Educação é base para combater o desperdício de alimentos
No Brasil, até 70 mil toneladas dos alimentos plantados no país são jogadas, por ano, no lixo. O índice preocupa especialistas europeus e faz brasileiros pensarem na educação como alternativa para amenizar o problema.
No Brasil, até 70 mil toneladas dos alimentos plantados no país são jogadas, por ano, no lixo. O índice preocupa especialistas europeus e faz brasileiros pensarem na educação como alternativa para amenizar o problema.
Em apenas um ano, o número de pessoas que passam fome no mundo aumentou de 832 para 963 milhões. A cifra, divulgada pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), revela uma crise no setor, refletida tanto na alta dos preços quanto na falta de alguns gêneros alimentícios nos mercados mundiais.
No seminário sobre segurança alimentar no mundo promovido pelo Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) em Bonn, especialistas da Ásia, África e América Latina trocaram ideias sobre o tema.
Do evento também participaram professores de universidades brasileiras, vindos à Alemanha especialmente para os debates. Na opinião dos docentes, educação e mudança de hábitos são fundamentais para contornar a atual crise dos alimentos.
Problema é antigo
Segundo o professor de Engenharia de Alimentos e diretor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Álvaro César Camargo do Amarante, o alto índice de desperdício é uma das questões que deve ser atacada.
“Esse problema não é novo. Há 20, 30 anos perdia-se de 20% a 30% das mercadorias no caminho do produtor até o consumidor final. E esse percentual continua elevado até hoje, inclusive nos países desenvolvidos”, lembra.
A falta de conhecimento de quem lida com os produtos e a precária infraestrutura de armazenamento e transporte são fatores que contribuem para a manutenção do índice.
“Muitas pessoas não sabem, mas quando um fruto cai no chão ele fica ‘machucado’, o que o deixaria suscetível à ação de agentes externos, como fungos e insetos. Sem os devidos cuidados, parte da produção acaba sendo inutilizada”, explica a professora de fitopatologia da Universidade Federal de Santa Maria (RS), Elena Blume.
Para os especialistas brasileiros, tudo se resume à educação. “Caso a pessoa soubesse das doenças que o fruto poderia devolver com a queda, possivelmente o manusearia com mais cuidado. Isso se aplica inclusive a supermercados, onde os funcionários recebem caixas de alimentos e precisam levá-las de um lado a outro”, declarou Blume.
A mesma opinião é compartilhada pelo professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Renar João Bender.
“Uma pessoa que deseja adquirir uma mesa de madeira maciça vai comprá-la, sem se preocupar com questões ambientais. No entanto, quando vê na televisão reportagens sobre o desmatamento na Amazônia, é uma das primeiras a apontar os culpados”, exemplifica o professor, que complementa: “Nossa ação não está desconectada do resto do mundo”.
Mudanças de hábito
Neste contexto, as mudanças de hábito, tanto de consumo quanto de deslocamento, tornaram-se fundamentais no combate a qualquer crise, alertam os docentes.
“Os brasileiros, em especial, deixam-se levar muito pelas aparências. Caso em um mercado fossem colocados lado a lado dois tipos de maçãs: uma pequena – produzida de maneira menos agressiva do ponto de vista ambiental – e outra maior, mais brilhosa – que provavelmente precisou de mais pesticidas – certamente a mais vendida seria a maior“* [ grifo do blog ], garante Blume.
Entretanto, conscientizar a sociedade não é tarefa fácil. A alternativa, na opinião dos especialistas, seria preparar os professores do ensino fundamental para que educassem seus alunos desde as primeiras séries** [ grifo do blog ] nesse sentido. “A educação é a chave para combater o problema”, afirma Blume.
Conforme a FAO, no Brasil, 64% do que é plantado acaba no lixo. Além da infraestrutura precária no armazenamento e transporte, o índice se deve também à falta de sensibilidade dos consumidores, que muitas vezes compram mais do que consomem. ( Deustche Welle, 14.03.09 )
Autora: Caroline Eidt
No seminário sobre segurança alimentar no mundo promovido pelo Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) em Bonn, especialistas da Ásia, África e América Latina trocaram ideias sobre o tema.
Do evento também participaram professores de universidades brasileiras, vindos à Alemanha especialmente para os debates. Na opinião dos docentes, educação e mudança de hábitos são fundamentais para contornar a atual crise dos alimentos.
Problema é antigo
Segundo o professor de Engenharia de Alimentos e diretor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Álvaro César Camargo do Amarante, o alto índice de desperdício é uma das questões que deve ser atacada.
“Esse problema não é novo. Há 20, 30 anos perdia-se de 20% a 30% das mercadorias no caminho do produtor até o consumidor final. E esse percentual continua elevado até hoje, inclusive nos países desenvolvidos”, lembra.
A falta de conhecimento de quem lida com os produtos e a precária infraestrutura de armazenamento e transporte são fatores que contribuem para a manutenção do índice.
“Muitas pessoas não sabem, mas quando um fruto cai no chão ele fica ‘machucado’, o que o deixaria suscetível à ação de agentes externos, como fungos e insetos. Sem os devidos cuidados, parte da produção acaba sendo inutilizada”, explica a professora de fitopatologia da Universidade Federal de Santa Maria (RS), Elena Blume.
Para os especialistas brasileiros, tudo se resume à educação. “Caso a pessoa soubesse das doenças que o fruto poderia devolver com a queda, possivelmente o manusearia com mais cuidado. Isso se aplica inclusive a supermercados, onde os funcionários recebem caixas de alimentos e precisam levá-las de um lado a outro”, declarou Blume.
A mesma opinião é compartilhada pelo professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Renar João Bender.
“Uma pessoa que deseja adquirir uma mesa de madeira maciça vai comprá-la, sem se preocupar com questões ambientais. No entanto, quando vê na televisão reportagens sobre o desmatamento na Amazônia, é uma das primeiras a apontar os culpados”, exemplifica o professor, que complementa: “Nossa ação não está desconectada do resto do mundo”.
Mudanças de hábito
Neste contexto, as mudanças de hábito, tanto de consumo quanto de deslocamento, tornaram-se fundamentais no combate a qualquer crise, alertam os docentes.
“Os brasileiros, em especial, deixam-se levar muito pelas aparências. Caso em um mercado fossem colocados lado a lado dois tipos de maçãs: uma pequena – produzida de maneira menos agressiva do ponto de vista ambiental – e outra maior, mais brilhosa – que provavelmente precisou de mais pesticidas – certamente a mais vendida seria a maior“* [ grifo do blog ], garante Blume.
Entretanto, conscientizar a sociedade não é tarefa fácil. A alternativa, na opinião dos especialistas, seria preparar os professores do ensino fundamental para que educassem seus alunos desde as primeiras séries** [ grifo do blog ] nesse sentido. “A educação é a chave para combater o problema”, afirma Blume.
Conforme a FAO, no Brasil, 64% do que é plantado acaba no lixo. Além da infraestrutura precária no armazenamento e transporte, o índice se deve também à falta de sensibilidade dos consumidores, que muitas vezes compram mais do que consomem. ( Deustche Welle, 14.03.09 )
Autora: Caroline Eidt
Revisão: Augusto Valente
* É bem isso mesmo. Para o retrato desenhado ficar mais fiel à verdadeira realidade da coisa, falta completar que a pessoa que comprou a maçã quimicamente agressiva ao meio-ambiente nem gosta de maçã;
* É bem isso mesmo. Para o retrato desenhado ficar mais fiel à verdadeira realidade da coisa, falta completar que a pessoa que comprou a maçã quimicamente agressiva ao meio-ambiente nem gosta de maçã;
** Essa é pior ainda. O que tem de especialista pedagógico que propõe apenas o ensino do “ler-escrever-somar-subtrair”, pois certas concepções pedagógicas – como Paulo Freire, por exemplo – são “catequizações esquerdistas perigosas”; sem contar que até proposta de deputado para que seja incluída a prática de artes marciais [ Juro por Deus! Faz tempo que eu estou para falar disso!! ] nas escolas já rondou por aí. E vem esses intelectuais comunistas sugerir que os alunos sejam preparados para, no futuro, serem indivíduos autônomos, responsáveis, adultos?? Blablabla… Se essa turma de estudantes aprender a zelar pelo nosso habitat, de forma responsável – sabendo que suas ações geram conseqüências para si, para o meio ambiente, para os outros e para a sociedade humana -, quem é que vai ser o adulto consumidor de vídeogames, celulares, automóveis e bonés e freqüentador de churrascarias rodízio? Olha que até que essa geração é bem ecológica: como não têm o pernicioso e chato hábito da leitura, trilhões de árvores que serviriam para produzir livros são poupadas todos os anos…

TRIVELA
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