A representação ao MPE foi proposta por três parlamentares Psol-SP — o deputado federal Ivan Valente e os deputados estaduais Carlos Giannazi e Raul Marcelo. Segundo ele, a Secretaria da Educação desconsiderou a existência de outras publicações da área, beneficiando a editora contratada.
Além disso, o governo Serra não consultou os educadores e passou para a fundação privada os endereços pessoais dos professores, sem qualquer comunicado ou pedido de autorização. Essa irregularidade permite outras destinações comerciais aos seus dados particulares.
O promotor Antonio Celso Campos de Oliveira Faria, designado para ocaso, oficiou a FDE — órgão do governo estadual responsável pela contratação —, solicitando que esclareça os motivos da contratação ecogitando a suspensão do contrato. A diretora de projeto especiais da FDE foi intimada a prestar depoimento nos próximos dias.
Faria também oficiou a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo) a informar se foi consultada sobre a escolha da Nova Escola — e se ocorreram reclamações por parte dos professores devido ao fornecimento de seus endereços particulares. O promoter ainda notificou outras editoras que atuam no ramo educacional, consultando se teriam condições de participar do processo licitatório que sequer foi aberto.
Na avaliação de Ivan Valente, o despacho inicial do Ministério Público já é uma importante vitória para o movimento dos professores diante das arbitrariedades e desmandos do governo Serra na área da educação. “Vamos acompanhar a tramitação do processo e pressionar para que os responsáveis por esta contratação que lesa os cofres e os interesses públicos sejam punidos com o rigor da lei”, declarou o parlamentar.
Da Redação Vermelho, com informações do Psol
Site do deputado Carlos Gianazzi ( Psol/ SP ), 16 de Fevereiro de 2009
Um milhão de reais. Esse é o valor arredondado de um contrato firmado em dezembro de 2008 entre a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) e a Fundação Prefeito Faria Lima para que esta última instituição preste “serviços técnicos especializados de consultoria para identificar, analisar e mapear equipamentos culturais para subsidiar a FDE, na elaboração da publicação e na realização do Projeto “Lugares de Aprender: a escola sai da escola.”.
Preocupado com o desembolso milionário para uma função cuja execução poderia ser feita tanto pelos funcionários das Delegacias de Ensino da Secretaria Estadual da Educação quanto da Secretaria Estadual da Cultura, o deputado Carlos Giannazi (PSOL) encaminhou um Requerimento de Informação à SEE no dia 03/02 para que esta se justifique em relação a esse contrato.
“Não se trata de criticar o projeto Lugares de Aprender, embora seja uma atividade curricular bastante conhecida e colocada em prática em outros governos. O que se questiona é, de novo, o dispêndio de dinheiro para um levantamento que já deve existir na administração do estado. A impressão é que não há crise (financeira) de natureza alguma e que sobra dinheiro para a FDE e SEE”, argumenta Giannazi.
O deputado, junto da diretora-presidente do Sindicato de Supervisores do Magistério no Estado de São Paulo, Maria Cecilia Mello Sarno, também entrou com uma Representação no Ministério Público a fim de que se averigúe os termos em que se deu esse contrato.
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