Como sempre, dá nojo ler o que os jornais falavam antes do jogo: “Vai, Brasil, é vingança!!”, ou: “Go home, Tio Sam, que essa já é nossa!!”. BLEARRGH!!!
Eu assisti um pouco do jogo, mas tinha que sair logo, então nem cheguei a ver a prorrogação. Não foi surpresa nenhuma. Na verdade, o futebol americano ( soccer ) feminino é mais vencedor que o masculino, e tem história nas Olimpíadas. Ou seja: poderia se dizer que havia um clássico na decisão do Ouro. Então, clássico é clássico.
O futebol do americanos – agora eu falo do masculino – é aplicado como o alemão, e é mais bonito de se assistir ( pelo menos os jogos em Copas do Mundo que eu me lembro ) que o inglês. É forte e não é desleal. Costuma ter goleiros excelentes. Mas peca pela ingenuidade. Ainda está aprendendo e, quando eles aprenderem…
Pois bem. A partir dos 40 do 2º. tempo – e é típico deles -, as americanas começaram, finalmente, a jogar para ganhar, e podiam tê-lo feito, que chances boas elas tiveram. Melhores, aliás, que as do Brasil, que dominou o jogo, a posse de bola. As brasileiras não conseguiam sair da marcação. Quando uma pegava a bola, três lá estavam. Lealmente. Quando retomavam a bola, em seu campo de defesa, as gringas não conseguiam sair jogando decentemente, e perdiam várias bolas no meio de campo. Isso deve ter dado a nossas meninas a impressão de domínio completo. Lembro duma boa chance de uma brasileira, pela esquerda, entrando na pequena área, e a brilhante defesa da lindíisssiiima goleira dos EUA, que espalmou com a mão direita. Só me lembro disso.
MUPPETS?
É aquela vergonha de sempre: a Globo dá um jeito de juntar um bando de gente, parentes, amigos de algum dos jogadores ( das jogadoras ). Bota todo mundo lá, assistindo a TV e torcendo por nossa gente. Nossa gente quer sair na TV. Nossa gente não pode ver uma câmera de TV, que o espírito de claque toma conta. “FILMA NÓIS!!”.
Todos devida e obedientemente paramentados, a caráter. Tudo pelo Brasil. “A Revolução não será televisionada”, porque não haverá revolução. Na hora que os brazuqueviques se juntarem, aqueles milhões de vítimas da fome, prontos para tomar o poder, bastará meia dúzia de emissoras aparecerem com câmeras, que a revolução desanda. E tome nego fazendo pose, berrando, fazendo macaquices.
Por quê um desses parentes não chegou no responsável pela cobertura no local onde o circo seria armado, e perguntou onde estava a Dona GLOBO ( as outras também, claro ) durante estes 4 anos, desde a última Olimpíada? Que Campeonato de futebol feminino nós temos? Depois vem aquela chorumela, que “nego cresceu na favela”, que “agora a chance de brilhar”, e blablabla. Todos os envolvidos parecem ter seu discurso pré-definido e seu papel delineado, pronto a ser seguido.
Lembram do Sócrates? “Boicotem a Globo para salvar o futebol brasileiro”. Pra quê, Doutor? Chega na Hora H, a Globo instala suas câmeras na sala de estar de algumas famílias e pronto!! As dificuldades e diferenças se esvaem.
Pois as agruras que as meninas passam para seguir com as suas vidas têm duas serventias, dependendo da ocasião: se vencer, é prova de que as dificuldades – as sociais, eu digo – podem ser vencidas, bastando acreditar. isso se tornará uma verdade que deverá valer para o resto da sociedade; em caso de derrota, “o Brasil é isso mesmo”, “esse país não dá chance”, “a culpa é dus puliticus” ( esta entidade abstrata e intangível, que só aparece na hora de pedir nosso voto em época de eleição; passado esse tempo, eles voltam para seus afazeres habituais; por exemplo, alguns são proprietários de redes de TV que retransmitem a programação da Rede Globo ), as “deficiências educacionais” ( outra abstração ), a “falta de estrutura”. Não que estas não sejam verdade.
Mas, repito – e eu posso estar falando besteira e sendo injusto – não há quase nada que prove o poder da televisão, do que as imagens das pessoas – que são prejudicas pela participação nada isenta e neutra das empresas de Comunicação ( TV, revistas, jornais ) tentando ditar os rumos de nossa política, economia e modo de vida – na tela pulando, gritando como se estivessem sendo regidos, sorrindo e baixando a cabeça docilmente. Para, depois, chorar as pitangas do descaso e do esquecimento.
Claro que peitar a Globo pode dar problema. O grande Nelson Piquet cansou de fazê-los engolir a seco com suas respostas. Quando o reporter vinha com aquelas lorotas ufanistas tipo “o Brasil ganhou”, a resposta era: “quem ganhou fui eu”. Resultado: A Globo bancou a imagem do Ayrton Senna, tornando o falecido piloto numa espécie de encarnação do “Brasil que dá certo e leva o nome do país lá pra fora” ( Milton Santos não significa nada pra essa gente ). Transformou um piloto que ganhou tanto como vários outros, em mito “incontestável”. Em troca da obediência eterna, claro. Com essa postura, Senna virou uma espécie de ídolo da classe média brasileira. Vencer, às custas da integridade, contanto que seja rentável e proveitoso. Não que o Senna não fosse excepcional. Mas o Piquet também foi ótimo. Só que sua imagem não era muito vendável, como foi a de Senna. Os pais e parentes de jogadoras deveriam se espelhar um pouco no Piquet e mandar os reporteres oportunistas se foderem. Mas, daqui a 4 anos, “FILMA ELES GALVÃO, QUE AGORA VAI!!”…