ENCALHE

maio 8, 2009

A Índia já era: minhas idéias para novelas da Globo ( 2 )

Filed under: dramaturgia, ficção, novelas da Globo — Humberto @ 3:58 am
Para você entender do que se trata, comece ( será preciso ) pelo seguinte post: A Índia já era: minhas idéias para novelas da Globo ( 1 ) . Depois de terminada a leitura, retorne e prossiga naturalmente ( será que eu tenho que explicar tudo!??? ). Se, ao terminar de ler, ficar com alguma dúvida, lembre-se: ainda não passam de esboços, e tudo pode mudar.
EUA/LAPA ( RJ )
Empresário norte -americano, James Dylan ( Guilherme Fontes ) ganha milhões de dólares numa pirâmide que ele inventou, se torna procurado pelo FBI mas, graças a amizade de seu pai Charles ( Tarcísio Meira ) com a família do ex-vice-presidente Ronald ( Ricardo Montalbán, fazendo uma pontinha rápida, para dar sentido a este post, já que não consigo imaginar ninguém para este importante cargo), Costello – agora lobbista da indústria das armas e, nas horas vagas, também batalhando em nome das companhias de petróleo – consegue fugir para o Brasil. Aqui, digo, no Rio, ele conhece Rosa ( Dira Paes, mmmm… ), uma trocadora de coletivo da linha Lapa-Niterói, e passa a rever seu comportamento um tanto corrupto. Assim, se torna patrono de uma escola de samba e de um time de futebol.
Rosa, no entanto, alimenta uma paixão pelo ricaço Galino ( Antonio Fagundes ) que é casado com a hipócrita e nojenta Débora ( Cristiane Torloni ), por sua vez, amiga de outra hipócrita, nojenta e histérica, a empresária Cristiane ( Regina Duarte ), moradora da Barra. Na falta do que fazer, elas criam uma espécie de “clube”, cuja finalidade é denunciar a corrupção que campeia no país. A elas unem-se a empresária do ramo de cirurgias plásticas Regina ( Ana Maria Braga ), uma apresentadora de programas de TV Ana Maria ( Ivete Sangalo ), 0 almofadinha cheio de bons modos Luciano ( João Dória Jr. ) e a bisavó de um político teoricamente corrupto, sra. Ivete ( Hebe Camargo, que foi despedida do SBT ), entre outros bacanas que pretendem falar em nome da população de um país inteiro.
A campanha que fazem cresce a cada dia, mas as contradições e ambições fazem com que o movimento comece a fazer água. Alguns vêem o papel de otários que fazerm, e outros percebem o nítido caráter político-partidário da coisa.
Entrementes, João ( Lázaro Ramos ), o motorista que trabalha com Rose acaba conhecendo Cindy ( Fernanda Vasconcelos ), irmã de James ( o cara da pirâmide, lembram? ), que veio ao Brasil como bolsista de uma Fundação norte-americana, para fazer um estudo ( ou coisa que o valha ) sobre o “Padrões e caráter da atávica hipocrisia das classes-médias de países subdesenvolvidos, especialmente na cidade brasileira conhecida como São Paulo”, e está de passagem pelo Rio.
Cindy acaba retornando a seu país e lá vai atrás dela o motorista João, para a terra do Tio Sam, em busca do amor verdadeiro. Mas nem tudo são flores em seu caminho. Lá, ele se depara com a ultrajante e hedionda irmandade racista da Ku-Klux-Klan que, em reação à eleição de um presidente americano afro-descendente, luta para voltar a ostentar a exuberância de outros tempos, quando influenciava a vida da nação no Norte.
Outros personagens da novela:
- Delécia ( Suzana Vieira ), a diretora de escola que aguarda ansiosamente que seus netos gêmeos completem 18 anos para finalmente ensina-los coisas importantes sobre a vida;
- Simão Graúna ( Mussunzinho ) será o meio-irmão de João, e tentará uma vaga no Flamengo;
- Dudu ( Paulinho Vilhena ) será um surfista playboy de vida mansa que descobre, nas horas que passa na Internet, diversas ( e estranhas ) irmandades e agremiações de supremacia branca norte-americana, e passa a alimentar a esperança de criar associações semelhantes, tendo a Barra como QG e ele, Dudu, como o Führer. Para concretizar o sonho de sua vida, passa a divulgar suas idéias via rede de computadores, chamando a atenção de um bando de playboys, lutadores de jiu-jitsu, frequentadores de shoppings, patricinhas, e desocupados que se divertem jogando ovos nos transeuntes do alto de prédios. Ia me esquecendo: Dudu é filho de Débora, e deve a ela bastante de seu caráter. A primeira vítima da gangue será Simão Graúna, que se salva graças a Zé Veloz ( Chico Diaz, sempre bem ), ex-ponteiro do Vasco que estava passando por ali, junto com a turma da Baixada. Dudu se machuca bastante e, na hora de contar à mãe o que houve, é óbvio que o lazarento mente adoidado ( bom, como se isso fosse fazer alguma diferença ). Débora e suas confrades dispõem de boas relações e contatos na mídia e fazem o maior escarcéu, denunciando a “criminalidade”, a “bandidagem” e o diabo a quatro, tudo na maior cara de pau, já que seu marido é o maior sonegador que já pisou nessa terra.
Como o papel das novelas é criar uma demanda por roupas, cortes de cabelos e tatuagens, essa novela introduzirá no cotidiano dos brasileiros a moda dos capuzes à Ku-Klux-Klan, que terão adaptação à nossa realidade, assumindo cores e formas diferentes das que os gringos usam. Também fará sucesso junto ao público feminino a volta do penteado “bolo de noiva”, que aparecerá na história, cada vez que o protagonista James lembrar de sua falecida mãe, Judy ( Betty Faria, que só aparecerá em flashbacks em preto-e-branco, ambientados nos anos 60 ), que usava tal penteado.

A Índia já era: minhas idéias para novelas da Globo ( 2 )

Filed under: dramaturgia, ficção, novelas da Globo — Humberto @ 3:58 am
Para você entender do que se trata, comece ( será preciso ) pelo seguinte post: A Índia já era: minhas idéias para novelas da Globo ( 1 ) . Depois de terminada a leitura, retorne e prossiga naturalmente ( será que eu tenho que explicar tudo!??? ). Se, ao terminar de ler, ficar com alguma dúvida, lembre-se: ainda não passam de esboços, e tudo pode mudar.
EUA/LAPA ( RJ )
Empresário norte -americano, James Dylan ( Guilherme Fontes ) ganha milhões de dólares numa pirâmide que ele inventou, se torna procurado pelo FBI mas, graças a amizade de seu pai Charles ( Tarcísio Meira ) com a família do ex-vice-presidente Ronald ( Ricardo Montalbán, fazendo uma pontinha rápida, para dar sentido a este post, já que não consigo imaginar ninguém para este importante cargo), Costello – agora lobbista da indústria das armas e, nas horas vagas, também batalhando em nome das companhias de petróleo – consegue fugir para o Brasil. Aqui, digo, no Rio, ele conhece Rosa ( Dira Paes, mmmm… ), uma trocadora de coletivo da linha Lapa-Niterói, e passa a rever seu comportamento um tanto corrupto. Assim, se torna patrono de uma escola de samba e de um time de futebol.
Rosa, no entanto, alimenta uma paixão pelo ricaço Galino ( Antonio Fagundes ) que é casado com a hipócrita e nojenta Débora ( Cristiane Torloni ), por sua vez, amiga de outra hipócrita, nojenta e histérica, a empresária Cristiane ( Regina Duarte ), moradora da Barra. Na falta do que fazer, elas criam uma espécie de “clube”, cuja finalidade é denunciar a corrupção que campeia no país. A elas unem-se a empresária do ramo de cirurgias plásticas Regina ( Ana Maria Braga ), uma apresentadora de programas de TV Ana Maria ( Ivete Sangalo ), 0 almofadinha cheio de bons modos Luciano ( João Dória Jr. ) e a bisavó de um político teoricamente corrupto, sra. Ivete ( Hebe Camargo, que foi despedida do SBT ), entre outros bacanas que pretendem falar em nome da população de um país inteiro.
A campanha que fazem cresce a cada dia, mas as contradições e ambições fazem com que o movimento comece a fazer água. Alguns vêem o papel de otários que fazerm, e outros percebem o nítido caráter político-partidário da coisa.
Entrementes, João ( Lázaro Ramos ), o motorista que trabalha com Rose acaba conhecendo Cindy ( Fernanda Vasconcelos ), irmã de James ( o cara da pirâmide, lembram? ), que veio ao Brasil como bolsista de uma Fundação norte-americana, para fazer um estudo ( ou coisa que o valha ) sobre o “Padrões e caráter da atávica hipocrisia das classes-médias de países subdesenvolvidos, especialmente na cidade brasileira conhecida como São Paulo”, e está de passagem pelo Rio.
Cindy acaba retornando a seu país e lá vai atrás dela o motorista João, para a terra do Tio Sam, em busca do amor verdadeiro. Mas nem tudo são flores em seu caminho. Lá, ele se depara com a ultrajante e hedionda irmandade racista da Ku-Klux-Klan que, em reação à eleição de um presidente americano afro-descendente, luta para voltar a ostentar a exuberância de outros tempos, quando influenciava a vida da nação no Norte.
Outros personagens da novela:
- Delécia ( Suzana Vieira ), a diretora de escola que aguarda ansiosamente que seus netos gêmeos completem 18 anos para finalmente ensina-los coisas importantes sobre a vida;
- Simão Graúna ( Mussunzinho ) será o meio-irmão de João, e tentará uma vaga no Flamengo;
- Dudu ( Paulinho Vilhena ) será um surfista playboy de vida mansa que descobre, nas horas que passa na Internet, diversas ( e estranhas ) irmandades e agremiações de supremacia branca norte-americana, e passa a alimentar a esperança de criar associações semelhantes, tendo a Barra como QG e ele, Dudu, como o Führer. Para concretizar o sonho de sua vida, passa a divulgar suas idéias via rede de computadores, chamando a atenção de um bando de playboys, lutadores de jiu-jitsu, frequentadores de shoppings, patricinhas, e desocupados que se divertem jogando ovos nos transeuntes do alto de prédios. Ia me esquecendo: Dudu é filho de Débora, e deve a ela bastante de seu caráter. A primeira vítima da gangue será Simão Graúna, que se salva graças a Zé Veloz ( Chico Diaz, sempre bem ), ex-ponteiro do Vasco que estava passando por ali, junto com a turma da Baixada. Dudu se machuca bastante e, na hora de contar à mãe o que houve, é óbvio que o lazarento mente adoidado ( bom, como se isso fosse fazer alguma diferença ). Débora e suas confrades dispõem de boas relações e contatos na mídia e fazem o maior escarcéu, denunciando a “criminalidade”, a “bandidagem” e o diabo a quatro, tudo na maior cara de pau, já que seu marido é o maior sonegador que já pisou nessa terra.
Como o papel das novelas é criar uma demanda por roupas, cortes de cabelos e tatuagens, essa novela introduzirá no cotidiano dos brasileiros a moda dos capuzes à Ku-Klux-Klan, que terão adaptação à nossa realidade, assumindo cores e formas diferentes das que os gringos usam. Também fará sucesso junto ao público feminino a volta do penteado “bolo de noiva”, que aparecerá na história, cada vez que o protagonista James lembrar de sua falecida mãe, Judy ( Betty Faria, que só aparecerá em flashbacks em preto-e-branco, ambientados nos anos 60 ), que usava tal penteado.

maio 5, 2009

A Índia já era: minhas idéias para novelas da Globo ( 1 )

Filed under: dramaturgia, ficção, novelas da Globo — Humberto @ 2:15 am

A idéia primordial é, desde sempre, vender badulaques, inventar mercadorias e impor cortes de cabelos às mulheres.
Eu não assisto novelas, óbvio. A última acho que foi “Tieta” ( ahahahaha ). Mas acho que, pelas capas de revistas de fofocas e cadernos de TV, dá prá gente ter uma idéia dos temas e do que rola em torno.
Geograficamente, às vezes os cenários escolhidos são favelas ou bairros suburbanos do Rio ( principalmente ), ou locais interioranos , onde existem os “coronés” e capatazes, o padre, o prefeito e a assombração misteriosa. Ou cidades interioranas “nordestinas”. Ou localidades litorâneas, que podem ser nordestinas ou “cariocaisssh”.
As tramas, geralmente, envolvem traições, romances, crimes, lutas pelo poder. Bom, acho até que a vida é assim mesmo. Dá-se um desconto.
Também podemos, voltando à Geografia, encontrar cenários estrangeiros: as Arábias, a Rússia, a Ìndia.
Não se deve exigir de uma novela, que se torne um documentário. Fidelidade, nem pensar.
Se a Globo não consegue fazer isso no departamento jornalístico, que dirá na dramaturgia.
Voltando: às vezes, os cenários envolvem favelas cariocas e localidades estrangeiras, na mesma história.
Ponto de partida: encontro improvável entre duas pessoas de culturas, sociedades e geografias diferentes dá início a um romance que deverá, para concretizar-se, superar diversos obstáculos, “preconceitos”, diferenças diversas, oposições familiares, sociais. No final, o amor vence tudo, é claro.
Por exemplo:
“Batista, um bem-sucedido empresário carioca se apaixona, durante viagem de negócios, por Yoná, uma virginal doméstica, residente na comunidade de Paraisópolis, na capital paulista, dando início a uma série de idas-e-vindas. Juntos, deverão enfrentar o sistema ( e vencê-lo )”.
Que tal? Ah, vai ( desapontamento )…Foi só um exemplo, caramba!
Atualmente, pelo que se vê nas ruas e pelo que as mulheres descerebradas andam usando, a bola da vez é a Índia. Devido a ( suponho ) uma novela global.
Deveria ser bom, não? Uma chance para a plebe descobrir a História de outro ( antiquíssimo )país e aprender alguma coisa. Saber o porquê da família indiana preferir filhos homens, ou sobre o papel da colonização inglesa em sua História. O sistema de castas, a divinização da vaca.
Claro que isso não vai ocorrer. Tenho um colega tatuador que disse que as pessoas ( sou obrigado a repetir: mulheres, na maioria ) estão, agora, atrás de desenhos e motivos “indianos”. Que bosta. No final, é só roupa, corte de cabelo e tatuagem.
Esqueci que novela não tem a finalidade de educar ou instruir. Se nem as escolas paulistas, que sofrem sob o tacão do governo tucano, têm mais essa finalidade, já que não lhes é permitido, não seriam as novelas globais a cuidar disso.
Ainda que as peças de roupas que os indianos talvez usem pudessem nos contar algo, os autores das novelas não procuram isso. A audiência tem que assistir e torcer para que o herói e a heroína vençam os “preconceitos” contra os quais lutarão e consumem o romance.
( IN ) VEROSSIMILHANÇA
Ocorre que ( estaria eu sendo preconceituosos ao fazer tal afirmação? ) os autores apenas se servirão ( e servirão-nos ) de estereótipos, lugares-comuns e – OLHA AÍ! – preconceitos na criação da estória, no desenvolvimento do universo que será mostrado na novela.
Em resumo: os personagens superarão o “preconceito” alheio, presente na ficção, mas a história fictícia/ novela será, por si só, uma ficção ( e um veículo ) recheada de preconceitos e estereótipos que serão absorvidos pelos espectadores, já que ninguém quer chegar em casa, ligar a TV e assistir a um documentário. Claro que há uma cumplicidade autor/telespectador.
Como estou, devido a marolinha horrorosa que destruiu o Brasil, precisando de grana, abro mão momentaneamente de minha dignidade e integridade, e me pus a fezer uns esboços de roteiros novelísticos que pretendo – com sucesso, espero – vender à Globo. Antes disso, vou “vazar” para a Internet, tentar criar um marketing viral, essas coisas.
OS ESBOÇOS:
AFEGANISTÃO
Empresário afegão Abgan ( Antonio Fagundes, muito bem no papel ), em visita a cliente carioca, conhece a empregada doméstica Giselaine ( interpretada por Helena Ranaldi ), enquanto aguarda seu avião para retornar a Cabul. Paixão imediata, só que Abgan tem que voltar ao país. Passado um tempo, Abgan se torna o maior cultivador mundial de papoula e esquece, por ora, de Giselaine, seu amor brasileiro. Giselaine recebe um valor de sua patroa, Wilma ( a sempre ótima Eva Tudor ), que fica tocada pelo amor que a doméstica alimenta por seu príncipe afegão. Sem se preocupar com as diferenças culturais, geográficas, idiomáticas, religiosas e, principalmente, com o tratamento que o Taliban dispensa às mulheres afegãs ( e, por extensão, a todas as mulheres do mundo ), Giselaine vai procurar Abgan e o encontra, enquanto este fecha um negócio com Omar, perigosíssimo comerciante de ópio. Como o amor é cego, Giselaine perdoa ( que audácia: uma reles mulher, em pleno território afegão, se dando o direito de perdoar ou não, um homem ) Abgar, torna-se dependente de opiáceos, e fica para sempre no país. Destaque para Lima Duarte, no papel de chefe de tribo familiar afegã, e de Evandro Mesquita, como um ex-soldado soviético, que combateu no Afeganistão na década de 80.
Os momentos cômicos da novela ficarão a cargo do elenco de Malhação, interpretando o elenco de Malhação.
A novela será responsável pela popularização, entre nossas mulheres, do uso da burka no Brasil ( Copacabana lançará a moda, e a Oscar Freire ditará a tendência ), e pelo surgimento da “Marcha da Heroína”. Com participação especial de Paulinho Vilhena, como Caco, um surfista e playboy da Barra. Direção de Arnaldo Jabor, que convidará José Serra para uma ponta marcante, no papel do diretor de escola às voltas com a greve de seus professores, que só fazem reclamar. Regina Duarte será Quitéria, uma histérica e hipócrita líder de associação de bairro, empenhada em conseguir que o governo carioca coloque um muro em volta DOS BAIRROS RICOS, para protegê-los, e não mais gastar dinheiro com muros para favelados picharem.
MÉXICO/ EUA:
Maria ( deliciosamente interpretada pela belíssima Gisele Ithié, OBA! ), uma cantora mexicana sonha com o estrelato e com o Grammy de música latina. Mas precisa trabalhar como funcionária de uma fábrica “maquiladora”, afim de juntar dinheiro para permitir ao irmão Pancho ( Márcio Garcia ) que, com a ajuda de “coyotes” ( cujo líder, Garcia, será vivido por Eri Johnson ), tentará penetrar no território americano clandestinamente ( e sabe-se-lá porque, já que os EUA faliram; Ah, já sei: é para chegar ao verdadeiro destino, o Canadá ).
Antonio Fagundes interpretará o bem-intencionado e “liberal” ( pró-Democratas ) xerife texano Willies Carter, moralmente assediado por sua esposa Florence Carter ( Regina Duarte ). Florence exige de seu marido que este feche os olhos para as práticas homicidas de Dave ( Miguel Fallabella ), o lider dos vigilantes de fronteira que tentam evitar a entrada dos “illegals” mexicanos. Dave adora estuprar mexicanos e praticar tiro ao alvo com estes “penetras”. Florence detesta mexicanos e vê com bons olhos a “justiça cristã e WASP” promovida por Dave, que também é um grão-alguma coisa da Ku Klux Klan e das Aryan Nations.
Haverá também locações em São Francisco ( onde encontra-se um grupo de hippies, interpretado pelo elenco de Malhação ), Los Angeles, Flórida ( a comunidade cubano-americana será responsável pelos momentos de tensão na trama ). No lado mexicano, os cenários de ruínas aztecas darão o tom histórico-cultural-pitoresco. Eri Johnson fará o papel de Montezuma. Fábio Assunção será Dom Diego, filho do fazendeiro, Vega ( Lima Duarte ).
Paulinho Vilhena será Paulão, um playboy surfista que chegará à Califórnia, viver a vida sobre as ondas. De volta ao Rio, apaixona-se por Rosa ( Luana Piovani ), uma estudante universitária e destacada militante política. Ao conviver com Rosa, Paulão começa a se interessar pelo ativismo político, abandona a casa dos pais, indo morar num squat ( cujas paredes estarão decoradas com posteres de Che Guevara, Fidel Castro, Hugo Chávez e Marx ) e depois liderando uma revolução armada no país. Grande Paulão. Morrerá nos braços de sua mãe, a fútil dondoca Hebe, ( interpretada por Helena Ranaldi ) durante invasão a fazenda do banqueiro-bandido Daniel Madofe ( vivido pelo Daniel Dantas, ator ).
Señor Montalbán ( Ney Latorraca ) será o chefão do Cartel de Taco.
Se esforçando para dar atualidade à trama, os roteiristas prevêm a morte de metade do elenco devido à gripe suína, outros tantos pela guerra do tráfico em território mexicano, e vários morrerão ao tentar ultrapassar a fronteira com o Texas.
Direção de Arnaldo Jabor, que convidará José Serra para interpretar o papel de czar antidrogas americano que pretende conquistar a indicação Republicana e, assim, disputar a eleição presidencial contra o Democrata Stewart Lowe ( Edson Celulari ), governador de Ohio.
Participação especial de Ana Maria Braga, no papel de Claire, belicista cabeça do grupo “Washington Wives” e esposa do reverendo Griffith ( Francisco Cuoco ), pacato e honesto líder religioso da Congregação Batista de Washington. Jesus Sangalo viverá o americano Bill, um radialista político de extrema-direita, membro da Associação do Rifle e da Moral Majority, irmão de um lobbysta da indústria do petróleo ( “Garth” / Caio Blat ) e filho de Paul Davis ( Tarcísio Meira ) presidente de uma empresa da indústria armamentista, amigo do general McDouglas ( Mauro Mendonça, excelente como sempre ).
Esta novela ajudará a tornar o sombrero uma peça indispensável no guarda-roupa dos brasileiros, durante uns 4 meses. A anunciante majoritária do programa, Brahma, lançará a “Brahma Tequila”, que se tornará um sucesso de vendas. A cerveja Sol também anunciará e cairá na boca do povo o grito “ARRRRRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIBA!”, utilizado na campanha desta cerveja. Se tornará toque de celular e sampleado para figurar na base de um funk carioca: “Minha mãe é santa, sua filha de 5 anos é gostosa”.

A Índia já era: minhas idéias para novelas da Globo ( 1 )

Filed under: dramaturgia, ficção, novelas da Globo — Humberto @ 2:15 am

A idéia primordial é, desde sempre, vender badulaques, inventar mercadorias e impor cortes de cabelos às mulheres.
Eu não assisto novelas, óbvio. A última acho que foi “Tieta” ( ahahahaha ). Mas acho que, pelas capas de revistas de fofocas e cadernos de TV, dá prá gente ter uma idéia dos temas e do que rola em torno.
Geograficamente, às vezes os cenários escolhidos são favelas ou bairros suburbanos do Rio ( principalmente ), ou locais interioranos , onde existem os “coronés” e capatazes, o padre, o prefeito e a assombração misteriosa. Ou cidades interioranas “nordestinas”. Ou localidades litorâneas, que podem ser nordestinas ou “cariocaisssh”.
As tramas, geralmente, envolvem traições, romances, crimes, lutas pelo poder. Bom, acho até que a vida é assim mesmo. Dá-se um desconto.
Também podemos, voltando à Geografia, encontrar cenários estrangeiros: as Arábias, a Rússia, a Ìndia.
Não se deve exigir de uma novela, que se torne um documentário. Fidelidade, nem pensar.
Se a Globo não consegue fazer isso no departamento jornalístico, que dirá na dramaturgia.
Voltando: às vezes, os cenários envolvem favelas cariocas e localidades estrangeiras, na mesma história.
Ponto de partida: encontro improvável entre duas pessoas de culturas, sociedades e geografias diferentes dá início a um romance que deverá, para concretizar-se, superar diversos obstáculos, “preconceitos”, diferenças diversas, oposições familiares, sociais. No final, o amor vence tudo, é claro.
Por exemplo:
“Batista, um bem-sucedido empresário carioca se apaixona, durante viagem de negócios, por Yoná, uma virginal doméstica, residente na comunidade de Paraisópolis, na capital paulista, dando início a uma série de idas-e-vindas. Juntos, deverão enfrentar o sistema ( e vencê-lo )”.
Que tal? Ah, vai ( desapontamento )…Foi só um exemplo, caramba!
Atualmente, pelo que se vê nas ruas e pelo que as mulheres descerebradas andam usando, a bola da vez é a Índia. Devido a ( suponho ) uma novela global.
Deveria ser bom, não? Uma chance para a plebe descobrir a História de outro ( antiquíssimo )país e aprender alguma coisa. Saber o porquê da família indiana preferir filhos homens, ou sobre o papel da colonização inglesa em sua História. O sistema de castas, a divinização da vaca.
Claro que isso não vai ocorrer. Tenho um colega tatuador que disse que as pessoas ( sou obrigado a repetir: mulheres, na maioria ) estão, agora, atrás de desenhos e motivos “indianos”. Que bosta. No final, é só roupa, corte de cabelo e tatuagem.
Esqueci que novela não tem a finalidade de educar ou instruir. Se nem as escolas paulistas, que sofrem sob o tacão do governo tucano, têm mais essa finalidade, já que não lhes é permitido, não seriam as novelas globais a cuidar disso.
Ainda que as peças de roupas que os indianos talvez usem pudessem nos contar algo, os autores das novelas não procuram isso. A audiência tem que assistir e torcer para que o herói e a heroína vençam os “preconceitos” contra os quais lutarão e consumem o romance.
( IN ) VEROSSIMILHANÇA
Ocorre que ( estaria eu sendo preconceituosos ao fazer tal afirmação? ) os autores apenas se servirão ( e servirão-nos ) de estereótipos, lugares-comuns e – OLHA AÍ! – preconceitos na criação da estória, no desenvolvimento do universo que será mostrado na novela.
Em resumo: os personagens superarão o “preconceito” alheio, presente na ficção, mas a história fictícia/ novela será, por si só, uma ficção ( e um veículo ) recheada de preconceitos e estereótipos que serão absorvidos pelos espectadores, já que ninguém quer chegar em casa, ligar a TV e assistir a um documentário. Claro que há uma cumplicidade autor/telespectador.
Como estou, devido a marolinha horrorosa que destruiu o Brasil, precisando de grana, abro mão momentaneamente de minha dignidade e integridade, e me pus a fezer uns esboços de roteiros novelísticos que pretendo – com sucesso, espero – vender à Globo. Antes disso, vou “vazar” para a Internet, tentar criar um marketing viral, essas coisas.
OS ESBOÇOS:
AFEGANISTÃO
Empresário afegão Abgan ( Antonio Fagundes, muito bem no papel ), em visita a cliente carioca, conhece a empregada doméstica Giselaine ( interpretada por Helena Ranaldi ), enquanto aguarda seu avião para retornar a Cabul. Paixão imediata, só que Abgan tem que voltar ao país. Passado um tempo, Abgan se torna o maior cultivador mundial de papoula e esquece, por ora, de Giselaine, seu amor brasileiro. Giselaine recebe um valor de sua patroa, Wilma ( a sempre ótima Eva Tudor ), que fica tocada pelo amor que a doméstica alimenta por seu príncipe afegão. Sem se preocupar com as diferenças culturais, geográficas, idiomáticas, religiosas e, principalmente, com o tratamento que o Taliban dispensa às mulheres afegãs ( e, por extensão, a todas as mulheres do mundo ), Giselaine vai procurar Abgan e o encontra, enquanto este fecha um negócio com Omar, perigosíssimo comerciante de ópio. Como o amor é cego, Giselaine perdoa ( que audácia: uma reles mulher, em pleno território afegão, se dando o direito de perdoar ou não, um homem ) Abgar, torna-se dependente de opiáceos, e fica para sempre no país. Destaque para Lima Duarte, no papel de chefe de tribo familiar afegã, e de Evandro Mesquita, como um ex-soldado soviético, que combateu no Afeganistão na década de 80.
Os momentos cômicos da novela ficarão a cargo do elenco de Malhação, interpretando o elenco de Malhação.
A novela será responsável pela popularização, entre nossas mulheres, do uso da burka no Brasil ( Copacabana lançará a moda, e a Oscar Freire ditará a tendência ), e pelo surgimento da “Marcha da Heroína”. Com participação especial de Paulinho Vilhena, como Caco, um surfista e playboy da Barra. Direção de Arnaldo Jabor, que convidará José Serra para uma ponta marcante, no papel do diretor de escola às voltas com a greve de seus professores, que só fazem reclamar. Regina Duarte será Quitéria, uma histérica e hipócrita líder de associação de bairro, empenhada em conseguir que o governo carioca coloque um muro em volta DOS BAIRROS RICOS, para protegê-los, e não mais gastar dinheiro com muros para favelados picharem.
MÉXICO/ EUA:
Maria ( deliciosamente interpretada pela belíssima Gisele Ithié, OBA! ), uma cantora mexicana sonha com o estrelato e com o Grammy de música latina. Mas precisa trabalhar como funcionária de uma fábrica “maquiladora”, afim de juntar dinheiro para permitir ao irmão Pancho ( Márcio Garcia ) que, com a ajuda de “coyotes” ( cujo líder, Garcia, será vivido por Eri Johnson ), tentará penetrar no território americano clandestinamente ( e sabe-se-lá porque, já que os EUA faliram; Ah, já sei: é para chegar ao verdadeiro destino, o Canadá ).
Antonio Fagundes interpretará o bem-intencionado e “liberal” ( pró-Democratas ) xerife texano Willies Carter, moralmente assediado por sua esposa Florence Carter ( Regina Duarte ). Florence exige de seu marido que este feche os olhos para as práticas homicidas de Dave ( Miguel Fallabella ), o lider dos vigilantes de fronteira que tentam evitar a entrada dos “illegals” mexicanos. Dave adora estuprar mexicanos e praticar tiro ao alvo com estes “penetras”. Florence detesta mexicanos e vê com bons olhos a “justiça cristã e WASP” promovida por Dave, que também é um grão-alguma coisa da Ku Klux Klan e das Aryan Nations.
Haverá também locações em São Francisco ( onde encontra-se um grupo de hippies, interpretado pelo elenco de Malhação ), Los Angeles, Flórida ( a comunidade cubano-americana será responsável pelos momentos de tensão na trama ). No lado mexicano, os cenários de ruínas aztecas darão o tom histórico-cultural-pitoresco. Eri Johnson fará o papel de Montezuma. Fábio Assunção será Dom Diego, filho do fazendeiro, Vega ( Lima Duarte ).
Paulinho Vilhena será Paulão, um playboy surfista que chegará à Califórnia, viver a vida sobre as ondas. De volta ao Rio, apaixona-se por Rosa ( Luana Piovani ), uma estudante universitária e destacada militante política. Ao conviver com Rosa, Paulão começa a se interessar pelo ativismo político, abandona a casa dos pais, indo morar num squat ( cujas paredes estarão decoradas com posteres de Che Guevara, Fidel Castro, Hugo Chávez e Marx ) e depois liderando uma revolução armada no país. Grande Paulão. Morrerá nos braços de sua mãe, a fútil dondoca Hebe, ( interpretada por Helena Ranaldi ) durante invasão a fazenda do banqueiro-bandido Daniel Madofe ( vivido pelo Daniel Dantas, ator ).
Señor Montalbán ( Ney Latorraca ) será o chefão do Cartel de Taco.
Se esforçando para dar atualidade à trama, os roteiristas prevêm a morte de metade do elenco devido à gripe suína, outros tantos pela guerra do tráfico em território mexicano, e vários morrerão ao tentar ultrapassar a fronteira com o Texas.
Direção de Arnaldo Jabor, que convidará José Serra para interpretar o papel de czar antidrogas americano que pretende conquistar a indicação Republicana e, assim, disputar a eleição presidencial contra o Democrata Stewart Lowe ( Edson Celulari ), governador de Ohio.
Participação especial de Ana Maria Braga, no papel de Claire, belicista cabeça do grupo “Washington Wives” e esposa do reverendo Griffith ( Francisco Cuoco ), pacato e honesto líder religioso da Congregação Batista de Washington. Jesus Sangalo viverá o americano Bill, um radialista político de extrema-direita, membro da Associação do Rifle e da Moral Majority, irmão de um lobbysta da indústria do petróleo ( “Garth” / Caio Blat ) e filho de Paul Davis ( Tarcísio Meira ) presidente de uma empresa da indústria armamentista, amigo do general McDouglas ( Mauro Mendonça, excelente como sempre ).
Esta novela ajudará a tornar o sombrero uma peça indispensável no guarda-roupa dos brasileiros, durante uns 4 meses. A anunciante majoritária do programa, Brahma, lançará a “Brahma Tequila”, que se tornará um sucesso de vendas. A cerveja Sol também anunciará e cairá na boca do povo o grito “ARRRRRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIBA!”, utilizado na campanha desta cerveja. Se tornará toque de celular e sampleado para figurar na base de um funk carioca: “Minha mãe é santa, sua filha de 5 anos é gostosa”.

A Índia já era: minhas idéias para novelas da Globo ( 1 )

Filed under: dramaturgia, ficção, novelas da Globo — Humberto @ 2:15 am

A idéia primordial é, desde sempre, vender badulaques, inventar mercadorias e impor cortes de cabelos às mulheres.
Eu não assisto novelas, óbvio. A última acho que foi “Tieta” ( ahahahaha ). Mas acho que, pelas capas de revistas de fofocas e cadernos de TV, dá prá gente ter uma idéia dos temas e do que rola em torno.
Geograficamente, às vezes os cenários escolhidos são favelas ou bairros suburbanos do Rio ( principalmente ), ou locais interioranos , onde existem os “coronés” e capatazes, o padre, o prefeito e a assombração misteriosa. Ou cidades interioranas “nordestinas”. Ou localidades litorâneas, que podem ser nordestinas ou “cariocaisssh”.
As tramas, geralmente, envolvem traições, romances, crimes, lutas pelo poder. Bom, acho até que a vida é assim mesmo. Dá-se um desconto.
Também podemos, voltando à Geografia, encontrar cenários estrangeiros: as Arábias, a Rússia, a Ìndia.
Não se deve exigir de uma novela, que se torne um documentário. Fidelidade, nem pensar.
Se a Globo não consegue fazer isso no departamento jornalístico, que dirá na dramaturgia.
Voltando: às vezes, os cenários envolvem favelas cariocas e localidades estrangeiras, na mesma história.
Ponto de partida: encontro improvável entre duas pessoas de culturas, sociedades e geografias diferentes dá início a um romance que deverá, para concretizar-se, superar diversos obstáculos, “preconceitos”, diferenças diversas, oposições familiares, sociais. No final, o amor vence tudo, é claro.
Por exemplo:
“Batista, um bem-sucedido empresário carioca se apaixona, durante viagem de negócios, por Yoná, uma virginal doméstica, residente na comunidade de Paraisópolis, na capital paulista, dando início a uma série de idas-e-vindas. Juntos, deverão enfrentar o sistema ( e vencê-lo )”.
Que tal? Ah, vai ( desapontamento )…Foi só um exemplo, caramba!
Atualmente, pelo que se vê nas ruas e pelo que as mulheres descerebradas andam usando, a bola da vez é a Índia. Devido a ( suponho ) uma novela global.
Deveria ser bom, não? Uma chance para a plebe descobrir a História de outro ( antiquíssimo )país e aprender alguma coisa. Saber o porquê da família indiana preferir filhos homens, ou sobre o papel da colonização inglesa em sua História. O sistema de castas, a divinização da vaca.
Claro que isso não vai ocorrer. Tenho um colega tatuador que disse que as pessoas ( sou obrigado a repetir: mulheres, na maioria ) estão, agora, atrás de desenhos e motivos “indianos”. Que bosta. No final, é só roupa, corte de cabelo e tatuagem.
Esqueci que novela não tem a finalidade de educar ou instruir. Se nem as escolas paulistas, que sofrem sob o tacão do governo tucano, têm mais essa finalidade, já que não lhes é permitido, não seriam as novelas globais a cuidar disso.
Ainda que as peças de roupas que os indianos talvez usem pudessem nos contar algo, os autores das novelas não procuram isso. A audiência tem que assistir e torcer para que o herói e a heroína vençam os “preconceitos” contra os quais lutarão e consumem o romance.
( IN ) VEROSSIMILHANÇA
Ocorre que ( estaria eu sendo preconceituosos ao fazer tal afirmação? ) os autores apenas se servirão ( e servirão-nos ) de estereótipos, lugares-comuns e – OLHA AÍ! – preconceitos na criação da estória, no desenvolvimento do universo que será mostrado na novela.
Em resumo: os personagens superarão o “preconceito” alheio, presente na ficção, mas a história fictícia/ novela será, por si só, uma ficção ( e um veículo ) recheada de preconceitos e estereótipos que serão absorvidos pelos espectadores, já que ninguém quer chegar em casa, ligar a TV e assistir a um documentário. Claro que há uma cumplicidade autor/telespectador.
Como estou, devido a marolinha horrorosa que destruiu o Brasil, precisando de grana, abro mão momentaneamente de minha dignidade e integridade, e me pus a fezer uns esboços de roteiros novelísticos que pretendo – com sucesso, espero – vender à Globo. Antes disso, vou “vazar” para a Internet, tentar criar um marketing viral, essas coisas.
OS ESBOÇOS:
AFEGANISTÃO
Empresário afegão Abgan ( Antonio Fagundes, muito bem no papel ), em visita a cliente carioca, conhece a empregada doméstica Giselaine ( interpretada por Helena Ranaldi ), enquanto aguarda seu avião para retornar a Cabul. Paixão imediata, só que Abgan tem que voltar ao país. Passado um tempo, Abgan se torna o maior cultivador mundial de papoula e esquece, por ora, de Giselaine, seu amor brasileiro. Giselaine recebe um valor de sua patroa, Wilma ( a sempre ótima Eva Tudor ), que fica tocada pelo amor que a doméstica alimenta por seu príncipe afegão. Sem se preocupar com as diferenças culturais, geográficas, idiomáticas, religiosas e, principalmente, com o tratamento que o Taliban dispensa às mulheres afegãs ( e, por extensão, a todas as mulheres do mundo ), Giselaine vai procurar Abgan e o encontra, enquanto este fecha um negócio com Omar, perigosíssimo comerciante de ópio. Como o amor é cego, Giselaine perdoa ( que audácia: uma reles mulher, em pleno território afegão, se dando o direito de perdoar ou não, um homem ) Abgar, torna-se dependente de opiáceos, e fica para sempre no país. Destaque para Lima Duarte, no papel de chefe de tribo familiar afegã, e de Evandro Mesquita, como um ex-soldado soviético, que combateu no Afeganistão na década de 80.
Os momentos cômicos da novela ficarão a cargo do elenco de Malhação, interpretando o elenco de Malhação.
A novela será responsável pela popularização, entre nossas mulheres, do uso da burka no Brasil ( Copacabana lançará a moda, e a Oscar Freire ditará a tendência ), e pelo surgimento da “Marcha da Heroína”. Com participação especial de Paulinho Vilhena, como Caco, um surfista e playboy da Barra. Direção de Arnaldo Jabor, que convidará José Serra para uma ponta marcante, no papel do diretor de escola às voltas com a greve de seus professores, que só fazem reclamar. Regina Duarte será Quitéria, uma histérica e hipócrita líder de associação de bairro, empenhada em conseguir que o governo carioca coloque um muro em volta DOS BAIRROS RICOS, para protegê-los, e não mais gastar dinheiro com muros para favelados picharem.
MÉXICO/ EUA:
Maria ( deliciosamente interpretada pela belíssima Gisele Ithié, OBA! ), uma cantora mexicana sonha com o estrelato e com o Grammy de música latina. Mas precisa trabalhar como funcionária de uma fábrica “maquiladora”, afim de juntar dinheiro para permitir ao irmão Pancho ( Márcio Garcia ) que, com a ajuda de “coyotes” ( cujo líder, Garcia, será vivido por Eri Johnson ), tentará penetrar no território americano clandestinamente ( e sabe-se-lá porque, já que os EUA faliram; Ah, já sei: é para chegar ao verdadeiro destino, o Canadá ).
Antonio Fagundes interpretará o bem-intencionado e “liberal” ( pró-Democratas ) xerife texano Willies Carter, moralmente assediado por sua esposa Florence Carter ( Regina Duarte ). Florence exige de seu marido que este feche os olhos para as práticas homicidas de Dave ( Miguel Fallabella ), o lider dos vigilantes de fronteira que tentam evitar a entrada dos “illegals” mexicanos. Dave adora estuprar mexicanos e praticar tiro ao alvo com estes “penetras”. Florence detesta mexicanos e vê com bons olhos a “justiça cristã e WASP” promovida por Dave, que também é um grão-alguma coisa da Ku Klux Klan e das Aryan Nations.
Haverá também locações em São Francisco ( onde encontra-se um grupo de hippies, interpretado pelo elenco de Malhação ), Los Angeles, Flórida ( a comunidade cubano-americana será responsável pelos momentos de tensão na trama ). No lado mexicano, os cenários de ruínas aztecas darão o tom histórico-cultural-pitoresco. Eri Johnson fará o papel de Montezuma. Fábio Assunção será Dom Diego, filho do fazendeiro, Vega ( Lima Duarte ).
Paulinho Vilhena será Paulão, um playboy surfista que chegará à Califórnia, viver a vida sobre as ondas. De volta ao Rio, apaixona-se por Rosa ( Luana Piovani ), uma estudante universitária e destacada militante política. Ao conviver com Rosa, Paulão começa a se interessar pelo ativismo político, abandona a casa dos pais, indo morar num squat ( cujas paredes estarão decoradas com posteres de Che Guevara, Fidel Castro, Hugo Chávez e Marx ) e depois liderando uma revolução armada no país. Grande Paulão. Morrerá nos braços de sua mãe, a fútil dondoca Hebe, ( interpretada por Helena Ranaldi ) durante invasão a fazenda do banqueiro-bandido Daniel Madofe ( vivido pelo Daniel Dantas, ator ).
Señor Montalbán ( Ney Latorraca ) será o chefão do Cartel de Taco.
Se esforçando para dar atualidade à trama, os roteiristas prevêm a morte de metade do elenco devido à gripe suína, outros tantos pela guerra do tráfico em território mexicano, e vários morrerão ao tentar ultrapassar a fronteira com o Texas.
Direção de Arnaldo Jabor, que convidará José Serra para interpretar o papel de czar antidrogas americano que pretende conquistar a indicação Republicana e, assim, disputar a eleição presidencial contra o Democrata Stewart Lowe ( Edson Celulari ), governador de Ohio.
Participação especial de Ana Maria Braga, no papel de Claire, belicista cabeça do grupo “Washington Wives” e esposa do reverendo Griffith ( Francisco Cuoco ), pacato e honesto líder religioso da Congregação Batista de Washington. Jesus Sangalo viverá o americano Bill, um radialista político de extrema-direita, membro da Associação do Rifle e da Moral Majority, irmão de um lobbysta da indústria do petróleo ( “Garth” / Caio Blat ) e filho de Paul Davis ( Tarcísio Meira ) presidente de uma empresa da indústria armamentista, amigo do general McDouglas ( Mauro Mendonça, excelente como sempre ).
Esta novela ajudará a tornar o sombrero uma peça indispensável no guarda-roupa dos brasileiros, durante uns 4 meses. A anunciante majoritária do programa, Brahma, lançará a “Brahma Tequila”, que se tornará um sucesso de vendas. A cerveja Sol também anunciará e cairá na boca do povo o grito “ARRRRRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIBA!”, utilizado na campanha desta cerveja. Se tornará toque de celular e sampleado para figurar na base de um funk carioca: “Minha mãe é santa, sua filha de 5 anos é gostosa”.

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