ENCALHE

maio 20, 2008

O intrincado mundo das relações entre as pessoas e a chutologia de resultados

De vez em quando eu leio coisas que não são de minha preferência ou alcance. Às vezes cai alguma coisa em minhas mãos e eu dou uma bisoiada.
Hoje calhou de eu ler uma revista de culinária, chamada GULA. Receitas de coisas inimagináveis, tipo “ovas de esturjão do mar Cáspio com tentáculos de polvo gratinados a doré”. Manja?
Aí eu noto uma receita, a preferida de uma pessoa de destaque: um empanadão da sra. Mônica Serra, esposa do governador de São Paulo. Este, mais prático, prefere um quindão.
E aí fiquei sabendo que a dona Mônica é assessora pedagógica da FMU. Com o curriculum que possui, deve abrilhantar a escola.
Mas aí, fuçando no site da FMU, a gente cai na seção “Convênios e Parcerias”. E, se tivermos o espírito de porco de muitos jornalistas, diante da lista de parceiros da escola, podemos começar a fazer elucubrações, do tipo “X tem convênio com Y, mas no passado, etc, etc, então tudo leva a crer que Z está a soldo de X.”
Exemplos? Pinçarei alguns.
Entre os apresentados em uma lista considerável de parceiros da FMU, encontramos a Força Sindical do Paulinho e o Internet Group ( mais famoso como IG ).
O presidente da FMU? Edevaldo Alves da Silva. Se não for um homônimo, trata-se de um ex-secretário de Paulo Maluf e Celso Pitta.
Quer mais? Em abril deste ano, a FMU conferiu ao D’Urso o título de Professor Honoris Causa, como vocês podem conferir aqui, neste ponto.
É isso, meus caros. Façam um exercício mental. Peguem o texto acima, apenas trocando os nomes que aparecem, por nomes de petistas e próximos a eles. E publiquem na vEJA. Pois se não é assim que a revista faz, é algo muito, muito próximo.

março 14, 2008

A campanha da “Folha” contra Paulinho e Lupi

Hora do Povo
14/03/08
Desde a sua edição do dia 11 do mês passado, a “Folha de S. Paulo” publicou 28 matérias em que aparece o nome do presidente da Força Sindical e deputado federal Paulo Pereira da Silva, conhecido por Paulinho, todas levantando supostas irregularidades em convênios com o Ministério do Trabalho. Surpreendentemente – para quem não conhece a “Folha” – essas matérias são repetições umas das outras, sem tirar nem por, e sem sair do mesmo lugar.
Em suma, apesar dos esclarecimentos e da demonstração de que a denúncia é vazia – a própria “Folha” não acusa Paulinho nem sua entidade de se apropriar indevidamente (ou, mesmo, não-indevidamente) de qualquer quantia, mas de presumivelmente terem essa intenção, através de projetos nunca realizados – o jornal repetiu, em 26 matérias, exatamente o que está nas duas primeiras. Ou seja, encheu páginas cozinhando e auto-recozinhando 26 vezes a mesma coisa, sem acrescentar nada de novo, apenas reelencando insinuações e ilações contra o sindicalista, o ministro do Trabalho e algumas outras pessoas. Essa cozinha industrial de matérias ignorou – e continua ignorando – o que falaram os acusados, apesar da “Folha” não tê-los desmentido. Ao invés disso, o jornal lançou suspeita sobre suas assertivas, sem desmontá-las – e sem provar as acusações iniciais.
Evidentemente, isso caracteriza uma “cruzada”, uma campanha de difamação ou, nas palavras de um antigo ombudsman da “Folha”, uma tentativa de execução moral. Mas, por que tanta insistência sem que haja fatos, provas? Até recentemente, Paulinho não era um alvo da “Folha”. Por que passou a sê-lo?
O sindicalista sempre publicou artigos naquele jornal. O último saiu na edição de 16 de janeiro deste ano, uma defesa do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, presidente do seu partido, o PDT, que estava sendo atacado por Marcílio Marques Moreira, então presidente interino da Comissão de Ética Pública.
Marques Moreira tem velhas relações com a “Folha”. Quando ministro da Fazenda de Collor, esse jornal até inventou para ele uma nova categoria: a de “ministro ético”, uma espécie de flor da latrina – ou de anjo do prostíbulo.
Uma interessante espécie de ética, pois Moreira foi ministro da Fazenda e, antes, embaixador do Brasil em Washington, sem ver nenhum problema em também ser membro dos conselhos da IBM, Reynolds, General Electric, Textron, Hoechst, American Bank Note, Marsh & McLennan Group e consultor da Merril Lynch, de Wall Street.
Depois de ser ministro da Fazenda de Collor, Marcílio Marques Moreira foi alçado por Fernando Henrique à Comissão de Ética Pública – não porque o prostíbulo fernandista precisasse de um anjo, mas, certamente, porque Marcílio sintetizava, como ninguém, a ética daquele governo.
Em seu artigo, escrito em parceria com o também deputado federal pedetista Mário Heringer, denunciava Paulinho que “esse ex-ministro de eras não éticas agora descobriu que o ministro Lupi não pode ser também presidente de partido. A ética do consultor de empresas que preside a comissão baseia-se, então, no ditado ‘me engana que eu gosto’? Pelo raciocínio dele, Carlos Lupi pode continuar ministro desde que se licencie da presidência do PDT. Nós fingiremos então que, a partir desse momento, ele deixará de ser partidário… Tudo fabricado pelos “puros de agora”, estes que, sentados sobre os rabos do passado, metem-se a ditar as regras do futuro. Isso que querem não é ética, e sim ótica ditada pela economia. (….) O que se esperava colocando um trabalhista na função de Ministro do Trabalho? Que ele continuasse a defender os interesses dos poderosos? Nós é que fugimos do sistema escravocrata. (….) estamos dispostos a discutir a modernização das relações trabalhistas e até dotá-las de ferramentas atuais. Por exemplo: em lugar da carteira de trabalho grande e de papel, usar um cartão digital, prático e definitivo. Ainda que isso prejudique a empresa [American Bank Note] cujos interesses o presidente da Comissão de Ética Pública representa”.
Tudo absolutamente verdadeiro. Por isso mesmo, a “Folha” não gostou. Nem da defesa que Paulinho fez do ministro nem, menos ainda, de ver exposto o perfil de um seu aprochegado de forma tão proletária, isto é, tão sem rebuços.
Quinze dias depois, no dia 31 de janeiro, apareceram duas notas na “Folha” que tentavam ligar Paulinho a negócios escusos, sem apresentar provas. A campanha de difamação ainda não havia encontrado seu mote. Somente 10 dias depois ela começou.
É compreensível que, diante da enxurrada difamatória que não levava em consideração o que dizia, como se não fizesse diferença, Paulinho tenha desabafado em termos algo explosivos e, mesmo, em alguns momentos, inadequados. E só os fariseus mais empedernidos podem se aproveitar disso para se apresentarem como vítimas de suas vítimas. Foi exatamente o que a “Folha” perpetrou, após o desabafo de Paulinho.
Paulinho é presidente de uma central de trabalhadores. A “Folha” é um monopólio de imprensa, entrelaçado com os outros monopólios de mídia do país. Querer apresentar-se como vítima de Paulinho – e haja editoriais hipócritas e colunistas de aluguel para atacarem o sindicalista – é coisa de falsários e invertebrados, que não assumem o que fazem. No que não há, realmente, novidade.
CARLOS LOPES

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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