Agências internacionais de saúde referem progressos significativos na redução do número de mortes em África causadas pelo sarampo.
Em 2000 morreram cerca de 400 mil crianças em África devido ao sarampo. Em 2006 este número caíu para menos de 40 mil.
A Directora-Geral da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan, descreveu estes resultados como “um importante sucesso na área da saúde pública.”
Para a Doutora Chan, isso deveu-se a um compromisso dos governos africanos, assumido há sete anos, para começar a vacinar todas as crianças contra o sarampo. A taxa de mortalidade caíu agora em mais de 90%.
Em termos globais, o sarampo foi totalmente eliminado nos países mais ricos, mas nas regiões mais pobres, as crianças mal nutridas continuam vulneráveis e registam muitas mortes.
Em 2001, várias agências internacionais constituiram a Iniciativa Contra o Sarampo, para erradicar esta doença à escala mundial.
Gigantescas campanhas de vacinação tiveram um grande impacto na redução do número de mortes.
‘Realidade inaceitável’
De 2000 a 2006, cerca de 478 milhões de crianças entre os 9 e os 14 anos foram vacinadas contra o sarampo em 46 dos 47 países mais afectados por esta doença.
Em 2006, a vacinação rotineira global contra o sarampo atingia cerca de 80% pela primeira vez – dos 72% seis anos antes.
As melhorias mais assinaláveis registaram-se em África e na região leste do Mediterrâneo.
Mas ainda há muito por fazer, especialmente na Índia e no Paquistão, onde as mortes devido a esta doença atingem os índices mais elevados do mundo.
Segundo a Directora-Executiva da UNICEF, Ann Veneman, o sarampo continua a matar diariamente em todo o mundo cerca de 600 crianças com menos de 5 anos de idade.
“Trata-se de uma realidade inaceitável quando existe uma vacina segura, eficaz e barata que pode ser usada para evitar esta doença.”
Cerca de 600 crianças morrem todos os dias devido ao sarampo
Ghana, um exemplo
O Ghana é um dos países mais bem sucedidos na redução da incidência do sarampo.
O Doutor Kwadwo Antwi Ageyei, o director do Programa Ghanense de Vacinação Contra o Sarampo, disse à BBC que os dados alcançados no seu país foram extraordinários.
“Nos últimos quatro anos, no Ghana, não houve mortes causadas pelo sarampo. Há cerca de vinte anos estávamos a perder entre 5 e 10 crianças todos os dias.”
Para o Doutor Kwadwo Antwi Ageyei, uma das formas de medir o sucesso da campanha anti-sarampo no seu país foi que começou a tornar-se cada vez mais difícil encontrar crianças infectadas.
“Em termos do número de casos de sarampo, passámos de cerca de 12 mil casos anuais para 2 mil há algum tempo atrás e para menos de 500 há cinco anos. Mas agora os casos de sarampo são tão raros que se tornou difícil encontrar doentes para serem analisados pelos estudantes de medicina.”


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