ENCALHE

agosto 13, 2009

"Reaparecimento do Cabo Anselmo após 45 anos", por Jasson de Oliveira Andrade

O Cabo Anselmo, 67 anos, reapareceu depois de 45 anos vivendo clandestino. O motivo desse aparecimento foi para tirar impressões digitais em São Paulo para recuperar documentos. O que foi feito em 30/7/2009. O procedimento, segundo o jornalista Lucas Ferraz, em reportagem para a Folha (31/7), é para instruir o seu pedido de anistia, visando a ser indenizado como “vítima” do golpe de 64. No artigo “O dito cabo Anselmo” (Folha, 4/8), Janio de Freitas escreveu: “Quem é esse Anselmo, que história verdadeira tem vivido há meio século e por que se decidiu a fazê-la são ainda segredos. Para os quais Anselmo pretende a reparação criada, entre outras, PARA AS SUAS VÍTIMAS” (Destaque meu). Aí é que entra a “misteriosa” vida de Cabo Anselmo, que vamos ver adiante.
Cabo Anselmo vivia escondido porque estava supostamente jurado de morte. O motivo dessa ameaça resultou de sua traição aos ex-companheiros, dedurando-os ao regime militar, precisamente ao delegado Fleury. Devido a essas delações, muita gente foi presa, torturada e, segundo ele mesmo declarou a uma revista, resultou na morte de “cem, duzentos” militantes de organizações de extrema esquerda, inclusive sua companheira, a jovem paraguaia Soledad Viedma, grávida dele. Temeroso de vingança, ele se escondeu por 45 anos, só reaparecendo agora!
Antes dessa traição, Cabo Anselmo, em 1964, era dirigente de uma entidade que reunia marinheiros. Ele comandou uma revolta considerada por vários analistas como estopim do Golpe militar daquele ano. Maria da Conceição Tavares, em “Fatos e mitos de 1964” (Folha, 28/3/2004), endossa essa opinião: “A sublevação dos marinheiros, quebrando a hierarquia militar, foi a gota d´água e o sinal para antecipar o golpe, deslocando a lealdade ao presidente [João Goulart, Jango] de quase todos os comandantes do Exército”. Após o Golpe, Cabo Anselmo foi preso. Aí aconteceram alguns fatos estranhos, relatados por mim no artigo “Cabo Anselmo e o Golpe de 64” e que consta de meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, á página 222. Neste texto, mostrei que ele traiu seus companheiros, o que ficava comprovada sua traição após o Golpe. No entanto, algumas declarações do Cabo Anselmo são fortes indícios que ele traiu antes de 31 de março de 1964. Na entrevista dele ao jornalista Octávio Ribeiro, já falecido, na revista Istoé (28/3/1984), sob o título “Confissão do cabo”, Anselmo declarou sobre a sua fuga da prisão: “A chave da cela ficava na minha mão. A fuga veio com o pessoal da Polop (Organização Política Operária, grupo de esquerda que reunia trotskistas e militares)”. Adiante confessou: “Disse ao guarda de plantão que ia encontrar uma mulher e saí pela porta da frente. O pessoal da Polop me levou para São Paulo e de lá, de carro, fui para o Uruguai” (pág.27). Quem conhece a repressão daquela época (prisão, tortura e, muitas vezes, morte), não pode acreditar que o cabo Anselmo tivesse tanta facilidade (chave da cela na mão dele, bem como o guarda permitiu que ele saísse pela porta da frente para se encontrar com uma mulher!). Principalmente, como disse o jornalista Janio de Freitas no citado artigo: “Não, porém, para o maior incitador da rebelião [dos marinheiros antes do Golpe de 64] e das ameaças à oficialidade (…)”. Isto NUNCA iria acontecer, a não ser que ele era um auxiliar dos golpistas!
Em suma, pode não existir uma prova contundente da traição dele antes do Golpe, mas essas declarações, repito, são fortes evidências de sua colaboração já naquele período. Portanto, Cabo Anselmo não tem direito à indenização, que é uma reparação criada para atender, como afirmou Janio de Freitas, entre outras, as suas vítimas.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Agosto de 2009

"Reaparecimento do Cabo Anselmo após 45 anos", por Jasson de Oliveira Andrade

O Cabo Anselmo, 67 anos, reapareceu depois de 45 anos vivendo clandestino. O motivo desse aparecimento foi para tirar impressões digitais em São Paulo para recuperar documentos. O que foi feito em 30/7/2009. O procedimento, segundo o jornalista Lucas Ferraz, em reportagem para a Folha (31/7), é para instruir o seu pedido de anistia, visando a ser indenizado como “vítima” do golpe de 64. No artigo “O dito cabo Anselmo” (Folha, 4/8), Janio de Freitas escreveu: “Quem é esse Anselmo, que história verdadeira tem vivido há meio século e por que se decidiu a fazê-la são ainda segredos. Para os quais Anselmo pretende a reparação criada, entre outras, PARA AS SUAS VÍTIMAS” (Destaque meu). Aí é que entra a “misteriosa” vida de Cabo Anselmo, que vamos ver adiante.
Cabo Anselmo vivia escondido porque estava supostamente jurado de morte. O motivo dessa ameaça resultou de sua traição aos ex-companheiros, dedurando-os ao regime militar, precisamente ao delegado Fleury. Devido a essas delações, muita gente foi presa, torturada e, segundo ele mesmo declarou a uma revista, resultou na morte de “cem, duzentos” militantes de organizações de extrema esquerda, inclusive sua companheira, a jovem paraguaia Soledad Viedma, grávida dele. Temeroso de vingança, ele se escondeu por 45 anos, só reaparecendo agora!
Antes dessa traição, Cabo Anselmo, em 1964, era dirigente de uma entidade que reunia marinheiros. Ele comandou uma revolta considerada por vários analistas como estopim do Golpe militar daquele ano. Maria da Conceição Tavares, em “Fatos e mitos de 1964” (Folha, 28/3/2004), endossa essa opinião: “A sublevação dos marinheiros, quebrando a hierarquia militar, foi a gota d´água e o sinal para antecipar o golpe, deslocando a lealdade ao presidente [João Goulart, Jango] de quase todos os comandantes do Exército”. Após o Golpe, Cabo Anselmo foi preso. Aí aconteceram alguns fatos estranhos, relatados por mim no artigo “Cabo Anselmo e o Golpe de 64” e que consta de meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, á página 222. Neste texto, mostrei que ele traiu seus companheiros, o que ficava comprovada sua traição após o Golpe. No entanto, algumas declarações do Cabo Anselmo são fortes indícios que ele traiu antes de 31 de março de 1964. Na entrevista dele ao jornalista Octávio Ribeiro, já falecido, na revista Istoé (28/3/1984), sob o título “Confissão do cabo”, Anselmo declarou sobre a sua fuga da prisão: “A chave da cela ficava na minha mão. A fuga veio com o pessoal da Polop (Organização Política Operária, grupo de esquerda que reunia trotskistas e militares)”. Adiante confessou: “Disse ao guarda de plantão que ia encontrar uma mulher e saí pela porta da frente. O pessoal da Polop me levou para São Paulo e de lá, de carro, fui para o Uruguai” (pág.27). Quem conhece a repressão daquela época (prisão, tortura e, muitas vezes, morte), não pode acreditar que o cabo Anselmo tivesse tanta facilidade (chave da cela na mão dele, bem como o guarda permitiu que ele saísse pela porta da frente para se encontrar com uma mulher!). Principalmente, como disse o jornalista Janio de Freitas no citado artigo: “Não, porém, para o maior incitador da rebelião [dos marinheiros antes do Golpe de 64] e das ameaças à oficialidade (…)”. Isto NUNCA iria acontecer, a não ser que ele era um auxiliar dos golpistas!
Em suma, pode não existir uma prova contundente da traição dele antes do Golpe, mas essas declarações, repito, são fortes evidências de sua colaboração já naquele período. Portanto, Cabo Anselmo não tem direito à indenização, que é uma reparação criada para atender, como afirmou Janio de Freitas, entre outras, as suas vítimas.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Agosto de 2009

maio 20, 2009

"Golpe de 64 em São João da Boa Vista", de Jasson de Oliveira Andrade, na Biblioteca Aureliano Leite ( Sapopemba )

Quem costuma visitar este humilde blog, sabe que costumamos receber a colaboração do articulista do Portal Mogi Guaçu, Jasson de Oliveira Andrade. E, devo informar que seus textos são alguns dos mais lidos, tanto no “Correio da Elite” quanto em seu irmão do WordPress, o “ENCALHE” ( sim, eu mantenho dois blogs, apesar de não possuir ainda um computador ).
Em 03 de Junho de 2008, eu iniciei o post “GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA”. Livro de Jasson de Oliveira Andrade. ( tinha acabado de ler o livro e tentado fazer algum comentário a seu respeito ) dizendo que o primeiro contato que tive com Jasson havia sido uma mensagem que ele me enviara, elogiando o teor de uma carta minha publicada no Estadão. Respondi que ele foi o primeiro a me contatar por isso sem me xingar ( ahahaha ).
Em 10 de Junho de 2008, eu escrevi o seguinte post: “GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA”, de Jasson de Oliveira Andrade. A Guerra Fria sem CIA e KGB.
Mas não vou me estender nisso, e sugiro que antes de prosseguirem com a leitura, visitem os posts para terem um conhecimento prévio da obra. Vão lá que eu espero.
Já de volta? Ótimo. Prossigamos:
Eu não exagerei ao dizer que aprendi com o livro. Por exemplo: jamais soubera que o dono do Estadão – um ds cabeças civis do golpe – ajudara os golpistas de 1964 a redigir um Ato Institucional tão fascista que até os generais tremeram, e a proposta do cidadão não foi acatada: ” ( … ) Tempos depois, [ comenta Jasson a partir do livro A Ditadura Envergonhada, de Élio Gaspari ] um ex-ministro do Estado Novo de Vargas, Vicente Ráo, ajudou o líder civil do golpe Mesquita Filho na redação de uma proposta a Ato Institucional; entre as sugestões, a dissolução de todas as câmaras legislativas nos três níveis, sem exclusão do Senado, suspensão do habeas-corpus, cassação de mandatos de prefeitos e governadores, entre outras medidas “saneadoras”( … )”.
Uma pequena amostra de como nossa imprensa ajudou a construir a Democracia neste País. A Folha não teve exclusividade nas relações carnais com o regime dos quartéis.
Pois bem: recentemente, contatei Jasson, com o objetivo de saber como comprar um exemplar, pois queria doar a obra à biblioteca de meu bairro.
Ele, generosamente, se prontificou a fazer a doação. Pedi a ele que, então, fizesse assinasse uma nota, um recado ou uma dedicatória. Dias depois, o livro chegou, e hoje eu fiz a entrega na biblioteca.
Um fato “cômico”: a moça havia dito que a biblioteca, devido à falta de espaço, não poderia receber mais livros, e me indicou uma ONG próximo dali, que ficaria com o livro. Menos mal. Comuniquei ao Jasson, e ele disse que tudo bem.
Hoje, ao fazer uma devolução de livros, meio que insisti: “e então, vocês não querem ficar MESMO… e coisa e tal?”.
A mulher relutou e perguntou do que se tratava. Eu lhe mostrei o livro, ela olhou e disse:
- Ah! Mas esse aqui a gente quer sim. Interessa, sim.
E ficou com ele. E vocês que, porventura, costumam freqüentar a biblioteca Aureliano Leite, no Parque São Lucas, e ficaram interessados no “Golpe de 64 em São João da Boa Vista” – ainda mais hoje em dia, em tempos da “Ditabranda Desavergonhada” da Folha, e de revisionismo -, agora já o têm à vossa disposição, cortesia do próprio autor, Jasson de Oliveira Andrade.
Biblioteca Aureliano Leite.
R. Otto Schubart, 196, Parque São Lucas.
Tel.: 2211-7716.
Atendimento: 2ª a 6ª, das 8h às 17h; sábado, das 9h às 16h.

maio 5, 2009

"A morte de D.David Picão, o Bispo progressista", por Jasson de Oliveira Andrade

O Bispo emérito de Santos, D.David Picão, morreu naquela cidade em 30 de abril de 2009. Ele iria completar 86 anos em agosto (Nasceu em Ribeirão Preto a 18/8/1923). A morte dele consternou nossa região: D. David Picão foi o primeiro bispo de São João da Boa Vista (1960-1963), posteriormente Bispo Coadjutor de Santos (1963-1966) e Bispo de Santos (1966-2000), até 26 de julho de 2000, quando renunciou, ficando como Bispo emérito daquela cidade. Ele se ordenou padre em Roma em 10/10/1948.
A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), reunida em Itaici- Indaituba, emitiu, no dia 1º de maio de 2009, uma nota de pesar pelo falecimento de D. David Picão, que tem o seguinte teor: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé (2Tm 3,7). Reunidos em Itaici-Indaiatuba,SP, por ocasião da 47ª Assembléia Geral da CNBB, os bispos recebemos com pesar a notícia do falecimento do bispo emérito de Santos, Dom David Picão, ocorrido nesta quinta feira, dia 30 de abril [2009]. Lamentamos profundamente a morte deste servo do Senhor que, por mais de 30 anos, foi bispo da Igreja Particular de Santos, SP, servindo-a com zelo de pastor e amor de pai. (…) A CNBB agradece a Deus a vida e o trabalho realizado por Dom David ao longo de seus 60 anos de ministério ordenado, dos quais 38 como bispo, convencida de que a ele se aplicam bem as palavras de Jesus Cristo: “Parabéns, servo bom e fiel!… Vem participar da alegria do teu Senhor!” (Mt 25, 21).
Quando soube da morte de D.David Picão, enviei uma mensagem ao padre Toninho Finotti (era de Mogi Guaçu, escrevendo inclusive artigos em jornal de nossa cidade, mas que atualmente reside em Santos): “Tomei conhecimento, consternado, da morte de D.David Picão. Resta agora a lembrança de meu texto no livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, à página 49: D. DAVID PICÃO, O BISPO PROGRESSISTA. Por sinal, foi você quem entregou a ele o meu livro”. Em resposta, padre Toninho disse: “Jasson, lamentamos profundamente a morte de Dom David, mas fica a lembrança de um homem que não se curvou ante os poderosos, e nos deixa um legado histórico de uma pessoa comprometida com o Evangelho de Jesus Cristo. (…) Rezemos por sua saudosa memória tão presente entre nós e que ficará para sempre…”
Padre Toninho tem razão. Por não se curvar ante os poderosos, a passagem de D. David Picão foi polêmica. Em um capítulo de meu livro, já citado acima, escrevi: “O primeiro bispo de São João da Boa Vista, D. David Picão, era considerado um progressista e foi muito contestado pelos fazendeiros [os mesmos que prenderam em 1964, após o Golpe, vários sanjoanenses, inclusive eu]. Um deles, Aécio Amaral, na entrevista que concedeu à Gazeta de São João em 30 de julho de 1981, sobre o Golpe de 64, fez críticas à sua atuação na zona rural. Não foi acusado diretamente de comunista, mas, em 1979, disseram, em um jornal [Opção, já extinto], que ele promoveu agitações e era um dos bispos mais chegados à esquerda. (…) Mesmo tendo sido transferido para Santos, sua atuação era relembrada em nossa cidade, embora tenha ficado em São João da Boa Vista cerca de três anos (31 de julho de 1960 a 11 de maio de 1963)”. Tais acusações foram respondidas, em junho de 1979, pelo então Côn. Luiz G. Bergonzini, hoje bispo em Guarulhos, numa longa nota publicada no jornal A Cidade de São João, também extinto. A acusação e a resposta constam do livro (páginas 50 a 53).
Por todos esses motivos, a memória de D. David Picão nunca será esquecida, principalmente porque está perpetuada pelos seus atos, criticados por uns, mas elogiados por outros.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é sanjoanense e jornalista em Mogi Guaçu
Maio de 2009

"A morte de D.David Picão, o Bispo progressista", por Jasson de Oliveira Andrade

O Bispo emérito de Santos, D.David Picão, morreu naquela cidade em 30 de abril de 2009. Ele iria completar 86 anos em agosto (Nasceu em Ribeirão Preto a 18/8/1923). A morte dele consternou nossa região: D. David Picão foi o primeiro bispo de São João da Boa Vista (1960-1963), posteriormente Bispo Coadjutor de Santos (1963-1966) e Bispo de Santos (1966-2000), até 26 de julho de 2000, quando renunciou, ficando como Bispo emérito daquela cidade. Ele se ordenou padre em Roma em 10/10/1948.
A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), reunida em Itaici- Indaituba, emitiu, no dia 1º de maio de 2009, uma nota de pesar pelo falecimento de D. David Picão, que tem o seguinte teor: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé (2Tm 3,7). Reunidos em Itaici-Indaiatuba,SP, por ocasião da 47ª Assembléia Geral da CNBB, os bispos recebemos com pesar a notícia do falecimento do bispo emérito de Santos, Dom David Picão, ocorrido nesta quinta feira, dia 30 de abril [2009]. Lamentamos profundamente a morte deste servo do Senhor que, por mais de 30 anos, foi bispo da Igreja Particular de Santos, SP, servindo-a com zelo de pastor e amor de pai. (…) A CNBB agradece a Deus a vida e o trabalho realizado por Dom David ao longo de seus 60 anos de ministério ordenado, dos quais 38 como bispo, convencida de que a ele se aplicam bem as palavras de Jesus Cristo: “Parabéns, servo bom e fiel!… Vem participar da alegria do teu Senhor!” (Mt 25, 21).
Quando soube da morte de D.David Picão, enviei uma mensagem ao padre Toninho Finotti (era de Mogi Guaçu, escrevendo inclusive artigos em jornal de nossa cidade, mas que atualmente reside em Santos): “Tomei conhecimento, consternado, da morte de D.David Picão. Resta agora a lembrança de meu texto no livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, à página 49: D. DAVID PICÃO, O BISPO PROGRESSISTA. Por sinal, foi você quem entregou a ele o meu livro”. Em resposta, padre Toninho disse: “Jasson, lamentamos profundamente a morte de Dom David, mas fica a lembrança de um homem que não se curvou ante os poderosos, e nos deixa um legado histórico de uma pessoa comprometida com o Evangelho de Jesus Cristo. (…) Rezemos por sua saudosa memória tão presente entre nós e que ficará para sempre…”
Padre Toninho tem razão. Por não se curvar ante os poderosos, a passagem de D. David Picão foi polêmica. Em um capítulo de meu livro, já citado acima, escrevi: “O primeiro bispo de São João da Boa Vista, D. David Picão, era considerado um progressista e foi muito contestado pelos fazendeiros [os mesmos que prenderam em 1964, após o Golpe, vários sanjoanenses, inclusive eu]. Um deles, Aécio Amaral, na entrevista que concedeu à Gazeta de São João em 30 de julho de 1981, sobre o Golpe de 64, fez críticas à sua atuação na zona rural. Não foi acusado diretamente de comunista, mas, em 1979, disseram, em um jornal [Opção, já extinto], que ele promoveu agitações e era um dos bispos mais chegados à esquerda. (…) Mesmo tendo sido transferido para Santos, sua atuação era relembrada em nossa cidade, embora tenha ficado em São João da Boa Vista cerca de três anos (31 de julho de 1960 a 11 de maio de 1963)”. Tais acusações foram respondidas, em junho de 1979, pelo então Côn. Luiz G. Bergonzini, hoje bispo em Guarulhos, numa longa nota publicada no jornal A Cidade de São João, também extinto. A acusação e a resposta constam do livro (páginas 50 a 53).
Por todos esses motivos, a memória de D. David Picão nunca será esquecida, principalmente porque está perpetuada pelos seus atos, criticados por uns, mas elogiados por outros.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é sanjoanense e jornalista em Mogi Guaçu
Maio de 2009

março 27, 2009

Deputado Paulo Teixeira relembra o Golpe 64, por Jasson de Oliveira Andrade


Poucos dias antes de completar 45 anos do Golpe de 64, o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) pronunciou um histórico discurso na Câmara Federal, analisando a Ditadura Militar, citando ainda o que ocorreu em São João da Boa Vista, além de meu livro. Eis o que ele disse:
“Daqui a menos de uma semana, o Golpe de 64 completará 45 anos. Não é uma data para se comemorar. Muito menos uma data para ser esquecida. Nem diminuída como fez há pouco um grande jornal. O que se seguiu ao Golpe foi uma sucessão de arbitrariedades, injustiças, desmandos que as novas gerações precisam conhecer.
Muita gente foi perseguida, presa, torturada e morta. Muita gente teve a vida irremediavelmente atingida. Muita gente sofreu, muita gente se perdeu.
Vários já falaram sobre esses dias de Chumbo. Mas hoje, nessa tribuna, gostaria de lembrar de gente absolutamente inocente, gente que foi perseguida porque era adversária política dos grandes coronéis da época e que ousou deixar claras suas posições. Isso aconteceu tanto a homens conhecidos e lembrados até hoje, como Vladimir Herzog quanto com alguns colegas de profissão de Herzog que, mesmo em cidades pequenas, tiveram que enfrentar a fúria dos truculentos de plantão. Falo especificamente de um homem, um jornalista, um advogado, um pensador muito querido por mim: meu amigo Jasson de Oliveira Andrade.
Em 1964, Jasson era um exemplar funcionário do então Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência (Samdu) em São João. Nas horas vagas, também era redator do jornal O Município, onde era encarregado, além de redigir as páginas de esportes, de cobrir as atividades da Câmara Municipal.
Jasson também era militante do PTB. Talvez isso tenha irritado o que se chamava de “direita de plantão” na época. O fato é que ele foi preso dois dias depois do Golpe. Passou mais de um mês na cadeia. Depois, foi exonerado.
Perdeu seu emprego no Samdu sem qualquer motivo. Tinha mulher e um bebê de nove meses para sustentar. Não houve qualquer explicação legal para o fato. Jasson não foi o único. Outros companheiros de São João da Boa Vista como Ito Amorim, Hélio Fonseca, Benedito Sérgio de Almeida Brandão, Wilson Lourenço Gomes foram presos e acusados.
Os “comunistas” foram inclusive acusados de serem os responsáveis por uma série de incêndios que haviam ocorrido na região na década anterior. Anos depois foi apurado que não só os acusados eram inocentes como também passou a haver a forte suspeita de que os mesmos dedos que acusavam haviam participado da “obra”.
Jasson conta a sua história no livro “Golpe de 64 em São João da Boa Vista”. Um relato histórico, mas emocionado, de como a ditadura foi capaz de alterar para sempre o destino e a história dele e de outros brasileiros, dos mais comuns aos mais ilustres.
Quem tenta reduzir a extensão dos danos que a ditadura causou a nosso país incorre não apenas num erro histórico detestável, mas numa enorme injustiça. O Golpe não foi nem um pouco brando com Jasson. Mas ele está vivo para contar sua história. Mas também não houve qualquer brandura com outros tantos como Vladimir Herzog, Edson Luiz, Manoel Fiel Filho ou Rubens Paiva – só para citar alguns.
Então, senhor presidente, senhoras e senhores deputados, minha homenagem a todos que se mantiveram firmes naqueles tempos duros. Meu profundo respeito aos que ousaram acreditar. E meu apelo para que não nos esqueçamos daqueles dias. Para que eles jamais se repitam”. (PEQUENO EXPEDIENTE, 25/3/2009)
Torcemos para que realmente aqueles dias jamais se repitam: DITADURA NUNCA MAIS!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
25 de Março de 2009

Deputado Paulo Teixeira relembra o Golpe 64, por Jasson de Oliveira Andrade


Poucos dias antes de completar 45 anos do Golpe de 64, o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) pronunciou um histórico discurso na Câmara Federal, analisando a Ditadura Militar, citando ainda o que ocorreu em São João da Boa Vista, além de meu livro. Eis o que ele disse:
“Daqui a menos de uma semana, o Golpe de 64 completará 45 anos. Não é uma data para se comemorar. Muito menos uma data para ser esquecida. Nem diminuída como fez há pouco um grande jornal. O que se seguiu ao Golpe foi uma sucessão de arbitrariedades, injustiças, desmandos que as novas gerações precisam conhecer.
Muita gente foi perseguida, presa, torturada e morta. Muita gente teve a vida irremediavelmente atingida. Muita gente sofreu, muita gente se perdeu.
Vários já falaram sobre esses dias de Chumbo. Mas hoje, nessa tribuna, gostaria de lembrar de gente absolutamente inocente, gente que foi perseguida porque era adversária política dos grandes coronéis da época e que ousou deixar claras suas posições. Isso aconteceu tanto a homens conhecidos e lembrados até hoje, como Vladimir Herzog quanto com alguns colegas de profissão de Herzog que, mesmo em cidades pequenas, tiveram que enfrentar a fúria dos truculentos de plantão. Falo especificamente de um homem, um jornalista, um advogado, um pensador muito querido por mim: meu amigo Jasson de Oliveira Andrade.
Em 1964, Jasson era um exemplar funcionário do então Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência (Samdu) em São João. Nas horas vagas, também era redator do jornal O Município, onde era encarregado, além de redigir as páginas de esportes, de cobrir as atividades da Câmara Municipal.
Jasson também era militante do PTB. Talvez isso tenha irritado o que se chamava de “direita de plantão” na época. O fato é que ele foi preso dois dias depois do Golpe. Passou mais de um mês na cadeia. Depois, foi exonerado.
Perdeu seu emprego no Samdu sem qualquer motivo. Tinha mulher e um bebê de nove meses para sustentar. Não houve qualquer explicação legal para o fato. Jasson não foi o único. Outros companheiros de São João da Boa Vista como Ito Amorim, Hélio Fonseca, Benedito Sérgio de Almeida Brandão, Wilson Lourenço Gomes foram presos e acusados.
Os “comunistas” foram inclusive acusados de serem os responsáveis por uma série de incêndios que haviam ocorrido na região na década anterior. Anos depois foi apurado que não só os acusados eram inocentes como também passou a haver a forte suspeita de que os mesmos dedos que acusavam haviam participado da “obra”.
Jasson conta a sua história no livro “Golpe de 64 em São João da Boa Vista”. Um relato histórico, mas emocionado, de como a ditadura foi capaz de alterar para sempre o destino e a história dele e de outros brasileiros, dos mais comuns aos mais ilustres.
Quem tenta reduzir a extensão dos danos que a ditadura causou a nosso país incorre não apenas num erro histórico detestável, mas numa enorme injustiça. O Golpe não foi nem um pouco brando com Jasson. Mas ele está vivo para contar sua história. Mas também não houve qualquer brandura com outros tantos como Vladimir Herzog, Edson Luiz, Manoel Fiel Filho ou Rubens Paiva – só para citar alguns.
Então, senhor presidente, senhoras e senhores deputados, minha homenagem a todos que se mantiveram firmes naqueles tempos duros. Meu profundo respeito aos que ousaram acreditar. E meu apelo para que não nos esqueçamos daqueles dias. Para que eles jamais se repitam”. (PEQUENO EXPEDIENTE, 25/3/2009)
Torcemos para que realmente aqueles dias jamais se repitam: DITADURA NUNCA MAIS!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
25 de Março de 2009

dezembro 12, 2008

DISCURSO QUE PROVOCOU O AI-5, por Jasson de Oliveira Andrade

Na seqüência, artigo de Jasson – publicado em 2004, e reproduzido em seu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA ( pág 271 a 273 ) – no qual relembra, em meio às “comemorações” dos 36 anos da decretação do Ato Institucional nº. 5 ( 1968 ), o discurso proferido no Congresso Nacional pelo deputado Márcio Moreira Alves, cujas palavras contundentes – em parte aqui reproduzidas por Jasson – teriam servido de estopim para a decretação pelo governo militar deste Ato. Importante observação de Jasson: ” ( … ) Até hoje o texto do discurso não é conhecido, mas apenas mencionado. Nele, Márcio Moreira Alves pediu o boicote aos militares, em protesto à repressão de estudantes na Universidade de Brasília ( … )”. Tem toda razão, e eu não me excluo disso. Para tentar compensar, incluo aqui o link para o site de “Marcito” onde são disponibilizados, para downloads, diversos livros de sua autoria, além de diversas informações muito interessantes, sobretudo àqueles que desejam/ precisam conhecer mais sobre a política do País naquele período. Aproveitem, leiam, guardem, divulguem, etc: http://www.marciomoreiraalves.com/downloads/livrosdownload.html
A seguir, o artigo de Jasson:
DISCURSO QUE PROVOCOU O AI-5
Neste ano de 2004, o Ato Institucional n° 5 (AI-5) comemora trinta e seis anos, decretado em 13 de dezembro de 1968 pelo presidente Costa e Silva. O Ato, segundo o professor Roberson de Oliveira, determinava o fechamento do Congresso Nacional, a extinção dos mandatos de 51 parlamentares de oposição, censura à imprensa, estado de sítio, suspensão de hábeas-corpus para crimes contra a segurança, julgamento de crimes políticos por tribunais militares, legislação por decreto presidencial e impossibilidade de recurso para os acusados e processados com base no AI-5. O historiador afirma que ele “abriu caminho para uma das fases mais violentas e cruéis da história da República”. A causa do Ato foi um discurso pronunciado em setembro de 1968, pelo então deputado Márcio Moreira Alves (MDB), no pequeno expediente do Congresso Nacional. O discurso não teria repercussão porque o mesmo não foi divulgado pela imprensa. Poucas pessoas o leram. Entre eles, militares da “linha dura”, que exigiram a punição do deputado. O Congresso não aprovou o pedido de licença para processá-lo. Em represália, Costa e Silva decretou o AI-5.
Até hoje o texto do discurso não é conhecido, mas apenas mencionado. Nele, Márcio Moreira Alves pediu o boicote aos militares, em protesto à repressão de estudantes na Universidade de Brasília. Entre outras coisas, disse o deputado:
“Vem aí o 7 de setembro. As cúpulas militaristas procuram explorar o sentimento profundo de patriotismo do povo e pedirão aos colégios que desfilem juntos com os algozes dos estudantes. (…) Este boicote pode passar também — sempre falando de mulheres — às moças, àquelas que dançam com os cadetes e namoram os jovens oficiais. Seria preciso fazer hoje no Brasil, com que as mulheres de 1968 repetissem as paulistas da Guerra dos Emboabas e recusassem a entrada à porta de sua casa àqueles que vilipendiam a Nação. Recusassem em aceitar aqueles que silenciam e, portanto, se acumpliciam. Discordar em silêncio pouco adianta. Necessário se torna agir contra os que abusam das Forças Armadas, falando e agindo em seu nome”.
O discurso de Márcio Moreira Alves seria apenas um rompante do jovem deputado carioca. Poder-se-ia dizer impensado. Este foi o entendimento do Congresso que negou a licença. Entretanto, os militares da “linha dura” não pensavam da mesma maneira. Pressionaram o presidente Costa e Silva, que não teve outra saída senão assinar o AI-5, bem como a repressão que se seguiu.
Outro dia lendo o livro Minhas Memórias, de José Osório de Oliveira Azevedo, presente do primo e amigo Osorinho (dr. José Osório de Azevedo Júnior, desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo e presidente do Conselho Executivo da Associação Juízes para a Democracia), tive oportunidade de tomar conhecimento dessa revelação: “Em maio de 1969 recebi em São Paulo um belo retrato de meu avô José Procópio e de seu irmão Domingos Theodoro, acompanhado da seguinte carta, em papel com o timbre de Branca de Mello Franco Alves: “Rio, 30.4.69. Caro primo. Tive o grande prazer de conhecer Marieta ( filha de José Osório ) no Chile ( onde se encontrava exilada, ao que parece ), e sua familiazinha, barulhenta, mas “charmante”. Gostei de afinal encontrar esta parenta de que minha nora falava tanto. E que grande homem é o seu genro! (Plínio de Arruda Sampaio)”. Ainda não conheço pessoalmente esta prima tão simpática, mas conheço o seu marido Márcio de Mello Franco Moreira Alves, que me visitou em minha casa, aqui em São João da Boa Vista.
(…) Branca e Márcio são pais do deputado Márcio Moreira Alves, cujo discurso na Câmara Federal desencadeou a crise de que resultou o Ato Institucional n° 5 (págs. 55 e 56). Desconhecia esse parentesco entre o sanjoanense José Osório e Márcio Moreira Alves, através da mãe, Branca.
Márcio Moreira Alves atualmente se encontra gravemente doente e impossibilitado de escrever a sua coluna no O GLOBO, a qual é assinada por outros jornalistas. { Em 2007, Márcio Moreira Alves, ao que tudo indica, NINGUÉM FALA NO ASSUNTO, ainda se encontra gravemente doente, e sua coluna desapareceu de O GLOBO }.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Outubro de 2004.

"Marcito", por Carlos Heitor Cony.

MARCITO
Carlos Heitor Cony
RIO DE JANEIRO – Quarenta anos atrás, num 11 de dezembro, a Câmara Federal negava a licença para que o governo da época processasse o deputado Márcio Moreira Alves. Em represália, dois dias depois, foi editado o AI-5, que fechou definitivamente o regime. A história é sabida, apesar das versões divergentes sobre detalhes pontuais.Marcito ainda não era conhecido nacionalmente, mas já se tornara personagem no Rio dos anos 50 e 60. Bem nascido, parente dos Melo Franco e dos Rodrigues Alves, promovia réveillons famosos em seu apartamento na Vieira Souto. Muito jovem, seus melhores amigos eram mais velhos do que ele: Antônio Callado, Rubem Braga, Affonso Arinos (pai). Ganhou um Prêmio Esso de reportagem quando foi ferido num tiroteio em Alagoas. Em 1964, fez parte do grupo que, no “Correio da Manhã”, desde os primeiros dias da quartelada, denunciava as torturas do novo regime. Em 65, foi preso na porta do hotel Glória quando, ao lado de outros amigos, protestava contra o marechal Castelo Branco, que presidia uma reunião da OEA.
Elegeu-se deputado pela antiga Guanabara, foi cassado e viveu anos no exílio. Ao voltar, optou por um jornalismo sem ressentimentos. Dedicava uma crônica semanal a um aspecto positivo da sociedade brasileira, destacando municípios e entidades que davam certo. Em todos os sentidos, Marcito era não apenas um garotão de sucesso, mas um puro.Atravessa grave crise de saúde. Fui visitá-lo no hospital Samaritano, estava no CTI. A mídia vem relembrando, nesta semana, a data redonda do AI-5. Chovem os comentários, as análises, levanta-se o background de um dos episódios mais dramáticos da vida nacional. Eu penso em Marcito e me honro de sua companhia e amizade.
————————————————————————————————————————————————————————-
COMEÇOU ASSIM: o Jasson [ de Oliveira, caso vocês sejam muito esquecidos ] enviou seu último artigo [ AI-5 e seus reflexos em São João: Porque não fomos punidos" ] para “Hamilton” [ que vem a ser seu "conterrâneo", o colunista da Caros Amigos, Hamilton Octávio Pereira mas eu também recebi, postei e respondi-lhe, sem deixar de dizer que ele se confundira com os nomes ] .
NA MESMA mensagem, eu lhe disse que soubera, em leitura do “Giba Um” [ eu também errei: foi o Ancelmo Goes ], que Márcio Moreira Alves possui um site: http://www.marciomoreiraalves.com/quem.htm [ sem desconsiderar que Jasson soubesse dele ].
LOGO a seguir, Jasson me respondeu [ veja o trecho selecionado ]:
” ( … ) Quanto ao Márcio Moreira Alves, pensei que ele estivesse muito doente, em coma. Fiquei muito contente com essa informação sua. Irei entrar no site dele, com muito prazer! Por sinal, o Marcito é parente de meu parente, então, ele é meu parente também. Releia, para ver essa minha revelação, o meu artigo DISCURSO QUE PROVOCOU O AI-5 (NO MEU LIVRO, PÁGINA 271). Grato por tudo. Um abraço, JASSON ( … )”.
Que bom. Às vezes eu consigo dar uma dentro. Toca a vida…
MAS, pouco depois, recebo novo email de Jasson:
Márcio Moreira Alves: doente?
Humberto: Depois que lhe enviei o email abaixo, abri o site de Márcio Moreiro Alves. No entanto, não lí nada da lavra dele. Será que ele se encontra muito doente e o site é uma homenagem? Enviei para o email dele o meu artigo DISCURSO QUE PROVOCOU O AI-5 (no meu livro, página 271) e também esse último. Não sei se receberam ou não. Caso tenha alguma resposta, comunico-lhe. JASSON”
BEM, pensei, tomara que Jasson consiga informações, e que sejam boas.
SÓ QUE, chega outro email de Jasson, e as notícias não são das melhores:
Cony confirma GRAVE doença de Márcio Moreira Alves
Humberto: Em meu último email (RECEBEU?), ao estranhar que não li, no site de Márcio Moreira Alves, nada da lavra dele, perguntei-lhe: será que o Márcio Moreira Alves encontra-se gravemente doente? Infelizmente, o artigo de Carlos Heitor Cony, publicado hoje [ "Grifo meu" - Humberto ] na Folha, confirmou a minha previsão. Veja, se ainda não viu, o artigo de Cony. No parágrafo final, ele comenta a grave doença dele. JASSON”
NÃO, ÀQUELA HORA eu não havia ainda lido a Folha. Li o artigo do Cony que Jasson anexou ao email e respondi-lhe:
“Oi. Sim, recebi [ o email ] e li. Desculpe não ter respondido.
É uma pena. E pouco está se falando, dada a relevância da personagem em questão. A coincidência do Cony falar sobre isso, justamente agora, assusta.
Que pena. Obrigado pelo Cony, vou publicar. Humberto”
NO QUE ELE [ Jasson ] replicou:
Ainda a doença de Marcito: notícia no meu livro
Humberto: Não achei estranho o Cony falar da doença de Márcio Moreira Alves. Achei bacana essa homenagem, que você, acertadamente, vai reproduzir. Marcito merece. A doença dele é antiga. No meu livro, no final do artigo DISCURSO QUE PROVOCOU O AI-5 (página 271), escrevi: “Márcio Moreira Alves atualmente se encontra gravemente doente impossibilitado de escrever sua coluna no O GLOBO, a qual era assinada por outros jornalistas. [Em 2007, Márcio Moreira Alves, ao que tudo tudo indica, NINGUÉM FALA DO ASSUNTO, ainda se encontra gravemente doente e sua coluna desapareceu de O GLOBO]“. Isto consta do meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA. Continuo achando estranho o silêncio sobre a doença dele, a não ser que a família pede que nada se fale à respeito. Aí entendo o silêncio. JASSON”
EU NÃO HAVIA ainda postado o Cony, pois eu tive uns afazeres, mas não esquecera da promessa. Em uma ocasião seguinte, dando uma olhada corrida nos meus emails ( tenho Yahoo, GMail, Hotmail e BOL!! ) , percebi que Jasson me enviara mais um:
“68 mudou o mundo – Márcio Moreira Alves
Em anexo, o livro de Márcio Moreira Alves, 68 MUDOU O MUNDO. Para ler e repassar. JASSON
68-mudou-o-mundo – Márcio Moreira Alves.pdf (779 KB)
FOI COM ESTE post que surgiu-me a idéia de postar, além do Cony, também a troca de emails entre eu e Jasson. Pois Jasson, que tem Marcito entre as personagens de sua profunda admiração, parece ter se dado conta de que, talvez, uma personagem da estatura histórica do deputado cassado pelo AI-5, merecesse muito mais que um simples artigo de Cony, ou um canto de página de jornal. Por minha vez, eu fiquei comovido com a urgência que Jasson imprimiu, impondo para si a tarefa de mexer com a memória de seus conhecidos e leitores, contribuindo com a divulgação da obra e biografia de Marcito, tão desconhecido entre muitos de nós [ não me excluo ], apesar de ter provocado, com um simples discurso, uma reviravolta ( ou a revelação de sua verdadeira face ) na condução da chamada “Revolução de 64″. Com isso, a repressão recrudesceu. Mas isso é outra história, e eu deixo para quem realmente entende do riscado.
EU ALIMENTO o desejo de que, um dia, este post viesse a ser lido por ninguém mais, ninguém menos, que o próprio Marcito. Este poderia seguir confiando que ainda existe no País – neste período de cinismo malicioso e oportunista – quem guarde, carinhosamente, a lembrança de pessoas que possam ter servido de inspiração e, que sintam-se honrados por ter – mesmo à distância física – compartilhado o mesmo princípio e estado no mesmo lado em um dado momento da História, justamente um dos momentos – longos, angustiantes, demorados – mais marcantes e delicados desta História. E Marcito saberia que uma dessas pessoas é Jasson.

HUMBERTO

dezembro 9, 2008

"AI-5 e seus reflexos em São João: Porque não fomos punidos", por Jasson de Oliveira Andrade

Há 40 anos, no dia 13 de dezembro de 1968, o marechal-presidente Artur da Costa e Silva decretou o Ato Institucional nº 5, o AI-5. Carlos Marchi, no texto “AI-5, A liberdade assassinada”, Caderno Especial, Estadão (7/12/2008), revela o “motivo” dessa mudança radical da Ditadura Militar: “A linha dura militar buscava pretextos para fechar de vez o regime. O motivo ideal se revelou num discurso tão despretensioso quanto inconseqüente do deputado Márcio Moreira Alves (MDB da Guanabara), de 32 anos. Às vésperas do 7 de setembro, ele apelou da tribuna da Câmara [ em protesto contra a repressão aos estudantes na Universidade de Brasília ] para que as moças não namorassem jovens oficiais. O governo militar quis processá-lo, mas a Câmara negou a licença. A resposta foi o AI-5”. O pedido foi negado por 216 votos, entre eles 96 votos de parlamentares da ARENA, partido situacionista. Estes votos foram fundamentais para a derrota do governo. Posteriormente alguns desses arenistas foram punidos, com a cassação de seus mandatos.
Carlos Marchi mostra o que aconteceu depois: “O Ato nº 5 devastou a vida política e cultural brasileira. Com base nele, 1.577 cidadãos foram punidos – 454 perderam mandatos políticos ou tiveram os direitos políticos suspensos [ Entre eles, Carlos Lacerda, líder civil do Golpe de 64, em 30/12/1968, sendo ainda preso ], inclusive 3 ministros do Supremo Tribunal Federal; 548 funcionários civis foram aposentados, 334, demitidos e 241 militares, reformados. As Assembléias dos Estados da Guanabara e do Rio, então separados, São Paulo, Pernambuco e Sergipe foram postas em recesso. Foram proibidos mais de 500 filmes e telenovelas, 450 peças teatrais, 200 livros e 500 letras de músicas; o Estado e a Tribuna da Imprensa, que não admitiram censura prévia, receberam censores nas oficinas”. Segundo Gilson Caroni Filho, “para banir oposicionistas [ o Ato ] foi empregado 80 vezes. Antes de revogá-lo, no final [ dezembro ] de 1978, o general Geisel dele fez uso várias vezes”. Dez anos durou esta quase completa ESCURIDÃO!
O AI-5 teve reflexo em São João da Boa Vista? Diretamente, não. Ninguém foi punido.
No entanto, os presos políticos sanjoanenses, revelados por mim ( GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA ), tiveram sorte. O IPM ( Inquérito Policial Militar ) de São João foi arquivado em 28 de junho de 1967. O arquivamento se deu apesar da pressão para que os acusados fossem condenados, conforme relata o Promotor Nicolau D´Ambrósio: “Víamos confirmados os nossos receios: o IPM era conseqüência de maquinações políticas. Dizia, de modo bem claro, o honrado major encarregado, QUE NADA APURARA ( destaque meu ) que o levasse a indiciar quem quer que fosse como autor de atos contra a Segurança Nacional. E O SEU RELATÓRIO ERA NESSE SENTIDO. PORÉM, COM ESSA SOLUÇÃO NÃO CONCORDARAM SUPERIORES SEUS; FIZERAM-LHE VER QUE OUTRA SERIA A SOLUÇÃO DO COMANDO ( destaque meu ). Elaborou, então, novo relatório, indiciando os 36 acusados”. O Juiz Auditor, José Tinoco Barreto, aceitou os argumentos do Promotor e, mesmo com a pressão, arquivou o IPM. Se o julgamento tivesse sido após o AI-5, ou seja, 13 de dezembro de 1968, pouco mais de um ano do arquivamento, os 36 acusados seriam punidos: a pressão seria acatada. Não tenho dúvidas disso. A minha certeza leva em conta essa revelação do jornalista Carlos Chagas, em “A GUERRA DAS ESTRELAS, página 138: “[Com o AI-5] Até juízes são cassados, sempre que fica evidenciado não terem aplicado penas violentas contra subversivos ou ACUSADOS DE SUBVERSÃO (destaque meu). (…) O juiz auditor-militar, José Tinoco Barreto, é aposentado POR ESTAR ABSOLVENDO PRESOS POLÍTICOS ( destaque meu )”. Essa punição do juiz auditor-militar não foi motivada, entre outras decisões, por ter arquivado o IPM de São João da Boa Vista? Acredito que sim. Por isso, concluo: felizmente fomos julgados e inocentados antes do AI-5! O reflexo dele naquela cidade, foi, ao que tudo indica, a punição ( aposentadoria ) do Juiz Auditor José Tinoco Barreto.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é sanjoanense e jornalista em Mogi Guaçu
Dezembro de 2008

julho 8, 2008

Mensagens sobre GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO, por Jasson de Oliveira Andrade

Quando do lançamento do livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, no dia 29 de março, na Livraria Papyrus, recebi uma carta do deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), por intermédio de seu assessor José Carlos Colabardini, informando-me: “Impossibilitado de estar presente neste importante evento, quero manifestar minha admiração pela história de compromisso que você tem com o nosso país”. Adiante afirma: “Assim que receber o livro, vou devorá-lo em poucos dias, porque, além de retratar um importante período da história do Brasil, relata a participação de importantes personagens que tive o privilégio de conhecer de perto”.
O escritor de Itapira, Jácomo Mandato, autor de “Joaquim Firmino – O Mártir da Abolição”, que se tornou conhecido no Brasil graças a um artigo do historiador Elio Gaspari na Folha de S.Paulo (23/9/2001), sob o título “A noite brasileira da Ku Klux Klan”, no qual comenta, com destaque, essa consagrada obra, assim se manifestou, em carta, sobre o meu texto impresso: “Li com muito interesse sua obra e fiquei realmente admirado com a destacada participação que você teve nos “tristes anos de chumbo em São João da Boa Vista”! (…) A população da cidade de Guiomar Novaes deve orgulhar de ter em você o narrador daqueles momentos terríveis da vida brasileira!” Outro intelectual, Cícero Alvernaz, de Mogi Guaçu, poeta e cronista dos melhores, escreveu sobre outros depoimentos à respeito de GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO: “A repercussão, mais do que justa, do seu excelente livro é muito gratificante, tanto para o autor quanto para os leitores”. Humberto Capellari, do Blog O CATA-MILHO, testemunhou: “Gostei muito do livro. Parabéns, ficou muito bom. Sem exagero, servirá de referência”. Além dessa opinião, ele escreveu, em seu Blog, dois alentados artigos, analisando o livro. Lamentavelmente, não tenho espaço para transcrevê-los. Mereciam!
Padre Toninho Finotti ( era de Mogi Guaçu e agora se encontra em Santos ) foi o portador para entregar o meu livro a D.David Picão, que faz parte de meu texto ( D.DAVID PICÃO, O BISPO PROGRESSISTA, página 49 ) enviou-me essa mensagem sobre minha obra: “Realmente são memórias que ficarão gravadas para sempre, de um modo especial, por aqueles que ajudaram a construir este “momento de nossa História”. Graças à coragem e determinação de muitos que acreditavam e acreditam, ainda hoje, numa sociedade justa e solidária, que nosso País pode ao longo destes anos, sobreviver às cicatrizes deixadas por um autoritarismo que ultrapassou os limites da liberdade e da vida de tantos cidadãos. (…) Continuo apreciando com carinho a leitura do livro… e já me deparei com algumas surpresas, mas que não me abalam, pois, onde entra o cerceamento da liberdade de expressão, tudo se torna possível… at. Hoje (10/6/2008) entreguei ao Dom David [ Picão ] o exemplar a ele endereçado”.
Houve outras manifestações, que ficarão para outra oportunidade. Sou grato a esses depoimentos, que me emocionaram!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu e autor de “Golpe de 64 em São João da Boa Vista
Comentário do Humberto: Agradeço a gentileza, Jasson, mas ainda assim acho que os posts ficaram aquém da obra a que se pretendia comentar. E, como prova de que eu não exagerara, ao dizer que seu livro serviria de referência, já me servi de um texto seu, sobre o auxílio do proprietário do Estadão ao Golpe de 64, tendo até redigindo um Ato Institucional “rigoroso demais”. Mais uma vez, parabéns e sucesso!!

julho 7, 2008

Comemorando o 9 de Julho: Dono do "Estadão" propôs Ato Institucional que assustou até mesmo os generais da ditadura!!

O artigo a seguir foi extraído de “Golpe de 64 em São João da Boa Vista” ( pág 269 a 271 ) de Jasson de Oliveira Andrade, tendo sido publicado, anteriormente em “O Regional” em 24 de janeiro de 2003. Mais abaixo, Jasson comenta a “Moção de Aplausos” a seu livro, recebida junto à ALESP, por iniciativa do deputado Simão Pedro ( PT ). Pelo trecho a seguir, pode-se vislumbrar o valor da obra de Jasson.
A censura do “Estadão”
O “Estadão”, designação adotada pelo próprio O Estado de São Paulo, foi perseguido por Getúlio Vargas, então ditador ( Estado Novo ). Houve mesmo intervenção no jornal. Os Mesquita, seus proprietários, se exilaram. Muitos anos depois, Júlio Mesquita Filho tornou-se líder civil do Golpe de 64.
No início da ditadura militar, segundo Élio Gaspari no seu livro A Ditadura Envergonhada, “foram inúmeras as propostas de demolição das franquias constitucionais”. Entre elas – revela Gaspari – “uma vinha do jornalista Júlio Mesquita Filho, proprietário do O Estado de São Paulo. Redigida com a colaboração do advogado Vicente Ráo, catedrático de Direito Civil da Universidade de São Paulo e ministro da Justiça no Estado Novo ( Vargas ), foi a primeira a chamar-se Ato Institucional. Sugeria a dissolução do Senado, Câmara e assembléias legislativas, anulava o mandato dos governadores e prefeitos, suspendia o habeas-corpus e pressupunha que seria o primeiro de uma série” ( pág. 122 ). Uma contradição: o colaborador dele serviu ao governo do algoz ( Getúlio Vargas ) de sua família! O Ato não foi adotado: era muito autoritário!
O Ato Institucional sugerido pelo dono do “Estado” foi seguido pelo AI-5, em 13/12/1968, instituindo a censura no Brasil. Entre os censurados, os jornais dos Mesquita!
No dia 11/12/2002, na matéria “Júlio de Mesquita faria 80 anos hoje ( Memória )”, O Estado de São Paulo prestou uma homenagem póstuma ao ex-diretor, falecido a 05/06/1996. Nela há um relato que merece transcrição: “Submetido à censura prévia pelo Ato Institucional nº. 5, o ‘Estado’ publicava trechos de Os Lusíadas, de Luís de Camões, nos espaços reservados às informações e reportagens vetadas… No Jornal da Tarde, os leitores encontravam receitas de doces e bolos. Essa foi a saída que os dois jornais encontraram para escapar à autocensura que nunca aceitaram”.
Outra revelação do jornal: “Intimado a prestar depoimento num inquérito policial militar ( IPM ), Júlio Neto respondeu a um curto interrogatório que ficou antológico na história do governo Médici”.
- O senhor é diretor-responsável do jornal O Estado de S.Paulo?
- Não, respondeu o jornalista.
- Então, quem é?
- O ministro da Justiça, professor Alfredo Buzaid, que todas as noites tem um censor na tipografia do jornal.
Um Ato Institucional proposto pelo pai de Júlio Mesquita Neto – o de nº. 5 – atingiu também o “Estadão”, censurando-o. Era o feitiço contra o feiticeiro! Outros “revolucionários” também foram punidos. Mas essa é outra história.
Meu livro: Moção do deputado Simão Pedro
Jasson de Oliveira Andrade
O deputado Simão Pedro apresentou uma Moção de Aplausos ao livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, sob o Nº 37, datado de 28 de maio de 2008 e que foi publicada em 6 de junho. A Moção tem o seguinte teor: “O Livro Golpe de 64 em São João da Boa Vista idealizado por Francisco de Assis Martins Bezerra – editor e por Jasson de Oliveira Andrade – autor relata momentos importantes da história política de São João da Boa Vista. Embasado em pesquisas e fatos vivenciados, o autor Jasson de Oliveira Andrade, ex-preso político, relata os acontecimentos que precederam o Golpe militar de 1964 e os efeitos do mesmo sob o enfoque local, permitindo que a população de São João da Boa Vista conheça sua história e os principais protagonistas que refletiam as forças políticas da época e os interesses representados em seu município.
Esta brilhante e corajosa obra literária permite que conheçamos melhor a história deste importante município paulista, para que possamos entender a atualidade e assim, buscar maior desenvolvimento cultural, social e até mesmo econômico.
A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO, aplaude os Senhores Jasson de Oliveira Andrade -autor e Francisco de Assis Martins Bezerra – editor pelo importante trabalho histórico-literário que resultou na publicação do livro Golpe de 64 em São João da Boa Vista que tornou acessível a todos, as circunstancias e fatos que envolveram este período sombrio da história de nosso país, sob um corajoso enfoque local que permite identificar as forças políticas e interesses da época, compará-los aos dias de hoje e estimular o surgimento de novas lideranças” .
A iniciativa do deputado petista reflete a repercussão que obteve o livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, confirmando a boa venda dele em São João (PAPYRUS) e em Mogi Guaçu (LIVRARIA NOBEL). Recebi também mensagens de elogios ao livro. Entre outras, destaco duas. Uma da escritora sanjoanense Yola Oliveira Azevedo, autora de A RECONQUISTA. Outra do professor Messias Prado, que leciona em Mogi Guaçu.
Yola assim se manifestou: “Acabei de ler seu livro – com muita atenção”.
“É excelente – tanto pela redação como pelo cuidado ao mostrar documentos que comprovam abusos incríveis de supostas “autoridades” – armadas – na época. Há momentos chocantes, tristissimos, que muito me comoveram”.
Parodiando Drummond – temos de lembrar para nunca esquecer”.
O professor Messias, de Mogi Guaçu, escreveu: “Terminei de ler seu excelente livro. Realmente é um registro de eventos que não devem mais acontecer… Interessante que, à medida que vamos lendo, vamos nos identificando e adquirindo simpatia com alguns personagens, enquanto em relação a outros nossos sentimentos são de raiva e em alguns momentos passamos a detestá-los. Enfim, como já cantaram Plabo Milanês e Chico Buarque:
“E quem garante que a História
É carroça abandonada
Numa beira de estrada
Ou numa estação inglória?
A História é um carro alegre
Cheio de um povo contente
Que atropela indiferente
Todo aquele que a negue.”
(Cancion por la unidad de Latino América)
Obrigado por nos passar sua experiência e sua vivência através de importante registro em livro.”
Esses depoimentos, e outros que recebi, mostram que valeu a pena escrever GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é sanjoanense e jornalista em Mogi Guaçu.
Postado em: 01/07/2008
Portal Mogi Guaçu
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