ENCALHE

junho 26, 2008

Dando uma repassada no mundo tucano

1. Com o falecimento de Dona Ruth Cardoso, quem sabe agora o FHC torne público e assuma a paternidade do filho que teve com a jornalista da Globo, que se encontra exilada, se não me engano, na Espanha. O guri deve estar com uns 14 anos. Foi a Caros Amigos quem revelou ao mundo o rebento. Sobre o assunto, linquem aqui para um artigo de JASSON DE OLIVEIRA, que postamos aqui em Junho de 2007 ( há exatamente um ano ), e que teve ontem, para a minha surpresa ( já que achava que o “quente” seria a greve dos professores estaduais ), cerca de 127 acessos;
2. Ontem postei sobre uma ADI que o STF julgaria, figurando como réus FHC e Paulo Renato, por suposta negligência nas questões educacionais. A ação, apresentada em finais da década de 90, por PT, PC do B e PDT, foi julgada improcedente. Vejam abaixo:
Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 1698
Relatora: Min. Cármen Lúcia
Partido dos Trabalhadores, Partido Comunista do Brasil e Partido Democrático Trabalhista X Presidente da República e Ministro de Estado da Educação
Os requerentes sustentam que o presidente da República “não tem envidado qualquer esforço no sentido de garantir em plenitude” a educação de qualidade no Brasil.
Em discussão: Saber se o Presidente da República está em mora legislativa inconstitucional quanto à adoção de medidas para a oferta de educação de qualidade e para a erradicação do analfabetismo no Brasil.
PGR: Pela improcedência da ação.
3. Eu mandei, no sábado imediatamente posterior, email para jornais, elogiando a manifestação que os professores estaduais fizeram na sexta-feira passada. Até ontem, só o glorioso Hora do Povo publicou.
4. Aliás, acho que o Alfabetização Solidária deveria ser rebatizado. Algo como “Alfabetização Ordinária”, ou “Alfabetização Salafrária”.
5. Luiz Carlos David, ex-presidente do Metrô à época do Craterão, e hoje na DERSA, acabou de prestar depoimento à polícia, conforme o portal G1:
Ex-presidente do Metrô presta depoimento à polícia
Luiz Carlos David comandava a companhia na época do acidente na Linha Amarela. Depoimento faz parte do inquérito que já ouviu 80 pessoas sobre a tragédia.
O ex-presidente do Metrô Luiz Carlos David presta depoimento à polícia desde as 10h nesta quinta-feira (26). Ele comandava a companhia em janeiro do ano passado, quando o desmoronamento do canteiro de obras da Estação Pinheiros da Linha 4 (Amarela) provocou a morte de sete pessoas.
Veja o site do SPTV
Mais de um ano e cinco meses depois da tragédia, o caso ainda é investigado. O depoimento de hoje faz parte do inquérito, que já ouviu 80 pessoas. Luiz Carlos David estava na presidência do Metrô havia quatro anos quando entregou sua carta de demissão, 40 dias depois do acidente. A saída foi motivada também por denúncias veiculadas no Jornal Nacional e no Fantástico em fevereiro do ano passado. Laudos mostraram risco de novos acidentes em outra estação, a Fradique Coutinho, por causa de problemas nas soldas da estrutura metálica que sustenta as paredes. E também a baixa resistência do concreto usado em toda obra. Na época, Luiz Carlos David minimizou os problemas.
Estudos do IPT
No início deste mês, Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) concluiu o laudo técnico sobre as causas do acidente. Os especialistas confirmaram que houve uma aceleração no ritmo da obra e que análises e sondagens do terreno deixaram de ser feitas. As conclusões estão em 29 volumes de mais de 400 páginas e em um vídeo. A análise do IPT mostra que houve uma sucessão de fatores e decisões que desencadearam o colapso
Entre as onze causas apontadas estão:
- o modelo geológico do local não foi levado em consideração.
- o projeto previa a construção em terreno seco, mas as investigação identificou a presença de água.
- o aprofundamento de uma rampa, não prevista no projeto
- aumentou a exposição das paredes dos túneis
- a inversão no sentido da escavação pode ter colaborado para a instabilidade do túnel.
- o comportamento estranho da obra exigia avaliações de estabilidade, e não há documentos que comprovem esta ação.
- a falta de pinos e suportes suficientes nas paredes laterais e no teto da escavação
- a deficiência na fiscalização dos trabalhos
- as detonações no dia 12 de janeiro, que produziram vibrações na estrutura
- a inexistência de uma gestão de risco, fez com que a possibilidade de desabamento não fosse identificada
- a falta e um plano de emergência para a retirada de pessoas do local.
Antes do depoimento de Luiz Carlos David, o promotor Arnaldo Hossepian, responsável pelo caso, falou com a reportagem do SPTV. Apesar de Hossepian já ter afirmado anteriormente que responsabilizaria os técnicos tanto do Metrô quanto do Consórcio Via Amarela ou de empresas terceirizadas, nesta quinta ele evitou apontar responsabilidades pelo acidente. E disse que a conclusão do inquérito está próxima.

fevereiro 13, 2008

Faça o que eu digo, não o que eu faço

Luiz Antonio Magalhães
11-Fev-2008
O assunto da semana continua sendo o uso de cartões corporativos na administração pública. Depois do estardalhaço feito pela grande imprensa, cada vez mais udenista, sobre os gastos dos ministros e altos funcionários do governo federal, a opinião pública ficou sabendo que também os governos estaduais utilizam esta modalidade para realizar compras e sacar dinheiro na boca do caixa. A partir de um requerimento da liderança do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo, apareceu o montante gasto pela gestão tucana do impoluto governador José Serra (PSDB): para surpresa de muita gente, o valor supera os gastos federais (R$ 108 milhões nos cartões “bandeira-Serra” contra R$ 75 milhões nos cartões “bandeira-Lula”).
Quem primeiro publicou os gastos do tucanato paulista foi o jornalista Paulo Henrique Amorim, em seu site Conversa Afiada. Os jornalões de São Paulo não tiveram como esconder a notícia, sob risco de desmoralização, mas a diferença na cobertura foi notável. Ao contrário do que ocorreu com os gastos federais, a farra dos cartões de Serra foi apresentada de forma bem mais sóbria e com amplo espaço para as explicações do governo paulista. Explicações estas que, é bom notar, não se sustentam: os tucanos correram para dizer que “não existe cartão de crédito” na burocracia paulista, o correto é dizer que são “cartões de débito”. Em seguida, o secretário da Fazenda de Serra afirmou que os gastos se referiam apenas a compras de vale-transporte e combustível para viaturas policiais e ambulâncias. No dia seguinte, porém, começaram a aparecer algumas das despesas, que incluíam compras na finíssima loja de Presentes Mickey, refeições em churrascarias e outros mimos. Os jornalões até publicaram tais informações, mas com destaque bem menor do que o que foi dado aos gastos com a tapioca do ministro dos Esportes ou do free-shop da ex-ministra Matilde Ribeiro.
Outra explicação ridícula do governo estadual diz respeito aos saques na boca do caixa, tão questionados pelos tucanos e jornalistas alinhados à oposição. A nota oficial do governo Serra, divulgada na quinta-feira passada, diz que esses saques obedecem a uma rígida regulamentação e têm correspondência em notas fiscais para comprovação dos gastos, que seriam auditados pelo Tribunal de Contas do Estado. Ora, é o mesmo processo que ocorre no governo federal – há notas para as despesas em cash e as contas também são auditadas, pelo Tribunal de Contas da União. É possível que esteja mesmo tudo certo com as despesas em dinheiro vivo do governo de São Paulo, ninguém duvida, a priori, da lisura dos tucanos no trato da coisa pública. A questão, porém, é que a prática do governo paulista de também permitir os saques acaba com o discurso pseudo-moralista dos jornalistas alinhados com a oposição e dos líderes tucanos em geral, que questionavam justamente a possibilidade de os funcionários federais sacarem dinheiro na boca do caixa.
Ainda há muito que contar sobre os cartões do governo paulista. As reportagens da Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo até agora não responderam a algumas questões fundamentais: qual (ou quais) a(s) bandeira(s) dos cartões do governo Serra? Como foi feita a escolha da operadora? Em caso de atraso no pagamento da fatura, a operadora cobra juros do governo estadual? E sobre as operações de saque, é cobrada alguma taxa?
A maior novidade desta semana, porém, será a revelação de que Fernando Henrique Cardoso, ele mesmo, também faz uso de pelo menos um cartão corporativo “bandeira Lula”. O funcionário da presidência da República Eduardo Maximiano Sacillotto Filho, colocado à disposição do ex-presidente, é titular de um cartão corporativo federal e o utiliza para abastecer os automóveis de FHC. De 2004 até hoje foram gastos R$ 47 mil, sempre no mesmo posto de gasolina de Higienópolis, segundo a coluna do jornalista Cláudio Humberto. Fazendo as contas, dá quase R$ 1 mil por mês, o que faz crer que Cardoso jamais pagou combustível do próprio bolso. Que ele tenha direito à segurança e um pequeno staff por ter ocupado a presidência, faz sentido, mas que o contribuinte pague a sua gasolina já é algo mais difícil de entender.
No fundo, os políticos do PSDB – José Serra e Fernando Henrique em particular – acham que estão acima do bem e do mal e que não devem explicações a ninguém. Agem como se o questionamento de seus atos representasse uma ofensa mortal. Seria bom os tucanos se acostumarem: democracia é assim mesmo…

Luiz Antônio Magalhães é editor de política do DCI e editor-assistente do Observatório da Imprensa (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/).
Blog do autor:
http://www.blogentrelinhas.blogspot.com/

dezembro 5, 2007

Porque Renan foi absolvido

Jasson de Oliveira Andrade ( OBS: grifos do Blog )A absolvição do senador Renan Calheiros não causou surpresa: já era esperada. E por três motivos. Em primeiro lugar, o Senado arquivou o Processo contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), acusado de peculato e lavagem de dinheiro. O tucano mineiro havia sido denunciado pelo procurador-geral da República por desvio de recursos públicos. O suposto crime cometido pelo senador Azeredo é muito mais grave do que aquele que o Renan era acusado: uso de “laranjas” na aquisição de rádios e televisões. Aí já temos o segundo motivo, que veremos a seguir.
O jornalista Luiz Antonio Magalhães, ao comentar a fácil absolvição de Renan, comentou em seu blog Entrelinhas: “A votação por maioria tranqüila (48 a 29) mostrou a força de Renan e a inconsistência da peça acusatória produzida pelo senador Jefferson Peres (PDT-AM)”. Além do mais, o Estadão, em 22 de novembro, publicou a reportagem “23 senadores aparecem como sócios de emissoras de rádio e TV – Discussão sobre prática, vetada pela Constituição e pelo Código de Ética do Senado, volta à tona com caso Renan”. O jornal reconheceu: “Quantidade de senadores donos de jornais e emissoras é trunfo de Renan”. Andréa Vianna, nesta reportagem, revela: “Desses 23 parlamentares, pesquisa do Estado no Sistema de Acompanhamento de Controle Societário (Siacco), do Ministério das Comunicações, mostra que pelo menos 17 têm parentes na sociedade e na direção do negócio – filhos, irmãos, mulheres, ex-mulheres, entre outros. (…) Entregar a parentes o comando das emissoras, tal como fez Renan, mesmo quando a transferência não passa de mera formalidade, é a maneira como os senadores [os 17] driblam o artigo 54 da Constituição e o artigo 4º do Código de Ética do Senado. É uma forma, como diz o ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), de o parlamentar “fazer de conta” que não manda naquilo que é proprietário”. Em vista da situação desses 17 senadores, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) questionou: “Com o julgamento próximo do senador Renan [dia 4/12/2007], o debate cresceu. Renan pode ser punido [não foi], neste caso, por algo que, até que ponto outros colegas não fazem?” Provavelmente essa situação foi um dos motivos da absolvição dele: 48 votos contra apenas 29 pela cassação!
O terceiro motivo: Renan renunciou a presidência do Senado. Esta atitude, em minha opinião, pesou muito na sua absolvição. Ninguém ignora que havia uma disputa pelo Poder, tanto da situação como da oposição. Com a sua renúncia, a “briga” diminuiu e, sem dúvida, isto o beneficiou. O PMDB tem o direito de apontar o presidente. O partido tem vários nomes, o que poderá complicar a sucessão. A conferir.

O sociólogo Wagner Iglesias escreveu um artigo no Blog Entrelinhas, sob o título “Clonagem política”, no qual faz um bem-humorado texto, supondo um diálogo com um amigo tucano, o Plínio. Destaco dois trechos. O primeiro: “Este Sarney que apóia Lula desde o começo de seu governo? Plínio se pergunta como Lula aceita o apoio de um velho coronel da política brasileira. Sem dúvida, meu caro Plínio, este aí só pode ter sido clonado. Não pode ser o mesmo Sarney que apoiou o governo Fernando Henrique. Ou pode?”

O segundo trecho se refere ao ex-presidente do Senado: “E este Renan que a oposição considera um bandido? Apóia o Lula desde o início de seu mandato também. Outro que só pode ser clonado. Não pode ser o mesmo Renan que foi Ministro da Justiça do governo tucano. Não pode ser. Foi clonado também.”Renan não está completamente livre. Ainda existem outros processos. Não lhe dão sossego. A revista VEJA semanalmente traz novas denúncias contra ele. E o Senado abre outro processo. A agonia dele, portanto, vai continuar. Até quando não se sabe!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Dezembro, 2007
Postado por Redação Portal Mogi Guaçu

novembro 27, 2007

Mensalão tucano atinge Aécio e beneficia Serra

Jasson de Oliveira Andrade

O grande acontecimento destes últimos dias foi assim narrado no texto de José de Souza Castro: “Estilingada em ninho tucano derruba ministro” O autor se refere ao mensalão tucano. A Folha prefere “Valerioduto Tucano”. O jornal descreve o fato: “O procurador-geral da República, denunciou [dia 22/11/2007] criminalmente ao Supremo Tribunal Federal o ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e outras 13 pessoas por desvio de pelo menos R$ 3,5 milhões de RECURSOS PÚBLICOS (destaque meu) para a campanha de Azeredo à reeleição ao governo de Minas Gerais em 1998.”

Em vista dessa denúncia de peculato e lavagem de dinheiro, Mares Guia, que na época era vice-governador de Azeredo e candidato a deputado federal pelo PTB, caiu e foi substituído pelo deputado José Múcio Monteiro (PTB-PE). A Folha (23/11), em manchete de primeira página, noticiou: “Procurador denuncia esquema de corrupção tucano; Mares Guia cai”. Em vista desse escândalo tucano, Clóvis Rossi sugere: “Minha sugestão para “spot” publicitário do PSDB, no bojo da campanha em curso [na televisão e no rádio]: “O PSDB inventou o mensalão, o PT copiou. Isso não é bom para o Brasil”.
A mídia, principalmente o Jornal Nacional, da TV Globo, tentou amenizar a denúncia, escondendo o mensalão tucano, mas corrigiu, como revelou Nelson de Sá, na sua coluna Toda Média (23/11): “O esquema conhecido como valerioduto mineiro”, arriscou a Globo. Depois se corrigiu, na escalada do “JN” [Jornal Nacional], para “o valerioduto do PSDB mineiro”. Já o jornalista da Folha, Josias de Souza, na Folha Online, preferiu “tucanoduto”. Hélio Fernandes, em artigo na Tribuna da Imprensa, foi mais direto: “(Eduardo Azeredo) Em 2002 foi eleito senador. Um dos marechais do PSDB, feito presidente do partido [por unanimidade]. Quando explodiu o escândalo do projeto Sergio Motta (muito mais tarde chamado mensalão), o PSDB tratou de afastá-lo da presidência, mas “jurando que era inocente”. Então por que o afastamento?”. Adiante assinalou: “Falta alguém em Nuremberg [cidade onde os nazistas foram condenados à morte], é o próprio FHC [Fernando Henrique], reeleito com o mensalão (que era pago à vista) do amigo Sérgio Motta [já falecido]”. A compra de voto pela reeleição foi analisada, em artigo à Folha (25/11), por Carlos Heitor Cony: “Durante os oito anos de reinado tucano, o que houve de corrupção não foi mole, sobretudo no caso da emenda constitucional que possibilitou a reeleição do grande soba partidário. (…) O esquema da corrupção usado para a campanha do ex-governador Azeredo e de seu vice, o ex-ministro Mares Guia, foi o mesmo que ajudou substancialmente a reeleição de um tucano [FHC] para a Presidência da República”.

A denúncia coincidiu com o Congresso Nacional do PSDB. Com o escândalo, o discurso do PSDB mudou, como constatou Eliane Cantanhêde: “O próprio encontro tucano de ontem [22/11] deixou claro que o DISCURSO ÉTICO (destaque meu) está fora de moda, na base do “vamos deixar isso pra lá”. Dez entre dez discursos ficaram na ameaça golpista, real ou não, de terceiro mandato para Lula”. Manchete da Folha:”Denúncia contra Azeredo constrange e divide PSDB – Enquanto FHC pede punição, outros líderes da sigla defendem honestidade de senador”. A posição de Fernando Henrique Cardoso pode ser explicada por essa revelação do jornal: “Reservadamente, parte da cúpula do partido avaliava rifar Azeredo temendo que as denúncias respingassem em Aécio. O freio só ocorreu quando o senador tucano afirmou, em entrevista à Folha, que FHC também fora beneficiado dos recursos do “valerioduto” na campanha presidencial de 1998. A afirmação foi interpretada como um aviso de que o senador [Azeredo] estava acuado e reagiria se fosse descartado. Desde então, a cúpula tucana não sabe como agir”. Azeredo não compareceu ao Congresso tucano, aconselhado por Aécio. A situação do governador mineiro não é boa, como se pode constatar dessa manchete do Estadão: “Secretário de Aécio será investigado no caso do mensalão tucano em MG – Danilo de Castro, titular de Governo, foi um dos avalistas de empréstimo de R$ 711 mil levantado pela SMPB [firma de Marcos Valério]”. O outro avalista foi o deputado estadual Mauri Torres (PSDB). Um fato me chamou a atenção. A VEJA, que deu enorme cobertura do mensalão petista, dedicando-lhe inclusive a capa, com o mensalão tucano noticiou com uma pequena nota interna: “Mensalão: A queda do ministro Mares Guia”. Na capa consta: Radiografia dos Militares. Outro destaque: “Troca de Comando: Os tucanos tentam reagir”. Quanto ao escândalo tucano, só aquela notinha! Dois pesos e duas medidas.O mensalão tucano, embora arranhando o PSDB, beneficiou, indiretamente, Serra, candidato em 2010. Outro candidato, Aécio Neves, provável adversário do governador paulista, foi diretamente atingido. Como esses acontecimentos vão influenciar as eleições daquele ano? A conferir!


JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Postado por Redação Portal Mogi Guaçu

junho 6, 2007

Imprensa esconde filho de Fernando Henrique

Filed under: filho de FHC, mídia, Renan Calheiros — Humberto @ 9:52 pm
Jasson de Oliveira Andrade
Antes de abordar o assunto deste artigo, vamos nos reportar ao “caso” Renan. O jornalista Leandro Fortes, na reportagem para a CartaCapital, sob o título “Picadeiro das ilusões – O caso Calheiros é mais um em que a imprensa opta pelo espetáculo”, comenta: “A rumorosa pulada de cerca do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ainda carente de provas sobre atos de corrupçăo, serviu para colocar em plano secundário as notícias sobre a Operaçăo Navalha da Polícia Federal”. Năo apenas ela. A oposiçăo conseguiu duas CPIs do Apagăo Aéreo, uma na Câmara Federal e outra no Senado. Agora ambas também estăo em plano secundário!
Segundo Leandro Fortes, “o mundo ideal de Renan Calheiros” começou a se complicar depois que ele conheceu e se encantou pela jornalista Mônica Veloso, apresentadora do DF TV, jornal da TV Globo no Distrito Federal (Brasília). O jornalista revela: “[Mônica] Năo marcou época na televisăo, mas virou xodó de políticos poderosos. O primeiro deles, também casado, foi Luís Eduardo Magalhăes [filho de ACM], ex-presidente da Câmara, falecido em 1998”. A Folha noticiou que ela ainda recebe pensăo alimentícia do ex-marido, com quem teve filho. Portanto, uma vida movimentada e que teve cobertura da imprensa. O mesmo năo aconteceu com o filho de Fernando Henrique Cardoso. Ele manteve uma relaçăo com Miriam Dutra, nascendo Tomás, em 1991. Essa rumorosa pulada de FHC, diferentemente desta de Renan, năo mereceu divulgaçăo na mídia. Silêncio comprometedor, como veremos.A primeira vez que li sobre o assunto foi no livro “A História Real –Trama de uma sucessăo”, de Gilberto Dimenstein e Josias de Souza, publicado em 1994. Os autores revelaram que Quércia, “tendo sua honra como alvo de ataques”, decidiu municiar-se de informaçơes sobre os adversários, entre eles FHC. “Estou cansado de apanhar calado”, justificou. Na página 152, temos essa revelaçăo: “Quércia, de fato, dispunha de informaçơes sobre o caso Miriam Dutra, cuja paternidade do filho, Tomás, atribuía-se a Fernando Henrique. A própria Miriam havia confidenciado o segredo de polichinelo às amigas de Brasília. Fernando Henrique negava. E Miriam, discreta, năo repetia publicamente o que dissera na intimidade. O alto comando da campanha tucana temia pelo efeito da informaçăo. Năo apenas sobre a opiniăo pública, mas sobre a vida do casal Cardoso. (…) Ruth [Cardoso] ficou deprimida ao saber sobre Miriam Dutra. (,,,) Numa conversa definitiva com Ruth, Fernando Henrique reconheceu que tivera o relacionamento com a jornalista. Mas negou a existência de um filho. Afirmou que, quando a criança nasceu, já estavam separados”. Um parênteses. Renan teve a hombridade de reconhecer a filha! Depois dessa revelaçăo em livro, a mídia, estranhamente, nada noticiou. A năo ser a revista Caros Amigos, em abril de 2000, que fez uma ampla reportagem com o título: “POR QUE A IMPRENSA ESCONDE O FILHO DE FHC COM A JORNALISTA DA GLOBO?” Sebastiăo Nery, no artigo “O filho de dois tracinhos”, publicado no Diário Popular – hoje Diário de S. Paulo – de 16/4/2000, comenta a repercussăo dessa reportagem: “Năo há gabinete de Brasília, no Congresso, Judiciário e Executivo [na época FHC era presidente] que năo tenha a revista. Seis densas páginas, ótimo texto e a história integralmente contada, inclusive com declaraçơes de Myriam. E o documento devastador: o registro só com o nome da măe. No lugar do nome do pai, dois tracinhos.”
Em Mogi Guaçu, o jornalista André Luís Paes Leme, no artigo “O desafio de ser um país incorruptível” (31/5/2007) também estranhou o silêncio da imprensa sobre essa “rumorosa pulada de cerca” de FHC. No tópico OPERAÇĂO ABAFA, o jornalista observa: “Outro caso famoso envolvendo um político famoso e jornalista igualmente famosa foi o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e de Miriam Dutra Schimidt. Em 26 de novembro de 1991, o entăo senador FHC foi pai de um menino chamado Tomás Dutra Schimidt, fruto de um relacionamento com Miriam, jornalista da poderosa Rede Globo. Estranhamente, a jornalista sumiu de Brasília com o filho. Hoje, pelo que consta, mora em Barcelona (Espanha), em um dos mais caros e sofisticados condomínios da Europa. Porém, ninguém se deu ao trabalho de investigar quem paga a pensăo alimentícia de Tomás ou as mordomias de Miriam. (…) Também é estranho o silêncio da imprensa em relaçăo a isso. Será que foi por causa do Proer das Comunicaçơes de 2000 ou da isençăo do CPMF aos meios de comunicaçăo em 1994? Seja como for, Lula, Collor, Quércia e Renan tiveram seus relacionamentos pessoais escancarados, mas FHC năo”. Dois pesos e duas medidas!
A imprensa está certa em noticiar, com destaque, a “rumorosa pulada de cerca” do senador Renan Calheiros. Entretanto, é condenável o silêncio sobre a “rumorosa pulada de cerca” de Fernando Henrique. Os motivos desse estranho silêncio seriam mesmo as medidas de FHC favoráveis aos meios de comunicaçơes, conforme relatou Paes Leme?
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Junho de 2007
Postado por Redaçăo Portal Mogi Guaçu

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