ENCALHE

junho 3, 2009

Levy buscará sócios para retomar circulação da Gazeta Mercantil. E irá à Justiça contra Tanure

Levy buscará sócios para retormar Gazeta Mercantil
Em entrevista ao M&M Online, o empresário disse ainda que vai processar Tanure e suas companhias
MEIO & MENSAGEM
02/06/2009
O empresário Luiz Fernando Levy, que recebeu de volta o título da Gazeta Mercantil nesta segunda-feira, 1º, deu entrevista exclusiva ao M&M Online nesta terça-feira, 2, em que detalha comunicado divulgado na própria segunda-feira. Ele disse que vai retormar o jornal. “Estou tomando todas as providências para que entre 30 e 60 dias a Gazeta esteja funcionando”, afirmou. A nova Gazeta seria feita em parceria com novos sócios e a função de Levy se limitaria à participação no conselho editorial do jornal. “Não quero voltar às atividades operacionais”, afirmou.
Segundo Levy, a nova empresa não terá relação nenhuma com a Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), do empresário Nelson Tanure, que rompeu contrato de licenciamento de 60 anos. “Quero distância desses caras. A decisão do rompimento foi tomada unilateralmente, foi agressiva. Inclusive, vou processar o Tanure e suas empresas por perdas e danos.” De acordo com o empresário, o novo jornal até poderá contar com funcionários que trabalharam para a CBM, mas será uma nova empresa. “Já foi determinado que a sucessão é integral, o passivo da Gazeta é todo dele (de Tanure). Ele já está pagando por isso e vai continuar pagando.”
Abaixo, leia a íntegra do comunicado divulgado por Levy:
“A Gazeta Mercantil S/A e a Gazeta Participações S/A, proprietárias da marca Gazeta Mercantil dada em usufruto e licenciada à CBM, lamentam o brusco encerramento das negociações entabuladas com esta, as quais objetivavam a continuidade da publicação do Jornal Gazeta Mercantil, sem a interrupção decidida unilateralmente pela usufrutuária e licenciada.
Entretanto, queremos esclarecer que a mencionada interrupção é momentânea e, no menor tempo possível, a Gazeta Mercantil voltará a circular com os padrões de credibilidade, que constituíram seu paradigma de excelência, até o alijamento de Luiz Fernando Ferreira Levy da direção editorial, em virtude do qual este ficou impedido de exercer as funções e encargos de ‘guardião da marca’, que os contratos com a CBM lhe atribuem.
Esses fatos, contudo, serão discutidos em foro próprio e não se constituem na razão deste comunicado, cuja finalidade é tranqüilizar anunciantes, assinantes, leitores e o público em geral, dando-lhes a certeza de que logo o Jornal voltará a circular com a qualidade que sempre o pautou, quando de nossa gestão, durante quase 90 anos. Assim, sentimo-nos obrigados a informar que a CBM, ao tomar a drástica decisão de denunciar de modo unilateral o contrato, arcará com todos os encargos decorrentes deste ato, que nós repudiamos e enfrentaremos com decisão.
Gazeta Mercantil S/A Gazeta Mercantil Participações S/A”

"O Triste Fim da Gazeta Mercantil", por Jasson de Oliveira Andrade

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O Triste Fim da Gazeta Mercantil
Jasson de Oliveira Andrade
 Antes de entrar no assunto deste artigo, recordo o meu início político na década de 50. No livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, à página 15, relembro: “Meu pai, como acontecia com a maior parte dos fazendeiros sanjoanenses, era político e da UDN (União Democrática Nacional). Meninote, ajudava na campanha eleitoral desse partido. Ficava até tarde da noite na casa de meu tio-avô, Luiz Banho de Andrade, dobrando cédulas (como era a eleição daquela época) com o nome de candidatos udenistas, principalmente de Herbert Levy, político que recebia boa votação em São João da Boa Vista”. Foi assim que tomei conhecimento desse político. Depois houve rompimento com os udenistas, o que causou a perseguição depois do Golpe de 64, com a prisão de muita gente naquela cidade, incluindo o autor deste texto. Mas essa é outra história que pode ser lida no referido livro. Por que cito essa passagem política? É que o então deputado Herbert Levy foi o fundador da Gazeta Mercantil, em 1920, que teve uma enorme influência junto aos empresários. Agora, em 2009, melancolicamente, o jornal chegou a seu fim. É essa situação que veremos a seguir.
O jornalista Thales Guaracy, que trabalhou na Gazeta Mercantil, iniciando lá em 1986, escreveu um artigo, sob o título “O fim de um jornal melhor que os seus donos”, no qual, como diz Luiz Antonio Magalhães, faz “um interessante balanço sobre a Gazeta Mercantil”. É desse balanço que vamos transcrever trechos para conhecimento de nossos possíveis leitores.
Relata Thales Guaracy: “A imprensa anda de luto pela Gazeta Mercantil, o jornal que vem estertorando nas mãos da CBM, Companhia Brasileira de Multimídia, de Nelson Tanure. Seu fim não se dá pela crise da imprensa, que vai abalando grandes jornais do mundo, a começar pelo New York Times, nos Estados Unidos, com a prevalência crescente da internet sobre a mídia impressa. É apenas um caso de má administração e incompreensão da natureza de um negócio”. Adiante o jornalista revela o verdadeiro motivo do fim da Gazeta Mercantil, jornal econômico que tinha tudo para dar certo: “Parecia um negócio inexpugnável, e teria sido, não fossem os seus proprietários: a família Levy, cujo patrono, o deputado federal Herbert Levy, deixara a administração do jornal ao filho Luiz Fernando para cuidar de suas atividades políticas. A gestão fez da Gazeta Mercantil o único órgão de imprensa em que trabalhei a atrasar salário. Porto seguro para a publicidade de bancos e outras empresas que tinham no jornal um veículo perfeito, o mal uso dos recursos fazia com que volta e meia a empresa entrasse em dificuldades. (…) Por sorte, naquela época, havia um grupo de empresários que, nos momentos difíceis, socorriam o jornal. Sabiam que ele era melhor que os seus donos. (…) Assim, o jornal prosseguiu não por causa de seus criadores, mas apesar deles: pertencia não a uma família, mas à sociedade. Sempre foi muito respeitado graças ao espírito de corpo dos jornalistas que nele trabalhavam, enquanto seus proprietários eram tratados com reserva. (…) A empresa mergulhou em dívidas e mesmo os seus mais antigos defensores desistiram de salvá-la. Acossado pelos credores, Levy entregou o título a Nelson Tanure, empresário do ramo de transportes, que resolveu investir em comunicação e cobriu-lhe dívidas”. Em vista às dívidas, Tanure resolveu devolver a Gazeta Mercantil a Luiz Fernando Levy, que não a quer de volta. O jornalista diz então: “A Gazeta virará agora uma embrulhada jurídica para que se saiba quem pagará as contas, se Levy ou se Tanure – um tipo de disputa à qual ambos, por sinal, estão habituados”.
Lamentável essa situação: é o triste fim da Gazeta Mercantil, da família Levy. Apesar da divergência que tivemos no passado com o então deputado federal Herbert Levy, não desejava a extinção do jornal, principalmente pelos jornalistas e funcionários. Foi, como disse Thales Guaracy, o fim de um jornal melhor que os seus donos!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
 Junho de 2009

 

LEITURA COMPLMENTAR:
 CBM desiste e Gazeta Mercantil deixa de circular
Jornal teve circulação interrompida; profissionais entraram em férias e podem ser realocados em outras empresas da CBM
MEIO & MENSAGEM
01/06/2009
Como os acontecimentos da semana passada já indicavam, o jornal Gazeta Mercantil deixou de circular a partir desta segunda-feira, 1º de junho. Além da edição impressa, a versão online do informativo de economia também está fora do ar. No lugar do antigo site, aparece apenas um comunicado da Companhia Brasileira de Mídia (CBM), afirmando que a empresa não é mais responsável pela representação das marcas Gazeta Mercantil e InvestNews. A confirmação veio depois de uma semana angustiante. Na quinta-feira, 28, o CEO da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), Eduardo Jácome, informou à equipe de funcionários do jornal que a Gazeta Mercantil – às vésperas de completar 90 anos e outrora o mais importante periódico econômico do Brasil – deixaria de ser publicada pelo grupo na sexta-feira, 29, e voltaria a ser de responsabilidade de Luiz Fernando Levy, seu antigo dono. Os funcionários entrariam em férias remuneradas de 30 dias. Depois desse prazo, eles devem retornar à empresa para que seja definida a realocação em outros projetos da CBM. Quem não for remanejado terá mais 30 dias de aviso prévio. As operações online com o nome da Gazeta e da Investnews também foram suspensas, mas a CBM manteve quatro pessoas para prestar o que definiu como um serviço paralelo na área. O que vai acontecer com a marca Gazeta ainda é uma incógnita. De acordo com informações extraoficiais, Levy teria pedido a Nelson Tanure, o proprietário da CBM, 90 dias para tomar uma decisão, mas a proposta foi negada. Durante as reuniões na sede do jornal, em São Paulo, chegou a ser aventada a hipótese de os próprios funcionários passarem a deter o direito de uso da marca; porém, a ideia também não seguiu adiante. Caso Levy não reative o periódico ou entre em acordo com Tanure, nem os funcionários levantem essa bandeira, há ainda a possibilidade de que a marca vá a leilão – o que já aconteceu no passado, em outros grupos de mídia, com seus títulos, como a revista Manchete, da Bloch.
Os últimos capítulos da história da Gazeta sob o comando da CBM começaram a ser escritos na segunda, 25, quando Tanure informou em um primeiro comunicado que estava devolvendo o título a Levy e, assim, rompendo o contrato de licenciamento de 60 anos para o uso da marca. O principal motivo seria o custo com o passivo da Gazeta. Inicialmente, pensou-se que o problema era basicamente as ações trabalhistas. Mas, segundo fontes ouvidas por Meio & Mensagem, na reunião Jácome citou também a cobrança de R$ 32 milhões em impostos relativos ao período anterior ao contrato com a empresa de Tanure. Conforme matéria da própria Gazeta, desde 2003 os recursos adiantados pela CBM para o jornal chegam perto de R$ 100 milhões.
Sem ilusão
Apesar de Tanure ter afirmado que estava disposto a contribuir com Levy para que o jornal não fosse descontinuado, o primeiro contato deste último com os funcionários não foi nada animador. “Não se iludam, acabou”, afirmou ao telefone aberto no viva-voz para que todos pudessem ouvir, ainda na segunda, 25. No dia seguinte, porém, Levy mostrou-se mais contido ao enviar um comunicado interno à equipe.Lançada em 1920, a Gazeta Mercantil foi por décadas a principal referência do jornalismo econômico do País. A sua circulação paga chegou a ser superior a 120 mil exemplares, e a equipe de jornalistas recebia alguns dos melhores salários do mercado. A qualidade de apuração, a profundidade na abordagem dos temas e os desenhos em bico-de-pena tornaram-se algumas das marcas do jornal. Na virada para os anos 2000, a má gestão da empresa começou a emperrar, e os salários, a atrasar. Também entrou em cena um concorrente na área em que até então a Gazeta reinava absoluta: o Valor Econômico. Em 2001, a crise tornou-se aguda com a greve dos funcionários do jornal, que exigiam o pagamento dos salários. Dois anos depois, em dezembro de 2003, Tanure fechou o acordo de licenciamento com Levy. O rompimento do contrato ocorre logo após a alta temporada de publicação de balanços financeiros, uma das principais fontes de receita da Gazeta e segmento em que o jornal é vice-líder de mercado (o Valor lidera o ranking). Mas o pagamento das agências à Gazeta já eram todos feitos em juízo para garantir o cumprimento de dívidas. A Justiça também penhorou ações da Intelig, controlada por Tanure, para garantir o pagamento de dívidas trabalhistas da Gazeta.
O empresário está em negociações para vender a operadora à TIM. Procurados pelo M&M, a diretoria da CBM e Levy não se pronunciaram. A Gazeta deixou de ser filiada ao Instituto Verificador de Circulação em setembro. Na ocasião, a sua circulação média por semana era de 70 mil exemplares.

maio 26, 2009

A salvação da Gazeta Mercantil. Infalível!

A Gazeta Mercantil vai mal das pernas: o tal do Tanure não quer mais o “elefante branco” [ para maiores detalhes, leia: "O melancólico fim de um jornal", no ENTRELINHAS ].
Eu aqui em meu canto, humildemente, acho que possuo a fórmula ideal para, pelo menos, fazer entrar um troco no caixa do jornal. Um BOM troco, diga-se.
Todos já estão sabendo que o governo Serra, além de fechar com a Abril para a distribuição de assinaturas da “Nova Escola” aos professores, também irá distribuir jornais e revistas nas escolas. Vejam ( refrescando a sua memória ):
Secretaria de SP distribuirá jornais nas escolas
Data: 17/05/2009
FOLHA DE S. PAULO – SP
Editoria: COTIDIANO
Educação [ sic ]A Secretaria Estadual da Educação de São Paulo fechou acordo para distribuir exemplares dos jornais Folha de S.Paulo e “O Estado de S. Paulo” a todas as 5.449 escolas da rede.
Também serão fornecidas edições das revistas “Época”, “Veja” e “IstoÉ”.
As publicações ficarão em salas de leitura das escolas, que contam também com livros, vídeos, DVDs e CDs.
Os exemplares começam a ser distribuídos amanhã. O acordo foi feito por meio da Fundação para o Desenvolvimento da Educação ( órgão responsável por viabilizar a execução dos projetos definidos pela pasta ).
[ Encalhe, 19.05.09: JOSÉ SERRA JORNALEIRO: GOVERNO DISTRIBUIRÁ JORNAIS E REVISTAS DO PIG NAS ESCOLAS, SEM RESISTÊNCIAS! QUANDO ESSA TORTURA IRÁ ACABAR? ]
Pois bem, aí está: basta o Serra incluir na “cesta-básica do PIG para as escolas” a gloriosa Gazeta Mercantil. Não poderá negar sob nenhum motivo, já que nós não conhecemos os critérios adotados pelo governo para selecionar quais as publicações fariam parte da “cesta”. A Carta Capital, p.ex., ficou de fora. O Valor Economico e o Diário de São Paulo também. Será que não daria para acrescentar a GM e, assim, salvar centenas de empregos?

fevereiro 24, 2007

Seca-pimenteira

Filed under: cratera, Gazeta Mercantil, IstoÉ Dinheiro, Metrô, Sika — Humberto @ 1:51 pm

Essa aqui faz um bocado de tempo que eu separei para escrever, e acabei esquecendo, mas agora vai.

Metrô já leva 3 milhões de pessoas por dia
Gazeta Mercantil, 08/01/2007
“(…) O melhor meio de transporte de massa do Brasil, o Metrô de São Paulo (OBS: Destaque deles ), seguro, ágil e limpo, para ficar em três qualificações (…)” ;

Publicado poucos dias antes do acidente na Linha 4, causado pelas chuvas.

Lucros no fundo do túnel
IstoÉ Dinheiro, data ignorada mas possivelmente saiu na edição que foi às bancas – pela manhã – no mesmo sábado em que ocorreu – à tarde – o acidente na Linha 4, causado pelas chuvas.

“(…) Imagine um buraco de concreto de 40 metros de profundidade, a poucos metros da Avenida Paulista (…) É nesse poço que a multinacional Sika está ajudando a realizar uma das obras mais importantes para a maior metrópole do País (…) “Já fornecemos 50 mil metros quadrados de impermeabilizante para a obr, de um total que chegará a 230 mil metros quadrados”, diz Daniel Monteiro, gerente-geral da companhia responsável por garantir que os túneis da Linha 4 do Metrô de São Paulo não tenham infiltrações – o que, para um túnel, é imprescindível (…) “;

Quem possuía ações da empresa deve ter vendido logo na segunda-feira, à abertura do pregão. Talvez tenha ocorrido o mesmo com quem detivesse papéis da Companhia do Metrô.

Aliás, lembrei que, no meio dessa montanha de papéis que guardo, tenho alguma coisa falando sobre “As maiores empresas do mercado por segmento de atuação”, ou coisa desse tipo, e que aparece o Metrô como a mais admirada, ou mais rentável, ou mais-mais de acordo com algum critério de competência. Depois eu acho.

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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