ENCALHE

agosto 6, 2009

"O NEW DEAL foi invenção de Roosevelt e GETÚLIO VARGAS." PALAVRAS DO PRÓPRIO ROOSEVELT!!!

ISSO SAIU na edição de agosto da ótima Revista de História [ do Brasil ], aquela da Biblioteca Nacional [ abaixo, imagem da capa da edição ].

Então, o Getúlio foi o precursor do “Cara”!

Os inventores do ‘New Deal’
Políticas de Vargas tinham muito em comum com as de Roosevelt, que tirou os Estados Unidos da Grande Depressão
Flávio Limoncic
“Duas pessoas inventaram o New Deal: o presidente do Brasil e o presidente dos Estados Unidos”.
O autor da frase foi o próprio criador do histórico plano de recuperação da economia norte-americana, Franklin Delano Roosevelt (1882-1945). O elogio foi feito em visita ao Rio de Janeiro, em novembro de 1936, e referia-se ao governo de Getulio Vargas.
Pode ter sido apenas uma gentileza do visitante. Ou alguém imagina que possa haver algo em comum entre o presidente que tirou os Estados Unidos da Grande Depressão e o líder que viria a ser, um ano depois, o ditador do Estado Novo, muitas vezes comparado a Mussolini?
A associação é mesmo rara, mas Roosevelt não falou aquilo à toa. Diante da crise do liberalismo iniciada com o crash da Bolsa de Nova York, em 1929, e que se prolongaria por boa parte da década de 1930, ambos colocaram o Estado no centro da vida econômica de seus países: Roosevelt, para enfrentar os problemas de uma gigantesca economia industrial em depressão, e Vargas, para industrializar o Brasil. Ao fazê-lo, construíram pactos sociais com setores do movimento sindical e do empresariado.
As obras públicas, projetos de desenvolvimento e de geração de emprego e renda foram acionados pelos dois. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, cuja construção começou em 1941, se tornaria um marco do desenvolvimento industrial brasileiro, ao passo que a Tennessee Valley Authority, de Roosevelt, seria o mais ambicioso programa de desenvolvimento regional até então implementado. Para gerar empregos e renda, o New Deal lançou mão também de programas criativos como o Civilian Conservation Corps (CCC), que mobilizou 2,5 milhões de jovens na restauração de sítios históricos, manutenção dos Parques Nacionais, limpeza de reservatórios de água, conservação de solo e plantio de dois bilhões de árvores. (…)
Leia a matéria completa na edição de Agosto, nas bancas

julho 12, 2009

Nossa contribuição para a extinção do feriado de 9 de Julho. Afinal, "o Brasil tem feriados demais"…

” ( … ) DESFECHO POLÍTICO
Considera-se que a derrota militar de São Paulo foi acompanhada por uma vitória política: Com a derrota da Revolução Constitucionalista, em 1932, seus principais líderes foram presos. Entre eles se encontrava Júlio de Mesquita Filho, enviado com seus companheiros para a Sala da Capela – nome dado um pequeno recinto na Casa de Correção, do Rio, reservado para os prisioneiros políticos provenientes de São Paulo. Pouco tempo depois, na noite de 30 de novembro de 1932, ele e outros 75 companheiros foram colocado a bordo do navio Pedro I e deportados para Portugal. a organização de eleições e a formação de uma Assembléia Constituinte, que porá fim ao governo provisório. No entanto, a legislação eleitoral havia sido elaborada em fevereiro de 1932, e um decreto de 15 de março do mesmo ano, portanto antes da revolução, marcou para 3 de maio de 1933 a eleição dos deputados. A Assembléia iniciou seus trabalhos em 15 de novembro de 1933, sendo que a maioria dos deputados eram varguistas.”
HistoriaNet
Manifesto do Cel. Herculano de Carvalho, comandante da Força Pública de SP em 32
Como terminou o 9 de julho
“Um crime permitir-se que aqueles moços se expusessem às balas adversárias, às granadas, ao metralhar dos aviões, e tivessem como arma de defesa, instrumentos que não o eram, na persuasão de iludir o adversário quando, na verdade, procuravam iludir-se a si mesmos”, denuncia o coronel Herculano no manifesto, intitulado “As razões da minha atitude”
No dia 1º de outubro de 1932, o governo dito constitucionalista de São Paulo foi deposto pelo comandante da própria Força Pública estadual, coronel Herculano de Carvalho, que assinara dias antes, com o governo federal, o pacto que pôs fim à guerra civil.
A oligarquia paulista, que havia ensangüentado o país lançando milhares de jovens na aventura revanchista, não opôs resistência ao ato do coronel, mas passou a qualificá-lo em seguida de “traição”.
Com um longo manifesto, publicado na íntegra pelo jornal carioca “Correio da Manhã”, Herculano apresenta suas razões.
O relato seco e duro dos acontecimentos desfaz fantasias e mitos românticos através dos quais a oligarquia procurou encobrir a falta de compromisso com seus próprios soldados, sua irresponsabilidade e ambição sem limites.
Para conhecimento do leitor, publicamos aqui um condensado desse manifesto.
Desde que as circunstâncias imperiosas me obrigaram a uma iniciativa de todos conhecida e, posteriormente, a assumir o governo militar de São Paulo, concertei comigo mesmo, tão logo me fosse dado vagar, dirigir-me ao nobre e altivo povo bandeirante, numa exposição simples e franca dos motivos que me levaram a ambos os fatos.
Quando a 8 de julho reunidos os comandantes de unidade da Força Pública no gabinete do meu antecessor, o então coronel Júlio Marcondes Salgado, por ele fomos oficialmente inteirados do movimento constitucionalista, a irromper no dia seguinte. Dos seus lábios ouvi que a Força Pública de São Paulo se limitava a manter a ordem, de prontidão nos quartéis e obediente ao Governo do Estado. Às unidades do Exército, aquarteladas no Estado, é que competia a ação, secundada por outras, em diversos pontos do País, principalmente no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais, aliados de São Paulo na chamada Frente Única.
A despeito de tais declarações categóricas, ainda bem vivas na lembrança dos que as ouviram, dois dias depois tivemos ordens de deixar os quartéis e concentrar-nos em Mogi das Cruzes, já na expectativa de prosseguirmos viagem até defrontar o adversário.
Qual a minha atitude? Como paulista e brasileiro, eu não aprovava o movimento, uma vez ideado, no dizer de muitos dos meus camaradas, para repor, na posição de mando, velhos políticos profissionais. Como soldado, pus-me à frente de minha tropa e parti, cônscio de meu dever de militar. Nem a mais leve queixa me aflorou aos lábios, ao contrário do que sucedeu a vários companheiros, alguns imediatamente presos, por se recusarem a seguir, e outros que exteriorizaram seu protesto. Não obstante, estávamos em atitude de expectativa, quando surgiu uma nova concepção de plano, segundo a qual a vitória seria garantida sem um único disparo de fuzil: as tropas paulistas formariam alas à passagem das de Mato Grosso, vanguardeiras das guarnições do Rio Grande do Sul tinham o seu flanco esquerdo as de Mina Gerais; tratava-se, pois, de uma simples parada militar, mera marcha triunfal até o Rio de Janeiro.
Pura ilusão! Desde logo se nos apresentou a realidade de uma resistência armada das tropas federais, a barrar-nos, nas fronteiras do Estado, a passagem à Capital da República. Daí o novo plano: enquanto as hostes constitucionalistas permaneciam inativas, promovia-se a ida de emissários, para tratar, com amigos comuns, da renúncia do Governo Provisório, a fim de evitar-se grande derramamento de sangue. Foi, então, que me atiraram ao Túnel, naquele inferno que, dia a dia, menos se saciava de vidas preciosas, onde, entretanto, nunca me passou pela idéia rebelar-me contra situação diferente da que nos foi assegurada.
Ali permanecia no meu posto de honra, já identificado com o movimento de 9 de julho, quando o falecimento do general Marcondes Salgado foi colher-me, entre pesaroso e surpreso, para assumir o comando da Força Pública.
MUNIÇÃO
Mais ou menos em fins de julho, o ex-secretário da Fazenda, em carta que me dirigia e em repetidas palestras em palácio, comunicava-me estar em entendimento com firmas estrangeiras, a fim de adquirir o indispensável armamento para vencermos a guerra.
Por que não se adquiriu de pronto esse armamento e essa munição, quando as fronteiras do sul do Estado e o nosso principal porto ainda nos estavam franqueados? Dizem que na esperança de mais dia, menos dia, acudirem em nosso auxilio, bem armados e municiados, os nossos irmãos do Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Nesse passo, justamente, é que se fez sentir, contrária à verdade dos fatos, a ação da imprensa e do rádio. Os nossos jornais, quase todos, no louvável intuito de animar a população e, principalmente, os que se encontravam no campo da luta, davam crédito ao que se lhes insinuava ou fantasiava, de fonte oficial ou meramente informativa, quem sabe até de origem tendenciosa.
Como se criavam tais fantasias? – Ignoro. O que é certo, no entanto, é que nossos diários davam curso às mais animadoras notícias, lidas e comentadas com grande eloqüência nos microfones dos rádios, e sofregamente, absorvidas por todos quantos ansiavam pelo término da luta com a nossa vitória final.
Não me furto, numa última análise [sobre a questão da munição], a este fator preponderante do nosso desastre militar, a um fato que se verificava no setor norte.
Por falta de munição, que insignificante era a quantidade produzida por nossas fábricas, imaginaram os soldados constitucionalistas algo que a substituísse, ainda que na aparência: mandaram construir, nas oficinas da Rede Sul-Mineira, em Cruzeiro, uma espécie de matraca. Sacudida com pulso vigoroso, dava a impressão de tiros de fuzis e metralhadoras.
Comoveu-me a narração do fato. Espantou-me o heroísmo nunca visto, sem exemplo na história dos povos. E, voltado a mim do espanto e da comoção, fui presa de um sentimento de revolta, de incontida indignação. Aquilo já não era humano. Já não era desprendimento: raiava pela loucura.
Um crime continuar-se a luta daquele modo. Um crime permitir-se que aqueles moços se expusessem às balas adversárias, aos shrapnels, às granadas, ao metralhar dos aviões, e tivessem como arma de defesa, instrumentos que não o eram, na persuasão de iludir o adversário quando, na verdade, procuravam iludir-se a si mesmos.
Noticiavam os jornais levantes no sul e em Minas. Tão grande lhes era o alcance que, em se tornando conhecidos, já estaria terminada a guerra com a vitória da nossa causa.
Da marcha dos acontecimentos militares, desde a retirada de Itararé, de Faxina, de Buri, à linha do Paranapanema, e da impossibilidade militar de sustentar-se a linha defensiva, da frente mineira, em virtude da diminuta guarnição, era informado o Governo do Estado e o próprio general Klinger. Certifiquei-me, minuciosamente, da exata situação da frente leste que, rompida pelo adversário – o que era fácil – havia de trazer fatalmente o fracasso das operações, pois de nada valeria manter-se com firmeza as frentes norte e sul.
Todos os cuidados do nosso Estado Maior se voltavam para Eleutério, mas, à falta de munição e recursos de homens armados, provocaram a sua queda, aliás prognosticada, em tempo, ao Governo do Estado, que não lhe dava crédito.
URGÊNCIA
Foi, então, que a 25 de setembro, recebi a seguinte carta do subchefe da Força Pública, tenente-coronel Euclides Machado, oficial dos mais acatados e ponderados:
“Prezado amigo e senhor comandante Herculano de Carvalho e Silva.
É esta para comunicar-lhe que acabo de vir da residência do Sr. Dr. Plínio Barreto, onde fui ter espontaneamente, e com quem conferenciei sobre a possibilidade de um entendimento com o Governo Provisório para a cessação da luta, sem que disso resultasse qualquer deslustre para a honra de São Paulo…”.
No dia seguinte, alta hora da madrugada, recebi um telegrama de São Paulo, em que me comunicavam que o valoroso oficial do Exército Brasileiro, coronel Alexandrino Gaia, do setor norte, com insistência, me pedia que fosse a São Paulo e lhe marcasse hora para nos encontrarmos. Assunto urgente. Pedi-lhe que viesse a Campinas, porquanto não era possível abandonar, ainda que por horas, o meu posto de comando.
Efetivamente o coronel Alexandrino Gaia ali comparecia a 27, como representante de vários comandantes de unidades do Exército e expunha a razão de sua viagem, consubstanciada na ata aqui transcrita:
“Aos vinte e sete dias do mês de setembro de mil novecentos e trinta e dois, às nove e meia horas, numa das salas do P.C. de Destacamento em Campinas, situados no prédio do ex-Campinas Hotel, convocados pelo coronel Herculano de Carvalho e Silva, comandante geral da Força Pública do Estado, compareceram os seguintes oficiais: coronéis Herculano de Carvalho e Silva, Eduardo Lejeune e Alexandre Gama, tenentes-coronéis Alexandrino Gaia, Patrício Batista da Luz, Luís de Faria e Sousa, Virgílio Ribeiro dos Santos, Romão Gomes e Macário Rangel e Major José da Silva.
O coronel Herculano de Carvalho e Silva, fazendo uso da palavra, apresentou o valoroso oficial do Exército Brasileiro, comandante de um dos setores do Vale do Paraíba, para expor a situação militar daquela frente e a sua projeção sobre os demais setores da luta. O referido oficial demonstrou à evidência que vários fatores de ordem moral e material tornavam insustentável a manutenção das posições e a continuação da guerra no vale do Paraíba, sendo inevitável o recuo progressivo dos elementos que ali combatem, desde o início das hostilidades. Assim pensavam todos os oficiais que com ele cooperam, do Exército e da Força Pública, unânimes em reconhecer o sacrifício imenso a que seriam expostos os habitantes das cidades e vilas sujeitas aos horrores da luta.
SITUAÇÃO
Assim inteirados da exata situação daquele setor, fizeram uso da palavra diversos comandantes, acordando todos, sem uma única exceção, que o que se passava no vale do Paraíba não era um fenômeno local e sim geral, pois nos demais setores a contingência era a mesma, resolvendo que, diante da impossibilidade da vitória pelas armas era um dever patriótico cessar imediatamente a luta para evitar novos e pesados sacrifícios ao Estado e ao País, deliberando: 1º) Ficava o coronel Herculano de Carvalho e Silva, apoiado pelas forças do Exército e da Força Pública, indicado para entrar em entendimento imediato com as autoridades militares e civis, estaduais e federais, para a cessação da luta. 2º) No caso de encontrar resistência por parte de qualquer desses elementos, ficava igualmente autorizado a agir como supremo representante das Forças Armadas, concertando com o adversário o acordo almejado. 3º) Que lhe fossem cientificados dessa deliberação os camaradas do setor sul. 4º) Que as providencias necessárias para o início das negociações tivessem execução imediata”.
Como não havia tempo a perder, de Campinas, rumei para Guaratinguetá, em companhia do coronel Alexandrino Gaia, onde procurei o coronel Euclides de Figueiredo, a quem expus a razão da minha visita.
Mostrou-se ele bastante surpreso, ante o que se lhe revelara e, de princípio, negou o seu apoio. Pouco depois, por sugestão do coronel Palimércio de Resende, seu chefe do E.M., concordou que se convocasse uma reunião de todos os chefes militares e membros do Governo, a fim de que este ficasse perfeitamente inteirado da verdadeira situação militar.
Para isso desejava ouvir a opinião do general Klinger. No dia seguinte, alta hora da madrugada, é procurado pelo coronel Alexandrino Gaia com o convite de seguir para Guaratinguetá, e lá resolver-se a proposta do coronel Palimércio de Resende.
ARMISTÍCIO
Atendido pelo coronel Vilabela, o coronel Gaia expôs-lhe a razão de sua visita àquela hora. O chefe supremo das tropas constitucionalistas ao invés de atender ao convite, no dia seguinte, deliberadamente tomou a iniciativa de promover o armistício.
Tido e havido pelo Governo do Estado como principal causador de tudo, pensaram alguns dos seus membros em remediar o mal, alijando-me do comando do Destacamento de Campinas.
Cuidaram logo de substituir-me pelo tenente-coronel Romão Gomes, oficial dos mais competentes para a espinhosa missão.
Para isso, preliminarmente, efetivaram-no no posto de tenente-coronel que estava comissionado e, por portaria especial, à completa revelia do comando-chefe das Forças Constitucionalistas e da Força Pública, deram-lhe o comando daquele destacamento. Para que não se recusasse, uma comissão foi procurá-lo em Campinas e entregar-lhe, de mão própria, o documento de nomeação. Quanto a mim, ao que me informaram, estava reservada a mais negra das sortes: preso por traidor. Serenamente aguardei o desenrolar dos acontecimentos. No dia seguinte, o comandante Romão Gomes, compareceu a Palácio para declinar o convite, mesmo porque, na sua própria expressão, várias vezes repetida, impossível se tornava continuar a luta.
Precisamente a uma hora do dia 29 de setembro, o general Klinger transmitiu o seguinte rádio ao chefe do Governo Provisório.
“Dr. Getúlio Vargas – Rio
- Com o fito de não causar à Nação mais sacrifícios de vida, nem mais danos materiais, o comandante das Forças Constitucionalistas propõe imediata suspensão das hostilidades em todas as frentes, a fim de serem assentadas as medidas para a cessação da luta armada. (a) General Klinger”.
Concomitantemente, tratava-se de um acordo com o adversário. A iniciativa, como é natural, partira do general Klinger, que mandara dois emissários a Cruzeiro – o seu chefe do E.M., tenente-coronel Osvaldo Vilabela, e o major Ivo Borges, chefe das Unidades Aéreas.
Duras, porém, foram as condições impostas, tanto que, no dia seguinte, novamente os emissários tornavam a Cruzeiro, com uma contraproposta do chefe constitucionalista.
ENTENDIMENTO
Por essa ocasião, solicitei ao general Klinger fosse permitido à nossa milícia tomar parte no entendimento com o adversário, no que SS. consentiu.
Lá chegados, os quatro emissários – dois da Região, tenente-coronel Osvaldo Vilabela e tenente Correia Velho e tenentes-coronéis Otaviano Gonçalves da Silveira e Euclides M. Machado – o próprio general Góis Monteiro separou-os e com eles tratou separadamente do acordo, sem que as condições propostas a uns fossem conhecidas dos outros.
Apresentadas as bases aos nossos emissários, depois da demorada discussão, manifestam eles desejo de vir a São Paulo, para consulta, o que não lhes foi permitido, sob alegação de que já se haviam perdido 48 horas, em prazo concedido ao tenente-coronel Vilabela, para idêntico fim.
À vista disso, e como urgia pôr-se cobro à luta, prestes a reiniciar-se, para evitar a todo o transe o adversário entrasse pelas armas em São Paulo, para conter a avalanche dos nossos próprios soldados, que se desgarravam das frentes, tiroteando a êsmo pelas estradas e pelas estações, insub-missos e opondo-se, tenazmente, à continuação das operações; enfim, como estivesse virtualmente fracassada essa segunda tentativa de acordo, proposta pelo general Klinger, resolveram os dois emissários da Força Pública assinar o pacto discutido e assente, e já do domínio público.
CORONEL HERCULANO DE CARVALHO
Hora do Povo, ed.2694
“Ou São Paulo assume a hegemonia ou separa-se”
Monteiro Lobato e o programa da revanche oligárquica de 1932
“Agora estamos em plena guerra de independência, disfarçada em guerra constitucionalista… Após a vitória de São Paulo se faz mister que seus dirigentes não se deixem embalar pelas idéias sentimentais de brasilidade, irmandade e outras sonoridades… Ou São Paulo desarma a União e arma-se a si próprio, de modo a dirigir a política nacional a seu talento e em seu proveito, ou separa-se… Aceitemos Hobbes. Sejamos lobos contra lobos. Lobos gordos contra lobos famintos”
É verdade, leitor. Toda essa sujeira e outras mais, que parecem ter sido produzidas no auge de um êxtase fascista, saíram da pena do nosso grande e estimado mestre Monteiro Lobato, em carta a Valdemar Ferreira, Secretário da Justiça e da Segurança Pública do governo dito constitucionalista e revolucionário de São Paulo, datada de 10 de agosto de 1932.
O fato confirma o adágio de que mesmo as águias, por vezes, voam mais baixo do que as galinhas. Revela também que o analfabetismo político, que tanto preocupava o velho Brecht, é capaz de levar grandes artistas a agirem contra si próprios e prestarem-se aos mais desatinados papéis, como o da nossa diva, Fernanda Montenegro, que recentemente ocupou as câmaras da Globo para afirmar em alto e bom som: “A Califórnia se tivesse ficado com o México teria sido uma ruína, aquilo não seria o que é hoje. Então eu acho que realmente o americano deveria tomar conta do Brasil Central, porque aquilo ali é um celeiro e conosco não vai dar em nada”.
Porém, o mais importante é verificar que tanto Lobato, quanto Fernanda, em seus rasantes, cada um a seu modo e em seu tempo, abraçaram e expressaram de modo direto e sem rodeios teses que os beneficiários diretos costumam proteger sob o véu da discrição.
Os promotores e dirigentes da contra-revolução de 9 de julho de 1932 jamais tornaram pública, com a clareza e a contundência de Lobato, neste texto, a essência do seu programa.
Mas o programa era esse mesmo, sem tirar nem pôr: hegemonia ou separação. O propalado constitucionalismo se tratava de elemento meramente figurativo.
As eleições para a Constituinte já haviam sido marcadas, para 3 de maio de 1933, dois meses antes de rebentar o movimento. E não poderiam ter sido realizadas antes, porque era impossível promover no Brasil eleições minimamente limpas sem realizar uma reforma completa do sistema, substituindo a legislação que amparava currais e degolas, instituindo a Justiça Eleitoral e realizando um cadastramento eleitoral digno de confiança.
Getúlio Vargas apontou, com inteira propriedade, que: “A causa principal da Revolução de 1930 fora a completa falência do regime representativo vigorante, corrompido pela fraude eleitoral, estabelecida como norma… Realizar nova eleição, logo após a vitória, sob o império da mesma lei, do mesmo alistamento, da mesma máquina eleitoral adestrada e manejada na prática de quarenta anos de corrupção e ludíbrios seria falsear, em absoluto, os objetivos determinantes do movimento renovador”.
Foi fundamentalmente contra a realização das eleições, num quadro diferente daquele que dominava e sobre o qual reinava, que explodiu o inconformismo oligárquico.
Distraído, Lobato tomou o trem errado. Mas não se pode negar-lhe o mérito de haver deixado à posteridade um eloqüente testemunho dos objetivos e, sobretudo, dos pressupostos que pautavam a ação dos cândidos maquinistas.
SR
Hora do Povo, ed. 2647

maio 19, 2009

Competência, teu nome é PSDB/ DEM ( ou: O PETRÓLEO É NOSSO, PSDB! )

Eu não sei que pacto com o Coisa Ruim esses partidos fizeram, mas me parece que eles sempre levam a melhor quando se trata de instalar CPIs na Câmara.
A competência se torna gritante, quando sabemos que existem mais de, sei lá quanto, dezenas de CPIs pedidas pelos partidos de oposição aqui no Estado de São Paulo, e que devem estar mofando em alguma gaveta sobria no castelo do soturno Conde. Não passam de jeito nenhum, nem com reza braba.
Por sua vez, a tal “opinião pública” não parece fazer a menor questão de que os sucessivos governos tucanos sejam investigados. Silêncio sepulcral.
Agora eu até fiquei com medo, sabem? Tantos anos com a podridão “curtindo” como se fosse um “escabeche” no vinagre, até pegar o gosto, e sabe-se lá o que poderia sair de alguma CPI, uma criatura tipo “A Coisa”, que causaria uma devastação descomunal…
Que segredos existirão nos sarcófagos estaduais? E qual o segredo para conseguir desencavá-los?
FATO
Confesso que ainda estou meio que boiando nessa história de “CPI da Petrobrás”. Para começar, não deveria existir um “fato” – sei lá que nome se dá – que justificasse a instalação, mas que a circunscrevesse?
A depender do nome ( abrangente ), fica parecendo que até o cadáver do Getúlio Vargas – vejam, mais abaixo, a Carta-Testamento de Getúlio – os golpistas vão exumar, em busca da “verdade” que lhes interessa. Tipo, desde a criação da estatal, mas pulando o governo FHC e excluíndo a direção da Petrobrás quando ela esteve a cargo do genro de Fernando Henrique Cardoso, o sr. David Zilberstajn ( que, se não me engano, depois foi trabalhar nas Organizações Globo ).
A esperança é que estes patetas entreguistas façam como costumam fazer: a CPI vai criar um monte de papel amarelo ( no caso, os jornais que se servirão das “descobertas”, vulgo, dos factóides ) mas, no final, chegarão até a sala de estar deles mesmos.
A RESPOSTA:
Em defesa da Petrobrás
O petróleo é nosso, PSDB!
EDUARDO GUIMARÃES
O bordão “O petróleo é nosso” foi criado pela Campanha do Petróleo, desencadeada pelo Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e por nacionalistas. Daquela campanha, nasceu a estatal petrolífera nacional, a Petrobras, em 1953.
O Brasil, desde aquela época, vem se dividindo entre nacionalistas e defensores do capital estrangeiro. Em 1938, o governo Getúlio Vargas determinou a exploração de uma jazida de petróleo em Lobato, na Bahia, dando origem ao Conselho Nacional do Petróleo. Desde então, as jazidas minerais passaram a ser propriedade do povo, sendo vedada a propriedade privada.
Criar a Petrobrás, no início dos 50, foi uma decisão acertada. Naquela época, o Brasil importava 93% dos derivados de petróleo que consumia. Hoje, somos autossuficientes.
O monopólio estatal do petróleo durou 44 anos. Foi quebrado em 16 de outubro de 1997 justamente pelo governo Fernando Henrique Cardoso e pelo partido que lhe dava sustentação, o PSDB, que agora, diante da maior descoberta petrolífera da história do país, novamente avança sobre o petróleo a fim de entregá-lo ao monopólio estrangeiro.
A CPI da Petrobrás, recém-criada no Senado Federal por iniciativa do PSDB e a mando evidente da eminencia parda da agremiação, o governador José Serra, é o mais novo avanço dos entreguistas de que falava Getúlio Vargas, aos quais o país se opôs e criou a empresa petrolífera.
Como disse recentemente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a descoberta e o início das operações de exploração do pré-sal constitui a “Segunda Independência” do Brasil. Através dessa riqueza imensa que jaz em nosso litoral Sudeste, o Brasil poderá ascender ao Primeiro Mundo talvez em uma década, se conseguirmos manter a riqueza a salvo das garras tucanas.
Não é por outra razão que venho propor a criação da nova campanha em defesa das riquezas minerais brasileiras, sugerindo o bordão “O petróleo é nosso, PSDB!”
E, sem titubear, começo propondo o início dessa campanha num ato público em defesa da Petrobrás a se realizar o quanto antes diante do diretório estadual do PSDB em São Paulo, no bairro de Indianópolis, na avenida que leva o mesmo nome, pois o ataque à Petrobrás vem do mesmo partido que começou a entregar o petróleo brasileiro há 12 anos e que quer voltar ao poder no ano que vem para continuar sua obra nefasta.
Como sempre, dependerei de vocês para saírem pela internet propondo em sites e blogs a medida que anuncio aqui em defesa dos interesses nacionais.
Será um ato ao qual se pretende a adesão de partidos, sindicatos, movimentos sociais e da sociedade civil de forma geral. Diante do previsível bloqueio que a imprensa dará a esta iniciativa, só podemos contar com vocês, leitores, e com a força da internet.
Na semana que vem, novamente iniciarei contatos para difundir o ato público proposto. Desta vez, porém, será no âmbito maior de uma campanha que se espera que se espalhe pelo país.
Caso esta proposta receba as adesões minimamente necessárias dos leitores deste blog, novamente o Movimento dos Sem Mídia assumirá o compromisso de organizar outro ato em defesa da cidadania. E vocês, ao aderirem, comprometer-se-ão a difundir esta proposta onde possam – na internet, nas ruas, entre a familia, entre os amigos, onde cada um puder.
Primeiro em São Paulo, na terra da mente criminosa que está por trás de tudo isso, a mente obscura de José Serra. Depois, pelo país inteiro. A campanha deverá durar enquanto durar a CPI da Petrobrás, com atos públicos espalhando-se pelo país até chegarmos a um ato maior, que sugiro que seja feito em Brasília diante do Congresso Nacional.
Pronto, a sorte foi lançada. A reação, agora, dependerá de cada um de nós, de nosso empenho em difundir e defender os interesses do Brasil. Que Deus nos ilumine e ajude a manter as garras tucanas e reacionárias longe das riquezas nacionais.
A carta-testamento de Getúlio Vargas
24 de agosto de 1954
Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim.
Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao Governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculizada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.
Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores de trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançaram até 500% ao ano. Na declaração de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a ponto de sermos obrigados a ceder.
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate.
Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história
Getúlio Vargas

maio 5, 2009

RETRATO DO BRASIL: Serra adula e tenta reescrever a história da elite paulista que tentou derrubar Vargas. Partícipe da trama: Marco Antônio Villa

O GOVERNADOR E SUA HISTÓRIA À PAULISTA
A Imprensa Oficial de São Paulo lançou livros que revalorizam a elite paulista. Uma manobra de Serra, de olho na sucessão

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Coordenação do CPDOC em São Paulo
O Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC/FGV) comunica com satisfação a criação da Coordenação do CPDOC em São Paulo, que começa a operar sob a responsabilidade da professora Letícia Nedel a partir de maio. Junto com a Escola de Economia de São Paulo, o CPDOC já mantém na cidade dois cursos de pós-graduação lato sensu (Bens Culturais e Cinema Documentário). No segundo semestre, lançará os de Relações Internacionais e de Jornalismo Investigativo. As duas escolas mantêm em conjunto, também, o projeto “Trajetória e pensamento das elites empresariais paulistas”. A partir de 2010, serão oferecidas, ainda, disciplinas de graduação em Relações Internacionais aos alunos das escolas da FGV em São Paulo, como acontece no Rio.
Antídoto contra a peste Serrista:
Revolução de 1930 – A Revolução de Vargas ( Hora do Povo )

dezembro 16, 2008

"Sobral Pinto, vítima do AI-5", por Jasson de Oliveira Andrade

Sobral Pinto * foi um dos maiores advogados do Brasil, defensor de presos políticos vítimas das ditaduras brasileiras (1937 e 1964). Ele nasceu a 5 de novembro de 1893 e faleceu a 30 de novembro de 1991. Nos 98 anos de vida, dedicou-se a lutar pela liberdade. Democrata, era um crítico do Estado Novo (10/11/1937 a 29/10/1945) de Getúlio Vargas, período ditatorial. Conhecido nacionalmente como autor de cartas às autoridades, a maioria delas em favor da democracia, já naquela época, no final da ditadura varguista, escreveu ao general Góes Monteiro, poderoso Ministro da Guerra. Estas e outras cartas foram publicadas no livro SOBRAL PINTO – LIÇÕES DE LIBERDADE, editado, em 1977, pela Universidade Católica de Minas Gerais e Editora Comunicação. É neste livro que está publicada o texto da missiva que enviou ao “Exmo. Sr. Presidente da República, Marechal Arthur da Costa e Silva”, em 21 de dezembro de 1968, poucos dias após o AI-5 (13/12/1968), criticando o Ato por ele assinado e também falando de sua prisão em Goiás. No livro não existe uma explicação sobre o motivo de sua detenção. Tudo indica que iria ministrar palestra para estudantes daquele Estado. O que se vai ler a seguir são as críticas de Sobral Pinto nessa carta à Costa e Silva.
Depois de afirmar que leu, em Goiânia, o AI-5, escreveu: “Através do referido Ato, V.Exa. instituiu, em nossa Pátria, a ditadura militar, contra a qual ninguém pode, no momento, lutar eficientemente.”
“Nessa qualidade [de Presidente da República], V.Exa, baixando o ATO INSTITUCIONAL Nº 5, falhou à sua missão e traiu de maneira indiscutível a finalidade de Governante do País.”
“Com efeito, atente V.Exa., com serenidade e isenção de espírito, para o que fez com o referido ATO INSTITUCIONAL Nº 5: V. Exa. suprimiu, com a liberdade de opinião, também a garantia da Magistratura Brasileira. (…) É evidente, Sr. Presidente, que o ATO INSTITUCIONAL Nº 5, com as determinações nele contidas, é um Ato governamental que desmoraliza e quebra o caráter do homem brasileiro, principalmente o dos Magistrados. Se este Ato permanecer no nosso Direito [permaneceu até 1978, dez anos], ninguém, nesta amargurada Pátria, ousará contrariar a deliberação e a vontade dos militares das nossas Forças Armadas e as de V.Exa. porque estará, com a sua resistência, abrindo o caminho que o levará para o cárcere, sem que a Magistratura possa restituir-lhe a liberdade”.
A seguir Sobral Pinto relata a sua prisão. “Sou, Sr. Presidente, uma das vítimas do ATO INSTITUCIONAL Nº 5. A Polícia Federal de Goiás, invocando o nome de V. Exa., deu-me ordem de prisão, ordem que não acatei, declarando que nem V. Exa., nem ninguém neste País, é dono da minha pessoa e da minha liberdade. Nada fizera para esta perder. Recusava altivamente acatar ordem tão absurda e ilegal. Mal pronunciei estas palavras, quatro homens, de compleição gigantesca, lançaram-se sobre mim, como vespas sobre carniça, imobilizando-me os braços e apertando-me o ventre, pelas costas. Em seguida, empurraram-me, como um autômato, do quarto ao elevador, onde me empurram. Deste até o carro, que se encontrava à porta do Hotel, fizeram a mesma manobra. Colocado no carro, de manga de camisa, como me encontrava no quarto, conduziram-me a um Batalhão que fica nos arredores de Goiânia. Neste permaneci durante uma hora, mais ou menos, depois de um atrito com o Comandante da Unidade, que tentara desrespeitar-me, sendo levado ao Quartel da Polícia do Exército em Brasília, onde fiquei três dias (…)”.
Sobral Pinto foi mais uma das vítimas do AI-5. Felizmente, quando morreu, em 1991, aos 98 anos, o Brasil já vivia na democracia, pela qual tanto lutou. E que esses Anos de Chumbo não voltem a ocorrer em nosso país!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Dezembro, 2008
* O link não consta no texto original de Jasson

outubro 21, 2008

Jaz São Paulo, Orgulhos de Nossa Terra ( 1 ): o monumento ao "índio bom é índio morto" e otras cositas

A locomotiva do Brasil http://paulodaluzmoreira.blogspot.com/2008/08/locomotiva-do-brasil.html
Eis a sucinta descrição do Monumento aos Bandeirantes do então governador de São Paulo, fundador da USP, primo de Júlio Mesquita, herói constitucionalista [ironicamente interventor em 1933], quatrocentão de quatro costados, Armando de Salles Oliveira: “Os homens surpreendidos numa subida, caminham para o alto: é o idealismo paulista em ação. Dois bandeirantes, os chefes, vão na frente, a cavalo: é o princípio da autoridade, o mais forte esteio da civilização que o comunismo tenta destruir. As figuras decrescem de tamanho: é a hierarquia, inseparável da disciplina, e um dos mais belos princípios da organização social”.
Luzes e sombras da cidade (São Paulo na obra de Mário de Andrade)*
Monica Raisa Schpun
Universitá degli Studi di Milano
Revista Brasileira de História
Print ISSN 0102-0188
Rev. Bras. Hist. vol.23 no.46 São Paulo 2003
doi: 10.1590/S0102-01882003000200002

” ( … )
Existe um repertório de imagens sobre São Paulo, constituído em pleno momento da grande urbanização e, em muitos casos, válido até hoje. Ele exprime, sobretudo, um imaginário regionalista que elege São Paulo o cartão de visita do Brasil. A oligarquia do café ocupa aí uma posição chave. Seu sucesso e riqueza recentes ligam-se intimamente à política imigratória e ao boom demográfico paulistano. Assim, como beneficiários e artífices do processo de urbanização, os membros do grupo enxergam na nova cidade o reflexo por excelência de seu imaginário. A produção de discursos que se segue institui, então, uma memória social dominante, vitoriosa e otimista, essencialmente regida por uma lógica de progresso. Nesta, a cafeicultura aparece generalizada, como um feito de todos, e carregada de positividade: atores, relações e hierarquias sociais desaparecem atrás de um único agente, portador de progresso e de riquezas, “o paulista”. Progresso e riquezas dos quais todo e qualquer brasileiro se beneficiaria, graças à generosidade desse mesmo “paulista”. Neste contexto, a grande cidade é o espelho perfeito de um imaginário social regionalista, inicialmente forjado pelas elites, mas socializado em seguida2.
Porém, quais são especificamente as imagens que, metaforizando positivamente a modernidade, como fruto e casa de chegada do progresso, constroem uma ligação privilegiada entre esta e a cidade de São Paulo, transformando tudo aquilo que é lido como moderno em obra e prerrogativa paulista? Referindo-me a algumas das imagens mais recorrentes nos discursos da época sobre a cidade, procurarei, neste texto, examinar sua presença na obra de Mário de Andrade, confrontando os sentidos em que aparecem nos dois registros. Assim, meu elenco de imagens abre-se com o Bandeirante, personagem extremamente presente em textos os mais variados durante toda a década de 20, e depois, no início dos anos 30, com a oposição das elites paulistas a Vargas, a Revolução de 1932 e a vitória eleitoral da “Chapa Única por São Paulo Unido!” nas eleições à Constituinte de 1933.
Todo o discurso dessas elites traz, na base, um regionalismo ferrenho. Assim, num primeiro momento, trata-se de explicar o sucesso do café pela natureza do paulista: forte, corajoso, empreendedor, desbravador dos interiores, alargador das fronteiras, o Bandeirante encarna aí o ascendente por excelência da população local, formador do verdadeiro caráter paulista, quatro séculos antes. Num segundo momento, já nos anos 30, a imagem é mais uma vez recuperada, num contexto diverso e a serviço de outros objetivos. Ainda que os princípios constitucionalistas, mobilizados contra Vargas, sejam originalmente fruto de tentativas de reconversão das elites, visando a recuperar espaços perdidos de poder, tal ideário chega a se popularizar em São Paulo. O paulista, herdeiro do Bandeirante, aparece então como lutador solitário à frente do País, vanguardista corajoso, pronto a tudo pela conquista de seus ideais, todos de justiça e de democracia. É assim que este rústico desbravador passa, da foice que abre fronteiras físicas, às armas que empurram para longe a ditadura, em benefício da democracia.
Porém, nos dois momentos, um duplo uso da metáfora Bandeirante existe. Por um lado, ela responde às aspirações de distinção das elites. Nesse sentido, “o” paulista não se refere a todo e qualquer paulista, mas somente aos “verdadeiros”. Eis como a oligarquia cria a lenda de uma herança “quatrocentona “, que distingue suas famílias, ao mesmo tempo, das outras elites regionais, dos demais grupos sociais e, mais raro mas não menos significativo, de indivíduos ou famílias em
ascensão [ grifo do blog] 3. As levas de estrangeiros recrutadas para o café ocupam, por sua vez, o papel de figurantes, de “braços para o café”, caminhando, curvadas, atrás da figura altiva — e sempre alta — do líder Bandeirante, latifundiário. Por outro lado, metáfora fundamentalmente regionalista, a figura do Bandeirante serve perfeitamente aos esforços de coesão social, de construção de identidades coletivas locais. Aí, não existem mais verdadeiros nem falsos paulistas: todos aparecem unidos — em 1932, por exemplo, atrás do mesmo ideal —, quatrocentões, imigrantes e outros.
Lê-se, assim, num dos inúmeros panfletos que circulam em São Paulo durante e após a Revolução de 1932, buscando criar e reforçar uma identidade regional, além de construir sua memória:
(…) “Bandeirismo paulista”. Esta lição, meu filho, Seduz, prende e entusiasma a todo o brasileiro.
Procura, pois, saber esta lição com brilho. E, si alguém te indagar: “De que Nação és filho?” Responde, filho meu, responde: “Eu sou
Paulista”! 4
Num outro texto, escrito após a derrota Constitucionalista em 1932, como uma homenagem a São Paulo, o autor toma a defesa dos paulistas contra seus eventuais detratores:
(…) Não se esquecem os que se affligem com o progresso de S. Paulo de apregoar que a quarta parte do povo paulista descende de italianos, como se isso pudesse alterar, como elles pensam ou procuram fazer crer, a homogeneidade mental da população deste Estado ou influisse de qualquer maneira para uma classificação à parte, dos paulistas, no conjuncto da população brasileira. Os filhos e netos de italianos, nascidos em São Paulo, são tão paulistas quanto os descendentes dos antigos
bandeirantes. 5
Em pleno espaço urbano paulistano, quatro referenciais se destacam para lembrar tal descendência. Em primeiro lugar, quanto à visibilidade, o grande Monumento às Bandeiras, desenhado por Victor Brecheret.

( … )”
Bandeirantes, índios e o engenheiro da Eletrobrás
http://paisdahipocrisia.wordpress.com/2008/06/02/bandeirantes-indios-e-o-egenheiro-da-eletrobras/
” ( … )
Sem importância econômica para metrópole, a capitania de São Vicente desenvolvia sua autonomia.Também sem recursos suficientes para comprar escravos negros, e também pela ocupação holandesa em Angola os paulistas passaram a escravizar os índios.A partir de 1620, os paulistas (os famosos bandeirantes) passaram a atacar intensamente a região de Guairá na caça ao Guaranis (considerados índios de qualidade por pussuírem uma hortecultura desenvolvida.) Missões jesuítas foram atacadas. As missões de Itaim, Tape e Uruguai foram destruídas. (os jesuítas ainda não autorizavam os índios a usarem arma de fogo ainda.)Antônio Raposo Tavares, André Fernandes Manuel Preto e Fernão Dias Pais comandaram expedições em que milhares de índios foram escravizados e mortos.A crueldade chegava ao absurdo como: aldeias incendiadas, crianças e velhos trucidados, além de epidemias que se abatiam sobre os nativos, matando-os em grande escala.Depois que o Padre Ruiz de Montoya concedeu autorização aos índios para a utilização de armas os paulistas foram derrotados em Guaraçu e depois em Mboré.
A brava resistência índigena apoiada pelos jesuítas, o restabelecimento do tráfico negreiro, a elevada mortalidade dos índios aprisionados, as rebeliões e as fugas fizeram com que a caça ao
índio declinasse.
Domingos Jorge Velho (imagem): segundo escreveu o bispo Francisco de Lima: “tratava-se de um selvagem, comunicando-se atráves de um intérprete, já que o ernergúmeno só falava a língua geral”. Também comentou o governador Caetano de Melo e Castro: “É gente bárbara que vive do que rouba.”Fernão Dias Pais, diante de uma conspiração, não hesitou em condenar seu próprio filho à pena de morte.
Depois dessa introdução histórica, eu não entendo como no Brasil se tem a idéia de que os Bandeirantes foram heróis, conquistadores do interior do Brasil, (isso já era feita pelas Entradas, que eram organizadas por Portugal afim de buscar ouro e algo do tipo.) eles são colocados como desbravadores e até contam com alguns monumentos com seus nomes, nomes de estrada, ruas.

( … )”.
E EM CUIABÁ TAMBÉM TEM…
Praça do Bandeirante e Monumento ao Bandeirante
http://wikimapia.org/148540/pt/Pra%C3%A7a-do-Bandeirante-e-Monumento-ao-Bandeirante
No dia 9 de novembro de 1942 foi inaugurado o Monumento ao Bandeirante criado pelo artista plástico Armando Zago, atendendo solicitação do Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito de São Paulo, para ser doado ao povo goyano.
A escultura em bronze possui três metros e meio de altura e está localizada na praça Atílio Correia Lima – antiga Praça do Bandeirante, no cruzamento das avenidas Goiás e Anhanguera, setor Central.Ele busca retratar o Bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva em corpo inteiro, tendo nas mãos uma bateia e armado de bacamarte. Foi alcunhado pelo índio como O Anhangüera por haver colocado fogo em álcool, fazendo-os acreditar que colocaria fogo nos rios, caso o impedisse de levar as riquezas da terra.
…MAS TEM QUEM É CONTRA…
http://amigosdemuseu.blogspot.com/2008/02/o-pastor-vereador-rusemberg-decidiu.html

BÔNUS: O QUE GOSTAMOS DE LER

USP, FFLCH e O ESTADO DE S. PAULO
O grupo de O Estado de S. Paulo e seu “Projeto”
Gabriel Passetti
passetti@klepsidra.net
Quarto Ano – História/USP
http://www.klepsidra.net/klepsidra13/estadao3.htm
“( … ) No Estado de São Paulo havia um forte núcleo liberal encabeçado pelo grupo reunido em torno da família Mesquita e do jornal O Estado de São Paulo. Para tais pessoas, a aplicação do modelo liberal exposto no parágrafo acima ainda colocava o próprio Estado de São Paulo em destaque, “o jornal pode ser visto como tendo um ‘projeto’ para o Brasil, numa visão evolucionista da sociedade”[1] e “uma vez no poder, estabeleceriam no Brasil uma república liberal, para a qual tinham planos nos mais diferentes níveis. É um projeto no qual a hegemonia da nação está reservada a São Paulo” [2].
Este “Projeto” tinha um caráter evolucionista para a política, com ampla autonomia dos Estados, o que permitiria que cada um ao seu tempo alcançasse os níveis mais altos. Para eles, estava claro que naquele momento era São Paulo o topo da pirâmide da evolução brasileira, seguido por Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Apesar da retórica liberal de livre-comércio, pouca intervenção estatal na economia e autonomia dentro da federação, “verifica-se que esses defensores do liberalismo procuravam adaptar a teoria à necessidade dos interesses que defendiam, integrando-se bastante livre-comércio e intervencionismo na ideologia de ‘OESP’ ”
[3]. Ou seja, “na verdade, o conservadorismo, o elitismo e a postura de classe dominante são a tônica das propostas do jornal” [4]. ( … )”

Ex-Libris, o brasão de O Estado de São Paulo

Jaz São Paulo, Orgulhos de Nossa Terra ( 1 ): o monumento ao "índio bom é índio morto" e otras cositas

A locomotiva do Brasil http://paulodaluzmoreira.blogspot.com/2008/08/locomotiva-do-brasil.html
Eis a sucinta descrição do Monumento aos Bandeirantes do então governador de São Paulo, fundador da USP, primo de Júlio Mesquita, herói constitucionalista [ironicamente interventor em 1933], quatrocentão de quatro costados, Armando de Salles Oliveira: “Os homens surpreendidos numa subida, caminham para o alto: é o idealismo paulista em ação. Dois bandeirantes, os chefes, vão na frente, a cavalo: é o princípio da autoridade, o mais forte esteio da civilização que o comunismo tenta destruir. As figuras decrescem de tamanho: é a hierarquia, inseparável da disciplina, e um dos mais belos princípios da organização social”.
Luzes e sombras da cidade (São Paulo na obra de Mário de Andrade)*
Monica Raisa Schpun
Universitá degli Studi di Milano
Revista Brasileira de História
Print ISSN 0102-0188
Rev. Bras. Hist. vol.23 no.46 São Paulo 2003
doi: 10.1590/S0102-01882003000200002

” ( … )
Existe um repertório de imagens sobre São Paulo, constituído em pleno momento da grande urbanização e, em muitos casos, válido até hoje. Ele exprime, sobretudo, um imaginário regionalista que elege São Paulo o cartão de visita do Brasil. A oligarquia do café ocupa aí uma posição chave. Seu sucesso e riqueza recentes ligam-se intimamente à política imigratória e ao boom demográfico paulistano. Assim, como beneficiários e artífices do processo de urbanização, os membros do grupo enxergam na nova cidade o reflexo por excelência de seu imaginário. A produção de discursos que se segue institui, então, uma memória social dominante, vitoriosa e otimista, essencialmente regida por uma lógica de progresso. Nesta, a cafeicultura aparece generalizada, como um feito de todos, e carregada de positividade: atores, relações e hierarquias sociais desaparecem atrás de um único agente, portador de progresso e de riquezas, “o paulista”. Progresso e riquezas dos quais todo e qualquer brasileiro se beneficiaria, graças à generosidade desse mesmo “paulista”. Neste contexto, a grande cidade é o espelho perfeito de um imaginário social regionalista, inicialmente forjado pelas elites, mas socializado em seguida2.
Porém, quais são especificamente as imagens que, metaforizando positivamente a modernidade, como fruto e casa de chegada do progresso, constroem uma ligação privilegiada entre esta e a cidade de São Paulo, transformando tudo aquilo que é lido como moderno em obra e prerrogativa paulista? Referindo-me a algumas das imagens mais recorrentes nos discursos da época sobre a cidade, procurarei, neste texto, examinar sua presença na obra de Mário de Andrade, confrontando os sentidos em que aparecem nos dois registros. Assim, meu elenco de imagens abre-se com o Bandeirante, personagem extremamente presente em textos os mais variados durante toda a década de 20, e depois, no início dos anos 30, com a oposição das elites paulistas a Vargas, a Revolução de 1932 e a vitória eleitoral da “Chapa Única por São Paulo Unido!” nas eleições à Constituinte de 1933.
Todo o discurso dessas elites traz, na base, um regionalismo ferrenho. Assim, num primeiro momento, trata-se de explicar o sucesso do café pela natureza do paulista: forte, corajoso, empreendedor, desbravador dos interiores, alargador das fronteiras, o Bandeirante encarna aí o ascendente por excelência da população local, formador do verdadeiro caráter paulista, quatro séculos antes. Num segundo momento, já nos anos 30, a imagem é mais uma vez recuperada, num contexto diverso e a serviço de outros objetivos. Ainda que os princípios constitucionalistas, mobilizados contra Vargas, sejam originalmente fruto de tentativas de reconversão das elites, visando a recuperar espaços perdidos de poder, tal ideário chega a se popularizar em São Paulo. O paulista, herdeiro do Bandeirante, aparece então como lutador solitário à frente do País, vanguardista corajoso, pronto a tudo pela conquista de seus ideais, todos de justiça e de democracia. É assim que este rústico desbravador passa, da foice que abre fronteiras físicas, às armas que empurram para longe a ditadura, em benefício da democracia.
Porém, nos dois momentos, um duplo uso da metáfora Bandeirante existe. Por um lado, ela responde às aspirações de distinção das elites. Nesse sentido, “o” paulista não se refere a todo e qualquer paulista, mas somente aos “verdadeiros”. Eis como a oligarquia cria a lenda de uma herança “quatrocentona “, que distingue suas famílias, ao mesmo tempo, das outras elites regionais, dos demais grupos sociais e, mais raro mas não menos significativo, de indivíduos ou famílias em
ascensão [ grifo do blog] 3. As levas de estrangeiros recrutadas para o café ocupam, por sua vez, o papel de figurantes, de “braços para o café”, caminhando, curvadas, atrás da figura altiva — e sempre alta — do líder Bandeirante, latifundiário. Por outro lado, metáfora fundamentalmente regionalista, a figura do Bandeirante serve perfeitamente aos esforços de coesão social, de construção de identidades coletivas locais. Aí, não existem mais verdadeiros nem falsos paulistas: todos aparecem unidos — em 1932, por exemplo, atrás do mesmo ideal —, quatrocentões, imigrantes e outros.
Lê-se, assim, num dos inúmeros panfletos que circulam em São Paulo durante e após a Revolução de 1932, buscando criar e reforçar uma identidade regional, além de construir sua memória:
(…) “Bandeirismo paulista”. Esta lição, meu filho, Seduz, prende e entusiasma a todo o brasileiro.
Procura, pois, saber esta lição com brilho. E, si alguém te indagar: “De que Nação és filho?” Responde, filho meu, responde: “Eu sou
Paulista”! 4
Num outro texto, escrito após a derrota Constitucionalista em 1932, como uma homenagem a São Paulo, o autor toma a defesa dos paulistas contra seus eventuais detratores:
(…) Não se esquecem os que se affligem com o progresso de S. Paulo de apregoar que a quarta parte do povo paulista descende de italianos, como se isso pudesse alterar, como elles pensam ou procuram fazer crer, a homogeneidade mental da população deste Estado ou influisse de qualquer maneira para uma classificação à parte, dos paulistas, no conjuncto da população brasileira. Os filhos e netos de italianos, nascidos em São Paulo, são tão paulistas quanto os descendentes dos antigos
bandeirantes. 5
Em pleno espaço urbano paulistano, quatro referenciais se destacam para lembrar tal descendência. Em primeiro lugar, quanto à visibilidade, o grande Monumento às Bandeiras, desenhado por Victor Brecheret.

( … )”
Bandeirantes, índios e o engenheiro da Eletrobrás
http://paisdahipocrisia.wordpress.com/2008/06/02/bandeirantes-indios-e-o-egenheiro-da-eletrobras/
” ( … )
Sem importância econômica para metrópole, a capitania de São Vicente desenvolvia sua autonomia.Também sem recursos suficientes para comprar escravos negros, e também pela ocupação holandesa em Angola os paulistas passaram a escravizar os índios.A partir de 1620, os paulistas (os famosos bandeirantes) passaram a atacar intensamente a região de Guairá na caça ao Guaranis (considerados índios de qualidade por pussuírem uma hortecultura desenvolvida.) Missões jesuítas foram atacadas. As missões de Itaim, Tape e Uruguai foram destruídas. (os jesuítas ainda não autorizavam os índios a usarem arma de fogo ainda.)Antônio Raposo Tavares, André Fernandes Manuel Preto e Fernão Dias Pais comandaram expedições em que milhares de índios foram escravizados e mortos.A crueldade chegava ao absurdo como: aldeias incendiadas, crianças e velhos trucidados, além de epidemias que se abatiam sobre os nativos, matando-os em grande escala.Depois que o Padre Ruiz de Montoya concedeu autorização aos índios para a utilização de armas os paulistas foram derrotados em Guaraçu e depois em Mboré.
A brava resistência índigena apoiada pelos jesuítas, o restabelecimento do tráfico negreiro, a elevada mortalidade dos índios aprisionados, as rebeliões e as fugas fizeram com que a caça ao
índio declinasse.
Domingos Jorge Velho (imagem): segundo escreveu o bispo Francisco de Lima: “tratava-se de um selvagem, comunicando-se atráves de um intérprete, já que o ernergúmeno só falava a língua geral”. Também comentou o governador Caetano de Melo e Castro: “É gente bárbara que vive do que rouba.”Fernão Dias Pais, diante de uma conspiração, não hesitou em condenar seu próprio filho à pena de morte.
Depois dessa introdução histórica, eu não entendo como no Brasil se tem a idéia de que os Bandeirantes foram heróis, conquistadores do interior do Brasil, (isso já era feita pelas Entradas, que eram organizadas por Portugal afim de buscar ouro e algo do tipo.) eles são colocados como desbravadores e até contam com alguns monumentos com seus nomes, nomes de estrada, ruas.

( … )”.
E EM CUIABÁ TAMBÉM TEM…
Praça do Bandeirante e Monumento ao Bandeirante
http://wikimapia.org/148540/pt/Pra%C3%A7a-do-Bandeirante-e-Monumento-ao-Bandeirante
No dia 9 de novembro de 1942 foi inaugurado o Monumento ao Bandeirante criado pelo artista plástico Armando Zago, atendendo solicitação do Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito de São Paulo, para ser doado ao povo goyano.
A escultura em bronze possui três metros e meio de altura e está localizada na praça Atílio Correia Lima – antiga Praça do Bandeirante, no cruzamento das avenidas Goiás e Anhanguera, setor Central.Ele busca retratar o Bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva em corpo inteiro, tendo nas mãos uma bateia e armado de bacamarte. Foi alcunhado pelo índio como O Anhangüera por haver colocado fogo em álcool, fazendo-os acreditar que colocaria fogo nos rios, caso o impedisse de levar as riquezas da terra.
…MAS TEM QUEM É CONTRA…
http://amigosdemuseu.blogspot.com/2008/02/o-pastor-vereador-rusemberg-decidiu.html

BÔNUS: O QUE GOSTAMOS DE LER

USP, FFLCH e O ESTADO DE S. PAULO
O grupo de O Estado de S. Paulo e seu “Projeto”
Gabriel Passetti
passetti@klepsidra.net
Quarto Ano – História/USP
http://www.klepsidra.net/klepsidra13/estadao3.htm
“( … ) No Estado de São Paulo havia um forte núcleo liberal encabeçado pelo grupo reunido em torno da família Mesquita e do jornal O Estado de São Paulo. Para tais pessoas, a aplicação do modelo liberal exposto no parágrafo acima ainda colocava o próprio Estado de São Paulo em destaque, “o jornal pode ser visto como tendo um ‘projeto’ para o Brasil, numa visão evolucionista da sociedade”[1] e “uma vez no poder, estabeleceriam no Brasil uma república liberal, para a qual tinham planos nos mais diferentes níveis. É um projeto no qual a hegemonia da nação está reservada a São Paulo” [2].
Este “Projeto” tinha um caráter evolucionista para a política, com ampla autonomia dos Estados, o que permitiria que cada um ao seu tempo alcançasse os níveis mais altos. Para eles, estava claro que naquele momento era São Paulo o topo da pirâmide da evolução brasileira, seguido por Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Apesar da retórica liberal de livre-comércio, pouca intervenção estatal na economia e autonomia dentro da federação, “verifica-se que esses defensores do liberalismo procuravam adaptar a teoria à necessidade dos interesses que defendiam, integrando-se bastante livre-comércio e intervencionismo na ideologia de ‘OESP’ ”
[3]. Ou seja, “na verdade, o conservadorismo, o elitismo e a postura de classe dominante são a tônica das propostas do jornal” [4]. ( … )”

Ex-Libris, o brasão de O Estado de São Paulo

outubro 15, 2008

Neta de Leonel Brizola é contra anistia de seu avô

NETA DE BRIZOLA NÃO ENTENDEU LHUFAS
DIÁRIO GAUCHE, 14.10.08
Advogada é contra a anistia de seu avô

Leonel Brizola foi um eterno cético com relação à herança de talento, genético ou adquirido. Citava sempre o exemplo de Getúlio Vargas, que para ele nunca tivera um descendente à altura do seu talento político e grandeza como estadista.
Pois, o mesmo se pode dizer do próprio ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro: igualmente não teve descendentes da qualidade de seu descortino político-administrativo.
Haja vista a sua neta, Juliana Brizola, recém eleita vereadora de Porto Alegre, pela legenda do PDT. Hoje, a jovem balzaquiana de 33 anos concedeu uma entrevista ao jornal Zero Hora a propósito do reconhecimento oficial de anistia ao seu avô, Leonel Brizola, e mete os pés pelas mãos.
Como bacharel em Direito, a neta deveria saber que a anistia concedido pelo poder público é antes de tudo um ato objetivo de natureza política. Portanto, ninguém pode ficar constrangido – como a neta afirma sentir-se – porque um parente querido seu, e já falecido, foi objeto de reconhecimento civil (restituição moral integral da cidadania) e reparação política por parte do Estado, o mesmo Estado que uma vez o perseguiu, o baniu, o condenou e o imputou do “grave” delito de ter uma opinião diferente dos ditadores de plantão.
A neta embaralhou questões familiares de delicada subjetividade com a pura objetividade política do tema de anistia. É verdade que só o fez provocada, ou melhor, envenenada pelo jornal da RBS, que explorou de forma reprovável a fragilidade emocional da neta, bem como a sua evidente ignorância em matéria de direito e de política. Mas mostrou-se também ressentida pelo fato de que o pedido formal de reparação tenha partido de alguém que – talvez – ela julgue indigna de fazê-lo, uma senhora que foi a companheira de Brizola, depois de sua viuvez. Como se isso fosse um ultraje à memória de sua avó, a sempre digna Neuza Goulart.
Já se vê que a neta – como diria Brizola – “não tem sequer um gene político do avô”.
Leonel, na idade de Juliana, já era governador do Rio Grande do Sul. A vereadora, com o “talento” que exibe, parece ter chegado ao Everest de uma brevíssima carreira.

Neta de Leonel Brizola é contra anistia de seu avô

NETA DE BRIZOLA NÃO ENTENDEU LHUFAS
DIÁRIO GAUCHE, 14.10.08
Advogada é contra a anistia de seu avô

Leonel Brizola foi um eterno cético com relação à herança de talento, genético ou adquirido. Citava sempre o exemplo de Getúlio Vargas, que para ele nunca tivera um descendente à altura do seu talento político e grandeza como estadista.
Pois, o mesmo se pode dizer do próprio ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro: igualmente não teve descendentes da qualidade de seu descortino político-administrativo.
Haja vista a sua neta, Juliana Brizola, recém eleita vereadora de Porto Alegre, pela legenda do PDT. Hoje, a jovem balzaquiana de 33 anos concedeu uma entrevista ao jornal Zero Hora a propósito do reconhecimento oficial de anistia ao seu avô, Leonel Brizola, e mete os pés pelas mãos.
Como bacharel em Direito, a neta deveria saber que a anistia concedido pelo poder público é antes de tudo um ato objetivo de natureza política. Portanto, ninguém pode ficar constrangido – como a neta afirma sentir-se – porque um parente querido seu, e já falecido, foi objeto de reconhecimento civil (restituição moral integral da cidadania) e reparação política por parte do Estado, o mesmo Estado que uma vez o perseguiu, o baniu, o condenou e o imputou do “grave” delito de ter uma opinião diferente dos ditadores de plantão.
A neta embaralhou questões familiares de delicada subjetividade com a pura objetividade política do tema de anistia. É verdade que só o fez provocada, ou melhor, envenenada pelo jornal da RBS, que explorou de forma reprovável a fragilidade emocional da neta, bem como a sua evidente ignorância em matéria de direito e de política. Mas mostrou-se também ressentida pelo fato de que o pedido formal de reparação tenha partido de alguém que – talvez – ela julgue indigna de fazê-lo, uma senhora que foi a companheira de Brizola, depois de sua viuvez. Como se isso fosse um ultraje à memória de sua avó, a sempre digna Neuza Goulart.
Já se vê que a neta – como diria Brizola – “não tem sequer um gene político do avô”.
Leonel, na idade de Juliana, já era governador do Rio Grande do Sul. A vereadora, com o “talento” que exibe, parece ter chegado ao Everest de uma brevíssima carreira.

Neta de Leonel Brizola é contra anistia de seu avô

NETA DE BRIZOLA NÃO ENTENDEU LHUFAS
DIÁRIO GAUCHE, 14.10.08
Advogada é contra a anistia de seu avô

Leonel Brizola foi um eterno cético com relação à herança de talento, genético ou adquirido. Citava sempre o exemplo de Getúlio Vargas, que para ele nunca tivera um descendente à altura do seu talento político e grandeza como estadista.
Pois, o mesmo se pode dizer do próprio ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro: igualmente não teve descendentes da qualidade de seu descortino político-administrativo.
Haja vista a sua neta, Juliana Brizola, recém eleita vereadora de Porto Alegre, pela legenda do PDT. Hoje, a jovem balzaquiana de 33 anos concedeu uma entrevista ao jornal Zero Hora a propósito do reconhecimento oficial de anistia ao seu avô, Leonel Brizola, e mete os pés pelas mãos.
Como bacharel em Direito, a neta deveria saber que a anistia concedido pelo poder público é antes de tudo um ato objetivo de natureza política. Portanto, ninguém pode ficar constrangido – como a neta afirma sentir-se – porque um parente querido seu, e já falecido, foi objeto de reconhecimento civil (restituição moral integral da cidadania) e reparação política por parte do Estado, o mesmo Estado que uma vez o perseguiu, o baniu, o condenou e o imputou do “grave” delito de ter uma opinião diferente dos ditadores de plantão.
A neta embaralhou questões familiares de delicada subjetividade com a pura objetividade política do tema de anistia. É verdade que só o fez provocada, ou melhor, envenenada pelo jornal da RBS, que explorou de forma reprovável a fragilidade emocional da neta, bem como a sua evidente ignorância em matéria de direito e de política. Mas mostrou-se também ressentida pelo fato de que o pedido formal de reparação tenha partido de alguém que – talvez – ela julgue indigna de fazê-lo, uma senhora que foi a companheira de Brizola, depois de sua viuvez. Como se isso fosse um ultraje à memória de sua avó, a sempre digna Neuza Goulart.
Já se vê que a neta – como diria Brizola – “não tem sequer um gene político do avô”.
Leonel, na idade de Juliana, já era governador do Rio Grande do Sul. A vereadora, com o “talento” que exibe, parece ter chegado ao Everest de uma brevíssima carreira.

Neta de Leonel Brizola é contra anistia de seu avô

NETA DE BRIZOLA NÃO ENTENDEU LHUFAS
DIÁRIO GAUCHE, 14.10.08
Advogada é contra a anistia de seu avô

Leonel Brizola foi um eterno cético com relação à herança de talento, genético ou adquirido. Citava sempre o exemplo de Getúlio Vargas, que para ele nunca tivera um descendente à altura do seu talento político e grandeza como estadista.
Pois, o mesmo se pode dizer do próprio ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro: igualmente não teve descendentes da qualidade de seu descortino político-administrativo.
Haja vista a sua neta, Juliana Brizola, recém eleita vereadora de Porto Alegre, pela legenda do PDT. Hoje, a jovem balzaquiana de 33 anos concedeu uma entrevista ao jornal Zero Hora a propósito do reconhecimento oficial de anistia ao seu avô, Leonel Brizola, e mete os pés pelas mãos.
Como bacharel em Direito, a neta deveria saber que a anistia concedido pelo poder público é antes de tudo um ato objetivo de natureza política. Portanto, ninguém pode ficar constrangido – como a neta afirma sentir-se – porque um parente querido seu, e já falecido, foi objeto de reconhecimento civil (restituição moral integral da cidadania) e reparação política por parte do Estado, o mesmo Estado que uma vez o perseguiu, o baniu, o condenou e o imputou do “grave” delito de ter uma opinião diferente dos ditadores de plantão.
A neta embaralhou questões familiares de delicada subjetividade com a pura objetividade política do tema de anistia. É verdade que só o fez provocada, ou melhor, envenenada pelo jornal da RBS, que explorou de forma reprovável a fragilidade emocional da neta, bem como a sua evidente ignorância em matéria de direito e de política. Mas mostrou-se também ressentida pelo fato de que o pedido formal de reparação tenha partido de alguém que – talvez – ela julgue indigna de fazê-lo, uma senhora que foi a companheira de Brizola, depois de sua viuvez. Como se isso fosse um ultraje à memória de sua avó, a sempre digna Neuza Goulart.
Já se vê que a neta – como diria Brizola – “não tem sequer um gene político do avô”.
Leonel, na idade de Juliana, já era governador do Rio Grande do Sul. A vereadora, com o “talento” que exibe, parece ter chegado ao Everest de uma brevíssima carreira.

Neta de Leonel Brizola é contra anistia de seu avô

NETA DE BRIZOLA NÃO ENTENDEU LHUFAS
DIÁRIO GAUCHE, 14.10.08
Advogada é contra a anistia de seu avô

Leonel Brizola foi um eterno cético com relação à herança de talento, genético ou adquirido. Citava sempre o exemplo de Getúlio Vargas, que para ele nunca tivera um descendente à altura do seu talento político e grandeza como estadista.
Pois, o mesmo se pode dizer do próprio ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro: igualmente não teve descendentes da qualidade de seu descortino político-administrativo.
Haja vista a sua neta, Juliana Brizola, recém eleita vereadora de Porto Alegre, pela legenda do PDT. Hoje, a jovem balzaquiana de 33 anos concedeu uma entrevista ao jornal Zero Hora a propósito do reconhecimento oficial de anistia ao seu avô, Leonel Brizola, e mete os pés pelas mãos.
Como bacharel em Direito, a neta deveria saber que a anistia concedido pelo poder público é antes de tudo um ato objetivo de natureza política. Portanto, ninguém pode ficar constrangido – como a neta afirma sentir-se – porque um parente querido seu, e já falecido, foi objeto de reconhecimento civil (restituição moral integral da cidadania) e reparação política por parte do Estado, o mesmo Estado que uma vez o perseguiu, o baniu, o condenou e o imputou do “grave” delito de ter uma opinião diferente dos ditadores de plantão.
A neta embaralhou questões familiares de delicada subjetividade com a pura objetividade política do tema de anistia. É verdade que só o fez provocada, ou melhor, envenenada pelo jornal da RBS, que explorou de forma reprovável a fragilidade emocional da neta, bem como a sua evidente ignorância em matéria de direito e de política. Mas mostrou-se também ressentida pelo fato de que o pedido formal de reparação tenha partido de alguém que – talvez – ela julgue indigna de fazê-lo, uma senhora que foi a companheira de Brizola, depois de sua viuvez. Como se isso fosse um ultraje à memória de sua avó, a sempre digna Neuza Goulart.
Já se vê que a neta – como diria Brizola – “não tem sequer um gene político do avô”.
Leonel, na idade de Juliana, já era governador do Rio Grande do Sul. A vereadora, com o “talento” que exibe, parece ter chegado ao Everest de uma brevíssima carreira.

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