ENCALHE

outubro 7, 2008

Sarah Palin, truta de Kissinger ( amigo do peito de Pinochet e FHC ) não gosta de terroristas!!!

“Yeh, Sarah, meu bom amigo FHC me deu uma medalha…”
OS PIORES PESADELOS
McCain promete ser o sonho mau do Hamas e de Cuba. Por que não faria a insensatez de atacar o Irã?
Sérgio Augusto
31.05.08
Amanhã os americanos festejam o Memorial Day. Instituído há 140 anos, em honra aos soldados mortos na Guerra Civil (1861-1865), acabou virando uma solenidade patrioteira a serviço de todas as guerras em que os EUA se meteram nas últimas 11 décadas. Seguindo a tradição, o presidente Bush irá ao cemitério nacional de Arlington depositar flores no túmulo do Soldado Desconhecido e louvar “os homens que deram suas vidas pelo país e pela democracia”. Respeitando o momento, ninguém ousará perguntar quantas daquelas vidas foram realmente dadas ou compulsoriamente sacrificadas, de maneira estúpida e descuidada, na guerra do Iraque.
O Memorial Day já se chamou Decoration Day. Pelo andar dos tanques, ainda será rebatizado de Depression Day. Em cinco anos, uma invasão arquitetada a partir de uma mentira e com duração prevista de algumas semanas já causou a morte de milhares de soldados americanos, ferimentos em outros 30 mil combatentes, e uma média de 65 óbitos diários entre os civis iraquianos. Sem fim à vista, conseguiu transformar Bagdá num inferno pior que o mantido a ferro e fogo pelo finado Saddam Hussein.
Nenhum dos três postulantes à sucessão de Bush sabe exatamente quando e como sair de lá. Só porque já visitou o Iraque oito vezes, John McCain pensa que sabe. Por ele, as tropas americanas se retiram do Iraque em 2013. Detalhe: vitoriosas. Seus assessores ainda não divulgaram se o veterano da guerra do Vietnã pretende comemorar o triunfo no Iraque caminhando sobre as águas do Tigre ou do Eufrates ou se deixará para fazê-lo no Golfo Pérsico, depois de arrancar Osama bin Laden pela barba de uma caverna afegã.
A guerra sempre foi e continua sendo um malogro de proporções épicas. Com brutais repercussões na terra de quem a provocou. Ou melhor, provocou-as; porque, na realidade, são duas guerras: a do Iraque e a do Afeganistão. Juntas, já produziram 655 mil mortos e feridos; mais 620 mil com problemas psicológicos e sérias avarias no cérebro. Os dados são de um estudo de 500 páginas, divulgado em abril pela (no caso, insuspeita) Rand Corporation. Segundo a pesquisa, 18,5% dos que estiveram nos dois conflitos, como soldados ou intendentes, sofrem de depressão e stress pós-traumático, e 19% padecem de algum tipo de lesão cerebral. Levam uma vida desgraçada e sem perspectiva, atormentados por dores físicas e mazelas psicológicas, insônias, pesadelos, surtos de apatia, irritação e fúria. Efeito colateral: cerca de mil tentativas de suicídio por mês.
Terapia infalível não há. Na revista The New Yorker desta semana, Sue Halpern dá detalhes de uma opção psicoterápica, aparentemente promissora, que atualiza as experiências cognitivo-behavioristas de Pavlov com os avanços da simulação computadorizada (leia-se realidade virtual). Imerso numa versão modificada do videogame Full Spectrum Warrior, que simula a guerra no Iraque, o paciente trabalha aos poucos os traumas que os combates reais lhe deixaram.
E ainda pensam numa guerra contra o Irã. Tamanha insensatez não passa pelas cabeças de Barack Obama e Billary (perdão, Hillary) Clinton, mas pela de Bush III (ou melhor, John McCain), passa. Como também faz parte dos devaneios das corporações (Blackwater, Halliburton, etc.) que grandes bocas arrumaram graças às duas guerras, impondo um rombo de bilhões de dólares aos contribuintes americanos, conforme apurou uma auditoria do Pentágono nas despesas do Exército americano, divulgada na quinta-feira. Isso só fará aumentar o interesse em torno do filme de John Cusack War, Inc., que no dia seguinte estreou em Nova York e Los Angeles.
Cusack, obsessivo monitor da dominação corporativa da máquina de guerra americana, retrata a loucura da invasão do Iraque por meio da ação das 630 empresas que faturam 40% dos mais de US$ 2 bilhões que Washington gasta por semana com a ocupação. Se for, como dizem, uma mistura de Dr. Fantástico com Laranja Mecânica e O Mágico de Oz, para alguma boa causa, além de acelerar o desprestígio de Bush, a guerra terá servido.
Incorrigível, Bush passou três dias no Oriente Médio, na semana passada, tentando remediar às pressas os erros que cometeu ao longo de sete anos, quando só teve olhos para os monarcas da Arábia Saudita, aos quais voltou a pedir que aumentassem a produção de petróleo. Um editorial do New York Times qualificou a viagem de inútil. Totalmente inútil, não foi. Ao repelir, mais uma vez, qualquer diálogo com os países que apóiam os militantes do Hamas e o Hezbollah, Bush desqualificou aqueles que propõem uma conversa com o Irã e a Síria, velada pichação em Obama, supostamente útil à campanha de McCain, que aproveita qualquer circunstância e qualquer microfone para caracterizar Obama como um político não só inexperiente em política externa como ingênuo no trato com países indignos da confiança dos americanos.
Nessas horas, a palavra-chave é appeasement, que significa conciliação, apaziguamento. Se proposta por um democrata, é sinal de fraqueza diante do inimigo; se proposta por um republicano, é um ato de coragem, um gesto de estadista. Na falta de melhor picuinha, McCain e os que o apóiam encanaram na predisposição de Obama de procurar alguma forma de entendimento com Irã, Síria, Coréia do Norte e Cuba. No dia 9, McCain voltou a afirmar que seu presuntivo adversário democrata era o candidato favorito dos palestinos do Hamas. Ora, entre Obama e um esquentado veterano de guerra que já ameaçou expulsar a Rússia do Grupo dos Oito e prometeu ser “o pior pesadelo” do Hamas, o conselheiro político da organização, Ahmed Yousef, tinha mais era que torcer pelo democrata.
Implícita na aleivosia de McCain a suposição de que o senador por Illinois, se eleito presidente, trataria o Irã com chá e simpatia. Inúmeras vezes Obama reconheceu o Hamas como uma organização terrorista, e nunca defendeu negociações imediatas, diretas e incondicionais com Mahmud Ahmadinejad, o balandrão presidente iraniano – até porque sabe, ao contrário de McCain e alguns analistas conservadores, que quem discute assuntos militares, diplomáticos e nucleares no Irã é o aiatolá Ali Khamenei.
E se fosse Ahmadinejad, qual o problema? Quantos países estrangeiros ele já bombardeou e quantos civis matou? Se minimamente coerente, McCain nem sequer cumprimentaria Bush, nem pediria conselhos a Henry Kissinger, notório criminoso de guerra, como fez em dezembro de 2007.
Esquecido de que na campanha de 2000 defendera a suspensão do embargo a Cuba, mesmo com Fidel no poder, McCain aproveitou os festejos da independência cubana, terça-feira passada, para se retratar. Agora que as coisas parecem estar mudando em Cuba, a tal ponto que o próprio Bush prometeu liberar o envio de celulares americanos para Havana, McCain mudou de posição. É contra qualquer appeasement com Raúl Castro. Também quer ser o pior pesadelo de Cuba. Só para se distinguir ainda mais de Obama. Como se isso fosse necessário.

Sarah Palin, truta de Kissinger ( amigo do peito de Pinochet e FHC ) não gosta de terroristas!!!

“Yeh, Sarah, meu bom amigo FHC me deu uma medalha…”
OS PIORES PESADELOS
McCain promete ser o sonho mau do Hamas e de Cuba. Por que não faria a insensatez de atacar o Irã?
Sérgio Augusto
31.05.08
Amanhã os americanos festejam o Memorial Day. Instituído há 140 anos, em honra aos soldados mortos na Guerra Civil (1861-1865), acabou virando uma solenidade patrioteira a serviço de todas as guerras em que os EUA se meteram nas últimas 11 décadas. Seguindo a tradição, o presidente Bush irá ao cemitério nacional de Arlington depositar flores no túmulo do Soldado Desconhecido e louvar “os homens que deram suas vidas pelo país e pela democracia”. Respeitando o momento, ninguém ousará perguntar quantas daquelas vidas foram realmente dadas ou compulsoriamente sacrificadas, de maneira estúpida e descuidada, na guerra do Iraque.
O Memorial Day já se chamou Decoration Day. Pelo andar dos tanques, ainda será rebatizado de Depression Day. Em cinco anos, uma invasão arquitetada a partir de uma mentira e com duração prevista de algumas semanas já causou a morte de milhares de soldados americanos, ferimentos em outros 30 mil combatentes, e uma média de 65 óbitos diários entre os civis iraquianos. Sem fim à vista, conseguiu transformar Bagdá num inferno pior que o mantido a ferro e fogo pelo finado Saddam Hussein.
Nenhum dos três postulantes à sucessão de Bush sabe exatamente quando e como sair de lá. Só porque já visitou o Iraque oito vezes, John McCain pensa que sabe. Por ele, as tropas americanas se retiram do Iraque em 2013. Detalhe: vitoriosas. Seus assessores ainda não divulgaram se o veterano da guerra do Vietnã pretende comemorar o triunfo no Iraque caminhando sobre as águas do Tigre ou do Eufrates ou se deixará para fazê-lo no Golfo Pérsico, depois de arrancar Osama bin Laden pela barba de uma caverna afegã.
A guerra sempre foi e continua sendo um malogro de proporções épicas. Com brutais repercussões na terra de quem a provocou. Ou melhor, provocou-as; porque, na realidade, são duas guerras: a do Iraque e a do Afeganistão. Juntas, já produziram 655 mil mortos e feridos; mais 620 mil com problemas psicológicos e sérias avarias no cérebro. Os dados são de um estudo de 500 páginas, divulgado em abril pela (no caso, insuspeita) Rand Corporation. Segundo a pesquisa, 18,5% dos que estiveram nos dois conflitos, como soldados ou intendentes, sofrem de depressão e stress pós-traumático, e 19% padecem de algum tipo de lesão cerebral. Levam uma vida desgraçada e sem perspectiva, atormentados por dores físicas e mazelas psicológicas, insônias, pesadelos, surtos de apatia, irritação e fúria. Efeito colateral: cerca de mil tentativas de suicídio por mês.
Terapia infalível não há. Na revista The New Yorker desta semana, Sue Halpern dá detalhes de uma opção psicoterápica, aparentemente promissora, que atualiza as experiências cognitivo-behavioristas de Pavlov com os avanços da simulação computadorizada (leia-se realidade virtual). Imerso numa versão modificada do videogame Full Spectrum Warrior, que simula a guerra no Iraque, o paciente trabalha aos poucos os traumas que os combates reais lhe deixaram.
E ainda pensam numa guerra contra o Irã. Tamanha insensatez não passa pelas cabeças de Barack Obama e Billary (perdão, Hillary) Clinton, mas pela de Bush III (ou melhor, John McCain), passa. Como também faz parte dos devaneios das corporações (Blackwater, Halliburton, etc.) que grandes bocas arrumaram graças às duas guerras, impondo um rombo de bilhões de dólares aos contribuintes americanos, conforme apurou uma auditoria do Pentágono nas despesas do Exército americano, divulgada na quinta-feira. Isso só fará aumentar o interesse em torno do filme de John Cusack War, Inc., que no dia seguinte estreou em Nova York e Los Angeles.
Cusack, obsessivo monitor da dominação corporativa da máquina de guerra americana, retrata a loucura da invasão do Iraque por meio da ação das 630 empresas que faturam 40% dos mais de US$ 2 bilhões que Washington gasta por semana com a ocupação. Se for, como dizem, uma mistura de Dr. Fantástico com Laranja Mecânica e O Mágico de Oz, para alguma boa causa, além de acelerar o desprestígio de Bush, a guerra terá servido.
Incorrigível, Bush passou três dias no Oriente Médio, na semana passada, tentando remediar às pressas os erros que cometeu ao longo de sete anos, quando só teve olhos para os monarcas da Arábia Saudita, aos quais voltou a pedir que aumentassem a produção de petróleo. Um editorial do New York Times qualificou a viagem de inútil. Totalmente inútil, não foi. Ao repelir, mais uma vez, qualquer diálogo com os países que apóiam os militantes do Hamas e o Hezbollah, Bush desqualificou aqueles que propõem uma conversa com o Irã e a Síria, velada pichação em Obama, supostamente útil à campanha de McCain, que aproveita qualquer circunstância e qualquer microfone para caracterizar Obama como um político não só inexperiente em política externa como ingênuo no trato com países indignos da confiança dos americanos.
Nessas horas, a palavra-chave é appeasement, que significa conciliação, apaziguamento. Se proposta por um democrata, é sinal de fraqueza diante do inimigo; se proposta por um republicano, é um ato de coragem, um gesto de estadista. Na falta de melhor picuinha, McCain e os que o apóiam encanaram na predisposição de Obama de procurar alguma forma de entendimento com Irã, Síria, Coréia do Norte e Cuba. No dia 9, McCain voltou a afirmar que seu presuntivo adversário democrata era o candidato favorito dos palestinos do Hamas. Ora, entre Obama e um esquentado veterano de guerra que já ameaçou expulsar a Rússia do Grupo dos Oito e prometeu ser “o pior pesadelo” do Hamas, o conselheiro político da organização, Ahmed Yousef, tinha mais era que torcer pelo democrata.
Implícita na aleivosia de McCain a suposição de que o senador por Illinois, se eleito presidente, trataria o Irã com chá e simpatia. Inúmeras vezes Obama reconheceu o Hamas como uma organização terrorista, e nunca defendeu negociações imediatas, diretas e incondicionais com Mahmud Ahmadinejad, o balandrão presidente iraniano – até porque sabe, ao contrário de McCain e alguns analistas conservadores, que quem discute assuntos militares, diplomáticos e nucleares no Irã é o aiatolá Ali Khamenei.
E se fosse Ahmadinejad, qual o problema? Quantos países estrangeiros ele já bombardeou e quantos civis matou? Se minimamente coerente, McCain nem sequer cumprimentaria Bush, nem pediria conselhos a Henry Kissinger, notório criminoso de guerra, como fez em dezembro de 2007.
Esquecido de que na campanha de 2000 defendera a suspensão do embargo a Cuba, mesmo com Fidel no poder, McCain aproveitou os festejos da independência cubana, terça-feira passada, para se retratar. Agora que as coisas parecem estar mudando em Cuba, a tal ponto que o próprio Bush prometeu liberar o envio de celulares americanos para Havana, McCain mudou de posição. É contra qualquer appeasement com Raúl Castro. Também quer ser o pior pesadelo de Cuba. Só para se distinguir ainda mais de Obama. Como se isso fosse necessário.

agosto 21, 2008

"Ibope: A surpresa Marta" , por Jasson de Oliveira Andrade

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADEA manchete de primeira página do Estado de 16 de agosto revela a surpresa das eleições de 2008 até agora: “Marta abre 15 pontos de vantagem”. Informa ainda o jornal: “Em um mês, a petista cresceu 7 pontos e chegou a 41% das intenções de voto. No mesmo período, Geraldo Alckmin (PSDB) caiu de 31% para 26%”. Kassab também caiu: ele tinha 10% em julho e agora foi para 8%, tendo sido ultrapassado por Maluf, com 9%. Outra surpresa foi noticiada pelo jornal: “A ascensão de Marta Suplicy na pesquisa Ibope contratada pelo Estado e pela TV Globo permitiu que ela virasse, até mesmo, nas simulações do segundo turno. (…) A nova pesquisa indica que, no enfrentamento direto contra Alckmin, a petista teria 47% contra 43%, virando pelo avesso o resultado da pesquisa de julho, quando perdia a disputa direta por 47% a 42%. A diferença, que era de 5 pontos porcentuais a favor de Alckmin, agora é de 4 pontos, a favor de Marta”. Acrescenta o Estadão: “O crescimento de Marta deve estimular especulações sobre uma eventual vitória em primeiro turno”. Muito difícil, mas não impossível. Entretanto, os adversários, Alckmin e Kassab, tentarão reagir através do programa gratuito no rádio e na televisão. É o que veremos a seguir.
Como já aconteceu em outras eleições, a esperança é o programa gratuito no rádio e na televisão, que começou no dia 19 de agosto e termina em 2 de outubro. Não só dos adversários, mas também da mídia, na maioria contrária ao PT. O jornal O Estado de São Paulo é um deles. Em Editorial, sob o título “O peso do horário eleitoral”, diz: “Ele influi PODEROSAMENTE ( destaque meu ) na definição do voto popular”. O marqueteiro Chico Santa Rita, em artigo na Folha, também acredita que “o horário eleitoral faz a diferença”. Por esse motivo, Alckmin foi atrás do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. FHC fará gravações pedindo voto para o tucano. O jornalista Carlos Brickmann comenta: “Lembra das eleições presidenciais, quando Geraldo Alckmin só faltou fingir que nunca tinha ouvido falar de Fernando Henrique? Naquela ocasião, provavelmente baseado em pesquisas, Alckmin procurou manter a máxima distância possível do principal líder de seu partido. Agora as coisas mudaram: pressionado pela petista Marta, à sua frente, e por um prefeito Kassab que tende a crescer com a TV, Alckmin convidou Fernando Henrique para aparecer ao seu lado. Até tomaram café juntos num bar – experiência que ambos devem ter detestado”. Outro que o Geraldo correu atrás: governador José Serra, que, como todo mundo sabe, apóia Kassab. Agora os jornais anunciam: “Na TV, Marta terá Lula e Alckmin exibe Serra”. O presidente fará pronunciamentos espontâneos. Enquanto o governador o fará constrangido. Aliás, ele aparecerá, pelo menos em imagens, no programa do Kassab, ou seja, ele estará com os pés nas duas canoas!
Assisti ao primeiro programa eleitoral em São Paulo. O DEM está pegando pesado no PT. Em minha opinião, tal estratégia poderá beneficiar mais Alckmin do que Kassab. O prefeito poderá subir, principalmente porque desfruta de maior tempo no rádio e na televisão. No entanto, a tendência é beneficiar o tucano.
É difícil prever quem será o maior beneficiado com o programa eleitoral. Na campanha para a Presidência, a televisão favoreceu Lula e não Alckmin, como o tucano esperava. E nesta, quem será o maior beneficiado: Marta ou Geraldo? A conferir.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Agosto de 2008
Publicado em Portal Mogi Guaçu
20.08.08

agosto 10, 2008

Osesp menos elegante, inteligente, sensacional, pedra 90: FHC renuncia a presidência de Conselho de Administração da Fundação!!

Filed under: FHC, Fundação Osesp, OSESP, Professor Ludovico ( HQ ) — Humberto @ 4:08 am

Eu li isso hoje, nalgum lugar que não lembro!! Ele teria renunciado e seria substituído pelo Moreiira Salles, ou um desses caras vinculados ao Itaú. Acho que é o atual vice-presidente ( vejam o escrete ) da Fundação. Pior que fiz uma busca na Web e não achei nada a respeito. Eu juro que não bebi nada!! Eu li sim.

Por quê estou falando disso aqui? Nem sei. Acho que me chamou a atenção o fato de eu não conseguir imaginar se o FHC sabe destinguir um arpégio duma bigorna, quanto mais presidir o Conselho de Administração duma orquestra.
Ele, o Farol, me faz lembrar aquele personagem da Disney, o Professor Ludovico Von Pato, que se dizia – e sem modéstia alguma – especialista em tudo. Parece que, entre os inumeráveis talentos de FHC, está o de profundo conhecedor da música. Um amante das artes.

“Quando crescer, usarei minha grande e estonteante cultura, sabedoria e humildade para destruir o Brasil. Juro por Deus! Ops! Deus?”

Osesp menos elegante, inteligente, sensacional, pedra 90: FHC renuncia a presidência de Conselho de Administração da Fundação!!

Filed under: FHC, Fundação Osesp, OSESP, Professor Ludovico ( HQ ) — Humberto @ 4:08 am

Eu li isso hoje, nalgum lugar que não lembro!! Ele teria renunciado e seria substituído pelo Moreiira Salles, ou um desses caras vinculados ao Itaú. Acho que é o atual vice-presidente ( vejam o escrete ) da Fundação. Pior que fiz uma busca na Web e não achei nada a respeito. Eu juro que não bebi nada!! Eu li sim.

Por quê estou falando disso aqui? Nem sei. Acho que me chamou a atenção o fato de eu não conseguir imaginar se o FHC sabe destinguir um arpégio duma bigorna, quanto mais presidir o Conselho de Administração duma orquestra.
Ele, o Farol, me faz lembrar aquele personagem da Disney, o Professor Ludovico Von Pato, que se dizia – e sem modéstia alguma – especialista em tudo. Parece que, entre os inumeráveis talentos de FHC, está o de profundo conhecedor da música. Um amante das artes.

“Quando crescer, usarei minha grande e estonteante cultura, sabedoria e humildade para destruir o Brasil. Juro por Deus! Ops! Deus?”

maio 20, 2008

Paulo Henrique Amorim vai à guerra contra o PiG e fala o óbvio: "Serra e FHC são dois farsantes".

Paulo Henrique Amorim vai à guerra contra o PiG
Vermelho
Em 2005, ele lançou um livro-reportagem com disparos em direção à Rede Globo. Foi o contundente Plim-Plim — A Peleja de Brizola contra a Fraude Eleitoral (Conrad Editora). Agora, o jornalista Paulo Henrique Amorim prepara outra bomba — o “livro sobre o PiG” (Partido da Imprensa Golpista). Além de Globo, sobrarão projéteis contra mais veículos da grande mídia, como Veja, IstoÉ, Folha e O Estado de S.Paulo.
Na primeira parte de sua entrevista ao Vermelho, concedida em abril, na sede da TV Record, em São Paulo (SP), PHA comentou diversos episódios que, certamente, estarão em seu próximo livro. Caso do rompimento de contrato imposto a ele pelo iG em março passado. A rescisão — ou “limpeza ideológica, como Amorim prefere enunciar — subtraiu-lhe a visibilidade, a estrutura e o salário propiciados por um grande portal.
Mas PHA não se intimidou. Além de o Conversa Afiada ter voltado ao ar em menos de nove horas, o jornalista recuperou — através de um mandado de segurança — o conteúdo apagado pelo iG e até elevou o tom das denúncias. Convém aguardar o “livro do PiG”, cujo lançamento está previsto para este ano. A entrevista a seguir, para todos os efeitos, é um aperitivo do que vem por aí.
Você disse à Revista Fórum que soube de sua demissão enquanto participava de uma gravação na Record. Como foi que tudo ocorreu?
Eu estava gravando um programa de três blocos chamado Entrevista Record, da Record News. No intervalo do segundo para o terceiro bloco — como trocava de entrevistado e eu tinha um pouco mais de tempo —, liguei para o meu editor lá no iG, o Givanildo Menezes, e disse: “O quê que há de novo aí?”. Então ele falou: “Tenho uma má notícia para te dar: nós saímos do ar”. E eu: “Como assim?”. “Não só saímos do ar como fomos expulsos do iG.” Então eu disse: “Segura aí que, quando acabar o programa, vou ver o que aconteceu”.
Procurei me informar e rapidamente se configurou o quadro de que não só a minha equipe que trabalhava lá tinha sido ejetada do prédio do iG. Também houve um fenômeno muito interessante, que eu apelidei de “limpeza ideológica” — por oposição ou por analogia à chamada “limpeza étnica” que se produziu nos escombros da Iugoslávia. É o fato de você apagar a minha existência do ar. Eu não conseguiria — ninguém conseguiria! — acessar o meu trabalho profissional e intelectual no iG nos últimos dois anos.
Isso foi à noite, no fim da tarde — gravo aqui na Record mais ou menos a esta hora, 16h30, 17 horas. Vim para a redação do Domingo Espetacular, que é minha base de operações, e soube que o iG tinha tentado entregar a carta de demissão, a notificação do rompimento do meu contrato, e utilizou até a xerox da Record — o que configura, na minha opinião, uma tentativa de me incompatibilizar com o patrão, que é a Record e que não tem nada a ver com essa história. Eu faço questão de distinguir claramente: o trabalho no meu site pessoal é uma coisa inteiramente privativa, que não se confunde com meu trabalho na televisão.
Como o site voltou ao ar?
Saí daqui depois de cumprir as minhas tarefas. Conversei com alguns amigos e imediatamente recebi a proteção de dois deles. Fui para o escritório de um deles, o (jornalista) Rubens Glasberg, que disse: “Vem para cá, que nós vamos botar você no ar logo”. O Glasberg já tinha mobilizado um outro amigo nosso, o (empresário) Luiz Roberto Demarco, que luta há muitos anos contra o (banqueiro) Daniel Dantas, assim como o Glasberg, que é vitima de inúmeros processos do Dantas contra ele, na tentativa de calá-lo.
O Glasberg e mais a equipe do Demarco trabalharam durante 8 horas e 58 minutos. No final, meu site estava no ar — é este que está no ar hoje. Que é uma forma, digamos, precária, provisória, porque ele tem mecanismos de atualização rudimentares, enquanto a gente processa uma reforma de tal maneira que eu possa vir a ter um site bastante competitivo e moderno.
No começo, você chegou a especular que foi o (governador de São Paulo, José) Serra quem o demitiu…
Não é querer ser megalomaníaco, mas o José Serra, por exemplo, ligou para o presidente da Record duas vezes e pediu a minha cabeça. [ destaque do blog ]
Em que época?
Isso foi quando eu fazia o programa Tudo a Ver. Eu tinha um quadro chamado “Assim não Dá”, com o meu querido amigo Luciano Faccioli. Era um programa de denúncia de mazelas municipais — a bica d’água, a falta de vacina —, que tem em qualquer programa do mundo inteiro, não é? E o Serra pediu a minha cabeça para o Alexandre Raposo (presidente da Record), que achou que não valeria a pena me dispensar. Eu agradeço e fico muito feliz (risos). A Record acabou de renovar meu contrato, me concedeu um aumento — então eu estou muito feliz aqui, me sinto muito prestigiado, estou muito bem, obrigado (risos).
O Serra é um suspeito. Ele tem uma relação visceral, consangüínea, com o Caio Túlio Costa (presidente do iG), que eu passei a chamar de Caio T. (“T” de Tartufo) Costa. O Mino (Carta) e eu instituímos o grande troféu do Tartufo Nativo, mas encerramos a votação, e ele não venceu. Mas eu consultei o Mino ontem, e nós já o nomeamos “observador da ética” na apuração dos votos do Tartufo. Ele é um especialista em ética no jornalismo (risos).
E o Serra é muito ligado a ele. O Caio foi o fundador do UOL, e o primeiro chat do UOL foi com o Serra, não se sabe bem por quê. O Serra, naquele chat, emitiu conceitos tão relevantes e tão profundos que foram escritos nas pedras da Acrópole de Atenas, para a humanidade preservar aquela contribuição dele à cultura ocidental (risos). E o Caio, desde então, mantém uma ligação íntima, intelectual e filosófica com o Serra. Esse é um núcleo dos problemas que eu tive lá no iG.
Há cerca de dois anos, numa palestra sua, você disse que tinha 12 advogados. Quantos tem agora, para encarar esses problemas todos?
Eu perdi a conta (risos). Agora, no episódio da minha saída do iG, eu tive uma decisão fantástica. Poucas horas depois de eles me tirarem do ar e fazerem a “limpeza ideológica”, eu tive um mandado de segurança e entrei lá dentro. O juiz mandou deixar um pelotão da Polícia Militar. Se houvesse uma resistência — se as brigadas do Caio T. resistissem —, aquilo ali seria arrombado. Eu ia arrombar aquele predinho ali da rua Amauri, por decisão judicial, para reaver o produto do meu trabalho intelectual.
Esse argumento oficial do iG — de que o Conversa Afiada não dava audiência — é falso, não é?
Falsíssimo!
Ainda mais com aquele destaque diário na capa do iG…
Se não desse audiência, o iG não dava!
Depois disso, você teve contato com algum deles — com o Caio Túlio Costa, por exemplo?
Espero não encontrá-los à noite (risos).
Mas não foi só o Serra…
O outro núcleo é evidentemente o Daniel Dantas, com quem mantenho há algum tempo uma batalha inútil. O Daniel Dantas tem a peculiaridade, primeiro, de ganhar todas as causas aqui no Brasil. Quando as causas são redigidas em língua inglesa, ele perde. Foi o que aconteceu, por exemplo, na Justiça britânica, onde ele perdeu em várias instâncias.
Nos Estados Unidos, ele come o pão que o diabo amassou porque lá também as causas versam na língua inglesa. Não sei, deve ser uma questão etimológica — uma questão que tem a ver com as línguas de origem indo-européia (risos). Preciso fazer um estudo sobre isso com algum professor de Filologia: por que ele ganha em português e perde em inglês?
Além disso, eu travei uma batalha importante com relação à “BrOi” (empresa resultante da compra da Brasil Telecom pela Oi). A “BrOi” não é apenas a fusão de uma empresa de telecomunicações com outra empresa de telefonia. Para que ela possa existir, para que se materialize, a “BrOi” exige como pré-condição fundamental esquecer os crimes do Daniel Dantas — apagar das pedras os crimes que ele cometeu —, denunciados pela Brasil Telecom na Justiça brasileira e na Justiça de Nova York.
Denunciados de maneira inepta, na minha modesta opinião — mas, de qualquer maneira, denunciados. E tanto pelo Citibank quanto pela Brasil Telecom. Quando os fundos de pensão entregaram a administração da Brasil Telecom ao Daniel Dantas, o Dantas saqueou a empresa. E os fundos de pensão — que zelam pelo patrimônio dos aposentados da Caixa Econômica Federal, da Petrobras, do Banco do Brasil — vão perdoar o Dantas. Então o meu problema não é só com a “BrOi”.
Não sei para que precisa criar essa “BrOi”. Não sei como é que a “BrOi” vai competir, por exemplo, nos Estados Unidos, na Alemanha, na Argentina. Não vai chegar nem na Bolívia porque está atrasada em dez anos. Mas tudo isso é um problema técnico. E estou falando do problema político. O quê que é a “BrOi”? A “BrOi” é o seguinte — o governo Lula vai esconder o Dantas debaixo do tapete. Ponto, ponto! Isso é um acordo político importantíssimo. E ninguém diz nada.
Todo mundo fica achando que sou maluco, que eu tenho mania de perseguição, que eu tenho idéia fixa, que eu sou o Juquinha, que só penso naquilo. Não, não, meu! O Daniel Dantas é o herói da privatização do (governo) Fernando Henrique. E ele roubou a Brasil Telecom — isso segundo a própria Brasil Telecom.
E o presidente Lula vai pegar dinheiro do BNDES, dinheiro do FAT, e vai dar a dois empresários — o Carlos Jereissati e o Sérgio Andrade —, que não vão botar um tostão. Faço uma proposta pública, eu já disse a todo mundo: vou dar um real além do que eles derem do próprio bolso — e eu quero ser dono da “BrOi”. E entendo muito de telefones, mais do que eles.
Por que o governo Lula…
Por que o governo Lula tem medo do Dantas? Por quê? Sabe por quê? Porque o Dantas comprou uma parte do PT. O governo Lula não pode ir pra cima do Dantas porque não sabe onde vai meter a mão.
Qual parte do PT o Dantas comprou?
Ah…
Qual parte?
O Delúbio ( Soares, ex-tesoureiro do PT ), ué! Ele cooptou o ( ex-ministro ) José Dirceu. O Zé Dirceu trabalha para o Dantas. O Zé Dirceu hoje é o maior de todos os lobistas do país, é a própria Confederação Nacional dos Lobbies. Tem a CNI, tem a CNA e tem a CNL. Tem a Confederação Nacional das Indústrias, a Confederação Nacional da Agricultura e a Confederação Nacional dos Lobbies, que tem como presidente, vice-presidente, secretário-geral e tesoureiro o Zé Dirceu. Ele trabalha para o Dantas!
Você já escreveu que o Dantas tem aliados no Senado, como o Heráclito Fortes (DEM-PI)…
O Heráclito Fortes é o líder da bancada (pró-Dantas) no Senado. Ele tinha uma preferência: milhagens nos aviões do Dantas. Ele estava colecionando milhas para ir para o Piauí (risos). Quando ele viajava de avião na empresa do Dantas, era para colecionar milhar para ir a Teresina.
O Dantas é imbatível?
Sim, o Dantas é imbatível, e o governo Lula vai perdoar o Dantas. O presidente de um dos fundos de pensão disse ao meu amigo Rubens Glasberg que fazia o acordo com o Dantas da mesma maneira que a população acuada de uma favela faz acordo com o chefe do tráfico: para poder sobreviver. Que pais é esse? Que governo é esse? E ninguém trata disso! O Mino, eu e o Rubens parecemos três loucos.
E como uma pessoa consegue montar essa rede?
Vamos fazer as contas de quanto ele ganhou de dinheiro — de quanto levou para casa na Brasil Telecom, no Metrô do Rio, onde ele colecionava e tinha acesso a notas de pequeno valor. Quem é dono do Metrô, assim como quem é dono de empresa de ônibus, coleciona notas de pequeno valor, tá certo? É bom registrar isso. Põe aí no portal Vermelho que o Dantas tinha acesso a notas de pequeno valor!
Hoje a gente vê um silêncio absoluto na grande mídia sobre isso…
Não, ele é visto como um grande empresário. A (jornalista) Lilian Witte Fibe considera ele um sujeito superdotado de inteligência.
O caso da revista Veja não tem nada a ver com admiração, mas com negócios.
Segundo o (jornalista) Luis Nassif, ele comprou a Veja. A Veja foi entregue a um conjunto de salteadores.
É uma coisa mais impregnada, não?
Na Veja, ele comprou no atacado e no varejo. Ele tem uma relação especial com o Roberto Civita ( presidente do Grupo Abril ).
O Nassif acredita que isso tem um prazo de validade, que é o segundo semestre deste ano.
O Luis Nassif acha que o Roberto Civita vai degolar eles todos ( os jornalistas da Veja sob influência de Dantas ). Eu acho que não. Acho que o Roberto Civita vai coroá-los.
Mas isso tem um preço. Por causa da relação Dantas-Veja, a Abril está acumulando uma dívida enorme, milionária, decorrente de processos por danos morais…
Não tem dívida nenhuma! Eles não perdem na justiça. O Diogo Mainardi (colunista da Veja) acabou de ganhar em primeira instância num processo que movi contra ele no criminal. O Mainardi disse que eu era assalariado do (ex-ministro das Comunicações Luiz) Gushiken. Aí vem o “Gushiken do iG”, o suposto Gushiken, e me demite do iG! Aí eu encaminho a notificação do iG para a juíza e digo: “Excelentíssima senhora juíza, o nexo causal da acusação do Diogo Mainardi contra mim diz que eu era assalariado do PT. Como, se eles me mandaram embora com um pé na bunda?”.
Não deixaram meu funcionário tirar o crachá, nem a pasta de dente que estava no banheiro, entendeu? E eu sou funcionário do PT? A Justiça deu ganho de causa para ele nesta instância, e eu já recorri. A juíza disse que era uma questão de estilo. Então, vou começar a dizer: “A senhora é uma juíza venal. A senhora vende as suas decisões”. Porque, se é uma questão de estilo, eu posso usar a palavra “venal” como quem usa a palavra “batata-doce”.
Está tudo louco! Então não tem problema — a Abril não vai cair por aí. E acho o seguinte: o Roberto Civita sabe perfeitamente da trampa que está montada na revista dele. O Roberto Civita tem relações profundas com Daniel Dantas, assim como Dantas tem com a IstoÉ e com a IstoÉ Dinheiro. Profundas, carnais!
O Leonardo Attuch (editor da IstoÉ Dinheiro) é o homem do Dantas na IstoÉ?
Ele é o chefe de redação do Sistema Dantas de Comunicação.
O Ali Kamel (diretor-executivo de jornalismo da Rede Globo) tem alguma relação com o Daniel Dantas?
Não, não. Aí é outra coisa.
Quem é o nome do Dantas na Globo?
Ali ele se vale da omissão. Na Globo, parece que ele não existe. Parece que ele trabalha na Ucrânia — que é um operário ucraniano, um empresário ucraniano.
Sobre esse Márcio Chaer (diretor da revista eletrônica Consultor Jurídico)…
Olha, sobre o Chaer eu não vou querer falar. Porque já demonstrei com documentos extraídos da Brasil Telecom que o Chaer tem uma agência de notícias chamada Consultor Jurídico e uma outra empresa chamada Dublê. Os clientes da Dublê têm, no Consultor Jurídico, um tratamento especial. Em qualquer lugar do mundo, isso se chama conflito de interesse — se não for crime. Então ele é um desqualificado.
Você acusa o Daniel Dantas de ter grampeado a sua família.
Dantas grampeou a mim, a minha mulher e a minha filha.
Quando foi isso?
Foi na época da Kroll. Ele utilizou as relações privilegiadas que ele tinha com a Kroll para me grampear.
E é verdade que você vai até as últimas conseqüências para…
Vou. Eu já disse uma vez que, se ele invadir o inferno, eu me alio ao demônio para pegar ele (risos).
E será que, uma hora, você pega mesmo (risos)?
Eu espero pegar, mas não sei — aqui no Brasil tudo é possível. Eu, francamente, tenho a impressão de que não vou pegar, mas isso não me desanima. Ele não perde na Justiça. A Polícia Federal já moveu um inquérito contra ele. O Dantas entregou à Veja — e a Veja disse que recebeu do Dantas — os documentos sobre as contas na Suíça do presidente da República, do ministro da Justiça e do chefe da Polícia Federal.
A Polícia Federal abriu um inquérito e pediu o indiciamento do Dantas na Lei de Imprensa. É como pedir o indiciamento do Al Capone (célebre gângster americano da primeira metade do século 20) por dirigir na contramão (risos). A polícia de Chicago chega e diz: “Este rapaz estava embriagado e dirigia na contramão”. Faça-me o favor!
Abaixo, a segunda parte da entrevista:
Serra e FHC ‘são dois impostores’, diz Paulo Henrique Amorim
Na segunda e última parte de sua entrevista ao Vermelho, o jornalista Paulo Henrique Amorim ironiza a reputação dos tucanos José Serra e Fernando Henrique Cardoso. “Como diz o Mino Carta, você conhece alguém que tenha lido o Fernando Henrique? Algum estudante de Sociologia que tenha lido? E quem é que já leu livro de Economia do Serra? Você conhece?”.
Que responsabilidade tem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nesse processo de fortalecimento do (banqueiro Daniel) Dantas? Qual é o papel que ele desempenha?
O presidente que fez a privatização dos telefones no México (Carlos Salinas de Gortari) tem um irmão na cadeia e fugiu para a Irlanda. O presidente do Peru que fez a privatização lá (Alberto Fujomori) está preso no Peru. O presidente do Chile que fez a privatização — o insigne general Augusto Pinochet — terminou a vida na cadeia, em prisão domiciliar, por processo de evasão fiscal, lavagem de dinheiro. O presidente que fez a privatização na Argentina (Carlos Menem), se ele vê um policial ou um juiz na rua, sai correndo, muda de calçada. Mas o Fernando Henrique tem a seguinte peculiaridade.
Aqui, o Fernando Henrique é o pai da pátria — é o rei do PiG. As pessoas ouvem o Fernando Henrique! Ainda bem que não lêem, porque ninguém consegue lê-lo (risos). Como diz o Mino Carta, você conhece alguém que tenha lido o Fernando Henrique? Algum estudante de Sociologia que tenha lido? E quem é que já leu livro de Economia do Serra? Você conhece?
Não (risos).
Ninguém, porque ele nunca escreveu. E, no entanto, ele tem a reputação de ser um grande economista. Ninguém sabe de uma tese que ele tenha defendido e que tenha sido original. São dois impostores. O Fernando Henrique desempenha nessa história o papel de ser o cara que fez o processo que criou o Dantas. Foi ele que permitiu que os fundos de pensão fossem entregues ao Daniel Dantas para que ele tomasse conta da telefonia brasileira. E o Dantas entrou na Brasil Telecom e na Telemar também — o que é contra lei.
Um dia, a Previ se deu conta do problema que era ter o Dantas como gestor do dinheiro da Brasil Telecom e trocou a diretoria para destituir o Dantas. O “seu” Nizan Guanaes ( publicitário ) foi sócio do Dantas nessas ilhas de lavagem de dinheiro. O “seu” Dantas conseguiu uma audiência à noite no Palácio da Alvorada no domingo — e na terça-feira a nova diretoria que destitui o Dantas estava destituída. Só isso! Ele foi ao presidente da República para destituir a diretoria de uma empresa de fundo de pensão, meu. O que você acha?
A irmã do Daniel Dantas financiou com alguns milhões de dólares uma empresa da filha do Serra. Antes da eleição de 2002, o Serra mandou fechar a empresa para não dar problemas na eleição. Eu mostrei os documentos que provam a associação delas em Miami. O Dantas jogou no PSDB e depois jogou no PT com a mesma tecnologia, via Marcos Valério e Zé Dirceu.
Outro dia, você atacou o Lula no Conversa Afiada por causa dessa tal de Ordem Roberto Marinho…
Ele fez uma coisa muito importante. Tinha uma ordem obscura, inútil, chamada Ordem das Comunicações, que não servia para nada. Ninguém sabia que existia aquela desgraça. Aí o senador Marco Maciel (DEM-PE), que é um iluminado — quando ele acorda pela manhã, o sol brilha com mais intensidade (risos) —, teve a idéia de mudar o nome para Ordem das Comunicações Jornalista Roberto Marinho. É mais ou menos como chamar o Amador Aguiar de bancário, chamar o Antônio Ermírio de Moraes de operário metalúrgico (risos). E o Lula sancionou!
Eu sugeri modestamente que, se o presidente Lula tivesse o ímpeto de dar uma contribuição ao espírito da pátria, mudasse para Ordem das Comunicações Roquete Pinto, que é o pioneiro do rádio brasileiro, da TV pública brasileira — um homem que desbravou a região de Rondônia ao lado do marechal Rondon, que fez um acervo etnográfico e entregou de presente ao Villa-Lobos, um grande brasileiro! Não quis.
Por que não dá ao coronel Dagoberto Rodrigues, o cara que era diretor-geral dos Correios e ficou ali resistindo até o último momento, segurando as informações para passar ao presidente eleito João Goulart, para evitar o golpe de 64? Ou então ao Roberto Rodrigues, brizolista histórico, um homem de caráter.
Foi o que a (ex-prefeita de São Paulo) Marta Suplicy fez aqui com a Águas Espraiadas, rebatizada para Avenida Jornalista Roberto Marinho. Você, na época, propôs uma homenagem a Vladimir Herzog (jornalista assassinado pelo regime militar).
Claro. Ou Avenida Getúlio Vargas, porque São Paulo é a única metrópole do Brasil que não tem avenida de nome Getúlio Vargas. [ Comentário do Cata-Milho: "Eu havia percebido isso por acaso, e o batismo de uma avenida em São Paulo homenageando Vargas seria uma das propostas da nossa Campanha pela extinção do feriado paulista de 9 de Julho. A propósito da data, sigam com a leitura ]
Em compensação, tem um feriado estadual, o 9 de julho, que comemora uma grande derrota para Vargas (risos).
O 9 de julho é o grande momento da história de São Paulo! É como se tivesse na França o Dia de Waterloo ( nome da batalha que culminou na derradeira queda de Napoleão Bonaparte ). Vamos celebrar Waterloo ( risos )! Inacreditável!
Em qual candidato a presidente você apostaria para 2010?
Eu votaria em Leonel Brizola, que deveria ter sido presidente deste país.
Você é brizolista?
Não, não… Eu não sou brizolista.
Você o cita freqüentemente, escreveu um livro muito elogioso ao Brizola…
Sou a favor de provocar, semear a inquietação intelectual, entendeu? É isso que gosto de fazer. Eu fico indignado com o senso comum, com a “pax tucana”, que é uma coisa sombria, medíocre, medíocre, entende? E isso só foi possível porque se criou essa grande salada política, em que foi rolando o PSDB, PT, tudo no mesmo saco, e azeitado pelo dinheiro do Daniel Dantas e os interesses que estão em volta disso.
Estou falando também de Sérgio Andrade. Estou falando também do Carlos Jereissati, que é dono de um shopping center e vai ficar dono de 70% da telefonia do país, sem botar um tostão. Por que não eu, que sou presidente da PH Comunicação, uma empresa próspera? Mandei o balanço ao BNDES. Minha situação é mais sólida que a do Carlos Jereissati — e, pelo que ele vai botar, eu também posso ficar com a empresa.
Você diz que a internet é o último flanco de liberdade de expressão. Mas isso pode prejudicá-lo também, já que você tem o trabalho na Record. Se você convidasse o Serra, por exemplo, para uma entrevista de 15 minutos…
Na Record? Na Record eu não trato dessas coisas…
E por que não tratar esse assunto na TV?
Porque a TV tem outro perfil, e eu também tenho um outro perfil na Record. Meu perfil na Record é de apresentador e repórter de um programa como o Domingo Espetacular, que não trata de política. As últimas matérias que eu fui fazer foi sobre contrabando no Paraguai, numa diligência da Polícia federal. Isso não tem nada a ver com política. Aqui eu sou repórter de cotidiano, de geral — que é o que eu fiz por anos da minha vida, em Nova York, pelo Fantástico.
Mas você é um dos poucos contrapontos que temos com espaço na televisão…
Mas é que tem o Paulo e o Henrique. O Paulo trabalha na Record e é um santinho, é uma gracinha (risos). Já o Henrique é um azougue. Só que, quando eu venho para cá, o Henrique não vem — ele fica lá do lado de fora.
Quem são seus inimigos? Você tem uma lista?
Não, não… Tem alguém que já falou que você conhece as pessoas pelos inimigos que tem.
E que você mediria seu caráter pelos inimigos…Isso, que mede o caráter pelos inimigos. Mas eu não tenho inimigos — eu tenho divergências políticas.
O Daniel Dantas é apenas um “divergente político” seu?
O Dantas, durante muito tempo, me procurou através de vários intermediários — um deles, o (publicitário) Mauro Sales —, para saber por quê que eu falava mal do Dantas. Eu disse: “Não tenho nada a ver com o Dantas”. Depois, quando eu soube que ele grampeou a minha família, passei a ter um problema pessoal. Mas até aí, não tenho nada contra ele. Só queria que ele me desse o nome dos tucanos que compraram cotas do fundo dele mesmo residindo no Brasil. Porque o fundo dele não pode vender cota no Brasil — só pode vender cota no exterior.
E a ministra Ellen Gracie não deixa mostrar! A ministra Ellen Gracie — essa grande jurista que pretende ser da Corte Internacional de Haia — não deixa abrir o disco rígido que a Polícia Federal apreendeu no banco Opportunity porque ela acha que não há maneira de juntar Banco Opportunity com Daniel Dantas. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Eu costumo dizer o seguinte: é a mesma coisa que você dizer que o Fausto Silva não apresenta o programa do Faustão. O programa do Faustão é apresentado por uma pessoa chamada Fausto Silva que não é o Fausto Silva. Esse é o entendimento dessa grande juíza Ellen Gracie.
Você é um dos jornalistas mais severos com o Supremo.
Vira e mexe, critica o Marco Aurélio de Mello…
Marco Aurélio de Mello não é preparado. É a mesma coisa que me convidar para ser ministro do Supremo — eu não posso. Ele é uma pessoa despreparada. Ele é um colunista da Globo. Não é ministro.
No Supremo, quem se salva?
Eu acho formidável que o presidente Lula tenha tido a oportunidade fantástica de renovar o Supremo e nomeou para lá o juiz Carlos Alberto Direito, que não votou a célula-tronco embrionária para não perder e atrasou o processo. A cada dia que ele atrasa o processo, são menos dias de pesquisa para curar o Alzheimer, o diabetes, a Doença de Parkinson. Ele é um católico, ele é da Associação dos Magistrados Católicos. Ele simplesmente não votou. Que vote contra, meu. E quem o nomeou foi o presidente Lula.
Apesar dessas críticas que você faz ao governo e ao presidente Lula, muitas pessoas o qualificam como “lulista”.
Quê que eu posso fazer?
Como você quer ser visto?
Eu quero ser visto como um jornalista independente que diz o que pensa — na internet. Aqui (na Record) não. Aqui sou um funcionário do empresário Edir Macedo e estou aqui para trabalhar dentro da política da TV Record. Quero ser conhecido como um repórter de televisão muito bom — porque eu sou um repórter muito bom mesmo, adoro ser repórter de televisão, conceber a matéria, gravar, editar. Eu luto pelas minhas matérias feito um leão na jaula. Isso é uma coisa.
A outra é o seguinte: quando eu trabalho no meu site — em casa, no telefone, aqui, na madrugada, quando fico com insônia —, aí é outro negócio. Sou um jornalista independente, gosto de provocar as idéias dos outros, gosto de ser do contra, torço pelo mais fraco. Se o cara ganhou, ganhou, ganhou, eu passo a torcer pelo outro.
É um cricri (risos)…
É, eu gosto de confusão. E eu gosto do Brizola porque o Brizola não ganhava. O Brizola falava assim: “Quando eu sentar naquela cadeira (da Presidência da República), a primeira coisa que farei será contestar aquele monopólio (da Globo)”. Qual outro político brasileiro que você já ouviu falar isso? Ninguém diz, meu.
Você acha mesmo que a Record vai passar a Globo?
Vai!
Quando? O Hoje em Dia já bate a Globo regularmente…
De manhã, isso já é uma questão ultrapassada. Não se trata mais desse assunto…
Você acompanha essas negociações da Record — por exemplo, a disputa pela transmissão do Campeonato Brasileiro?
Não. Isso eu não sei nada, não é a minha área. Eu sou apenas um repórter, um apresentador. Acabei de fazer a reunião de pauta. Recebi instrução para fazer duas matérias nesta semana e me reuni com os produtores — já traçamos os rumos.
E o que o leva a crer que a Record passará a Globo?
A Record está com uma programação boa, com produtos bons. O Domingo Espetacular é um programa muito bom, muito profissional, muito sério. Eu já trabalhei no Fantástico e não vejo nenhuma diferença substantiva entre os atributos tecnológicos ou de pessoal entre a Record e a Globo. Então nós vamos pra cima.
O processo movido por fiéis da Igreja Universal contra a Folha de S.Paulo e outros jornais…
Ah, eu não posso falar sobre isso. É uma questão que diz respeito à política, que não é da empresa, da TV Record. É da Igreja Universal.
Mas o Domingo Espetacular fez uma matéria longa, apresentada por você e claramente favorável aos fiéis.
O que eu posso te dizer é o que diz aquela matéria: os fiéis têm o direito de reclamar. Acabou.
A Globo lançou a campanha do “Q” de qualidade…
A gente está em duvida se é um “Q” de qualidade ou se é um “Q” de queda (risos). Estamos fazendo um estudo profundo aqui.
Nessa campanha, eles dizem que respeitam a liberdade de expressão…
Sobre isso, sugiro a gente pegar aquela edição do dia que caiu o avião da Gol e que a Globo não deu. Foi o primeiro grande golpe de Estado dado pelo Ali Kamel. Falta o segundo.
O Nassif tem a tese de que o Ali Kamel…
O Raimundo Rodrigues Pereira é que tem uma tese — de que o Ali Kamel é o Ratzinger da Globo (Ratzinger é o sobrenome de batismo do papa Bento XVI). Ele escreveu um livro para dizer que o Brasil não é racista e que resulta na defesa do nosso modelo de racismo. Interessante — não deixa de ser um malabarismo.
O Ali Kamel foi o maior beneficiário da morte do Roberto Marinho?
Não, não é nada disso! Não concordo! O negócio é o seguinte: o Roberto Marinho morreu, e os três filhos do Roberto Marinho não têm nome próprio. São conhecidos como “filhos do Roberto Marinho”. São intelectualmente e empresarialmente despreparados. Eles não estudaram, não fizeram curso superior e não dominam língua inglesa — que são atributos necessários para você ser administrador de empresas.
Então eles inventaram a teoria de que, para ofuscar ou mitigar a sua incompetência, eles iam adotar uma administração profissional — e entregaram a administração de seus negócios a profissionais, entre eles Ali Kamel. Esses profissionais agem na suposição de que fazem aquilo que o patrão queria que eles fizessem.
Eu mandei importar agora pela Amazon — está chegando aí nas próximas semanas — um livro chamado Right Is Wrong, da jornalista americana (Arianna) Huffington, que defende exatamente esta tese. Na grande imprensa americana, as empresas de jornalismo se despersonalizaram, com raras exceções, e se tornaram grandes negócios, conglomerados de mídia. E aí quem adora as posições antidemocráticas, conservadoras, são os próprios profissionais. São os jornalistas.
Que é também a tese do (jornalista) Mauro Santayana…
Que é, exatamente, a tese do meu amigo Mauro Santayana, com quem eu conversei hoje por uma hora e meia pela manhã. É uma tese perfeita. Você não vê mais um jornalista pobre. Você não vê mais um jornalista de origem humilde. São todos mauricinhos, bonitinhos, cheirosinhos, que querem trabalhar para banco. Nenhum deles tem compromisso com a sociedade. Nenhum deles sabe para que serve ser jornalista numa sociedade democrática.
E para que serve ser jornalista?
Para você oferecer uma opinião isenta para que o leitor, espectador ou ouvinte possa decidir, com seus valores, o que quer fazer da vida. Esse valor se perdeu completamente. Nenhum jornalista brasileiro sabe para que serve o jornalismo. É o mesmo que entregar o bisturi a um médico que não sabe para que isso serve. Ele vai pensar que é para fazer as unhas.
Voltando ao Ali Kamel. Dá para dizer que ele hoje tem mais autonomia na Globo do que, por exemplo, o Alberico de Souza Cruz há uns 20 anos?
Hum…
O Alberico não tinha uma boa sintonia com o Roberto Marinho?
No tempo do Roberto Marinho, era diferente. Nenhum editor tinha autonomia. O Alberico é produto de uma fase de transição em que o doutor Roberto Marinho já estava envelhecido, e ele entrou vendido na eleição do (ex-presidente Fernando) Collor. O Collor foi o terceiro candidato do Roberto Marinho. Os candidatos do Roberto Marinho foram (Orestes) Quércia, (Mário) Covas e depois Collor.
Quem fez a ligação do Collor com a Globo foi o Alberico. O Roberto Marinho não gostava do Collor porque não gostava do pai do Collor e demitiu o irmão do Collor, o Leopoldo, que trabalhava na Globo de São Paulo. Quando o Collor se tornou inevitável, o Roberto Marinho entrou no vagão dele — no último vagão da composição.
E o Collor dizia — como disse para mim em Nova York — que não precisou do Roberto Marinho para ser eleito. A relação dele era com o Alberico. Por que foi possível haver isso? Porque o Roberto Marinho estava enfraquecido fisicamente, já estava muito velho e não delegava para os filhos. Os filhos não mandavam nada.
O Roberto Marinho ainda escondia deles decisões de cunho editorial. Ele dizia para os executivos: “Não conte isso pro João Roberto… Não trate disso com o João Roberto”. Ele entrou vendido. O que ele fez: ele derrubou o Armando (Nogueira) e botou lá uma cara que era de confiança do presidente da Republica também. Agora, não. Agora mudou a qualidade do processo.

abril 27, 2008

Essa daqui eu não podia perder: uma entrevista com Orestes Quércia publicada na ISTOÉ ( não saquei a data ), em que ele dá seu ponto de vista sobre a criminosa entrega do Banespa ao Santander. Também fez afirmações legais, como a de que “deram um jeito de avermelhar o balanço só para pegá-lo” e “Gustavo Loyola [ ex-presidente do BC ] é um criminoso”. Didaticamente, explicou também como o Banespa servia como fomentador de desenvolvimento e de sua importância como fiador de empréstimos e captador de recursos externos. Tornou-se uma espécie de “lata de lixo” de papagaios alheios, um papel que não foi bem compreendido pela opinião pública. Ficou fácil, então, impor-lhe a pecha de “quebrada” e “mal-administrada”, que limpou o caminho para a entrega à iniciativa privada sem a necessária oposição popular. Todo dia a gente aprende uma coisa nova. Curtam a entrevista.
Proposta indecente
A venda do Banespa é um “crime político”, diz o ex-governador Quércia, que entrou na Justiça e afugentou compradores estrangeiros
Carlos Drummond, Adriana Wilner e Luiz Antonio Cintra
A tentativa de privatizar o Banespa é o desfecho de uma história mal explicada, a da intervenção do BC em 1994. Um ato planejado e estranho ao interesse público. A comissão do BC queria arquivar o inquérito, mas foi forçada pela diretoria a desistir desse propósito, com o objetivo de atingir os governos Quércia e Fleury, como mostrou reportagem de 1996 publicada pela revista CartaCapital. Nesta entrevista, o ex-governador Orestes Quércia conta por que entrou com uma ação popular contra a federalização do Banespa, feita em 1997. A dívida do banco, no momento da transferência das ações do Estado para a União, estava inflada em R$ 19 bilhões, explica Quércia. O ex-governador lembra que o financiamento do Banespa para antecipação de recursos orçamentários feito em seu governo foi aprovado pelo BC e pelo Senado, com parecer favorável de Fernando Henrique Cardoso e votos de Mário Covas e Marco Maciel.
ISTOÉ – Por que o sr. entrou na Justiça com ação popular para anular a transferência do Banespa do Estado de São Paulo para a União, ocorrida em 1997?
Orestes Quércia – Porque entendemos que o acordo que Covas fez com o governo federal é prejudicial ao Estado de São Paulo. Foi uma loucura. Tomou-se como certa uma dívida do Estado com o banco de R$ 56 bilhões, mas este valor inclui, indevidamente, R$ 19 bilhões de juros a mais em relação à legislação que vigorava na época. Também visa cancelar a entrega, pelo Estado, de ações ordinárias do Banespa à União. Portanto, estas ações que se quer leiloar nesta segunda-feira, dia 20, estão sub judice. Sem contar que essas ações, que garantem o controle acionário, deveriam ser oferecidas pelo dobro, no mínimo.
ISTOÉ – Qual a origem desses R$ 19 bilhões?
Quércia – O governo Covas demorou três anos para fazer a renegociação dessa dívida do Banespa, a contar da publicação das leis específicas para essa operação. E nesse período aplicaram os juros distorcidos resultantes do Plano Real, apesar de existirem leis de 1991 e 1993 mandando renegociar a juros de 6% ao ano. O BC não quis, pura e simplesmente, seguir essas leis. Aplicou taxas vigentes no mercado financeiro, de 14% a 15% ao mês. Foi uma arbitrariedade. Por isso entrei na Justiça para recalcular toda a dívida com base em 6% ao ano.
ISTOÉ – A retirada de bancos estrangeiros inscritos para disputar o Banespa tem relação com essa ação?
Quércia – Se amanhã a Justiça anular a transferência da propriedade do banco do governo do Estado para a União, vai afetar o banqueiro que comprar o Banespa. Achamos que esses bancos estrangeiros estão fugindo por causa dessa ação. Na semana passada mandamos uma citação para todos.
ISTOÉ – O sr. é acusado de ter feito financiamentos que prejudicaram o banco.
Quércia – O único financiamento que eu fiz foi no último ano de governo, para pagar o 13º salário dos servidores públicos. Foi quando o Plano Collor reduziu os ganhos dos bancos. Era uma antecipação de receita orçamentária (ARO) de R$ 642 milhões, equivalentes a 15% do total da dívida do Estado que deixei no Banespa. Como eu poderia com isso quebrar o banco? Quando o meu governo terminou, a dívida de São Paulo era de R$ 4,8 bilhões. Os R$ 4,2 bilhões além da ARO vieram de outros governos.
ISTOÉ – Como foi feito esse financiamento?
Quércia – Com autorização do Banco Central e do Senado, com parecer do senador Fernando Henrique Cardoso, relator do processo específico. Foi aprovado por unanimidade, com votos do Mário Covas e do Marco Maciel.
ISTOÉ – Fala-se em um volume maior de dívidas contraídas no seu governo.
Quércia – Não é verdade. Eu investi no meu governo R$ 12 bilhões. O único financiamento feito foi esse já mencionado. Durante o meu governo o Banespa teve o seu maior crescimento. Deu lucro, o lucro foi reinvestido. No último ano da minha administração, as ações se valorizaram em 851%, enquanto o índice Bovespa cresceu 308%.
ISTOÉ – O Banespa foi usado para eleger Fleury? Atribuem ao sr. esta frase: “Quebrei o banco mas elegi o meu sucessor.”
Quércia – Não é verdade. Até porque o financiamento foi feito depois da eleição. A origem dessa história é uma distorção, provocada sobretudo pelo Estadão, que repetia essas coisas, que o Quércia disse que quebrou. Eu nunca iria dizer uma bobagem dessas, mesmo que tivesse feito. Escrevia cartas para eles, telefonava, nunca desmentiram nada. O que há é paixão política na história. De vez em quando publicavam também que eu tinha dito que havia quebrado o Estado. Nunca disse nada disso. Dobramos a arrecadação estadual de US$ 5,1 bilhões em 1986 para US$ 10,6 bilhões em 1990. A dívida do Estado com o Banespa, que representava 62% da arrecadação do Estado, no final do meu governo correspondia a 45%.
ISTOÉ – Um ponto polêmico é o da situação do patrimônio líquido do banco no momento da intervenção. Estava ou não estava negativo?
Quércia – Nunca foi negativo. No momento da intervenção, no dia 30 de dezembro de 1994, o Estado só tinha R$ 25 milhões vencidos desde o dia 15 do mesmo mês e a norma é só considerar crédito de difícil recebimento após 60 dias. Mesmo assim, disseram que o patrimônio líquido estava negativo. No BC, a conclusão do relator foi pelo arquivamento do inquérito. Mas avermelharam o balanço para pegar a mim e ao Fleury [ grifo do blog ], como mostrou a revista CartaCapital. Pretendiam forçar a eliminação da dívida do Estado com o Banespa, extinguindo o banco. Foi um crime político.
ISTOÉ – O relator recomendava o arquivamento e o envio das operações com indícios de irregularidades à Justiça.
Quércia – O inquérito não foi arquivado e todas as operações foram enviadas à Justiça. Não há nenhum processo relativo ao período do meu governo.
ISTOÉ – A intervenção retroagiu sobre cinco diretorias do banco. Como se distribui a dívida do Estado com o Banespa entre os vários governos?
Quércia – Retroagiram cinco anos só para me pegar [ Grifo do blog 2 ]. Decretaram a intervenção no último dia do governo Fleury, em 1994. Em 1990, eu estava no governo. A dívida do governo e de todas as estatais no Banespa, de R$ 3,2 bilhões em 1986, passou para R$ 4,8 bilhões em 1990, computados os R$ 642 milhões da ARO. O restante é juros sobre dívidas anteriores. No final do governo Fleury já estava em R$ 9,4 bilhões, e no governo Covas foi para R$ 56 bilhões, devido aos juros do Plano Real.
ISTOÉ – Porque o sr. acha que a intervenção foi feita para pegá-lo? Qual é o indício?
Quércia – O principal é o seguinte: a responsabilidade civil só prescreve depois de 20 anos. Para abranger todos os que fizeram dívidas do Estado no Banespa, tinham que pegar todas as administrações durante 20 anos, incluindo as de Franco Montoro, Paulo Maluf, Paulo Egydio Martins. Mas só retrocederam até o meu governo.
ISTOÉ – Qual dessas duas causas apontadas pelo sr. pesou mais, o desejo de pegá-lo ou a intenção de acabar com os bancos estaduais?
Quércia – O objetivo maior é acabar com os bancos estaduais. É a orientação do FMI, do ministro Pedro Malan, que é ligado mais a esse pessoal lá de fora do que ao interesse do país. Na cabeça dele e do Gustavo Loyola, que é um criminoso que que foi presidente do Banco Central, o processo é acabar com os bancos estaduais. Mas acabar com o Banespa não é muito diferente do que acabar com o Banco do Brasil.
ISTOÉ – Por que o sr. diz que Gustavo Loyola é um criminoso?
Quércia – Porque ele era presidente do BC quando eles decretaram a intervenção no Banespa. Não podia fazer isso, porque o maior devedor do banco, que era o Estado São Paulo, não estava quebrado.
ISTOÉ – Por que é ruim privatizar?
Quércia – Eu acho o fim do mundo privatizarem o Banespa. Sempre deu lucro, é um bom negócio para o Estado. Por que vender? Todos os grandes bancos ambicionam ter o Banespa, porque ele tem uma estrutura bancária sem igual no Estado. Estruturou a agricultura, o interior, tem uma íntima conexão com a economia de São Paulo, sobretudo com a de pequeno e médio portes. O que o Banespa fez pelo Estado nenhum banco privado faria. Tirar isso de São Paulo é um crime. O Estado perde a força de fazer investimentos de acordo com o interesse da sua estrutura. Acabar com o Banespa é uma proposta indecente. Mas para qualquer banco que eventualmente o adquirir, é um grande negócio.
ISTOÉ – A importância do Banespa se restringe a São Paulo?
Quércia – O Banespa ajudava o Brasil, tinha prestígio em Nova York e na Europa. E tem mais: a maior parte da dívida pública de São Paulo foi feita por determinação do governo federal. O Banespa foi obrigado a ser agente financeiro de todos os avais de empréstimos anteriores, feitos pelo BNH, BNDES, pela área de energia elétrica. Essa é a dívida de São Paulo. Quando o ex-ministro Delfim Netto precisava pegar dólares no exterior, na época das crises de balanço de pagamentos do Brasil, que vem de 1978, mandava captar recursos pelo Banespa. Pegava lá fora e repassava para Cesp, Eletropaulo [ grifo do blog 3 ]. O prestígio do Banespa era idêntico ao do Banco do Brasil. Hoje querem privatizar para entrar dólares e resolver o problema do balanço de pagamentos, é a mesma coisa.
ISTOÉ – Os bancos mais cotados para comprar o Banespa pretendem demitir metade dos funcionários. Com o sr. vê isso?
Quércia – O governo está brigando para conservar os empregados do Mappin. Mas não tem preocupação nenhuma com os empregados do Banespa. Sendo do Estado, dando lucro, o Estado não pensaria em demitir ninguém. Sendo de uma empresa privada, a primeira coisa que ela vai fazer é enxugar para dar mais lucro ainda.
ISTOÉ – Não haveria nenhuma consequência boa da privatização?
Quércia – Eu não vejo nenhuma. Porque banco por banco, já há uma porção de particulares. Precisamos de um banco estadual que tenha interesse social.
ISTOÉ – Qual é a divisão de responsabilidades pelo aumento da dívida?
Quércia – O Covas é o maior responsável, pela sua indecisão. Em vez de fazer um acordo no começo, deixou a dívida dobrar.
ISTOÉ – Mas havia uma proposta.
Quércia – Logo que o secretário da Fazenda Yoshiaki Nakano assumiu, apresentou aos interventores uma proposta para parcelamento em 20 anos. Não foi considerada.
ISTOÉ – O Banco do Brasil foi manipulado para criar condições para a intervenção?
Quércia – Em 1994, logo depois do Plano Real, quando começaram a enxugar a base monetária, o Banespa precisou recorrer ao redesconto. A partir de agosto, o BC começou a dar dinheiro para o Banespa através do Banco do Brasil. No dia 29 de dezembro, o BC mandou o Banco do Brasil não dar mais recursos ao Banespa. Também avisaram o Bradesco para não ajudar. Enforcaram o banco para decretar a intervenção. A dívida era de R$ 9,4 bilhões; não teria sido muito mais interessante para o Estado e a União emprestarem o necessário para pagar essa dívida logo depois do Covas e o Fernando Henrique assumirem, em janeiro de 1995? Por que seguraram esse endividamento por três anos, sendo que tinham resolvido o problema da Caixa Econômica Federal antes do Plano Real, e deram R$ 8 bilhões para o Banco do Brasil?
IstoÉ – Ed. 1625

abril 20, 2008

Daniel Dantas manda no país. Ele pauta o jornalismo de vEJA e Estadão. E comprou parte do PT. Leia entrevista de Paulo Henrique Amorim à FORUM.

A BrOi e Daniel Dantas me demitiram

Por Renato Rovai e Glauco Faria

Fórum – Quando o senhor identifica o início da degradação da imprensa brasileira? Paulo Henrique Amorim – Chegamos a um ponto sem precedentes em termos de degradação e corrupção da imprensa brasileira. A imprensa que chamo de Partido da Imprensa Golpista, ou PIG, é, sobretudo, a Globo, a Folha e o Estadão. Não falo da Veja, porque é um caso especial que eu chamo de “a última Flor do Fascio”, nem da IstoÉ, porque não é uma organização jornalística. Quando você compra um jornal, teoricamente, pelos cânones da indústria, vai obter ali um noticiário razoavelmente isento e, nas páginas de opinião, fica aquilo que o dono quer divulgar. Aqui no Brasil, houve uma inversão completa. Hoje, tem opinião na parte informativa, até no horóscopo e na previsão do tempo, e o mais grave de tudo isso é que se disseminou o sistema de cooptação com dinheiro do jornalismo econômico e político. Tenho divulgado no meu site as relações entre o Daniel Dantas e algumas instituições, cuja função é distribuir notícias que influenciam formadores de opinião, a Justiça… É uma degradação sem precedentes. Meu ex-colega do IG, Luís Nassif, tem feito um trabalho exemplar ao apontar as ligações sórdidas entre a Veja e interesses econômicos constituídos. Não há nenhuma punição, nenhuma reclamação, nenhuma manifestação de indignação, os jornais do PIG não noticiam o que o Nassif está dizendo. É a maior revista semanal do país e ignoram o que fala um jornalista respeitável que trabalhou na Folha durante uma década, do Conselho Editorial da Folha. Ou seja, Nassif não é irresponsável segundo a Folha. E a Folha não dá uma linha! O Mino Carta, que é o pioneiro nessa batalha para demonstrar a pusilanimidade, o golpismo e agora a corrupção na imprensa, acha que nós não chegamos no fundo do poço, que ainda iremos mais fundo e saberemos mais coisas e a impunidade continuará.

Fórum – O senhor acredita que essa degradação se agravou durante o processo de privatização?

Amorim – O presidente do México, Carlos Salina de Gortari, vendeu a telefonia do México para uma pessoa, que é o Carlos Slim, hoje o homem mais rico do mundo. Salinas de Gortari teve que fugir do México para a Irlanda porque nem em Miami ele podia ficar. O Fujimori, que fez a privatização no Peru, está preso. O Carlos Menem, que fez a privatização na Argentina, tem vários ministros na cadeia e não pode ver um juiz ou policial que sai correndo, pode ser preso a qualquer momento. Aqui no Brasil o Fernando Henrique Cardoso cobra US$ 60 mil por palestra e sai no PIG toda hora. E as pessoas levam o Fernando Henrique a sério, é o herói de uma parcela da população brasileira. Vou desenvolver essa tese com mais clareza, mas houve, na transição do regime militar para o democrático, a tragédia da dívida nos anos 80. O Brasil quebrou em 1982, o fenômeno da hiperinflação, e o Sarney tentou resolver, o Collor tentou resolver, e o Fernando Henrique tocou o Plano Real. O plano, entretanto, tinha, como base para solucionar ou para auxiliar a equacionar o problema, a privatização, um instrumento pelo qual o sistema político dominante à época – o PSDB e o PFL – encontrou para acomodar os interesses políticos internos, domésticos, da coalizão dominante e os interesses dos bancos. Ela foi o fiel da balança dessa reengenharia que levou ao sucesso o Plano Real. Agora, temo que a operação de criação da BrOi seja a consubstanciação, aquele quadro do Napoleão sendo coroado, que está na igreja de Notre Dame. O quadro começa a ser pintado a partir do momento em que o Luciano Coutinho, presidente do BNDES, assina o empréstimo para o Carlos Jereissati e o Sérgio Andrade comprarem a Brasil Telecom, sem botar um tostão. Nesse momento, será feita a grande conciliação nacional, os fundos e o Citibank renunciam a toda ação [judicial] que moveram na Justiça contra o Daniel Dantas. O governo Lula põe para dentro a corrupção do Dantas e do governo FHC, limpa a pedra e resolve esse problema botando o dinheiro do BNDES nas mãos desses dois subempresários, já que eles compraram a Telemar sem gastar também. Aí será feita a grande pacificação nacional, que mobilizou essa subimprensa de contratos de prestação de serviços, mas que você nunca sabe que serviços são esses. Então, se houver o Aécio [Neves] candidato em uma chapa que reúna PSDB e PT, como está sendo montada em Belo Horizonte, resolve tudo. Põe todo o Brasil debaixo do tapete. O PSDB esconde ossos do Fernando Henrique no armário do Lula, o Lula esconde no armário seus próprios esqueletos, e o Brasil vai seguir em frente com a conciliação que o Tancredo [Neves] tentou fazer e não conseguiu porque morreu antes. A privatização é o que define o processo da Nova República no regime pós-militar, é a metástase da corrupção no Brasil. O Daniel Dantas é o maior símbolo, herói e beneficiário desse processo que corrompeu o PSDB, o PFL e o PT. Ele corrompeu o PSDB, financiou a filha do Serra e ele é a grana que está no duto do Valerioduto. Que o procurador-geral da República não procurou e que o ministro Joaquim Barbosa não achou. A grana do Valerioduto veio de onde? Dá em árvore ou o Valério era maluco e colocava dinheiro dele no esquema? Ele era um lavador de dinheiro e ninguém quer dizer isso. Fizeram a CPI dos Correios e não pediram indiciamento do Daniel Dantas, porque a bancada dele tem um líder no senado, que é o Heráclito Fortes, e tem um líder na Câmara, que é o José Eduardo Cardozo.

Fórum – Então a tentativa do PT de incluir o Daniel Dantas na CPI dos Correios foi uma farsa?
Amorim – Foi uma tentativa de última hora, feita depois que o relatório estava escrito e que não resultou em nada. Durante a argüição do Daniel Dantas, o senhor José Eduardo Cardozo fez perguntas que o Dantas esperava que fossem feitas e o Jorge Bittar (PT-RJ) fez perguntas inúteis. Ninguém do PT perguntou se o Dantas colocava dinheiro no Valerioduto. E era a única pergunta que cabia ali. Por que o PT não foi pra cima do Dantas? Porque o cara da bancada do PT não sabe se quem está do lado dele pegou dinheiro do Dantas. O Dantas calou o PT, o Dantas imobilizou o PT, porque o Dantas comprou uma parte do PT. Pode escrever aí.
Fórum – No PT, havia uma disputa que envolvia o Luís Gushiken, os fundos e a participação do Dantas…
Amorim – O Gushiken pagou o preço de ter tirado o Dantas da Brasil Telecom. E outro que pagou o preço foi Paulo Lacerda, homem probo e policial eficiente. Foi tirado da Polícia Federal porque queria prender o Daniel Dantas.
Fórum – O senhor já conversou sobre isso com o Paulo Lacerda?
Amorim – Não posso revelar.
Fórum – Bom, a respeito da sua demissão do IG…
Amorim – Tenho minha coleção de demissões, mas vamos lá. Ali é um processo de “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. O Sr. K [o presidente da Brasil Telecom, Ricardo Knoepfelmacher], como mostro no meu blogue, a letra “K” aponta para direções opostas e esse é seu grande enigma: para que direção o Sr. K aponta? Ele entrou como presidente da Brasil Telecom como representante dos fundos e do Citi para desfazer as falcatruas do Dantas. Ele me contratou porque eu tinha uma história na internet de combater o Dantas. Isso ele me disse. E por que de repente isso mudou? Essa é a pergunta-chave da história. O Sr. K recebia pressões de diversas áreas, do José Serra, que tem uma tradição de pedir a cabeça de repórteres; do Carlos Jereissati e do Sérgio Andrade; e do Citibank. Porque eu, com o Rubens Glasberg e o Mino Carta fomos os únicos jornalistas que perguntaram: vale a pena fazer a BrOi e passar uma borracha no passado do Dantas? É esse o custo de fazer a BrOi?. Quanto dinheiro do senhor Jereissati e Andrade vai entrar nisso? Entrei com um documento, quero a BrOi, e dou um real a mais do que os dois colocarem do próprio bolso. No meio do ano passado, o Sr. K tentou montar um conselho editorial para cercear minha opinião. Eu não posso revelar quem eram as pessoas que compunham o conselho, mas digo que eram pessoas que tinham por mim o mesmo apreço que tenho por elas. Consegui impedir que isso acontecesse. E me pergunto para que, já que 95% do conteúdo de um portal é de terceiros? Depois veio uma tentativa de me tirar da capa do IG. Levei seis meses negociando com o Sr. K esse ponto: só vou para o IG se tiver espaço na capa. Sabia, porque no UOL já tinham me feito isso. E ele precisou de seis meses para impor a vontade dele e me colocar na capa. Depois, ele quis me tirar da capa. Foi uma batalha em que o Caio T – de Tartufo – Costa desempenhou um papel nobre e edificante. E eu ganhei. Finalmente, estávamos na antevéspera da solução do problema da BrOi, na antevéspera da Semana Santa, e ele me tirou do ar. Agora, ele me tirou do ar com uma tecnologia que o Caio T – de Tartufo – Costa conhece muito bem, que é tirar do ar fisicamente. Ele me tirou do ar antes que pudesse ser notificado, estava no segundo bloco de um programa que gravo na Record e a minha equipe já tinha sido escorraçada do IG, os computadores lacrados, os crachás retirados. O Caio retirou meu trabalho de dois anos no ar. Ele apagou o meu passado. Ele fez uma limpeza ideológica. Por que ele não me avisou e não redirecionou o internauta para o novo endereço? Como a Globo fez com o Franklin Martins, ela não o queria mais, mas redirecionou [o internauta para o endereço novo]. Por que [ele] quis me apagar?
Fórum – Você disse que o Caio Túlio Costa já teria feito coisa semelhante.
Amorim – Estou precisando comprovar casos específicos, mas ele fez comigo no UOL. Uma série de informações que eu dava sobre as relações amistosas e dignificantes entre duas grandes personalidades brasileiras, José Serra e Nizan Guanaes. Não há registro físico, é uma especialidade dele suprimir isso. E olha que dá aula na Cásper Líbero sobre Jornalismo e Ética… Mas ele é um pau mandado, executa com entusiasmo o que o patrão mandou fazer. O Sr. K também serve a vários patrões. Fui demitido porque escrevia contra a BrOi e Daniel Dantas. Fórum – Seu trabalho na televisão é bem diferente da internet. Por quê?
Amorim – Na televisão, não trato desses assuntos. A internet tem uma vantagem, você pode fazer o que quiser. É o último reduto da liberdade de imprensa e, felizmente, aqui no Brasil, está nascendo algo similar ao que já existe nos Estados Unidos. A blogosfera está se transformando em um espaço de debate político relevante. Não estou mais interessado em discutir política, economia, essas coisas mais sensíveis na televisão. A televisão brasileira não é o espaço mais apropriado para isso e quando se faz, se faz mal feito. É a Miriam Leitão, William Waack, Arnaldo Jabor, Alexandre Garcia, esses grandes jornalistas que fazem a televisão brasileira. Então, não quero mais tratar disso na televisão. Ali, faço parte do Domingo Espetacular e sou repórter, como fui no Fantástico por seis anos em Nova Iorque, de onde fazia matérias que não tinham nada a ver com política. Cobria incêndio, crime, enchente, guerra civil… Sou repórter, porque esse pessoal que está aí, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, que acham que são jornalistas, não sabem cobrir uma batida de trânsito na esquina. Se mandar cobrir, chegam na redação com informações inverídicas e incompletas. Por isso não trato com esses camaradas, eles não são da minha profissão. Eles vendem a opinião deles. E não troco minha opinião por nada. Agora não quero saber de portais que só reescrevem o que sai na Agência Estado, Folha e Globo – uma reprodução mal feita.
Fórum – É impossível discutir política e economia na TV? Quando o senhor fazia o Tudo a Ver dava, ao menos, alguns pitacos sobre esses temas.
Amorim – Era muito limitado e foi ficando cada vez mais. Trabalhei na Globo em um período que tinha hiperinflação e chegaram à conclusão de que era necessário ter jornalistas de economia na televisão. E o Delfim Netto diz, com muita propriedade, que no Brasil jornalista de economia não é uma coisa nem outra. Hoje, na Globo acontece o seguinte: o Roberto Marinho morreu e foi substituído por três filhos que não têm curso universitário. Nenhum deles é conhecido pelo nome próprio, são filhos do Roberto Marinho. Colecionam fracassos empresariais. O mais velho, Roberto Irineu, é responsável pelo “grande sucesso” da Tele Montecarlo. Os três, por omissão/incompetência, delegaram o comando das suas redações a alguns prepostos, entre os quais se destaca o Ali Kamel [diretor-executivo da Globo], que escreveu um livro para mostrar que o Brasil não é racista e revelou o Brasil racista. E eles escrevem o que imaginam que o patrão vá gostar de ver. Mas isso tudo carece de um mínimo de sutileza, de argúcia, que o velho tinha. O velho, dificilmente, na base de operações que é o Rio de Janeiro, brigaria com o presidente, com o governador e com o prefeito. Desconfio que o outro Roberto não faria isso, se ele e Antonio Carlos Magalhães estivessem vivos, estariam trabalhando com o Lula. Estariam trabalhando na base do governo, na sombra. Não é muito bom estar brigado com o governo federal por muito tempo.
Fórum – Mas se o presidente Lula está fazendo essa conciliação, por que o PIG quer derrubá-lo?
Amorim – Porque ele é pobre e nordestino, é uma combinação de preconceito de raça com preconceito de classe.
Fórum – A possibilidade de aliança PT-PSDB em Belo Horizonte é resultado dessa conciliação?
Amorim – É o resultado físico da conciliação. Com esse mesmo espírito de concertação que uma candidatura Aécio com apoio do PT é um velho sonho da elite brasileira, da qual o Lula quer fazer parte, que é o Pacto de Moncloa eterno. Nós não somos a Argentina e lamento profundamente. Gostaria de ser argentino para ser militante peronista. O presidente Néstor Kirchner desfez o Supremo Tribunal e o presidente Lula nomeou para o STF um xiita católico que se posiciona contra as pesquisas com células-tronco. Esse Carlos Alberto Direito, que conheço desde que éramos estudantes da PUC, disse antes que era contra a pesquisa com células-tronco. Tem que tirar o Marco Aurélio de Mello de lá. Ele é um golpista, despreparado, não passa nem em prova de juiz de primeira instância. Eu tenho a tese: o que o PT de São Paulo mais quer é ser tucano de São Paulo. E acho que uma das grandes coisas que pode acontecer com um grande acordo entre Aécio e o PT é tirar São Paulo do centro. Chega de São Paulo! O Brasil é muito maior que São Paulo.
Fórum – O senhor aponta as contradições do governo Lula, mas também se posiciona como resistência antigolpista.
Amorim – Veja bem, acho Lula melhor do que o Fernando Henrique. Acho os tucanos um conjunto de tartufos, são administradores incompetentes, FHC quebrou o Brasil três vezes. Governam São Paulo há 13 anos, metrô cai, o viaduto cai, você demora uma hora e meia para chegar no trabalho. Dê um exemplo do que os tucanos fizeram aqui? São incompetentes, ineptos. Sou contra os tucanos. Tenho uma identificação político-ideológica, sou carioca, minha simpatia fica com Leonel Brizola, que dizia que o PT era a UDN de tamancas, o Darcy Ribeiro dizia que o PT era a esquerda que a direita quer… Gosto do Jango [João Goulart], do [Getúlio] Vargas e acho que o PT cometeu um grande erro quando achou que a direita ia vê-lo sob outra perspectiva. A direita os vê da mesma forma que via o Brizola, o Jango e o Vargas, porque o PT é trabalhista como eles. O Lula achou que ia encantar o PIG, a família Marinho e, como dizia o doutor Tancredo, “você vende a mãe mas não vende seus interesses”. O Lula não caiu porque o Fernando Henrique não deixou. Naquele momento em que o Duda Mendonça confessou que recebia dinheiro do exterior na CPI, se sobe um deputado na mesa da Câmara e na presidência da Casa está o Auro de Moura Andrade , o Lula caía. Por que o Lula não caiu? Porque o Fernando Henrique defendeu a tese do sangramento. E o Agripino Maia comprou e convenceu o PFL. Qual a teoria? Deixe o Lula sangrar até o fim, ele chega na eleição derrotado e o povo brasileiro iria buscá-lo [Fernando Henrique] em Higienópolis. Se tivesse o ACM, o Herbet Levy ou o Padre Godinho, o Lula tinha caído. E o que está por trás disso tudo? O escândalo do Mensalão. Quem está no Mensalão? O Dantas. Disse a um amigo meu quando Lula foi eleito em 2002: “Ou o Lula destrói o Dantas em três meses ou o Lula destrói seu governo”. Quase destruiu. O presidente de um fundo de pensão disse que participou do acordo da BrOi, porque era o mesmo que negociar a paz com o chefe do tráfico de uma favela. Que país é esse?
Fórum – Não se cria, em torno do Dantas, um poder maior do que ele tem de fato?
Amorim – Dantas enredou Fernando Henrique Cardoso. Agora enredou o Lula. O que ele fez com FHC? Trocou o conselho da Previ … Por quê? Porque o Dantas tem o PSDB na mão.
Fórum – O Dantas tirou o senhor da TV Cultura e do UOL?
Amorim – Tirou, entrou com duas notificações e a TV Cultura e o UOL me pediram para parar de falar dele. Tenho uma luta com Dantas há muito tempo, há muito tempo eu percebo que ele é especial. Mas um dia a gente vai se encontrar no despenhadeiro. Ele grampeou a mim, a minha mulher e a minha filha. Soube disso pela Polícia Federal. Essa conta ele vai acertar comigo. Ele vai acertar comigo. Nós vamos ter um encontro no despenhadeiro e vamos acertar essa conta. No plano privado. O que você acha de grampearem sua filha noiva? O que você faria?

Renato Rovai e Glauco Faria

março 14, 2008

FHC, um piadista incompreendido

As recentes denúncias de Itamar Franco dando conta que o príncipe dos tucanos assinou, já licenciado do Ministério da Fazenda, as cédulas do Real podem, se confirmadas, configurar um ilícito eleitoral. Mas não será de bom tom investigar, pois a espirituosidade de um homem público nem sempre cabe nos rígidos códigos legais.
Gilson Caroni Filho
Carta Maior
Um fenômeno que cabe à ciência política estudar mais a fundo é o porquê da impopularidade de FHC. Evitado por correligionários e aliados políticos em períodos eleitorais, os motivos para tão alta rejeição talvez repousem em um fato prosaico. Cardoso, a seu modo, é um piadista incompreendido. As recentes denúncias de Itamar Franco dando conta que o príncipe dos tucanos assinou, já licenciado do Ministério da Fazenda, as cédulas do Real podem, se confirmadas, configurar um ilícito eleitoral. Mas não será de bom tom investigar, pois a espirituosidade de um homem público nem sempre cabe nos rígidos códigos legais.
Como destaca o senador Arthur Vírgilio, outro que de tão apegado a uma boa boutade, é capaz de anunciar sua candidatura à Presidência sem esboçar um sorriso que traia a boa veia cômica, “não tem porque entrar nestas questões agora. Sinceramente, precisa ficar claro para todos é que a participação tanto de Itamar quanto de Fernando Henrique permitiu esta estabilização da economia que vivemos há 15 anos”. Ou seja, devemos encarar o uso da máquina pública como algo que, vindo do PSDB, não deve ser levado a sério.
Mas os estudiosos devem voltar no tempo. Precisamente a meados de 2002, quando o chefe de Virgílio afirmava que o candidato à Presidência que ousasse mudar a sua política econômica enfrentaria a resistência da população. Ali, sem que a plebe ignara reparasse, brindou a todos com sobeja demonstração do seu apreço pelo bom humor. Quem o imaginava desprovido de lado lúdico deu com os burros n’água. Talvez essa seja a maior injustiça que cometeram seus detratores; não lhe reconhecer a vocação para o gracejo de salão. Que, provavelmente, tenha sido mais um simulacro acadêmico que brilhante intelectual é, sem dúvida, uma tese de fácil comprovação. Há sete anos, em coluna no Jornal do Brasil, Millôr presenteou os leitores com a transcrição de trecho tão ininteligível como vazio de sua obra mais prestigiosa: “Dependência e desenvolvimento na América Latina”, escrita a quatro mãos com Enzo Faletto e incensada no meio acadêmico, até meados dos anos 80, como superação da “surrada teoria do imperialismo”. O CEBRAP nunca negou espaço a quem se dispôs a endossar o caráter gracioso da nossa gente. Novos estudos sempre foram apreciados.Que talvez nenhum outro presidente tenha usado tanto o orçamento como peça essencial para composição de eventuais maiorias parlamentares, em votações delicadas para o governo, é fato facilmente comprovável pela leitura diária de jornais daqueles oito anos. Patrimonialismo, barganhas fisiológicas e terrorismo eleitoral foram práticas recorrentes dos que hoje se arvoram em defensores da moralidade pública.
Nunca fomos tão pouco República como nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso. Sem planos estratégicos de médio prazo, assinamos de vez uma inserção subalterna no cenário internacional. Já fomos ‘‘subdesenvolvidos’’, ‘‘periféricos’’, ‘‘dependentes’’, ‘‘terceiro mundo’’, ‘‘emergentes’’ e, naquela quadra, tal como o câmbio, nos tornamos um país flutuante. Um cassino administrado por um gerente poliglota com o apoio logístico de um player que bancava a mesa no Banco Central. Claro, tudo isso com muito humor. Se não avançamos politicamente, ao menos atualizamos a piada. Já não eram mais os ‘‘aposentados vagabundos’’ ou os ‘‘caipiras fracassomaníacos’’ os objetos das hilárias pontuações presidenciais. O universo dos risíveis aumentou consideravelmente. Aquele que se atrevesse a mudar a política econômica encontraria a justa revolta dos 11 milhões de desempregados por ela. Todos convertidos ao ‘‘direito à preguiça’’ defendido por Paul Lafargue, genro bem-humorado de Marx. Não menos intensa seria a ira dos que, ainda empregados, viram sua renda média decrescer acentuadamente no festim do tucanato risonho. Sem contar a fúria dos 33 milhões de famintos e 50 milhões de pobres que não pensavam em outra coisa a não ser em permanecer colaborando com o sucateamento do patrimônio público. Em suma, ‘‘o príncipe dos sociólogos’’ tentou, mediante lorotas admiráveis, adaptar aos novos tempos máximas pretéritas. Algo como ‘‘há que empobrecer, mas sem perder o humor jamais’’. Pena que poucos tenham achado qualquer graça. Gente irritadiça que hoje apóia um governo capaz de promover crescimento sustentável.
O líder do PT na Câmara, Maurício Rands, pede “uma reflexão do país inteiro sobre uso de máquina pública e instrumentalização das eleições”. É muita sisudez do deputado pernambucano. Pois eu, que já entendi o espírito da oposição, ando com receio da candidatura de Virgílio. Se fizer dobradinha com Fernando Gabeira que, em seu retorno ao Brasil, escreveu um livro (“O que é isso companheiro?”) seqüestrando o seqüestro do embaixador americano e deixando, na melhor tradição macunaímica, que lhe atribuíssem um protagonismo que nunca teve no episódio, as chances de vitória são imensas. Basta que o brasileiro volte a ser risonho e eleja o nonsense como referência ética. Piadas ingênuas e chistes tendenciosos são armas eficazes. Essa turma é um perigo. Numa gargalhada toma o poder e reverencia De Gaulle.
Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, e colaborador do Jornal do Brasil e Observatório da Imprensa.
11/03/08

fevereiro 28, 2008

Tucanalha e Demos dizem que economia brasileira está bem graças a eles. Imprensalão vai na deles. Greg Palast levantou o tapete e encontrou sangue…

Sua Excelência Robert Rubin, Presidente do Brasil
Quando era menino, o secretário do Tesouro dos EUA, Robert Rubin, sonhava em ser presidente do Brasil. Em 1999 o seu sonho se realizou. É claro que, como tem endereço em Washington e nacionalidade americana, Rubin conquistou o controle do Brasil da única maneira que podia: por intermédio de um golpe brilhante.
Em outubro de 1998, o presidente nominal do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, foi reeleito para o cargo por um único motivo: tinha estabilizado o valor da moeda brasileira e, portanto, contido a inflação. Na verdade, não tinha. O real brasileiro estava ridiculamente supervalorizado. Mas, com a aproximação das eleições, sua taxa de câmbio contra o dólar simplesmente desafiava a gravidade. Esse milagre levou Cardoso à linha de chegada com 54% dos votos.
Mas, não existem milagres.
Quinze dias depois da posse de FHC. o real despencou e morreu. Seis meses depois da eleição, ele tinha aproximadamente a metade de seu valor no dia da eleição. A inflação está aumentando e a economia implodindo. A taxa de aprovação de Cardoso, que se revelou um incompetente e uma farsa, caiu para 23% do eleitorado. Tarde demais. Ele já havia colocado a presidência no bolso.
Quer dizer, mais ou menos. Não restava muito da presidência de Cardoso além do título. Todas as políticas importantes do orçamento ao emprego, são ditadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e seu órgão irmão, o Banco Mundial. E por trás deles, dando as cartas, estava o secretário do tesouro, Rubin que governou de fato como presidente do Brasil sem precisar perder uma única festa em Mahattan. Mas esse é o preço que Cardoso pagou pelos serviços de Rubin na campanha eleitoral. Pois foi o secretário do Tesouro quem, junto com o FMI, manteve a moeda brasileira alta.
Rubin tem bons motivos para manter a dúbia moeda brasileira, além de ajudar FHC. Sabendo muito bem que a moeda seria destroçada logo depois da eleição, o Tesouro dos EUA garantiu que os Bancos Americanos conseguissem tirar seu dinheiro do país em condições favoráveis. Entre julho de 2002 e a posse em janeiro do ano seguinte, as reservas em dólar do Brasil caíram de 70 bilhões de dólares para 26 bilhões de dólares, um sinal de que os banqueiros pegaram seu dinheiro e fugiram. Mas, a moeda permaneceu em alta antes da eleição porque os EUA deixaram clara sua intenção de substituir as reservas perdidas por um pacote de empréstimos do FMI.
E também se deixou muito claro para os eleitores que os fundos seriam entregues a FHC, e jamais ao Partido dos Trabalhadores, da oposição. O apoio da elite internacional a FHC foi selado pela presença em julho, no Rio, de Peter Mandelson, cão-de-caça político do primeiro ministro britânico, Tony Blair. O estranho e inédito apoio de Mandelson a FHC marcou o ingresso oficial de Cardoso no projeto da Terceira Via de Clinton e Blair.
Um mês após a reeleição de Cardoso, o FMI ofereceu devidamente ao Brasil, um crédito no total de 41 bilhões de dólares. O Brasil não ficou com nada disso, é claro. Qualquer parcela que tenha realmente pingado no país embarcou no primeiro avião com os investidores e especuladores que o abandonaram.
Agora, os brasileiros têm que pagar a dívida. Mas essa é a menor de suas preocupações. Como parte da magia negra para manter a taxa de câmbio antes da eleição, Washington pressionou o Banco do Brasil a elevar a taxa de juros básica para 39%. O FMI pressionou por 70%. Nas ruas de São Paulo, isso se traduziu de taxas de juros de até 200% sobre empréstimos privados e créditos a empresas.
A confirmação do esquema de Rubin para salvar tanto FHC quanto os Bancos Americanos vem de uma fonte das mais interessantes: Jeffrey Sachs, da Universidade de Harvard. Sachs é mais lembrado como a Mary Tifóide do neoliberalismo, que disseminou teoremas do mercado livre e a depressão econômica pela extinta URSS. Sachs, que continua entre o falante grupo de atores no circulo das finanças internacionais, disse-me: “Você podia ver a economia [brasileira] caindo do precipício. Foi uma câmera-lenta. Mas, em vez de evitar a queda pela desvalorização controlada Washinton e o FMI incentivaram vigorosamente taxas de juros acima de 50%”, ele disse. “Washington queria a reeleição de FHC” , dando seis meses aos financistas americanos para vender os títulos e moeda do Brasil em condições favoráveis.
Se o Golpe de Estado de Rubin pareceu bem praticado, foi porque ele usou o mesmo método em 1994 para tornar-se presidente de fato do México. Mais uma vez, um partido governante sem credibilidade voltou ao poder pela força de sua moeda e das promessas de apoio dos EUA. Quatro semanas depois da posse do presidente Ernesto Zedillo o peso despencou, enquanto os credores americanos do México foram salvos por um fundo de empréstimo especial dos EUA.
FHC sabe que não adianta culpar as manipulações de Rubin pelos problemas do Brasil. Em vez disso, com ajuda de uma imprensa de direita (marrom), ele e o FMI atribuem o colapso econômico a vilões conhecidos: funcionários públicos, aposentados e sindicatos. São acusados de estourar o orçamento do governo.
Isso é maluquice. Os pagamentos dos juros, comenta Sachs, equivalem a monstruosos 10% dos gastos do país e são totalmente responsáveis pela duplicação do déficit federal. Comparadas a isso, as aposentadorias dos funcionários, principal alvo dos cortadores de orçamento, são uma gota no oceano.
Mas a analise de Sach é incompleta, ele diz que o “FMI falhou” porque os juros altos causaram a crise e a depressão. Está enganado. A crise é um elemento deliberado do plano.
A crise tem suas utilidades. Somente em caso de pânico econômico Rubin e o FMI podem soltar os Quatro Cavaleiros da Reforma: eliminar os gastos sociais, cortar a folha de pagamento do governo, quebrar os sindicatos e, o verdadeiro prêmio, privatizar empresas publicas lucrativas.
Mas, FHC não estava contente no papel de marionete de Rubin. Originalmente um sociólogo especialista em Teoria da Dependência, Cardoso deve ter lamentado pessoalmente a perda da soberania financeira de seu país.
Ele sobreviveu às eleições, mas a oposição varreu seu partido dos principais Estados, os novos governadores não lamentaram. Mostraram os dentes. Em janeiro de 1999, o ex-presidente Itamar Franco, recém-eleito Governador do Estado de Minas Gerais, recusou-se a pagar as dívidas com o Tesouro Nacional. Então outros seis governadores disseram a FHC o que qualquer pessoa sensata diria a um agiota que aumenta as taxas de juros de 10% para 60%: vá para o inferno. A imprensa mostra Franco como um bufão, enciumado de Cardoso. Seu objetivo é desviar a atenção da verdadeira ameaça a FHC e ao FMI: Olívio Dutra, popular governador do Rio Grande do Sul, era a estrela ascendente do Partido dos Trabalhadores. Filho de agricultores sem-terra, um militante jovem e educado da era da televisão, Dutra transformou a capital do estado em vitrine de desenvolvimento para o país.
Eles atacam Franco, mas é a Dutra que temem. FHC. Fez o possível para punir os gaúchos por sua eleição. Dutra não suspendeu os pagamentos ao governo federal, mas pagou os fundos, cerca de 27 milhões de libras, nos tribunais. FHC. reagiu com crueldade, retendo 37 milhões de libras em impostos coletados para o Estado de Dutra. O FMI bloqueou empréstimos para o Rio Grande do Sul. Contatado por telefone em seu escritório em Porto Alegre, Dutra disse-me que aceitava o fato de a crise exigir sacrifícios. Ele demitiu funcionários públicos, mas teve à audácia de sugerir à General Motors e à Ford que participassem do sacrifício e desistissem de isenções fiscais, que agora sangravam os cofres do estado.
O Brasil é um país rico, com um PIB, mesmo em depressão, de meio trilhão de dólares. Mas, como um hamster frenético na rodinha, está perdendo a corrida para captar seu próprio capital em fuga, que deve recomprar com taxas de juros de usura. Foi por isso que Dutra se esforçou tanto contra a privatização do banco de desenvolvimento de seu Estado, um motor da expansão autofinanciada do Rio Grande do Sul.
O Governador, que não é bobo, não desperdiçou balas contra o humilhado FHC. Ao organizar a resistência às exigências de Rubin e às condições de crédito do FMI, Dutra habilmente não visou as marionetes, mas seus manipuladores.
Dutra foi derrotado, e embora seu Partido dos Trabalhadores esteja na presidência (com Dutra como ministro), Lula está na prisão dos devedores, algemado pelas obrigações com o Citibank e seu braço policial, o FMI. E Rubin foi eleito para o cargo muito mais alto que o de presidente-sombra do Brasil: é presidente do comitê executivo do Citigroup, a corporação que é dona do Citibank, que é dono do Brasil.
POSTAIS DO CARNAVAL DA DESVALORIZAÇÃO
Eu acabara de me servir mais uma dose da pinga caseira dE Zeb. Era dezembro de 1998. Estava brindando a três conquistas extraordinárias do Brasil que haviam ocorrido naquele dia.
A primeira era a aprovação de uma linha de crédito de 42 bilhões de dólares do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial para o Brasil. A segunda, relacionada à primeira, era um salto de 4% no valor das ações na Bolsa do país. A terceira era o anúncio pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de que o Brasil finalmente havia superado o Chile como economia mais desigual do hemisfério.
O BID calcula que 10% das famílias mais ricas do Brasil, hoje, recebam 47% da renda do país. Os 10% mais pobres recebem menos de 1%.
A expectativa de vida no Brasil é hoje a mais alta das Américas. Menos de uma em cada cinco crianças mais pobres do país completam a escola primária, menos ainda que na Bolívia e no Peru.
No entanto, o economista-chefe do Banco Mundial aplaudiu as “boas condições dos fundamentos econômicos do Brasil”. A pergunta é: boas para quem?
O que marca os que visitam São Paulo não é a pobreza, mas sua riqueza organizada: fileiras e fileiras de luxuosos prédios de apartamentos, shopping centers e torres de escritórios – frutos de um BIP quase tão grande quanto o da Grã-Bretanha.
Se eu deixar cair um copo pela janela do meu hotel de luxo, matarei uma galinha na favela lá embaixo, uma das numerosas cidades de barracos que inundam os espaços entre as extravagantes torres urbanas.
A pinga me ajuda a entender essa louca mistura de pobreza e riqueza. Assim como um cartão-postal do Rio de Janeiro completamente preto. Os moradores do Rio, a Cidade Luz, enviaram centenas desses cartões escuros aos políticos locais, num protesto contra a light, a companhia de eletricidade do Rio, hoje apelidada de Dark.
Em 1997, o governo federal privatizou a Rio Light, vendendo-a para a Electricité de France e a Houston Industries, do Texas. Os novos proprietários, que haviam prometido melhorar o serviço, rapidamente eliminaram 40% da força de trabalho da empresa.
Infelizmente, o sistema elétrico do Rio não está totalmente mapeado. Os funcionários d companhia elétrica guardavam na cabeça a localização dos cabos e transformadores. Quando foram demitidos, levaram consigo os mapas mentais.
Quase todos os dias um novo bairro ficava às escuras. Os proprietários estrangeiros culpavam o clima no oceano Pacífico. O Rio fica no Atlântico, é claro.
Mas para os proprietários em Paris e no Texas nem tudo era escuridão. As conseqüências dos cortes de salários e aumento de tarifas ajudaram os donos estrangeiros a obter dividendos de mil por cento. O preço da ação da Rio Light saltou de 194 reais para 259 reais.
Em 1998, o governo brasileiro pôs em leilão a empresa de eletricidade de São Paulo. Apesar de gritos e processos movidos por organizações de consumidores, a companhia foi ganha pelo único licitante, que pagou o preço mínimo pedido: o mesmo consórcio corrupto Houston-Paris. Imediatamente os novos donos anunciaram um excesso de mil funcionários.
O objetivo desta história de privatização é esclarecer os detalhes sórdidos, raramente relatados, do que o Banco Mundial chama de “criar um ambiente amigo do mercado”.
As condições dessa liquidação de ativos brasileiros são ditadas por um volumoso documento da consultoria americana Coopers & Lybrand (hoje chamada Price Waterhouse-Coopers). Enquanto o termo “mercado” é borrifado por todo o texto, o projeto é feudal e não capitalista. A Coopers divide a infra-estrutura vendável do país em monopólios legalmente aceitáveis, destinados a garantir superlucros aos novos donos, na maioria estrangeiros, sem empecilhos do controle do governo ou da concorrência.
Ele tem como modelo o sistema medieval de “arrendamento fiscal”, em que, por um único pagamento, os reis permitiam que coletores de impostos limpassem os camponeses. Os termos da privatização beneficiaram outros clientes da Coopers, as mesmas companhias que faziam ofertas pelos ativos brasileiros.
O Banco Mundial afirma que a liquidação de todas as empresas públicas do Brasil foi lançada pelo governo brasileiro. “sem pressão externa”. Ah, claro!
A venda acelerada dos bens brasileiros – no valor de 40 bilhões de dólares em 2003 – é uma condição inegociável das linhas de crédito de banco e agências internacionais.
Supostamente, a venda de empresas públicas, portos e rodovias reduz as dívidas do país. Não é verdade. Privatizar a infra-estrutura reduz a dívida do governo, mas não a dívida pública. A menos que os cidadãos desistam da eletricidade e da água, o público ainda é responsável pelas dívidas desses serviços. Na verdade, o governo está cobrindo os custos dos seus empréstimos por meio de um terrível imposto regressivo, na forma de aumento dos preços da eletricidade e da água cobrados aos trabalhadores do país (e aos desempregados das favelas)
É claro que a elite brasileira recebe uma parte do saque. O governo exige que qualquer consórcio estrangeiro que compre propriedade estatal inclua um sócio da língua portuguesa. Provavelmente, você não ficará chocado ao saber que amigos do partido governante estão recebendo tratamento especial.
Em 1998, o Ministério das Comunicações e o diretor do programa de privatizações demitiram-se depois que transcrições de conversas em telefones celulares interceptadas revelaram suas tentativas de influenciar as ofertas por companhias telefônicas estatais, para favorecer amigos ligados a operadoras européias.
O processo de “reformas” imposto por credores externos não se limita à tomadas de bens estatais.
O Brazilian Council da Grã-Bretanha promoveu uma reunião em Londres, em novembro de 1998, sobre os serviços públicos do Brasil. Foi apresentado um plano para “melhorar a eficiência no mercado de trabalho”, financiado pelo Banco Mundial. Os brasileiros não deveriam ver o documento. Mas eu obtive uma cópia e decidi contar o que há nele.
O Plano Mestre do Banco Mundial propõe cinco aperfeiçoamentos para esse país que tem o menor compromisso com a educação e outros serviços públicos do hemisfério. Ele diz claramente;
Reduzir salários e benefícios Cortar pensões Aumentar as horas de trabalho Reduzir a estabilidade no emprego e o emprego.
Mas a recompensa, a linha de crédito de 42 bilhões de dólares, não vai, em última instância, pingar sobre pessoas nos barracos?
Não, diz Ildo Sauer, professor de energia da Universidade de São Paulo (licenciou-se para exercer o cargo de diretor de Gás e Energia da Petrobrás – N.E.). “Tudo vai para saldar os prejuízos do jogo”. – o esforço frenético do governo para manter a taxa de câmbio do real contra o ataque de especuladores.
O Brasil está pagando juros incríveis de 40% sobre sua dívida interna para convencer sua elite a guardar o dinheiro em São Paulo, em vez de Miami. Os 42 bilhões de dólares não vão cobrir os juros de um ano.
Estive hospedado numa casa maravilhosa na praia, perto de Santos (por motivos de pesquisa, legitimamente cobrada do The Observer). O proprietário diz que a residência vale cerca de 500 mil dólares. É sua terceira casa. Ele paga imposto de propriedade de apenas mil dólares por ela.
Os pobres do município não mandam seus filhos à escola porque a captação de impostos não é suficiente para pagar livros, uniformes ou o transporte dos alunos.
E agora, dois anos depois, vemos que os 42 bilhões de dólares do FMI simplesmente permitiram que o banco americano deixasse o Brasil e os ricos espertos mandassem seu dinheiro para o exterior.
É março de 2000. Com a aproximação de terça-feira de carnaval, as conversas políticas ao som da batucada são sobre o salário mínimo, que a Constituição do país efetivamente fixa em 100 dólares pro mês. Com a desvalorização da moeda e a inflação maciça dos bens básicos (a eletricidade aumentou 250%), o mínimo deveria subir automaticamente de 130 reais para menos 170 reais
Sobre esse socorro à população de baixa renda, o presidente Fernando Henrique Cardoso, portados da tocha da Terceira Via na América Latina, permanecia inescrutavelmente perplexo. Mas seus ministros, as câmaras de comércio e seus acadêmicos encheram colunas de jornais com argumentos para se eliminar a “inflexibilidade” da Constituição.
Como tudo o mais durante o carnaval, o debate sobre o salário mínimo é uma farsa. A questão já fora decidida e anunciada em novembro de 1998 pelo Banco Mundial e seu primo, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, em um relatório ao British Council em Londres (cujo segredo agora violo com alegria).
Em troca dos empréstimos usados para sustentar o valor do real – um completo fracasso -, o Brasil teria de cortar os salários e aposentadorias do governo e, em especial, fazer cortes nos serviços básicos como saúde e educação. Alguns salários e aposentadorias do Estrado são definidos como múltiplos do salário mínimo – por isso tem de ser cortado sem piedade.
Para aplicar sua decisão (ou, como diz o banco, para “ajudar”), o BID transferiu 160 milhões de dólares das verbas de saúde e seguridade social do Brasil para esse projeto “estrutural”. Nem todo o dinheiro foi desperdiçado. Minha própria dispendiosa viagem pelo Brasil foi paga com essas verbas, numa coordenação do Departamento de Estado dos Estados Unidos e da velha frente da CIA, a USIA. (Não pergunte)
Meu trabalho era instruir os brasileiros em processo democráticos para consumidores e sindicatos dentro dos direitos básicos de uma sociedade civil. Isso é bem americano: primeiro atire em suas pernas, depois dê a eles aulas de samba.
***
A disputa sobre o salário mínimo é um tanto teórica nos estados do Norte do Brasil que cercam a bacia Amazônica, onde qualquer salário é um luxo. Por isso fiquei especialmente tocado pela batalha de um grupo, na maior parte dessa área da Amazônia, conhecido simplesmente como Donas da Casa. As mulheres, cujo trabalho típico consiste em colocar alimentos e roupas para os mais pobres dos pobres do país, deram um susto no complexo bio-industrial internacional com uma ação legal, aberta para elas pelos advogados do IDEC, uma associação de consumidores do Brasil, para impedir a venda pela Monsanto de soja “Round Up Ready”.
A Monsanto modifica o DNA dessas sementes mágicas para sobreviver a uma forte dosagem do herbicida da companhia, Round Up. Andréa Libério, uma líder da Casa, enfurece-se diante da alegação condescendente da indústria de que esse produto vai alimentar os pobres brasileiros, enquanto ela lê que os supermercados britânicos Tesco se recusam vender produtos contaminados por ele. No início, a briga das Donas de Casa parecia a de um peixe de aquário contra Godzilla. Mas os peixinhos estão ganhando.
A Monsanto, em vez de apresentar evidências num tribunal, entregou a defesa da companhia ao juiz em sua casa, à noite. Mas escolheu o juiz errado. Este, aparentemente, lembrava-se de um tempo não muito distante em que o governo militar ia à noite entregar as decisões “certas” aos juízes, ou os levava embora. O juiz Antonio Souza Prudente decidiu que os brasileiros não lutaram pára depor a ditadura militar e vê-a substituída por um comercial. Em seu tribunal, denunciou os visitantes noturnos e proibiu a venda das sementes manipuladas.
A decisão de agosto de 1999 encorajou o diretor da agência ambiental do país a aliar-se aos consumidores e às donas de casa. Não foi uma decisão profissional acertada – o presidente Cardoso o demitiu do cargo. Depois, o governo FHC foi favorável na apelação da Monsanto.
Mas a decisão do juiz parece juridicamente intocável. O Brasil, segundo meus conselheiros da embaixada americana, tem leis ambientais mais rígidas que os Estados Unidos ou a Grã-Bretanha, com multas maiores contra os poluidores. Olhei pela janela do carro para as colunas de fumaça cáustica que dá a partes de São Paulo a aparência do terceiro anel de Hades, “ah… Todo ano o presidente Cardoso decreta uma anistia, assim ninguém paga as multas”.
***
Antes de me reunir com o vice-presidente da Justiça do Estado de São Paulo, meu guia do Departamento de Estado sugere que eu use a nova linguagem criada por consultorias de grupos de interesse. Os cidadãos não são mais cidadãos, e sim “clientes”. O poder do mercado substitui os direitos humanos. “Existe toda uma atitude no Brasil em relação ao público”. Passamos por cima de alguns “clientes” que dormiam sobre as saídas de ventilação do hotel.
O secretário ficou contente ao me ver. Isso lhe deu uma desculpa para escapar de duras negociações com líderes dos Sem-Terra e Sem-Teto que haviam ameaçado montar um acampamento permanente em volta da Secretaria. Eu comentei em inglês: “The roofles meet the rubles” [ Os sem-teto encontram os sem-piedade]. Acho que a tradução foi difícil.
Enquanto garçons serviam xícaras de café, o homem do Departamento de Estado estava ansioso para me mostrar o lado progressista de FHC.. Apontou para a maquete de um grande edifício que ocupava a mesa do secretário. “Acho que é o novo projeto habitacional do governo”.
O secretário sorriu. “Na verdade, é nossa nova prisão. O mais moderno projeto americano. Imagino que seja colocar os “clientes” em ALGUM LUGAR.
***
Notas da entrevista.
Por que aquele homem estava cortando árvores? Para obter lenha para cozinha. Ele não pode comprar gás engarrafado. O preço aumentou 150% em um ano.
E por que? Porque o governo FHC. Eliminou os subsídios e controles do gás engarrafado.
Por que aumentou o preço do gás do país? Para que os que podem pagar prefiram o gás encanado ao engarrafado.
Por que o governo não promoveu o gás encanado? Para tornar a privatização da companhia estatal, Comgás, mais interessante aos investidores estrangeiros.
Por que vender a Comgás? Cardoso precisava de dez bilhões de dólares por mês só para pagar os empréstimos para salvar a moeda.
Quem a comprou? A Shell Oil e a British Gás.
Quando? Em 1997, pouco depois que Tony Blair mandou seu principal assessor em visita ao presidente Cardoso.
***
“Relaxe, é carnaval” , me diz a embaixada. Lá está o presidente Cardoso num pequeno fio-dental verde, ajoelhado na frente de Bill Clinton. Ele cantando a balada de Jobim “Eu serei palhaço…”. De certa forma, os humoristas do desfile são mais verossímeis que a coisa real. Bem, chega. Tenho de vestir minhas plumas. Como diz o Departamento de Estado, “se você não consegue enriquecer, pelo menos pode ficar nu”.
Greg Palast é um dos mais importantes jornalistas investigativos Americanos, trabalha para o “The Guardian”, “The Observer”, asssim como a BBC, destaca-se entre os jornalistas, com suas obcessões pelas provas documentadas e seus minucioso métodos de pesquisa. Autor do Livro ” “A melhor democracia que o governo pode comprar”

dezembro 26, 2007

PSDB enfrenta Fantasmas dos Natais Passados: Valerioduto I tem 15 denunciados pelo STF

STF notifica 15 denunciados em valerioduto tucano
Jornal do Commercio do Rio – 26/12/2007
Um dia antes do recesso do Poder Judiciário, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa determinou nesta quinta-feira a notificação das 15 pessoas que são alvo da denúncia criminal do valerioduto tucano, para que elas apresentem defesa prévia.
Os acusados terão 15 dias para prestarem explicações sobre as acusações de prática de peculato e lavagem de dinheiro. Porém, o prazo começará a contar do momento da notificação, que ocorrerá a partir de 6 de janeiro, quando termina o recesso de fim de ano da Justiça.
Entre os denunciados estão o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e o ex-ministro das Relações Institucionais Walfrido dos Mares Guia, que pediu demissão no dia em que a denúncia foi oferecida pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, em 22 de novembro último.
Eles são acusados de desviar R$ 3,5 milhões de verba pública para a campanha derrotada de Azeredo à reeleição ao governo de Minas Gerais, em 1998. Antonio Fernando disse que o esquema, montado pelo publicitário Marcos Valério, foi “o laboratório” do mensalão petista.
Notas do Blog:
Galinha ou ovo?
Não é muito certo afirmar que o Valerioduto I ( Valerioduto Primeiro. É que eu não encontro numerais romanos para usar aqui. ) foi o “laboratório” do que quer que seja. Ele foi um fim em si mesmo, projetado para aquele presente, e não um preparativo para o que viria. Aqueles canais tipo History Channel fazem muito isso: a Pérsia, Atenas ou Roma foram um esboço, cuja finalidade de suas existências foi apenas a de servirem como parâmetro de comparação com o ápice delas mesmas, ou seja, os EUA.
CAIXA 2
Essa aqui é apenas um lembrete: Andrade Vieira, dono do Bamerindus ( extinto ) disse, não lembro se em 2005 ou 2006, que houve Caixa 2 na campanha de Fernando Henrique à Presideência, em 1994.
MUSOS
A chatíssima Bárbara Gancia, que não assinaria o ato em apoio a Emir Sader quando este foi processado pelo ultra-cidadão de bem Bornhausen, batizou um gatinho de Ziggy Stardust, homenageando David Bowie numa de suas melhores fases. Antes de invocar Flávio Cavalcanti, para destruírmos meus poucos CDs do músico inglês ( da mesma forma que Diogo Mainardi se desfez de um Armani quando descobriu que Lula também tinha um ), pergunto porquê ela não batizou o animalzinho de “Neschling”, ou “Cardosinho”, mais de acordo com suas preferências e concepções de vida?

dezembro 16, 2007

CPMF: Derrota de Lula, Serra e governadores tucanos

Jasson de Oliveira AndradeO fim da CPMF, imposto pelo Senado por apenas quatro votos, foi a pior derrota de Lula, em cinco anos de governo. No entanto, ele não perdeu sozinho. Serra e outros governadores tucanos (Aécio Neves, Minas; Yeda Crusius, Rio Grande do Sul e Teotônio Vilela, Alagoas) também foram derrotados. Todos eles defenderam a prorrogação dela. O mais contundente em sua crítica foi o tucano Teotônio Vilela, governador de Alagoas. Ele declarou ao Estado: “Perde Alagoas e perde o Brasil. Acho que foi um equívoco dos senadores tucanos, ao se posicionarem contra a CPMF”. Aécio foi mais cauteloso: “Eu, pessoalmente, achava que o volume maior de investimento na saúde seria bom para todos, para a população”. Em Toda Mídia, Nelson de Sá, revelou: “Na página “+ lida” na Folha Online, “O PSDB perdeu”, de Kennedy Alencar. Ou ainda, “os dois candidatos à Presidência da República, José Serra e Aécio Neves, foram derrotados pelos tucanos do Senado”, um grupo “liderado por FHC”.

Fernando de Barros e Silva analisa, em artigo à Folha, um a um quem ganhou e quem perdeu com o fim da CPMF. O texto é longo, mas ilustrativo: “O governo decerto perde – e muito-, mas desta vez cai de pé. Fica sem o dinheiro, mas ganha um discurso. Verdade ou não, vai transferir para a oposição a culpa pelo sumiço de R$ 40 bilhões da saúde. E saberá se segurar sem eles. (…) Os “demos” do PFL só podem estar como pintos no lixo – chafurdando em felicidade. São os pequeninos grandes vitoriosos da madrugada. Jogaram seu papel. (…) E o PSDB? Venceu contra si mesmo. Serra e Aécio, os governadores presidenciáveis, ficam sem dinheiro e sem discurso. Queriam a CPMF e foram derrotados com Lula. Não é algo fácil de entender. (…) Mas Arthur Virgílio, o Jim Jones do tucanato, só liderou a bancada na ponta da faca porque tinha o respaldo e retaguarda de Fernando Henrique. Visão estratégica? Vitória da democracia? PARECE SÓ INVEJA HISTÓRICA (destaque meu). Seria melhor que não fosse. Como FHC bem sabe, quem paga o pato não é a turma do Paulo Skaf [presidente da FIESP].” O consumidor foi o beneficiado? Em parte sim. Só em parte. É o que diz a Folha, em manchete de Primeira Página: “Ganho para consumidor é pequeno”, afirmando ainda: “O fim da CPMF não trará economia expressiva ao dia-a-dia dos consumidores. Embora sua arrecadação anual seja alta, SEU CUSTO MENSAL É PEQUENO COMPARADO AO DE OUTROS TRIBUTOS (destaque meu)”. Por que, então, não lutar contra esses OUTROS TRIBUTOS? É que com fim da CPMF o governo Lula não poderá aplicar o dinheiro em benefício da população. Diz Gustavo Patu, na Folha: “Novo cenário torna menos ambiciosos os planos do Planalto, a começar pelo “PAC da Saúde”, que teria R$ 4 bilhões novos em 2008”. Sem comentários!

Arthur Virgílio, o novo herói de FHC, foi um crítico mordaz de José Serra. Renata Lo Prete, no Painel da Folha (14/12), revela: “O que Virgílio disse de José Serra nos últimos dias ninguém disse de Lula nem na CPI do Fim do Mundo [CPI dos Bingos]”. Essa e outras declarações contra o governador de São Paulo levaram o deputado Maurício Rands (PT-PE) a dizer: “Quem disse que os tucanos não têm projeto? Eles têm um projeto claro: impedir que o Serra chegue à Presidência da República”. Conseguirão? A união Virgílio-FHC não é bem vista por um governador tucano, segundo informa Mônica Bergamo, em sua Coluna na Folha de 14 de dezembro. Eis o desabafo do governador do PSDB: “Ninguém de prestígio no PSDB vai comemorar [o fim da CPMF], ainda mais porque os indicadores econômicos vão piorar. Só o [senador] Arthur Virgílio, que teve 3% dos votos quando disputou o governo da Amazonas, e o Fernando Henrique [Cardoso], que tem uma das piores avaliações entre todos os políticos do Brasil”. Palavras de um dos cinco governadores do PSDB – que batalharam pela prorrogação do imposto e foram derrotados por FHC.” Ainda segundo Mônica Bergamo: “O governador José Roberto Arruda, do DEM, fez as contas e acha que o DF [Distrito Federal] perde R$ 250 milhões com o fim da CPMF”. Até governador do DEM é vítima do fim do imposto tão combatido pelo partido!

Arthur Virgílio, em entrevista ao Estadão, confirmou o desentendimento com o governador paulista: “Disse a Serra que não tinha como mudar a posição [contra a CPMF]. Aí, ele disse: “Isso é uma loucura”. Então eu respondi: “Eu sou louco, um louco que vai manter a sua palavra até o final. (….) UMA CONVERSA QUE PODERIA TER SIDO MAIS AGRADÁVEL (destaque meu) porque eu te admiro muito e tanto te admiro que defendi seu nome duas vezes para a Presidência”. Então, a informação do Painel da Folha, transcrita neste artigo, é confirmada pelo próprio líder tucano no Senado. Não é invenção!

Como vimos, Lula, Serra e outros governadores tucanos foram derrotados com o fim da CPMF. Resta agora analisar a frase do governador Teotônio Vilela (PSDB): “Perde Alagoas e perde o Brasil”. Cada um tire suas próprias conclusões!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Dezembro de 2007

Postado por Redação Portal Mogi Guaçu

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