi vitorioso graças ao fisiologismo peemedebista. Segundo o jornalista Janio de Freitas, no artigo “CPI ao gosto de todos” ( Folha, 17/5/2009 ), “a oposição investiu na CPI e alguns fisiológicos da “base aliada do governo” a apoiaram pelo motivo mais reprovável: o interesse meramente político”. O Estadão de 20 de maio, em manchete de primeira página, noticiou: “PMDB usa CPI para pressionar governo”, dizendo ainda: “Com a CPI da Petrobrás instalada, o PMDB deu ontem [19/5] sinais de independência em relação ao Planalto. Com três dos 11 senadores titulares, o partido será o fiel da balança e quer usar a comissão para BARGANHAR ( destaque meu) com o governo”. Por aí se vê que mesmo com maioria, o governo pode ser derrotado, graças ao apetite fisiológico da base aliada!
O estranho é que o mesmo PMDB deu e ainda dá apoio aos tucanos quando governo. Na gestão de Fernando Henrique Cardoso, o partido ajudou a impedir CPIs, entre outras, no dizer de Janio de Freitas no citado artigo, “as ostensivas prevaricações na privatização da telefonia”. O mesmo aconteceu com os pedidos de CPIs nos governos estaduais de Geraldo Alckmin e José Serra. Até mesmo na Administração da governadora Yeda Crusius, tucana do Rio Grande do Sul. Lá os deputados do PMDB impediram uma CPI baseada em denúncias da revista VEJA! Para os tucanos nada, para o governo Lula sim. Por quê? Estranho! Aparentemente é que alguns apadrinhados foram demitidos. Ou será que os peemedebistas têm fome demais? Será que os tucanos aceitam essas investidas fisiológicas e o Lula, não?
Quanto à CPI da Petrobrás, Janio de Freitas comenta: “A ocasião da CPI é imprópria para a Petrobras por enfraquecer sua administração quando discute financiamentos internacionais, uma multidão de contratos com fornecedores estrangeiros, batalha contra pressões para entrega do pré-sal a concorrentes e a capitais privados. (…) E o pré-sal, causa de toda essa ação atual na empresa [ e que foi motivo do pedido da CPI ], é estratégico não só para a Petrobras, porém ainda mais para o país”. Será que o pedido não seria para facilitar a entrega do pré-sal aos concorrentes e a capitais privados? Os tucanos desmentem com veemência a essa insinuação.
Vamos aguardar o andar dessa CPI, esperando que ela não traga prejuízos insanáveis à Petrobrás e, assim, também ao Brasil.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Maio de 2009

"CPI da Petrobrás: Tucanos derrotam Lula", por Jasson de Oliveira Andrade

CPI da Petrobrás: Tucanos derrotam Lula
Jasson de Oliveira Andrade

Cláudio Weber Abramo, diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, no artigo “A Marcha dos Espertos”, afirma: “O Legislativo deixa de fiscalizar o Executivo por ser cooptado. A primeira providência do prefeito, governador ou presidente da República eleito é montar uma base de apoio parlamentar. Para isso, convoca os partidos políticos e lhes propõe um negócio: votem comigo, me apóiem, não me chateiem com cobranças e em troca fiquem com tais e quais pedaços da administração. É o processo de loteamento do Estado. (…) Em outras palavras, o Legislativo não vigia o Executivo e deixa a tarefa de legislar a este por ser comprado. Não há outra expressão que defina com mais precisão o que acontece”. Se verdadeira essa afirmativa, por que os tucanos conseguiram a CPI da Petrobrás no Senado, derrotando o presidente Lula? O governo federal não tem a maioria naquela Casa? Tem, teoricamente, uma base de apoio parlamentar. No entanto, alguns deles romperam esse apoio.
Qual foi o motivo desse rompimento? É que o governo, através do ministro da Defesa, Nelson Jobim, demitiu da Infraero apadrinhados do alguns senadores do PMDB. Agora, eles apoiaram os tucanos e ajudaram a criar a CPI da Petrobrás. O PSDB foi vitorioso graças ao fisiologismo peemedebista. Segundo o jornalista Janio de Freitas, no artigo “CPI ao gosto de todos” ( Folha, 17/5/2009 ), “a oposição investiu na CPI e alguns fisiológicos da “base aliada do governo” a apoiaram pelo motivo mais reprovável: o interesse meramente político”. O Estadão de 20 de maio, em manchete de primeira página, noticiou: “PMDB usa CPI para pressionar governo”, dizendo ainda: “Com a CPI da Petrobrás instalada, o PMDB deu ontem [19/5] sinais de independência em relação ao Planalto. Com três dos 11 senadores titulares, o partido será o fiel da balança e quer usar a comissão para BARGANHAR ( destaque meu) com o governo”. Por aí se vê que mesmo com maioria, o governo pode ser derrotado, graças ao apetite fisiológico da base aliada!
O estranho é que o mesmo PMDB deu e ainda dá apoio aos tucanos quando governo. Na gestão de Fernando Henrique Cardoso, o partido ajudou a impedir CPIs, entre outras, no dizer de Janio de Freitas no citado artigo, “as ostensivas prevaricações na privatização da telefonia”. O mesmo aconteceu com os pedidos de CPIs nos governos estaduais de Geraldo Alckmin e José Serra. Até mesmo na Administração da governadora Yeda Crusius, tucana do Rio Grande do Sul. Lá os deputados do PMDB impediram uma CPI baseada em denúncias da revista VEJA! Para os tucanos nada, para o governo Lula sim. Por quê? Estranho! Aparentemente é que alguns apadrinhados foram demitidos. Ou será que os peemedebistas têm fome demais? Será que os tucanos aceitam essas investidas fisiológicas e o Lula, não?
Quanto à CPI da Petrobrás, Janio de Freitas comenta: “A ocasião da CPI é imprópria para a Petrobras por enfraquecer sua administração quando discute financiamentos internacionais, uma multidão de contratos com fornecedores estrangeiros, batalha contra pressões para entrega do pré-sal a concorrentes e a capitais privados. (…) E o pré-sal, causa de toda essa ação atual na empresa [ e que foi motivo do pedido da CPI ], é estratégico não só para a Petrobras, porém ainda mais para o país”. Será que o pedido não seria para facilitar a entrega do pré-sal aos concorrentes e a capitais privados? Os tucanos desmentem com veemência a essa insinuação.
Vamos aguardar o andar dessa CPI, esperando que ela não traga prejuízos insanáveis à Petrobrás e, assim, também ao Brasil.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Maio de 2009

"CPI da Petrobrás: Tucanos derrotam Lula", por Jasson de Oliveira Andrade

CPI da Petrobrás: Tucanos derrotam Lula
Jasson de Oliveira Andrade

Cláudio Weber Abramo, diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, no artigo “A Marcha dos Espertos”, afirma: “O Legislativo deixa de fiscalizar o Executivo por ser cooptado. A primeira providência do prefeito, governador ou presidente da República eleito é montar uma base de apoio parlamentar. Para isso, convoca os partidos políticos e lhes propõe um negócio: votem comigo, me apóiem, não me chateiem com cobranças e em troca fiquem com tais e quais pedaços da administração. É o processo de loteamento do Estado. (…) Em outras palavras, o Legislativo não vigia o Executivo e deixa a tarefa de legislar a este por ser comprado. Não há outra expressão que defina com mais precisão o que acontece”. Se verdadeira essa afirmativa, por que os tucanos conseguiram a CPI da Petrobrás no Senado, derrotando o presidente Lula? O governo federal não tem a maioria naquela Casa? Tem, teoricamente, uma base de apoio parlamentar. No entanto, alguns deles romperam esse apoio.
Qual foi o motivo desse rompimento? É que o governo, através do ministro da Defesa, Nelson Jobim, demitiu da Infraero apadrinhados do alguns senadores do PMDB. Agora, eles apoiaram os tucanos e ajudaram a criar a CPI da Petrobrás. O PSDB foi vitorioso graças ao fisiologismo peemedebista. Segundo o jornalista Janio de Freitas, no artigo “CPI ao gosto de todos” ( Folha, 17/5/2009 ), “a oposição investiu na CPI e alguns fisiológicos da “base aliada do governo” a apoiaram pelo motivo mais reprovável: o interesse meramente político”. O Estadão de 20 de maio, em manchete de primeira página, noticiou: “PMDB usa CPI para pressionar governo”, dizendo ainda: “Com a CPI da Petrobrás instalada, o PMDB deu ontem [19/5] sinais de independência em relação ao Planalto. Com três dos 11 senadores titulares, o partido será o fiel da balança e quer usar a comissão para BARGANHAR ( destaque meu) com o governo”. Por aí se vê que mesmo com maioria, o governo pode ser derrotado, graças ao apetite fisiológico da base aliada!
O estranho é que o mesmo PMDB deu e ainda dá apoio aos tucanos quando governo. Na gestão de Fernando Henrique Cardoso, o partido ajudou a impedir CPIs, entre outras, no dizer de Janio de Freitas no citado artigo, “as ostensivas prevaricações na privatização da telefonia”. O mesmo aconteceu com os pedidos de CPIs nos governos estaduais de Geraldo Alckmin e José Serra. Até mesmo na Administração da governadora Yeda Crusius, tucana do Rio Grande do Sul. Lá os deputados do PMDB impediram uma CPI baseada em denúncias da revista VEJA! Para os tucanos nada, para o governo Lula sim. Por quê? Estranho! Aparentemente é que alguns apadrinhados foram demitidos. Ou será que os peemedebistas têm fome demais? Será que os tucanos aceitam essas investidas fisiológicas e o Lula, não?
Quanto à CPI da Petrobrás, Janio de Freitas comenta: “A ocasião da CPI é imprópria para a Petrobras por enfraquecer sua administração quando discute financiamentos internacionais, uma multidão de contratos com fornecedores estrangeiros, batalha contra pressões para entrega do pré-sal a concorrentes e a capitais privados. (…) E o pré-sal, causa de toda essa ação atual na empresa [ e que foi motivo do pedido da CPI ], é estratégico não só para a Petrobras, porém ainda mais para o país”. Será que o pedido não seria para facilitar a entrega do pré-sal aos concorrentes e a capitais privados? Os tucanos desmentem com veemência a essa insinuação.
Vamos aguardar o andar dessa CPI, esperando que ela não traga prejuízos insanáveis à Petrobrás e, assim, também ao Brasil.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Maio de 2009

maio 16, 2009

"Crescimento econômico à vista", por Delfim Netto

Crescimento econômico a vista
Antônio Delfim Netto
Em fórum sobre o cenário econômico promovido pela revista Exame na semana passada em São Paulo para discutir basicamente opções para sair da crise financeira global, reafirmei que a economia brasileira pode voltar a crescer 4% em 2010, respondendo às ações de governo e na medida em que continuem positivas as reações do setor privado e dos consumidores.Diante da divulgação de previsões ( algumas de organismos internacionais e de corporações privadas de peso ) que variam entre uma queda do PIB brasileiro de 4% em 2009, com uma retomada pífia do crescimento em 2010, minha opinião é que nenhuma delas pode ser levada a sério.
O crescimento de 2009 não está escrito nas estrelas, nem o de 2010 pode ser visto numa bola de cristal. Ele será aquilo que formos capazes de fazer, a sociedade reagindo aos estímulos da política econômica, os empresários acreditando nas medidas do governo, os consumidores mostrando que não se deixaram inibir com o pânico midiático e o setor financeiro voltando gradualmente à normalidade.
Hoje, o que já se pode antecipar com razoável segurança é que o crescimento de 2009 não será negativo. Tivemos um primeiro trimestre negativo e alguma tênue reação neste segundo trimestre, que ainda está no meio.
Pelo comportamento que observamos do setor produtivo e dos níveis de consumo, acredito que podemos recomeçar a crescer, lentamente, já no próximo trimestre e terminar o último trimestre do ano com um crescimento de uns 2% do PIB em relação ao mesmo trimestre de 2008.
É perfeitamente possível termos em cada trimestre de 2010 um crescimento mínimo de 1% sobre o trimestre anterior.
Significa que podemos chegar ao final do ano com 4% de crescimento do PIB, ou algo muito próximo.
É uma avaliação que faço e que está no nível das probabilidades, voltando a insistir que vai depender da boa política do governo, de como o setor privado vai interpretar essa política e da resposta do consumidor brasileiro.
Esse consumidor tem se comportado bastante bem, reagindo aos estímulos, o que comprova que eles estão na direção correta.
A verdade é que a sociedade não se deixou acorrentar nem pelo medo nem pelo tom negativo das análises que povoam uma parte da mídia. É preciso que a população esteja preparada e não se deixar influenciar pelo fato de que no ano que vem, mesmo com a retomada do crescimento, os dados do crescimento anual medidos entre os trimestres ainda não serão positivos, o que dará a impressão de que a economia está se reduzindo, quando na realidade ela já estará em recuperação.
Voltando ao Fórum da Exame, em que foram avaliados alguns dos obstáculos que os países terão de enfrentar para superar a crise, ouvi com muita satisfação que os outros três conferencistas, os notáveis “Prêmios Nobel” de Economia Edward Prescott, Joseph Stiglitz e Roberto Mundell (de 2004, 2001 e 1999, respectivamente) concordaram (em graus ligeiramente diferentes) que o Brasil não só vem reagindo bem aos efeitos da crise como será um dos primeiros países a sair mais rápido do prejuízo. Prescott foi mais longe, ao concluir sua intervenção dizendo que “a questão agora não é se, mas quando o Brasil entrará na lista das maiores economias do mundo”…
A questão, na verdade, é que já fomos a oitava economia do mundo. Demos uma grande bobeada nas duas últimas décadas do século 20, mas podemos apostar que vamos chegar lá. Quando, só depende de nós mesmos…
Posts mais antigos »

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.