ENCALHE

setembro 8, 2009

"O dia em que Jango prendeu o cabo Anselmo", por Argemiro Ferreira

O dia em que Jango prendeu o cabo Anselmo
A veemência com que, na entrevista ao Canal Livre da Rede Bandeirantes, o notório cabo Anselmo (José Anselmo dos Santos), de olho numa indenização como “perseguido político”, tentou negar que já era agente infiltrado (e provocador) da direita ANTES do golpe de 1964, não consegue contestar o depoimento enfático do delegado Cecil Borer em 2001 – conforme o texto (talvez definitivo) assinado por Mário Magalhães na Folha de S.Paulo, a 31 de agosto de 2009 (leia AQUI).
Estou me metendo nessa discussão por ser assunto que me apaixona desde que participei, há pouco mais de três décadas, de uma reportagem de investigação da revista Playboy, conduzida pelo jornalista Marco Aurélio Borba, meu amigo (e editor nacional de Opinião no período em que dirigi sua redação, 1975-76), que morreria poucos anos depois, num acidente em Brasília. Ouvi depoimentos para a revista no Rio, enquanto mais jornalistas faziam o mesmo em outros estados (não tenho aquele número da revista, mas seria bom se alguém pudesse informar ao menos o mês e o ano, entre 1977 e 1979, pois ainda acho que existem ali dados relevantes).
Na época entrevistei vários militantes de partidos clandestinos e ex-presos políticos que tiveram contato com Anselmo (alguns insistem ainda hoje no detalhe de que seria apenas marinheiro de 1ª classe e não cabo). Eles relataram fatos e dúvidas. Ouvi ainda pessoas que tinham servido no coração do governo João Goulart. A começar por meu amigo pessoal Raul Ryff, ex-colega de trabalho no Departamento de Pesquisa do Jornal do Brasil, que tinha sido secretário de imprensa de Jango.
Com a ajuda de Ryff, cheguei a outros nomes de pessoas que tinham servido no Palácio durante o governo Jango. Eduardo Chuahy, amigo dele, capitão do Exército até ser cassado em 1964, servira como ajudante de ordens no gabinete militar da presidência, então chefiado pelo general Assis Brasil, reconstituiu com riqueza de detalhes o clima existente no setor militar do Palácio e as muitas trapalhadas de Assis Brasil, que garantia existir o célebre – e ilusório – “dispositivo militar” capaz de impedir um golpe.
O aviso de Corseuil: “ele é espião”
Eu estava particularmente interessado em falar com o comandante Ivo Acioly Corseuil, o que foi possível na época graças ao aval de Ryff e Chuahy, que o conheciam bem. De fato, Corseuil contou muita coisa, aprofundando relatos já conhecidos. Mas o núcleo central do depoimento dele a mim foi a ratificação do que já dissera a Moniz Bandeira e estava no livro (publicado em 1977) O Governo João Goulart – as lutas sociais no Brasil, 1961-1964 (capa na parte inferior deste texto), sobre o qual escrevi minuciosa resenha para IstoÉ, infelizmente publicada na época com alguns cortes.
Ele explicou que no governo de Jango o chefe da Casa Militar (Assis Brasil) era também secretário do Conselho de Segurança Nacional. Segundo a entrevista que Corseuil me deu, em 1962 ele era chefe de gabinete do CSN e em 1963 passou a sub-chefe da Casa Militar. Entendi então que era de 1962, no tempo em que estava no CSN, o informe (ele não lembrava a data precisa) avisando que Anselmo era agente infiltrado, provocador e trabalhava para a CIA.
Corseuil me disse que tinha informações de várias fontes, segundo as quais havia gente infiltrada entre os marinheiros. Até pessoas vestidas de marinheiros que, na verdade, não eram marinheiros. Uma das fontes que lhe passaram tais informações era “um rapaz da turma de Carlos Lacerda”, então governador da Guanabara. Julgou confiável o dado porque o rapaz, que conhecia há algum tempo, ex-funcionário do ministério da Marinha, trabalhava para Lacerda junto aos marinheiros (lacerdista, tinha saído do emprego para trabalhar no Palácio Guanabara).
A informação de que Anselmo (que aparece acima, à direita, numa foto de 1964, e aqui ao lado, à esquerda, em foto recente, de óculos escuros e sob o logotipo da Globo) era agente da CIA não viera desse agente (identificado apenas como “Tanahy”) e sim de um correspondente de jornal norte-americano – “pessoa com muitos contatos, que falava com muita gente”. Ele sempre telefonava para dar informações. Por exemplo, tinha passado imediatamente a informação sobre uma reunião de Lacerda com correspondentes norte-americanos para conclamar os EUA a derrubar Jango.
Para a CIA, “útil por liderar”
Para Corseuil, Anselmo não era o único agente infiltrado, mas pode ter sido escolhido pela CIA onde era visto como capaz de liderar. Perguntado por que nada foi feito pelo governo de Jango, apesar das muitas informações e avisos feitos, respondeu que as providências não cabiam ao CSN. A Marinha é que teria de se aprofundar no caso, por estar na sua área. A tarefa teria de ser especificamente do Cenimar, que era sempre avisado. Corseuil enfatizou que também tomara a iniciativa de avisar pessoalmente o Cenimar. “Aquela gente do Cenimar era toda do Lacerda. E o Lacerda fomentava a rebelião”, disse-me ele.
Corseuil também explicou que nenhuma providência foi tomada desde 1962, apesar de tantos avisos e informes, em parte por causa do próprio temperamento de Jango, que “tinha um coração grande demais”. Lembrou o episódio da revolta dos marinheiros, no Sindicato dos Metalúrgicos, quando o presidente foi especificamente alertado para o papel de Anselmo e nada fez – embora outras pessoas do governo também tenham alertado na época para a necessidade de ação vigorosa para deter a conspiração.
Mas pelo menos dois oficiais que serviam no Palácio recordam ainda hoje um episódio no qual Jango, pessoalmente, agiu com firmeza, mostrando estar consciente do papel de Anselmo como provocador e agente infiltrado. Chuahy, então capitão, pediu que Ryff alertasse Jango e mostrasse ao presidente como a mídia, desde que começara o problema dos sargentos, superdimensionava a questão (em busca de reações contra a indisciplina), apostando ainda numa ação potencial de Anselmo que agravasse o quadro e empurrasse até os moderados das Forças Armadas para o lado do complô golpista em marcha.
O episódio citado foi o da prisão de Anselmo em março de 1964, quando tentava penetrar – e falar – na reunião do Automóvel Clube. Tem sido praticamente ignorado até hoje, pois nunca interessou à mídia, cúmplice do processo golpista desde o início. Quem me reviveu o episódio agora, com detalhes preciosos que expõem o repúdio de Jango à indisiciplina que enfraquecia o governo na área militar e encantava os golpistas e a mídia, foi o coronel Juarez Mota – à época capitão e ajudante de ordens (além de amigo) do presidente, hoje aposentado, com 75 anos, e vivendo em Porto Alegre.
“Preso por ordem do presidente”
Estava em andamento, claro, a operação destinada a desestabilizar o governo, como parte do esforço para superdimensionar os movimentos dos sargentos e dos marinheiros (ainda que muitos, obviamente, tenham deles participado por desinformação ou ingenuidade). Conforme o relato do coronel Juarez, o presidente não sabia que Anselmo planejava falar no Automóvel Clube, mas tinha consciência de que ele era agente infiltrado na esquerda.
“Quem o viu chegar foi o coronel Carlos Vilela, da Casa Militar”, conta o militar aposentado. “Como eu estava mais à frente, acompanhando o presidente, ele me chamou: ‘Está chegando o cabo Anselmo, o que faço?’ O próprio Jango antecipou-se e deu a ordem: ‘Prende!’ Quando Anselmo começava a entrar, voltei com Vilela, que o segurou pelo ombro, enquanto eu punha a mão no pescoço. Os dois desviamos o cabo à força para outra sala, onde havia um sofá de dois lugares. Vilela mandou que ele sentasse e comunicou: ‘Por ordem do presidente, o senhor está preso’. Em seguida Vilela foi chamar o coronel (Domingos) Ventura, comandante da Polícia do Exército. Ventura veio com a escolta e levou Anselmo preso para o quartel da PE.”
Para Juarez, aquela ordem firme de Jango deixou claro que não tinha dúvida sobre quem era Anselmo. Podemos concluir que a avaliação coincidia com a descrição de Cecil Borer, delegado e torturador que o usava no DOPS como informante (conforme contou à Folha em 2001) juntamente com “a Marinha e os americanos”. O relato de Juarez é reforçado por Chuahy, que à época já era veemente também na crítica aos movimentos de sargentos e marinheiros, devido á manipulação oculta da oposição direitista com apoio da mídia. Vilela morreu no ano passado (2008). Tinha sido ajudante de ordens do general Zenóbio da Costa na II Guerra Mundial.
Juarez Mota continuou no Exército (aposentou-se como tenente-coronel) e nunca deixou de ser amigo de Jango, que conhecia praticamente desde criança. Natural de São Borja, também era parente do presidente Getúlio Vargas: seu avô era primo-irmão de Getúlio e a bisavó Zulmira Dorneles Mota era irmã de dona Cândida Dorneles Mota, mãe do presidente que se matou em 1954.
No papel de ajudante de ordens do presidente, o capitão Juarez aparece na capa do livro de Moniz Bandeira, do lado direito da foto. É o militar uniformizado, em destaque logo atrás de Jango. Ele próprio me confirmou essa identificação. E creio que é também o que aparece na primeira foto, na abertura deste post, entre o presidente e a primeira dama Maria Tereza Goulart.

agosto 13, 2009

"Reaparecimento do Cabo Anselmo após 45 anos", por Jasson de Oliveira Andrade

O Cabo Anselmo, 67 anos, reapareceu depois de 45 anos vivendo clandestino. O motivo desse aparecimento foi para tirar impressões digitais em São Paulo para recuperar documentos. O que foi feito em 30/7/2009. O procedimento, segundo o jornalista Lucas Ferraz, em reportagem para a Folha (31/7), é para instruir o seu pedido de anistia, visando a ser indenizado como “vítima” do golpe de 64. No artigo “O dito cabo Anselmo” (Folha, 4/8), Janio de Freitas escreveu: “Quem é esse Anselmo, que história verdadeira tem vivido há meio século e por que se decidiu a fazê-la são ainda segredos. Para os quais Anselmo pretende a reparação criada, entre outras, PARA AS SUAS VÍTIMAS” (Destaque meu). Aí é que entra a “misteriosa” vida de Cabo Anselmo, que vamos ver adiante.
Cabo Anselmo vivia escondido porque estava supostamente jurado de morte. O motivo dessa ameaça resultou de sua traição aos ex-companheiros, dedurando-os ao regime militar, precisamente ao delegado Fleury. Devido a essas delações, muita gente foi presa, torturada e, segundo ele mesmo declarou a uma revista, resultou na morte de “cem, duzentos” militantes de organizações de extrema esquerda, inclusive sua companheira, a jovem paraguaia Soledad Viedma, grávida dele. Temeroso de vingança, ele se escondeu por 45 anos, só reaparecendo agora!
Antes dessa traição, Cabo Anselmo, em 1964, era dirigente de uma entidade que reunia marinheiros. Ele comandou uma revolta considerada por vários analistas como estopim do Golpe militar daquele ano. Maria da Conceição Tavares, em “Fatos e mitos de 1964” (Folha, 28/3/2004), endossa essa opinião: “A sublevação dos marinheiros, quebrando a hierarquia militar, foi a gota d´água e o sinal para antecipar o golpe, deslocando a lealdade ao presidente [João Goulart, Jango] de quase todos os comandantes do Exército”. Após o Golpe, Cabo Anselmo foi preso. Aí aconteceram alguns fatos estranhos, relatados por mim no artigo “Cabo Anselmo e o Golpe de 64” e que consta de meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, á página 222. Neste texto, mostrei que ele traiu seus companheiros, o que ficava comprovada sua traição após o Golpe. No entanto, algumas declarações do Cabo Anselmo são fortes indícios que ele traiu antes de 31 de março de 1964. Na entrevista dele ao jornalista Octávio Ribeiro, já falecido, na revista Istoé (28/3/1984), sob o título “Confissão do cabo”, Anselmo declarou sobre a sua fuga da prisão: “A chave da cela ficava na minha mão. A fuga veio com o pessoal da Polop (Organização Política Operária, grupo de esquerda que reunia trotskistas e militares)”. Adiante confessou: “Disse ao guarda de plantão que ia encontrar uma mulher e saí pela porta da frente. O pessoal da Polop me levou para São Paulo e de lá, de carro, fui para o Uruguai” (pág.27). Quem conhece a repressão daquela época (prisão, tortura e, muitas vezes, morte), não pode acreditar que o cabo Anselmo tivesse tanta facilidade (chave da cela na mão dele, bem como o guarda permitiu que ele saísse pela porta da frente para se encontrar com uma mulher!). Principalmente, como disse o jornalista Janio de Freitas no citado artigo: “Não, porém, para o maior incitador da rebelião [dos marinheiros antes do Golpe de 64] e das ameaças à oficialidade (…)”. Isto NUNCA iria acontecer, a não ser que ele era um auxiliar dos golpistas!
Em suma, pode não existir uma prova contundente da traição dele antes do Golpe, mas essas declarações, repito, são fortes evidências de sua colaboração já naquele período. Portanto, Cabo Anselmo não tem direito à indenização, que é uma reparação criada para atender, como afirmou Janio de Freitas, entre outras, as suas vítimas.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Agosto de 2009

"Reaparecimento do Cabo Anselmo após 45 anos", por Jasson de Oliveira Andrade

O Cabo Anselmo, 67 anos, reapareceu depois de 45 anos vivendo clandestino. O motivo desse aparecimento foi para tirar impressões digitais em São Paulo para recuperar documentos. O que foi feito em 30/7/2009. O procedimento, segundo o jornalista Lucas Ferraz, em reportagem para a Folha (31/7), é para instruir o seu pedido de anistia, visando a ser indenizado como “vítima” do golpe de 64. No artigo “O dito cabo Anselmo” (Folha, 4/8), Janio de Freitas escreveu: “Quem é esse Anselmo, que história verdadeira tem vivido há meio século e por que se decidiu a fazê-la são ainda segredos. Para os quais Anselmo pretende a reparação criada, entre outras, PARA AS SUAS VÍTIMAS” (Destaque meu). Aí é que entra a “misteriosa” vida de Cabo Anselmo, que vamos ver adiante.
Cabo Anselmo vivia escondido porque estava supostamente jurado de morte. O motivo dessa ameaça resultou de sua traição aos ex-companheiros, dedurando-os ao regime militar, precisamente ao delegado Fleury. Devido a essas delações, muita gente foi presa, torturada e, segundo ele mesmo declarou a uma revista, resultou na morte de “cem, duzentos” militantes de organizações de extrema esquerda, inclusive sua companheira, a jovem paraguaia Soledad Viedma, grávida dele. Temeroso de vingança, ele se escondeu por 45 anos, só reaparecendo agora!
Antes dessa traição, Cabo Anselmo, em 1964, era dirigente de uma entidade que reunia marinheiros. Ele comandou uma revolta considerada por vários analistas como estopim do Golpe militar daquele ano. Maria da Conceição Tavares, em “Fatos e mitos de 1964” (Folha, 28/3/2004), endossa essa opinião: “A sublevação dos marinheiros, quebrando a hierarquia militar, foi a gota d´água e o sinal para antecipar o golpe, deslocando a lealdade ao presidente [João Goulart, Jango] de quase todos os comandantes do Exército”. Após o Golpe, Cabo Anselmo foi preso. Aí aconteceram alguns fatos estranhos, relatados por mim no artigo “Cabo Anselmo e o Golpe de 64” e que consta de meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, á página 222. Neste texto, mostrei que ele traiu seus companheiros, o que ficava comprovada sua traição após o Golpe. No entanto, algumas declarações do Cabo Anselmo são fortes indícios que ele traiu antes de 31 de março de 1964. Na entrevista dele ao jornalista Octávio Ribeiro, já falecido, na revista Istoé (28/3/1984), sob o título “Confissão do cabo”, Anselmo declarou sobre a sua fuga da prisão: “A chave da cela ficava na minha mão. A fuga veio com o pessoal da Polop (Organização Política Operária, grupo de esquerda que reunia trotskistas e militares)”. Adiante confessou: “Disse ao guarda de plantão que ia encontrar uma mulher e saí pela porta da frente. O pessoal da Polop me levou para São Paulo e de lá, de carro, fui para o Uruguai” (pág.27). Quem conhece a repressão daquela época (prisão, tortura e, muitas vezes, morte), não pode acreditar que o cabo Anselmo tivesse tanta facilidade (chave da cela na mão dele, bem como o guarda permitiu que ele saísse pela porta da frente para se encontrar com uma mulher!). Principalmente, como disse o jornalista Janio de Freitas no citado artigo: “Não, porém, para o maior incitador da rebelião [dos marinheiros antes do Golpe de 64] e das ameaças à oficialidade (…)”. Isto NUNCA iria acontecer, a não ser que ele era um auxiliar dos golpistas!
Em suma, pode não existir uma prova contundente da traição dele antes do Golpe, mas essas declarações, repito, são fortes evidências de sua colaboração já naquele período. Portanto, Cabo Anselmo não tem direito à indenização, que é uma reparação criada para atender, como afirmou Janio de Freitas, entre outras, as suas vítimas.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Agosto de 2009

junho 14, 2009

Terminando de ler ( 1 )

Filed under: Alain Rouquié, ditadura militar brasileira, Golpe de 64 — Humberto @ 4:37 am
Pode-se ver uma prévia deste livro AQUI

maio 20, 2009

"Golpe de 64 em São João da Boa Vista", de Jasson de Oliveira Andrade, na Biblioteca Aureliano Leite ( Sapopemba )

Quem costuma visitar este humilde blog, sabe que costumamos receber a colaboração do articulista do Portal Mogi Guaçu, Jasson de Oliveira Andrade. E, devo informar que seus textos são alguns dos mais lidos, tanto no “Correio da Elite” quanto em seu irmão do WordPress, o “ENCALHE” ( sim, eu mantenho dois blogs, apesar de não possuir ainda um computador ).
Em 03 de Junho de 2008, eu iniciei o post “GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA”. Livro de Jasson de Oliveira Andrade. ( tinha acabado de ler o livro e tentado fazer algum comentário a seu respeito ) dizendo que o primeiro contato que tive com Jasson havia sido uma mensagem que ele me enviara, elogiando o teor de uma carta minha publicada no Estadão. Respondi que ele foi o primeiro a me contatar por isso sem me xingar ( ahahaha ).
Em 10 de Junho de 2008, eu escrevi o seguinte post: “GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA”, de Jasson de Oliveira Andrade. A Guerra Fria sem CIA e KGB.
Mas não vou me estender nisso, e sugiro que antes de prosseguirem com a leitura, visitem os posts para terem um conhecimento prévio da obra. Vão lá que eu espero.
Já de volta? Ótimo. Prossigamos:
Eu não exagerei ao dizer que aprendi com o livro. Por exemplo: jamais soubera que o dono do Estadão – um ds cabeças civis do golpe – ajudara os golpistas de 1964 a redigir um Ato Institucional tão fascista que até os generais tremeram, e a proposta do cidadão não foi acatada: ” ( … ) Tempos depois, [ comenta Jasson a partir do livro A Ditadura Envergonhada, de Élio Gaspari ] um ex-ministro do Estado Novo de Vargas, Vicente Ráo, ajudou o líder civil do golpe Mesquita Filho na redação de uma proposta a Ato Institucional; entre as sugestões, a dissolução de todas as câmaras legislativas nos três níveis, sem exclusão do Senado, suspensão do habeas-corpus, cassação de mandatos de prefeitos e governadores, entre outras medidas “saneadoras”( … )”.
Uma pequena amostra de como nossa imprensa ajudou a construir a Democracia neste País. A Folha não teve exclusividade nas relações carnais com o regime dos quartéis.
Pois bem: recentemente, contatei Jasson, com o objetivo de saber como comprar um exemplar, pois queria doar a obra à biblioteca de meu bairro.
Ele, generosamente, se prontificou a fazer a doação. Pedi a ele que, então, fizesse assinasse uma nota, um recado ou uma dedicatória. Dias depois, o livro chegou, e hoje eu fiz a entrega na biblioteca.
Um fato “cômico”: a moça havia dito que a biblioteca, devido à falta de espaço, não poderia receber mais livros, e me indicou uma ONG próximo dali, que ficaria com o livro. Menos mal. Comuniquei ao Jasson, e ele disse que tudo bem.
Hoje, ao fazer uma devolução de livros, meio que insisti: “e então, vocês não querem ficar MESMO… e coisa e tal?”.
A mulher relutou e perguntou do que se tratava. Eu lhe mostrei o livro, ela olhou e disse:
- Ah! Mas esse aqui a gente quer sim. Interessa, sim.
E ficou com ele. E vocês que, porventura, costumam freqüentar a biblioteca Aureliano Leite, no Parque São Lucas, e ficaram interessados no “Golpe de 64 em São João da Boa Vista” – ainda mais hoje em dia, em tempos da “Ditabranda Desavergonhada” da Folha, e de revisionismo -, agora já o têm à vossa disposição, cortesia do próprio autor, Jasson de Oliveira Andrade.
Biblioteca Aureliano Leite.
R. Otto Schubart, 196, Parque São Lucas.
Tel.: 2211-7716.
Atendimento: 2ª a 6ª, das 8h às 17h; sábado, das 9h às 16h.

maio 5, 2009

"A morte de D.David Picão, o Bispo progressista", por Jasson de Oliveira Andrade

O Bispo emérito de Santos, D.David Picão, morreu naquela cidade em 30 de abril de 2009. Ele iria completar 86 anos em agosto (Nasceu em Ribeirão Preto a 18/8/1923). A morte dele consternou nossa região: D. David Picão foi o primeiro bispo de São João da Boa Vista (1960-1963), posteriormente Bispo Coadjutor de Santos (1963-1966) e Bispo de Santos (1966-2000), até 26 de julho de 2000, quando renunciou, ficando como Bispo emérito daquela cidade. Ele se ordenou padre em Roma em 10/10/1948.
A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), reunida em Itaici- Indaituba, emitiu, no dia 1º de maio de 2009, uma nota de pesar pelo falecimento de D. David Picão, que tem o seguinte teor: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé (2Tm 3,7). Reunidos em Itaici-Indaiatuba,SP, por ocasião da 47ª Assembléia Geral da CNBB, os bispos recebemos com pesar a notícia do falecimento do bispo emérito de Santos, Dom David Picão, ocorrido nesta quinta feira, dia 30 de abril [2009]. Lamentamos profundamente a morte deste servo do Senhor que, por mais de 30 anos, foi bispo da Igreja Particular de Santos, SP, servindo-a com zelo de pastor e amor de pai. (…) A CNBB agradece a Deus a vida e o trabalho realizado por Dom David ao longo de seus 60 anos de ministério ordenado, dos quais 38 como bispo, convencida de que a ele se aplicam bem as palavras de Jesus Cristo: “Parabéns, servo bom e fiel!… Vem participar da alegria do teu Senhor!” (Mt 25, 21).
Quando soube da morte de D.David Picão, enviei uma mensagem ao padre Toninho Finotti (era de Mogi Guaçu, escrevendo inclusive artigos em jornal de nossa cidade, mas que atualmente reside em Santos): “Tomei conhecimento, consternado, da morte de D.David Picão. Resta agora a lembrança de meu texto no livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, à página 49: D. DAVID PICÃO, O BISPO PROGRESSISTA. Por sinal, foi você quem entregou a ele o meu livro”. Em resposta, padre Toninho disse: “Jasson, lamentamos profundamente a morte de Dom David, mas fica a lembrança de um homem que não se curvou ante os poderosos, e nos deixa um legado histórico de uma pessoa comprometida com o Evangelho de Jesus Cristo. (…) Rezemos por sua saudosa memória tão presente entre nós e que ficará para sempre…”
Padre Toninho tem razão. Por não se curvar ante os poderosos, a passagem de D. David Picão foi polêmica. Em um capítulo de meu livro, já citado acima, escrevi: “O primeiro bispo de São João da Boa Vista, D. David Picão, era considerado um progressista e foi muito contestado pelos fazendeiros [os mesmos que prenderam em 1964, após o Golpe, vários sanjoanenses, inclusive eu]. Um deles, Aécio Amaral, na entrevista que concedeu à Gazeta de São João em 30 de julho de 1981, sobre o Golpe de 64, fez críticas à sua atuação na zona rural. Não foi acusado diretamente de comunista, mas, em 1979, disseram, em um jornal [Opção, já extinto], que ele promoveu agitações e era um dos bispos mais chegados à esquerda. (…) Mesmo tendo sido transferido para Santos, sua atuação era relembrada em nossa cidade, embora tenha ficado em São João da Boa Vista cerca de três anos (31 de julho de 1960 a 11 de maio de 1963)”. Tais acusações foram respondidas, em junho de 1979, pelo então Côn. Luiz G. Bergonzini, hoje bispo em Guarulhos, numa longa nota publicada no jornal A Cidade de São João, também extinto. A acusação e a resposta constam do livro (páginas 50 a 53).
Por todos esses motivos, a memória de D. David Picão nunca será esquecida, principalmente porque está perpetuada pelos seus atos, criticados por uns, mas elogiados por outros.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é sanjoanense e jornalista em Mogi Guaçu
Maio de 2009

"A morte de D.David Picão, o Bispo progressista", por Jasson de Oliveira Andrade

O Bispo emérito de Santos, D.David Picão, morreu naquela cidade em 30 de abril de 2009. Ele iria completar 86 anos em agosto (Nasceu em Ribeirão Preto a 18/8/1923). A morte dele consternou nossa região: D. David Picão foi o primeiro bispo de São João da Boa Vista (1960-1963), posteriormente Bispo Coadjutor de Santos (1963-1966) e Bispo de Santos (1966-2000), até 26 de julho de 2000, quando renunciou, ficando como Bispo emérito daquela cidade. Ele se ordenou padre em Roma em 10/10/1948.
A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), reunida em Itaici- Indaituba, emitiu, no dia 1º de maio de 2009, uma nota de pesar pelo falecimento de D. David Picão, que tem o seguinte teor: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé (2Tm 3,7). Reunidos em Itaici-Indaiatuba,SP, por ocasião da 47ª Assembléia Geral da CNBB, os bispos recebemos com pesar a notícia do falecimento do bispo emérito de Santos, Dom David Picão, ocorrido nesta quinta feira, dia 30 de abril [2009]. Lamentamos profundamente a morte deste servo do Senhor que, por mais de 30 anos, foi bispo da Igreja Particular de Santos, SP, servindo-a com zelo de pastor e amor de pai. (…) A CNBB agradece a Deus a vida e o trabalho realizado por Dom David ao longo de seus 60 anos de ministério ordenado, dos quais 38 como bispo, convencida de que a ele se aplicam bem as palavras de Jesus Cristo: “Parabéns, servo bom e fiel!… Vem participar da alegria do teu Senhor!” (Mt 25, 21).
Quando soube da morte de D.David Picão, enviei uma mensagem ao padre Toninho Finotti (era de Mogi Guaçu, escrevendo inclusive artigos em jornal de nossa cidade, mas que atualmente reside em Santos): “Tomei conhecimento, consternado, da morte de D.David Picão. Resta agora a lembrança de meu texto no livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, à página 49: D. DAVID PICÃO, O BISPO PROGRESSISTA. Por sinal, foi você quem entregou a ele o meu livro”. Em resposta, padre Toninho disse: “Jasson, lamentamos profundamente a morte de Dom David, mas fica a lembrança de um homem que não se curvou ante os poderosos, e nos deixa um legado histórico de uma pessoa comprometida com o Evangelho de Jesus Cristo. (…) Rezemos por sua saudosa memória tão presente entre nós e que ficará para sempre…”
Padre Toninho tem razão. Por não se curvar ante os poderosos, a passagem de D. David Picão foi polêmica. Em um capítulo de meu livro, já citado acima, escrevi: “O primeiro bispo de São João da Boa Vista, D. David Picão, era considerado um progressista e foi muito contestado pelos fazendeiros [os mesmos que prenderam em 1964, após o Golpe, vários sanjoanenses, inclusive eu]. Um deles, Aécio Amaral, na entrevista que concedeu à Gazeta de São João em 30 de julho de 1981, sobre o Golpe de 64, fez críticas à sua atuação na zona rural. Não foi acusado diretamente de comunista, mas, em 1979, disseram, em um jornal [Opção, já extinto], que ele promoveu agitações e era um dos bispos mais chegados à esquerda. (…) Mesmo tendo sido transferido para Santos, sua atuação era relembrada em nossa cidade, embora tenha ficado em São João da Boa Vista cerca de três anos (31 de julho de 1960 a 11 de maio de 1963)”. Tais acusações foram respondidas, em junho de 1979, pelo então Côn. Luiz G. Bergonzini, hoje bispo em Guarulhos, numa longa nota publicada no jornal A Cidade de São João, também extinto. A acusação e a resposta constam do livro (páginas 50 a 53).
Por todos esses motivos, a memória de D. David Picão nunca será esquecida, principalmente porque está perpetuada pelos seus atos, criticados por uns, mas elogiados por outros.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é sanjoanense e jornalista em Mogi Guaçu
Maio de 2009

abril 9, 2009

Jornalista acusa Folha de manipular entrevista para prejudicar Dilma Rousseff

Indignado com a reportagem “Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Netto”, publicada na Folha de S. Paulo de 05/04, o jornalista Antonio Roberto Espinosa, que concedeu entrevista para o jornal, acusa o diário, na Carta de Leitores da edição desta quarta-feira, de ter manipulado as informações que passou à repórter Fernanda Odilla. Ele também se queixa de ter a primeira carta enviada recusada – publicada na íntegra em blogs como o de Luís Nassif.
Segundo o jornalista, o jornal “transformou um não fato do passado (o sequestro que não houve) num factóide do presente (o início de uma sórdida campanha), que vai desacreditar ainda mais o jornal da ‘ditabranda’”.
Seu objetivo com a carta, segundo o próprio Espinosa, é “amenizar os danos à imagem e à honra da ministra Dilma Rousseff”. A entrevista, conta na primeira carta, tratava da história da VAR-Palmares, uma organização política de resistência ao regime militar e da qual Dilma fazia parte. Espinosa foi o responsável nacional pelo setor militar da organização e assume todas as iniciativas que dali partiram contra a ditadura.
Ele também questiona as investigações feitas por telefone pela repórter, chamando o trabalho de “fonoportagem”.
Ainda na primeira carta, publicada em blogs, o autor se diz chocado com “a seleção arbitrária e edição de má-fé da entrevista, pois, em alguns dias e sem recursos sequer para uma entrevista pessoal – apelando para telefonemas e e-mails, e dependendo das orientações de um jornalista mais experiente, no caso o próprio entrevistado -, a repórter chegou a conclusões mais peremptórias do que a própria polícia da ditadura, amparada em torturas e num absurdo poder discricionário”.
Em sua defesa, Fernanda diz que a reportagem “não afirmou que Dilma Rousseff planejou o sequestro de Delfim Netto. Trouxe, sim, declarações do ex-dirigente da VAR-Palmares, que, pela primeira vez, assumiu que o plano existia e que ele foi seu coordenador. À Folha, Espinosa disse que, no final de 1969, todas as tarefas ( as ‘políticas’ e o ‘foco guerrilheiro’ ) da VAR ‘eram do comando nacional’, citou três vezes Dilma Rousseff como um dos cinco integrantes desse colegiado e, indagado pela Folha em diferentes momentos, afirmou que ‘os cinco sabiam’ do plano de sequestro e que ‘não houve nenhum veto’”.
Ela afirma que todas as declarações estão gravadas, enquanto Espinosa desafia o jornal a publicar a entrevista na íntegra, para comprovar que houve manipulação.
O jornal informou que a primeira carta do jornalista chegou às 21h58 de domingo (05/04), sendo que o “Painel do Leitor” fecha às 20h. ( Comunique-se, 08.04.09 )
NOTA DESTE BLOG: num post anterior, o “Revistas que você deve ler ( 1 )“, eu sugeri a leitura da História Viva edição 65. Um dos textos / ensaios, assinado por Renato Alencar Dotta aborda a rede de jornais e revistas de conteúdo Integralista. E a Folha aparece lá também, indiretamente, em breve passagem.
Confiram: “( … ) Dirigido durante toda sua existência por Reale [ Miguel Reale, ex-reitor da USP ], o jornal [ o "Acção" ] tinha conteúdo similar ao de A Offensiva [ segundo a HV, foi um jornal de circulação nacional fundado no Rio de Janeiro em 1934, e trazia textos de Gustavo Barroso, Câmara Cascudo e D. Helder Câmara. Durou quatro anos. ], com textos doutrinários, mas também notícias locais ( … ) ao publicar material não-doutrinário, os integralistas queriam atrair o leitor comum para suas idéias ( … ) Entre seus redatores estava Mário Mazzei Guimarães, que foi chefe integralista da cidade de Colina, no interior de São Paulo, e mais tarde fez longa carreira como redator-chefe da Folha da Manhã [ mais tarde, Folha de São Paulo ] ( … )” .
Sei lá. Acho que não é nenhum segredo mas pensei: “Por quê não copiar, né?”. Aí está.

abril 2, 2009

"Milagre" pós-1964 concentrou renda em período de expansão econômica

Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O período militar de 1964 a 1985 abrigou grandes contradições na sociedade brasileira, como a modernização da economia a custo do agravamento da desigualdade social. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os 20% dos brasileiros mais pobres tinham 3,9% do total da renda nacional em 1960. Vinte anos depois, em 1980, esse mesmo um quinto da população concentrava apenas 2,8% de toda a renda produzida no país.
Em 1974, após o chamado “milagre econômico”, o salário mínimo tinha a metade do poder de compra de 1960. Nos anos do milagre (1968 a 1973), a taxa de crescimento econômico ficou em torno de 10%, com picos de 14%, e a indústria de transformação expandiu quase 25%.
As contradições econômicas de um país que ficava mais rico e a população mais pobre têm explicações políticas, avalia o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann. “A ausência de democracia impossibilitou haver pressão de baixo. A política autoritária acabava consagrando os resultados econômicos.”
Para a economista Leda Paulani, da Universidade de São Paulo (USP), os momentos de maior crescimento econômico são propícios para expansão do emprego e da renda, “porque a demanda por trabalho é muito alta, não há risco de desemprego”. A ditadura, no entanto, impediu essa associação virtuosa ao reprimir a organização política e a luta sindical. “Os trabalhadores não podiam lutar por maiores fatias do bolo, os sindicatos estavam amordaçados”, lembra.
Leda assinala que “as condições econômicas para o milagre foram colocadas no período anterior à ditadura”, referindo-se à capacidade instalada da indústria e ao contexto da economia internacional. Em sua opinião, o milagre melhorou em termos absolutos a situação de setores que tiveram acesso ao crédito. “O crescimento por si só era bom. O crédito acabava melhorando a vida material. Mas ,em termos relativos ,as desigualdades se aprofundaram nos estratos mais pobres. Não se aproveitou aquele momento de crescimento para resolver a desigualdade distributiva.”
Segundo Pochmann, no golpe militar de 1964 [assim como na Revolução de 1930] predominou uma convergência política em torno do crescimento econômico, como mecanismo de postergar as soluções dos problemas sociais e de manter a concentração patrimonial e a desigualdade de renda. “O crescimento era uma convergência que impedia a oposição frente aos resultados sociais insatisfatórios e à própria ausência de democracia.”
“Os ministros da economia eram pessoas muito elitistas, pensaram o desenvolvimento econômico por meio da liderança de certas elites estratégicas. No caso do campo, virou agrobusiness, no caso da indústria, foi a consolidação [do mercado de bens de consumo] e a abertura para o exterior”, complementa Benício Schmidt, cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB).
Conforme Schmidt, a escolha pelo crescimento sem distribuição de renda teve conseqüências econômicas e sociais bastante graves. “Hoje ,nossa economia está praticamente monopolizada, fruto dessa acumulação concentrada. É claro que isso aí não gerou os empregos que deveria, não ajudou a renda como deveria e trouxe muitos problemas. Não serviu para pressionar o sistema educacional para atender uma demanda que nunca existiu. Isso tudo foi acumulando e deu no que deu: uma das concentrações de renda mais altas do mundo”, lamenta.
Além da questão econômica e social, o cientista político faz a ligação entre o modelo econômico e a repressão durante a ditadura. “A elite militar estava sustentada no empresariado, com grandes conexões internacionais. Um número reduzido de empresários que financiaram a Operação Bandeirantes (Oban)”, diz, referindo-se à formação paramilitar dos órgãos de repressão em São Paulo, financiada por grandes empresas, inclusive multinacionais, para combater a resistência à ditadura.
“Os empresários financiaram o golpe de Estado e com ele expandiram muito seus negócios, tiveram nos militares uma grande segurança, um grande guarda-chuva de proteção”, avalia Schmidt.

março 27, 2009

Deputado Paulo Teixeira relembra o Golpe 64, por Jasson de Oliveira Andrade


Poucos dias antes de completar 45 anos do Golpe de 64, o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) pronunciou um histórico discurso na Câmara Federal, analisando a Ditadura Militar, citando ainda o que ocorreu em São João da Boa Vista, além de meu livro. Eis o que ele disse:
“Daqui a menos de uma semana, o Golpe de 64 completará 45 anos. Não é uma data para se comemorar. Muito menos uma data para ser esquecida. Nem diminuída como fez há pouco um grande jornal. O que se seguiu ao Golpe foi uma sucessão de arbitrariedades, injustiças, desmandos que as novas gerações precisam conhecer.
Muita gente foi perseguida, presa, torturada e morta. Muita gente teve a vida irremediavelmente atingida. Muita gente sofreu, muita gente se perdeu.
Vários já falaram sobre esses dias de Chumbo. Mas hoje, nessa tribuna, gostaria de lembrar de gente absolutamente inocente, gente que foi perseguida porque era adversária política dos grandes coronéis da época e que ousou deixar claras suas posições. Isso aconteceu tanto a homens conhecidos e lembrados até hoje, como Vladimir Herzog quanto com alguns colegas de profissão de Herzog que, mesmo em cidades pequenas, tiveram que enfrentar a fúria dos truculentos de plantão. Falo especificamente de um homem, um jornalista, um advogado, um pensador muito querido por mim: meu amigo Jasson de Oliveira Andrade.
Em 1964, Jasson era um exemplar funcionário do então Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência (Samdu) em São João. Nas horas vagas, também era redator do jornal O Município, onde era encarregado, além de redigir as páginas de esportes, de cobrir as atividades da Câmara Municipal.
Jasson também era militante do PTB. Talvez isso tenha irritado o que se chamava de “direita de plantão” na época. O fato é que ele foi preso dois dias depois do Golpe. Passou mais de um mês na cadeia. Depois, foi exonerado.
Perdeu seu emprego no Samdu sem qualquer motivo. Tinha mulher e um bebê de nove meses para sustentar. Não houve qualquer explicação legal para o fato. Jasson não foi o único. Outros companheiros de São João da Boa Vista como Ito Amorim, Hélio Fonseca, Benedito Sérgio de Almeida Brandão, Wilson Lourenço Gomes foram presos e acusados.
Os “comunistas” foram inclusive acusados de serem os responsáveis por uma série de incêndios que haviam ocorrido na região na década anterior. Anos depois foi apurado que não só os acusados eram inocentes como também passou a haver a forte suspeita de que os mesmos dedos que acusavam haviam participado da “obra”.
Jasson conta a sua história no livro “Golpe de 64 em São João da Boa Vista”. Um relato histórico, mas emocionado, de como a ditadura foi capaz de alterar para sempre o destino e a história dele e de outros brasileiros, dos mais comuns aos mais ilustres.
Quem tenta reduzir a extensão dos danos que a ditadura causou a nosso país incorre não apenas num erro histórico detestável, mas numa enorme injustiça. O Golpe não foi nem um pouco brando com Jasson. Mas ele está vivo para contar sua história. Mas também não houve qualquer brandura com outros tantos como Vladimir Herzog, Edson Luiz, Manoel Fiel Filho ou Rubens Paiva – só para citar alguns.
Então, senhor presidente, senhoras e senhores deputados, minha homenagem a todos que se mantiveram firmes naqueles tempos duros. Meu profundo respeito aos que ousaram acreditar. E meu apelo para que não nos esqueçamos daqueles dias. Para que eles jamais se repitam”. (PEQUENO EXPEDIENTE, 25/3/2009)
Torcemos para que realmente aqueles dias jamais se repitam: DITADURA NUNCA MAIS!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
25 de Março de 2009

Deputado Paulo Teixeira relembra o Golpe 64, por Jasson de Oliveira Andrade


Poucos dias antes de completar 45 anos do Golpe de 64, o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) pronunciou um histórico discurso na Câmara Federal, analisando a Ditadura Militar, citando ainda o que ocorreu em São João da Boa Vista, além de meu livro. Eis o que ele disse:
“Daqui a menos de uma semana, o Golpe de 64 completará 45 anos. Não é uma data para se comemorar. Muito menos uma data para ser esquecida. Nem diminuída como fez há pouco um grande jornal. O que se seguiu ao Golpe foi uma sucessão de arbitrariedades, injustiças, desmandos que as novas gerações precisam conhecer.
Muita gente foi perseguida, presa, torturada e morta. Muita gente teve a vida irremediavelmente atingida. Muita gente sofreu, muita gente se perdeu.
Vários já falaram sobre esses dias de Chumbo. Mas hoje, nessa tribuna, gostaria de lembrar de gente absolutamente inocente, gente que foi perseguida porque era adversária política dos grandes coronéis da época e que ousou deixar claras suas posições. Isso aconteceu tanto a homens conhecidos e lembrados até hoje, como Vladimir Herzog quanto com alguns colegas de profissão de Herzog que, mesmo em cidades pequenas, tiveram que enfrentar a fúria dos truculentos de plantão. Falo especificamente de um homem, um jornalista, um advogado, um pensador muito querido por mim: meu amigo Jasson de Oliveira Andrade.
Em 1964, Jasson era um exemplar funcionário do então Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência (Samdu) em São João. Nas horas vagas, também era redator do jornal O Município, onde era encarregado, além de redigir as páginas de esportes, de cobrir as atividades da Câmara Municipal.
Jasson também era militante do PTB. Talvez isso tenha irritado o que se chamava de “direita de plantão” na época. O fato é que ele foi preso dois dias depois do Golpe. Passou mais de um mês na cadeia. Depois, foi exonerado.
Perdeu seu emprego no Samdu sem qualquer motivo. Tinha mulher e um bebê de nove meses para sustentar. Não houve qualquer explicação legal para o fato. Jasson não foi o único. Outros companheiros de São João da Boa Vista como Ito Amorim, Hélio Fonseca, Benedito Sérgio de Almeida Brandão, Wilson Lourenço Gomes foram presos e acusados.
Os “comunistas” foram inclusive acusados de serem os responsáveis por uma série de incêndios que haviam ocorrido na região na década anterior. Anos depois foi apurado que não só os acusados eram inocentes como também passou a haver a forte suspeita de que os mesmos dedos que acusavam haviam participado da “obra”.
Jasson conta a sua história no livro “Golpe de 64 em São João da Boa Vista”. Um relato histórico, mas emocionado, de como a ditadura foi capaz de alterar para sempre o destino e a história dele e de outros brasileiros, dos mais comuns aos mais ilustres.
Quem tenta reduzir a extensão dos danos que a ditadura causou a nosso país incorre não apenas num erro histórico detestável, mas numa enorme injustiça. O Golpe não foi nem um pouco brando com Jasson. Mas ele está vivo para contar sua história. Mas também não houve qualquer brandura com outros tantos como Vladimir Herzog, Edson Luiz, Manoel Fiel Filho ou Rubens Paiva – só para citar alguns.
Então, senhor presidente, senhoras e senhores deputados, minha homenagem a todos que se mantiveram firmes naqueles tempos duros. Meu profundo respeito aos que ousaram acreditar. E meu apelo para que não nos esqueçamos daqueles dias. Para que eles jamais se repitam”. (PEQUENO EXPEDIENTE, 25/3/2009)
Torcemos para que realmente aqueles dias jamais se repitam: DITADURA NUNCA MAIS!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
25 de Março de 2009

março 10, 2009

Manifestação contra a "Ditabranda Desavergonhada" da Folha. Saiba como foi.

Eu não pude ir ( houve até surpresas, como a presença não-aguardada do padre Júlio Lancelotti, santo homem e protetor dos moradores de rua e crianças portadoras do HIV, também vítima de uma série de denúncias sensacionalistas e espúrias que, tenho a impressão, foram bem do agrado do sr. Andrea Matarazzo, se é que não foram feitas sob sua encomenda ), e ainda não consegui trazer até este blog as notícias fresquinhas, diretamente daquele que foi atrás, organizou, se comprometeu e não fraquejou, o Eduardo Guimarães. Torço muito por ele. Não sei se eu teria o mesmo desprendimento, e espero que ele sempre encontre forças para prosseguir, contanto que assim deseje. E que não queira levar o mundo nas costas ( não sei se isso é um bom conselho, ou se é conformismo e acomodação de minha parte ).
Enfim, se desejarem saber o que e como, sigam os links, a começar primeira e obrigatoriamente pelo blog CIDADANIA, do Eduardo Guimarães:
- “AOS QUE NÃO SE CALARAM“, e posts diversos ( Blog CIDADANIA )
- Manifestação põe ‘Folha’ e ‘ditabranda’ no devido lugar ( Vermelho, 07.03.09 )
- “Folha, de rabo preso com o feitor” ( CUT, 07.03.09 )
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