ENCALHE

setembro 5, 2008

A solução é comer grilo, Brasil!!

Filed under: gastronomia, insetos, meio ambiente e ecologia, Pecuária — Humberto @ 1:58 pm
Estava assistindo um programa no Discovery. Quando acabou, o que veio a seguir serviu-me de iluminação. Foi quase uma epifânia .
O cara saía prum lugar completamente árido, sem água e recursos. Chama-se “À prova de tudo”.
E o cara tem que se virar. Ao contrário de nós, civilizados, ele não tem à disposição um McDonalds ou Pão de Açúcar. Resta-lhe a caça, pesca, coleta de frutas e sementes.
Bem, nesse dia, se entendi bem, mostraram um
pout-pourri de suas aventuras, em busca do que comer. Vários cenários: deserto, selvas.
Aliás, foi pior. Nesse dia, mostraram apenas um tipo de alimento: insetos.
Parece que a letra de “Bichos Escrotos” dos Titãs tinha algo de profético (
veja aqui ). O cidadão, abandonado, somente munido de um canivete ou algo similarmente cortante, catava o que vinha pela frente.
Acho que nunca me passou pela cabeça a quantidade existente de criaturas asquerosas e nojentas deste planeta. Bluughh!Pois bem: o camarada catava o bicho, mostrava prá câmera, falava algumas coisas e – ZÁS! – cortava a cabeça, ou as perninhas quando fosse exigido e – NHOCO! – botava na boca. Cru e sem tempero, às vezes com as perninhas do bicho ainda se mexendo. Mastigando e reagindo à iguaria que consumia:
- Mnhog…mmm…tem gosto de gosma e vísceras de insetos asquerosos…mmnhuommn…e gelatina de lôdo…Arghfff.
Só que a informação principal era:
- Blughtgbm…esse bicho é praticamente todo proteína…
OPA!!!!
Então quer dizer que os insetos que infestam este planeta têm outras utilidades, além do mero engulho que nos causam? Aí, a coisa muda de figura. ( A bem da verdade, insetos são consumidos em vários países do mundo. Nós, ocidentais, é que ainda não aderimos. Mas devemos – e urgentemente – considerar a sério a possibilidade de incluí-los em nossa dieta. )
Eu sempre fantasiei que a cura do câncer estaria nas baratas, já que não via a menor utilidade nelas, não via sentido em sua criação, e nem porquê Noé salvou-as do Dilúvio. Ao contrário do escaravelho que, pelo menos, era visto como uma
divindade.
PROTEÍNAS
Num post anterior [
http://ocorreiodaelite.blogspot.com/2008/08/torneira-seca-mas-carne-no-prato.html ] há uma informação aterradora: “São necessários até 30.000L (trinta mil litros) de água para produzir 1kg (um quilo) de carne, mas apenas 150 (cento e cinqüenta) litros de água para 1kg (um quilo) de trigo”. Uma, não, duas: “(…) a produção de um único hambúrguer consome uma quantidade de água suficiente para 17 (dezessete) banhos de chuveiro e a criação desses animais de corte seria responsável por 90% (noventa por cento) do desmatamento das florestas tropicais. É um custo muito alto a ser pago pelo consumo de um alimento que pode ser substituído por outros alimentos (…).”
Pois bem. A carne é uma das nossas maiores ( senão a principal, mas também existem as de origem vegetal ) fontes de proteínas. Como vimos, esta busca pelas proteínas tem vários custos ambientais ( sem contar que muitos ingerem-na
excessivamente e que há controvérsias a respeito da validade do consumo de carne bovina, como fonte quase exclusiva ).
QUANTO DE ÁGUA BEBE UM INSETO?
Por seu tamanho, deve ser pouco. Em compensação, de acordo com o gourmand do Discovery, proporcionalmente, nos oferece tanta ou mais proteína que um boi. Que consome espaço e água de montão. E é um dos principais
emissores de gás metano, o que piora ainda mais sua reputação e, portanto, põe em xeque a viabilidade de prosseguirmos com este tipo de criação. A criação de insetos com finalidade alimentar poderá nos salvar de uma catástrofe hídrica e até evitar guerras e invasões americanas em países que possuam grande suprimento de água potável.
FARAÓS E RELATIVIDADE
Prosseguindo com nosso raciocínio: da forma como foi exposto acima, é forçoso concluir que a praga de gafanhotos no Egito deve ter sido, para muita gente, uma bênção.
NOJO
Se você tivesse que matar um animal – pode ser um boi, por exemplo – com suas próprias mãos, para ter carne no almoço, você o faria? Aquela sangueira, as tripas vazando. Nojento, é óbvio. Nós, humanos domesticados da cidade, comemos carne porque alguém faz o serviço sujo e poupa nossa consciência de carregar os assassinatos praticados. Diante de um bifão grelhado com ervas, esse tipo de pensamento nem dá as caras.

Com os insetos seria igual: é só abrir a embalagem, botar na caçarola, um pouco de sal e pimenta. Sem traumas. Ou algo mais prático, tipo, patê. A reprodução da imagem do inseto usado como ingrediente não precisa aparecer no rótulo ou na tampa. Disso podemos ser poupados.

DINHEIRO, CLARO
Se formos pôr em prática estas reflexões, tem que ser logo, que o tempo urge. Só que, não tardará, da mesma como ocorre com os vegetais, logo “as empresas” ( a vEJA e a eXAME é que gostam disso: “… as empresas exigem um profissional flexibilizado…”, como se tratasse de um organismo vivo ) açambarcarão tudo e, até para comermos barata, venderemos nossa alma. Patentearão o DNA, pesquisarão e criarão insetos transgênicos, exterminarão os insetos orgânicos e venderão criações deles modificados, patenteados e licenceados, apenas para quem puder comprar. É bom os governos ( os que não sejam entreguistas ) se adiantarem, criarem grupos de estudo e trabalho, pensar em maneiras de explorar em benefício do povo estas novas fontes de proteínas e como protegê-las da sanha corporativa, voraz como uma nuvem de gafanhotos. Pois “as empresas”, em busca de lucros de qualidade cada vez maiores, são capazes de pisar em qualquer um, como se fôssemos insetos.

A solução é comer grilo, Brasil!!

Filed under: gastronomia, insetos, meio ambiente e ecologia, Pecuária — Humberto @ 1:58 pm
Estava assistindo um programa no Discovery. Quando acabou, o que veio a seguir serviu-me de iluminação. Foi quase uma epifânia .
O cara saía prum lugar completamente árido, sem água e recursos. Chama-se “À prova de tudo”.
E o cara tem que se virar. Ao contrário de nós, civilizados, ele não tem à disposição um McDonalds ou Pão de Açúcar. Resta-lhe a caça, pesca, coleta de frutas e sementes.
Bem, nesse dia, se entendi bem, mostraram um
pout-pourri de suas aventuras, em busca do que comer. Vários cenários: deserto, selvas.
Aliás, foi pior. Nesse dia, mostraram apenas um tipo de alimento: insetos.
Parece que a letra de “Bichos Escrotos” dos Titãs tinha algo de profético (
veja aqui ). O cidadão, abandonado, somente munido de um canivete ou algo similarmente cortante, catava o que vinha pela frente.
Acho que nunca me passou pela cabeça a quantidade existente de criaturas asquerosas e nojentas deste planeta. Bluughh!Pois bem: o camarada catava o bicho, mostrava prá câmera, falava algumas coisas e – ZÁS! – cortava a cabeça, ou as perninhas quando fosse exigido e – NHOCO! – botava na boca. Cru e sem tempero, às vezes com as perninhas do bicho ainda se mexendo. Mastigando e reagindo à iguaria que consumia:
- Mnhog…mmm…tem gosto de gosma e vísceras de insetos asquerosos…mmnhuommn…e gelatina de lôdo…Arghfff.
Só que a informação principal era:
- Blughtgbm…esse bicho é praticamente todo proteína…
OPA!!!!
Então quer dizer que os insetos que infestam este planeta têm outras utilidades, além do mero engulho que nos causam? Aí, a coisa muda de figura. ( A bem da verdade, insetos são consumidos em vários países do mundo. Nós, ocidentais, é que ainda não aderimos. Mas devemos – e urgentemente – considerar a sério a possibilidade de incluí-los em nossa dieta. )
Eu sempre fantasiei que a cura do câncer estaria nas baratas, já que não via a menor utilidade nelas, não via sentido em sua criação, e nem porquê Noé salvou-as do Dilúvio. Ao contrário do escaravelho que, pelo menos, era visto como uma
divindade.
PROTEÍNAS
Num post anterior [
http://ocorreiodaelite.blogspot.com/2008/08/torneira-seca-mas-carne-no-prato.html ] há uma informação aterradora: “São necessários até 30.000L (trinta mil litros) de água para produzir 1kg (um quilo) de carne, mas apenas 150 (cento e cinqüenta) litros de água para 1kg (um quilo) de trigo”. Uma, não, duas: “(…) a produção de um único hambúrguer consome uma quantidade de água suficiente para 17 (dezessete) banhos de chuveiro e a criação desses animais de corte seria responsável por 90% (noventa por cento) do desmatamento das florestas tropicais. É um custo muito alto a ser pago pelo consumo de um alimento que pode ser substituído por outros alimentos (…).”
Pois bem. A carne é uma das nossas maiores ( senão a principal, mas também existem as de origem vegetal ) fontes de proteínas. Como vimos, esta busca pelas proteínas tem vários custos ambientais ( sem contar que muitos ingerem-na
excessivamente e que há controvérsias a respeito da validade do consumo de carne bovina, como fonte quase exclusiva ).
QUANTO DE ÁGUA BEBE UM INSETO?
Por seu tamanho, deve ser pouco. Em compensação, de acordo com o gourmand do Discovery, proporcionalmente, nos oferece tanta ou mais proteína que um boi. Que consome espaço e água de montão. E é um dos principais
emissores de gás metano, o que piora ainda mais sua reputação e, portanto, põe em xeque a viabilidade de prosseguirmos com este tipo de criação. A criação de insetos com finalidade alimentar poderá nos salvar de uma catástrofe hídrica e até evitar guerras e invasões americanas em países que possuam grande suprimento de água potável.
FARAÓS E RELATIVIDADE
Prosseguindo com nosso raciocínio: da forma como foi exposto acima, é forçoso concluir que a praga de gafanhotos no Egito deve ter sido, para muita gente, uma bênção.
NOJO
Se você tivesse que matar um animal – pode ser um boi, por exemplo – com suas próprias mãos, para ter carne no almoço, você o faria? Aquela sangueira, as tripas vazando. Nojento, é óbvio. Nós, humanos domesticados da cidade, comemos carne porque alguém faz o serviço sujo e poupa nossa consciência de carregar os assassinatos praticados. Diante de um bifão grelhado com ervas, esse tipo de pensamento nem dá as caras.

Com os insetos seria igual: é só abrir a embalagem, botar na caçarola, um pouco de sal e pimenta. Sem traumas. Ou algo mais prático, tipo, patê. A reprodução da imagem do inseto usado como ingrediente não precisa aparecer no rótulo ou na tampa. Disso podemos ser poupados.

DINHEIRO, CLARO
Se formos pôr em prática estas reflexões, tem que ser logo, que o tempo urge. Só que, não tardará, da mesma como ocorre com os vegetais, logo “as empresas” ( a vEJA e a eXAME é que gostam disso: “… as empresas exigem um profissional flexibilizado…”, como se tratasse de um organismo vivo ) açambarcarão tudo e, até para comermos barata, venderemos nossa alma. Patentearão o DNA, pesquisarão e criarão insetos transgênicos, exterminarão os insetos orgânicos e venderão criações deles modificados, patenteados e licenceados, apenas para quem puder comprar. É bom os governos ( os que não sejam entreguistas ) se adiantarem, criarem grupos de estudo e trabalho, pensar em maneiras de explorar em benefício do povo estas novas fontes de proteínas e como protegê-las da sanha corporativa, voraz como uma nuvem de gafanhotos. Pois “as empresas”, em busca de lucros de qualidade cada vez maiores, são capazes de pisar em qualquer um, como se fôssemos insetos.

A solução é comer grilo, Brasil!!

Filed under: gastronomia, insetos, meio ambiente e ecologia, Pecuária — Humberto @ 1:58 pm
Estava assistindo um programa no Discovery. Quando acabou, o que veio a seguir serviu-me de iluminação. Foi quase uma epifânia .
O cara saía prum lugar completamente árido, sem água e recursos. Chama-se “À prova de tudo”.
E o cara tem que se virar. Ao contrário de nós, civilizados, ele não tem à disposição um McDonalds ou Pão de Açúcar. Resta-lhe a caça, pesca, coleta de frutas e sementes.
Bem, nesse dia, se entendi bem, mostraram um
pout-pourri de suas aventuras, em busca do que comer. Vários cenários: deserto, selvas.
Aliás, foi pior. Nesse dia, mostraram apenas um tipo de alimento: insetos.
Parece que a letra de “Bichos Escrotos” dos Titãs tinha algo de profético (
veja aqui ). O cidadão, abandonado, somente munido de um canivete ou algo similarmente cortante, catava o que vinha pela frente.
Acho que nunca me passou pela cabeça a quantidade existente de criaturas asquerosas e nojentas deste planeta. Bluughh!Pois bem: o camarada catava o bicho, mostrava prá câmera, falava algumas coisas e – ZÁS! – cortava a cabeça, ou as perninhas quando fosse exigido e – NHOCO! – botava na boca. Cru e sem tempero, às vezes com as perninhas do bicho ainda se mexendo. Mastigando e reagindo à iguaria que consumia:
- Mnhog…mmm…tem gosto de gosma e vísceras de insetos asquerosos…mmnhuommn…e gelatina de lôdo…Arghfff.
Só que a informação principal era:
- Blughtgbm…esse bicho é praticamente todo proteína…
OPA!!!!
Então quer dizer que os insetos que infestam este planeta têm outras utilidades, além do mero engulho que nos causam? Aí, a coisa muda de figura. ( A bem da verdade, insetos são consumidos em vários países do mundo. Nós, ocidentais, é que ainda não aderimos. Mas devemos – e urgentemente – considerar a sério a possibilidade de incluí-los em nossa dieta. )
Eu sempre fantasiei que a cura do câncer estaria nas baratas, já que não via a menor utilidade nelas, não via sentido em sua criação, e nem porquê Noé salvou-as do Dilúvio. Ao contrário do escaravelho que, pelo menos, era visto como uma
divindade.
PROTEÍNAS
Num post anterior [
http://ocorreiodaelite.blogspot.com/2008/08/torneira-seca-mas-carne-no-prato.html ] há uma informação aterradora: “São necessários até 30.000L (trinta mil litros) de água para produzir 1kg (um quilo) de carne, mas apenas 150 (cento e cinqüenta) litros de água para 1kg (um quilo) de trigo”. Uma, não, duas: “(…) a produção de um único hambúrguer consome uma quantidade de água suficiente para 17 (dezessete) banhos de chuveiro e a criação desses animais de corte seria responsável por 90% (noventa por cento) do desmatamento das florestas tropicais. É um custo muito alto a ser pago pelo consumo de um alimento que pode ser substituído por outros alimentos (…).”
Pois bem. A carne é uma das nossas maiores ( senão a principal, mas também existem as de origem vegetal ) fontes de proteínas. Como vimos, esta busca pelas proteínas tem vários custos ambientais ( sem contar que muitos ingerem-na
excessivamente e que há controvérsias a respeito da validade do consumo de carne bovina, como fonte quase exclusiva ).
QUANTO DE ÁGUA BEBE UM INSETO?
Por seu tamanho, deve ser pouco. Em compensação, de acordo com o gourmand do Discovery, proporcionalmente, nos oferece tanta ou mais proteína que um boi. Que consome espaço e água de montão. E é um dos principais
emissores de gás metano, o que piora ainda mais sua reputação e, portanto, põe em xeque a viabilidade de prosseguirmos com este tipo de criação. A criação de insetos com finalidade alimentar poderá nos salvar de uma catástrofe hídrica e até evitar guerras e invasões americanas em países que possuam grande suprimento de água potável.
FARAÓS E RELATIVIDADE
Prosseguindo com nosso raciocínio: da forma como foi exposto acima, é forçoso concluir que a praga de gafanhotos no Egito deve ter sido, para muita gente, uma bênção.
NOJO
Se você tivesse que matar um animal – pode ser um boi, por exemplo – com suas próprias mãos, para ter carne no almoço, você o faria? Aquela sangueira, as tripas vazando. Nojento, é óbvio. Nós, humanos domesticados da cidade, comemos carne porque alguém faz o serviço sujo e poupa nossa consciência de carregar os assassinatos praticados. Diante de um bifão grelhado com ervas, esse tipo de pensamento nem dá as caras.

Com os insetos seria igual: é só abrir a embalagem, botar na caçarola, um pouco de sal e pimenta. Sem traumas. Ou algo mais prático, tipo, patê. A reprodução da imagem do inseto usado como ingrediente não precisa aparecer no rótulo ou na tampa. Disso podemos ser poupados.

DINHEIRO, CLARO
Se formos pôr em prática estas reflexões, tem que ser logo, que o tempo urge. Só que, não tardará, da mesma como ocorre com os vegetais, logo “as empresas” ( a vEJA e a eXAME é que gostam disso: “… as empresas exigem um profissional flexibilizado…”, como se tratasse de um organismo vivo ) açambarcarão tudo e, até para comermos barata, venderemos nossa alma. Patentearão o DNA, pesquisarão e criarão insetos transgênicos, exterminarão os insetos orgânicos e venderão criações deles modificados, patenteados e licenceados, apenas para quem puder comprar. É bom os governos ( os que não sejam entreguistas ) se adiantarem, criarem grupos de estudo e trabalho, pensar em maneiras de explorar em benefício do povo estas novas fontes de proteínas e como protegê-las da sanha corporativa, voraz como uma nuvem de gafanhotos. Pois “as empresas”, em busca de lucros de qualidade cada vez maiores, são capazes de pisar em qualquer um, como se fôssemos insetos.

A solução é comer grilo, Brasil!!

Filed under: gastronomia, insetos, meio ambiente e ecologia, Pecuária — Servílio Gentil Lavapés @ 1:58 pm
Estava assistindo um programa no Discovery. Quando acabou, o que veio a seguir serviu-me de iluminação. Foi quase uma epifânia .
O cara saía prum lugar completamente árido, sem água e recursos. Chama-se “À prova de tudo”.
E o cara tem que se virar. Ao contrário de nós, civilizados, ele não tem à disposição um McDonalds ou Pão de Açúcar. Resta-lhe a caça, pesca, coleta de frutas e sementes.
Bem, nesse dia, se entendi bem, mostraram um
pout-pourri de suas aventuras, em busca do que comer. Vários cenários: deserto, selvas.
Aliás, foi pior. Nesse dia, mostraram apenas um tipo de alimento: insetos.
Parece que a letra de “Bichos Escrotos” dos Titãs tinha algo de profético (
veja aqui ). O cidadão, abandonado, somente munido de um canivete ou algo similarmente cortante, catava o que vinha pela frente.
Acho que nunca me passou pela cabeça a quantidade existente de criaturas asquerosas e nojentas deste planeta. Bluughh!Pois bem: o camarada catava o bicho, mostrava prá câmera, falava algumas coisas e – ZÁS! – cortava a cabeça, ou as perninhas quando fosse exigido e – NHOCO! – botava na boca. Cru e sem tempero, às vezes com as perninhas do bicho ainda se mexendo. Mastigando e reagindo à iguaria que consumia:
- Mnhog…mmm…tem gosto de gosma e vísceras de insetos asquerosos…mmnhuommn…e gelatina de lôdo…Arghfff.
Só que a informação principal era:
- Blughtgbm…esse bicho é praticamente todo proteína…
OPA!!!!
Então quer dizer que os insetos que infestam este planeta têm outras utilidades, além do mero engulho que nos causam? Aí, a coisa muda de figura. ( A bem da verdade, insetos são consumidos em vários países do mundo. Nós, ocidentais, é que ainda não aderimos. Mas devemos – e urgentemente – considerar a sério a possibilidade de incluí-los em nossa dieta. )
Eu sempre fantasiei que a cura do câncer estaria nas baratas, já que não via a menor utilidade nelas, não via sentido em sua criação, e nem porquê Noé salvou-as do Dilúvio. Ao contrário do escaravelho que, pelo menos, era visto como uma
divindade.
PROTEÍNAS
Num post anterior [
http://ocorreiodaelite.blogspot.com/2008/08/torneira-seca-mas-carne-no-prato.html ] há uma informação aterradora: “São necessários até 30.000L (trinta mil litros) de água para produzir 1kg (um quilo) de carne, mas apenas 150 (cento e cinqüenta) litros de água para 1kg (um quilo) de trigo”. Uma, não, duas: “(…) a produção de um único hambúrguer consome uma quantidade de água suficiente para 17 (dezessete) banhos de chuveiro e a criação desses animais de corte seria responsável por 90% (noventa por cento) do desmatamento das florestas tropicais. É um custo muito alto a ser pago pelo consumo de um alimento que pode ser substituído por outros alimentos (…).”
Pois bem. A carne é uma das nossas maiores ( senão a principal, mas também existem as de origem vegetal ) fontes de proteínas. Como vimos, esta busca pelas proteínas tem vários custos ambientais ( sem contar que muitos ingerem-na
excessivamente e que há controvérsias a respeito da validade do consumo de carne bovina, como fonte quase exclusiva ).
QUANTO DE ÁGUA BEBE UM INSETO?
Por seu tamanho, deve ser pouco. Em compensação, de acordo com o gourmand do Discovery, proporcionalmente, nos oferece tanta ou mais proteína que um boi. Que consome espaço e água de montão. E é um dos principais
emissores de gás metano, o que piora ainda mais sua reputação e, portanto, põe em xeque a viabilidade de prosseguirmos com este tipo de criação. A criação de insetos com finalidade alimentar poderá nos salvar de uma catástrofe hídrica e até evitar guerras e invasões americanas em países que possuam grande suprimento de água potável.
FARAÓS E RELATIVIDADE
Prosseguindo com nosso raciocínio: da forma como foi exposto acima, é forçoso concluir que a praga de gafanhotos no Egito deve ter sido, para muita gente, uma bênção.
NOJO
Se você tivesse que matar um animal – pode ser um boi, por exemplo – com suas próprias mãos, para ter carne no almoço, você o faria? Aquela sangueira, as tripas vazando. Nojento, é óbvio. Nós, humanos domesticados da cidade, comemos carne porque alguém faz o serviço sujo e poupa nossa consciência de carregar os assassinatos praticados. Diante de um bifão grelhado com ervas, esse tipo de pensamento nem dá as caras.

Com os insetos seria igual: é só abrir a embalagem, botar na caçarola, um pouco de sal e pimenta. Sem traumas. Ou algo mais prático, tipo, patê. A reprodução da imagem do inseto usado como ingrediente não precisa aparecer no rótulo ou na tampa. Disso podemos ser poupados.

DINHEIRO, CLARO
Se formos pôr em prática estas reflexões, tem que ser logo, que o tempo urge. Só que, não tardará, da mesma como ocorre com os vegetais, logo “as empresas” ( a vEJA e a eXAME é que gostam disso: “… as empresas exigem um profissional flexibilizado…”, como se tratasse de um organismo vivo ) açambarcarão tudo e, até para comermos barata, venderemos nossa alma. Patentearão o DNA, pesquisarão e criarão insetos transgênicos, exterminarão os insetos orgânicos e venderão criações deles modificados, patenteados e licenceados, apenas para quem puder comprar. É bom os governos ( os que não sejam entreguistas ) se adiantarem, criarem grupos de estudo e trabalho, pensar em maneiras de explorar em benefício do povo estas novas fontes de proteínas e como protegê-las da sanha corporativa, voraz como uma nuvem de gafanhotos. Pois “as empresas”, em busca de lucros de qualidade cada vez maiores, são capazes de pisar em qualquer um, como se fôssemos insetos.

A solução é comer grilo, Brasil!!

Filed under: gastronomia, insetos, meio ambiente e ecologia, Pecuária — Humberto @ 1:58 pm
Estava assistindo um programa no Discovery. Quando acabou, o que veio a seguir serviu-me de iluminação. Foi quase uma epifânia .
O cara saía prum lugar completamente árido, sem água e recursos. Chama-se “À prova de tudo”.
E o cara tem que se virar. Ao contrário de nós, civilizados, ele não tem à disposição um McDonalds ou Pão de Açúcar. Resta-lhe a caça, pesca, coleta de frutas e sementes.
Bem, nesse dia, se entendi bem, mostraram um
pout-pourri de suas aventuras, em busca do que comer. Vários cenários: deserto, selvas.
Aliás, foi pior. Nesse dia, mostraram apenas um tipo de alimento: insetos.
Parece que a letra de “Bichos Escrotos” dos Titãs tinha algo de profético (
veja aqui ). O cidadão, abandonado, somente munido de um canivete ou algo similarmente cortante, catava o que vinha pela frente.
Acho que nunca me passou pela cabeça a quantidade existente de criaturas asquerosas e nojentas deste planeta. Bluughh!Pois bem: o camarada catava o bicho, mostrava prá câmera, falava algumas coisas e – ZÁS! – cortava a cabeça, ou as perninhas quando fosse exigido e – NHOCO! – botava na boca. Cru e sem tempero, às vezes com as perninhas do bicho ainda se mexendo. Mastigando e reagindo à iguaria que consumia:
- Mnhog…mmm…tem gosto de gosma e vísceras de insetos asquerosos…mmnhuommn…e gelatina de lôdo…Arghfff.
Só que a informação principal era:
- Blughtgbm…esse bicho é praticamente todo proteína…
OPA!!!!
Então quer dizer que os insetos que infestam este planeta têm outras utilidades, além do mero engulho que nos causam? Aí, a coisa muda de figura. ( A bem da verdade, insetos são consumidos em vários países do mundo. Nós, ocidentais, é que ainda não aderimos. Mas devemos – e urgentemente – considerar a sério a possibilidade de incluí-los em nossa dieta. )
Eu sempre fantasiei que a cura do câncer estaria nas baratas, já que não via a menor utilidade nelas, não via sentido em sua criação, e nem porquê Noé salvou-as do Dilúvio. Ao contrário do escaravelho que, pelo menos, era visto como uma
divindade.
PROTEÍNAS
Num post anterior [
http://ocorreiodaelite.blogspot.com/2008/08/torneira-seca-mas-carne-no-prato.html ] há uma informação aterradora: “São necessários até 30.000L (trinta mil litros) de água para produzir 1kg (um quilo) de carne, mas apenas 150 (cento e cinqüenta) litros de água para 1kg (um quilo) de trigo”. Uma, não, duas: “(…) a produção de um único hambúrguer consome uma quantidade de água suficiente para 17 (dezessete) banhos de chuveiro e a criação desses animais de corte seria responsável por 90% (noventa por cento) do desmatamento das florestas tropicais. É um custo muito alto a ser pago pelo consumo de um alimento que pode ser substituído por outros alimentos (…).”
Pois bem. A carne é uma das nossas maiores ( senão a principal, mas também existem as de origem vegetal ) fontes de proteínas. Como vimos, esta busca pelas proteínas tem vários custos ambientais ( sem contar que muitos ingerem-na
excessivamente e que há controvérsias a respeito da validade do consumo de carne bovina, como fonte quase exclusiva ).
QUANTO DE ÁGUA BEBE UM INSETO?
Por seu tamanho, deve ser pouco. Em compensação, de acordo com o gourmand do Discovery, proporcionalmente, nos oferece tanta ou mais proteína que um boi. Que consome espaço e água de montão. E é um dos principais
emissores de gás metano, o que piora ainda mais sua reputação e, portanto, põe em xeque a viabilidade de prosseguirmos com este tipo de criação. A criação de insetos com finalidade alimentar poderá nos salvar de uma catástrofe hídrica e até evitar guerras e invasões americanas em países que possuam grande suprimento de água potável.
FARAÓS E RELATIVIDADE
Prosseguindo com nosso raciocínio: da forma como foi exposto acima, é forçoso concluir que a praga de gafanhotos no Egito deve ter sido, para muita gente, uma bênção.
NOJO
Se você tivesse que matar um animal – pode ser um boi, por exemplo – com suas próprias mãos, para ter carne no almoço, você o faria? Aquela sangueira, as tripas vazando. Nojento, é óbvio. Nós, humanos domesticados da cidade, comemos carne porque alguém faz o serviço sujo e poupa nossa consciência de carregar os assassinatos praticados. Diante de um bifão grelhado com ervas, esse tipo de pensamento nem dá as caras.

Com os insetos seria igual: é só abrir a embalagem, botar na caçarola, um pouco de sal e pimenta. Sem traumas. Ou algo mais prático, tipo, patê. A reprodução da imagem do inseto usado como ingrediente não precisa aparecer no rótulo ou na tampa. Disso podemos ser poupados.

DINHEIRO, CLARO
Se formos pôr em prática estas reflexões, tem que ser logo, que o tempo urge. Só que, não tardará, da mesma como ocorre com os vegetais, logo “as empresas” ( a vEJA e a eXAME é que gostam disso: “… as empresas exigem um profissional flexibilizado…”, como se tratasse de um organismo vivo ) açambarcarão tudo e, até para comermos barata, venderemos nossa alma. Patentearão o DNA, pesquisarão e criarão insetos transgênicos, exterminarão os insetos orgânicos e venderão criações deles modificados, patenteados e licenceados, apenas para quem puder comprar. É bom os governos ( os que não sejam entreguistas ) se adiantarem, criarem grupos de estudo e trabalho, pensar em maneiras de explorar em benefício do povo estas novas fontes de proteínas e como protegê-las da sanha corporativa, voraz como uma nuvem de gafanhotos. Pois “as empresas”, em busca de lucros de qualidade cada vez maiores, são capazes de pisar em qualquer um, como se fôssemos insetos.

A solução é comer grilo, Brasil!!

Filed under: gastronomia, insetos, meio ambiente e ecologia, Pecuária — Humberto @ 1:58 pm
Estava assistindo um programa no Discovery. Quando acabou, o que veio a seguir serviu-me de iluminação. Foi quase uma epifânia .
O cara saía prum lugar completamente árido, sem água e recursos. Chama-se “À prova de tudo”.
E o cara tem que se virar. Ao contrário de nós, civilizados, ele não tem à disposição um McDonalds ou Pão de Açúcar. Resta-lhe a caça, pesca, coleta de frutas e sementes.
Bem, nesse dia, se entendi bem, mostraram um
pout-pourri de suas aventuras, em busca do que comer. Vários cenários: deserto, selvas.
Aliás, foi pior. Nesse dia, mostraram apenas um tipo de alimento: insetos.
Parece que a letra de “Bichos Escrotos” dos Titãs tinha algo de profético (
veja aqui ). O cidadão, abandonado, somente munido de um canivete ou algo similarmente cortante, catava o que vinha pela frente.
Acho que nunca me passou pela cabeça a quantidade existente de criaturas asquerosas e nojentas deste planeta. Bluughh!Pois bem: o camarada catava o bicho, mostrava prá câmera, falava algumas coisas e – ZÁS! – cortava a cabeça, ou as perninhas quando fosse exigido e – NHOCO! – botava na boca. Cru e sem tempero, às vezes com as perninhas do bicho ainda se mexendo. Mastigando e reagindo à iguaria que consumia:
- Mnhog…mmm…tem gosto de gosma e vísceras de insetos asquerosos…mmnhuommn…e gelatina de lôdo…Arghfff.
Só que a informação principal era:
- Blughtgbm…esse bicho é praticamente todo proteína…
OPA!!!!
Então quer dizer que os insetos que infestam este planeta têm outras utilidades, além do mero engulho que nos causam? Aí, a coisa muda de figura. ( A bem da verdade, insetos são consumidos em vários países do mundo. Nós, ocidentais, é que ainda não aderimos. Mas devemos – e urgentemente – considerar a sério a possibilidade de incluí-los em nossa dieta. )
Eu sempre fantasiei que a cura do câncer estaria nas baratas, já que não via a menor utilidade nelas, não via sentido em sua criação, e nem porquê Noé salvou-as do Dilúvio. Ao contrário do escaravelho que, pelo menos, era visto como uma
divindade.
PROTEÍNAS
Num post anterior [
http://ocorreiodaelite.blogspot.com/2008/08/torneira-seca-mas-carne-no-prato.html ] há uma informação aterradora: “São necessários até 30.000L (trinta mil litros) de água para produzir 1kg (um quilo) de carne, mas apenas 150 (cento e cinqüenta) litros de água para 1kg (um quilo) de trigo”. Uma, não, duas: “(…) a produção de um único hambúrguer consome uma quantidade de água suficiente para 17 (dezessete) banhos de chuveiro e a criação desses animais de corte seria responsável por 90% (noventa por cento) do desmatamento das florestas tropicais. É um custo muito alto a ser pago pelo consumo de um alimento que pode ser substituído por outros alimentos (…).”
Pois bem. A carne é uma das nossas maiores ( senão a principal, mas também existem as de origem vegetal ) fontes de proteínas. Como vimos, esta busca pelas proteínas tem vários custos ambientais ( sem contar que muitos ingerem-na
excessivamente e que há controvérsias a respeito da validade do consumo de carne bovina, como fonte quase exclusiva ).
QUANTO DE ÁGUA BEBE UM INSETO?
Por seu tamanho, deve ser pouco. Em compensação, de acordo com o gourmand do Discovery, proporcionalmente, nos oferece tanta ou mais proteína que um boi. Que consome espaço e água de montão. E é um dos principais
emissores de gás metano, o que piora ainda mais sua reputação e, portanto, põe em xeque a viabilidade de prosseguirmos com este tipo de criação. A criação de insetos com finalidade alimentar poderá nos salvar de uma catástrofe hídrica e até evitar guerras e invasões americanas em países que possuam grande suprimento de água potável.
FARAÓS E RELATIVIDADE
Prosseguindo com nosso raciocínio: da forma como foi exposto acima, é forçoso concluir que a praga de gafanhotos no Egito deve ter sido, para muita gente, uma bênção.
NOJO
Se você tivesse que matar um animal – pode ser um boi, por exemplo – com suas próprias mãos, para ter carne no almoço, você o faria? Aquela sangueira, as tripas vazando. Nojento, é óbvio. Nós, humanos domesticados da cidade, comemos carne porque alguém faz o serviço sujo e poupa nossa consciência de carregar os assassinatos praticados. Diante de um bifão grelhado com ervas, esse tipo de pensamento nem dá as caras.

Com os insetos seria igual: é só abrir a embalagem, botar na caçarola, um pouco de sal e pimenta. Sem traumas. Ou algo mais prático, tipo, patê. A reprodução da imagem do inseto usado como ingrediente não precisa aparecer no rótulo ou na tampa. Disso podemos ser poupados.

DINHEIRO, CLARO
Se formos pôr em prática estas reflexões, tem que ser logo, que o tempo urge. Só que, não tardará, da mesma como ocorre com os vegetais, logo “as empresas” ( a vEJA e a eXAME é que gostam disso: “… as empresas exigem um profissional flexibilizado…”, como se tratasse de um organismo vivo ) açambarcarão tudo e, até para comermos barata, venderemos nossa alma. Patentearão o DNA, pesquisarão e criarão insetos transgênicos, exterminarão os insetos orgânicos e venderão criações deles modificados, patenteados e licenceados, apenas para quem puder comprar. É bom os governos ( os que não sejam entreguistas ) se adiantarem, criarem grupos de estudo e trabalho, pensar em maneiras de explorar em benefício do povo estas novas fontes de proteínas e como protegê-las da sanha corporativa, voraz como uma nuvem de gafanhotos. Pois “as empresas”, em busca de lucros de qualidade cada vez maiores, são capazes de pisar em qualquer um, como se fôssemos insetos.

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