Jasson de Oliveira Andrade
Na reportagem “Indignação com política atinge jovens”, Leandro César Martins entrevistou estudantes do Centro Educacional Litteral. Segundo o jornalista “todos se mostraram indignados com a enxurrada de denúncias de corrupção que atingiu parlamentares e integrantes DO GOVERNO FEDERAL ( destaque meu ) nos últimos anos”. Não me surpreendeu essa observação. Os grandes jornais e, principalmente, a televisão, além da internet, só falam e comentam sobre supostas irregularidades do governo federal. No estadual, em São Paulo, com o ex-governador Geraldo Alckmin, por exemplo, que impediu cerca de 70 CPIs não se comenta quase nada.
No Jornal Nacional (TV GLOBO), notícia ZERO. Enquanto isso TODOS os jornais, TODA a televisão, quase TODA internet, TODAS as revistas, principalmente a Veja, que fez mais de cinco reportagens, com fotos na capa, só falavam e ainda comentam o “caso” Renan. No artigo “Jornais de ontem e de hoje” (Folha Ilustrada, 21/9/2007), o jornalista e escritor Carlos Heitor Cony, após defender os jornais de hoje, reconhece: “Não cheguei a medir, mas acho que, por centímetro quadrado das páginas da imprensa que condenam o presidente do Senado, nunca houve cobertura unânime e VIOLENTA (destaque meu)”. Por que essa cobertura unânime e VIOLENTA (MASSACRANTE) contra Renan? Moralismo? A imprensa desejava e ainda deseja combater a suposta corrupção ou irregularidades dele? Não creio. O motivo verdadeiro foi porque ele era governista. Na maioria das notícias, procura-se culpar Lula e o PT pela absolvição de Renan. Na reportagem de capa de CartaCapital “Renan absolvido, mais um ato da tragicomédia política”, o jornalista Leandro Fortes constatou: “O apoio do Palácio do Planalto era segredo de polichinelo, mas não suficiente para garantir o placar pró-absolvição. Feitas as contas, nota-se que o bloco de oposição também contribuiu com alguns votos para salvar a pele do colega”. No entanto, não se comenta ou condena esses votos da oposição. Adiante Leandro Fortes informa: “Muitos [senadores] ficaram em silêncio, sobretudo quando Francisco Dornelles (PP-RJ) lembrou aos presentes das enrascadas fiscais comuns aos congressistas brasileiros. Punir Renan, insinuou Dornelles, abriria um precedente perigoso”.
Se alguém tem dúvida sobre a posição da imprensa, que denominei, endossando Nirlando Beirão, de Partido da Imprensa, pode-se medir com a divulgação do Mensalão Tucano. Primeiro, a imprensa o designou de Mensalão Mineiro. Depois, só transformou o caso em manchete porque está envolvido o ministro Mares Guia. Como se vai constatar, Eduardo Azeredo é, PRATICAMENTE, esquecido. Para ele não tem a campanha REAJA, BRASIL. ÉTICA JÁ. A mídia se preocupa com o ministro de Lula!

Antes de entrar no assunto (Mensalão Tucano), vamos comentar a prisão de Salvatore Cacciola. Nelson de Sá, na sua coluna Toda Mídia (Folha), revelou o que noticiou o enviado pela Globo em Mônaco: “Antes na manchete do “JN” [Jornal Nacional] e demais, “Preso em Mônaco o foragido número 1 da Justiça brasileira”. Ele [ o ex-banqueiro ] que “recebeu empréstimo em dólar do Banco Central” em operação que “causou prejuízo de R$1,5 bilhão aos cofres públicos”. NÃO SE MENCIONOU FHC (destaque meu)”. Por que o JN não mencionou o nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso? Por motivos, óbvios. Não se comentou também que o ex-presidente do Banco Central daquela época, Francisco Lopes, foi condenado. Coisas do Partido da Imprensa. Ciro Gomes, em entrevista à CartaCapital, assim analisou o PI: “A imprensa brasileira é um desastre. A mídia faz a NOVELIZAÇÃO (destaque meu) escandalosa da política”.
Estava assistindo o Jornal Nacional, da Rêde Globo, carro chefe do Partido da Imprensa, e tive uma surpresa com a manchete falando do “Mensalão Mineiro”. Apesar de Mineiro ao invés de Tucano, mesmo assim fiquei surpreso. Depois compreendi. A notícia focalizou o ministro Mares Guia. O ex-governador, ex-presidente do PSDB e atual senador tucano Eduardo Azeredo apenas foi entrevistado, dizendo não saber de nada. Entretanto, não é bem assim. Segundo reportagem do Estadão (23/9), sob o esperado título “PF pede quebra de sigilo de empresa de Mares Guia” ,em 1998, “conforme a denúncia, o empresário Marcos Valério, acusado de ser o operador do esquema, tomava empréstimos milionários em bancos – especialmente o Rural -, que a seguir eram pagos com RECURSOS DESVIADOS DE EMPRESAS ESTATAIS MINEIRAS (destaque meu]”. Adiante: “O dinheiro do mensalão mineiro [tucano], segundo perícia do INC, veio na maior parte dos cofres públicos de Minas, tanto da administração direta como indireta, sobretudo de cinco estatais: O Banco do Estado (Bemge) e as companhias de saneamento (Copasa), de mineração (Comig) e de energia (Cemig), além da Fundação Duprat de Segurança e Medicina do Trabalho. O restante teria sido doação clandestina de grandes empresas prestadoras de serviço do Estado”. Manchete da Folha (22/9): “Walfrido [Mares Guia] anotou caixa dois de Azeredo na eleição de 98”. O que demonstra que ele tem culpa no cartório. Mas não está sozinho: E Eduardo Azeredo? Mauro Chaves escreveu artigo para o Estadão, em 17 de setembro de 2005, dois anos atrás, sob o título “Poupar Azeredo é um acinte”. Em minha opinião, se no início da década de 2000, ainda no governo FHC, houvesse punido o mensalão tucano, não existiria o mensalão petista. Afinal de contas, segundo o jornalista Luiz Antonio Magalhães, “a suposta falcatrua do PSDB (…) a rigor pode ser considerada mãe de todos os mensalões e mensalinhos”.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Postado por Redação Portal Mogi Guaçu