A Polícia Federal indiciou o prefeito de Sinop, Nilson Leitão (PSDB), por suposto envolvimento com a máfia dos sanguessugas. Ele teria homologado licitação fraudulenta que beneficiou o grupo de empresas ligadas à Planam, de propriedade de Darci Vedoin e seu filho, Luiz Antônio Trevisan Vedoin.
Os rumores do indiciamento tomaram conta ontem dos bastidores políticos em Sinop e apontam que servidores públicos que participaram da comissão de licitação entre os anos de 2001 e 2004 também foram indiciados.
O indiciamento se deu após suspeita da PF de que a emenda parlamentar de autoria do ex-deputado federal Ricarte de Freitas (PTB) para compra de um ônibus equipado com produtos odontológicos contou também com aval de servidores da comissão de licitação de Sinop para direcionar a licitação e garantir que o grupo ligado à Planam venceria a concorrência de R$ 110 mil.
O prefeito Nilson Leitão foi procurado ontem, mas não foi encontrado para comentar o assunto, assim como o procurador do município, Astor Reinheimmer. Nilson tenta se recuperar do desgaste causado com a prisão decorrente da operação Navalha, que lhe levou temporariamente à carceragem da Polícia Federal. Há suspeita de que o prefeito teria fraudado licitação para construção de rede de esgoto da cidade para beneficiar a empreiteira Gautama.
Além de Leitão, já foram indiciados recentemente os ex-prefeitos Otaviano Pivetta (Lucas do Rio Verde), Wilson Cargnin (Nova Canaã do Norte) e Érico Piana (Primavera do Leste). Eles também homologaram processos licitatórios suspeitos assim como ocorreu em mais de 10 cidades mato-grossenses.O indiciamento não significa que os agentes públicos serão punidos, mas apenas que a Polícia encontrou indícios de irregularidades. Caberá ao Ministério Público oferecer denúncia perante à Justiça para dar prosseguimento ao caso.
Nilson Leitão ressalta ainda que, em depoimento à Justiça, o empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin admitiu que não patrocinou o esquema da máfia dos sanguessugas em vários municípios apesar deles terem comprado ambulâncias do grupo de empresas ligadas à Planam. Incluiu Sinop nesse grupo.
“(…) em agosto de 2006, na oportunidade de seu depoimento, o empresário Luiz Vedoin inocentou a Prefeitura de Sinop afirmando que não houve esquema de pagamento de propinas e nem direcionamento nas licitações para venda de ambulâncias”, diz trecho da nota divulgada pela Prefeitura.
O prefeito pondera ainda que as duas ambulâncias adquiridas do grupo ligado à família Vedoin foram compradas através de convênio celebrado no mandato do ex-prefeito de Sinop, Adenir Alves Barbosa, ainda no ano de 2000. Apenas a licitação foi feita em 2001, já na gestão de Nilson. A PF indiciou o atual prefeito porque o processo licitatório teria sido direcionado.

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