ENCALHE

maio 8, 2009

"Faca de dois legumes", por Paulo Nogueira Batista Jr.

Filed under: crise econômica mundial, FMI, G-20, Paulo Nogueira Batista Jr — Humberto @ 3:20 am
Faca de dois legumes
Não convém aceitar a diluição do G20. Se entrarem a Espanha e a Holanda, por que não a Suécia e a Bélgica?
POSSO FALAR de G20 e FMI outra vez? Não quero cansar o leitor. Bem sei que esses temas nem sempre fazem sucesso aí no Brasil. Mas, como questões fundamentais estão sendo decididas no G20 e no FMI, tomo a liberdade de voltar ao assunto.
Duas reuniões recentes definiram as linhas gerais da agenda econômica internacional: a dos líderes do G20 em Londres, no dia 2 de abril, e a do Comitê Monetário e Financeiro Internacional do FMI, em Washington, no dia 25. Esse comitê ( mais conhecido por sua sigla em inglês, IMFC ) é composto por 24 dos 185 governadores do Fundo; a sua composição corresponde às 24 cadeiras da diretoria da instituição. O IMFC define a agenda de trabalho do FMI.
O G20 e o IMFC têm a vantagem de funcionarem na base do consenso – um modelo de decisão mais democrático do que o sistema de votos ponderados que vigora nas diretorias do Banco Mundial e do FMI. O produto mais importante dessas reuniões são os comunicados que expressam os consensos a que chegaram os representantes dos países.
Porém há problemas de governança no G20 e no IMFC que têm prejudicado o seu funcionamento e podem criar dificuldades para os países em desenvolvimento. O IMFC e o G20 são “facas de dois legumes”, como diria Vicente Matheus, lendário presidente do Corinthians.
Até agora temos nos saído razoavelmente bem. Um dos principais instrumentos de execução das decisões do G20 é o FMI. Por enquanto, a quantidade de “bolas quadradas” que recebemos do G20 e do IMFC é administrável. O progresso foi limitado em algumas questões do nosso interesse (democratização do FMI, por exemplo), mas a maior parte das decisões tomadas nas reuniões de Londres e Washington favorece os países em desenvolvimento.
Ainda assim, precisamos tomar cuidado. Os países desenvolvidos, mais poderosos, mais organizados, com burocracias mais estruturadas, recorrem a diversos artifícios para controlar mecanismos de consenso como o G20 e o IMFC e colocá-los a serviço das suas agendas nacionais.
Por exemplo, as minutas dos comunicados são apresentadas com pouca antecedência, dificultando a preparação dos países. Adota-se também a prática de manter os líderes e os ministros relativamente isolados, dificultando o acesso das equipes técnicas às reuniões em que são finalizados os comunicados. Não é incomum que surjam propostas de última hora, o que às vezes leva os governantes a tomar decisões apressadas sobre questões que não foram objeto de discussões preparatórias.
Outro problema – este específico do G20 – é a tentativa de ampliar o grupo, promovendo a inclusão de países não membros numa base caso a caso. Os mais insistentes são os europeus. Tem cabimento aceitar mais europeus no G20? A Europa está super-representada em muitos foros internacionais (no IMFC e nas diretorias do FMI e do Banco Mundial, por exemplo). Os quatro grandes europeus já estão no G20 e, além disso, a União Europeia tem um cadeira própria.
Não convém aceitar a diluição do G20. Se entrarem a Espanha e a Holanda, por que não a Suécia e a Bélgica? Se entrar o Egito, por que não o Paquistão? Se entrar o Paquistão, por que não a Malásia? Por esse caminho, o G20 será rapidamente transformado em uma mini-ONU, totalmente ineficaz como mecanismo decisório.
Países como o Brasil têm interesse em consolidar o G20, impedindo a sua ampliação desordenada e atuando de maneira a corrigir os seus problemas de governança.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR

"Faca de dois legumes", por Paulo Nogueira Batista Jr.

Filed under: crise econômica mundial, FMI, G-20, Paulo Nogueira Batista Jr — Humberto @ 3:20 am
Faca de dois legumes
Não convém aceitar a diluição do G20. Se entrarem a Espanha e a Holanda, por que não a Suécia e a Bélgica?
POSSO FALAR de G20 e FMI outra vez? Não quero cansar o leitor. Bem sei que esses temas nem sempre fazem sucesso aí no Brasil. Mas, como questões fundamentais estão sendo decididas no G20 e no FMI, tomo a liberdade de voltar ao assunto.
Duas reuniões recentes definiram as linhas gerais da agenda econômica internacional: a dos líderes do G20 em Londres, no dia 2 de abril, e a do Comitê Monetário e Financeiro Internacional do FMI, em Washington, no dia 25. Esse comitê ( mais conhecido por sua sigla em inglês, IMFC ) é composto por 24 dos 185 governadores do Fundo; a sua composição corresponde às 24 cadeiras da diretoria da instituição. O IMFC define a agenda de trabalho do FMI.
O G20 e o IMFC têm a vantagem de funcionarem na base do consenso – um modelo de decisão mais democrático do que o sistema de votos ponderados que vigora nas diretorias do Banco Mundial e do FMI. O produto mais importante dessas reuniões são os comunicados que expressam os consensos a que chegaram os representantes dos países.
Porém há problemas de governança no G20 e no IMFC que têm prejudicado o seu funcionamento e podem criar dificuldades para os países em desenvolvimento. O IMFC e o G20 são “facas de dois legumes”, como diria Vicente Matheus, lendário presidente do Corinthians.
Até agora temos nos saído razoavelmente bem. Um dos principais instrumentos de execução das decisões do G20 é o FMI. Por enquanto, a quantidade de “bolas quadradas” que recebemos do G20 e do IMFC é administrável. O progresso foi limitado em algumas questões do nosso interesse (democratização do FMI, por exemplo), mas a maior parte das decisões tomadas nas reuniões de Londres e Washington favorece os países em desenvolvimento.
Ainda assim, precisamos tomar cuidado. Os países desenvolvidos, mais poderosos, mais organizados, com burocracias mais estruturadas, recorrem a diversos artifícios para controlar mecanismos de consenso como o G20 e o IMFC e colocá-los a serviço das suas agendas nacionais.
Por exemplo, as minutas dos comunicados são apresentadas com pouca antecedência, dificultando a preparação dos países. Adota-se também a prática de manter os líderes e os ministros relativamente isolados, dificultando o acesso das equipes técnicas às reuniões em que são finalizados os comunicados. Não é incomum que surjam propostas de última hora, o que às vezes leva os governantes a tomar decisões apressadas sobre questões que não foram objeto de discussões preparatórias.
Outro problema – este específico do G20 – é a tentativa de ampliar o grupo, promovendo a inclusão de países não membros numa base caso a caso. Os mais insistentes são os europeus. Tem cabimento aceitar mais europeus no G20? A Europa está super-representada em muitos foros internacionais (no IMFC e nas diretorias do FMI e do Banco Mundial, por exemplo). Os quatro grandes europeus já estão no G20 e, além disso, a União Europeia tem um cadeira própria.
Não convém aceitar a diluição do G20. Se entrarem a Espanha e a Holanda, por que não a Suécia e a Bélgica? Se entrar o Egito, por que não o Paquistão? Se entrar o Paquistão, por que não a Malásia? Por esse caminho, o G20 será rapidamente transformado em uma mini-ONU, totalmente ineficaz como mecanismo decisório.
Países como o Brasil têm interesse em consolidar o G20, impedindo a sua ampliação desordenada e atuando de maneira a corrigir os seus problemas de governança.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR

maio 1, 2009

"Brasil, credor do FMI", por Paulo Nogueira Batista Jr.

Filed under: BRICs, crise econômica mundial, FMI, G-20, Paulo Nogueira Batista Jr — Humberto @ 2:36 am
O BRASILEIRO sempre foi um devedor nato, hereditário e, não raro, inadimplente. Temos todos os cacoetes e comportamentos típicos de devedor. Assim, a nossa recente condição de credor potencial do FMI (Fundo Monetário Internacional) causou certo espanto. No início, ninguém acreditou. Eu mesmo, confesso, ainda não me acostumei muito com a ideia.
Mesmo assim, já circulo aqui pelo Fundo com ares de grande potência.
Um dos grandes temas da reunião de primavera do FMI, que terminou no fim de semana passado aqui em Washington, foi justamente a mobilização de recursos para o Fundo.
Havia certa ansiedade em extrair compromissos específicos de países do G20, notadamente dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China). Como sempre, as velhas potências tentaram passar o trator. Queriam que definíssemos imediatamente valores e modalidades. Os Brics se reuniram à parte e combinaram de proceder com cautela, começando por um exame das condições financeiras e outros aspectos da contribuição ao financiamento do Fundo.
O Brasil já havia dado um primeiro passo antes da reunião de primavera, quando anunciou a sua concordância em participar do Plano de Transações Financeiras (PTF) do FMI. China, Índia e Rússia já participavam desse plano. O PTF é o mecanismo básico por meio do qual o Fundo financia os seus empréstimos. Os participantes do plano se dispõem a fornecer dólares e outras moedas de liquidez internacional até o limite da sua cota no FMI, obtendo em troca ativos líquidos emitidos pelo Fundo.
Agora, o que se discute é a forma que tomará uma contribuição adicional do Brasil e de outros países ao Fundo, isto é, adicional às suas cotas no organismo. Na cúpula do G20 em Londres, concordou-se que era necessário aumentar em US$ 500 bilhões os recursos do FMI em comparação com os níveis anteriores à crise. O Brasil, a China, a Rússia e a Índia indicaram que aceitavam participar desse esforço.
A questão passou a ser como e em que medida cada país faria a sua contribuição. Na reunião de primavera, os Brics adotaram um posicionamento semelhante. No seu pronunciamento, o ministro Guido Mantega estabeleceu alguns princípios que devem pautar a mobilização de recursos para o Fundo (a íntegra do discurso está na página do Ministério da Fazenda, www.fazenda.gov.br).
Por exemplo, a mobilização deve ter caráter temporário, de forma a não solapar a próxima revisão geral de cotas, a ser concluída em janeiro de 2011. É nessa revisão geral que se poderá alcançar realinhamento substancial das cotas e aumentar o poder decisório dos países em desenvolvimento no FMI. Empréstimos de prazo muito longo ou arranjos permanentes podem servir de pretexto para adiar o aumento das cotas.
Outro aspecto importante: as contribuições devem continuar a fazer parte das reservas internacionais do país, como no PTF. Ou seja, o Fundo deve fornecer em troca um ativo líquido, imediatamente conversível em moeda de liquidez internacional.
O Brasil também pode preferir destinar parte dos seus recursos aos mais pobres, contribuindo para os mecanismos do FMI que financiam empréstimos concessionais a países de baixa renda.Em resumo, a contribuição brasileira será negociada com cuidado, sem precipitações. O Brasil é um credor novato, mas não quer ser levado de roldão.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.

"Brasil, credor do FMI", por Paulo Nogueira Batista Jr.

Filed under: BRICs, crise econômica mundial, FMI, G-20, Paulo Nogueira Batista Jr — Humberto @ 2:36 am
O BRASILEIRO sempre foi um devedor nato, hereditário e, não raro, inadimplente. Temos todos os cacoetes e comportamentos típicos de devedor. Assim, a nossa recente condição de credor potencial do FMI (Fundo Monetário Internacional) causou certo espanto. No início, ninguém acreditou. Eu mesmo, confesso, ainda não me acostumei muito com a ideia.
Mesmo assim, já circulo aqui pelo Fundo com ares de grande potência.
Um dos grandes temas da reunião de primavera do FMI, que terminou no fim de semana passado aqui em Washington, foi justamente a mobilização de recursos para o Fundo.
Havia certa ansiedade em extrair compromissos específicos de países do G20, notadamente dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China). Como sempre, as velhas potências tentaram passar o trator. Queriam que definíssemos imediatamente valores e modalidades. Os Brics se reuniram à parte e combinaram de proceder com cautela, começando por um exame das condições financeiras e outros aspectos da contribuição ao financiamento do Fundo.
O Brasil já havia dado um primeiro passo antes da reunião de primavera, quando anunciou a sua concordância em participar do Plano de Transações Financeiras (PTF) do FMI. China, Índia e Rússia já participavam desse plano. O PTF é o mecanismo básico por meio do qual o Fundo financia os seus empréstimos. Os participantes do plano se dispõem a fornecer dólares e outras moedas de liquidez internacional até o limite da sua cota no FMI, obtendo em troca ativos líquidos emitidos pelo Fundo.
Agora, o que se discute é a forma que tomará uma contribuição adicional do Brasil e de outros países ao Fundo, isto é, adicional às suas cotas no organismo. Na cúpula do G20 em Londres, concordou-se que era necessário aumentar em US$ 500 bilhões os recursos do FMI em comparação com os níveis anteriores à crise. O Brasil, a China, a Rússia e a Índia indicaram que aceitavam participar desse esforço.
A questão passou a ser como e em que medida cada país faria a sua contribuição. Na reunião de primavera, os Brics adotaram um posicionamento semelhante. No seu pronunciamento, o ministro Guido Mantega estabeleceu alguns princípios que devem pautar a mobilização de recursos para o Fundo (a íntegra do discurso está na página do Ministério da Fazenda, www.fazenda.gov.br).
Por exemplo, a mobilização deve ter caráter temporário, de forma a não solapar a próxima revisão geral de cotas, a ser concluída em janeiro de 2011. É nessa revisão geral que se poderá alcançar realinhamento substancial das cotas e aumentar o poder decisório dos países em desenvolvimento no FMI. Empréstimos de prazo muito longo ou arranjos permanentes podem servir de pretexto para adiar o aumento das cotas.
Outro aspecto importante: as contribuições devem continuar a fazer parte das reservas internacionais do país, como no PTF. Ou seja, o Fundo deve fornecer em troca um ativo líquido, imediatamente conversível em moeda de liquidez internacional.
O Brasil também pode preferir destinar parte dos seus recursos aos mais pobres, contribuindo para os mecanismos do FMI que financiam empréstimos concessionais a países de baixa renda.Em resumo, a contribuição brasileira será negociada com cuidado, sem precipitações. O Brasil é um credor novato, mas não quer ser levado de roldão.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.

abril 27, 2009

Paulo Nogueira Jr.: “emergentes” não devem baixar a guarda

Paulo Nogueira Jr.: “emergentes” não devem baixar a guarda
Em entrevista à Folha Online, o economista Paulo Nogueira Jr., diretor-executivo de Brasil e mais oito países da região e Caribe no Fundo Monetário Internacional (FMI), diz que os países “emergentes” não devem baixar a guarda.
Veja a entrevista:
FOLHA – A reunião do FMI deste ano trouxe vários retornos positivos em relação às aspirações dos países emergentes. Você diria que foi a crise quem mudou o Fundo?
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR. -
Mudou. Está mudando. A crise abriu oportunidades que não existiam. A profundidade e o alcance da crise são tais que propostas que poderiam ser consideradas sonhadoras há pouco tempo agora ou estão na mesa ou até já foram implementadas. É evidente que a crise por si só não produz mudanças. Tem de haver uma ação dos interessados. Na questão das cotas, por exemplo, a estrutura decisória do Fundo é muito desequilibrada. Os países em desenvolvimento não têm representação satisfatória.
Com o agravamento da crise em setembro de 2008, o ambiente se transformou e há maior disposição de encarar esse déficit democrático no FMI e no Banco Mundial. A realidade é que os países em desenvolvimento têm um peso muito maior hoje na economia mundial do que na época da criação do Fundo (em 1945). Agora está decidido que o trabalho para a implementação das cotas começa já para chegarmos preparados na data-limite para a revisão, em janeiro de 2011.
Isso é importante por dois motivos. Como o FMI é baseado em cotas, a forma de aportar recursos permanentes no Fundo é via cotas. Outros mecanismos que estão sendo criados agora para colocar dinheiro no Fundo, como por meio de “bonds” (títulos), seriam temporários, uma ponte para financiar o Fundo até a reforma das cotas.
Por outro lado, a mudança nas cotas promoverá um realinhamento no poder de votos dos países no FMI. Há vários países menores hoje, principalmente europeus, com um peso desproporcional na estrutura decisória do FMI em relação a alguns emergentes. Há desequilíbrios gritantes.
FOLHA – Mas a revisão das cotas será suficiente para que acabe por representar o peso real de cada economia?
BATISTA JR. - Nós vamos lutar por isso, e acho que há condições políticas, em parte ligadas à crise, para que isso ocorra. Mas será uma luta muito grande, pois ninguém quer abrir mão de espaço no FMI, que é uma instituição muito valorizada pelos países. Quando cheguei aqui há dois anos, quando o Fundo estava em “crise de identidade”, mesmo assim os europeus e outros estavam agarrados em suas posições. Agora, o Fundo se tornou mais central, e a disputa pelo poder se intensificou.
FOLHA – Quem perderá mais com o realinhamento? Os europeus?
BATISTA JR. -
Não podemos generalizar, pois há países europeus subrepresentados. Mas, por região do mundo, a Europa como um todo está super representada em termos de cotas, votos e número de cadeiras na diretoria-executiva. A Europa tem oito, mas em uma das cadeiras a Espanha reveza com México e Venezuela, passando a nove. Os emergentes, contando a Rússia, têm 12. Além disso, por uma regra não escrita, os europeus sempre indicam o diretor-gerente do FMI (hoje o francês Dominique Strauss-Khan).
FOLHA – Essa questão do monopólio dos europeus na presidência do FMI e dos norte-americanos no Banco Mundial também está sobre a mesa?
BATISTA JR. - Está. E este processo também está ligado às cotas, pois os europeus têm cerca de 30% dos votos, e os norte-americanos, 17%. Os dois blocos têm quase 50%, e se não há um realinhamento de cotas, fica difícil mudar também esta questão. Pois os dois juntos têm peso tão grande na votação que esse acordo não escrito, que remonta à criação do Fundo, sobrevive.
Mas nosso objetivo com a reforma das cotas não é que só o Brasil ou outros emergentes tenham um ganho de participação, mas que o equilíbrio de forças dentro da instituição se modifique de maneira clara. Não é que o Brasil não possa trabalhar em conjunto e ter acordos com os países desenvolvidos. Mas é que, normalmente, nosso campo de interesses comum é com os países em desenvolvimento, de renda média. Países como Rússia, China e Índia.
O FMI vai ganhar com isso. Eficácia, legitimidade e será muito mais aceito. Hoje, temos certas relutâncias em relação ao Fundo porque não queremos dar dentes a uma instituição na qual não estamos suficientemente representados. Isso impede ao Fundo de ter um papel maior.
FOLHA – A questão da Linha de Crédito Flexível, já em operação, aconteceu mais por conta da crise ou por essa nova orientação de mudança?
BATISTA JR. - Há um ano atrás, quando o Brasil defendeu essa ideia de um instrumento de liquidez rápido, sem as condicionalidades tradicionais, a orientação foi se concentrar nisso, pois Brasília não acreditava na tese do descolamento entre a crise no mundo desenvolvido em relação aos emergentes. Inicialmente, as resistências eram grandes.
Os critérios agora definidos para ter acesso a essa linha são aqueles que a ampla gama de economistas pode aceitar como razoáveis. Não há exigências controvertidas, como Banco Central independente, metas para inflação, liberdade de movimento de capitais e conversibilidade da moeda. As teses que o FMI geralmente endossa e que são controvertidas nos meios profissionais não são exigidas.
FOLHA – Em relação ao G20, tem havido uma aproximação maior entre os seus membros dentro do FMI?
BATISTA JR. - Na prática, o secretariado do G20 é o FMI. Graças à crise temos uma situação inédita em que o ponto focal de resposta à crise deixou de ser o G7 e passou a ser o G20. Isso permite uma divisão de influência e responsabilidades que não existia antes. E é onde os países resolvem as questões sempre em consenso. E a divisão de tarefas no G20 ocorre aqui dentro do FMI.
Mas não queria transmitir a ideia que estamos diante de um sucesso extraordinário, que está tudo uma beleza. Essas vitórias que estamos conseguindo aqui são parciais e ainda precárias. No sentido de que não são irreversíveis. Os setores que defendem o atual estado das coisas são muito fortes ainda. Estão talvez enfraquecidos pela crise, e em um momento seguinte talvez queiram restabelecer o passado.
Não é impossível, por exemplo, que, passado o período mais agudo da crise, as velhas potências queiram restabelecer o G7 como ponto focal e marginalizar o G20. Ou que queiram arrastar o processo de revisão das cotas para além de 2011. Vamos ter que ficar muito atentos. Se baixarmos a guarda, podemos tomar derrotas incríveis e perder o espaço que temos conquistado.
FOLHA – A crítica que se fazia lá atrás era que o Brasil demorou a reconhecer a gravidade da crise. Agora, que estaria demorando muito para cortar juros, e que o governo vem comprometendo o futuro com o aumento nos gastos correntes. Qual a sua opinião?
BATISTA JR. - Como o Brasil entrou na crise com juros e depósitos compulsórios muito altos, há um espaço grande para reduzi-los. E acho que o Brasil deveria ter reduzido mais rapidamente os juros. Nossa posição fiscal é bastante razoável, e por isso temos espaço para uma política anticíclica, até porque a redução dos juros permite reduzir o superávit primário sem que o déficit público aumente.
Sobre os gastos correntes, eles incluem juros. Uma forma de reduzi-los é diminuindo os juros. Mas eles incluem também transferências de renda, que são importantes do ponto de vista social e do combate à crise.
E não podemos nos esquecer que a máquina pública brasileira foi muito depauperada nos anos 1980 e 1990, e que a estrutura do governo ficou muito enfraquecida. Alguma recuperação dos gastos com a máquina era inevitável.
Não conheço o governo inteiro, mas tenho interação com partes dele. Em Brasília, temos setores importantes desaparelhados. Tanto que nós, aqui de Washington, temos de ajudar com tarefas que países desenvolvidos conduzem a partir de suas capitais.

Paulo Nogueira Jr.: “emergentes” não devem baixar a guarda

Paulo Nogueira Jr.: “emergentes” não devem baixar a guarda
Em entrevista à Folha Online, o economista Paulo Nogueira Jr., diretor-executivo de Brasil e mais oito países da região e Caribe no Fundo Monetário Internacional (FMI), diz que os países “emergentes” não devem baixar a guarda.
Veja a entrevista:
FOLHA – A reunião do FMI deste ano trouxe vários retornos positivos em relação às aspirações dos países emergentes. Você diria que foi a crise quem mudou o Fundo?
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR. -
Mudou. Está mudando. A crise abriu oportunidades que não existiam. A profundidade e o alcance da crise são tais que propostas que poderiam ser consideradas sonhadoras há pouco tempo agora ou estão na mesa ou até já foram implementadas. É evidente que a crise por si só não produz mudanças. Tem de haver uma ação dos interessados. Na questão das cotas, por exemplo, a estrutura decisória do Fundo é muito desequilibrada. Os países em desenvolvimento não têm representação satisfatória.
Com o agravamento da crise em setembro de 2008, o ambiente se transformou e há maior disposição de encarar esse déficit democrático no FMI e no Banco Mundial. A realidade é que os países em desenvolvimento têm um peso muito maior hoje na economia mundial do que na época da criação do Fundo (em 1945). Agora está decidido que o trabalho para a implementação das cotas começa já para chegarmos preparados na data-limite para a revisão, em janeiro de 2011.
Isso é importante por dois motivos. Como o FMI é baseado em cotas, a forma de aportar recursos permanentes no Fundo é via cotas. Outros mecanismos que estão sendo criados agora para colocar dinheiro no Fundo, como por meio de “bonds” (títulos), seriam temporários, uma ponte para financiar o Fundo até a reforma das cotas.
Por outro lado, a mudança nas cotas promoverá um realinhamento no poder de votos dos países no FMI. Há vários países menores hoje, principalmente europeus, com um peso desproporcional na estrutura decisória do FMI em relação a alguns emergentes. Há desequilíbrios gritantes.
FOLHA – Mas a revisão das cotas será suficiente para que acabe por representar o peso real de cada economia?
BATISTA JR. - Nós vamos lutar por isso, e acho que há condições políticas, em parte ligadas à crise, para que isso ocorra. Mas será uma luta muito grande, pois ninguém quer abrir mão de espaço no FMI, que é uma instituição muito valorizada pelos países. Quando cheguei aqui há dois anos, quando o Fundo estava em “crise de identidade”, mesmo assim os europeus e outros estavam agarrados em suas posições. Agora, o Fundo se tornou mais central, e a disputa pelo poder se intensificou.
FOLHA – Quem perderá mais com o realinhamento? Os europeus?
BATISTA JR. -
Não podemos generalizar, pois há países europeus subrepresentados. Mas, por região do mundo, a Europa como um todo está super representada em termos de cotas, votos e número de cadeiras na diretoria-executiva. A Europa tem oito, mas em uma das cadeiras a Espanha reveza com México e Venezuela, passando a nove. Os emergentes, contando a Rússia, têm 12. Além disso, por uma regra não escrita, os europeus sempre indicam o diretor-gerente do FMI (hoje o francês Dominique Strauss-Khan).
FOLHA – Essa questão do monopólio dos europeus na presidência do FMI e dos norte-americanos no Banco Mundial também está sobre a mesa?
BATISTA JR. - Está. E este processo também está ligado às cotas, pois os europeus têm cerca de 30% dos votos, e os norte-americanos, 17%. Os dois blocos têm quase 50%, e se não há um realinhamento de cotas, fica difícil mudar também esta questão. Pois os dois juntos têm peso tão grande na votação que esse acordo não escrito, que remonta à criação do Fundo, sobrevive.
Mas nosso objetivo com a reforma das cotas não é que só o Brasil ou outros emergentes tenham um ganho de participação, mas que o equilíbrio de forças dentro da instituição se modifique de maneira clara. Não é que o Brasil não possa trabalhar em conjunto e ter acordos com os países desenvolvidos. Mas é que, normalmente, nosso campo de interesses comum é com os países em desenvolvimento, de renda média. Países como Rússia, China e Índia.
O FMI vai ganhar com isso. Eficácia, legitimidade e será muito mais aceito. Hoje, temos certas relutâncias em relação ao Fundo porque não queremos dar dentes a uma instituição na qual não estamos suficientemente representados. Isso impede ao Fundo de ter um papel maior.
FOLHA – A questão da Linha de Crédito Flexível, já em operação, aconteceu mais por conta da crise ou por essa nova orientação de mudança?
BATISTA JR. - Há um ano atrás, quando o Brasil defendeu essa ideia de um instrumento de liquidez rápido, sem as condicionalidades tradicionais, a orientação foi se concentrar nisso, pois Brasília não acreditava na tese do descolamento entre a crise no mundo desenvolvido em relação aos emergentes. Inicialmente, as resistências eram grandes.
Os critérios agora definidos para ter acesso a essa linha são aqueles que a ampla gama de economistas pode aceitar como razoáveis. Não há exigências controvertidas, como Banco Central independente, metas para inflação, liberdade de movimento de capitais e conversibilidade da moeda. As teses que o FMI geralmente endossa e que são controvertidas nos meios profissionais não são exigidas.
FOLHA – Em relação ao G20, tem havido uma aproximação maior entre os seus membros dentro do FMI?
BATISTA JR. - Na prática, o secretariado do G20 é o FMI. Graças à crise temos uma situação inédita em que o ponto focal de resposta à crise deixou de ser o G7 e passou a ser o G20. Isso permite uma divisão de influência e responsabilidades que não existia antes. E é onde os países resolvem as questões sempre em consenso. E a divisão de tarefas no G20 ocorre aqui dentro do FMI.
Mas não queria transmitir a ideia que estamos diante de um sucesso extraordinário, que está tudo uma beleza. Essas vitórias que estamos conseguindo aqui são parciais e ainda precárias. No sentido de que não são irreversíveis. Os setores que defendem o atual estado das coisas são muito fortes ainda. Estão talvez enfraquecidos pela crise, e em um momento seguinte talvez queiram restabelecer o passado.
Não é impossível, por exemplo, que, passado o período mais agudo da crise, as velhas potências queiram restabelecer o G7 como ponto focal e marginalizar o G20. Ou que queiram arrastar o processo de revisão das cotas para além de 2011. Vamos ter que ficar muito atentos. Se baixarmos a guarda, podemos tomar derrotas incríveis e perder o espaço que temos conquistado.
FOLHA – A crítica que se fazia lá atrás era que o Brasil demorou a reconhecer a gravidade da crise. Agora, que estaria demorando muito para cortar juros, e que o governo vem comprometendo o futuro com o aumento nos gastos correntes. Qual a sua opinião?
BATISTA JR. - Como o Brasil entrou na crise com juros e depósitos compulsórios muito altos, há um espaço grande para reduzi-los. E acho que o Brasil deveria ter reduzido mais rapidamente os juros. Nossa posição fiscal é bastante razoável, e por isso temos espaço para uma política anticíclica, até porque a redução dos juros permite reduzir o superávit primário sem que o déficit público aumente.
Sobre os gastos correntes, eles incluem juros. Uma forma de reduzi-los é diminuindo os juros. Mas eles incluem também transferências de renda, que são importantes do ponto de vista social e do combate à crise.
E não podemos nos esquecer que a máquina pública brasileira foi muito depauperada nos anos 1980 e 1990, e que a estrutura do governo ficou muito enfraquecida. Alguma recuperação dos gastos com a máquina era inevitável.
Não conheço o governo inteiro, mas tenho interação com partes dele. Em Brasília, temos setores importantes desaparelhados. Tanto que nós, aqui de Washington, temos de ajudar com tarefas que países desenvolvidos conduzem a partir de suas capitais.

abril 17, 2009

"Vitórias importantes, mas não definitivas ", por Paulo Nogueira Batista Jr.

Nada garante que, após a fase mais aguda da crise, as velhas potências não queiram voltar às práticas tradicionais
DESDE A eclosão da crise, o Brasil e os demais países de renda média têm colhido uma sucessão de vitórias no que diz respeito à reforma do FMI e outros aspectos da arquitetura financeira internacional. Bem sei, leitor, que, para a população em geral, isso está longe de compensar os custos econômicos da crise produzida pelos “louros de olho azul”.
Arquitetura financeira não enche barriga. Fora a China e a Índia, que devem continuar crescendo 5% ou 6% em 2009, os demais emergentes tendem à submersão. Quase todos terão taxas de crescimento baixas ou negativas neste ano. O desemprego deve aumentar consideravelmente. Por outro lado, é fundamental que países como o Brasil aumentem a sua voz nas organizações financeiras e a sua influência sobre os rumos da economia mundial.
No curto prazo, isso determina a nossa capacidade de interferir sobre a maneira como está sendo enfrentada a crise e, em especial, sobre a distribuição dos seus custos entre os países. No longo prazo, o aumento da presença nos foros internacionais dará a nossos países condições de se defender melhor de crises futuras. A partida está muito disputada, com carrinho, bola dividida, pé alto, canelada e tudo quanto é golpe baixo. Por enquanto, estamos levando a melhor. Em termos de G20 e FMI, abrimos uma vantagem de 2 a 0 ou, vá lá, 2 a 1. O Brasil tem tido um papel destacado, leitor. Vamos superando aos poucos o velho complexo de vira-lata que Nelson Rodrigues identificava como traço marcante da psicologia nacional. Mas eis o que eu queria dizer: estamos só no meio do primeiro tempo e não podemos ficar driblando na área. Nem podemos nos iludir.
O outro lado – as velhas potências – entrou em campo prejudicado por contusões e psicologicamente abalado. A crise financeira e seus desdobramentos minaram o moral do time adversário, não há dúvida. Mas isso pode ser apenas temporário. Tomemos algumas das nossas vitórias, que já comentei nesta coluna. Uma delas foi a transformação do G20 em foro de chefes de Estado e de governo.
Desde o final de 2008, o G20 efetivamente substituiu o G7 como principal foro de coordenação das respostas à crise. Mas nada garante que, passada a fase mais aguda da crise, as velhas potências não procurem retornar ao formato anterior, isto é, ao G7, ou, na melhor das hipóteses, a um G7 ampliado com alguns poucos países em desenvolvimento.
Outra das nossas vitórias recentes foi a reforma dos instrumentos de empréstimo do FMI, em especial a criação da Linha de Crédito Flexível. México e Polônia já se candidataram à nova linha. Mas tudo depende da aplicação. Temos que estar vigilantes para garantir que a nova linha seja aplicada de maneira justa e correta, de acordo com o que foi aprovado pela Diretoria Executiva. Não podemos descartar a hipótese de que setores do Fundo procurem revogar, na prática, as inovações aprovadas pela Diretoria. Pode até acontecer que, passada a crise, os países mais conservadores queiram acabar com a linha, alegando que a sua existência estava estritamente relacionada a uma situação emergencial.
Leitor, estou dando apenas uma pálida ideia das lutas que travamos por aqui todo santo dia. Teremos alma e energia para levar a partida até o final? Clóvis Rossi foi mais longe e talvez tenha razão. Referindo-se à cúpula do G20 em Londres, escreveu: “Tudo somado, fica claro que o Brasil não é mais vira-lata (…), mas também não é um rottweiler nem tem a vocação de ferocidade indispensável para comandar a matilha”. Veremos.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.
16.04.09

"Vitórias importantes, mas não definitivas ", por Paulo Nogueira Batista Jr.

Nada garante que, após a fase mais aguda da crise, as velhas potências não queiram voltar às práticas tradicionais
DESDE A eclosão da crise, o Brasil e os demais países de renda média têm colhido uma sucessão de vitórias no que diz respeito à reforma do FMI e outros aspectos da arquitetura financeira internacional. Bem sei, leitor, que, para a população em geral, isso está longe de compensar os custos econômicos da crise produzida pelos “louros de olho azul”.
Arquitetura financeira não enche barriga. Fora a China e a Índia, que devem continuar crescendo 5% ou 6% em 2009, os demais emergentes tendem à submersão. Quase todos terão taxas de crescimento baixas ou negativas neste ano. O desemprego deve aumentar consideravelmente. Por outro lado, é fundamental que países como o Brasil aumentem a sua voz nas organizações financeiras e a sua influência sobre os rumos da economia mundial.
No curto prazo, isso determina a nossa capacidade de interferir sobre a maneira como está sendo enfrentada a crise e, em especial, sobre a distribuição dos seus custos entre os países. No longo prazo, o aumento da presença nos foros internacionais dará a nossos países condições de se defender melhor de crises futuras. A partida está muito disputada, com carrinho, bola dividida, pé alto, canelada e tudo quanto é golpe baixo. Por enquanto, estamos levando a melhor. Em termos de G20 e FMI, abrimos uma vantagem de 2 a 0 ou, vá lá, 2 a 1. O Brasil tem tido um papel destacado, leitor. Vamos superando aos poucos o velho complexo de vira-lata que Nelson Rodrigues identificava como traço marcante da psicologia nacional. Mas eis o que eu queria dizer: estamos só no meio do primeiro tempo e não podemos ficar driblando na área. Nem podemos nos iludir.
O outro lado – as velhas potências – entrou em campo prejudicado por contusões e psicologicamente abalado. A crise financeira e seus desdobramentos minaram o moral do time adversário, não há dúvida. Mas isso pode ser apenas temporário. Tomemos algumas das nossas vitórias, que já comentei nesta coluna. Uma delas foi a transformação do G20 em foro de chefes de Estado e de governo.
Desde o final de 2008, o G20 efetivamente substituiu o G7 como principal foro de coordenação das respostas à crise. Mas nada garante que, passada a fase mais aguda da crise, as velhas potências não procurem retornar ao formato anterior, isto é, ao G7, ou, na melhor das hipóteses, a um G7 ampliado com alguns poucos países em desenvolvimento.
Outra das nossas vitórias recentes foi a reforma dos instrumentos de empréstimo do FMI, em especial a criação da Linha de Crédito Flexível. México e Polônia já se candidataram à nova linha. Mas tudo depende da aplicação. Temos que estar vigilantes para garantir que a nova linha seja aplicada de maneira justa e correta, de acordo com o que foi aprovado pela Diretoria Executiva. Não podemos descartar a hipótese de que setores do Fundo procurem revogar, na prática, as inovações aprovadas pela Diretoria. Pode até acontecer que, passada a crise, os países mais conservadores queiram acabar com a linha, alegando que a sua existência estava estritamente relacionada a uma situação emergencial.
Leitor, estou dando apenas uma pálida ideia das lutas que travamos por aqui todo santo dia. Teremos alma e energia para levar a partida até o final? Clóvis Rossi foi mais longe e talvez tenha razão. Referindo-se à cúpula do G20 em Londres, escreveu: “Tudo somado, fica claro que o Brasil não é mais vira-lata (…), mas também não é um rottweiler nem tem a vocação de ferocidade indispensável para comandar a matilha”. Veremos.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.
16.04.09

abril 4, 2009

Obama: Lula Is ‘Most Popular Politician On Earth’ – The Huffington Post

Filed under: Barack Obama, G-20, G-20 Summit, Luis Inácio Lula da Silva — Humberto @ 1:40 am
“I love this guy!”, diz Obama
LONDON — President Barack Obama _ wildly popular the world over _ says he isn’t the globe’s most admired politician. He says that title belongs to Brazil’s president.
During a lunch at the Group of 20 summit in London, Obama shook hands with President Luiz Inacio Lula da Silva and said: “This is my man, right here. I love this guy.”
A bemused Silva _ who does not speak English _ appeared to enjoy the comments as they were relayed by an interpreter, grasping Obama’s outstretched hand with both of his.
Obama followed the comment by saying Silva is “the most popular politician on Earth” and that it is because of “his good looks.”
The comments were broadcast on Brazilian television and Internet sites in the original English with Portuguese subtitles.
02.04.09

“Well…sorry. Who’s this guy?”

Obama: Lula Is ‘Most Popular Politician On Earth’ – The Huffington Post

Filed under: Barack Obama, G-20, G-20 Summit, Luis Inácio Lula da Silva — Humberto @ 1:40 am
“I love this guy!”, diz Obama
LONDON — President Barack Obama _ wildly popular the world over _ says he isn’t the globe’s most admired politician. He says that title belongs to Brazil’s president.
During a lunch at the Group of 20 summit in London, Obama shook hands with President Luiz Inacio Lula da Silva and said: “This is my man, right here. I love this guy.”
A bemused Silva _ who does not speak English _ appeared to enjoy the comments as they were relayed by an interpreter, grasping Obama’s outstretched hand with both of his.
Obama followed the comment by saying Silva is “the most popular politician on Earth” and that it is because of “his good looks.”
The comments were broadcast on Brazilian television and Internet sites in the original English with Portuguese subtitles.
02.04.09

“Well…sorry. Who’s this guy?”

Obama: Lula Is ‘Most Popular Politician On Earth’ – The Huffington Post

Filed under: Barack Obama, G-20, G-20 Summit, Luis Inácio Lula da Silva — Humberto @ 1:40 am
“I love this guy!”, diz Obama
LONDON — President Barack Obama _ wildly popular the world over _ says he isn’t the globe’s most admired politician. He says that title belongs to Brazil’s president.
During a lunch at the Group of 20 summit in London, Obama shook hands with President Luiz Inacio Lula da Silva and said: “This is my man, right here. I love this guy.”
A bemused Silva _ who does not speak English _ appeared to enjoy the comments as they were relayed by an interpreter, grasping Obama’s outstretched hand with both of his.
Obama followed the comment by saying Silva is “the most popular politician on Earth” and that it is because of “his good looks.”
The comments were broadcast on Brazilian television and Internet sites in the original English with Portuguese subtitles.
02.04.09

“Well…sorry. Who’s this guy?”

Obama: Lula Is ‘Most Popular Politician On Earth’ – The Huffington Post

Filed under: Barack Obama, G-20, G-20 Summit, Luis Inácio Lula da Silva — Humberto @ 1:40 am
“I love this guy!”, diz Obama
LONDON — President Barack Obama _ wildly popular the world over _ says he isn’t the globe’s most admired politician. He says that title belongs to Brazil’s president.
During a lunch at the Group of 20 summit in London, Obama shook hands with President Luiz Inacio Lula da Silva and said: “This is my man, right here. I love this guy.”
A bemused Silva _ who does not speak English _ appeared to enjoy the comments as they were relayed by an interpreter, grasping Obama’s outstretched hand with both of his.
Obama followed the comment by saying Silva is “the most popular politician on Earth” and that it is because of “his good looks.”
The comments were broadcast on Brazilian television and Internet sites in the original English with Portuguese subtitles.
02.04.09

“Well…sorry. Who’s this guy?”

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